Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 03 / 2009

Folha de São Paulo
"Valério negocia delação premiada"

Por novas provas, procuradoria discute com advogados acordo que beneficia nome central do mensalão

O Ministério Público Federal e advogados de Marcos Valério de Souza negociam acordo de delação premiada que pode levar a novas provas do mensalão, informa Frederico Vasconcelos.

Os entendimentos são mantidos sob sigilo. A delação premiada é um trato entre a acusação e a defesa que permite a redução ou isenção da pena em troca de novas informações.

O publicitário Marcos Valério de Souza foi personagem central no esquema descoberto em 2005, de pagamentos a deputados do PT e de partidos da base aliada do governo Lula.

É acusado, também, de ter sido o mentor de práticas semelhantes em 1998, na campanha eleitoral que tentou reeleger o então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB).

A Procuradoria acredita que poderia reunir provas substanciais, ampliando, inclusive, o rol de acusados. Outra hipótese seria recuperar recursos no exterior desviados pelo publicitário.

Como tramita ação penal contra 39 réus do caso, cabe ao relator Joaquim Barbosa decidir sobre a delação premiada, que terá ainda de ser aprovada pelos outros ministros do Supremo.

O Globo
"Senado cortará novos diretores mas vai rever as demissões"

Lista inclui funcionários sem concurso e Casa já planeja recriar chefias

Ainda sob o efeito da avalanche de denúncias, o Senado está preparando para esta semana uma nova lista de diretorias que deverão ser extintas. Desta vez o alvo serão os funcionários comissionados, admitidos sem concurso. Mas, ao mesmo tempo, já planeja maneira de compensar a extinção dos 50 cargos anunciados na semana passada. A ideia é recriar algumas chefias, com gratificações menores para servidores que tiveram as diretorias extintas, mas que coordenam equipes.

O Estado de São Paulo
"Obama muda discurso e vê recuperação mais rápida"

Presidente diz que EUA aprenderam com a Grande Depressão, mas pede cautela

O presidente de EUA, Barack Obama, deixou de lado a cautela demonstrada desde a posse e afirmou que já há “luzes de esperança” em relação à crise financeira. Segundo ele, a recuperação econômica do país poderá ocorrer em prazo menor do que em outras fases turbulentas. Horas antes, a presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Christina Romer, seguiu a mesma linha otimista e afirmou que a economia dos EUA terá sinais de recuperação até o fim do ano. “A expectativa é que chegaremos ao fundo do poço neste ano e, até o fim de 2009, teremos começado a crescer de novo”, disse Romer. Obama advertiu, porém, que haverá colapsos financeiros em cadeia se outra grande instituição quebrar. “Há riscos sistêmicos. Se não fizermos nada, podemos ter grandes problemas”, afirmou. Mas o presidente americano se disse confiante de que isso não irá ocorrer, porque os EUA “aprenderam as lições da Grande Depressão”, nos anos 30. Amanhã, o Tesouro deverá anunciar seu plano contra os ativos tóxicos dos bancos, para que as instituições possam voltar a emprestar. Além disso, o governo prepara revisão de longo prazo do sistema financeiro.

Valor Econômico
"Petrobras renegocia obras para cortar custos em 30%"

A Petrobras vai usar toda sua artilharia para cortar em pelo menos 40% os custos dos produtos e serviços que lhe são fornecidos. Ela começou a chamar fornecedores para renegociar os contratos mais recentes e cancelou licitações ainda em curso na expectativa de reduzir o custo final dos projetos. A estatal tem um programa de investimentos de US$ 174 bilhões até 2013 e tornou-se um dos principais instrumentos do governo para evitar que o país caia em recessão.

A empresa já tem o aval do conselho de administração, ou seja, do governo, para sua decisão, que implica o atraso de projetos importantes. A refinaria Abreu Lima, já em obras em Pernambuco, deveria entrar em operação em setembro de 2010, um mês antes da eleição presidencial. Mas agora não será inaugurada antes do primeiro trimestre de 2011.

“Não queremos atrasar nenhum projeto, mas não iremos fazê-los a qualquer custo para não atrasar”, disse o diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. No mercado, essa estratégia de renegociar cada contrato está sendo interpretada como uma espécie de “adiamento branco” de obras, à espera de melhores condições de demanda, preços e crédito.

Na área comandada por Costa, a Petrobras já canelou duas grandes seções da refinaria Abreu Lima que estavam licitadas, além de vários pacotes de menor porte, todos por estar com preços considerados “inaceitáveis”. Outros cinco pacotes, no valor de US$ 2,9 bilhões, foram contratados na semana passada.

Na área de exploração e produção, além dos já anunciados cancelamentos das licitações das plataformas P-61 e P-63, a Petrobras está revendo outras encomendas. No fim de janeiro foi adiada pela quinta vez a definição de cinco pacotes envolvendo a compra de 306 “árvores de natal molhadas” – conjunto de válvulas que pode custar mais de US$ 3 milhões por unidade.

Costa informa que a Petrobras está pedindo reduções de preços “de 30% para cima”. A pressão da estatal é justificada pela queda abrupta nos preços do petróleo, que saíram da casa dos US$ 120 por barril para US$ 50. A receita das empresas do setor desabaram e vários projetos no mundo entraram em reavaliação, com reflexos na demanda por equipamentos.

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