Podem ficar tranquilos: ninguém chega atrasado ao próprio funeral João Pereira Coutinho Um homem caminha no centro da vila. A Morte aparece, apresenta-se e diz: "Temos encontro marcado para as seis da madrugada." O homem, aterrorizado, vende todos os seus bens e, cavalgando sem parar, afasta-se da vila com a velocidade de um trovão. Muitas horas depois, e muitas milhas depois, sente-se cansado, dorido, com sede. Decide parar junto a uma fonte para recuperar energias. E a Morte, olhando o seu relógio, surge novamente em cena com um sorriso: "Curioso. Eu poderia jurar que o senhor não ia chegar em tempo." Li essa história em crónica antiga de Victor Cunha Rego, um colunista português que também escreveu nesta Folha muitos anos atrás. E lembrei-me dela no Dia de Finados, quando fui ao cemitério visitar a família. Havia gente, havia flores, havia velas. Mas, entre os presentes, não havia uma única criatura que pudesse ostentar o grotesco título de "jovem...