Opinião
Mais recursos para a educação básica
Paulo Renato Souza
Quantidade sem qualidade. Esse foi o título de uma apresentação para resumir a situação da educação na América Latina feita por uma entidade internacional especializada, em conferência realizada em 2006 na Bahia. Infelizmente o título continua atual e também descreve perfeitamente a situação brasileira. Nossas crianças, especialmente as de 7 a 14 anos de idade, estão freqüentando a escola, mas aprendem pouco, o que é aferido pelo sistema brasileiro de avaliação educacional e por iniciativas internacionais. Como romper essa inércia? A meu ver a resposta está numa combinação de dois elementos, fáceis de enunciar e difíceis de pôr em prática: mais recursos e novos métodos de gestão da educação pública.Sem nenhuma dúvida, para melhorar a qualidade da educação em nosso país será preciso investir substancialmente mais recursos na educação básica do que fazemos. Nossos professores precisam ser mais bem preparados e remunerados, nossas escolas melhor equipadas e geridas, os materiais didáticos - tradicionais e modernos - de melhor qualidade e precisamos ampliar significativamente o número de horas que nossos alunos passam na escola diariamente. Isso tudo num sistema que já conta com cerca de 55 milhões de alunos e mais de 2,5 milhões de professores.
O investimento brasileiro em educação em termos globais não é pequeno. De acordo com as últimas estimativas disponíveis, investimos em educação 5,2% do Produto Interno Bruto, sendo 4,1% o correspondente ao investimento do setor público. Essas cifras são semelhantes às de países como Estado Unidos ou Inglaterra e maiores do que as da Argentina ou Chile. Entretanto, em relação apenas ao ensino básico a comparação se torna muito desfavorável. Nosso gasto por estudante é dez vezes menor do que nos Estados Unidos e sete vezes menor do que na Inglaterra. Se acrescentarmos na análise a estrutura por idade de nossa população, concluiremos que o esforço que deveremos fazer para aumentar os investimentos por estudante no ensino básico deve ser gigantesco em relação ao dos demais países. De fato, possuímos mais de 30% da população na faixa dos 5 a 19 anos de idade, ante cifras no entorno dos 20% nos países mais desenvolvidos.
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Paulo Renato Souza
Quantidade sem qualidade. Esse foi o título de uma apresentação para resumir a situação da educação na América Latina feita por uma entidade internacional especializada, em conferência realizada em 2006 na Bahia. Infelizmente o título continua atual e também descreve perfeitamente a situação brasileira. Nossas crianças, especialmente as de 7 a 14 anos de idade, estão freqüentando a escola, mas aprendem pouco, o que é aferido pelo sistema brasileiro de avaliação educacional e por iniciativas internacionais. Como romper essa inércia? A meu ver a resposta está numa combinação de dois elementos, fáceis de enunciar e difíceis de pôr em prática: mais recursos e novos métodos de gestão da educação pública.Sem nenhuma dúvida, para melhorar a qualidade da educação em nosso país será preciso investir substancialmente mais recursos na educação básica do que fazemos. Nossos professores precisam ser mais bem preparados e remunerados, nossas escolas melhor equipadas e geridas, os materiais didáticos - tradicionais e modernos - de melhor qualidade e precisamos ampliar significativamente o número de horas que nossos alunos passam na escola diariamente. Isso tudo num sistema que já conta com cerca de 55 milhões de alunos e mais de 2,5 milhões de professores.
O investimento brasileiro em educação em termos globais não é pequeno. De acordo com as últimas estimativas disponíveis, investimos em educação 5,2% do Produto Interno Bruto, sendo 4,1% o correspondente ao investimento do setor público. Essas cifras são semelhantes às de países como Estado Unidos ou Inglaterra e maiores do que as da Argentina ou Chile. Entretanto, em relação apenas ao ensino básico a comparação se torna muito desfavorável. Nosso gasto por estudante é dez vezes menor do que nos Estados Unidos e sete vezes menor do que na Inglaterra. Se acrescentarmos na análise a estrutura por idade de nossa população, concluiremos que o esforço que deveremos fazer para aumentar os investimentos por estudante no ensino básico deve ser gigantesco em relação ao dos demais países. De fato, possuímos mais de 30% da população na faixa dos 5 a 19 anos de idade, ante cifras no entorno dos 20% nos países mais desenvolvidos.
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