Opinião

A quem pertence o mosquito da dengue?

Claudia Costin
A agora reconhecida epidemia de dengue no Rio de Janeiro tem, certamente, culpados. Alguém não trabalhou de forma adequada, utilizando os instrumentos para isso necessários: vigilância epidemiológica, ações de combate aos focos do mosquito, informação à população e tratamento dos doentes.

A quem cabe esta responsabilidade? O prefeito César Maia foi rápido em atacar o governo federal, alegando a crise de indefinição institucional dos hospitais federais no Rio. Para evitar confusões é importante notar que os hospitais federais podem ser importantes para tratar os doentes e evitar que o mosquito pique pessoas contaminadas e, assim, espalhe ainda mais a dengue, mas não são a arma principal contra a moléstia. O ministro Temporão rebateu culpando o município onde ocorre boa parte dos casos. O secretário estadual de Saúde rapidamente reconheceu (no meio desse bate-boca, mas não antes) a existência da epidemia e entrou em campo.
Lembrei-me, ao ler as notícias, da atitude excelente do secretário municipal da Saúde de São Paulo na gestão Marta Suplicy, Eduardo Jorge. Em 2002, quando casos de dengue começaram a cruzar a fronteira entre o Rio e São Paulo, prontamente alertou a população de que se tratava de uma epidemia. Depois de forte ação educativa, fez aprovar uma lei antipática, mas efetiva, que multava quem mantinha possíveis criadouros do mosquito. Envolveu supermercados em recolhimento de descartáveis que pudessem ser focos de mosquitos e não culpou outros por um problema em que a responsabilidade é compartilhada. Numa entrevista à Rádio CBN, foi-lhe sugerido que a culpa seria do governo federal, então sob o comando de outro partido. Não aceitou a saída fácil e disse que o Ministério da Saúde enviara todo o material e apoio a tempo.
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