Angra 3. Sim ou Não?

Alemanha e Itália abandonaram seus projetos nucleares e os EUA não constroem uma usina nuclear há 30 anos. Não se trata de uma opção que caiu em desuso?
A preocupação com a escassez de petróleo, num futuro não muito distante, e com o aquecimento global fez com que, atualmente, o mundo esteja vivendo a retomada da energia nuclear. Nos anos 80, houve um retraimento provocado pelo aumento do custo financeiro, devido à escalada dos juros americanos. Isso fez com que as usinas nucleares perdessem em competitividade para o carvão e o gás. Além disso, os acidentes nas usinas de Three Mile Island, em 1979, nos EUA, e de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, parte da antiga URSS, causaram discussões sobre a segurança de operação. Apesar desse cenário, a França consolidou sua indústria nuclear nos anos 80 e hoje tem 78% de sua energia elétrica produzida em centrais nucleares.
O histórico de usinas como Angra 1 e angra 2 (com reatores de água pressurizada ou PWR) traz 50 anos de experiência operacional com 210 plantas. Houve somente um acidente grave – Three Mile Island --, sem vítimas, nem contaminação do meio ambiente. A usina de Chernobyl era de outro tipo (de grafite, modelo RBMK1000) e,como ficou comprovado pelas investigações, estava operando fora das regras de segurança. Depois desses acidentes, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) determinou uma nova série de normas de segurança, hoje amplamente implementadas.
Atualmente há 438 reatores nucleares em operação em 31 países e 31 unidades estão em construção em 13 países. Em 2006 a Argentina anunciou a retomada das obras de Atucha 2, sua terceira usina nuclear, que deve ficar pronta em 2010. Em junho, quando o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu recomendar a retomada de Angra 3, a Finlândia, a Lituânia e a Romênia anunciaram a construção de novas unidades; e a British Energy abriu negociações com fabricantes de reatores de última geração, já que o governo britânico deu o sinal verde para novos investimentos em energia nuclear. Nos Estados Unidos, 50 reatores nucleares obtiveram licença de extensão por mais 20 anos, e 20 novos projetos se encontram em fase de análise pelo órgão regulador.
Vale ressaltar ainda que 12 países, Argentina, África do Sul, Brasil, Canadá, China, França, Japão, Coréia do Sul, Suíça, Reino Unido, Rússia e EUA, além da Comunidade Européia de Energia Atômica (Euratom), que representa os países da União Européia – criaram o Fórum Internacional Geração IV (GIF), que desde 2001 projeta novas tecnologias de reatores nucleares para serem usados a partir de 2030. Quanto à Alemanha, é bom destacar que, embora tenha decidido não construir mais usinas nucleares, o país ainda não encontrou fontes substitutas: é o segundo maior importador de energia elétrica do mundo, a maior parte vinda da França, cuja matriz energética, como foi dito acima, é fortemente calcada na energia nuclear. (ABEN)
Segue: O que fazer com o chamado lixo nuclear?
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