Nós e a crise
O governo gera a instabilidade
Paulo Renato Souza
A crise econômica chegou ao Brasil muito antes do esperado. Se nossa economia estivesse realmente preparada para enfrentá-la, ela deveria aportar em nosso país somente a partir do ano que vem, pela via da diminuição da demanda por nossos produtos no mercado internacional, provocando a redução do crescimento no setor real da economia. Muitos acreditaram em nossas autoridades quando disseram que o tsunami lá fora provocaria apenas marolas em nosso país, pois o sistema financeiro não sofria dos males da insolvência que assolava o dos países desenvolvidos. A crise chegou, e forte, não por culpa da oposição, como afirmaram o presidente Lula e alguns membros da Nomenklatura petista. Se ela já chegou, apesar de não termos entre nós os subprimes habitacionais, é por culpa única e exclusiva do governo, de sua política econômica e de sua teimosia em não falar claramente ao País, admitindo o tamanho do problema e apontando uma estratégia global e coerente para enfrentá-lo.
Na verdade, a primeira manifestação da crise se deu por variações drásticas no câmbio, que atingiram de modo especial empresas que buscaram proteção e bancos que especularam por meio do chamado mercado de derivativos. É inescapável aqui a responsabilidade do governo e do Banco Central, ao manter por longo período um câmbio artificialmente baixo. Foi o próprio Banco Central, com sua política monetária, que induziu os exportadores a especular no câmbio futuro, para que compensassem no ganho financeiro o prejuízo causado pelo câmbio supervalorizado. O mesmo real forte que favoreceu a especulação e manteve os preços das matérias-primas e dos alimentos reduzidos contribuiu de maneira decisiva para manter baixa a inflação e alta a popularidade do presidente Lula.
Os efeitos mais perversos da crise, contudo, chegarão ao Brasil a partir do próximo ano, pela queda dos preços e dos volumes demandados das commodities, o que afetará as nossas exportações e, conseqüentemente, o crescimento do produto interno bruto (PIB) e do emprego. A crise significará também interrupção nos fluxos internacionais de recursos privados para investimentos. A previsível desaceleração da economia será mais dolorosa na vida real que nas estatísticas. Por um efeito conhecido como carry over, os índices de crescimento real do PIB ainda serão positivos em 2009, mesmo em caso de estagnação.
Leia mais
Paulo Renato Souza, deputado federal por São Paulo, foi ministro da Educação no Governo FHC, reitor da Unicamp e secretário de Educação no governo Montoro
E-mail: dep.paulorenatosouza@camara.gov.br.
Site: www.paulorenatosouza.com.br
Paulo Renato Souza
A crise econômica chegou ao Brasil muito antes do esperado. Se nossa economia estivesse realmente preparada para enfrentá-la, ela deveria aportar em nosso país somente a partir do ano que vem, pela via da diminuição da demanda por nossos produtos no mercado internacional, provocando a redução do crescimento no setor real da economia. Muitos acreditaram em nossas autoridades quando disseram que o tsunami lá fora provocaria apenas marolas em nosso país, pois o sistema financeiro não sofria dos males da insolvência que assolava o dos países desenvolvidos. A crise chegou, e forte, não por culpa da oposição, como afirmaram o presidente Lula e alguns membros da Nomenklatura petista. Se ela já chegou, apesar de não termos entre nós os subprimes habitacionais, é por culpa única e exclusiva do governo, de sua política econômica e de sua teimosia em não falar claramente ao País, admitindo o tamanho do problema e apontando uma estratégia global e coerente para enfrentá-lo.
Na verdade, a primeira manifestação da crise se deu por variações drásticas no câmbio, que atingiram de modo especial empresas que buscaram proteção e bancos que especularam por meio do chamado mercado de derivativos. É inescapável aqui a responsabilidade do governo e do Banco Central, ao manter por longo período um câmbio artificialmente baixo. Foi o próprio Banco Central, com sua política monetária, que induziu os exportadores a especular no câmbio futuro, para que compensassem no ganho financeiro o prejuízo causado pelo câmbio supervalorizado. O mesmo real forte que favoreceu a especulação e manteve os preços das matérias-primas e dos alimentos reduzidos contribuiu de maneira decisiva para manter baixa a inflação e alta a popularidade do presidente Lula.
Os efeitos mais perversos da crise, contudo, chegarão ao Brasil a partir do próximo ano, pela queda dos preços e dos volumes demandados das commodities, o que afetará as nossas exportações e, conseqüentemente, o crescimento do produto interno bruto (PIB) e do emprego. A crise significará também interrupção nos fluxos internacionais de recursos privados para investimentos. A previsível desaceleração da economia será mais dolorosa na vida real que nas estatísticas. Por um efeito conhecido como carry over, os índices de crescimento real do PIB ainda serão positivos em 2009, mesmo em caso de estagnação.
Leia mais
Paulo Renato Souza, deputado federal por São Paulo, foi ministro da Educação no Governo FHC, reitor da Unicamp e secretário de Educação no governo Montoro
E-mail: dep.paulorenatosouza@camara.gov.br.
Site: www.paulorenatosouza.com.br
Comentários