Postagens

Mostrando postagens de 2015

Dominique

Imagem

Opinião

O ano que acaba e o que começa

Contardo Calligaris
Nos anos 1950, na Itália, circulava uma piada.

Um padre transita de bicicleta pela praça de um vilarejo e quase é atropelado por um caminhão. Um guarda de trânsito, que é membro do Partido Comunista, comenta: "Padre, você teve sorte, hein?". E o padre: "Não foi sorte, não. É que você não consegue enxergá-lo, mas aqui comigo, na garupa, sempre vem Deus". O guarda, triunfante, tirando do bolso seu carnê de multas: "Dois numa bicicleta? Lamento, padre, esta é uma infração grave".

Penso nessa piada a cada vez que alguém me diz que, na sua vida, algo está certo "graças a Deus".

Tudo isso para dizer que a nossa vida e o estado do mundo dependem de nós —com um pouco de sorte, eventualmente.

Nestes dias, os jornais e a televisão nos oferecem as tradicionais revisões conclusivas do ano que passou. Todos gostamos de um balanço. Qual é, para mim, o fato dominante de 2015? (Não é Eduardo Cunha; lamento, mas, à vi…

U.V.

Imagem

Manchetes do dia

Quinta-feira 31 / 12 / 2015

O Globo
"Dólar teve em 2015 a maior alta em 13 anos"

Moeda americana subiu 48,4% e fechou cotada a R$ 3,95

Com a forte valorização, os fundos cambiais foram a melhor aplicação financeira dos últimos 12 meses
O dólar comercial fechou ontem a R$ 3,95, encerrando 2015 com valorização de 48,4%. Foi a maior alta da moeda americana desde os 53,2% de 2002, quando o mercado viveu o estresse da primeira eleição do ex-presidente Lula. Agora, pesaram as crises econômica e política domésticas e mudanças no cenário externo. A disparada da cotação fez dos fundos cambiais a melhor aplicação em 12 meses.

Folha de S.Paulo
"Cantareira sai do volume morto sem trazer alívio"
Racionamento de água para moradores da Grande SP será mantido em 2016
Após 18 meses, o sistema Cantareira deixou de depender da água do fundo das represas (volume morto) para abastecer parte dos moradores da Grande São Paulo.
Contribuíram para isso chuvas acima da média histórica e medidas tomada…

Dominique

Imagem

Opinião

A esperança de Pandora

A esperança é o último dos "males" escondidos na caixa de Pandora. Mas quem é Pandora?

Luiz Felipe Pondé
Pandora é a mulher criada por Zeus para nos castigar. Pandora é uma espécie de Eva grega, com a diferença de que o culpado por ela ter sido criada para nos fazer sofrer é um "homem": Prometeu.

Sabemos que Prometeu foi aquele que nos deu a "técnica do fogo", contra a vontade de Zeus. Este, para castigar Prometeu, o teria pregado a uma pedra para ter seu fígado comido por uma ave pela eternidade. Zeus parecia acreditar que com essa "técnica do fogo" nós faríamos bobagens. Mary Shelley, no século 19, chamará seu doutor Frankenstein de "o Prometeu Moderno", numa referência clara à desmedida ("hybris") técnica do homem moderno, representada pelo médico Frankenstein, que "cria um homem", se igualando a Deus.

Na Grécia, portanto, já apareceria esse "medo" de querermos saber o que os deuses sa…

U.V.

Imagem

Manchetes do dia

Quarta-feira 30 / 12 / 2015

O Globo
"Ministro atribui rombo fiscal a erros do governo"

Jaques Wagner culpa ‘desoneração exagerada’ e outras medidas

Salário mínimo subirá 11,6%, para R$ 880, com custo de R$ 30 bilhões para a Previdência

O petista Jaques Wagner, ministro da Casa Civil, admitiu que erros cometidos pelo governo Dilma em 2013 e 2014 contribuíram para a grave crise que o país enfrenta. O ano de 2015 “foi tão duro” por causa deles, disse Wagner, citando a “desoneração exagerada” e “programas de financiamento num volume muito maior do que a gente aguentava”. O governo anunciou aumento de 11,67% para o salário mínimo, que passará a R$ 880 em 1° de janeiro. 

Folha de S.Paulo
"Haddad e Alckmin subirão tarifas de ônibus e metrô"
Prefeitura define alta de R$ 3,50 para R$ 3,80 em janeiro; Estado deve seguir valor
As tarifas de ônibus, trens e metrô da cidade de São Paulo ficarão mais caras em 2016. A decisão foi articulada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e o governado…

Dominique

Imagem

Opinião

O nacional-estatismo nas cordas

Para sair do buraco, sem dúvida, haverá um custo, e será alto. A velha questão, familiar às crises, retorna com força imprevista: quem vai pagar a conta?

Daniel Aarão Reis
O primeiro golpe veio no dia 22 de novembro passado, com a vitória do liberal Mauricio Macri sobre Daniel Scioli, candidato do peronismo, por apertada maioria. Pouco depois, em 2 de dezembro, o inacreditável e desacreditado Eduardo Cunha autorizava o início do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Mais quatro dias, seria a vez de Nicolás Maduro sofrer contundente derrota eleitoral por uma diferença de dois milhões de votos.

Em apenas duas semanas foram severamente abaladas as três atuais mais importantes experiências nacional-estatistas nas Américas ao sul do Rio Grande. Qual o contexto histórico das derrotas? Que futuro se poderá vislumbrar a partir delas?

Antes de falar do presente, é importante referir a densidade da cultura política nacional-estatista. Execrado por muitos, à d…

U.V.

Imagem

Manchetes do dia

Terça-feira 29 / 12 / 2015

O Globo
"Brasil passará a usar vacina contra a dengue"

País registrou 1,4 milhão de casos este ano

Governo federal ainda avalia, porém, se produto de laboratório francês será oferecido pelo SUS
O Brasil, que teve 1,4 milhão de casos de dengue confirmados só este ano, deverá começar a usar, em apenas três meses, uma vacina contra a doença. A Anvisa autorizou ontem a comercialização do produto desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, mas o governo ainda avalia se ele será oferecido pelo SUS. A vacina foi testada em 15 países, inclusive o Brasil, e demonstrou eficácia na prevenção dos quatro tipos da dengue, principalmente para quem tem entre 9 e 45 anos. O medicamento, porém, não protege contra o zika e o chicungunha. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 800 pessoas morreram vítimas da dengue, este ano, no Brasil. No Rio, foram 16.896 casos da doença, seis vezes mais que em 2014.


Folha de S.Paulo
"Deficit atinge R$ 120 bilhões com quita…

Dominique

Imagem

Opinião

Fim de uma etapa

Ferreira Gullar
Para que se possa entender o que se passa no Brasil, política e economicamente, creio ser necessário levar em conta o tipo de populismo que aqui se implantou, a partir do governo Lula, e se agravou com o governo Dilma.

O populismo não é uma novidade, nem aqui nem em outros países latino-americanos, mas, de algumas décadas para cá, implantou-se em alguns deles um tipo especial de populismo que, para distingui-lo do anterior, costumo chamá-lo de "populismo de esquerda".

Claro que de esquerda mesmo ele não é. Trata-se, na verdade, de uma esperteza ideológica que manipulou as aspirações revolucionárias, surgidas na região a partir da Revolução Cubana, após a década de 1960. Essas aventuras guerrilheiras contribuíram involuntariamente para as ditaduras militares que se espalharam pelo continente. O fim dessas ditaduras, por sua vez, abriu caminho para esse novo populismo, que se apresentou como o oposto dos regimes militares, anticomunistas por defini…

U.V.

Imagem

Manchetes do dia

Segunda-feira 28 / 12 / 2015

O Globo
"Corte de cargos só chegou a 11% do anunciado por Dilma"

Eliminação de secretarias e redução de salários também ficaram no papel

Necessidade de oferecer mais postos a partidos aliados em troca de apoio na Câmara, em meio ao processo de impeachment, emperrou a reforma anunciada como parte do ajuste para cobrir o déficit no Orçamento
Três meses após a presidente Dilma anunciar uma reforma que previa o corte de 3 mil cargos de confiança, a extinção de 30 secretarias especiais e uma economia anual de R$ 200 milhões, quase nada saiu do papel, nem mesmo a redução dos salários dela, do vice Michel Temer e dos ministros, informam Simone Iglesias e Martha Beck. O corte de gastos com pessoal foi um dos pontos do pacote anunciado por Dilma para cobrir o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento de 2016. Dos 3 mil cargos, só 346 foram cortados.
Das 30 secretarias, só sete deixaram de existir. Após o anúncio do enxugamento, Dilma teve de dar mais car…

Dominique

Imagem

Opinião

Cinzas no Paraíso

Gabeira
O Supremo no Brasil talvez seja o único que toma as decisões em transmissões ao vivo. Dizem que é uma jabuticaba pois só dá no Brasil. Pelo menos é uma jabuticaba do bem, pois tem o gosto doce e esquisito da transparência.

O fato de os ministros estarem tanto tempo na tela, convivendo no mesmo espaço luminoso com centenas de outros personagens, talvez os jogue nessa teia de familiaridade com os espectadores. Lewandoswki, por exemplo, é um atacante do Bayer que costuma jogar nos dias de sessão no Supremo. Você muda o canal e Lewandoswki é um tremendo zagueirão, em defesa das teses do governo.

Nem sempre tenho tempo para ver tudo, mesmo nos momentos wagnerianos. Confesso que, as vezes, me parecem prolixos, redundantes, mas o que fazer, movem-se com uma linguagem especifica.

Talvez seja um problema pessoal. Desde garoto, escrevendo para jornal, a luta diária com as palavras exige clareza e uma certa rapidez. Quase nunca se consegue a satisfação. Mas há um anjo sempre…

U.V.

Imagem

Manchetes do dia

Domingo 27 / 12 / 2015

O Globo
"Lá se foi 2015: Crise obriga prefeituras a cortar investimentos"

Capitais registram queda de até 90%, e perspectiva para o ano que vem é sombria.

Das 22 cidades que enviaram relatórios ao Tesouro Nacional, 14 informaram que gastaram menos do que em 2014; Rio é uma das poucas em que ritmo aumentou.

A crise econômica atingiu em cheio prefeitos de capitais às vésperas do ano eleitoral. Em 14 das 22 prefeituras dessas cidades que enviaram relatórios ao Tesouro Nacional, os gastos com investimentos caíram em relação a 2014, paralisando ou atrasando obras em curso. Há casos extremos, como o de Natal (RN), onde essas despesas despencaram 89,8%, informa Silvia Amorim. A queda na arrecadação e nos repasses, para analistas, indica que a situação não deve melhorar em 2016. A prefeitura do Rio surge como uma das exceções, com aumento de 74%. Onze capitais também já ultrapassaram o limite de alerta previsto em lei para gastos com servidores.

Folha de S.Paulo
&quo…

Dominique

Imagem

Opinião

Viver o presente

João Pereira Coutinho
O Natal aproxima-se e os clichês aproximam-se também: hoje, a data é puro consumismo, dizem. Onde está o "espírito" fraternal (e até religioso) das festividades natalinas?

Entendo esses gritos de desespero. Felizmente, não os partilho. Para começar, o "espírito" fraternal é muitas vezes uma forma de hipocrisia social. As festinhas de escritório são o melhor exemplo: gente que se odeia todo o ano surge em cena com um sorriso digno de Madre Teresa e um amor pelo próximo que transforma o Dalai Lama no misantropo de Molière.

Foram 364 dias de competições, maledicências e brutalidades. Mas existe um dia –um único dia– em que se fazem as pazes e se canonizam os mesmos colegas que ainda ontem eram objeto das nossas fantasias mais macabras e homicidas.

Ou então temos "reuniões de família" nas quais pais/filhos/avós/tios/primos finalmente se encontram para confessarem todas as saudades que não tiveram no resto ano. Como é evidente…