sábado, junho 20, 2009

Voar é com os pássaros

Numa tarde de 2043...

Sidney Borges
O rapaz entrou no bar do 23º andar de um velho edifício da Quinta Avenida, em Manhattan. Estava vazio, apenas uma mesa ocupada por um velho muito forte.

- Ouvi dizer que da janela deste bar é possível voar. É verdade?

O barman que esfregava o balcão de mármore parou, mordeu o cigarro que pendia do canto da boca e não respondeu. Seus olhos buscaram o freguês que lia jornal.

- O senhor sabe de alguma coisa? Perguntou o rapaz.

- Depende.

- Depende do quê?

- Das correntes.

- Como assim?

- Não dá pra explicar, melhor ver como está.

Na janela o velho sentiu o vento:

- Dia perfeito. Vou mostrar.

Sentou-se com as pernas para fora, virou-se e esticou o corpo até ficar na horizontal. Com um leve movimento de ponta de dedos empurrou o parapeito e recuou flutuando com os braços abertos. O impulso foi suficiente para levá-lo até o outro lado da avenida, onde tocou num prédio e voltou.

O rapaz ficou radiante.

- Quer tentar?

- Quero.

Cheio de adrenalina o jovem repetiu os movimentos até ficar pendurado pelos braços.

- Agora é só dar um empurrãozinho e sair voando.


O grito foi ouvido por toda a vizinhança. O povo correu às janelas a tempo de ver o corpo estatelado na calçada.

O velho retornou à mesa e ao jornal enquanto o barman resmungava remoendo o cigarro do canto da boca:

- Super-Homem. Depois de velho virou um filho da puta...


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Tá explicado



Na descida todo santo ajuda

Sidney Borges (Raciocinando em bloco como o Lula)
A foto mostra de forma clara e cristalina o porquê das nações do Hemisfério Norte serem ricas e desenvolvidas.

Veja a linha tracejada. É perfeitamente horizontal, no entanto o oceano aparece mais alto do lado direito. Faz sentido, o Norte é em cima e quando queremos subir precisamos fazer esforço. Certo?

Os barcos que vêm do Norte descem, caso do veleiro que nem sequer levantou as velas. Para eles tudo é fácil.

Já os barcos que vão para o Norte precisam de motor.

As mercadorias têm custo reduzido e proporcionam lucros exorbitantes quando são transportadas do Norte para o Sul.

Felizmente com o petróleo do pré-sal o desnível oceânico deixará de ser problema.

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"Secreta"

Quem é o culpado? O mordomo? Quanta obviedade!

Sidney Borges
Desta vez não há muito a investigar. O mordomo é a prova do crime. Roseana Sarney, filha do donatário do Maranhão, José Sarney, presidente do Senado, tem um serviçal com salários pagos pelo Senado.

Mordomo de mil e uma utilidades.

"Secreta" é o apelido da fera. Amaury de Jesus Machado é o nome.

Sarney é amigo de Lula. Amigo de fé, irmão, camarada.

Roseana é ex-senadora e governadora do Maranhão.

Secreta, digo Amaury, ganha doze mil reais por mês.

Gente fina é outra coisa!

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Demorô...

Anatel proíbe Telefônica de vender Speedy

Após sucessivas falhas do serviço de acesso à internet, agência decide forçar operadora a comprovar qualidade do serviço

Multa estipulada em caso de descumprimento será de R$ 15 milhões e de R$ 1.000 por unidade do Speedy vendida durante a proibição

Folha de São Paulo
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) publica na segunda-feira no "Diário Oficial" da União um despacho em que proíbe a Telefônica de vender o Speedy, produto de acesso à internet em banda larga, até que a operadora implemente medidas que assegurem a qualidade do serviço. A agência só vai liberar o Speedy quando a Telefônica comprovar que as medidas impedirão novos colapsos.

Caso a operadora descumpra qualquer item do despacho, será multada em R$ 15 milhões. Além disso, a agência fixa também um valor (R$ 1.000) para cada unidade do Speedy vendida e habilitada durante a vigência da proibição.
A agência também determinou que a operadora informe os clientes, com a seguinte mensagem, que o produto está suspenso: "Em razão da instabilidade da rede de suporte Speedy, a Anatel determinou a suspensão, temporariamente, da sua comercialização".


O prazo dependerá da agilidade da Telefônica em apresentar à agência um plano que garanta a estabilidade, mas a agência prevê 30 dias. A suspensão se deve à sucessão de falhas no serviço ocorridas nos últimos 12 meses.

A Anatel afirmou ontem à Folha que instaurou cinco Pados (Processos Administrativos por Descumprimento de Obrigações) por conta da interrupção do Speedy ocorrida nos dias 2 e 3 de julho de 2008.

Dois deles são contra a Telefônica, um contra a UL do Brasil Certificações, que fez a checagem dos equipamentos usados na rede da Telefônica, outro contra o laboratório NMI Brasil Ltda, e, por último, contra a Huawei do Brasil Ltda, fabricante dos equipamentos.

Há ainda um novo Pado contra a Telefônica por uma sucessão de episódios que levaram o Speedy a falhas neste ano. Eles começam em 25 de fevereiro, com um incêndio nas instalações da companhia em Barueri. (Do Blog do Noblat)
Assinante do jornal leia mais em:
Anatel proíbe Telefônica de vender Speedy

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Palavra do dia

Meteorito

Na última semana, na Alemanha, um garoto de 14 anos foi atingido por um meteorito quando se dirigia à escola. Segundo o seu relato, o meteorito tinha o tamanho de uma ervilha e ainda estava incandescente quando atingiu sua mão, antes de chocar-se com o chão e abrir uma cratera.

A palavra "meteorito" tem sua origem no francês "météorite", da junção de "meteoro" com o sufixo "-ite". Este substantivo masculino designa um fragmento de corpo celeste que atravessa a atmosfera e cai sobre a terra.
Definição do "iDicionário Aulete":


(me.te:o.ri.to) sm.

1. Astron. Fragmento de corpo celeste que atravessa a atmosfera e cai sobre a Terra; AERÓLITO; ASTRÓLITO; METEORÓLITO
[F.: meteoro + -ite, pelo fr. météorite.]
www.aulete.com.br

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Opinião

Jornalista sem diploma

Editorial do Estadão
Finalmente, depois de anos de polêmica, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu solução definitiva à questão da obrigatoriedade do certificado de conclusão de uma faculdade de comunicação social para exercer a atividade de jornalista. Por 8 votos a 1 o STF decidiu que o Decreto-Lei 972 de 1969, que exigia tal condição, é incompatível com a Constituição de 1988, justamente porque esta garante a plena liberdade de expressão e comunicação. "O jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada. O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação." Com estas palavras, o ministro Gilmar Mendes associou liberdade de expressão e comunicação que a Constituição assegura em alguns de seus dispositivos - com ênfase típica de uma sociedade que já sofreu a censura de um regime autoritário - ao exercício da atividade jornalística sem quaisquer formas de controle, restrição ou condição imposta pelo Estado. Sem dúvida essa associação se harmoniza com o principio básico que rege a liberdade de imprensa nas democracias contemporâneas, bem ilustrada pela interpretação que a Suprema Corte deu, na década de 1970, à Primeira Emenda da Constituição norte-americana - a que primeiro institucionalizou essa liberdade. Disse a Suprema Corte que o maior bem a ser tutelado não é o direito do jornalista de informar, mas sim o da sociedade de ser informada.

O ministro Mendes relatou o processo que chegou ao Supremo em 2006 e no qual já dera, na ocasião, liminar suspendendo a exigência do diploma. Esse processo se originara de ação contra a obrigatoriedade do diploma, proposta pelo Ministério Público Federal e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Em 2001, a 16ª Vara de São Paulo extinguira a exigência, mas em 2003 o Tribunal Regional Federal da 3ª Região a restabelecera. Ao relatar o processo na quarta-feira o presidente do Supremo disse: "Um excelente chefe de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área." O ministro também se referiu ao fato de as faculdades que formam jornalistas não perderem importância, uma vez que os veículos de comunicação têm a plena liberdade de exigir o diploma para aceitar profissionais em seus quadros. De nossa parte, preferimos dizer que as faculdades de comunicação serão importantes pela qualidade do ensino que ministrarão aos futuros profissionais do jornalismo - e decerto terão de se aprimorar, porque seus alunos sofrerão, no mercado de trabalho, a concorrência que vem com o fim da reserva de mercado.

Se a exigência do diploma, estabelecida no decreto-lei do regime militar, já era um anacronismo quando foi criada, de lá para cá a evolução tecnológica da comunicação a deixou ainda mais despropositada e inteiramente inócua. Com o desenvolvimento da internet, em que qualquer pessoa pode criar e desenvolver o seu blog, arregimentando uma quantidade literalmente incalculável de leitores, qualquer um pode transmitir informações e opiniões - exercendo, desse modo, ainda que sem os rígidos princípios éticos adotados pelas empresas de comunicação que se pautam pela seriedade e pela responsabilidade, uma típica atividade jornalística. Não haveria condição alguma de exigir-se prova de conclusão de curso específico para esse trabalho. As entidades de jornalistas que defendiam a exigência do diploma, o que pretendiam era uma restrição de natureza corporativa, julgando com isso proteger seu mercado de trabalho. Diga-se o mesmo em relação a alguns donos de escolas de comunicação, que julgavam, ao defender a obrigatoriedade do diploma, garantir uma clientela compulsória. Ocorre que, até em termos de mercado de trabalho, essa "reserva de mercado" com base no diploma é ilusória. Muito mais eficiente que aquela reserva de mercado, em termos de qualificação do profissional jornalista, será a concorrência pela qualidade que terá que surgir entre essas escolas. Cada qual terá que aperfeiçoar ao máximo os seus cursos, buscar o corpo docente mais bem habilitado e o padrão de ensino mais eficiente, para arregimentar alunos que queiram disputar empregos nos veículos de comunicação. Os leitores, sem dúvida, serão os maiores beneficiados.
Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 20 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Com a crise, fome cresce e afeta mais de 1 bilhão"

Para a ONU, mundo deve ganhar 100 milhões de subnutridos neste ano

Neste ano, o número de pessoas que passam fome no mundo deve superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão (quase 1 em cada 6 pessoas). Estima-se que 100 milhões de pessoas ingressem na zona da fome em 2009. Segundo a FAO (organismo da ONU para agricultura e a alimentação), é um resultado da crise global, que aumentou o desemprego e reduziu o poder de compra da população, especialmente dos mais pobres. Os dados assinalam o fim de um período de quase 20 anos em que a proporção da população mundial subnutrida (consumo abaixo de 1.800 calorias/dia) vinha caindo, como resultado de ações contra a pobreza e do crescimento de economias como Índia, China e Brasil. Entre 2003 e 2005, o percentual de subnutridos no mundo era de 13%. Agora, o número deve ficar em torno de 16%, retornando ao nível do período 1990-92.

O Globo
"Lula: quem desmatou a Amazônia não é bandido"

Para presidente, desbravadores da região agiram pelo desenvolvimento do país

Ao discursar em Alta Floresta, Mato Grosso, no lançamento de um programa de regularização de propriedades rurais na Amazônia, o presidente Lula afirmou que não se pode chamar de bandidos os produtores rurais que no passado desmataram a região. Ele lembrou as dificuldades enfrentadas pelos primeiros desbravadores da Amazônia, que enfrentaram doenças como a malária: “Ninguém pode ficar dizendo que alguém é bandido porque desmatou”, disse. Lula defendeu mudanças no modelo de desenvolvimento da região: “Agora, desmatar joga contra a gente, vai nos prejudicar no futuro”. O presidente também contestou as críticas de ONGs à MP 458, que autoriza a venda de terras públicas na Amazônia, e negou que ela vá incentivar a grilagem. Em São Paulo, o diretório nacional do PT aprovou resolução contra mudanças no Código Florestal, defendidas por parte do governo.

O Estado de São Paulo
"Mordomo de Roseana Sarney recebe R$ 12 mil do Senado"

Amaury Machado, o ‘Secreta’, trabalha na casa da governadora em Brasília

O mordomo da casa da ex-senadora e atual governadora Roseana Sarney em Brasília é servidor pago pelo Senado, informam os repórteres Rosa Costa e Rodrigo Rangel, Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como “Secreta”, ganha, com gratificações, cerca de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas, desde 2008, dá expediente na residência que Roseana mantém no Lago Sul. “Ele é meu afilhado”, justificou Roseana. “Eu o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem. “Roseana não é mais senadora desde abril, mas, mesmo que ainda fosse, não poderia ter um servidor do Senado como empregado. “Secreta” tem longo histórico de serviços prestados à família – trabalhou até no Alvorada entre 1985 e 1990, na Presidência de José Sarney. O pai de Roseana e atual presidente do Senado enfrenta há duas semanas o escândalo da nomeação de parentes, muitos por “atos secretos”.

Jornal do Brasil
"Um bilhão de famintos no mundo"

Relatório prevê mais 100 milhões de subnutridos este ano, metade na América Latina e Caribe

A crise financeira internacional vai tornar ainda mais nebuloso o mapa mundial da fome. Segundo relatório da agência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), haverá 100 milhões a mais de desnutridos este ano, ultrapassando a barreira de 1 bilhão de pessoas em situação de insegurança alimentar. O número equivale a 15% da população mundial. A maioria vive em países em desenvolvimento. Segundo o governo brasileiro, o país pouco contribui para o aumento do número de famintos – pessoas que consomem menos de 1.800 calorias diárias.

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sexta-feira, junho 19, 2009

Como é mesmo?

Petróleo

Para que servirão os royalties?

Ernesto F. Cardoso Jr.
Entre as várias atividades de lavra mineraria que constituem, em nosso país, monopólio da União, está a “pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos” - Art. 177 da Constituição Federal do Brasil.

Fundamentando este monopólio, a Constituição no Art. 20 – inciso “IX” define como “Bens da União” “os recursos minerais, inclusive os do subsolo” e no inciso “VI” – “o mar territorial”. No parágrafo primeiro deste artigo a Constituição estende aos Estados e Municípios participação no resultado da exploração de petróleo, gás natural e energia, tratando, pois, como federativos estes bens, sua pesquisa e lavra ou exploração. Essa extensão atende à nossa realidade físico-institucional, pois, somos uma Federação de Estados decompostos em municípios.

Essa participação dos Estados e Municípios e de certas entidades federativas – Ministério da Ciência e Tecnologia e Comando da Marinha do Brasil, materializa-se através do pagamento de royalties pelas concessionários da exploração, em percentagens do valor do barril de petróleo, ou da unidade de gás, definidos pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, conforme a legislação ordinária vigente.

Royalties é termo anglo-saxão que significa “do rei, ou da realeza”, e constituem uma das formas mais antigas de ressarcimento de direitos sobre riquezas, em geral extrativas, quando concedidas aos súditos para exploração.

A atual Constituição Federal ao instituir no Art. 20, parágrafo 1º a participação de certos entes federativos no resultado da exploração do petróleo, estabeleceu tal benefício somente aos entes federativos em cujos territórios, plataforma continental, mar territorial, ou zona econômica exclusiva, se efetive a exploração.

Esse exclusivismo, com base na extensão da propriedade territorial individual desses Estados e municípios premiando, apenas, menos de 20 por cento dos municípios brasileiros, exatos 907, esconde uma outra realidade pouco salientada atualmente.

Quando da elaboração da Constituição de 88, o fundamento original para a distribuição dos royalties foi um fato de natureza fiscal - a compensação aos Estados e municípios produtores de petróleo, gás e energia elétrica, pela perda do ICMS que fora desonerado nos Estados produtores nas operações interestaduais, conforme ditado pelo Art. 155, inciso “X”, “b” da Constituição, alterando, assim, a sistemática desse imposto que é tributado na origem para todas as demais mercadorias e serviços.

Compreende-se daí, na discussão em curso sobre possíveis alterações na sistemática de distribuição dos royalties, a natural resistência desses Estados e municípios produtores, os quais, através dos royalties, foram compensados pela perda do ICMS.

Torna-se, entretanto, a cada dia mais evidente a intenção da União de modificar os critérios atuais, especialmente na exploração das camadas do pré-sal que abrigam reservas estimadas muito superiores às das camadas de menor profundidade até hoje descobertas.

Ao suspender recentemente a 9ª rodada da ANP que iria licitar algumas áreas do pré-sal e ao obrigar a Petrobrás a devolver lotes de áreas cuja pesquisa não se completara nos prazos previstos, o governo deu claro indício de que não deverá perpetuar o “modus operandi” atual. Esse modelo é considerado concentrador de renda e, portanto, indutor de sua má distribuição. Caso não seja alterado, a exploração do pré-sal deverá torná-lo ainda mais concentrador.

Corroborando esta necessidade de alteração, a literatura produzida sobre os benefícios sociais e econômicos provenientes dos royalties, entre os entes beneficiados, mostra algumas evidências de que esses recursos estão sendo mal aplicados, notadamente pelos municípios. Um estudo da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, demonstrou que quando os royalties aumentam em 1%, a taxa de crescimento do PIB municipal reduz-se em 0,06%. Isto decorre do aumento observado das despesas correntes ao invés de investimentos criativos de riqueza. Outra constatação feita pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, mostra que as 30 cidades que mais recebem royalties gastam com pessoal três vezes mais que a média nacional. Outra constatação é de que tais municípios mostram baixo impacto até aqui observado na melhoria dos IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) e PIBs municipais (“Maldições e Bênçãos” – pesquisa do IPEA) Ocorre, ainda, que muitos desses municípios já eram relativamente mais ricos, antes das receitas dos royalties.

Existem várias propostas de alteração da legislação atualmente no Congresso. As propostas mais recentes procuram combater, ou reduzir as distorções, destinando recursos para projetos específicos nas áreas de educação, saúde, previdência social, infra-estrutura e projetos de desenvolvimento econômico, com vistas ao futuro. Fala-se na criação de um Fundo, cujos recursos seriam orientados para os fins acima descritos. Estudam-se exemplos da Noruega, Alaska (EUA) e Botsuona (África) que criaram fundos permanentes destinando os recursos à ações de interesse geral e que demonstram estar realizando boa alocação desses recursos.

A preocupação que nos parece pertinente, se imbuída de antevisão política do futuro, não deveria ater-se, portanto, apenas ao direito da compensação fiscal. O esgotamento dessas riquezas, ao longo do tempo, deveria estimular, concomitantemente, o surgimento de novas riquezas, capazes de alavancar um contínuo desenvolvimento da sociedade. Por isto, sua melhor destinação a projetos específicos de melhoria da qualidade de vida, da qualidade do ensino público, do melhor adestramento da força de trabalho para a modernidade, do avanço das pesquisas tecnológicas, além de outros, deveriam nortear as discussões atuais.

O Brasil já assistiu e sofreu os resultados finais da exaustão dos ciclos do ouro, da borracha, do café, da cana de açúcar, que deixaram paralisadas no tempo regiões inteiras que não souberam, ou não puderam, aproveitar a bonança daquelas épocas para criar novas alternativas de progresso.

Lancemos o olhar para a realidade futura de alguns dos atuais países produtores de petróleo que nababescamente desperdiçam seus recursos, para não incidirmos na mesma falta de previdência e de competência criadora de novas alternativas de progresso.

Usaremos o pré-sal para nos tornarmos um país de primeiro mundo, ou ficaremos reféns do petróleo, a exemplo da Venezuela e de “outros” emirados e califados?

Justiça

Conselho admite que Eduardo Jorge foi perseguido

Decisão mantém punição aplicada a procuradores e acolhe recurso do secretário-geral do governo FHC

Fausto Macedo (original aqui)
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) reconheceu que os procuradores regionais da República em Brasília Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb perseguiram Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A decisão, tomada por unanimidade na sessão de quarta-feira, mantém punição aplicada aos procuradores e acolhe recurso - embargos de declaração - de Eduardo Jorge para inclusão da expressão "perseguição" no texto do acórdão.


"Eu já havia me sentido reparado pela decisão anterior, mas entrei com embargos porque o acórdão omitiu a perseguição pessoal, motivada por razões políticas, reconhecida naquele julgamento", declarou Eduardo Jorge, hoje vice-presidente executivo do PSDB.

Alegando ter sido alvo de "investigações ilegais", Eduardo Jorge representou ao CNMP. Acusou Luiz Francisco e Schelb de vazamento de informações para a imprensa relativos à quebra de seu sigilo e denunciou divulgação de dados falsos sobre ele à Receita.

Em maio de 2007, o CNMP suspendeu Luiz Francisco das funções por 45 dias e aplicou censura a Schelb. Luiz Francisco gravou encontro em que o senador Antonio Carlos Magalhães, já falecido, admitiu ter violado o painel do Senado. Ele participou de evento político em igreja na Candangolândia (DF), em 2002. As sanções foram mantidas agora pelo CNMP, mas a suspensão não está valendo por força de liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). A censura a Schelb já prescreveu.

"Do jeito que o acórdão tinha saído parecia que eles (procuradores) haviam sido punidos apenas pelo exercício de atividade política no caso ACM", destacou Eduardo Jorge. "A punição foi aplicada pela perseguição que sofri. O conselho reconheceu omissão no acórdão. O conselho cumpriu seu dever. Resgatou completamente a minha honra e minha inocência. Indiscutível que fui vítima de perseguição."

"Não persegui ninguém", disse Luiz Francisco. "Vou recorrer dessa decisão espúria do CNMP, que não afeta a liminar do STF. Quando um político é investigado, ele fala que é perseguição política. Não existe sequer tipo penal ou administrativo para enquadrar essa conduta, até pelo seu alto teor subjetivo. Se forem punir procurador que abre processo contra político, e depois esse político é absolvido, ninguém mais vai fazer investigação. Procuradores operosos são alvos de pilhas de representações. Fui representado 40 vezes, nenhuma por ato desonroso e nenhuma gerou inquérito."

"Cumpri com o meu dever", declarou Schelb. "Investigações que fizemos resultaram em autuações da Receita em R$ 6 milhões, por sonegação, caixa 2 de campanha e corrupção na esfera federal. Percebo que o crime organizado se levanta e procuradores agora são réus. É triste. Os investigados têm voz e poder para punir quem age corretamente. As pessoas sérias do Ministério Público se sentem pouco estimuladas a investigar."

Futebol

Noite gelada e frustrante

Sidney Borges
Confesso que não havia muita expectativa de minha parte em relação ao jogo de ontem. O São Paulo que tenho acompanhado perdeu a objetividade, não consegue fazer gols, e futebol sem gols é como macarrão sem queijo ou amor sem beijo.

Na hora do vamos ver sentei-me em frente ao aparelho.

Fazia um frio de lascar, o dia de ontem começou dando a impressão de que ia esquentar, mas no final da tarde a coisa tomou outros rumos e eu precisei ver o jogo enrolado num cobertor. Nas mãos uma xicara de chá à guisa de luvas.

E o São Paulo patinando. O Cruzeiro, mais estruturado jogava com a objetividade dos campeões.

Contra equipes desse naipe só vence quem tem pelo menos um craque de fazer chover, coisa rara no futebol de hoje. Sobra preparo físico, falta técnica.

No intervalo dei uma zapeada e encontrei no canal de filmes antigos o clássico "Mundo em perigo", de 1954, sobre formigas de 4 metros, mutação genética produzida por testes nucleares.

Voltei ao jogo, o Cruzeiro começava a gostar da partida e com um jogador a mais logo fez o primeiro gol.

Preferi mudar de canal e ficar com as formigas gigantes, filmes de ficção científica sempre me interessaram, mesmo quando primários como o de ontem.

Primários, mas não infantis como o futebol do tricolor.

Com esse timinho o São Paulo está mais perto da segundona do que imagina.

Craques, precisamos de craques.

Coluna da Sexta-feira

Calor

Celso de Almeida Jr.
Há muito tempo, um amigo maranhense disse que achava os paulistas pouco receptivos.

Dizia adorar o retorno a São Luiz, quando reencontrava calor humano e entusiasmo, qualidades características da gente do nordeste.

Creio que exagerava.

Afinal, estava longe de casa.

Presa fácil da nostalgia...

Mas, lembrando dele, pensei em nós.

Como somos vistos por quem nos visita?

Somos calorosos, receptivos?

Procuro achar as respostas para, num período tão lindo do ano, Ubatuba não atrair turistas do mundo inteiro.

Essa temperatura amena, que comanda o nosso outono, soa como verão para os europeus.

Mas eles não nos visitam.

O que, afinal, acontece?

Erramos na comunicação?

Não nos empenhamos o suficiente?

Somos dominados pelo conformismo e por uma baixa estima que não nos permite assumir um papel de destaque no turismo nacional?

Não trabalhamos o suficiente? Somos preguiçosos?

Somos incompetentes?

Muitas vezes, a agonia toma conta de mim.

Vejo nossos jovens reféns de uma cidade que não oferece um padrão de vida digno.

Muitos buscam uma qualidade de vida melhor, um futuro profissional promissor, em outras cidades.


Mas, e aqueles que não têm condição de ao menos tentar uma opção em outro município?

Ficam presos. Condenados a uma vida restrita aos limites geográficos de Ubatuba.

Daí a necessidade de cobrarmos atitudes imediatas do poder público.

Nosso empresariado é fraco. Refém, também, dessa morosidade.

Não me refiro a algumas ilhas de excelência. Falo da grande maioria. Que vende o almoço para garantir o jantar.

Por isso, a prefeitura, detentora das ferramentas mais poderosas, tem que agir com rapidez e profissionalismo.

Mas, o que assistimos?

Soluções pontuais, tímidas. Empregos para os mais próximos. Leite e pão somente para o irmão.

Não é aceitável que nossa juventude seja condenada a ficar contemplando os céus para dar graças a alguém pelo pouco que tem.


Temos que gerar desenvolvimento. Em grande escala. Em monumental escala.

Transformar a cidade num espaço onde os moradores sintam-se realizados, por seus esforços, por seus méritos.

Essa boa energia será percebida por quem nos visitar.

A natureza já nos premiou.

Precisamos, agora, libertar a nossa gente, valendo-se de ações rápidas, planejadas e responsáveis, fomentando o turismo com toda a nossa energia.

Opinião

O inquietante aviso das águas

Washington Novaes
Ao que parece, caminha-se, nas áreas de pesca e aquicultura, em algumas direções que merecem exames mais aprofundados e cautelosos das áreas acadêmica, ambiental e política. Porque o pressuposto, na última, parece ser um desejado aumento exponencial da produção de recursos pesqueiros a curto prazo - mas que pode ocorrer a preços questionáveis, como já se mencionou aqui em outros artigos.


No primeiro desses passos, caminha-se no Congresso para dar status de Ministério à atual Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, com "exclusividade no tratamento de recursos pesqueiros" - retirando, portanto, atribuições ao já combalido Ministério do Meio Ambiente nas áreas de recursos hídricos e de águas marinhas. Segundo, porque o Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou resolução que pode ter seus motivos - como unificar os critérios de regras para a aquicultura, hoje a cargo dos Estados -, mas simplifica também as exigências para licenciamento, o que pode significar tolerância maior com ações poluidoras/predadoras. E tudo isso no momento em que não faltam advertências graves quanto à situação dos estoques pesqueiros no mundo e no Brasil, assim como questionamentos a respeito da sustentabilidade de projetos de aquicultura, com consumo de recursos superior à produção.

Continua-se, por aqui, a fazer de conta que não existem relatórios científicos, inclusive do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, mostrando que na quase totalidade dos projetos de piscicultura em áreas marítimas ou fluviais - seja usando alimentos naturais ou rações - o volume produzido é inferior ao consumo de recursos. Um dos exemplos está no premiado documentário Ovas de Ouro, que mostra essa insustentabilidade física da produção de salmões no mar, no Chile (com consumo de alimentos para os peixes maior que a produção), ao lado da grave poluição das águas.

No caso da pesca em oceanos, continua-se a ignorar estudos oficiais da Avaliação do Potencial Sustentável dos Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva (Revizee), segundo os quais 80% dos recursos pesqueiros no Brasil estão sobre-explotados, com muitas espécies já próximas do colapso, como é o caso da lagosta. Recente relatório do Greenpeace também apontou numerosas razões para termos prudência numa das áreas mais delicadas, que é a da carcinicultura. Entre elas, a ocupação de áreas de proteção permanente (APAs) com a criação de camarões (no Ceará, por exemplo, são APAs 79,5% das áreas desses projetos); contaminação das águas; "privatização" de águas sem sequer pagar pelo uso; fechamento de áreas antes abertas a pescadores e populações tradicionais; exploração do trabalho humano; destruição de berçários naturais nos mangues; ameaças à saúde humana, com uso de metabissulfito de sódio, que libera óxido de enxofre.

Mas há outros ângulos. Na Amazônia, dizem outros documentos, 30% dos estoques pesqueiros já estão sobre-explorados, enquanto em 60% deles a exploração ainda é inferior a uma possibilidade sustentável. Outro noticiário recente (A Crítica, de Manaus, 21/5) mostra razões para prestar atenção à pesca regional, já que os estoques pesqueiros da Amazônia poderiam ser mais produtivos que a própria pecuária: 1,5 boi por hectare gera R$ 400 por ano; 4 mil quilos de tambaquis criados em tanques podem gerar R$ 8 mil por ano (ou 13 vezes mais produto e 20 vezes mais renda, mas sem avaliar a relação alimentos consumidos versus alimentos produzidos). Se a produção for em tanques de rede, pode chegar a 120 mil quilos por hectare/ano e gerar R$ 120 mil, ou 30 vezes mais que a pecuária, com uma produção 300 vezes maior. Hoje a pesca comercial na Amazônia produz 325,5 mil toneladas/ano, no valor de R$ 200 milhões, e gera 400 mil empregos, segundo depoimento do secretário especial de Pesca, Altemir Gregolin, à Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, com dados do Plano Amazônia Sustentável de Aquicultura e Pesca, que será lançado em julho e prevê investimentos de R$ 1,75 bilhão.

A exigência de cuidados tanto na aquicultura como na pesca oceânica torna-se mais forte quando se vê estudo (Portal Meio Ambiente, 12/6) relatando que em três anos, com disciplina e restrições à pesca, a captura de sardinha no litoral brasileiro, que chegou a 230 mil toneladas anuais em 1973 e, com o excesso, caiu para 17 mil toneladas em 2003, chegou a 78 mil no ano assado e pode atingir 90 mil este ano.

De qualquer forma, o Brasil não está em boa posição quanto à sustentabilidade de suas práticas pesqueiras, segundo o Código de Conduta para a Pesca Responsável da ONU (Folha de S.Paulo, 10/2). Ocupa o 33º lugar, com média 0,6 (a Noruega, primeiro lugar, tem 3,1 em 5 possíveis).

Muitas razões têm levado a FAO a recomendar (16/2) que se reduza a pesca no mundo e se limite o acesso a camarões. Como recomenda que a indústria pesqueira estude a questão das mudanças climáticas, que já está mudando a distribuição geográfica das espécies marítimas e águas interiores e afetando as cadeias de alimentação. O estudo também relata a forte contribuição do transporte marítimo na pesca para as emissões de gases poluentes. A sobre-exploração pesqueira é inquietante, diz: 19% das espécies marítimas já estão nesse nível, ao lado de 8% esgotadas e 52% no limite máximo de exploração.

Ainda se poderiam acrescentar as questões do lixo no mar e do carreamento de nitrogênio da agricultura para águas marinhas (100 milhões de toneladas/ano). No Brasil, diz o professor Alexandre Terra (Estado, 5/6), a região da Baía da Guanabara, próxima à Baixada Fluminense, pode estar morta em 20 anos, exatamente pelo carreamento de fertilizantes e agrotóxicos, resíduos industriais e residenciais. E o quadro pode se repetir em Salvador, Vitória e Recife.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 19 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Senado escondeu atos de propósito, afirma servidor"

Funcionário nega que criação de cargos e aumento de salários tenham se tornado secretos por ‘erro técnico’

O chefe do serviço de publicação do boletim de pessoal do Senado, Franklin Albuquerque Paes Landim, afirmou que as ordens para manter atos administrativos da Casa em caráter secreto vinham diretamente do ex-diretor-geral Agaciel Maia e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, informam Andreza Matais e Adriano Ceolin.
Os atos secretos eram usados pelo Senado para criar cargos ou aumentar salários sem que isso fosse de conhecimento público.

O Globo
"Calote com cheques é o maior desde 1991"

Consumidor já chegou ao Dia das Mães endividado

Em maio, o número de cheques devolvidos por falta de fundos foi o maior em 18 anos no país: 25,2 em cada mil cheques emitidos, o nível mais alto desde 1991, segundo o Serasa. Como outras modalidades de crédito sofreram restrições, o comércio intensificou o uso de pré-datados para financiar os consumidores. Mas o aumento do desemprego, motivado pela crise econômica, levou à queda na renda das famílias e, consequentemente, ao aumento da inadimplência. "As pessoas já chegaram endividadas ao Dia das Mães e voltaram a comprar", disse Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.

O Estado de São Paulo
"Terceiro mandato recebe veto de relator na Câmara"

Genoino dá parecer contrário à hipótese de nova reeleição de Lula e defende alternância de poder

O deputado José Genoino (PT/SP) deu ontem, na Comissão de Constituição e Justiça, parecer contrário à proposta de emenda constitucional que permitiria ao presidente Lula candidatar-se ao terceiro mandato. Trata-se de um duro revés para os defensores da ideia. Na justificativa, Genoino, um petista histórico, reprovou a mudança da regra porque ela beneficiaria os atuais ocupantes dos cargos. Além disso, defendeu que o princípio republicano estabelece a alternância de poder: "A democracia é a certeza das regras e a incerteza dos resultados". Esse mesmo raciocínio foi derrotado no passado, quando a emenda que abriu a possibilidade de reeleição de FHC foi aprovada; hoje, porém, não há disposição na Câmara, mesmo na base governista. em permitir o andamento do processo a tendência na CCJ é aceitar o parecer de Genoino e arquivar a proposta.

Trechos do Relatório

"A proposta parece fulminada de inconstitucionalidade, atingindo valores essenciais do Estado democrático"

"Tende a abolir o caráter periódico do mandato, assim como a reduzir as possibilidades reais de alternância entre os titulares"

"A norma constitui mesmo verdadeira tentação para quem dela poderia se beneficiar”

Jornal do Brasil
"Sexo – Caiu o uso da camisinha"

Prática casual cresce e ministro teme banalização da Aids

A maior pesquisa sobre comportamento sexual no país, realizada pelo Ministério da Saúde, mostra que tem crescido entre os brasileiros a noção de importância do uso de preservativo e dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis. Mas essa consciência não corresponde à prática: apenas 45,7% dos entrevistados revelaram usar camisinha - eram 51,6% em 2004. A pesquisa ouviu homens e mulheres entre 15 e 64 anos. Detectou, por exemplo, que a prática do sexo casual mais do que dobrou nos últimos 12 meses. E que os jovens de 15 a 24 anos são os que mais se protegem.

quinta-feira, junho 18, 2009

Da série: "O mundo gira e a Luzitana roda"

Luiz Inácio em dois momentos

"Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República".
Lula sobre José Sarney, em 1987

Na campanha à reeleição, a autocrítica:

"Eu me dei conta de quantas vezes nós cometemos injustiças contra pessoas... Uma coisa eu tenho tranquilidade, Sarney: nunca lhe ofendi".

Nota do Editor - Pois é. (Sidney Borges, com informações do Blog do Noblat)

Praia espacial


Vista de área de Marte: pela primeira vez há evidências de linhas costeiras na superfície do planeta.

É encontrada 1º prova de lago em Marte

Reuters
WASHINGTON - Um longo e profundo cânion e os restos de uma praia talvez sejam a prova mais clara já encontrada sobre a existência de um lago na superfície de Marte.
Aparentemente, este cânion continha água quando o planeta já deveria ter secado, afirmaram cientistas na quarta-feira (17/06).

Imagens de uma câmera chamada High Resolution Imaging Science Experiment a bordo do satélite Mars Reconaissance Orbiter indicam que a água escavou um cânion de 50 quilômetros de extensão, revelou um grupo da Universidade do Colorado.
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Nota do Editor - Onde tem praia tem surfista e corrupto. Não entendam errado, estou falando do molusco. Tenho uma teoria sobre os marcianos, sei que existem. São pequenos, tão pequenos que nem com microscópio eletrônico dá pra ver. Corruptos também são seres pequenos. Mas fazem um estrago... (Sidney Borges)

Quem?


Perguntinha pros leitores cinéfilos. Quem está na foto?

Pensata

Caiu o diploma

Sidney Borges
A obrigatoriedade do diploma específico de jornalismo para o exercício legal da profissão remonta ao ano de 1969. Antes de continuar é bom abrir parênteses.

Jornalismo foi durante muito tempo uma espécie de quebra-galho de estudantes de direito e áreas afins até a chegada ao mercado da editora Abril, no início da década de 1960.

Os salários altos atrairam parte daqueles que não tinham interesse pelas profissões do chamado trio de ferro: medicina, engenharia e direito.

Para ser jornalista bastava saber escrever e ter disposição para aprender. Em seis meses de redação a parte técnica da profissão perdia o mistério.

Escrever bem, de forma fundamentada e criativa não é fácil, implica em cultura geral e isso não se aprende em cursos específicos. É doutrina de vida.

A maioria dos jornalistas posicionava-se de forma crítica em relação às desigualdades sociais. O governo ditatorial não tolerava críticas. "Ame-o ou deixe-o". A exigência do diploma fez parte de um plano de cerceamento de expressão. Não funcionou, a ditadura caiu. O entulho ficou.

Hoje sabemos da existência de enorme contingente de jovens diplomados e desempregados.

A atividade está passando por grandes modificações, a entrada de novas mídias no ar mudou o panorama. A Internet dá de graça ao vivo e em cores o que antes era mercadoria valiosa. Os jornalões em crise diminuiram postos de trabalho, cortaram sucursais e salários.

Eu nunca fui contra ou a favor de diploma específico, não o tenho, só entrei em escolas de jornalismo como professor. E nessas escolas aconselhei estudantes a fazer cursos paralelos, a se aprofundar em alguma área, a ler, a viajar, ainda que num cargueiro do Lloyd lavando o porão.

Os tempos são outros, hoje eu aconselharia a busca do "eldorado brasiliensis", traduzido por cargo público na esfera federal. Se possível no Senado. Garantia de aposentadoria decente, vida mansa e estabilidade perpétua. É o que eu faria se pudesse voltar no tempo.

Aos que sentem prazer em exercer o jornalismo existe um canal de expressão disponível que só exige trabalho e dedicação. Basta criar um blog e torná-lo uma arma em luta por um mundo melhor. No entanto, faço uma advertência, é preciso escrever muito, pois só se aprende a arte através da prática.

Frases

'Quando saí do Brasil ninguém sabia que aqui existia moda. Achavam que tinha macaco'.

Gisele Bündchen

Opinião

O atraso no espelho

Eugênio Bucci
Fratura exposta. A evolução das tensões na Cidade Universitária, centro da mais prestigiosa, mais influente e mais produtiva instituição de ensino superior no Brasil, deixa transparecer as mazelas, as fraquezas e as debilidades da instituição. É uma pena. Conforme o ângulo, às vezes é um vexame.


Vexame número 1: uma tropa de policiais sai disparando balas de borracha e distribuindo bombas de gás lacrimogêneo e de efeito (i)moral contra estudantes, professores e funcionários. A Polícia Militar (PM) trata a Universidade de São Paulo (USP) como se ela fosse um presídio rebelado.

Vexame número 2: o movimento grevista dos funcionários imagina que consegue sustentar-se na base de piquetes que, em lugar de convencer pela argumentação, intimidam por meio de barreiras físicas. Enquadra-se, voluntária e festivamente, no estereótipo das "minorias radicais", dessas que só veem o próprio umbigo.

Vexame número 3: a cúpula da universidade, encastelada em órgãos de poder ultrapassados, que não representam o conjunto da comunidade, adota o discurso "da lei e da ordem", num tom que faz lembrar velhas histerias autoritárias. Em nome dessa "lei" e dessa "ordem", convoca agentes de metralhadora a tiracolo para reprimir manifestações de gente descontente e desarmada. Mais ainda, convoca-os para se manterem no câmpus pelos dias subsequentes, como se a universidade precisasse de cassetetes ostensivos para levar sua vida normal.

Vexame número 4: de outra parte, quase todos os que repudiam a presença da força bruta (e armada) na universidade fecham os olhos para a notória ausência de representatividade do movimento grevista, que, apesar de toda a barulheira, só conseguiu paralisar áreas isoladas. A imensa maioria da comunidade segue com seus afazeres regulares, indiferente a tudo isso. Se a falta de legitimidade do sindicalismo universitário é um problema, o silêncio obsequioso em torno dela é, sim, um vexame.

Vexame número 5: é verdade que há bons alunos engajados no movimento, mas há, também, excelentes alunos e professores que desprezam acintosamente as reivindicações de seus colegas, que ignoram as assembleias e não tomam conhecimento do debate. Nesse caso, o vexame resulta da omissão. Enquanto a USP se convulsiona, muitos dos seus melhores mestres preferem nem ligar, como se as paralisações e ocupações mantidas por algumas dezenas de sindicalistas fossem tempestades sazonais, que nos aborrecem durante uma época do ano e depois passam. Sem se dar conta, esses professores exprimem a mais rebuscada forma de alienação que a vida acadêmica pode produzir.

Dentro do cenário que, no todo, é um festival de despreparo, cada um alardeia sua razão individual.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 18 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Lula apoia Sarney e ataca 'denuncismo'"

Presidente diz que senador não é 'pessoa comum' e afirma que denúncias põem em risco credibilidade da imprensa

Em visita ao Cazaquistão (Ásia central), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de "denuncismo" da imprensa em torno dos escândalos no Congresso e deu seu apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
"Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse Lula. Anteontem, o presidente do Senado defendeu-se das acusações de empregar parentes e afirmou que a crise não era dele, e sim da Casa.
Para Lula, a sequência de denúncias é um perigo para as instituições, inclusive a imprensa, que "corre risco de ser desacreditada". O presidente questionou a veracidade das revelações de irregularidades, mas pediu "investigação séria" delas.
Um grupo de oito senadores de vários partidos - entre eles PT, PSDB e PMDB - propôs que Sarney adote uma lista de medidas moralizadoras, que incluem a demissão imediata de todos os diretores do Senado.


O Globo
"Lula defende Sarney e faz críticas a denuncismo"

Ex-presidente, segundo o atual, não pode ser tratado como uma pessoa comum

Em visita ao Cazaquistão, o presidente Lula saiu em defesa do aliado presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que na véspera alegara que a crise da Casa é da instituição e não dele. Lula atacou o que chamou de "política de denuncismo”, numa crítica à imprensa, e afirmou que Sarney "tem história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum". Ontem, foi descoberto que, além de um neto e sobrinhos, uma prima e uma sobrinha do marido da governadora Roseana Sarney (PMDB) foram contratadas pelo Senado. Também por atos secretos.

O Estado de São Paulo
"Fed ganha 'superpoder' para controlar mercado nos EUA"

Obama lança a maior revisão de regras do sistema financeiro desde os anos 30

O presidcnte dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem a revisão mais “radical" de regras para o mercado americano desde os anos 30. O Fed (banco central do país) terá "superpoderes” para supervisionar as maiores instituições financeiras e intervir caso sejam identificados riscos sistêmicos. O plano prevê ainda a criação de uma agência para proteger o consumidor de produtos financeiros. Para o governo dos EUA, as décadas de "erros e oportunidades perdidas" e a falta de marco regulatório apropriado foram os grandes vilões da atual recessão. Segundo Obama, o sistema financeiro foi construído sobre "areia movediça". A ideia do presidente é desencorajar os abusos sem engessar o sistema: “O livre mercado continuará a ser o motor do progresso americano".

Jornal do Brasil
"Lei Seca poupou 796 vidas e R$ 6,9 bilhões"

Legislação mais rígida garantiu redução de mortes e de despesas com internação em hospitais do SUS

O balanço do primeiro ano de vigência da Lei Seca confirma sua eficácia: protegeu vidas e dinheiro público gasto com acidentes de trânsito, entre despesas hospitalares, remoções e reparações de veículos, seguro e gastos judiciais e previdenciários. Órgãos públicos e privados do país gastam, anualmente, cerca de R$ 30 bilhões com essas despesas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de internações de vítimas do trânsito em hospitais ligados ao SUS caiu 23%, o que significa uma economia de pelo menos R$ 6,9 bilhões. A atual legislação resultou também em menos mortes no trânsito. Foram 796 óbitos a menos no segundo semestre de 2007 em relação ao mesmo período de 2007. No Rio registrou-se uma redução de quase 25% das vítimas de acidentes. A Lei Seca impôs maiores restrições e punição aos motoristas flagrados alcoolizados, além de modificar hábitos de consumo do brasileiro.

quarta-feira, junho 17, 2009


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Jornalismo

Maioria vota contra exigência de diploma para jornalista

Juliana Boechat
Para sete dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federa (STF), o diploma não deve mais ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista.

Os ministros estão julgando desde as 15h30, uma ação protocolada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal, que pedia o fim da obrigatoriedade do diploma.

Com a decisão de hoje, fica a cargo das faculdades e das empresas decidir se cobram ou não o diploma. Mas o Estado não poderá intervir em nenhum caso.

Por quase 1h, Gilmar Mendes, presidente do tribunal e relator do caso, votou contra a obrigatoriedade do diploma. Para ele, a profissão de jornalista não oferece perigo à coletividade, como outras profissões. O ministro Cezar Peluso seguiu o raciocínio:

- Não garante eliminação do mau exercício da profissão, à deficiência de caráter, ética, de cultura humanística e até de sentidos. Ou seja, não existe, no campo do Jornalismo, o risco que venha da ignorância de conhecimentos técnicos.

Os ministros seguiram os argumentos de Taís Borjas Gasparini, advogada do Sertesp. Ela defendeu que o Jornalismo não deve ser comparado às profissões de "médico, engenheiro ou piloto de avião":

- Ao contrário destas profissões, o Jornalismo é um exercício puramente intelectual. Depende talvez do domínio da linguagem e do vasto campo de conhecimentos humanos. Mas muito mais que qualificação, é a lealdade, curiosidade, sensibilidade e ética que o jornalista deve ter. A obtenção desses requisitos não se encontra nos bancos da faculdade.

João Roberto Fontes, advogado da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), contrapôs:

- O jornalismo já foi chamado de quarto poder da República. Como, então, não é necessário o conhecimento específico pra ter poder desta envergadura? É evidente o efeito devastador de uma notícia feita por um inepto. A divulgação de um balanço errado é uma catástrofe que se multiplica em segundos pelo mundo inteiro.

Os ministros Joquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão. (Do Blog do Noblat)

Fim dos tempos?


Imagine um monte desses desabando do céu (Foto: Reprodução)

Japão tenta entender misteriosa chuva de girinos em Hiroshima

Peixes e até sapo totalmente formado foram achados na precipitação. Tromba d'água é uma das hipóteses, mas nada foi provado.

Do G1, em São Paulo (original aqui)
Um mistério ronda as cidades japonesas de Hiroshima e Iwate: bizarras ocasiões de chuva de girinos, afirma o jornal britânico "The Guardian". Peixes e sapos formados também foram encontrados na estranha forma de precipitação.

Segundo o "Guardian", os meteorologistas japoneses ainda não sabem como explicar o fenômeno, no qual os girinos mortos parecem despencar dos céus. Os animais muitas vezes cobrem casas, plantações, pátios de escolas e carros.

Alguns chegaram a propor que os bichos foram arrancados de seu local de origem por trombas d'água, mas não há registros de ventos fortes que tenham acompanhado o fenômeno.


Outra hipótese é que aves aquáticas tenham capturado os bichos e depois deixado que eles caíssem de seu bico em pleno vôo. O mistério, no entanto, persiste.

Nota do Editor - Enquanto caírem sapos e girinos não há o que temer, o perigo está em precipitações de porcos-espinhos, capivaras e tartarugas marinhas. Na cidade de Ur, habitada por infiéis que insistiam em barganhar o dízimo, choveu três dias sem parar. No primeiro desceram dos céus zilhões de camundongos, ofuscando o crepúsculo vespertino. No segundo despencaram ratazanas e no terceiro gambás e ornitorrincos. Os fiéis arrependidos correram ao tesoureiro das contas divinas e pagaram os atrasados com juros e correção monetária. No dia seguinte choveu água, para gáudio da nação e felicidade de todos. Rssssss (Sidney Borges)

Combate à corrupção

Polícia federal ocupa prefeituras no Ceará

As sedes da Fundação Naciona da Saúde (FUNASA) em Fortaleza e de cinco das maiores prefeituras do Ceará (Caucaia, Nova Russa, Morrinbhos, Brejo Santos e Iguatu) estão ocupadas desde hoje cedo por agentes da Polícia Federal.


É a "Operação Fumaça" que investiga fraudes em licitações, desvio de verbas e extravio de documentos. Ela foi autorizada pelo juiz federal Sérgio Fiuza Padhim, de Juazeiro do Norte.

A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, está no Ceará desde ontem para visitar obras do Programa de Aceleração do Crescimento. (Blog do Noblat)

Males que vêm pra bem...

Fraudes de Madoff jamais teriam prosperado no Brasil, diz 'FT'

Segundo jornal, regulamentação restritiva do sistema financeiro trouxe vantagens ao Brasil.

O fraudulento esquema montado pelo banqueiro americano Bernard Madoff jamais teria ocorrido no Brasil por causa das regulamentações restritivas no sistema financeiro no país, segundo a edição desta quarta-feira do diário britânico Financial Times, O jornal diz a que as operações de Madoff - que admitiu culpa por fraudes no valor de US$ 50 bilhões - "não decolariam", porque as autoridades mantêm um sistema regulador que prevê que os investidores prestem contas de todos os investimentos de seus clientes.

O Financial Times cita as regulamentações restritivas no sistema financeiro e o ritmo lento de mudanças do Brasil para explicar como o país conseguiu evitar o pior da crise, e aponta os dois fatores como exemplos a serem seguidos por outros países.

Mas o jornal afirma que nem todos os aspectos positivos desta regulamentação foram intencionais. "Alguns são resultado da demora em modernizar nos anos anteriores à crise. Mas muitos agora são vistos como lições a se oferecer".
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Sarney no telhado

A defesa de Sarney
Sua Excelência não convenceu

Lucia Hippolito (original aqui)
Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.

Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública, misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.

Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.

Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.

Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.

O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.

Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.

Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.

Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).

Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado... embora ele seja senador pelo Amapá.

Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.

O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.

Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.

É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.

Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.

Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.

Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.

Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.

Os tempos são outros, Excelência.

Trabalho escravo

Relatório associa tráfico de pessoas a canaviais

Documento alerta para exploração sexual de crianças e trabalho escravo

Gilberto Scofield Jr. em "O Globo"
O relatório sobre tráfico humano mundial do Departamento de Estado dos EUA mantém o Brasil, pelo oitavo ano consecutivo, (com exceção de 2006, quando foi rebaixado para uma lista de observação) na posição de país que não cumpre padrões mínimos de ação contra o trabalho escravo, apesar dos esforços na criação de leis que criminalizam essas práticas. O relatório diz, citando a Polícia Federal, que entre 250 mil e 400 mil crianças são exploradas sexualmente em áreas turísticas e bordéis.


Além de mulheres e crianças traficadas para prostituição, mais de 25 mil homens são sujeitos ao trabalho escravo nas lavouras de cana para produção de açúcar e etanol, fazendas de gado e de grãos na Amazônia e campos de mineração. O documento lembra que, com o aumento nas exportações de etanol, os casos de tráfico para trabalho escravo em fábricas de etanol tende a crescer. No início do ano, mais da metade dos cinco mil homens libertados no país trabalhavam em canaviais.

- Há a sensação de que a crise aumenta casos de tráfico de pessoas no mundo, à medida que os mais afetados passam a aceitar fazer de tudo por um emprego e acabam prisioneiros - diz o embaixador Luis C. de Baca, embaixador e diretor do Escritório de Monitoramento e Combate ao Tráfico de Pessoas do Departamento de Estado.

O estudo, realizado em 175 países (nas Américas, apenas Canadá e Colômbia combateriam adequadamente o tráfico humano), diz que o Brasil precisa ampliar esforços para investigar e punir os responsáveis.

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, reagiu afirmando que o documento, é um "resquício da era Bush". (Do Blog do Noblat)

Coluna da Quarta-feira

Cultura para Ubatuba

Maurício Moromizato
Foi com muita honra que participei da equipe da ANIBRA (Associação Nipo-Brasileira de Ubatuba) que promoveu a 2ª Festa da Colônia Japonesa de Ubatuba.


Estivemos na Avenida durante os quatro dias do feriado que passou.


Milhares de pessoas passaram por lá para saborear pratos de nossa culinária e ver atrações como o Taikô (tambores japoneses), artes marciais, tai-chi-chuan, dança de rua, dança de salão e a Lira Padre Anchieta.

Foi muito trabalhoso, mas muito prazeroso, porque feito com dedicação e com a clareza de que não era apenas uma festa, mas a expressão de nossa cultura ancestral. Na minha mente, e tenho certeza que na de todos os que trabalharam, estava presente a certeza de que nosso prazer estava em mostrar a todos os visitantes que a imigração japonesa valeu a pena para o Brasil e para nós, descendentes desses corajosos desbravadores que há mais de um século cruzaram o mundo em busca de um mundo melhor.

Era feriado, havia poucos turistas, mas durante o trabalho pude observar a alegria desses turistas por terem uma atração na cidade, e como gostaram de ter pratos diferentes, ambiente agradável e acolhida para passar algumas horas da noite. Apesar da fila e da espera inevitáveis em alguns momentos, todos gostaram.

Muitos elogios à qualidade da comida, ao preço acessível e principalmente à harmonia da equipe trabalhando, juntando jovens e adultos. Limpeza e segurança. Um conjunto de fatores que tornou o evento um sucesso.

Pensando na experiência vivida e acumulada com a do ano passado, pude ratificar a convicção de que essa festa e a ANIBRA podem contribuir muito com a cidade, tornando-se ano após ano um marco na vida da cidade e ajudando no desenvolvimento de Ubatuba.

Mas ratifico principalmente a convicção de que a festa só teve sucesso porque teve a CULTURA como motivo principal. A preservação cultural e a valorização de nossos antepassados, em harmonia com tantas outras culturas existentes.

Turismo é isso. Promover a valorização humana. Manter as manifestações culturais locais. Trazer culturas diferentes para que possamos conhecê-las. Cultura tem visual, tem cheiro, tem gosto, tem sentimento, tem música, tem vestimenta, dança, enfim, tem prazer.

Chegou a hora das festas católicas, festa de São João, de São Pedro, do Divino Espírito Santo. Todas culturais também. Depois, Festa do Camarão, Caiçarada, festa das Nações e tantas outras. Temos que usar essas tradições e culturas para valorizar nossos cidadãos, dando-lhes oportunidade de festas e diversão. E fazer bem e cada vez melhor, mais bonito, mais limpo e mais seguro, para atrair naturalmente os turistas que aqui tem casa, os turistas das cidades vizinhas e das regiões metropolitanas que nos cercam. Festa para todo mundo. Trabalho para quem precisa. Desenvolvimento para a cidade.

Esse é sem dúvida o caminho para Turismo o ano inteiro.

Para o bem de todos e felicidade geral de Ubatuba: CULTURA PARA TODOS, JÁ!


Opinião

Um defensor da teocracia iraniana

Editorial do Estadão
Se é que não o fez longe das vistas, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad bem que poderia ter aproveitado a presença do seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ontem na cidade russa de Ecaterimburgo, para a reunião dos chefes de governo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), da qual o Irã participou como observador, e dar-lhe um fraternal abraço de agradecimento. O motivo, as palavras de desdém com que o seu futuro anfitrião sul-americano escarneceu dos protestos que acabariam levando às ruas de Teerã centenas de milhares de pessoas e deixaram pelo menos 7 mortos, abatidos pela milícia do regime na mesma segunda-feira em que Lula, ainda em Genebra, desqualificava as manifestações. Elas exprimiram a revolta de legiões de iranianos contra os resultados oficiais da eleição presidencial que deram a Ahmadinejad uma vitória literalmente inacreditável de 63% a 34% dos votos sobre o reformista Mir Hossein Mousavi.

Com a mesma metáfora usada por Ahmadinejad no dia anterior, quando comparou os manifestantes a torcedores furiosos depois da derrota de seu time, Lula equiparou a crise a "apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos". A essa altura, quanto mais não fosse para apaziguar a indignação popular, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, já havia encaminhado ao Conselho de Guardiães o pedido de Mousavi para a anulação do pleito por fraude eleitoral. Ontem, talvez pelo mesmo motivo, o colegiado de 12 juristas islâmicos fez saber que determinará uma recontagem parcial dos votos, rejeitando embora a demanda pela anulação. Por menos que indique uma reviravolta no escandaloso desfecho da eleição iraniana, a concessão do conselho desmoraliza os desinformados - se não cínicos e, de toda maneira, indecentes - comentários de Lula.

Ele admitiu estar "muito distante do Irã", por isso só poderia externar uma "impressão". Nesse caso, antes tivesse calado, ou recorrido ao conhecido estoque de expressões anódinas de que se valem governantes e diplomatas para falar de acontecimentos em outros países sem, a rigor, dizer grande coisa. Naturalmente, seria pedir demais que ele se declarasse, como Barack Obama, "perturbado" pelos eventos iranianos, ou mesmo, como a chanceler alemã Angela Merkel, fizesse votos para que as denúncias de fraude fossem submetidas a um "exame transparente". Mas, boquirroto como sempre, disparou: "Não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã." Quem ele queria que também discordasse? A teocracia vitoriosa? Os observadores estrangeiros que foram impedidos de fiscalizar a votação e, especialmente, a apuração? As emissoras independentes que inexistem no país?

Pior ainda foi o seu argumento em favor da lisura dos resultados. "Ahmadinejad teve uma votação de 62,7%", começou. "É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude." Quem sabe o seu solícito assessor internacional Marco Aurélio Garcia poderia informá-lo, com todo o respeito, que na antiga União Soviética o Partido Comunista ganhava invariavelmente as eleições com quase 100% dos votos. É verdade que "não tem número, não tem prova" da fraude, como alegou Lula. Mas os relatos recolhidos pelos jornalistas estrangeiros em Teerã de funcionários do governo que pediam para não ser identificados dificilmente poderiam ser mais eloquentes. Um deles, do Ministério do Interior, responsável pela apuração, revelou que os chefes das equipes foram escolhidos a dedo com semanas de antecedência. "Não é que adulterassem os sufrágios. Eles nem sequer os olhavam", contou. "Simplesmente escreviam os nomes dos candidatos nas planilhas e punham números ao lado."
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 17 / 06 / 2009

Folha de São Paulo
"Depósitos na poupança triplicam"

Captação nos 7 primeiros dias úteis de junho, de R$ 2 bi, já supera a de maio inteiro; fundos perdem quase R$ 4 bi

Menos de um mês após o governo propor novas regras na poupança para impedir a migração de recursos dos fundos, os depósitos triplicaram, relata Toni Sciarretta. Nos primeiros sete dias úteis de junho, foram R$ 2,018 bilhões, já descontados os saques.
A média diária registrada no início deste mês foi de R$ 288,4 milhões. O volume de junho supera toda a captação líquida em maio, que já havia sido o melhor mês do ano para a poupança. No mês passado, os depósitos somaram R$ 1,881 bilhão, ou R$ 94 milhões diários.
A alta das aplicações na poupança ocorre no momento em que a maioria dos fundos tem rendimento líquido inferior ao da caderneta. No início de junho, os fundos DI e os de renda fixa perderam R$ 3,98 bilhões, diz a Anbid (associação dos bancos de investimento).
Os fundos cobram taxa de administração, e seu rendimento acompanha os juros básicos, que vêm caindo.
Os bancos já reivindicam redução no direcionamento obrigatório de recursos da poupança para o financiamento habitacional, que atualmente é de 65%.


O Globo
"Crise derruba arrecadação federal pelo sétimo mês"

Em maio, queda foi de 6%. No ano, pode haver 1º recuo desde 2003

A arrecadação de impostos e contribuições federais caiu em maio, ficando em R$ 49,8 bilhões. O recuo, pelo sétimo mês consecutivo, foi de 6,06% na comparação com maio do ano passado. Segundo a Receita Federal, no acumulado do ano, a queda já chega a 6,92%, descontada a inflação. Os efeitos da crise sobre a atividade econômica foram os grandes responsáveis pela queda na receita: caiu a produção na indústria, a lucratividade das empresas foi menor e o ritmo de importações diminuiu. O resultado é que, pela primeira vez desde 2003, a arrecadação aos cofres públicos pode ficar abaixo do ano anterior. Além disso, as desonerações de impostos – principalmente os cortes de IPI sobre carros, material de construção e eletrodomésticos - também provocaram queda na receita. De janeiro a maio, o custo do incentivo ao consumo chegou a R$ 10,8 bilhões.


O Estado de São Paulo
"Sarney vai à tribuna e diz que crise não é dele, é do Senado"

Senador afirma que é 'falta de respeito' ser julgado pelos escândalos da Casa

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), discursou ontem na tribuna para se defender dos escândalos da Casa. Apesar de ter ao menos meia dúzia de parentes e aliados nomeados por meio de atos secretos, conforme revelou o Estado, Sarney disse que não aceita ser julgado por causa do emprego dado a um neto ou a uma sobrinha. Para ele, isso é uma "falta de respeito" para quem tem 50 anos de vida pública, além de implicá-lo em questões administrativas: "Eu não vim para administrar, para saber da despensa do Senado. Eu sou o presidente do Senado para exercer uma função política". Sarney procurou responsabilizar todos os senadores, ao dizer que “a crise é do Senado, não é minha", mas conquistou o apoio dos líderes da Casa ao afirmar que vai continuar a “corrigir erros" e "tomar providências sem soltar fogos de artifício". Segundo Sarney, o escândalo em torno das práticas no Senado está num contexto de “crise das democracias representativas".

Jornal do Brasil
"Começam a ser pagas as indenizações do voo 447"

Segundo o 'Le Monde', gastos podem tornar o acidente na rota Rio-Paris o mais caro da história

A companhia francesa Axa, seguradora da Air France e da Airbus, começou a pagar às famílias de vítimas do voo 447 que caiu com 228 pessoas sobre o Atlântico - um adiantamento das indenizações a que terão direito, no valor de 17.600 euros (cerca de R$ 47 mil), com base em legislação internacional que determina auxílio nas primeiras despesas dos familiares das vítimas. O valor das indenizações ainda não foi calculado. Segundo o jornal Le Monde, o total ficará entre US$ 330 milhões e US$ 750 milhões, o que pode tornar o acidente do voo Rio-Paris o mais caro da história da aviação, à frente da queda de um avião da American Airlines, em 2001, que custou US$ 708 milhões.
 
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