Papo do Editor

Domingo, 2 de maio

Sidney Borges
Manhã ensolarada. Mesmice aborrecida. As coisas vão acontecendo ao sabor dos ventos ou está tudo escrito e nada sai do roteiro? A campanha começou cedo na rede e já dá sinais de cansaço. A blogosfera pró-Dilma gritou aos quatro ventos que a candidata representa uma ruptura em relação ao modelo FHC.

Ontem conversei com amigos que operam na Bolsa de Valores de São Paulo. Eles têm a percepção de que romper com FHC é romper com Lula. Concordo. Alguém pode dizer que o discurso de Lula é diferente do de FHC. De fato, o discurso é outro. A prática, que é o que interessa, é a mesma. Tão igual que deu certo.

Serra representa a continuidade do projeto FHC. Logo, se eleito, Serra não vai mudar o que Lula está fazendo. Lógica elementar. Um detalhe a ser observado. A maioria dos que criticam a forma como Lula conduz a economia também criticaram o Plano Real. Disseram coisas terriveis. Até que não ia dar certo. No PT tem gente que ainda acha isso.

Todo "achismo" é permitido. Criticar o governo pode. Escrever e fazer discursos em praça pública pode. Até dizer que a Terra é quadrada pode.

O Brasil é uma democracia.

Foi a liberdade de expressão que permitiu a Lula, retirante nordestino, governar o país. Em Cuba jamais um torneiro mecânico sonharia ser presidente, se ousasse acabaria morto nas masmorras do sistema. No PT tem gente que sonha transformar o Brasil numa imensa Cuba. São poucos, mas teimosos como mulas empacadas. Lula não quer isso.

Lula não é comunista, com sabedoria fez o dinheiro circular. Fortaleceu o capitalismo. Lula trabalha contra a desigualdade.

Como FHC.

Pena que Lula não é candidato. Nem FHC.

Vou votar na continuidade. Fora ruptura. Chô...

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