Entre o sonho e o pesadelo Gabeira Concordo com o poeta: o último dia do ano não é o último dos tempos. Mas é o amanhã, o que será do amanhã? O ano passado nos massacrou com o imprevisto, e algumas certezas se queimaram na ferrugem dos aviões caídos, nas ações da Petrobras caídas, nas cinzas maniqueístas de uma eleição presidencial. Se os tempos continuam, a grande pergunta é: o país desatará, ou não, o nó da corrupção sistêmica? Ela explodiu no petróleo, futebol, vôlei e futsal. Se roubar fosse um esporte olímpico, nesse momento, seríamos candidatos ao ouro. Não temos, no entanto, a mínima ideia de como guardá-lo em segurança. Basta lembrar o roubo da Taça Jules Rimet. Se os tempos continuam, será preciso trabalhar, e esse calor é infernal para muitos ofícios. Em termos de longo prazo, há uma esperança de conter o aquecimento. Não creio, por experiência própria, em grandes reuniões como a de Paris, em 2015. Mas com acordos regionais, muita preparação, quem sabe não chegamos lá,...