Ubatuba

Claude com criança da região, ao fundo a casa de farinha da amiga Catarina de Oliveira Santos
Missionária francesa completa quatro décadas de história na Região Sul de Ubatuba
Claude desbravou o Sertão da Quina e foi a pioneira a fazer uma pesquisa daquela região, na década de 1960
Ezequiel dos Santos
Claude Perreau ainda muito jovem descobriu a vocação em ajudar seu semelhante, segundo ela foi um chamado divino que a incentivou a ser missionária e, em 1965, surgiu a oportunidade de abandonar a estabilidade de um país do primeiro mundo para ajudar povos de outra região do planeta. Ainda em França poderia ter escolhido algum lugar da África, Ásia ou Oceania, mas em seu país, através de outros missionários, ouviu falar de um lugar chamado Sertão da Quina, em Ubatuba, na América do Sul. Seria a primeira vez que iria sair de seu país e não era a passeio, era para ajudar semelhantes que ainda nem conhecia.
A viajem durou cerca de quinze dias. Claude desembarcou no porto de Santos, onde encontrou uma pessoa que falava sua língua e a levou a São Paulo para conhecer um pouco da história do país e ter aulas de Português.
Em Ubatuba ela teve contatos com políticos e religiosos, identificando-se com as irmãs da ALA (Assistência Litoral Anchieta). Após o primeiro contato optou por viver no campo, Claude queria enfrentar caminhadas e conhecer de perto as condições precárias em que vivia o povo.
No caminho do centro até o Sertão da Quina ela observou a diferença de terrenos, de mata, as praias, tudo era novo e diferente, mas nada a assustou, estava determinada a cumprir sua missão. Perto da praia Dura, desceu do carro e foi a pé até o objetivo, lá chegando quase nada viu, pois já era noite. Lembra-se apenas de que uma senhora que a recebeu e lhe entregou uma esteira de palha e uma vela e a levou-a até a casinha da Congregação Mariana e lhe disse para ter cuidado com a vela acesa perto da esteira, pois a palha poderia pegar fogo. Era dona Catarina, que preocupada com a visita dava toda a atenção. Pela manhã, a missionáriaClaude, ao abrir a porta, deparou-se com grande parte dos moradores que foram lhe dar boas vindas. “Fui recebida por um povo muito acolhedor”, comenta Claude. Aos poucos ela foi ensinando coisas novas e significativas para melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas, ações que não interferiam na cultura local. Em sua rotina passava a maior parte do dia em visita aos enfermos, transmitindo e ensinando técnicas de tratamento e assepsia. Assim nasceu a primeira enfermeira do bairro, Izabel Félix dos Santos que compartilhou com Claude o trabalho que mudou a vida do povo da região. Para o morador Pedro Félix dos Santos, 72, que a recebeu na época ainda jovem “Só Deus para pagar o que ela tem feito por nós nestes anos, ela merece todo o carinho e respeito nosso e de nossas futuras gerações”. A missionária ainda trabalhou nas comunidades do Ipiranguinha, Sertão do Ubatumirim, Picinguaba e Vargem Grande, no Vale do Paraíba. Um de seus maiores e mais importantes feitos foi a criação do Posto de Saúde no bairro, que no dia de sua inauguração contou com a presença de personagens ilustres como o prefeito Ciccillo Matarazzo, José de Barros Morgado, do gabinete do prefeito e o presidente da Câmara de Ubatuba, Washington de Oliveira – Seu Filhinho. Lembra ela que a comunidade arrumou e enfeitou o lugar para receber as autoridades, e que o prefeito ganhou um mamão de presente, fruta abundante na região. Como Matarazzo falava francês a missionária pode explicar com maiores detalhes as dificuldades do povo e o prefeito sensibilizado providenciou a instalação da primeira torneira pública no bairro, já que todos iam ao rio para buscar água. Como ela caminhava muito, um fazendeiro de Vargem Grande ofereceu um meio de transporte para colaborar em suas andanças, era um cavalo, que de fato ajudou muito.
A viajem durou cerca de quinze dias. Claude desembarcou no porto de Santos, onde encontrou uma pessoa que falava sua língua e a levou a São Paulo para conhecer um pouco da história do país e ter aulas de Português.
Em Ubatuba ela teve contatos com políticos e religiosos, identificando-se com as irmãs da ALA (Assistência Litoral Anchieta). Após o primeiro contato optou por viver no campo, Claude queria enfrentar caminhadas e conhecer de perto as condições precárias em que vivia o povo.
No caminho do centro até o Sertão da Quina ela observou a diferença de terrenos, de mata, as praias, tudo era novo e diferente, mas nada a assustou, estava determinada a cumprir sua missão. Perto da praia Dura, desceu do carro e foi a pé até o objetivo, lá chegando quase nada viu, pois já era noite. Lembra-se apenas de que uma senhora que a recebeu e lhe entregou uma esteira de palha e uma vela e a levou-a até a casinha da Congregação Mariana e lhe disse para ter cuidado com a vela acesa perto da esteira, pois a palha poderia pegar fogo. Era dona Catarina, que preocupada com a visita dava toda a atenção. Pela manhã, a missionáriaClaude, ao abrir a porta, deparou-se com grande parte dos moradores que foram lhe dar boas vindas. “Fui recebida por um povo muito acolhedor”, comenta Claude. Aos poucos ela foi ensinando coisas novas e significativas para melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas, ações que não interferiam na cultura local. Em sua rotina passava a maior parte do dia em visita aos enfermos, transmitindo e ensinando técnicas de tratamento e assepsia. Assim nasceu a primeira enfermeira do bairro, Izabel Félix dos Santos que compartilhou com Claude o trabalho que mudou a vida do povo da região. Para o morador Pedro Félix dos Santos, 72, que a recebeu na época ainda jovem “Só Deus para pagar o que ela tem feito por nós nestes anos, ela merece todo o carinho e respeito nosso e de nossas futuras gerações”. A missionária ainda trabalhou nas comunidades do Ipiranguinha, Sertão do Ubatumirim, Picinguaba e Vargem Grande, no Vale do Paraíba. Um de seus maiores e mais importantes feitos foi a criação do Posto de Saúde no bairro, que no dia de sua inauguração contou com a presença de personagens ilustres como o prefeito Ciccillo Matarazzo, José de Barros Morgado, do gabinete do prefeito e o presidente da Câmara de Ubatuba, Washington de Oliveira – Seu Filhinho. Lembra ela que a comunidade arrumou e enfeitou o lugar para receber as autoridades, e que o prefeito ganhou um mamão de presente, fruta abundante na região. Como Matarazzo falava francês a missionária pode explicar com maiores detalhes as dificuldades do povo e o prefeito sensibilizado providenciou a instalação da primeira torneira pública no bairro, já que todos iam ao rio para buscar água. Como ela caminhava muito, um fazendeiro de Vargem Grande ofereceu um meio de transporte para colaborar em suas andanças, era um cavalo, que de fato ajudou muito.
Muitos medicamentos trazidos por Claude eram divididos com as outras comunidades, ela trouxe ainda o equipamento para inalação, um Compressor Schuler 2,6/50 com motor, um filtro, 5 metros mangueira, 2 fluxômetros de ar Comprimido e 7 conjuntos para inalação a serem usados no Posto do sertão da Quina. A doação foi conseguida com a ajuda das enfermeiras da France Telecom, de seu país. Claude se lembra de um dia quando atendeu uma senhora doente, e recebeu da filha desta, dois ovos de galinha caipira, presente da mãe recém cuidada. Isso a emocionou. No último dia 22, a enfermeira completou setenta anos de vida e muitos moradores compareceram ao aniversário, foi grande a emoção já que estiveram presentes velhos amigos, seus filhos, netos e até bisnetos daqueles que, há mais de quatro décadas, conheceram essa pessoa tão marcante e que agora além de fazer parte da família Sertão da Quina, já é parte de nossa história. Perguntada se faria tudo de novo, não houve surpresa na resposta: “Sim faria tudo de novo”.
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