Efemérides

Sobre mães e seu dia

Sidney Borges
Logo que aprendi a ler me transformei em leitor fanático. Eu lia tudo, de anúncio de cafiaspirina a bula de remédio e aos domingos fazia companhia à minha avó na visita ao túmulo de vovô, morto aos 46 anos de um câncer fulminante. No cemitério eu passava o tempo lendo inscrições nos túmulos, enquanto vovó arrumava flores e limpava o retrato de porcelana de vovô. Só tenho lembranças dos “aqui jaz”, que demorei anos para entender o significado. Em casa, no quarto de vovó tinha um quadro dedicado às mães, do qual me recordo perfeitamente. Nele estava escrito:
Mãe tu és nossa alegria cotidiana, nossa eterna esperança e motivo de perpétuo júbilo em nossa existência. Mãe tu és a alegria eterna de teus filhos.
Jamais saberei quem escreveu, a gravura exibia uma moça de olhos azuis segurando no colo um menino também de olhos azuis, que imagino fosse Jesus.
Minha mãe tinha olhos azuis e eu não, o que me deixou intrigado por muito tempo, depois acabei esquecendo. Mamãe morreu em 1980. Tivemos bons momentos.

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