Papo do Editor

Véspera de feriado

Sidney Borges
Continua chovendo em Ubatuba. Não aquela chuva pesada que quase arrasou o Rio de Janeiro. A chuva daqui é outra, ubachuva, constante, irritante, molhante, de encharcar ossos. Com ela o frio.

Ontem li no twitter que em Nova Iorque fez 5º C num dia e 30º C no outro, variação de pasteurizar. Consigo antever dias quentes pela proa, mas não convém palpitar. A meteorologia tem variado tanto que nem índios acertam o porvir.

Como não há novidades climáticas, tentei encontrar alguma coisa de novo na política. Não achei nada digno de nota. Há calma no horizonte.

Na Câmara houve uma significativa mudança. O vereador Silvinho Brandão estreou página no Orkut e mudou os cabelos. Trocou o rabo-de-cavalo argentino por um modelito chanel. Na cidade fala-se muito da Santa Casa. Boatos e boatos. Prefiro aguardar o relatório da Cruz Vermelha que deveria ter ficado pronto em vinte dias, mas até agora, passados mais de quarenta, ainda não deu as caras. O Ubatuba Víbora não tem pressa, o atraso é compreensível. Os auditores devem apresentar um trabalho detalhado e isso demanda tempo.

Nesta semana participei como observador de uma reunião política. Estão sendo formados grupos para discutir propostas e viabilizar candidaturas, embora a eleição ainda demore dois anos e meio. Fazer reuniões é bom, mas convém lembrar que eleições são ganhas com dinheiro. Quem tiver mais leva. Na última foi assim e na próxima também será. Paulo Ramos perdeu a reeleição por ter acreditado no ovo antes da postura, achou que o jogo estava no papo e não colocou a mão no bolso. Além de dinheiro é preciso legenda. Há muitos pretendentes ao trono filiados em partidos onde não terão vez. Antes de sonhar com a mão da donzela é preciso estar qualificado. Em breve será aberta a temporada de caça às legendas de aluguel.

Mudando o tema, acabo de voltar do Itaguá onde a beleza da paisagem afastou de minha mente problemas e maus pensamentos. A Baía é bonita com tempo bom e poética com chuva, quando a paisagem ao fundo perde o verde e fica acinzentada.

Um fato notório nos dias que antecedem os grandes espetáculos midiáticos do ano, Copa do Mundo e eleições, é a expansão da internet como fonte de notícias. Quando iniciamos este blog, em 2004, a rede engatinhava, hoje dá passos largos rumo à hegemonia da informação. Jornais e revistas sempre existirão, televisão e rádio também, mas a internet engloba os veículos que há e de quebra é temperada com pitadas de arte cinematográfica. Mas nem tudo são flores no jardim, a velocidade e a instabilidade da conexão que funciona a passos de tartaruga e o preço extorsivo, são fatores contrários ao desenvolvimento da rede.

O governo põe a culpa na privatização das teles. Depois de 8 anos com a caneta na mão esse discurso não convence. Se a Banda Larga é ruim é por falta de ação dos órgãos competentes e das agência fiscalizadoras que não fazem direito seu trabalho.

Amanhã é primeiro de maio, data importante dos movimentos socialistas. Aqueles desfiles que víamos no cinema, milhares de soldados da ex-União Soviética marchando ao lado de foguetes e canhões, sobrevoados por caças a jato e observados por generais carrancudos e medalhados, são inesquecíveis.

Os generais soviéticos eram mal encarados, os argentinos pior ainda, os brasileiros não ficavam atrás, mas nunca houve nem haverá personagem sinistro como Pinochet.

A televisão mostra dois documentários e um seriado sobre a Segunda Guerra Mundial. Hollywood gosta de violência. Tenho a impressão que os executivos do cinema almoçam estupros e jantam assassinatos em série. Tenho reservas quanto ao tema, prefiro comédias e musicais. Bom 1º de maio.

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