Eleições 2010

Discreto, Serra traça perfil de candidato

Ele fala com aliados e aos poucos amplia agenda e contatos regionais

Julia Duailibi
A pouco mais de um ano da eleição presidencial de 2010, o governador de São Paulo, José Serra, principal nome do PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto, conversa discretamente com aliados, aos poucos aumenta o espaço na agenda para a política e atua cautelosamente para desembaraçar nós nos palanques regionais. Temerário de virar alvo da oposição, Serra é contra a antecipação do debate eleitoral e, até para aliados mais próximos, mantém cautela e demonstra indefinição sobre sua entrada na disputa.


O que o governador tem dito: que não é fato consumado sua candidatura à Presidência da República e não seria nada constrangedor tentar a reeleição em São Paulo, onde sua popularidade alcança quase 60%. Reclama de quando é tratado como "pré-candidato" pelos jornais. O que os aliados entendem é que ele vai mesmo tentar chegar ao Palácio do Planalto.

Para Serra, o lançamento precoce da candidatura contribui para antecipar o término do governo. Com alguma dificuldade, ele tem atendido à pressão de seu partido e concedido um pouco mais de espaço na agenda para eventos políticos. Este mês, visitou cinco Estados do Nordeste - a região, onde os tucanos perderam na última eleição presidencial, é vista como determinante para 2010.

Em Exu, a mais de 600 quilômetros do Recife, o PSDB chegou a se mobilizar para fazer uma grande recepção na cidade em que nasceu o sanfoneiro Luiz Gonzaga. Segundo integrantes do partido, Serra pediu que não fosse dado caráter político ao evento. O beija-mão acabou sendo esvaziado.

O silêncio sobre a candidatura causa, de tempos em tempos, críticas no partido. Em reunião da Executiva Nacional há duas semanas, a direção foi cobrada sobre a data de definição da candidatura. Acabou marcando reunião para discutir o tema - o "Encontro sobre Conjuntura e Estratégia para 2010" ocorrerá em 27 e 28 de agosto. "Eu achava que seria melhor antecipar a candidatura. Cobrei isso dele. Mas fui convencido de que não era a hora", disse Roberto Freire, presidente do PPS.

Nas viagens, Serra acaba ajudando a desatar as alianças regionais. Avalia-se que o PSDB errou nas eleições de 2002, com Serra, e de 2006, com Geraldo Alckmin, ao não costurar corretamente acordos nos Estados. O caso mais emblemático é o de 2006 no Amazonas, onde Alckmin teve apenas 176.338 votos contra 1.159.709 de Lula.

Na Bahia, no começo do mês, após encontrar o governador Jaques Wagner (PT), Serra ajudou a solucionar um grande contencioso político no Estado. PSDB e DEM estavam se engalfinhando, mas um armistício viabilizou um acordo para lançar o ex-governador Paulo Souto.
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