Crônica
Manifestações e quietude
Luiz Fernando Veríssimo
Com um intervalo de poucos dias, uma multidão de adeptos da igreja Renascer em Cristo e uma multidão de gays e simpatizantes encheram as ruas de São Paulo, recentemente. Fora a sua proximidade no tempo e o número impressionante de participantes das duas, uma manifestação nada tem a ver com a outra. Não servem para nenhum tipo de sociologia rápida e, juntas, não dizem nada sobre o momento do país e do mundo, além de renovarem nosso espanto com a diversidade humana.
Há paradas gay como a de São Paulo em várias outras grandes cidades e a força das seitas neopentecostais no Brasil também não é novidade. Gente marchando pela sua fé ou pela sua opção sexual está exercendo sua liberdade; desde que as marchas não coincidam e dê confusão, como num encontro de torcidas, nada a comentar. Salvo, talvez, no caso, o fato de as duas manifestações terem um caráter de desafio ostensivo.
Os homossexuais chamam o seu desfile de gay pride, orgulho gay, e embora o preconceito contra gays seja uma coisa cada vez mais remota o ressentimento persiste, e até os excessos da parada são uma forma de compensar os anos de discriminação e segredo. O tamanho da manifestação dos fiéis da Renascer em Cristo teve muito a ver com o fato de a igreja ter estado no noticiário, com a prisão dos seus líderes nos Estados Unidos. Também foi um desafio, uma proclamação de que a fé e o orgulho não dependem do noticiário, ou da culpa ou inocência dos líderes. O que também não deixa de ser um exercício de liberdade.
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Luiz Fernando Veríssimo
Com um intervalo de poucos dias, uma multidão de adeptos da igreja Renascer em Cristo e uma multidão de gays e simpatizantes encheram as ruas de São Paulo, recentemente. Fora a sua proximidade no tempo e o número impressionante de participantes das duas, uma manifestação nada tem a ver com a outra. Não servem para nenhum tipo de sociologia rápida e, juntas, não dizem nada sobre o momento do país e do mundo, além de renovarem nosso espanto com a diversidade humana.
Há paradas gay como a de São Paulo em várias outras grandes cidades e a força das seitas neopentecostais no Brasil também não é novidade. Gente marchando pela sua fé ou pela sua opção sexual está exercendo sua liberdade; desde que as marchas não coincidam e dê confusão, como num encontro de torcidas, nada a comentar. Salvo, talvez, no caso, o fato de as duas manifestações terem um caráter de desafio ostensivo.
Os homossexuais chamam o seu desfile de gay pride, orgulho gay, e embora o preconceito contra gays seja uma coisa cada vez mais remota o ressentimento persiste, e até os excessos da parada são uma forma de compensar os anos de discriminação e segredo. O tamanho da manifestação dos fiéis da Renascer em Cristo teve muito a ver com o fato de a igreja ter estado no noticiário, com a prisão dos seus líderes nos Estados Unidos. Também foi um desafio, uma proclamação de que a fé e o orgulho não dependem do noticiário, ou da culpa ou inocência dos líderes. O que também não deixa de ser um exercício de liberdade.
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