Opinião

Sinais animadores

Editorial do Estadão
Depois de semanas de tumulto e pânico nos mercados financeiros e sinais cada vez mais claros da iminência de uma recessão mundial, há motivos, enfim, para algum otimismo. A crise não passará de um dia para outro e 2009 será, quase certamente, um ano muito difícil, mas o caminho para a superação dos problemas parece haver sido encontrado. Os governos do mundo rico decidiram, afinal, agir coordenada e pragmaticamente para conter a instabilidade financeira, injetar confiança nos mercados e estabelecer as condições para o retorno a um crescimento seguro e não inflacionário. As novas medidas anunciadas por autoridades européias, no domingo e nessa segunda-feira, ampliam e reforçam o movimento iniciado na semana passada, em Washington, pelas autoridades fiscais e monetárias do Grupo dos 7 (G-7), formado por Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.

Só as ações anunciadas por autoridades européias, nos últimos dias, envolvem mais de 1 trilhão. O governo americano já havia decidido aplicar US$ 700 bilhões na recuperação de bancos e na absorção de créditos de baixa qualidade, também conhecidos como ativos podres ou tóxicos. Se a esse montante for somado o valor das intervenções já realizadas no mercado americano, o resultado ficará bem acima de US$ 1 trilhão.

Mas a amplitude extraordinária das ações de socorro não é a única novidade nem, provavelmente, a mais importante em termos históricos. Na crise iniciada em 1929,o nacionalismo exacerbado e o isolacionismo foram respostas comuns. Desta vez, a coordenação e a cooperação tendem a prevalecer, embora as primeiras reações à crise do subprime tenham sido isoladas e dissonantes. Além do mais, o compromisso dos governos de usar todos os meios, incluída a capitalização de bancos privados com dinheiro público, mostra um pragmatismo raramente encontrado - talvez inédito - na história das políticas econômicas.
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