Vocação totalitária

Liberdade na internet

Editorial do Estadão
Enquanto, no Poder Judiciário, o ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), pronunciava a sua já histórica sentença liminar suspendendo a vigência da Lei de Imprensa - o mais tóxico dos entulhos deixados pela ditadura militar -, no Legislativo, a Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação (CCT) do Senado aprovava, sem prévia realização de audiência pública, projeto de lei que, ao alterar o Código Penal, aumentando em um terço a pena para os crimes contra a honra praticados por comunicação eletrônica, na prática restringe as liberdades de opinião e expressão na internet. De autoria do senador Expedito Júnior (PP-RO), o projeto também altera o Código de Processo Penal, determinando que a autoridade policial, ao ser informada desse tipo de delito, acesse o site indicado na internet pela vítima e imprima os textos ofensivos, que servirão de prova documental para embasar o boletim de ocorrência. Com isso, mesmo que o site venha a ser retirado do ar, a ação judicial poderá ser proposta pelo ofendido. O projeto agora será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para votação em caráter terminativo. Em vigor há mais de seis décadas, o Código Penal já prevê agravantes quando os crimes contra a honra - como injúria, calúnia e difamação - são praticados contra chefes de governo e funcionário público. Ao justificar a proposta de aumentar ainda mais o rigor das penas para esse tipo de ilícito, Expedito Júnior alegou que o desenvolvimento da tecnologia de comunicações, ao permitir que usuários de computador acessem informações e as retransmitam “numa cadeia sem-fim”, ampliou as possibilidades de difamação de políticos.
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Nota do Editor - Liberdade é bom quando queremos atirar pedras no vizinho, quando somos o alvo perde a graça. O governo petista sabe que em cinco anos a internet será a mídia predominante. Desde já estuda formas de calar, não os irresponsáveis, para esses existe a lei, mas os dissidentes, o pensamento que se opõe. Um dia criarão gulags, para colocar quem ousar falar que o que Waldomiro Diniz foi filmado fazendo é crime. Por falar nisso, onde anda Waldomiro Diniz? Está preso? (Sidney Borges)

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