sábado, maio 08, 2010

8 de maio

Fim do pesadelo

Sidney Borges
Há 65 anos terminava oficialmente a guerra na Europa. No dia 8 de maio de 1945 a Alemanha assinou a rendição formal, a derrota estava configurada há muito tempo. Hitler invadiu a União Soviética em junho de 1941 e em dezembro do mesmo ano sentiu o gostinho amargo do infortúnio nas imediações de Moscou. Foi o primeiro insucesso da até então invencível máquina de guerra nazista. Em 1942 os americanos colocaram sua poderosa indústria a serviço do conflito e o horizonte do Führer escureceu de vez.

Com duas frentes e poucos recursos energéticos não havia salvação para o nazismo. Hitler poderia ter negociado quando estava em vantagem, não o fez, em meados de 1943 a vitória acenava para Stalin. Qualquer possibilidade de acordo ficou fora de propósito.

O nazismo de Hitler odiava judeus, por causa desse ódio e do Holocausto criou condições diplomáticas para a instalação do Estado de Israel.

Hitler abominava o comunismo. A invasão da União Soviética forçou o desenvolvimento do Exército Vermelho, tornando-o o mais poderoso da Europa e consolidando o regime de Stalin.

A guerra ainda duraria alguns meses, o Japão continuou lutando e foi contemplado com os primeiros bombardeios atômicos da história. Hiroshima e depois Nagasaki conheceram a potência e os horrores da fissão nuclear. Há quem atribua a esses bombardeios o fim da guerra, não faz sentido acreditar totalmente. 

Dresden sofreu mais do que Hiroshima e Nagasaki juntas com o despejar contínuo de milhares de toneladas de bombas de fósforo, em fevereiro de 1945. A cidade medieval, com muitas construções de madeira, literalmente sumiu do mapa.

O Japão sentiu que a hora de capitular tinha chegado quando tropas soviéticas começaram a se deslocar para a Mandchuria. Onde o Exército Vermelho punha os pés não tirava mais. Sentindo o perigo de desaparecer como nação os falcões japoneses negociaram a rendição "incondicional" aos americanos. Incondicional para inglês ver. O imperador foi mantido e, fora a vergonha da derrota, tudo permaneceu igual. Na verdade melhorou. Sem gastos militares, - o Japão tornou-se protetorado americano - e com o imenso mercado do mundo capitalista aberto, os japoneses trabalharam duro e 15 anos depois da guerra estavam ricos e respeitados. Em 1960 todo mundo queria um radinho "Spica". Eu inclusive.

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Beatles - I Me Mine

Papo do Editor

Sábado

Sidney Borges
Massa larga em 9º na Espanha. Não é culpa do carro, Alonso guia um igual e ficou 5 posições à frente. Se os resultados não vierem a Ferrari vai efetivar o espanhol como primeiro piloto e restará a Massa o papel de escudeiro. O que não é de todo mau. Ser coadjuvante privilegiado com milhões de dólares na conta é o sonho de muita gente.

Quando Barrichello começou a carreira na Europa a torcida brasileira ficou dividida entre ele e Christian Fittipaldi. No automobilismo brasileiro a dicotomia entre bom moço e quebrador de parâmetros remonta ao sucesso de Emerson na Fórmula 1. O desvabrador das pistas d'além mar tornou-se príncipe. Cabelos penteados e costeleta. E que costeleta! Pace incorporou o espírito de Interlagos, sempre mais rápido do que Emerson, sempre atrás de Emerson. Anos depois começou a era Piquet, detestado pela mídia brasileira. O sempre "3 doses acima", Tarso de Castro, chegou a afirmar que ele era um europeu nascido no Brasil. O contraponto nasceu com o surgimento de Senna. Rápido, ou melhor rapidíssimo. Senna ganhou corridas e incorporou o bom moço. (casto e familiar) Piquet ficou com as mulheres, os iates, os aviões e a fama de mau. (pecador) Senna morreu, Piquet envelheceu e Barrichello continua em busca do graal, Christian sumiu das pistas, tem sido visto em revistas de decoração. Massa ia bem até que a peça do carro de Rubinho acertou sua cabeça. Tomara que volte a andar na frente. Pelo menos na frente do espanhol.

Tenho interesse em Fórmula 1 apenas na largada e na chegada. A corrida aborrece. Duas horas ouvindo Galvão Bueno reduz o QI. Meu velho amigo Tom foi fazer um documentário em Cuba. Trabalhando como cameraman. Adorou a terra de Fidel, quase ficou por lá, só não ficou por que os cubanos não deixaram. Ele me contou de uma inesquecível palestra de Fidel. Era domingo, a reunião começou às duas da tarde. Ele e a namorada cubana foram prestigiar com bandeirinhas na mão. Por volta das quatro e meia, cansados, fizeram uma pausa na sorveteria Copélia. Depois foram ao apartamento dela namorar. Voltaram à praça por volta das sete e ainda acompanharam Fidel por meia hora. Os interlúdios lúdico-ideológicos do Comandante eram comuns na Ilha. Nesse dia a conversa foi considerada breve. Passo.

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, fez ontem, sexta-feira, um giro por quatro cidades - Carapicuíba, Itapevi, Jandira e Barueri - ao lado do vereador Netinho de Paula (PC do B), pré-candidato ao Senado. Está escrito assim na Folha, reproduzo e fico imaginando o que vai pela cabeça do senador. Mercadante foi contra o Plano Real. Disse que não ia dar certo. Errou. O plano deu certo. Mercadante é economista. Dificilmente voltará ao Senado. Mercadante e um disco-voador são semelhantes. Tem gente que acredita. Netinho de Paula? Quem é? Comunista? Modernidade é isso.

O último álbum dos Beatles faz aniversário hoje. "Let it be". Quarenta anos. Envelhecer ou não envelhecer, that's the question. Um colega de outros tempos optou por não envelhecer. Lançou-se do 16º andar. Tinha menos de 40 anos. Fiquei chocado. Outros amigos morreram depois. Câncer, aids, enfarte. Alguns envelhecem. Próstata, diabetes, pressão alta, depressão, acidente, assalto, tsunami, vulcão, alcoolismo, terremoto, overdose, alzheimer. Todos os caminhos levam a Roma. (All roads lead to Rome)

Por falar em último, a última canção gravada pelos Beatles (sem John Lennon) foi I Me Mine, de George Harrison, em 3 de Janeiro de 1970. “I Me Mine”, em expressão traduzida quer dizer: “Eu sou mais eu”.

Em 1967/68 estudantes de esquerda tinham vergonha de usar jeans (calças Lee) e não ouviam jazz. Também não ouviam a voz das ruas, não tinham interesse no que o povo pensava. Curioso, diziam querer salvar o povo. A falta de sensibilidade culminou com a luta armada. A ordem era derrubar a ditadura militar e implantar o comunismo, outra ditadura. Sairam para a luta a partir da visão equivocada de que teriam apoio popular. Não tinham. Perderam. Todos queriam o fim da ditadura, questão de sensibilidade. Havia brucutus que apoiavam a ordem obscurantista. Sempre haverá. Saudades daqueles tempos. Eu ouvia Dave Brubeck, Mahalia Jackson, Beatles e usava calças Lee. Mesmo assim tive o desprazer de ser hóspede de Romeu Tuma. Comunismo. Estou fora. Ditadura. Estou fora. Viva a Democracia.

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Manchetes do dia

A falta de docentes nas federais

Editorial do Estadão
Como a expansão das universidades federais no governo Lula foi determinada mais por critérios políticos do que técnicos, muitas delas agora enfrentam dificuldades para encontrar professores com a qualificação necessária para compor o quadro docente. Nos últimos 5 anos do governo Lula, foram criadas 15 novas instituições federais de ensino superior, que oferecem 12 mil novas vagas em seus cursos de graduação. Contudo, os cursos de pós-graduação estrito senso - a maioria concentrada nas Regiões Sudeste e Sul ? não estão conseguindo formar mestres e doutores para suprir a demanda.

O problema é mais grave na Região Norte, onde as Universidades Federais de Rondônia (Unir), Pará (UFPA) e Amazonas (Ufman) tiveram de abrir novos concursos públicos para seleção de docentes, por falta de inscritos qualificados nos concursos anteriores. A maior dificuldade é preencher as vagas nos campi mais afastados das capitais. Das cinco novas unidades da instituição, a mais próxima da sede está a 720 km de Manaus. Outra unidade fica numa cidade de 20 mil habitantes, sem infraestrutura e sem acesso aéreo, na fronteira com a Colômbia e o Peru.

"É difícil um doutor querer morar num lugar assim. A gente enfrenta uma concorrência desleal, pois não existe uma política que dê um diferencial mais sedutor ao Norte. Aqui nunca é a primeira opção", diz o professor Albertino de Carvalho, pró-reitor de gestão da Ufman. "Para melhorar nosso atrativo, precisamos de recursos extras e de uma política de médio e longo prazos. E isso depende de uma decisão política: o País quer ou não criar condições para termos doutores capazes de aproveitar o potencial da região amazônica?", pergunta o pró-reitor de pesquisa e extensão da UFPA, Emmanuel Tourinho.

Como os salários das universidades federais são iguais em todo o País, quem tem mestrado ou doutorado prefere fazer a carreira acadêmica nas instituições do Sudeste e do Sul. Sediadas em cidades de médio e grande portes, elas são mais equipadas, em matéria de instalações físicas, equipamentos de informática, laboratórios e bibliotecas. E, além de oferecer melhores condições de trabalho, gozam de uma visibilidade internacional que as universidades federais das Regiões Norte e Centro-Oeste não possuem.

Além de registrar altos índices de evasão e expressivas taxas de ociosidade em alguns cursos, a maioria das universidades criadas nos últimos anos pelo governo Lula ainda funciona em canteiros de obras atrasadas, com aulas em prédios improvisados e sem dispor de infraestrutura. Por causa disso, algumas não estão conseguindo reter os estudantes beneficiados pelo sistema de cotas, que chegam despreparados da rede pública de ensino médio. As novas universidades tiveram a inauguração antecipada, a fim de que pudessem ser utilizadas como bandeira política para as eleições de 3 de outubro.
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Manchetes do dia

Sábado, 08 / 05 / 2010

Folha de São Paulo
"Grécia terá ajuda até do Brasil para sair da crise"

País destina US$ 286 milhões de reservas para o FMI, diz ministro

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou que o Brasil vai realizar aporte de US$ 286 milhões ao FMI para colaborar com a Grécia. O dinheiro virá das reservas internacionais do país, estimadas em US$ 245 bilhões. O Brasil passou a ser credor no Fundo em 2009. O maior impacto da crise européia no país deverá vir do comércio exterior, disse. “A recuperação dos países europeus será mais lenta. Então teremos que esperar mais tempo para aumentar as exportações para a região”, afirmou o ministro. Questionado se o país detém títulos da dívida grega, Mantega afirmou que alguns bancos privados brasileiros podem ter esses papéis, mas em volume baixo. Os 16 países da zona do euro devem anunciar amanhã novo pacote para defender a moeda, anunciou o presidente da União Européia, Herman Van Rompuy. O mercado teve mais um dia difícil ontem. A Bolsa de Paris recuou 4,59%. A de Nova York, 1,33%. Com baixa de 0,86%, o Ibovespa ficou no menor patamar desde 5 de fevereiro.

O Estado de São Paulo
"PF intercepta Tuma Jr. tentando relaxar apreensão de dólares"

Parentes de deputada foram presos ao tentar embarcar para Dubai com o dinheiro

Encarregado de coordenar ações de combate à lavagem de dinheiro, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr. teve diálogo interceptado pela Polícia Federal no qual tentou evitar flagrante em Cumbica que levou à detenção de sete pessoas, informa o repórter Rodrigo Rangel. Em junho de 2009, familiares da deputada Haifa Madi (PDT) tentavam embarcar para Dubai com dólares. Procurado pelo Estado, Tuma Júnior disse por meio de sua assessoria que, “por enquanto, não pretende dar entrevista para o jornal”.

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sexta-feira, maio 07, 2010

The Cowsils_ The Rain, The Park, & Other Things

Traces - Classic IV

Aviação / Meteorologia

Raios

O mistério das descargas elétricas na Atmosfera

Cultura Aeronáutica (original aqui)
As descargas elétricas atmosféricas sempre despertaram temor e, ao mesmo tempo, curiosidade aos homens desde os primeiros tempos de sua existência. Já foram consideradas manifestações divinas e eram geralmente associadas à ira dos deuses.

De fato, a verdadeira natureza desses fenômenos somente foi compreendida no Século XVIII, quando começaram os estudos a respeito da eletricidade. Benjamim Franklin foi o primeiro a comprovar a natureza elétrica dos raios, e inventou o pára-raios, dispositivo que, ao atrair o raio para si, protege as pessoas e construções ao redor.

Todavia, ainda hoje restam muitos mistérios a respeito da eletricidade atmosférica. A despeito da alta tecnologia hoje disponível, ainda não se sabe exatamente, por exemplo, porque as cargas elétricas se separam dentro das nuvens.

A eletricidade atmosférica está associada a nuvens do tipo cumulus-nimbus. Essas nuvens, extremamente comuns, são formadas em ar instável, por correntes convectivas de ar quente subindo cada vez mais alto na atmosfera. Os cumulus-nimbus formam células, cada uma por si só capaz de produzir uma tempestade. Calcula-se que se formam 40 mil dessas células por dia, no mundo inteiro.

A grande quantidade de água dentro de uma célula, ao subir sob o efeito de uma forte corrente ascendente de ar, chega ao ponto de congelamento ao atingir certa altitude, e volta a se liquefazer, ao se precipitar para altitudes mais baixas, sob o efeito do seu próprio peso ou de correntes descendentes. É nesse processo de sobe-e-desce e congela-e-descongela que as cargas elétricas se separam. As cargas elétricas positivas se acumulam no topo da nuvem, e as negativas na base da mesma.

Obviamente, a maioria das cargas elétricas formadas dentro de uma célula se descarregam entre o topo e a base de uma mesma nuvem, gerando o relâmpago. Entretanto, ocorrem descargas de eletricidade para o solo e também para a alta atmosfera, assim como para outras células próximas.

Tanto as cargas positivas quanto as negativas alcançam grandes diferenças de potencial em relação ao solo. O ar é mau condutor de eletricidade, sendo necessário uma grande diferença de potencial para vencer a sua resistência à passagem da corrente elétrica. Quanto maior for a distância da nuvem ao solo, maior terá que ser a diferença de potencial para que ocorra um raio.

Como a base da nuvem está mais próxima do solo, a maioria dos raios são negativos, já que a base da nuvem tem carga elétrica negativa. Inicialmente, as cargas elétricas ionizam um trajeto entre a nuvem e o solo. Esse caminho de ar ionizado segue o caminho de menor resistência dielétrica do ar, sendo muito tortuoso, e pode se originar tanto da nuvem quanto do solo. Quando uma corrente iônica se aproxima do solo, ou da nuvem, induz à formação de outras, originadas no sentido oposto. Esse caminho, chamado de líder ou precursor, fornece um condutor iônico por onde o raio irá passar. A ionização do ar, nesse momento, pode produzir fenômenos de eletroluminescência, chamados de fogos-de-santelmo (foto abaixo, no parabrisas de uma aeronave)

Pode-se, portanto, saber se um raio se originou na nuvem ou no solo. A origem é em um único ponto, e os pontos de descarga são múltiplos, dando origem a ramificações do raio. Se um raio se ramifica ao chegar à terra, é um raio descendente negativo. Se a ramificação ocorre em direção à nuvem, trata-se de um raio ascendente negativo, ou seja, o raio, predominantemente, sobe da terra, e não "cai" da nuvem.

A grande maioria dos raios são descendentes negativos. Mas pode ocorrer raios que saem do topo das nuvens, onde as cargas elétricas são positivas. Esse tipo de raio é muito mais raro e intenso, pois é necessário uma enorme diferença de potencial para vencer a distância do topo das nuvens ao solo. Nuvens cumulus-nimbus alcançam facilmente altitudes de 33 a 50 mil pés, e algumas chegam a até 85 mil pés.

O mecanismo de formação de um raio positivo (fotos acima e abaixo) é o mesmo dos raios negativos, ou seja, também há a formação de uma corrente iônica precursora e também existem raios ascendentes e descendentes. A maior diferença está na intensidade da corrente, muitas vezes maior nos raios positivos. Por isso, esses raios são chamados, às vezes, de "super-raios". Quando se ramificam para baixo, são raios descendentes positivos, e quando se ramificam para cima, de raios ascendentes positivos.

Ao contrário do ditado popular, os raios tendem a cair sempre nos mesmos lugares. Isso pode ocorrer em frações de segundos, pois descargas elétricas mais fracas podem seguir uma mais forte, aproveitando o canal ionizado formado pela primeira descarga.

Por muito tempo, acreditou-se que que as descargas sempre ocorriam dentro da nuvem, entre duas nuvens ou entre a nuvem e o solo. Mas não é isso o que acontece, pois também ocorrem fenômenos semelhantes na alta atmosfera, entre a nuvem e a ionosfera, camada da atmosfera ionizada principalmente pela radiação solar.

Os mais comuns desses fenômenos são os sprites (imagem acima), descargas positivas que ocorrem alguns milissegundos após a descarga de um raio negativo para o solo. Alcançam altitudes que vão de 45 a 90 km acima do topo das nuvens. Outros fenômenos semelhantes, como os jatos azuis e os elves, esses últimos com formato de halo, também ocorrem entre as nuvens e a alta atmosfera (figura abaixo).

Esses fenômenos da alta atmosfera são de baixa luminosidade, razão pela qual somente foram detectados a partir de 1989. São gerados pela interação elétrica e eletromagnética dos relâmpagos e raios com a alta atmosfera. Quando ocorre um raio, essa descarga produz correntes induzidas, que geralmente são incapazes de formar um novo raio, mas que são suficientes para romper a fraca resistência dielétrica do ar rarefeito acima da nuvem, criando fenômenos fracamente luminosos muitos quilômetros acima desta.

Os sprites se manifestam como figuras avermelhadas na alta atmosfera. Os elves são fenômenos mais altos ainda, em forma de halo, que se dispersam a partir do centro, e os jatos azuis são fenômenos mais baixos que se aparentam com fachos de luz azul, daí o seu nome. Sempre se soube que deveria haver uma conexão entre os fenômenos elétricos da troposfera e da ionosfera, para manter o equilíbrio elétrico da atmosfera, e os sprites, jatos azuis e elves eram os "elos perdidos" desse equilíbrio. Todavia, embora se conheçam os princípios básicos da formação desse fenômenos, não se sabe ainda quais são os impactos provocados pelos mesmos no delicado mecanismo de equilíbrio da atmosfera terrestre.

Se os sprites, jatos azuis e elves já estão mais ou menos descritos e explicados, resta ainda um tipo de descarga elétrica atmosférica muito misterioso: o raio globular. É um globo de plasma ou de gás ionizado, de pequeno tamanho, variando entre alguns centímetros a um metro (foto abaixo). Geralmente tem cor vermelho-alaranjada e pode durar entre alguns segundos a, excepcionalmente, vários minutos. É um fenômeno natural, que produz ruídos como estados e zumbidos e deixa um odor de ozônio ou enxofre à sua passagem. Esses raios podem ser deslocar próximo à superfície da terra, e seu movimento é totalmente independente da direção do vento e correntes convectivas.

Os raios globulares são geralmente associados com tempestades, desprendendo-se da nuvem, mas podem ocorrer em tempo claro, e ainda não são bem explicados pela ciência.

Os efeitos dos raios nos aviões são geralmente mais impressionantes do que perigosos, mas já chegaram a provocar acidentes. Tal assunto, assim como os efeitos dos raios nos seres humanos em geral, merece um artigo à parte, que muito brevemente será publicado aqui nesse blog.

Nuvens de cinza vulcãnica, compostas de partículas sólidas vitrificadas, produzem muita eletricidade, mais do que a produzida pelos cumulus-nimbus (foto abaixo).

Quando os raios atingem dunas, praias ou outros solos arenosos, podem penetrar vários centímetros terra abaixo da superfície, derretendo a areia e produzindo um tipo de rocha denominado fulgurito (foto abaixo). Essas rochas reproduzem o exato caminho percorrido pelo raio dentro da areia, e podem inclusive estar ramificadas, como o raio que lhes deu origem.

Sabe-se que os raios são os responsáveis pela formação de ozônio na estratosfera, assim como se sabe que a formação de moléculas de aminoácidos a partir de compostos inorgânicos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio abundantes na atmosfera primitiva também ocorreram devido às descargas elétricas na atmosfera. A partir dos aminoácidos, formaram-se todas as moléculas orgânicas que, em última análise, geraram a vida na Terra.

Quem sabe então se os antigos não tinham razão, afinal: os raios podem ser realmente a manifestação de Deus na Terra, pois foram eles que, de algum modo, propiciaram o surgimento da vida no nosso planeta.

Sexta-feira


Moradores

Sidney Borges
Quando o funcionário do censo perguntar quantos habitantes tem a casa, direi: cinco animais e um vegetal. Quer dizer, há muitos vegetais, mas a maioria agregados, da família mesmo, inclusive pela portabilidade, só a samambaia.

Somos dois humanos, um cachorro e dois gatos.

E a verdejante "Suaboba", companheira de mais de 30 anos, sempre jovem, sorridente e despenteada.

Nos últimos dias mudou-se para o beiral da área de serviço uma simpática aranha preta de pintas amarelas. Ainda não consegui fotografá-la. Vou precisar de tripé o local é escuro, o obturador precisa ficar aberto. Qualquer tremor estraga a foto.

Por falar em censo lembrei-me do bairro da Liberdade. O funcionário do governo bateu à porta do casarão. Atendeu um japonês de trinta anos, de camiseta, suando. 
- Tinturero. Têm rôpa pra lavá, passá?
- Não, sou do censo. Quantas pessoas moram na casa?
- Oito. Eu, mulher e seis filhos.
- Seis filhos! Parabéns. Prole grande!
- No, no, prole pequeno. Mas sempre duro!

Papo do Editor

Máfias e conexos

Sidney Borges
Leio na folha que Lula vai manter Tuminha no cargo se não aparecer fato novo. O chapéu da matéria, "Máfia Chinesa", cai como uma luva. Alguém abastece livremente a região da Galeria Pagé com produtos "made in China". Não sei se o delegado está metido nisso. Como disse Lula, é preciso investigar. Democraticamente. Uma forma democrática de investigação, usada nos Estados Unidos, é usar a Receita Federal. Como vive o delegado? O padrão de vida coincide com os proventos? Se a resposta for afirmativa a suposta má conduta é pouco provável. No entanto, se na garagem estiverem estacionados Mercedes, BMW, Audi, Jaguar, Land Rover, se a casa for luxuosa, se as viagens forem de primeira classe, se a adega estiver repleta de Romanée-Conti e charutos Cohiba Behike, é preciso saber de onde vem o dinheiro. Tais sinais de riqueza não combinam com salário de delegado. No Brasil não é hábito comparar ganhos e gastos. Políticos não gostam da idéia. O que é bom para os Estados Unidos nem sempre é bom para o Brasil.

O contrabandista de celulares chama-se Li Kwok Kwen. Sabiamente usa apelido. Paulo Li. Kuok Kwen em português parece conversa de pato.

O noticiário político é repetitivo, nada de novo acontece, as notícias aborrecem. Dilma e Serra seguem em campanha, Serra diplomático. Dilma tropeçando no aprendizado. A primeira vez nem sempre é fácil, ela é inteligente e vai acabar apreendendo. Não sei se a tempo. Nas camadas melhor aquinhoadas, o andar de cima de Elio Gaspari, a decisão de voto está consolidada. No atacado a coisa permanece indefinida. Ganhe Dilma ou Serra, um fato é certo. Em 2011 Lula não terá a caneta nas mãos. Só então ele vai se dar conta do que é perder o poder. As metáforas futebolísticas não serão mais aplaudidas e os erros gramaticais provocarão caras de desaprovação. Quem tem idade para tanto lembra-se dos tempos de Fernando Collor de Mello. Nas noites de domingo a Globo nos empurrava goela abaixo as corridas do presidente. E as camisetas com frases de efeito. O poder da caneta é maior do que se imagina. Collor influenciou até o gosto musical do brasileiro. O presidente gosta de sertanejos, então tome sertanejos. E os sertanejos encheram os bornais de ouro. Hoje o senador Collor veste Armani, mas se aparecer com uma camiseta engraçadinha ninguém vai aplaudir. Talvez um mais exaltado pergunte:

- Esse cara é bobo?

Está longe de ser bobo, mas não sai mais na Rede Globo.

O São Paulo vai ter duas partidas difíceis pela frente. No domingo joga no Maracanã contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Durante a semana será a vez do Cruzeiro, no Mineirão, pela Libertadores. No ano passado deu Cruzeiro. Competições no estilo mata-mata são emocionantes, mas exprimem apenas o momento. Copas do Mundo perderiam a graça se tivessem pontos corridos. O Brasil teria mais dois ou três títulos e seria absoluto. Isto é, mais absoluto, pois absoluto já é. Argentinos e espanhóis enrubescem quando ouvem isso. Argentinos até que com alguma razão, ganharam duas copas. Espanhóis são falastrões, mas nunca levantaram o caneco. A Fifa vira e mexe coloca a Espanha em primeiro no ranking. Ora a Fifa, como levá-la a sério?

Ontem fui a São Sebastião. Dia bonito, viagem agradável. Resolvi meus negócios e às 17h30 iniciei a volta. São Paulo me veio à cabeça. Peguei o maior congestionamento dos últimos 20 anos. Imobilidade total por duas horas. Uma barreira rolou montanha abaixo em trecho de pista estreita. Para completar um motoqueiro se acidentou e morreu, ficando o corpo estirado, esperando remoção. Não consegui apurar se houve relação entre barreira e fatalidade. No retorno noturno senti falta de cuidados com a estrada e falta de respeito com os motoristas. Entre São Sebastião e Caraguatatuba há trechos perigosos, sem pintura de faixa, sem iluminação e sem sinalização. Reclamar com quem? Vou enviar carta ao bispo, talvez funcione.

Depois do atraso que me custou a presença em compromisso, estacionei para jantar. Parei em frente a um prédio cheio de grades, com segurança armado. Perguntei a um transeunte se era o novo necrotério. Ele falou que era a Câmara Municipal. Mas a Câmara é aqui? Não é lá, perguntei apontado a Câmara velha. Ele disse que era "aqui, lá e acolá". Ubatuba tem três Câmaras. Um senhor que ia passando pegou carona:

- Não são dez vereadores? Antes era uma Cãmara para dez, agora são três Cãmaras para dez, logo serão dez Câmaras para dez. Uma Câmara para cada vereador. Democrático.

Raciocínio digno de moção pensei comigo enquanto caminhava em direção ao jantar.

Aviso aos navegantes. A indisciplina na mais tradicional escola de Ubatuba está passando dos limites e o diretor faz que não é com ele. Quando acontecer algo muito grave, como quase ocorreu hoje, talvez alguma providência seja tomada. Escola não é reformatório, delinqüentes devem se tratados como tal. Em lugar apropriado.

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Coluna do Celsinho

Desembarque

Celso de Almeida Jr.
Curioso, fui conferir o desembarque de turistas de um destes navios de cruzeiro.

Tive uma boa impressão.

Alguns taxistas, conhecidos, estavam presentes, conquistando a clientela para um passeio local.

Até o trenzinho saiu lotado.

Fiquei animado.

Apesar de considerar a segurança um pouco exagerada, criando certo limite no acesso ao píer mantido pelo Comodoro Magalhães, o saldo foi positivo.

Nesta hora, é razoável ter paciência.

Estamos em processo de aprendizagem.

Um errinho aqui, acertos ali, garantirão, aos poucos, a conquista da qualidade.

O que importa, na minha visão, é o seguinte:

Foi criado um novo filão, um inédito segmento no município.

O receptivo está se aprimorando.

Todos estão atentos ao processo.

Muito bacana!

O que irritaria seria o marasmo.

Nada acontecendo, nada a acrescentar.

Em relação aos navios, felizmente, a realidade é outra.

É fato; esta aí!

Portanto, em frente!!!

Atrair mais navios.

Incrementar as boas vindas.

Mobilizar cada vez mais empresários neste processo.

Capacitar nossos funcionários para bem receber esta clientela.

Quem sabe, até, conquistar investidores; novos moradores para esta cidade que encanta tanta gente.

O comentário geral é que o índice de satisfação destes visitantes é bastante elevado.

Isso credencia Ubatuba para se consolidar no roteiro dos cruzeiros marítimos.

Excelente motivo para comemorar.

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Opinião

A necessidade de energia

Editorial do Estadão
Para dispor da energia elétrica de que necessitará nos próximos dez anos, se a economia crescer 5,1% por ano no período, o País terá de acrescentar ao sistema gerador o equivalente a uma usina de Belo Monte a cada 16 meses. O Plano Decenal de Energia para o período 2010-2019, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima que, para atender à demanda, a capacidade instalada do sistema de geração de energia elétrica terá de aumentar 3,3 mil megawatts (MW) por ano, o que, em 16 meses, corresponde à capacidade média de Belo Monte, de 4,4 mil MW. Isso exigirá investimentos de R$ 214 bilhões só em energia elétrica (no total, o plano decenal prevê a necessidade de investimentos da ordem de R$ 951 bilhões, a maior parte em petróleo).

Como será construir usinas com potência média total equivalente à de 15 Belos Montes nos próximos dez anos? A EPE não parece preocupada. Ela excluiu de suas projeções a ampliação da produção das usinas térmicas a partir de 2014, pois considera que boa parte do fornecimento futuro já está contratada. A empresa incluiu nas suas projeções a produção de Belo Monte, das usinas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau) e de grandes hidrelétricas programadas para a Região Norte, como as do Rio Tapajós. Também levou em conta a produção de quase 15 mil MW de energias alternativas e a ampliação da Usina de Angra dos Reis.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, acredita que, nos próximos anos, serão menores as dificuldades para a obtenção do licenciamento ambiental das hidrelétricas. "Já há um entendimento de que as hidrelétricas são melhores do que as outras alternativas", disse, para explicar o menor uso das usinas térmicas daqui a quatro anos.

Ele pode estar certo - e, para a economia brasileira, seria bom que estivesse. Mas o histórico recente dos projetos de expansão do sistema elétrico mostra o contrário. Existem hoje 182 projetos de usinas já autorizados, mas que não saem do papel, sobretudo por causa das restrições ambientais. Juntas, como mostrou reportagem de Renée Pereira publicada segunda-feira pelo Estado, essas usinas terão capacidade instalada de 10 mil MW, quase um terço de tudo o que País precisará acrescentar ao sistema até 2019.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 05 / 2010

Folha de São Paulo
"Crise grega assusta mercados e faz dólar disparar no Brasil"

Bolsa de NY chega a cair 9%; investidores temem que ajuda à Grécia não seja suficiente

A crise na Grécia provocou pânico nos mercados. A Bolsa de Nova York chegou a recuar 9%, mas encerrou o dia com perda de 3,2%; mais tarde, levantou-se a hipótese de falha técnica no pregão. A Bovespa caiu 2,31%. No Brasil, a cotação do dólar variou de R$ 1,79 a R$ 1,89 no momento de maior estresse. No final do dia, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,849 - valorização de 2,83%, a maior registrada desde março de 2009. Para analistas, os mercados sinalizaram seu medo de que o pacote de ajuda acertado por União Europeia e Fundo Monetário Internacional, de € 110 bilhões, não baste para salvar a economia da Grécia. A dívida pública grega equivale a mais de duas vezes o valor do socorro, o que faz aumentar o temor de moratória. O Parlamento grego aprovou o plano de arrocho fiscal exigido para a concessão da ajuda.

O Estado de São Paulo
"Crise europeia se agrava e estrangeiros deixam Bovespa"

Nos dois primeiros dias úteis de maio, investidores retiraram da bolsa o equivalente a R$ 573 milhões

A aprovação pelo Parlamento grego das medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo FMI não foi suficiente para acalmar os mercados financeiros, que voltaram a ter um dia de forte tensão. As bolsas de Frankfurt e Milão caíram, respectivamente, 0,84% e 4,27%. Paris, Madri e Portugal, 2,20%, 2,93% e 2,37%. Os investidores temem que eventual calote grego afete os bancos da região, que detêm quase US$ 190 bilhões em títulos da dívida do país. A crise na Europa também tem reflexos no Brasil. Nos dois primeiros dias úteis de maio, investidores estrangeiros retiraram o equivalente a R$ 573 milhões da Bovespa, deixando o saldo negativo, no ano, em R$ 1,86 bilhão. Ontem, a Bovespa chegou a cair mais de 6% e fechou em queda de 2,31%.

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quinta-feira, maio 06, 2010

Wilson Simonal - Sá Marina

Papo do Editor

Andanças

Sidney Borges
O projeto de lei que tira elegibilidade de portadores de ficha suja, aprovado na Câmara, aguça minha curiosidade. Será que os "trezentos picaretas" - deputados segundo um sapo-barbudo - entenderam o que aprovaram? Metade dos congressistas tem contas a ajustar. Condenação em segunda instância com trânsito em julgado e adeus Etelvina. Mesmo acertando na milhar. Conheço políticos nessa. Entrei nos sites. Não há sinal de preocupação. A certeza da impunidade abre o apetite. Queremos pizza, gritam. Tem de alici e mozzarella, responde a voz do além. Bons advogados e recursos sem fim, eis a chave da questão.

Não foi dessa vez. O sonho corintiano da Libertadores ficou pras calendas gregas. Vagner Love não gostou do ritmo de love is a many splendored thing e acabou com a love story. Agora será preciso mostrar futebol no Campeonato Nacional para tentar novamente. Ganso. Guarde esse nome. Joga muito. Imagino uma linha com Ganso e Pato. Ganso lançando e Pato marcando. Quac! Tio Patinhas está de olho na dupla, quer o esquadrão de Patópolis imbatível.

Diz a Folha que o marqueteiro de Dilma, João Santana, perdeu poder. Agora quem manda é Rui Falcão. O mesmo que conduziu a campanha de Marta à prefeitura de São Paulo. Será que mudando o técnico a coisa vai? Um dia a Portuguesa de Desportos contratou Luis Alonso Pérez, conhecido como "Lula". Luís Alonso "Lula" e Luiz Inácio "Lula". Coincidência, o primeiro descobriu Pagão, o segundo paga. A Lusa do Canindé queria ganhar tudo, de Campeonato Paulista a Torneio Rio-São Paulo. Questão de lógica elementar. Lula tinha sido campeão no Santos, logo seria na Portuguesa. Não deu certo. Querer nem sempre é poder. Para a coisa funcionar precisava técnico e time. Duda Mendonça é craque, mas jamais elegeria Maluf. Ninguém consegue. Lula (político) é craque. Dilma está mais pra perna de pau. Isto não significa que a fatura está decidida. Eleição é uma caixinha de surpresas.

Ainda não estou convencido de que a procuradora aposentada, Vera Lúcia de Sant'Anna Gomes, tenha de fato torturado uma criança de 2 anos. A história precisa ser apurada em profundidade. Se for provada a culpa é caso de hospício. Perpétuo.

Tem bispos e arcebispos queimando a língua. Ontem um disse que a sociedade é pedófila. Hoje outro afirmou que tocar em adolescente é diferente de tocar em criança. Sabem o que ele quis dizer com tocar? Isso mesmo que você está pensando. Crime. Pelo menos com criança é. Com adolescente, dependendo da idade, também é crime. No entanto, se houver consentimento só a lei eclesiástica será infringida. Rígida contra leigos e complacente com os da casa. Em 1965 o Index Librorum Prohibitorum me excomungou. Tive pensamentos lúbricos ao ler Stendhal. Heresia! Em 1966 o Papa Paulo VI aboliu o Index, felizmente era tarde. Eu já estava fora, cada dia mais pecador. Graças a Deus.

Na Espanha estão convocando mulheres feias para tratamento psicológico. Seria melhor que fizessem tratamento estético, ginástica, regime, retirada de bigodes, implantação de silicone e outra providências. A vida é curta, amar é preciso. Com determinação, habilidade, sensibilidade e jeito, qualquer mulher fica bonita. Se você está a pé, não se despere. Lute, adote uma gata. E preste atenção à delicadeza e à feminilidade. Homens gostam.

Para finalizar: acabei de ler que Kassab vai demolir o Minhocão. Minhocão e Praça Roosevelt, símbolos de uma época que não traz saudades. Falo do governo, da mentalidade pequena, reducionista, do sonho do american way of life. Tudo mais, juventude, músicas, Ubatuba, jato de urina e ereções firmes, como disse Caetano Veloso, são coisas inesquecíveis. Boa Kassab. Dou total apoio.

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Opinião

O estouro da boiada

Editorial do Estadão
A esta altura só resta tomar ao pé da letra a declaração atribuída ao presidente Lula de que "não há eleição que me faça aprovar esses absurdos". Ele estava em Buenos Aires, na terça-feira à noite, quando soube que a Câmara dos Deputados havia acabado de aprovar não só um reajuste de 7,71% para os aposentados que recebem mais de um salário mínimo, como ainda a extinção do fator previdenciário para o cálculo das aposentadorias, criado no governo Fernando Henrique. Por uma perversa coincidência, a dupla façanha foi cometida no 10.º aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que levou o deputado Arnaldo Madeira, do PSDB paulista, a comentar que a Câmara havia promovido "a noite da irresponsabilidade".

A chance de mostrar serviço para a combativa categoria dos aposentados e, no caso da grande maioria dos parlamentares oposicionistas, de criar um problemaço para o presidente - já às voltas com uma candidata que não empolga - revelou-se irresistível. Desde quando começou a tramitar a medida provisória que reajustou aqueles benefícios em 6,14% em janeiro deste ano eleitoral, ficou evidente que, passando ao largo das divisões partidárias, os políticos estavam a fim de usar o dinheiro do conjunto dos contribuintes para fazer bela figura junto a uma parcela deles - a quem um punhado de parlamentares, por sinal, deve seus sucessivos mandatos. Os aposentados são eleitores especialmente atentos aos seus interesses.

Câmara e Senado estabeleceram um acordo pelo qual o reajuste deveria corresponder à inflação do ano passado mais 80% do crescimento do PIB, ou seja, 7,71%. (O DEM propôs alegremente 9,6%.) Enquanto os ministros do Planejamento e da Fazenda diziam que recomendariam ao presidente o veto a qualquer aumento acima do valor original, por seu impacto sobre as contas públicas, ele optou pelo menor dos males, autorizando o petista Cândido Vaccarezza, relator da MP na Câmara, a chegar a 7%, ou R$ 1,1 bi a mais do que custariam os 6,14%, no bojo de uma negociação suprapartidária, que nos últimos dias até parecia caminhar bem.

Qual o que! Na hora da decisão, docemente constrangidos pelas manifestações dos aposentados que lotavam as galerias, os deputados trataram de agradar à ruidosa clientela. Foi o estouro da boiada: o PT liberou a bancada e os líderes de todos os demais partidos falaram a favor dos 7,71%. Mas, não fossem os políticos que são, os deputados tiveram o cuidado de aprovar em votação simbólica o bônus que extrairá do Tesouro adicionais R$ 700 milhões. De outro modo, os nomes dos parlamentares contrários à esbórnia ficariam expostos no painel eletrônico. Já a votação da emenda ainda mais danosa que acaba com o fator previdenciário, apresentada pelo líder do PPS, o catarinense Fernando Coruja, se deu a céu aberto.

Nada menos de 323 deputados de todos os matizes, incluindo tucanos e demistas, uniram-se para destruir o mecanismo que até 2008 proporcionou ao País uma economia de R$ 10,1 bilhões, ao desestimular aposentadorias precoces. (A fórmula faz incidir a idade, a expectativa de vida após a aposentadoria e o tempo de contribuição sobre a média dos maiores salários recebidos pelos candidatos à jubilação.) Apenas 80 parlamentares tiveram cabeça e coragem de se opor à sangria estimada em R$ 3,8 bilhões em 2011, quando - e se - o fator deixar de existir. No caso do reajuste, a pressão pelos 7,71% era escancarada. Mas o Planalto não dava sinal de temer o risco do retrocesso no sistema previdenciário. De resto, embora não venha sendo propriamente um modelo de retidão fiscal, o governo se reserva a prerrogativa de escolher para quem destrancar os cofres.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 6 / 05 / 2010

Folha de São Paulo
"Ricos miram Brasil e China em pacto contra a pirataria"

EUA e Europa negociam acordo que afetará internet e genéricos; Itamaraty vê tentativa de impor padrões

Um acordo sobre propriedade intelectual que está sendo negociado a portas fechadas por EUA, Japão, União Europeia e outros oito países terá como alvos maiores o Brasil e a China, segundo apurou a Folha. O Acta (acordo comercial antipirataria) passa ao largo de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio. Se for fechado, afetará a distribuição de conteúdo na internet - infratores perderão o acesso - e de remédios genéricos, facilitando a apreensão de cargas nos países por onde transitem. Roberto Azevedo, embaixador do Brasil na OMC; critica a proposta, na qual vê uma "tentativa de impor padrões", e diz que ela fere acordo de propriedade intelectual e comércio assinado na instituição em 1994. Os EUA esperam que o acordo final "exporte" uma visão mais semelhante às leis americanas.

O Estado de São Paulo
"Crise grega se espalha e UE já teme pelo seu futuro"

Estabilidade do continente está em risco, advertem europeus e FMI; protestos matam três em Atenas

As principais autoridades europeias e o Fundo Monetário Internacional admitiram ontem que a crise grega não diz respeito somente ao equilíbrio fiscal do país, mas sim à própria estabilidade da Europa. Na Grécia, cujo Parlamento deve votar hoje o maior programa de austeridade de sua história, houve violentos protestos contra o acordo para obter o socorro da União Europeia e do FMI. Três pessoas morreram em Atenas, no ataque a uma agência bancária, e mais de 40 ficaram feridas nos confrontos. A constatação de todos, porém, é que o pacote para salvar a Grécia não foi suficiente para conter as incertezas sobre a capacidade de vários países da UE de lidar com a divida pública. Para tentar frear a situação, o bloco europeu anunciou reforma interna e prometeu novas leis contra ataques especulativos, Bruxelas lançou duros ataques contra o mercado e chegou a acusá-lo de ameaçar as "instituições democráticas da Europa" com ações sobre a dívida soberana de países.

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quarta-feira, maio 05, 2010

moon river-breakfast at tiffany´s

Cinema


Nunca é tarde para homenagear Audrey

por Renata Reps (original aqui)
A gente não lembrava. Mas parecia que sim. Ontem, alguma coisa dizia que nós, do Moda, estávamos realmente esquecendo uma data importante. Não é à toa que nossos dois posts de terça faziam alguma referência a Audrey Hepburn que, se estivesse viva, completaria seus 81 anos no 4 de maio de 2010. Primeiro publicamos o post sobre a Barbie mais cara do mundo, que resolvemos intitular Bonequinha de Luxo desavisadamente. Em seguida, em uma nota sobre uma nova loja que abriu em Londres, usamos Holly Golightly – personagem mais famosa de Audrey – como referência de alguém que teria gostado de conhecer a butique. Será o inconsciente coletivo?!

É, parece mesmo que Audrey Hepburn não morreu naquele lúgubre 20 de janeiro de 1993. A atriz belga é o tipo de personalidade que marca a História por vários ângulos, assim como aconteceu com Lady Di, Marilyn Monroe e Eva Perón (com o perdão do emparelhamento de figuras tão distintas entre si, mas tão importantes para o mundo). De uma forma ou de outra, ela sempre é lembrada, tanto como ícone fashion ou atriz de raro talento. E não foi diferente com nossa equipe.

Mas como seguimos o lema ‘antes tarde do que mais tarde’, resolvemos prestar nossa homenagem, ainda que atrasada. O que é um dia, afinal de contas, em relação à influência que Audrey traz até hoje na moda mundial. Na TV, por exemplo. Blair Waldorf, do seriado teen Gossip Girl, tem o figurino altamente inspirado na antecessora. Paris Hilton, veja só, também já se vestiu de Audrey para um ensaio fotográfico – assim como Lily Allen, Emma Roberts, Sophia Abraão, só para citar algumas poucas. Isso sem falar em personagens que seguem o estilo da musa, como a moça do filme que Lena (Penélope Cruz) faz em Abraços Partidos. Cabelo, maquiagem e figurino: Audrey da cabeça aos pés.

Audrey nasceu em 1929, em Bruxelas. Filha de nobres – seu pai era um rico banqueiro inglês e sua mãe, uma duquesa holandesa – ela começou a fazer aulas de ballet ainda pequena. Mudou-se para Londres com a mãe quando seus pais se divorciaram e, durante uma temporada de férias na cidade de Anrhem, na Holanda, o exército nazista ocupou a cidade e Audrey pode experimentar os horrores da guerra. Ela sofreu com depressão e subnutrição. Quando conseguiu, voltou para Londres onde continuou os estudos de dança e passou a trabalhar como modelo.

Daí para frente, sua carreira no mainstream da arte e da moda estava armada – embora ela nunca tenha se assumido como referência fashion e já tenha afirmado que era muito fácil uma mulher comum ser como ela: bastava “mudar um pouco seu penteado, comprar óculos de sol grandes e usar vestidinhos sem manga”. Ao todo, foram 31 filmes de 1948 até 1989. O primeiro que fez nos Estados Unidos, A Princesa e o Plebeu, lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz. E logo ela estava encantando a América com seu charme em Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s) – o coque altíssimo, a piteira e os tubinhos longos pretos foram amplamente copiados pelas fãs.

Além de chique, elegante, simpática e talentosa, Audrey também quis deixar uma marca humanitária em sua biografia. Assim, desde 1988 até o ano de sua morte (ela teve câncer de apêndice), Audrey trabalhou como embaixadora especial da Unicef ajudando crianças na América Latina e na África. Para encerrar, foi eleita uma das cem maiores estrelas de cinema de todos os tempos pela Empire Magazine, em 1997. Portanto, dá para entender por que Audrey é lembrada em qualquer ocasião que apresente as mulheres mais marcantes da história: é simplesmente impossível viver sem ela. Um brinde à eterna bonequinha de luxo.

Jardim

Foto: Sidney Borges

Pizzaria Brasil

Quase metade do Congresso tem ‘ficha suja’

Cláudio Humberto
Mais de 40% - ou 203 dos 513 deputados- da Câmara poderiam figurar na lista daqueles que teriam suas candidaturas rejeitadas, caso a Lei da “Ficha Limpa” estivesse em vigor nas eleições deste ano. No Senado, como indica levantamento junto ao Projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, 38% são citados em processos na Justiça. Essa “bancada” é suficiente para enterrar o projeto do “Ficha Limpa”.

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Jogão


Craque

Sidney Borges
Ronaldo sempre comeu a bola. A foto comprova. Não perca hoje à noite o grande duelo Adriano x Ronaldo. Dois homens de peso em busca da consagração. Adriano quer ir à Copa. Ronaldo quer que o jogo termine logo para comer pizza. Sensacional.

Memórias


Viajando

Sidney Borges
Na foto contemplo o fluxo inexorável do passar das horas na Praça Ramos de Azevedo. Na minha frente o Teatro Municipal, desenvolvido pelos arquitetos italianos Domiziano Rossi e Cláudio Rossi, do escritório do famoso Ramos de Azevedo, que deu nome à praça. Regulei mal minha máquina de tempo. Em vez de visitar a retirada de Napoleão em 1812 acabei no centro de São Paulo em 1912. Preciso trocar o gerador de píons. O engano não foi de todo mau, almocei no Carlino, aberto em 1881. Comida excelente, o problema foi pagar, quando apresentei o cartão de crédito chamaram a polícia, tive de acionar a máquina e desaparecer na frente de todos. Um padre foi providenciado com grande estoque de alho e água benta para exorcizar o fantasma caloteiro. Minha fuga virou lenda na cidade, até hoje falam disso.

Futebol


Libertadores em marcha

Sidney Borges
O São Paulo venceu nos pênaltis. Não jogou bem embora tenha visitado as traves adversárias lá e cá. Hoje o jogo é de vida ou morte. O Corínthians quer a Libertadores no seu centenário para fazer juz ao título de Campeão do Centenário.

Em 1954 a cidade de São Paulo comemorou quatrocentos anos e o Corinthians de Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Simão sagrou-se campeão paulista. Depois ficou 23 anos na fila, mas isso é página virada.

O Flamengo não vai dar moleza, o "imperador Adriano" precisa mostrar futebol senão Zangado, digo Dunga, não o leva para brincar no jardim de Branca de Neve, que em 2010 está na África do Sul. Em 2014 virá para o Brasil. A FIFA está tiririca com a CBF. Obras atrasadas.

Neymar faz gols e quer ir à Copa. Sou favorável, melhor que vá no lugar de Robinho que dança e pedala, mas não visita as redes adversárias. O time do Santos joga com objetividade. Vai ao ponto. Aliás essa é sua a característica, sempre jogou aberto, dando espetáculo. No ataque histórico de 1956/57, Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe fizeram gols, muitos gols. O povo dizia que o time era tão bom que o tecnico Lula o escalava jogando as camisas para cima, menos a 10 que tinha dono.

Pelé não era dado a brincadeiras, não fazia dancinhas nem usava trancinhas. Fazia gols. Por falar em gols não consigo esquecer Artime, craque argentino que jogou no Palmeiras. O cara sabia colocar a gorduchinha lá. De bico, de canela, de joelho, bola sobrando na área o gringo empurrava para dentro. Sem firulas. Estética futebolística não era com ele. Eu o tenho como um anti-Robinho, que floreia, floreia e fica no floreio. Belo Antônio dos gramados.

Hoje falo de futebol por ainda estar estupefato com o pesadelo de ontem. Sonhei que Brasil e Portugal fizeram a final da Copa e deu Portugal por um a zero.

Quem sabe com treze banhos de descarrego espanto a zica. Arriégua!

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MarisaMonte-Rosa (mp3)

Política

Pesquisas eleitorais e "jogo de coordenação"!

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP
Uma pesquisa de opinião pública, sobre qualquer questão, depende da informação ter chegado às pessoas. Fazer uma pesquisa de opinião no Brasil sobre os conflitos subnacionais na Bélgica neste momento não dará nenhum resultado, mesmo que parte das pessoas marque uma resposta. Da mesma forma, quando a informação a ser pesquisada é restrita, a pesquisa não testa opinião pública. Por exemplo: você acha que o Copom vai aumentar, diminuir ou deixar os juros iguais?

O processo básico para que uma pesquisa eleitoral traduza o que pensa a opinião pública é que o "jogo de coordenação" (expressão técnica) tenha se desenvolvido. Num processo eleitoral, a opinião das pessoas vai se formando em contato com a opinião de outras pessoas. Elas recebem informações dos candidatos e dos meios de comunicação e conversam entre si. É esse processo de tomada de decisão, a partir das conversas entre as pessoas, o que se chama de "jogo de coordenação".

Longe do processo eleitoral, quando os partidos ainda não iniciaram suas campanhas, sem sua própria TV/rádio e a imprensa ainda não priorizou a cobertura, as informações que chegam aos eleitores ainda são diluídas. Vale a memória dos nomes. No caso da eleição presidencial deste ano, um dos candidatos tem o nome mais conhecido por sua participação em outras eleições e em governos. O presidente da República, por um ano e meio, foi reduzindo essa vantagem, divulgando o nome de sua candidata e buscando colá-la às realizações do governo.

Mas quando o processo se abre e a mídia amplia os espaços pré-eleitorais é que se inicia o "jogo de coordenação". Os candidatos procuram colocar seus nomes e propostas no meio desse "jogo", assim como desqualificar os seus adversários. As pessoas passam a tratar do tema progressivamente. As pesquisas, portanto, medem, de início, opiniões frias e vão retratando de forma crescente a tendência efetiva da opinião eleitoral, a meio do "jogo de coordenação".

Os fatos eleitorais vão afetando essa opinião pública, mantendo ou alternando tendências. Dessa forma, as pesquisas divulgadas nestes meses falam da opinião pública antes do "jogo de coordenação". Os candidatos, em suas campanhas, vão influenciando esse "jogo" de maneira a que as conversas estimuladas pela propaganda, direta e indireta, produzam, no final, decisões a seu favor. E as pesquisas, que no início apenas faziam diagnóstico, no final passam a fazer prognóstico.

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"Tu quoque, Brutus, fili mi"!

PF liga Tuma Júnior, secretário nacional de Justiça, a chefe da máfia chinesa

Interceptação de gravações telefônicas e mensagens eletrônicas aponta contato frequente com Li Kwok Kwen, também conhecido como Paulo Li

Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo
Gravações telefônicas e e-mails interceptados pela Polícia Federal (PF) durante investigação sobre contrabando ligam o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, ao principal alvo da operação, Li Kwok Kwen, apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo.

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A relação de Tuma Júnior com Kwen, também conhecido como Paulo Li, foi mapeada ao longo dos seis meses da investigação que deu origem à Operação Wei Jin, deflagrada em setembro de 2009.

Paulo Li foi preso com mais 13 pessoas, sob a acusação de comandar uma quadrilha especializada no contrabando de telefones celulares falsificados, importados ilegalmente da China.

Ao ser preso, Paulo Li telefonou para Tuma Júnior na frente dos agentes federais que cumpriam o mandado. Dias após a prisão, ao saber que seu nome poderia ter aparecido no inquérito, Tuma Júnior telefonou para a Superintendência da PF em São Paulo, onde corria a investigação, e pediu para ser ouvido. O depoimento foi tomado num sábado, para evitar exposição. Tuma declarou que não sabia de atividades ilegais de Li. O surgimento do nome Tuma Júnior no inquérito seguia em segredo até agora.
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Opinião

A Copa ameaçada

Editorial do Estadão
Para milhões de brasileiros, seria decepcionante o País deixar de realizar a Copa do Mundo de 2014, a primeira a ser aqui disputada desde 1950. Não é impossível, porém, que isso ocorra. Hoje, o Comitê de Estádios do Comitê Organizador da Fifa inicia, pelo Morumbi, uma avaliação das condições dos estádios de 12 cidades escolhidas para sediar jogos da Copa, considerado o maior evento do mundo dedicado a um único esporte. Mas o secretário-geral da Fifa, Jérôme Velcke, preveniu que "já acendeu a luz vermelha" na preparação do Brasil para a Copa de 2014.

O Comitê vai encontrar no Morumbi um bom exemplo do que está ocorrendo em praticamente todas as outras cidades-sede. Foram feitas algumas obras cosméticas, mas a verdadeira reforma para adequar o estádio para a realização do primeiro jogo da Copa, uma exigência da Fifa e uma reivindicação dos torcedores, ainda está por começar. E já não se duvida de que o estádio do São Paulo Futebol Clube poderá ficar fora do Mundial.

Ultrapassada a data fixada para o início das obras planejadas nos estádios, surgem dúvidas sobre se as reformas indispensáveis estarão concluídas ao fim de 2012, como foi acertado. A começar pelo Maracanã, cujo edital de licitação nem mesmo foi publicado, permanecem intactos outros quatro estádios: os de Brasília, Fortaleza, Natal e Recife. Na planta, todos têm projetos arquitetônicos magníficos, mas, por enquanto, só servem para exposição.

Em Brasília, alega-se que a licitação não foi feita por causa da crise política que tumultuou a administração local. Em outras capitais, falta licença ambiental, uma vez que as reformas implicam demolições de estádios mais antigos, alterações no entorno, vias de acesso, etc. Há casos em que, realizadas as licitações, elas foram embargadas na Justiça por empresas perdedoras ou pelo Ministério Público.

A queixa mais comum é a falta de verbas. Os clubes alegam que não têm recursos no valor exigido para cumprir todas as exigências da Fifa e não contam com apoio de governos regionais. Os dirigentes dos clubes só se dispõem a gastar valores limitados, pedindo verbas governamentais ou isenções fiscais para iniciar projetos de ampliação e modernização. Em um ano eleitoral, com obras por concluir e inaugurar, os governos estaduais e municipais preferem deixar para depois as decisões sobre a reforma de estádios para a Copa.

Como declarou o secretário de Trabalho e Esportes do Estado da Bahia, Nilton Vasconcelos, "a pressão pelo início das obras ainda nem começou. Vai começar de fato após a Copa do Mundo da África do Sul". Ele pode estar enganado. A Fifa não enviou o seu Comitê Organizador ao Brasil à toa. Depois de observar a realidade in loco, o Comitê vai elaborar um relatório, que está destinado a ter grande repercussão na imprensa internacional, projetando uma imagem negativa do Brasil, justamente em uma área em que o País se destaca.

O que se pode esperar é que o governo federal, com tantas despesas e com limitados recursos para investimentos, acabe sendo convocado a liberar verbas especiais para estádios. Até agora, pelo menos, o governo central não se dispõe a abrir as burras. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, afirmou que o "tema da arena, dos estádios, é com as cidades", às quais pediu "mais trabalho". Mas, apesar de toda essa encenação, pode bem ser que, afinal, o Planalto mude de opinião para "salvar a honra nacional".
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