Pirâmide invertida
Antes era assim
Duda Mendonça
Outro dia falei aqui sobre a Pirâmide Invertida. O tema despertou tanto interesse e foram tantas as perguntas que resolvi voltar ao assunto de forma mais detalhada.
A Pirâmide Invertida também poderia se chamar a hora e a vez do povão. Desde que comecei a fazer campanhas eleitorais eu ouvia falar da força e da influência dos formadores de opinião. Eles eram os intelectuais, os jornalistas, os grandes políticos, os grandes empresários, os artistas, enfim, eram lideranças importantes dos diversos segmentos de nossa sociedade que, ao emitir suas opiniões e seus pontos de vista, tinham uma enorme capacidade de influenciar os votos de todos. Tudo funcionava como uma grande pirâmide, onde a classe A era o vértice e o povão era a base. No meio, estava a classe média, que era influenciada pela classe A e, por sua vez, influenciava a base. O patrão influenciava a opinião do empregado, o engenheiro influenciava o mestre de obra que, por sua vez, influenciava o peão em praticamente todas as suas decisões – desde a melhor cachaça, até o nome do candidato em que deveria votar. Isso tornava o resultado das eleições muitas vezes previsível.
A mudança
Seguramente o modelo acima foi verdade durante alguns anos. Mas, aos poucos, comecei a discordar dessa teoria e comecei a trilhar um outro caminho. Afinal, via cada vez mais claramente nas pesquisas a mudança de comportamento do povão. Aos poucos ele foi descobrindo que pertencia a um outro mundo, a uma outra realidade e que a opinião de um colega de trabalho, de um amigo, de pessoas de seus convívio era muito mais adequada à sua realidade, passando a ter, por isso mesmo, muito mais credibilidade e influência sobre ele.
Aos poucos, a pirâmide começou a mudar. Cada vez ficava mais claro para mim que o discurso dos políticos tradicionais, que os artigos dos jornais, que a presença dos artistas da televisão com seus depoimentos de apoio não influenciavam em nada, sobretudo o eleitor de baixa renda. Ao mesmo tempo as informações e argumentos daqueles que pertenciam à sua mesma classe social cresciam e ganhavam cada vez mais importância.Essa nova ordem alterou substancialmente o resultado das eleições, deixando os políticos e a própria imprensa muito confusos.
A força da TV e do Rádio
Sem dúvida o elemento chave para essa mudança foi a televisão. Ela encurtou as distâncias entre o candidato e o eleitor, colocando os dois frente a frente, sem intermediários – arrebentando os currais eleitorais e acabando com o chamado voto de cabresto.
Mas apesar da mudanca de comportamento do povão e da força do veículo televisão, a sua linguagem ainda era muito desconhecida para a maioria dos políticos. A televisão exige uma linguagem mais simples, mais direta, mais emocional, esteticamente mais limpa e mais bonita. Isso atrai a atenção de todos, principalmente do povão – ao contrário dos que acham que linguagem popular e qualidade estética seriam coisas conflitantes, quando, na verdade, são absolutamente complementares.
Grande parte das vitórias eleitorais que tive foram baseadas firmemente nessa teoria. Descobri também que a forma mais eficiente de usar a TV e do Rádio - os grandes veículos de comunicação - era na verdade para dar argumentos. Argumentos claros, fortes e convincentes. E, sem exageros, esses argumentos servem como base para discusão dos eleitores nos bares, nos locais de trabalho, no futebol, nos ônibus, nos metrôs, nas praias, etc…
É aí onde, verdadeiramente, se decidem as eleições.
Duda Mendonça
Outro dia falei aqui sobre a Pirâmide Invertida. O tema despertou tanto interesse e foram tantas as perguntas que resolvi voltar ao assunto de forma mais detalhada.
A Pirâmide Invertida também poderia se chamar a hora e a vez do povão. Desde que comecei a fazer campanhas eleitorais eu ouvia falar da força e da influência dos formadores de opinião. Eles eram os intelectuais, os jornalistas, os grandes políticos, os grandes empresários, os artistas, enfim, eram lideranças importantes dos diversos segmentos de nossa sociedade que, ao emitir suas opiniões e seus pontos de vista, tinham uma enorme capacidade de influenciar os votos de todos. Tudo funcionava como uma grande pirâmide, onde a classe A era o vértice e o povão era a base. No meio, estava a classe média, que era influenciada pela classe A e, por sua vez, influenciava a base. O patrão influenciava a opinião do empregado, o engenheiro influenciava o mestre de obra que, por sua vez, influenciava o peão em praticamente todas as suas decisões – desde a melhor cachaça, até o nome do candidato em que deveria votar. Isso tornava o resultado das eleições muitas vezes previsível.
A mudança
Seguramente o modelo acima foi verdade durante alguns anos. Mas, aos poucos, comecei a discordar dessa teoria e comecei a trilhar um outro caminho. Afinal, via cada vez mais claramente nas pesquisas a mudança de comportamento do povão. Aos poucos ele foi descobrindo que pertencia a um outro mundo, a uma outra realidade e que a opinião de um colega de trabalho, de um amigo, de pessoas de seus convívio era muito mais adequada à sua realidade, passando a ter, por isso mesmo, muito mais credibilidade e influência sobre ele.
Aos poucos, a pirâmide começou a mudar. Cada vez ficava mais claro para mim que o discurso dos políticos tradicionais, que os artigos dos jornais, que a presença dos artistas da televisão com seus depoimentos de apoio não influenciavam em nada, sobretudo o eleitor de baixa renda. Ao mesmo tempo as informações e argumentos daqueles que pertenciam à sua mesma classe social cresciam e ganhavam cada vez mais importância.Essa nova ordem alterou substancialmente o resultado das eleições, deixando os políticos e a própria imprensa muito confusos.
A força da TV e do Rádio
Sem dúvida o elemento chave para essa mudança foi a televisão. Ela encurtou as distâncias entre o candidato e o eleitor, colocando os dois frente a frente, sem intermediários – arrebentando os currais eleitorais e acabando com o chamado voto de cabresto.
Mas apesar da mudanca de comportamento do povão e da força do veículo televisão, a sua linguagem ainda era muito desconhecida para a maioria dos políticos. A televisão exige uma linguagem mais simples, mais direta, mais emocional, esteticamente mais limpa e mais bonita. Isso atrai a atenção de todos, principalmente do povão – ao contrário dos que acham que linguagem popular e qualidade estética seriam coisas conflitantes, quando, na verdade, são absolutamente complementares.
Grande parte das vitórias eleitorais que tive foram baseadas firmemente nessa teoria. Descobri também que a forma mais eficiente de usar a TV e do Rádio - os grandes veículos de comunicação - era na verdade para dar argumentos. Argumentos claros, fortes e convincentes. E, sem exageros, esses argumentos servem como base para discusão dos eleitores nos bares, nos locais de trabalho, no futebol, nos ônibus, nos metrôs, nas praias, etc…
É aí onde, verdadeiramente, se decidem as eleições.
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