sábado, janeiro 23, 2010

Mágico

Investigado pela PF, presidente da Casa da Moeda é multado em R$ 3,5 mi

da Folha Online
A Polícia Federal investiga o presidente da Casa da Moeda do Brasil, Luiz Felipe Denucci, que foi multado em R$ 3,5 milhões por movimentar valor 20 vezes maior que o seu rendimento. De acordo com reportagem publicada pela revista "Istoé" desta semana, a Receita Federal quer saber como ele enviou R$ 1,79 milhão de uma conta de Miami, nos Estados Unidos, para sua conta-corrente no Brasil.


De acordo com a reportagem, a PF (Polícia Federal) também descobriu que, por três anos, Denucci fez movimentações financeiras que superavam em mais de dez vezes seus rendimentos declarados. Além disso, investiga como ele conseguiu ampliar em 15 vezes seu patrimônio pessoal em um espaço de apenas seis anos.

Ainda segundo a reportagem, fontes da PF dão conta de que entre 1998 e 2004 o patrimônio declarado de Denucci saltou de R$ 200 mil para R$ 3 milhões, sem que o economista apresentasse justificativas.

Só em 2000, o presidente da Casa da Moeda teria movimentado um volume de recursos 21 vezes superior (R$ 3,1 milhões) aos seus rendimentos apresentados ao Fisco (R$ 145 mil), segundo a reportagem.

Em 2003, Denucci declarou rendimentos de R$ 200 mil, mas movimentou R$ 1,3 milhão. E, em 2004, a declaração de renda apontava R$ 236 mil de ganhos enquanto, mais uma vez, R$ 1,3 milhão foi movimentado por ele.
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Nota do Editor - Nos Estados Unidos o distinto pegaria perpétua sem condicional. No Brasil as coisas são diferentes, pizza é pizza, nada em comum com as tortas disfarçadas que os americanos chamam de pizza. (Sidney Borges)

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Aviação

Francis Gary Powers e o incidente do U-2

Cultura Aeronáutica (original aqui)
A Guerra Fria entre as potências ocidentais e a União Soviética foi repleta de incidentes, entre os quais o mais grave, sem dúvida, foi a Crise dos Mísseis, em 1962, quando o Presidente John Kennedy mandou um ultimato a Nikita Khrushchev para que a URSS removesse os mísseis nucleares de médio alcance instalados pelos soviéticos em Cuba. Essa crise deixou o mundo inteiro em suspense e quase provocou uma "guerra quente" entre americanos e soviéticos.


Um dos mais notáveis incidentes da Guerra Fria envolveu o mesmo tipo de aeronave que descobriu os mísseis em Cuba: o Lockheed U-2. Esse notável e curiosamente simples jato monomotor assemelhava-se mais a um planador do que a um avião militar de combate. Era desarmado, e carregava como equipamento principal câmaras fotográficas de alta resolução.

O grande trunfo do U-2 era a sua altitude de cruzeiro, acima de 85 mil pés, o que, assim pensavam os americanos, tornava-o imune ao ataque dos caças e da artilharia anti-aérea. A grande altitude operacional exigia que seu piloto voasse com um traje de astronauta.

Desde a sua introdução em serviço, em 1957, o U-2 revelou-se extremamente eficiente, especialmente em uma época ainda sem satélites espiões disponíveis. Como se confiava na grande altitude como proteção, muitas missões de reconhecimento (na verdade, espionagem) da CIA - Central Inteligency Agency foram realizadas diretamente sobre o território soviético. Essas missões foram praticamente encerradas quando um U-2 foi derrubado sobre a cidade de Sverdlovsk por um míssil terra-ar, em 1º de maio de 1960.


Essa missão foi conduzida pelo Capitão Francis Gary Powers, então com 31 anos de idade. A base de operações de Powers era Incirlik, na Turquia. O alvo era Sverdlovsk (atual Ekaterimburgo), onde os soviéticos mantinham bases e indústrias estratégicas tão secretas que o acesso à cidade era vedado até mesmo a cidadãos russos de outras cidades sem uma permissão oficial.

A aeronave cumpria sua missão em Sverdlovsk quando foi atingida por um míssil terra-ar S-75 Dvina, denominado SA-2 pelos americanos. Com o motor apagado pelo impacto do míssil, Powers perdeu altura, esperando ejetar quando o avião estivesse mais baixo, onde suas chances de sobrevivência seriam maiores, devido ao ar mais denso e mais rico em oxigênio. Essa manobra foi muito arriscada, visto que expunha a aeronave e seu piloto ao fogo antiaéreo de baixa altitude dos russos.

O U-2 tinha um equipamento de auto-destruição, que tinha a função de impedir o inimigo de conhecer sua verdadeira missão e seus equipamentos secretos. Powers não usou esse dispositivo e viria a ser severamente criticado por isso, quando retornou aos Estados Unidos.

Powers desceu de paraquedas direto para os braços dos agentes da KGB, o Serviço Secreto Soviético, que o capturaram. Os americanos reportaram o desaparecimento em ação de Powers como um "acidente" em uma aeronave de "pequisa meteorológica", devido a "problemas no sistema de oxigênio". Desconheciam o fato de que os russos capturaram a aeronave quase intacta, assim como suas câmaras, que denunciaram a verdadeira função do avião. Isso causou grande constrangimento ao então Presidente Eisenhower, quando foi desmentido pelos russos.

O Capitão Francis Gary Powers foi condenado, em 17 de agosto de 1960, a 3 anos de prisão e mais 7 anos de trabalhos forçados depois de uma "confissão voluntária" de sua missão de espionagem e uma apologia pública de sua participação nos serviços de espionagem americanos. Foi mandado para a prisão de Vladimirsky Central, em Vladimir, a leste de Moscou, reservada a prisioneiros políticos de "alto escalão", onde passaria os próximos 18 meses.

A sorte de Powers mudou quando os russos e americanos resolveram fazer uma "troca de prisioneiros", em 10 de fevereiro de 1962. Powers e um estudante americano, Frederic Pryor, também condenado por espionagem, foram trocado pelo famoso agente russo "Rudolf Abel", nome de guerra do Coronel da KGB Vilyan Fisher, que havia sido capturado pelo FBI em New York em 21 de junho de 1957. A operação de troca de prisioneiros ocorreu na Ponte Glienicke, em Potsdam, Berlim, e foi a primeira de várias operações semelhantes realizadas nos anos posteriores.

Powers retornou aos Estados Unidos, e foi severamente interrogado pela CIA e por uma comissão do Senado americano, sendo muito criticado por não ter destruído a aeronave e os comprometedores filmes. Também foi questionado por não ter utilizado o dispositivo de suicídio criado pela CIA, um alfinete envenenado oculto em uma moeda de um dólar. Powers revelou que todas as suas "confissões" foram realizadas sob tortura física e psicológica.

Devido ao incidente do U-2 em Sverdlovsk, as missões sobre o território soviético foram suspensas e o governo pediu à Lockheed que desenvolvesse uma aeronave que "voasse tão alto quanto o U-2, mas pelo menos 3 vezes mais rápido". Tal pedido resultou no famoso SR-71 Blackbird, capaz de voar mais de 3 vezes a velocidade do som e atingir até 95 mil pés.

Powers deixou a Força Aérea e a CIA e trabalhou na Lockheed como piloto de testes de 1963 a 1970. Faleceu em 1977 em um acidente de helicóptero, na cidade de Los Angeles, onde trabalhava como repórter aéreo para a emissora de TV KNBC. Em 2000, o Governo Americano concedeu homenagens e condecorações póstumas ao piloto, 40 anos depois do incidente que o levou à fama.

Os destroços do U-2 capturado pelos russos ainda são preservados no Museu Central das Forças Armadas em Moscou, na Rússia (foto abaixo). Uma parte dos destroços foi mandada os Estados Unidos, onde estão em exibição no Museu Criptológico Nacional, em Maryland.


Curiosamente, o Lockheed U-2 sobreviveu ao incidente de Sverdlovsk e ao seu sucessor SR-71, e ainda está em serviço na Força Aérea dos Estados Unidos, 52 anos após entrar em operação, e deve permanecer na ativa pelo menos até 2011.

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Mama Cass Eliot



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Bibelô

Americana de 136 kg mata namorado de 54 kg ao sentar em cima dele em briga

Casal morava junto em Cleveland, Ohio, e tinha três filhos. Mia Landingham disse que não teve a intenção de matar.

Do G1, em São Paulo
A norte-americana Mia Landingham, de 136 kg, foi condenada nesta semana por ter matado seu namorado Mikal Middleston-Bey, de 54 kg, após sentar sobre ele durante uma briga. Segundo a polícia dos EUA, o crime ocorreu em agosto passado.

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Nota do Editor - A vida é frágil, são muitos os perigos que enfrentamos ao acordar. Tem homem que gosta de mulher gorda, tive um amigo, pintor renomado, que curtia garotas de peso. Mal terminava com uma, aparecia com outra arrobas à frente. Mama Cass, do "The Mamas & the Papas" foi o grande amor da vida dele, inenarrável o porre que tomou quando a musa partiu do planeta. Imagino o constrangimento do ex-namorado Mikal na porta do céu. Na hora de preencher a ficha, o que ele vai colocar como causa mortis? Essa história de briga está mal contada, pode ter sido uma variação que deu em tragédia... (Sidney Borges)

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Massa

Nuts

Sidney Borges
Prefiro Psirico a Beyoncé, diz Caetano Veloso em Salvador. Leio a notícia no site G1 e meus neurônios começam a trabalhar. Tchank, chung, poff, tchank...

Caetano não é de falar por falar, no tempo do Pasquim diriam que ele conceitua o tempo todo, raciocina em bloco. Logo concluo que a mensagem tem outras leituras.

No lugar de Psirico dá para imaginar um nome da oposição. Talvez Ciro que rima com psiro. Beyoncé não pode deixar de ser quem eu penso que é. Ele mesmo, exatamente.

Caetano é como a Difusora de Dárcio Arruda: "Difusora é difu, quem não ouve a Difusora sifu. A censura proibiu o mantra, mas não impediu que Dárcio tocasse atrás do trio elétrico onde só não vai quem já morreu...

Caetano Veloso tem abacateiro, todo tamarindo tem. O quê? Não sei, certas perguntas devem ser dirigidas a quem de direito. Gilberto Gil das refazendas, Stédile das fazendas ou Delfim, socialista fabiano esperando o bolo crescer...

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Reajuste salarial

Sindtapu fala em perdas e pede 20% de reajuste para 2010

O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Ubatuba (Sindtapu) anunciou, na última reunião com o Executivo local, a reivindicação por um reajuste de 20% nos salários dos servidores municipais.

Leia a matéria no site do jornal Imprensa Livre. Clique aqui.

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Opinião

A falta de apelo e a apelação

Editorial do Estadão
Com a inestimável contribuição do presidente do PSDB, o senador pernambucano Sérgio Guerra, o presidente Lula e a sua criatura eleitoral, a ministra Dilma Rousseff, deram esta semana a largada para o festival de capoeira política com que pretendem suprir as carências aparentemente insanáveis da candidata em se afirmar como presidenciável dotada de luz própria. No primeiro comício do ano, travestido de ação administrativa - a inauguração de uma barragem no empobrecido Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais -, a ministra acionou o seu conhecido temperamento agreste para instalar no coração do eleitorado o medo de que uma eventual vitória da oposição abra as portas para o desmanche dos programas sociais de Lula.

O pretexto para a investida foi uma entrevista do senador Guerra. Nela, com a sutileza de um helicóptero americano pousando diante do semidestruído palácio do governo do Haiti, Guerra anunciou que os tucanos acabarão com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por se tratar de uma ficção. No diagnóstico, ele está certo. O PAC é uma invencionice publicitária para Lula mostrar serviço no descuidado setor de infraestrutura e turbinar o nome Dilma, "a mãe" do programa. Perto de 2/3 das 7.700 obras que o integram ainda não saíram do papel. Apenas 10% foram concluídas. Mas uma coisa é apontar o fiasco que expõe a lorota da capacidade gerencial da ministra. Outra é ajudar o presidente aprovado por 80% da população, prometendo acabar com seja lá o que for que tenha feito.

Deu no que deu. A declaração do senador - de tão desastrosa que poderia vir de um petista infiltrado na cúpula tucana - proporcionou a Dilma a chance de "chutar do peito para cima", como diria o seu patrocinador. "Vira e mexe querem acabar com algum programa do governo Lula. Em 2006, queriam acabar com o Bolsa-Família", aterrorizou. Dias depois, o Planalto propagou a versão de que ela tinha dado prova de traquejo ao chamar a oposição para a briga. Na realidade, observadores independentes registraram a esqualidez do desempenho da candidata, a sua fala desprovida de força e empatia genuínas, a sua atitude subalterna em relação ao chefe de quem é a antítese no quesito carisma e a quem não cessa de invocar para se associar a ele como que por osmose.

Eis por que Lula avisou que levará a ministra a tantas inaugurações quantas puder nestes primeiros três meses - só até o fim de fevereiro deverão ser pelo menos 11, em 7 Estados -, pois a partir de abril "a Dilma já não estará mais no governo e quem for candidato não pode nem subir no palanque comigo". A compreensível insegurança do presidente com os futuros voos solos da sua eleita o leva a exacerbar a mobilização do governo em seu favor e a escalar no vale-tudo.

Na quinta-feira, transformou a primeira reunião ministerial do ano em sessão de comitê eleitoral, reiterando a estratégia de fazer da sucessão um plebiscito. "Quero", anunciou autocraticamente, "fazer a campanha do quem sou eu e quem és tu." "Eu" não seria Dilma, mas o governo Lula, nem "tu" seria José Serra, mas o governo Fernando Henrique.

Num assomo de cinismo, mesmo para os seus padrões, exortou a equipe a evitar o "jogo rasteiro" da oposição, para que a disputa "não seja de baixo nível" - e de um só fôlego disse que Guerra é um "babaca". A grosseria não saiu sem querer. O autor sabia que ela seria relatada à imprensa. Foi, portanto, o prenúncio de um deliberado ciclo de selvageria política.
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Manchetes do dia

Sábado, 23 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Exame de SP reprova 40% dos docentes temporários"

48% do total de candidatos não atingiu meta; Estado chamará reprovados

Exame do governo reprovou 40% dos professores temporários da rede estadual paulista. Dos 182 mil candidatos – incluindo os que ainda não dão aulas –, 48% erraram mais da metade das questões da prova. A prova para seleção de temporários foi adotada em 2009 pelo Estado; antes, eram considerados tempo de trabalho e diplomas. Ao adotá-la, o governo disse que quem não atingisse a nota mínima não lecionaria. Diante do resultado, porém, a Secretaria de Educação informou que poderá atribuir aulas a professores reprovados. “A nossa prioridade é garantir aulas aos alunos”, afirmou o secretário Paulo Renato Souza. Ainda não se sabe quantos reprovados lecionarão, pois a distribuição de aulas não começou – primeiro se escolhem os concursados. No final de 2009, a rede de SP tinha 130 mil concursados e 80 mil temporários.

O Estado de São Paulo
"Petrobrás cria gigante petroquímico"

Empresa em associação com Odebrecht será a maior das Américas e monopolizará setor plástico

A Braskem, controlada por Odebrecht e Petrobras, anunciou ontem a compra da Quattor. O negócio, que cria a oitava maior petroquímica do mundo e a primeira nas Américas, representa a volta da Petrobras ao setor após quase 20 anos. A nova Braskem nasce com receita bruta de R$ 25,8 bilhões, 26 fábricas e produção de 5,5 milhões de toneladas de resinas por ano. A Petrobras vai aumentar significativamente sua participação e ganhar mais poder dentro da empresa. A estatal terá 49,9% do bloco de controle, e a Odebrecht, 50,1%. A incorporação da Quattor pela Braskem cria um monopólio nacional na produção de resinas termoplásticas e preocupa os produtores de plásticos. Mas para Arthur Badin, presidente do Cade (órgão responsável pela análise final do negócio), a formação de grandes conglomerados pode “eventualmente ser benéfica ao consumidor”, se criar “ganhos de eficiência”.

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sexta-feira, janeiro 22, 2010

Primórdios

Lufthansa TO-1: o primeiro voo transoceânico regular do mundo

Cultura Aeronáutica (original aqui)
A empresa aérea alemã Lufthansa foi a pioneira dos vôos regulares transoceânicos e, ao contrário do que poderia se supor, tal linha não ligava a Europa à America do Norte, mas sim à América do Sul.


O primeiro desses voos foi denominado TO-1 (TO de Transoceânico). A execução desse fantástico voo começou no aeroporto de Stuttgart, na Alemanha, em 03 de fevereiro de 1934. com destino a Buenos Aires, Argentina, cobrindo uma distância de 7.172 NM (13.283 Km) em 66 horas e 12 minutos, com escalas em Barcelona e Sevilha, na Espanha, Vila Cisneros no Sahara Ocidental, Bathurst, na Gâmbia Inglesa, Natal, Recife, Salvador, Caravelas, Rio de Janeiro, Santos, Florianópolis, Porto Alegre e Rio Grande no Brasil, e Montevideo, Uruguai.

Na primeira fase do voo, foi utilizado um monomotor Heinkel He-70 Blitz (relâmpago), o mais veloz da época (200 Knots), carregado com 37,21 Kg de correspondência e comandada por Robert Untucht, acessorado pelo rádio-operador Karl Kirchhoff. Tinha por destino Sevilha, com escala em Barcelona.Em Barcelona, a carga postal foi transferida para uma aeronave bimotora Junker Ju-52, matriculada D-2526, com destino a Bathurst, na Gâmbia Britânica, com uma escala para reabastecimento em Las Palmas de Tenerife.

Em Bathurst, a carga mudou novamente de aeronave, passando para o hidroavião Dornier DO-18 Wal (Baleia) matriculado D-2399 (posteriormente, D-AKER) e batizado Taifun (Tufão) que estava na catapulta a vapor do navio Westphalen. Outro Dornier, batizado de Passat, estava a bordo do Westphalen.


O navio levantou âncoras e partiu para uma viagem noturna a todo vapor até um ponto denominado "Meio do Oceano", lançando o Taifun, comandado por Joachim Blankemburg para uma viagem rumo ao Brasil. A catapulta provocava grande aceleração à aeronave, e era movida por vapor vindo das caldeiras do navio. A decolagem aconteceu ao raiar do dia.


A aeronave voou na velocidade média de 120 Knots na travessia oceânica, voando rente às ondas para aproveitar o efeito solo e economizar combustível. Sem piloto automático, o voo foi feito "na mão", o que exigia grande concentração do piloto, ainda mais considerando o fato de ser um voo rasante. O radio-operador Günther Fechner buscava quaiquer sinais de rádio para fazer uma triangulação por radiogoniometria e determinar a posição do avião, enquanto o mecânico de voo Otto Gruschwitz subia a todo momento nas naceles dos dois motores BMW de 680 Hp da aeronave.

O voo transcorreu sem incidentes e foi bastante tranquilo. Após 11 horas de voo, o piloto finalmente avistou o Pico, a montanha mais alta do Arquipélago de Fernando de Noronha. Sobre o arquipélago, circulou e juntou-se a outra aeronave Dornier Wal, D-2069, o Mosun, comandada pelo experiente piloto Rudolf Cramer von Clausbruch, que o acompanharia nos últimos 400 Km da travessia até Natal, onde pousaram na foz do rio Potengi, após 14 horas e 10 minutos de vôo.

Apenas 20 minutos depois, a carga já estava no ar novamente, transferida para uma aeronave Junker W-34, matriculada PP-CAN e batizada Tietê, do Syndicato Condor, empresa subsidiária da Lufthansa (então, Luft Hansa). O Tietê escalou em Recife e Salvador e prosseguiu direto para o Rio de Janeiro, onde pousou na Baía da Guanabara, próximo ao bairro do Caju. O Tietê era comandado pelo piloto Auderico Silvério dos Santos.


Após rápido reabastecimento, a aeronave decolou para Santos, onde pousou em frente á praia José Menino. De Santos, foi para Florianópolis, Porto Alegre, Rio Grande, Montevideo e Buenos Aires, onde chegou na noite de 09 de fevereiro de 1934.

Lamentavelmente, tal proeza foi praticamente ignorada pela imprensa e pelas autoridades brasileiras, e nem sequer foi registrada nos anais da Aviação Militar e da Aviação Naval. Entretanto, foi destaque na imprensa sul americana e amplamente divulgado na Argentina.

Os voos se tornaram regulares, a partir de então. Durante uma operação de melhoramento das catapultas do Westphalen, que passou desde então a recolher os hidroaviões no meio do oceano e catapultá-los daquela posição, o Dornier foi substituído pelo dirigível Graf Zeppelin na travessia do Atlântico.

Fonte do texto e das fotos: Dornier Wal Documentation Center (http://www.dornier-wal.com)

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Energia

Eletronuclear afirma que obras de Angra 3 devem começar em fevereiro

Fonte Nuclear (
ABEN)
A Eletronuclear pretende iniciar em fevereiro as obras de Angra 3. Para que isso aconteça, falta apenas obter a licença de construção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Quando a licença for concedida, a empresa começará a etapa de concretagem da laje do edifício do reator, considerada o marco zero das obras da usina, que devem durar 5,5 anos.

Enquanto não recebe o sinal verde, a Eletronuclear está concluindo as etapas preparativas para o início da construção. Isso inclui a impermeabilização do canteiro de obras, a instalação de centrais de concreto e de estação de tratamento de esgoto, além da parte de carpintaria. Esse trabalho foi começado em novembro de 2009, mediante licença parcial concedida pela Cnen.

O assistente da Presidência da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirma que a licença de construção está demorando a sair porque o Ministério Público Federal em Angra dos Reis entrou com ação para suspender a licença parcial das obras preparativas, apesar de elas estarem praticamente terminadas. “A nossa expectativa é de que essa questão seja resolvida em breve”, comenta.

A demora para iniciar as obras de Angra 3 deve atrasar ainda mais o cronograma de conclusão da usina. A unidade estava prevista para entrar em operação em maio de 2015, mas a nova previsão é de que comece a operar em julho do mesmo ano.

A Eletronuclear também planeja, até o fim do mês que vem, entregar ao Ministério de Minas e Energia (MME) o estudo que define cinco locais finalistas para sediar a central nuclear do Nordeste. A empresa está considerando microrregiões em quatro estados: Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe. A partir daí, a escolha será feita pelo governo federal, levando em conta questões políticas, além da avaliação técnica. A expectativa é de que o sítio seja escolhido ainda em 2010.

A central nuclear nordestina terá capacidade para abrigar seis usinas, mas, inicialmente, serão construídas duas unidades. A primeira está planejada para entrar em operação em 2019. Uma segunda usina deve ser construída até 2021. Além disso, estão previstas mais duas usinas nucleares no Sudeste. A primeira deve ser posta em operação em 2023 e a segunda, em 2025. Os estudos para a definição do local dessas unidades devem ser iniciados esse ano.


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Viagens

Precisão lusa

Sidney Borges
No aeroporto de Berlim o passageiro proveniente de Lisboa fez sinal para um táxi. Ao colocar a bagagem no porta-malas o taxista notou a procedência.

Começou a falar português. Eram patrícios.

Apesar da conterraneidade o recém chegado sentou-se no banco de trás e começou a falar com arrogância. Perguntou da cidade e depois do carro.

- Para que serve essa estrela aí na frente?

Referia-se ao logotipo da Mercedes Benz.

O motorista agastado com os maus modos do patrício sapecou:

- É uma mira para acertar velhinhas. Olhe aquela que está a atravessar a avenida. Eu a coloco no meio da estrela, acelero e está feito. Outra velhinha no paraíso. Todas as semanas envio quatro ou cinco. Quer ver?

Entusiasmado o passageiro disse que sim. Ora se quero!

O motorista enquadrou a velhinha, acelerou e, no limite, desviou. Um pouco adiante olhou o retrovisor e viu a velhinha estrebuchando estendida no chão. Sem saber o que fazer brecou cantando os pneus. Ao olhar para trás viu a porta aberta e o passageiro radiante segurando o trinco:

- Não miraste bem ó pá. Se eu não tivesse agido rápido com a porta a velhinha teria escapado...

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Deu em O Globo

Últimas apostas para vender caças

Franceses, suecos e americanos adotam novas estratégias de convencimento

De Leila Suwwan (original aqui)
Com o fim da avaliação técnica, as três finalistas da concorrência brasileira para a compra de 36 caças que serão usados pela Força Aérea Brasileira (FAB) adotaram neste ano novas estratégias para tentar influenciar a decisão política do governo, que já anunciou sua preferência pelo Rafale, da francesa Dassault. A Boeing, segunda colocada na avaliação da FAB e escolha mais improvável do governo, prometeu incluir a Embraer no desenvolvimento da nova geração dos caças F-18.

Os suecos, que oferecem o Gripen NG da Saab e contam com a preferência da Aeronáutica, mantêm contatos com empresas brasileiras e enviarão seu chanceler ao país em fevereiro.

Os franceses, mais discretos, preferem os contatos diretos entre governos, mas começam a reagir à onda de críticas quanto ao preço de seu caça, único problema que ameaça sua vantagem aos olhos do governo.


O valor unitário do Rafale, dentro do pacote de especificações brasileiras, é desconhecido. A Dassault apenas repete, há meses, que o preço oferecido ao Brasil é compatível com o cobrado da Força Aérea francesa.

Segundo a Dassault, "preço compatível" é o termo usado pelo presidente Nicolas Sarkozy em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o 7 de Setembro, quando os dois anunciaram a negociação direta para a compra dos Rafales.

O Brasil pressiona pela redução do valor. A Boeing sustenta que o SuperHornet é cerca de 40% mais barato. A Saab estima que o Gripen NG é algo entre a metade ou um terço do preço francês. Ambas se baseiam em consistências de outros países.

A FAB nunca mencionou valores, e a estimativa preliminar, há um ano, era de um investimento total de US$ 2 bilhões, cifra reconhecidamente insuficiente para bancar a parceria com a França. Hoje, a avaliação geral é a de que o negócio pode chegar a US$ 5 bilhões. O governo brasileiro deve pagar uma entrada de cerca de 20%, e o restante será financiado. O único governo que não oferece o empréstimo é o dos EUA, o que a Boeing reconhece como uma fraqueza.

Nota do Editor - Em 1967, na "Guerra dos 6 dias", a força aérea de Israel usou caças Mirage e venceu a coalizão árabe que possuia Migs na proporção de três por um. O diferencial não foi apenas o bom desempenho do avião, os pilotos israelenses tinham melhor treinamento. Mas é sabido que a história é a versão do vencedor. O marketing francês agiu com competência e o Mirage foi alçado à condição de objeto do desejo. O Brasil comprou. Argentina, Chile, Colombia, Peru e Venezuela também compraram. O Rafale é derivado do Mirage, avião familiar à FAB. Sua aquisição seria natural. O que esta causando celeuma é o preço. O Brasil vai pagar mais do que a Índia, conforme dados da imprensa. Uma vez acertado o contrato, compraremos um avião obsoleto em relação aos novos caças em desenvolvimento nos EUA. Mesmo que o escolhido seja o F-18. O Brasil pode optar por um projeto nacional, tem condição para isso. Sobre a transferência de tecnologia tenho dúvidas. Tecnologia de ponta não se transfere. O que virá então? (Sidney Borges)

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Coluna do Celsinho

Carrapatos

Celso de Almeida Jr.
Há uma história de três décadas atrás, reproduzida no site de nosso colégio, que eu sempre repito, quando posso.


Trata-se de uma menção especial à professora Itacy Cardoso Malta Ferreira, supervisora de ensino da Secretaria de Estado da Educação, que nos orientou na organização física e documental, não criando dificuldades para o funcionamento da escola, apesar da pouca estrutura material e financeira que dispúnhamos naqueles tempos.

Funcionária Pública sensível e responsável, a supervisora Itacy permitiu as atividades num espaço adaptado, concedendo os necessários prazos para os ajustes, em função do que a lei determinava.

Discreta e generosa não nos expôs a desgastes públicos.

Ao confiar em nossos propósitos, mesmo sabendo das nossas limitações, agiu como uma mãe paciente e amorosa, tornando segura a “infância” de nossa escola.

Qual teria sido o nosso destino sem a visão de futuro de dona Itacy?

Pois é...

Eram outros tempos.

Hoje, nesta coluna que adoro escrever, registro a minha opinião quanto às ações do poder público com certos empresários da cidade.

Creio que há muitas formas de corrigir condutas na defesa dos interesses do consumidor.

Algumas, radicais, só deveriam ser usadas quando esgotados os mais elementares recursos.

Orientar, fiscalizar, supervisionar, são ações que mereceriam ser executadas por profissionais sensíveis, experimentados, conscientes de que a frieza da lei muitas vezes exige um banho-maria.

Estou errado, leitor exigente?

Ou a flexibilidade só é válida para quem manda?

Temos que engolir ações de homens públicos dignas do mais inexperiente recém-formado; que não percebem que manter um negócio, gerar empregos, nos dias de hoje, é tarefa para guerreiros.

Para gente assim aconselho maior prudência e uma boa dose de bom senso.

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Opinião

A cada minuto, 12 hectares áridos

Washington Novaes
O alarido em torno do "fracasso de Copenhague", na reunião da Convenção do Clima, impediu que a comunicação desse destaque a algumas discussões ali ocorridas, entre elas as que se referiam ao tema da desertificação e suas relações com mudanças climáticas (uma das causas centrais da desertificação progressiva no mundo, onde esse processo avança à razão de mais de 60 mil km2 por ano, 12 hectares por minuto). É pena.


Ainda na nona reunião da Convenção da ONU sobre Luta contra a Desertificação, realizada em Buenos Aires, no final de setembro e começo de outubro, ficou claro que a situação continua a agravar-se. Só para focar mais perto de casa, foi dito ali que a América Latina e o Caribe já têm 25% de terras áridas, semiáridas e subúmidas secas. E destas, 75% com sérios problemas de degradação por causa do clima e do mau uso. Argentina, México e Paraguai são os países com mais problemas. Mas o Brasil tem mais de 1 milhão de km2 envolvidos no processo, dos quais 180 mil no Semiárido nordestino e mineiro, em situação mais delicada. Ao todo são 1.482 municípios (15% do território nacional) e 32 milhões de pessoas.

Segundo a ONU, no mundo 2 bilhões de pessoas vivem em áreas com terras secas predominantes - 40% da superfície da Terra. Dessas, 325 milhões (40% da população total do continente) estão na África, onde o processo evolui mais rapidamente que em qualquer parte. Até 2025, diz a ONU, a seca pode atingir 70% do planeta. De 1990 para cá, cresceu 15% a área atingida. E quase nada se tem avançado no enfrentamento do problema, devido, além do clima, a desmatamento, mau uso e degradação do solo, urbanização em áreas antes férteis (em 40 anos um terço das terras de cultivo foi abandonado). E esse caminho é dos que mais contribuem para o crescimento do número de "migrantes ambientais", que já são 24 milhões hoje e poderão ser 200 milhões em 2050.

Entre nós a situação é mais grave nos 180 mil km2 e, nestes, em Irauçuba (CE), Seridó (PB), Gilbués (PI) e Cabrobó (PE). Na Paraíba, segundo estudo da Embrapa e da Unicamp, 66,6% das terras férteis foram comprometidas pelo processo de desertificação; no Ceará, 79,6%; no Piauí, 70,1%. Mas parte pode ser recuperada, com caminhos e métodos adequados. Só que dos R$ 49,4 milhões destinados a enfrentar o problema entre 2004 e 2009 apenas 20% foram utilizados (Congresso em Foco, 11/4/2009).

Mas há caminhos para enfrentar o problema, no mundo e aqui. Entre nós, felizmente, passou a prevalecer a visão de que é preciso trabalhar a questão não tentando "combater a seca", e sim adotando um programa de "convivência adequada" com o Semiárido e suas possibilidades. A propósito, o escritor Ariano Suassuna, que cria cabras em região árida, costuma dizer - e provavelmente por isso já foi citado aqui - que "enfrentar a seca criando um Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, como fizemos, é como criar um departamento de combate à neve na Sibéria". Tarefa impossível.

No campo da água, propriamente, o caminho mais indicado para abastecer as populações que vivem em pequenas comunidades isoladas, onde não chegam nem chegarão adutoras com águas de transposição, é o das cisternas de placas, que recebem a água de chuva canalizada nos telhados e a depositam em reservatórios de paredes cobertas por placas que impedem a infiltração na terra. Por esse caminho, na estiagem, uma cisterna pode abastecer com 20 litros diários de água cada uma das pessoas na casa - "uma bênção", como disse ao autor destas linhas uma mulher no interior de Pernambuco, erguendo as mãos para o céu. Já se construíram mais de 200 mil cisternas de placas e é preciso chegar a 1 milhão - mas, infelizmente, o grosso dos recursos no Semiárido vai para o programa de transposição de águas do São Francisco, que não as atenderá, já que mais de metade da água transposta irá para programas de irrigação de produtos destinados à exportação e outra grande parte, para reforço do abastecimento de água das cidades que, em média, perdem mais de 40% da que sai das estações de tratamento.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Chuva mata 9 e deixa SP ilhada"

Alagamento atinge todas as regiões da capital paulista; Kassab culpa excesso de chuva e diz que investiu em obras

As chuvas da madrugada na Grande SP causaram a repetição das enchentes de 44 dias atrás, com estragos similares: nove mortos - foram oito no dia 8 de dezembro - e 112 áreas alagadas. Houve alagamentos em todas as regiões da capital, que ficou praticamente isolada de manhã. Os rios Tietê e Pinheiros transbordaram, parando marginais e vias de acesso à cidade. A previsão é de chuva forte até sábado.

O Estado de São Paulo
"Chuvas matam mais 8 pessoas na Grande SP"

Em todo o Estado, já são 58 mortes desde o início de dezembro; de 1º de janeiro até agora, choveu na capital 32,5% a mais que a média histórica

Oito pessoas morreram na capital paulista e nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires e Santo André em nove horas de chuva forte, que começou ainda na madrugada de ontem. Há uma pessoa desaparecida. Em todo o Estado, chega a 58 o número de mortos desde o início de dezembro. O bairro do Ipiranga, na zona sul, amanheceu debaixo de lama, por causa do transbordamento do Rio Tamanduateí. Com vias como as Marginais do Tietê e do Pinheiros alagadas, o trânsito na cidade ficou caótico. Há quase um mês, a capital registra chuvas diárias. Desde 1º de janeiro, choveu 316,9 mil metros, 32,5% a mais que a média histórica do mês, de 239 milímetros. Para o engenheiro Aluísio Canholi, coordenador técnico do Plano de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, as obras da Nova Marginal podem contribuir para o transbordamento do Rio Tietê, por afetarem o sistema anticheias das pontes.

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quinta-feira, janeiro 21, 2010


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Cinema

O único e verdadeiro motivo do tropeço de "Lula"

Astolpho Óculos (original aqui)
No meio de tantas explicações estratégicas para o fracasso, até agora, de Lula, o Filho do Brasil, é curioso que ninguém ainda tenha mostrado a cara para mencionar aquele que é o único verdadeiro motivo pelo qual o filme se arrasta: é ruim para burro. No limite do constrangedor. Mal escrito, mal dirigido, mal produzido, mal finalizado. Quando o filme é ruim, não adianta: pode fazer o marketing que for, a estratégia que for, vai quebrar a cara.


Fui ver no fim de semana da estréia e quase saí no meio, de tão insuportavelmente ruim. Saí dizendo: não vai fazer nem um milhão. O fato é que o filme tem vários problemas, técnicos mesmo. A personagem da mãe quase não tem ação, quase não tem uma boa cena (no sentido de que uma cena é um personagem protagonizando uma ação). Fora dar o ombro para Lula e soltar frases de efeito, ela faz muito pouco (só me lembro do momento em que decide sair do Nordeste e, depois, quando decide largar o marido).

O resto do filme é só uma sucessão de banalidades ditas como sabedoria sem nenhuma ação. Outro exemplo disso é a primeira mulher e a dona Marisa, inerte até mesmo quando Lula desfaz um programa, quando o namoradinho aparece ao mesmo tempo que ele na porta da casa dela. Neste sentido, Lula vira um protagonista sem coadjuvantes, sem antagonista, nada. Logo, sem dramaturgia, sem conflitos.

Mesmo assim, a sua vida parece um encadeado selecionado de momentos supostamente edificantes sem necessariamente conduzir a história. Lula muda de casa, muda de emprego, vira sindicalista e nada parece logicamente seqüenciado, falta tanta informação que parece que o material foi mal editado. A figura que é Lula, sua lábia, seu humor, sua rapidez, sua esperteza, atributos que fazem dele, para o bem ou o mal, o personagem genial que é, mal se desenham no filme: ele é apenas um vulto, uma estátua sem ação, movida pelo tempo e pelas circunstâncias.

A questão é a seguinte: por definição, uma cena é uma unidade dramática, a menor unidade dramática dentro do arco de uma determinada história, na qual um personagem interpreta uma ação cujo objetivo é conduzir a narrativa de um ponto a outro e assim sucessivamente.

Basicamente, este personagem deve passar por um conflito que vai ser expresso por sua relação com outros personagens ou com o meio ambiente em que ele está inserido naquela história.

Por isso, além do protagonista, é necessária a construção de outros personagens e de obstáculos que, encadeados, fazem a narrativa evoluir em direção a sua conclusão. Costumamos dizer que, num bom roteiro, não há cena sem função, são todas elos fundamentais de uma corrente só (a trama). Se tem alguma cena num filme que pode ser retirada inteira sem afetar em nada a narrativa, por ser expositiva, reiterativa, repetitiva, puramente estética ou simplesmente inútil, como várias neste filme do Lula, tem algo errado.

Aquela cena da inundação na favela, por exemplo. Serve para quê? Para nada, é uma sequência expositiva, que não leva a história para ponto algum, está ali apenas para mostrar que Lula enfrentou enchentes quando morava na favela. Tem vários outros exemplos. A cena do jovem casal brincando de pega entre lençóis esvoaçantes, clichê safado, mal filmado, que não faz a história andar. Cenas que não impulsionam a dramaturgia são um defeito grave de roteiro, só prestam para quebrar o ritmo da narrativa.

No caso do Lula, temos um protagonista que não enfrenta obstáculos nem lida com antagonistas. Se o Lula da vida real é um poço de contradições e impulsos ora para o bem, ora para o mal (e aí reside sua grandeza como personagem), o do filme é unidimensional, feito de convicções inabaláveis, de um ar plácido, bondoso, da certeza de que é um ser ungido, o escolhido (daí sua fraqueza como personagem).

Ele é um menino retirante que mora num barraco à beira de um mar podre? Sim, mas é um menino feliz, que joga bola bem, tira notas excepcionais e tem força até para desafiar o pai; ele mora num barraco? Mas come bife no almoço, sem que se explique como, e entra no cinema com paletó emprestado sem que ninguém note, numa boa. Ele perdeu o dedo na fábrica? Ora, e daí, ele come a Cléo Pires!!! Quantos dedos você daria por uma noite com Cléo Pires?

E assim ele vai, atravessando a vida como se cumprisse os passos de um destino pré-traçado, cercado de personagens sem cenas (isto é, sem ação), muitos deles, como Dona Marisa e até Dona Lindu, praticamente só aparecem para bater palmas e dizer frases feitas, supostos lampejos de sabedoria popular ditos para confortá-lo e assegurar seu destino, são personagens que não o confrontam, não o testam, não constroem: estão ali apenas para reforçar as características dele, o protagonista.

Desta forma, ele deixa de ser um personagem vivo para virar um símbolo, um ícone. Pode até ser boa propaganda, mas certamente é mau cinema. Isso sem falar no festival cafona de clichês. E o pior é que a história é boa, os personagens são interessantíssimos e tinha tudo para ser um filmaço. Mas foi mal dirigido e mal produzido. E ainda ficam procurando justificar o resultado com o lançamento, que foi até bem feito. O problema não está no marketing nem na concorrência, está no produto.

De resto, a correção de cor resulta numa imagem sem vida, baseada em tons frios, escuros, que é o contrário do que se deve fazer em obras de viés popular. O som direto é ruim a ponto de os diálogos ficarem ininteligíveis em alguns trechos. A trilha, toda baseada em cordas, sem um único momento percussivo para dar grandeza à ação, é um exercício de forçação de barra para transformar qualquer ceninha, por boba que seja, num “momento emocionante”. O figurino é ruim, a cenografia, pobre. E o momento em que enfrenta o militar numa sala às escuras, clichê vagabundo e inverossímil? E a grande cena em que o Tuma deixa o Lula sair da cadeia para ir ao enterro da mãe? Nada, uma cadeia escura abre a porta e ele sai.

O que não está errado ou tecnicamente mal resolvido, é piegas, cafona ou equivocado. E o povão sabe disso tudo, bem mais do que eu. Tanto que simplesmente não vai ao cinema quando sente cheiro de porcaria. E tenho certeza que o boca a boca está derrubando o filme. Quase todo mundo que conheço que, como eu, viu o filme numa sessão normal, pagando ingresso, saiu falando mal.

Repito: não há estratégia que segure um filme ruim.

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Aviação

Curiosidades

Cultura Aeronáutica (original aqui)
A empresa aérea REAL, que operou entre 1945 e 1961, chegou a ter um frota de 117 aviões, dentre eles 86 Douglas DC-3/C-47 e 12 Convair, seis CV-340 e seis CV-440. Tais números a colocaram em 7° lugar no ranking da IATA em relação ao tamanho da frota, a mais alta posição já ocupada por uma empresa aérea brasileira.


Ao contrário do que foi divulgado pela Varig, que se dizia pioneira da rota para o Japão, a primeira empresa aérea brasileira a voar para aquele país foi a REAL, em 1960, utilizando aeronaves Lockheed L-1049H Super Constellation. Acima, o Constellation da REAL no Aeroporto de Haneda, Tokyo, em julho de 1960.

Na época do projeto do Concorde, os fabricantes já dominavam a tecnologia para a fabricação de aeronaves capazes de atingir Mach 3, três vezes a velocidade do som. Entretando, optou-se por contruir o Concorde limitado a pouco mais de Mach 2, pois o voo acima dessa velocidade exigiria materiais caros para a estrutura e revestimento, como o titânio, devido ao aquecimento provocado pela compressibilidade e pelo atrito. Tal custo tornaria o avião economicamente inviável. Consequentemente, o Concorde foi construído em alumínio, mas ficou limitado em velocidade. Apesar desse cuidado, o Concorde nunca chegou a ser economicamente viável.


O Boeing 737-200 ganhou do público o apelido carinhoso de "Brega", ou "Breguinha" devido a uma novela da Rede Globo que passava na época da introdução do modelo 737-300 no Brasil, chamada "Brega e Chique". O 737-300, mais moderno, ganhou o apelido (que não pegou) de "Chique", e os velhos 737-200 (foto abaixo) ficaram sendo os "Bregas".


Nos primeiros tempos da VARIG, não existiam comissários de voo, mas os co-pilotos era encarregados de distribuir o serviço de bordo, que consistia em generosos chumaços de algodão para colocar nos ouvidos (os motores deviam ser algo barulhentos...) e chicletes, para facilitar o equilibrio de pressão nos tímpanos. Nas aeronaves atuais, o algodão tornou-se desnecessário, mas a TAM, por exemplo, ainda hoje distribui balas antes da decolagem com a mesma intenção dos chicletes da VARIG.

O primeiro aeroporto da cidade de São Paulo foi o Campo de Marte, cujas operações foram iniciadas em 1920. A VASP operava voos a partir de Marte até uma cheia do Rio Tietê, em 1936, fechar o aeroporto por vários meses. A empresa, para manter suas operações, resolveu ampliar um campo de pouso situado em uma antiga fazenda do Visconde de Congonhas do Campo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, primeiro governante da Província de São Paulo no Brasil Imperial. Hoje o Aeroporto de Congonhas (foto abaixo) é o mais movimentado do Brasil em número de pousos e decolagens.


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Fenômenos elétricos...

Notícias e Raios

Sidney Borges
Depois de dar uma passada d'olhos pelos jornais cheguei à conclusão que poderiam ser menores. A maior parte do que é publicado não tem importância. Dilma fez um bom discurso. Dilma mentiu no discurso. Dilma cortou os cabelos. E por aí vai.

Na seção de esportes elegeram o melhor time do mundo. Não há como medir o que não é mensurável, cronistas esportivos não entendem que futebol é uma caixinha de surpresas. Definitivamente, qualidade futebolística não é grandeza.

Janeiro já vai longe, em breve teremos carnaval e depois Páscoa. Antes do domingo dos coelhos de chocolate tem o domingo de ramos que nos velhos tempos enchia as igrejas de velhinhas felizes portando ramos de palmas. Nas casas cristãs era costume queimar palmas bentas em dia de tempestade.

Proteção divina, pára-ráios celestes com a chancela do Vaticano.

Nem todos acreditavam, uma vizinha que lia o Tesouro da Juventude tinha outra estratégia. Sabendo do poder isolante da borracha calçava galochas e ficava deitada de costas com os pés para cima. Nunca foi atingida.

As palmas também funcionavam perfeitamente, só uma vez caiu um raio na fábrica de chocolate do seu Augusto. Ouvi minha mãe comentar sobre ele e dona Vitória costureira. Certos pecados anulam a proteção.

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Deu em O Globo



Parcerias estratégicas

De Merval Pereira (original aqui)
A disparidade de preços do Rafale francês em licitações em andamento em países como a Índia e os Emirados Árabes está introduzindo uma nova variável na concorrência brasileira para a compra dos caças da FAB, que já estava na berlinda diante da informação de que a Aeronáutica prefere o avião sueco Gripen, por ser o mais barato de todos.


A explicação oficial de que a compra brasileira seria decidida não por critérios de preço, mas sim por adequação a uma estratégia de política externa brasileira, fica abalada pela diferença de preços oferecido pela França ao Brasil e aos outros países.

A Índia está comprando nada menos que 126 aviões pelos mesmos US$ 10 bilhões que o Brasil está pagando por 36, sendo que desses 108 serão produzidos na Hindustan Aeronautics no próprio país, com programa de transferência de tecnologia até onde se sabe igual ao prometido ao Brasil.

Os Emirados Árabes, por sua vez, estão comprando 60 jatos Rafale, num negócio estimado entre US$ 8 a US$ 11 bilhões.

A prevalecer essa diferença de preços, estaríamos diante de um "parceiro estratégico" que se aproveita de nosso interesse para cobrar mais caro pela parceria.

O governo brasileiro, que já deixou claro, através do próprio presidente Lula, sua inclinação para comprar os jatos da empresa Dassault, resolveu fazer uma consulta formal à França para saber quais são as diferenças entre o pacote brasileiro e os outros que justificariam preços tão desiguais.

A única explicação seria o pacote tecnológico, mas as primeiras informações são de que a Índia também terá um programa de transferência de tecnologia.

Para complicar o jogo, que já parecia definido, a Boeing está oferecendo para a Embraer a participação no programa de desenvolvimento do avião, chamado de Global Super Hornet, o que significa uma mudança de atitude inédita no governo americano em matéria de transferência de tecnologia.

Também o Congresso americano, que tem que aprovar os programas de transferência de tecnologia, deu a autorização prévia em setembro.

Nota do Editor - Um argumento para a escolha dos caças franceses, em oposição aos americanos, é a possibilidade de não haver assistência em caso de conflito que envolva interesses do "Império". É uma possibilidade real, mas existe também se a transação for efetivada com a França. Na "Guerra das Malvinas" os argentinos ficaram literalmente a ver navios com os mísseis Exocet e os aviões Super Étendard. Tiveram de se virar. Na cantada e proclamada transferência de tecnologia há inverdades no ar. Os aviões em licitação são coisa do passado, a tecnologia a ser transferida é obsoleta. Parece que a lição nunca será assimilada: tecnologia de ponta não se transfere, muito menos a militar, assim como não existe banqueiro generoso. Quem diz o contrário está mal informado. Ou mentindo. (Sidney Borges)

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Moda e Ditadura

Por peitos e bundas na São Paulo Fashion Week

Uma blogueira feminista defendendo mais bunda e mais peito? Que ironia!

Maíra Kubík Mano no blog Viva Mulher (original aqui)
Em tempos de discussões inflamadas sobre direitos humanos, não é só o autoritarismo da ditadura militar brasileira que deveria entrar em pauta. Exemplos de violação não faltam nos dias atuais: tráfico de seres humanos, trabalho escravo no campo, extermínios comandados pela PM do Rio de Janeiro e... – por que não? – a São Paulo Fashion Week.

Afinal, as modelos da edição 2010 estão absolutamente esqueléticas. Magras de doer. Só o osso, como se diz por aí.

Mas esse tempo já não tinha passado?

Bem, é verdade que há três ou quatro anos um movimento contra a anorexia e a bulimia ganhou as passarelas de todo o mundo e, de fato, conseguiu reverter essa tendência nada fashion de mulheres cadavéricas. Porém, segundo as agências, isso já é muito “last season”, démodé. De volta, então, ao cemitério!

Se havia alguma preocupação, tanto com a saúde física e psíquica das modelos, quanto com o ideal de beleza que os desfiles passavam para a sociedade, isso durou pouco. Antes, ouvia-se dizer que algumas grifes mantinham balanças nos bastidores e pesavam todos e todas um pouco antes dos holofotes, para evitar que pessoas magras demais entrassem na passarela. Hoje, porém, não há nem sinal disso. “Culpa da semana de moda de Paris”, dizem.

O resultado, já conhecemos: quem entra num manequim 36 é considerada muito “acima” da média. E, assim, ficamos sabendo que existem profissionais com um Índice de Massa Corpórea (IMC) semelhante ao de crianças de nove ou dez anos.

Sim, eu sei, a maioria delas mal saiu da infância. Pior ainda, pois além de não ter muita experiência para discernir o que é a importância do sucesso profissional versus a manutenção da saúde, estão em fase de crescimento, o que significa deveriam estar comendo ao invés de vomitando.

O editor de moda do jornal Folha de S. Paulo, Alcino Leite Neto publicou hoje, junto com a jornalista Vivian Whiteman, um artigo corajoso, denunciando a falsidade de opiniões em torno da questão: “uma rede de hipocrisia se espalhou há anos na moda, girando viciosamente, sem parar: os agentes de modelos dizem que os estilistas preferem as moças mais magras, ao passo que os estilistas justificam que as agências só dispõem de meninas esqueléticas. Em uníssono, afirmam que eles estão apenas seguindo os parâmetros de beleza determinados pelo “mercado” internacional – indo todos se deitar, aliviados e sem culpa, com os dividendos debaixo do travesseiro”. Faço minhas as palavras dele, que conclui o texto dizendo: “o filósofo italiano Giorgio Agamben escreveu que as modelos são ‘as vítimas de um deus sem rosto’. É hora de interromper esse ritual sinistro. É hora de parar com essas mistificações da moda, que prega futuros ecológicos, convivências fraternais e fantasias de glamour, enquanto exibe nas passarelas verdadeiros flagelos humanos”.

Nota do Editor - Publiquei o texto acima, oportuno, por ter sentido verdadeira compaixão ao ver numa noite dessas um trecho de desfile. Roupas vistosas e extravagantes que a gente nunca encontra nas ruas. As modelos me fizeram recordar imagens de campos de concentração. Perninhas finas, quebradiças, quase de cristal. Mudei de canal. Melhor ver documentário de besouro. (Sidney Borges)

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Opinião

O Bonaparte ausente

Demétrio Magnoli
O "conservadorismo popular" elegeu Fernando Collor em 1989 e derrotou Lula por duas vezes, seguindo o projeto de estabilização econômica de FHC expresso no Plano Real. O lulismo nasceu do encontro entre o "conservadorismo popular" e a figura política na qual os pobres projetam a sua própria imagem. Mas tal encontro derivou da orientação política imprimida por Lula a seu governo. Na Presidência, o ex-metalúrgico promoveu a redução das desigualdades sociais dentro da ordem, capturando o eleitorado mais pobre, que é conservador. O lulismo configurou-se nesse movimento, afastando-se das águas do petismo e articulando, desde o alto, uma representação política para as camadas profundas da sociedade brasileira. O diagnóstico está num artigo do cientista político André Singer, ex-porta-voz de Lula (Raízes sociais e ideológicas do lulismo, revista Novos Estudos, Cebrap, novembro 2009).


Singer explica que o realinhamento não ocorreu antes, mas depois do primeiro triunfo de Lula. O ano fora da curva é 2002, quando o líder do PT venceu apoiando-se no seu eleitorado tradicional, concentrado nas camadas urbanas médias do Centro-Sul e aproveitando-se da insatisfação generalizada com o segundo mandato de FHC, que dispersou o voto dos mais pobres. Já em 2006, triunfou nos braços de um novo eleitorado, concentrado nas regiões mais pobres e conquistado pelos aumentos do salário mínimo, pela expansão do crédito popular e pelo Bolsa-Família. Sob o impacto do escândalo do "mensalão", que alienou parcela significativa do eleitorado de maior escolaridade, acentuou-se a substituição de uma base de apoio pela outra. Ao mesmo tempo, ampliou-se a liberdade de ação do presidente ante seu partido.

O lulismo emergiu de um deslocamento político estrutural que afastou Lula do PT. A Carta ao Povo Brasileiro, de 2002, e sua materialização na forma da continuidade da política macroeconômica de FHC delinearam um programa de manutenção da ordem incompatível com as proclamações petistas. Singer não o diz, mas sobre essa plataforma o lulismo associou-se aos interesses das altas finanças e do grande empresariado, funcionando como ponte entre o estreito vértice e a ampla base da pirâmide social brasileira.

Na linguagem de inspiração marxista utilizada por Singer, Lula realizou "um completo programa de classe" - mas o do "subproletariado", não o da "classe trabalhadora organizada". A conclusão, uma óbvia impropriedade, sustenta-se apenas na fantasia ideológica segundo a qual Lula "constituiu" o subproletariado "como ator político". Contudo, diante das primeiras eleições sem a presença de Lula desde o fim da ditadura, mais útil que criticá-la é indagar sobre o significado da incongruência entre lulismo e petismo.

O artigo de Singer quase não toca no petismo. Mas o lulismo está irremediavelmente conectado ao petismo, pois Lula não conseguiu levar adiante seu acalentado projeto de erguer um partido "lulista". O presidente não dispõe de outra máquina partidária senão a do PT, o que tem consequências.

O PT nasceu como coalizão nucleada por um tripé de sindicalistas emergentes, correntes esquerdistas influenciadas pelo castrismo e militantes católicos da "Igreja da libertação". A ampla coalizão agregava ainda social-democratas, trotskistas, ecologistas e libertários, que juntos conferiam plasticidade ao discurso petista, evitando a identificação do partido com a velha esquerda da guerra fria. Entretanto, a diversidade ideológica perdeu-se ao longo do tempo, enquanto se coagulava um aparelho partidário controlado pela nova elite sindical e por cliques de dirigentes stalinistas, ao redor do qual orbitam movimentos sociais dependentes do financiamento estatal. Há menos de duas décadas, em editorial, a revista teórica do PT condenou implacavelmente a ditadura castrista. Hoje, algo assim seria impensável.

A mudança teve repercussões paradoxais. Numa ponta, o PT que disputou as eleições de 2006 já perdera o apoio das camadas médias do Centro-Sul e de parte significativa da classe trabalhadora organizada, convertendo-se num caudatário eleitoral do lulismo. Na outra, o discurso petista deslizou rumo aos anacronismos da velha esquerda e às reivindicações segmentárias da miríade de movimentos abrigados sob o guarda-chuva do partido. A dupla tendência gerou um curioso sistema de intercâmbio entre o lulismo e o petismo.

Lula faz o que quer no campo da política econômica e das políticas sociais, ignorando olimpicamente o PT, que já renunciou até mesmo a espernear contra a ortodoxia do Banco Central. O presidente, contudo, oferece compensações ao partido, especialmente sob a forma da consagração oficial de plataformas formuladas por conferências de movimentos sociais patrocinadas pelo governo. O plano de direitos humanos constitui ilustração exemplar da dinâmica desse intercâmbio. Lula tem escasso interesse em levar adiante as iniciativas autoritárias previstas no documento, mas a proclamação do compromisso governamental com elas funciona como um troféu simbólico para o petismo.

Segundo Singer, "diante da dificuldade de ganhar eleições presidenciais só com a classe média, os oposicionistas não sabem para onde ir". A profecia do triunfo de Dilma Rousseff sobre José Serra foge ao campo das ciências sociais, inscrevendo-se na esfera dos desejos do analista. Mas, nessa hipótese, sob o influxo do lulismo chegará ao Planalto uma sucessora que, não sendo Lula, carece da relação especial estabelecida por ele com os mais pobres - e também, portanto, da "autonomia bonapartista" conquistada pelo presidente ante o petismo.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Brasil vai dobrar tropas para o Haiti"

Mais 1.300 militares ficarão disponíveis; novo tremor no país, de 6,1 graus, assusta haitianos, mas não faz vítimas

O Brasil vai dobrar o efetivo de militares disponíveis para servir no Haiti, de 1.300 para 2.600. Atendendo à ONU, o governo planejou inicialmente enviar 900 voluntários do Exército e da Marinha que já estiveram no país; depois, o Ministério da Defesa decidiu manter no Brasil uma reserva de 400 militares que poderão ser deslocados a qualquer momento. Não há previsão para o início do reforço de tropas, que deverá ser autorizado pelo Congresso na segunda. O corpo do major Márcio Martins, 36, último militar do país que ainda estava desaparecido, foi achado, o que eleva para 21 o total de brasileiros mortos no tremor.

O Estado de São Paulo
"Brasil tem déficit externo recorde"

Em dezembro, saldo ficou negativo em US$ 5,94 bilhões, pior resultado mensal desde 1947

Com um forte aumento nas remessas de lucros e dividendos pelas empresas estrangeiras, as contas externas do Brasil tiveram em dezembro de 2009 um déficit de US$ 5,94 bilhões, o pior resultado mensal da série histórica do Banco Central iniciada em 1947. O aumento dos ganhos fez as remessas das empresas somarem US$ 5,32 bilhões, valor também recorde. Em todo o ano passado, as transações correntes ficaram negativas em US$ 24,34 bilhões, mas entraram US$ 25,94 bilhões em investimentos. Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, “não há razão para preocupação”. Em 2010, o Banco Central espera saldo corrente negativo de US$ 40 bilhões e ingresso de US$ 45 bilhões. O mercado é menos otimista: prevê que faltarão US$ 8,5 bilhões para fechar a conta este ano.

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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Estranhices voadoras

Os monstros do Mar Cáspio

Cultura Aeronáutica (original aqui)
Os projetistas aeronáuticos russos sempre se destacaram pela criatividade, e criaram máquinas excepcionais, utilizando soluções que pareceriam impossíveis na prática para os projetistas ocidentais.

Um dos conceitos mais bizarros já criados pelos russos foi o ekranoplano: consistia de uma aeronave (alguns diriam embarcação...) que voava através do efeito solo, a pouca distância da superfície. O conceito em si já era conhecido em teoria, mas os russos o levaram às últimas consequências.

Na década de 1950, o engenheiro russo Alexeyev Evgenievich Rostislav projetou uma máquina que tinha asas bem curtas, que possibilitavam o voo, a uma altura muito baixa, entre 30 cm a 3 metros, no máximo, aproveitando o efeito solo, que cria um verdadeiro "colchão de ar" entre as asas e a superfície. Sua função era voar rente a uma superfície plana (geralmente água), a alta velocidade, tornando muito dificil sua detecção por radar. Vários tipos de missão militar foram imaginados para esses aparelhos, desde transporte rápido de tropas até ataque de mísseis. Sua designação - ecranoplano (em russo: экраноплан) deriva da expressão russa para efeito solo (экранный эффект).


As máquinas criadas foram impressionantes, e causaram espanto quando foram descobertas pelo Ocidente. Os satélites americanos detectaram uma dessas aeronaves no Mar Cáspio, em 1971, e os analistas militares do Pentágono não souberam classificar aquela coisa. Era algo diferente de qualquer coisa que já tinham imaginado. Deram-lhe então o nome de "Caspian Sea Monster", o Monstro do Mar Cáspio.

Efetivamente, o Monstro do Mar Cáspio, o ekranoplano KM, construído em 1966, era realmente um monstro: tinha 100 metros de comprimento, 540 toneladas de peso máximo operacional, e 10 motores turbojato. Era gigantesco, 30 metros mais comprido e 170 toneladas mais pesado que um Boeing 747, que nessa época era pouco mais que um rascunho de projeto. Seu "nível" de vôo era 30 cm (1 pé) AGL, e seu teto operacional era 3 metros (10 pés). Podia levar 900 passageiros militares a 500 Km/h. Somente um exemplar do KM foi construído, e o mesmo acidentou-se quando foi atingido por uma forte rajada de vento, desestabilizando-o. O piloto, desobedecendo o manual, ao invés de descer, subiu, fazendo a aeronave estolar e precipitar-se no mar.


Outra máquina, o A-90 Orlyonok, destinado ao transporte e desembarque de tropas e veículos blindados, com 140 toneladas de peso máximo e autonomia de 2.000 quilômetros, voava a dois metros acima da superfície aquática numa velocidade de até 400Km/h. Foram construídas quatro unidades deste modelo. algumas das quais ainda devem existir. Tinha 58 metros de comprimento. Suas asas, melhor elaboradas, davam um teto operacional de 300 metros à aeronave. Sua designação (Орлёнок) significa "Pequena Águia". Seu último voo conhecido ocorreu em 1993.


Outro modelo foi o Lun (Лунь), cujo nome significa "pombo". Desenvolvido inicialmente como transporte, foi adaptado como lançador de mísseis, podendo carregar misseis nucleares. Um único exemplar dessa aeronave de 76 metros foi construído. Sua velocidade máxima dera de 500 Km/h. O Lun ainda está na sua base em Kaspiysk, e pode ser visto no Google Earth, nas coordenadas geográficas 42º 52' 55" N - 047º 39' 24" E.


Por fim, o projetista Robert Ludvigovich Bartini construiu, em 1973, uma aeronave, denominada Bartini-Beriev VVA-14. Sua função era interceptar submarinos nucleares, especificamente os transportadores de mísseis estratégicos nucleares Polaris (os submarinos do fim do mundo). O único exemplar construído foi preservado no Museu de Monino, em Moscou, onde pode ser visitado, sem asas e sem motores.


Os ekranoplanos tinham alguns problemas graves, como baixa manobrabilidade e instabilidade de voo. Tais problemas poderiam ser resolvidos com tempo (e dinheiro), mas a Rússia, após o fim da União Soviética, entrou em uma grave crise econômica e todos os desenvolvimentos posteriores acabaram cancelados. Os ekranoplanos russos passaram então à História.

Vejam no link um vídeo de 11 minutos, em russo, sobre os ekranoplanos soviéticos: http://www.youtube.com/watch?v=GNudO_hE05Q

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Coca-Cola nem pensar...

Casal anticonsumista vive sem geladeira e TV em SP

MAURÍCIO KANNO colaboração para a Folha Online
Você acha que seria possível viver sem geladeira? E sem televisão? O casal Juliana Morari, 26, e Lúcio Tamino, 27, vive assim. E muito bem, pelo que dizem. Há dois anos, mudaram-se de uma região mais urbana da metrópole de São Paulo para a serra da Cantareira, nos limites do município, onde consomem "somente o necessário".


"Já que procuro sempre comer frutas e legumes frescos e não consumo nada derivado de animais, que estraga fora da geladeira, não preciso dela", explica Juliana, que se identifica como pesquisadora de dança. Ela planeja no máximo experimentar um sistema africano de refrigeração com vasos de cerâmica.
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Nota do Editor - Casal simpático, ele artista plástico, ela pesquisadora de dança. Me fez lembrar da música: "meu pai era surfista profissional, minha mãe fazia mapa astral, que legal". Gostei do sistema africano de refrigeração com vasos de cerâmica. Waal! E eu gastando dinheiro com geladeira, televisão e automóvel. Vou comprar o livro do guru indiano Maharavi Sakea que ensina a levitar em 20 lições. Depois entro em alfa, subo e viajo ao sabor dos ventos, sem gastar dinheiro com gasolina e derivados de petróleo. Viver é aprender. (Sidney Borges)

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