Quadrilha

'Fiz uma espécie de desconstrução da denúncia'

Relator do caso do mensalão no STF diz que julgamento esbarrou no mérito e pode apressar um pouco o processo

Leonencio Nossa
Uma história simples e bem montada conquista o leitor. O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela que optou por essa máxima ao resumir as 14 mil páginas do processo do mensalão num enredo com início leve e explicações no meio para garantir um final compreensível. Em entrevista ao Estado, o relator do caso observa que o clímax no julgamento da denúncia era o trecho sobre os negócios do 'núcleo político-partidário' do esquema, supostamente chefiado pelo deputado cassado José Dirceu (PT-SP). 'Costurei uma historinha', resume. 'Quando cheguei à quadrilha, tudo já estava muito claro.'Num gabinete funcional com poucos objetos, sem sofisticação, Barbosa relata que, no julgamento histórico, só estava preocupado em se colocar na situação de quem iria ouvi-lo. A estratégia deu certo. Por maioria absoluta, o plenário decidiu mandar para o banco dos réus todos os 40 acusados pelo Ministério Público.

'As pessoas, nas ruas, compreenderam', afirma o ministro. A atuação de Barbosa à frente do caso foi elogiada pelos ministros veteranos do Supremo, Celso de Mello e Marco Aurélio, e surpreendeu grandes nomes da advocacia, contratados pelos denunciados.
O ministro comenta, também, que em um caso tão complexo não há como não esbarrar no mérito. 'É quase impossível, num julgamento como esse, com voto tão longo, você não tangenciar, ainda que levemente, o mérito', observou.Barbosa recebeu o Estado sentenciando: 'Não me venha com perfil, estou cansado de perfil.'
Também exigiu o cumprimento do trato de que não comentaria as frases infelizes dos colegas de Supremo publicadas nos últimos dias. A seguir, a entrevista:
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