Esquerda
Companheiros incorrigíveis
Demétrio Magnoli no Estadão
Lula, o PT e as Farc estão ligados por uma rede política que é o Foro de São Paulo. Essas divergências, que vieram à luz no rastro da crise triangular Colômbia-Venezuela-Equador, traduzem a tensão dilacerante que pulsa nas esquerdas latino-americanas. É um exercício de futilidade interpretá-las como jogo de cena.
Datas têm significado. O Foro de São Paulo nasceu em 1990, articulado por Lula e Fidel Castro, como instrumento de reposicionamentos estratégicos no pós-Guerra Fria. Para o ditador cubano, a rede latino-americana de organizações de esquerda devia funcionar como uma trincheira de defesa de seu regime no ciclo ameaçador aberto pelo colapso da URSS. Para o líder petista e eterno aspirante à presidência, ela representaria uma moldura de projeção de sua influência regional e uma alternativa a sua incorporação subordinada no espaço político eurocêntrico da Internacional Socialista.
O Foro abriga 75 organizações, entre as quais alguns partidos que ocupam posições destacadas no mapa político de seus países, como o PT, a Frente Sandinista nicaragüense, a Frente Ampla uruguaia, o PS chileno, o MAS boliviano, o PRD mexicano e o PSUV de Hugo Chávez. As Farc participaram da fundação da rede. O deputado José Eduardo Cardozo, atual secretário-geral do PT, mentiu aos espectadores do programa Roda Viva, da TV Cultura, de 10 de março, ao afirmar que as Farc não fazem parte do Foro. A mentira, porém, cumpre o desígnio político de veicular um desejo: as Farc nunca foram excluídas do Foro, mas não receberam convite para seus encontros recentes. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)
Demétrio Magnoli no Estadão
Lula, o PT e as Farc estão ligados por uma rede política que é o Foro de São Paulo. Essas divergências, que vieram à luz no rastro da crise triangular Colômbia-Venezuela-Equador, traduzem a tensão dilacerante que pulsa nas esquerdas latino-americanas. É um exercício de futilidade interpretá-las como jogo de cena.
Datas têm significado. O Foro de São Paulo nasceu em 1990, articulado por Lula e Fidel Castro, como instrumento de reposicionamentos estratégicos no pós-Guerra Fria. Para o ditador cubano, a rede latino-americana de organizações de esquerda devia funcionar como uma trincheira de defesa de seu regime no ciclo ameaçador aberto pelo colapso da URSS. Para o líder petista e eterno aspirante à presidência, ela representaria uma moldura de projeção de sua influência regional e uma alternativa a sua incorporação subordinada no espaço político eurocêntrico da Internacional Socialista.
O Foro abriga 75 organizações, entre as quais alguns partidos que ocupam posições destacadas no mapa político de seus países, como o PT, a Frente Sandinista nicaragüense, a Frente Ampla uruguaia, o PS chileno, o MAS boliviano, o PRD mexicano e o PSUV de Hugo Chávez. As Farc participaram da fundação da rede. O deputado José Eduardo Cardozo, atual secretário-geral do PT, mentiu aos espectadores do programa Roda Viva, da TV Cultura, de 10 de março, ao afirmar que as Farc não fazem parte do Foro. A mentira, porém, cumpre o desígnio político de veicular um desejo: as Farc nunca foram excluídas do Foro, mas não receberam convite para seus encontros recentes. (Do Blog de Reinaldo Azevedo)
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