quarta-feira, dezembro 31, 2008

Falecimento

Nota de pesar

Ahmad K. Barakat
É com grande consternação que a Associação Comercial de Ubatuba recebeu a notícia do falecimento da Sra. Ana Campi.

A ACIU presta suas condolências aos familiares e amigos dessa ilustre pessoa que nos deixou um belíssimo exemplo de dedicação a família e aos amigos.

Compartilhamos este momento de dor que todos os familiares e amigos estão sentindo, particularmente nosso amigo Emílio Campi e seus filhos.

Cordialmente
Ahmad K. Barakat
Presidente Associação Comercial de Ubatuba
www.aciubatuba.com.br

31 de dezembro

Reflexões reflexivas

Sidney Borges
Um vizinho da casa de meus pais enfartou e teve sorte. Foi dos primeiros no Brasil a receber ponte de safena, técnica ainda experimental. Ficou mais de um mês no balão de oxigênio, antigamente não tinha UTI. Saiu novinho em folha, um verdadeiro milagre, os dedicados médicos do HC salvaram a sua vida. O nome dele era Lourenço, trabalhava como fiscal da Receita Federal e viajava semanalmente ao Rio de Janeiro. Tendo sobrevivido ao enfarte, jurou que não morreria em acidente aeronáutico. Por precavida precaução viajava de Cometa leito, embora tivesse direito a Ponte-aérea. Numa tarde chuvosa teve a visão atrapalhada pelo guarda-chuva e foi atropelado pelo "Estações", em frente à rodoviária do Frias. Dessa vez não houve milagre. Lourenço jaz na campa da família no Quarta-Parada. O cinema e a televisão copiaram a literatura romântica. Criaram salvadores de vidas, médicos abnegados, bombeiros corajosos, heróis de guerra. Bulshit. Na vida real alguns de fato fazem bem o seu trabalho, mas a verdade é que ninguém salva ninguém. Quando o filme termina a vida continua e a morte é certa como os impostos. Por mais que eu tente entender o universo não me dou bem com a idéia da morte. Se um dia eu encontrasse Deus, daria bom dia e faria uma única pergunta:
- Se foi para desfazer por que é que fez?

Luto

Nota de falecimento

Sidney Borges
O Ubatuba Víbora lamenta informar o falecimento, em Caraguatatuba, da senhora Ana Campi, esposa de Emílio Campi, fotógrafo, documentarista e editor do Litoral Virtual.
Ao Emílio, companheiro de tantas jornadas, e a seus filhos, nossa solidariedade nesse momento difícil.

Clique sobre a imagem e saiba mais

Ubatuba

Agradecimentos

Corsino Aliste Mezquita
O devir histórico criou calendários, festas e momentos, como pontos de referência e memória, daquilo que a maior parte dos seres humanos, de uma determinada cultura, consideraram como ponto de partida e filosofia de vida digna de imitação e perpetuação.

O nascimento de Cristo, pobre, na cidade de BELÉM DE JUDÁ, passou a ser o marco histórico da civilização ocidental. A mensagem de: “Gloria a Deus nas alturas e paz aos homens por ELE amados” impregnou o desenrolar da história ocidental nos dois últimos milênios. Essa mensagem de harmonia, paz, amor, integração, concórdia, solidariedade e respeito aos seres humanos continua dominando as manifestações religiosas, culturais e artísticas de crentes e não crentes. Pena que nem sempre exista profundeza, na compreensão desses valores, e sejam confundidos com fundamentalismos e exclusivismos que, em absoluto, existem nas mensagens originais.

Imbuído por esse espírito natalino e com o maior respeito à pluralidade e diversidade cultural e de crenças existente, na nossa sociedade, desejo, a todos, felicidade, saúde, paz e prosperidade neste último dia do ano de 2008 e que, a mudança da contagem do tempo, venha acompanhada de alegrias e felicidade em 2009.

Agradeço aos leitores que acompanharam minhas manifestações na imprensa virtual e me honraram com elogios e críticas e, de modo muito especial, aos Senhores: Luiz Roberto de Moura, Sidney Borges e Emílio Campi que, generosamente, publicaram todos os artigos em: O Guaruçá, Ubatuba Víbora e Litoral Virtual. A ELES dedico uma homenagem especial pela abertura democrática e corajosa de seus bloogs às manifestações da população. Ubatuba agradece essa abertura. FELIZ ANO NOVO.

Ubatuba, 31 de dezembro de 2008.
Corsino Aliste Mezquita

Brasil

Gigolô da ignorância alheia

Ricardo Noblat
Lula escolheu para fechar o ano a sua máscara preferida: a de vítima.
Voltou a repetir no Recife, durante a inauguração, ontem, de um parque, que seus críticos torcem para a crise financeira "arrebentar o Brasil". Só assim ele perderia popularidade.
- Tem gente torcendo para a crise arrebentar o Brasil. Tem gente dizendo: "Ah, agora a crise vai pegar o Lula. Agora é que nós vamos ver. Queremos ver se ele vai continuar bom na pesquisa. Queremos ver porque agora ele vai se lascar. É assim que falam.
Os empresários torcem para que a crise arrebente o Brasil - e por extensão os seus negócios? Não são suicidas.
Boa parte dos políticos de oposição é formada por empresários. A parte que não é quer sobreviver como todo mundo. Torce contra a crise e não a favor dela.
A mídia torce pela crise? Ela já está sendo vítima dela. Caiu o volume de anúncios em todos os meios de comunicação. Alguns jornais começaram a demitir.
Jornalista torce pela crise? Para quê? Para perder o emprego?
Interessa aos governadores José Serra e Aécio Neves, ambos aspirantes à vaga de Lula, que a crise desacelere o crescimento do país que pretendem herdar?
Para eles o ideal seria receber uma economia nos trinques. E governar em paz pelos próximos dois anos.
A condição de ex-retirante da seca ajudou Lula politicamente.
A de ex-metalúrgico que perdeu um dedo na prensa, também.
A de quem não estudou, mas mesmo assim chegou à presidência da República - essa nem se fala.
Diante de uma dificuldade maior, Lula veste a máscara de vítima - e desfila com ela por aí.
Foi assim quando vários escândalos ameaçaram seu governo. Ele acusou as elites de desejarem derrubá-lo - mas por que?
Elas jamais lucraram tanto antes. Se dependesse delas, Lula teria um terceiro e até um quarto mandato consecutivos.
A crise pode atrapalhar o plano de Lula de fazer o seu sucessor. Pode até mesmo arranhar sua popularidade.
É por causa disso que ele tenta jogar no colo dos adversários parte da responsabilidade pelos estragos que a crise venha a causar. Quer tirar vantagem da crise.
Esse tipo de comportamento da parte dele tem dado certo até aqui.
Entre nós, Lula é disparado o mais talentoso gigolô da ignorância alheia.

Opinião

Crise no ensino médico

Bráulio Luna Filho
O erro médico é um dos grandes flagelos da atualidade. Paradoxalmente, ante os avanços tecnológicos, da medicina e da ciência, presenciamos um número crescente de denúncias contra médicos, o que demonstra que alguma coisa não vai bem.


Em dez anos, de 1998 a 2007, o número de médicos denunciados no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cresceu 140%, muito acima da taxa de aumento de profissionais inscritos (42%) e do crescimento populacional de São Paulo no mesmo período (12 %). Em 2007 foram registradas cerca de 4.500 denúncias contra médicos, boa parte relacionada a erros de diagnóstico e de procedimentos clínicos ou cirúrgicos.

Não há escassez de médicos no Brasil, o que não quer dizer que estejam bem distribuídos geograficamente ou por especialidades. Sabe-se que os fatores socioeconômicos e culturais são em parte responsáveis por essa realidade. Não podemos admitir uma política de Estado que tenta reverter a concentração de médicos nos centros urbanos com o simples aumento no número de formandos.

São Paulo conta hoje com 31 escolas de Medicina. Apenas nos últimos anos, entre 2000 a 2007, foram abertos oito cursos - cinco na capital e três no interior. Destes, sete são privados e cobram mensalidades entre R$ 2.600 e R$ 4.300. O Brasil já conta com 176 escolas médicas, mais que EUA, Rússia e China, nações bem mais ricas e mais populosas. Podemos afirmar que não precisamos de mais médicos, e, sim, de bons médicos.

Ao mesmo tempo que luta contra a abertura indiscriminada de escolas médicas, o Cremesp tem apoiado experiências pioneiras na avaliação das escolas médicas e dos seus egressos. Lamentavelmente, essas iniciativas não surtiram efeito. Apesar da participação de inúmeras faculdades de Medicina e entidades do setor, a discussão sobre a insuficiência das avaliações das instituições de ensino é barrada tanto pelos interesses mercantis dos donos das escolas como pelo viés corporativo das entidades de professores.

É esdrúxulo que o debate público abrangente sobre a instituição de exame de habilitação dos médicos recém-formados tenha sido protelado, quando se sabe que na maioria das faculdades do País são raros os indivíduos que, uma vez admitidos, não conseguem obter o certificado de conclusão. Hoje se confunde diploma com proficiência e competência para toda a vida.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 31 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Cresce pressão mundial por trégua"
No quarto dia de sua ofensiva aérea contra a faixa de Gaza, que já matou 384 pessoas, Israel começou a considerar um cessar-fogo de 48 horas proposto pela França para permitir o acesso de assistência humanitária à população de Gaza. A proposta é resultado da pressão pelo fim dos bombardeios feita por União Européia, EUA, Rússia e Nações Unidas, o chamado quarteto de mediadores. As grandes potências mudaram a retórica e passaram a pressionar Israel pelo cessar-fogo. A maior mudança foi dos EUA, que endossaram a declaração conjunta informal do quarteto exigindo “cessar-fogo imediato”. Israel disse que a ajuda humanitária será facilitada, mas que os ataques seguirão. O Hamas também não quis dar o primeiro passo para a trégua. Ontem Israel fez ofensiva marítima na costa de Gaza e intensificou a concentração de tropas e tanques na fronteira.


O Globo
"Israel ignora pressões do mundo e descarta trégua"
Pressionado pelo alto escalão do Exército de Israel e pela comunidade internacional, o premier israelense, Ehud Olmert, rejeitou ontem a possibilidade de uma trégua imedita com o grupo radical palestino Hamas e manteve o bombardeio à Faixa de Gaza. Após quatro dias de conflito, o número de mortos chegou a 383 do lado palestino , e quatro do israelense. Olmert disse que a operasção militar está apenas na primeira fase e vai continuar. O governo estuda convocar mais 2.500 reservistas, o que aumentaria para 9 mil o número de soldados de prontidão na fonteira com Gaza. Hoje, o Gabinete israelense se reúne para discutir se decreta uma trégua, como foi pedido por França e Reino Unido, ou se ordena uma invasão por terra do território. A Marinha de Israel impediu ontem um barco com pacifistas de levar ajuda a Gaza. A embarcação com ajuda humanitária foi abalroada por um navio de guerra de Israel.


O Estado de São Paulo
"Sob pressão, Israel estuda proposta de trégua em Gaza"
Israel deu ontem sinais de que pode ceder à pressão internacional e aceitar uma trégua, após quatro dias de intensos bombardeios contra a Faixa de Gaza, que já mataram mais de 380 palestinos. O grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e vem disparando foguetes contra cidades israelenses, também parece disposto a suspender os ataques. O objetivo do cessar-fogo seria a abertura de corredores de ajuda humanitária em Gaza, onde l,5 milhão de moradores enfrentam falta de alimentos e remédios e dependem de assistência externa.
A proposta de trégua partiu da França, em nome da União Européia. A chanceler israelense, Tzvipi Livni, viajará amanhã para Paris a fim de discutir o tema. O governo americano também fez gestões diplomáticas intensas ontem para obter a suspensão do conflito. Além disso, Turquia e Egito trabalham com uma segunda proposta de trégua, com apoio árabe, que inclui a reabertura das fronteiras entre Israel e Gaza.
Apesar da movimentação diplomática, Israel manteve o bombardeio, e mais 13 palestinos foram mortos, entre eles duas irmãs, de 4 e 11 anos de idade. O país avalia que já conseguiu destruir um terço do arsenal de foguetes do Hamas. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse que "a operação está apenas no primeiro de seus diversos estágios", referindo- se à possibilidade de invasão de tropas por terra.


Jornal do Brasil
"Fogos de guerra e paz"
Dentro de poucas horas, o mundo celebrará a chegada de 2009, o Dia Internacional da Paz e o Dia da Confraternização Universal. A data, porém, exibe seus contrastes. No Rio, os fogos na Praia de Copacabana - onde são esperados 2 milhões de pessoas - representarão Saturno, com anéis, estrelas e cometas, em referência ao Ano Internacional de Astronomia. Mas, na Faixa de Gaza, os fogos estão longe de espelhar festa e paz.
Até ontem, a ofensiva israelense contra palestinos já deixara quase 400 mortos e mais de 1.500 feridos. E é só o começo, alertou o premier de Israel, Ehud Olmert. Enquanto países europeus pressionam por um acordo de cessar-fogo, o presidente Lula se oferece para mediar o conflito, ignorado até agora por Barack Obama.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Fim-de-ano

Fogos de artifício: só solte os de efeito visual!

Enviado por Percival Brosig
Colorir o céu com fogos de artifício torna estas festas mais bonitas e alegres. Mas alguns fogos produzem um barulho intenso, assustador para animais e também para bebês, que não entendem o que está acontecendo. Muitos animais correm sem destino, causando acidentes e perdendo-se de seus donos. Outros acabam feridos ou mortos, por tentar fugir em desespero. Alguns cães chegam a sofrer convulsões e morrer. Animais silvestres sofrem alterações em seu ciclo reprodutor e também podem chegar ao óbito.

Se você quiser festejar, PREFIRA FOGOS QUE NÃO FAZEM BARULHO! Há muitas opções no mercado que produzem efeitos belíssimos!

Você tem bichos em casa? Siga estas dicas: Mantenha o cão ou gato em lugar seguro, feche bem as janelas, portões e portas. Se ele tiver muito medo dos fogos, coloque-o em um cômodo da casa. Um pouco antes do evento, leve seu animal para perto da TV ou de um aparelho de som e aumente aos poucos o volume, de tal forma que ele se distraia e se acostume com um som alto. Assim, não ficará tão assustado com o barulho intenso e inesperado dos fogos. Você pode usar remédios para acalmá-lo. Prefira os fitoterápicos, que praticamente não têm contra-indicações. Converse antes com o veterinário, para escolher a melhor opção e a dose certa para seu bichinho.
E não esqueça de colocar uma plaqueta de identificação na coleira do animal!
Iniciativa: Sentiens Defesa Animal -
www.sentiens.net

Coluna da Terça-feira

Amigos: Feliz Ano Novo

Maurício Moromizato
Hoje, levantei decidido a escrever uma coluna leve. Sem assuntos ruins relativos à cidade ou à política. Para finalizar o ano devo iniciar colocando mais uma vez o agradecimento aos leitores desse nobre espaço, pela atenção, e ao editor do blog pela oportunidade oferecida e pela lição de democracia e de liberdade de imprensa.

Após o Natal, com sua comemoração do nascimento do Filho de Deus, do presente que recebemos do Grande e Verdadeiro Pai, da oportunidade de (Re) nascimento a cada ano, com novas esperanças e novos objetivos, o ANO NOVO traz a oportunidade de concretização desses ideais Natalinos.

Todos temos os nossos pedidos, nossos planos e desejos para o ano que se inicia.

Há também os conselhos. Os administradores vão nos dizer que temos que estabelecer metas e levar a vida com a mira nelas (nas metas); os médicos vão nos dizer para levar uma vida saudável, longe de vícios e excessos, com mais prevenção do que tratamentos; os engenheiros nos dirão para calcular nossos atos e planejar nossa vida; os economistas nos aconselharão a gastar só o que podemos, a administrar bem o dinheiro; os religiosos nos aconselharão a levar uma vida de fé com todas as implicações dessa opção, enfim, todos tem sua receita para melhorar a vida pessoal das pessoas. Uns por sapiência, outros por interesse e todos mais ou menos válidos, dependendo do interlocutor e de sua situação.

Eu, humano, com defeitos, desejos e planos particulares, tomei uma decisão em relação às outras pessoas com quem convivo e vou conviver: vou propagar e cultivar muito mais as amizades em minha vida. Amizade e todas suas vertentes: na família, no trabalho, na política, na vizinhança. Buscar os antigos amigos da infância e da juventude.
A vida tem me ensinado a cada vez mais que o que vale são os nossos bens imateriais, nosso inventário pessoal e a amizade e a “riqueza” pessoal de cada um está diretamente relacionados com o número de amigos que cada um tem.
Tenho a convicção de que a crise mundial atual é uma crise da humanidade, muito mais que uma crise econômica. Os valores é que estão no centro da questão, pois só existe a crise porque houve ganância, individualismo, desrespeito ao próximo e falta de valores morais, entre outras críticas ao sistema neoliberal, único responsável pelo que estamos passando.
Como a crise é da humanidade, a amizade será fundamental para a sua superação. Amizades pessoais, amizade entre as cidades, amizade entre as religiões, amizade entre os países. Amizade sim, porque a palavra Amizade traz embutida nela a fidelidade, a fraternidade, o compromisso com o outro, o respeito à individualidade, a aceitação das diferenças, a busca pela igualdade entre as pessoas, a valorização do outro, a prevalência do coletivo sobre o individual, a valorização da solidariedade. E essa prática tem que começar pelas pessoas, por cada um de nós, na educação de nossas crianças, na convivência diária de cada um com cada um.
AMIZADE significa PAZ!

Por isso, além do desejo de “que tudo se realize no ano que vai nascer...”, desejo a todos um 2009 repleto de amigos a todos. Com sinceridade.
Segue abaixo uma pequena história recebida de um grande amigo de infância, adolescência, juventude e de sempre, André Mazetto, morador de Campo Grande – MS.


Amigo não tem defeito

O dono de uma loja estava colocando um anúncio na porta:
“Cachorrinhos à venda”.
Esse tipo de anúncio sempre atrai as crianças, e logo um menininho apareceu na loja perguntando:
- Qual o preço dos cachorrinhos?
O dono respondeu: - Entre R$ 30,00 e R$ 50,00.
O menininho colocou a mão em seu bolso e tirou umas moedas:
- Só tenho R$2,37. Posso vê-los???
O homem sorriu e assobiou...
De trás da loja saiu sua cachorra correndo seguida por cinco cachorrinhos. Um dos cachorrinhos estava ficando para trás.
O menininho imediatamente apontou o cachorrinho que
estava mancando.
- O que aconteceu com esse cachorrinho? - perguntou.
O homem lhe explicou que quando o cachorrinho nasceu, o veterinário lhe disse que tinha uma perna defeituosa e que andaria mancando pelo resto de sua vida.
O menininho se emocionou e exclamou: - Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!
E o homem respondeu:- Não, você não vai comprar esse cachorro, se você realmente o quer, eu te dou de presente.
E o menininho não gostou, e olhando direto nos olhos do homem lhe disse:
Eu não o quero de presente. Ele vale tanto quanto os outros cachorrinhos e eu pagarei o preço completo.
Agora vou lhe dar meus R$ 2,37 e a cada mês darei
R$ 0,50 até que o tenha pago por completo.
O homem respondeu: - Você não quer de verdade comprar esse cachorrinho, filho. Ele nunca será capaz de correr, saltar e brincar como os outros cachorrinhos.
O menininho se agachou e levantou a perna de sua calça para mostrar sua perna esquerda, cruelmente retorcida e inutilizada, suportada por um grande aparato de metal.
Olhou de novo ao homem e lhe disse:
- Bom, eu também não posso correr muito bem, e o cachorrinho vai precisar de alguém que o entenda.
O homem estava agora envergonhado e seus olhos se encheram de lágrimas...
Sorriu e disse:
- Filho, só espero que cada um destes cachorrinhos
tenham um dono como você!!!
Na vida não importa como somos, mas que alguém te aprecie pelo que você é, e te aceite e te ame incondicionalmente.
Um verdadeiro amigo é aquele que chega quando o resto do mundo já se foi.
Amigo não tem defeito!!!


FELIZ 2009 A TODOS, AMIGOS!

Ubatuba

Vitória da vitória

Rui Grilo
Hoje recebi esse e-mail abaixo:

Rui,

nós da Cooperuba-tuba elaboramos projeto para Petrobrás com ajuda da Marina (caixa ecônomica de SJC) e graças a Deus fomos selecionados. O projeto é todo voltado à coleta seletiva em Ubatuba. Gostaríamos de pedir que vc, por favor, divulgue, pois para nós é uma grande vitória, e precisaremos muito da força de todos para seguirmos com esse projeto que desde setembro de 2007 iniciamos aqui na região Sul, mas que temos como meta atingir o municipio em três anos (se tivermos apoio). Para nós foi um presentão de Natal. Um feliz ano novo e obrigado pela força.

Um abraço,

Vitoria.

No balanço que fiz deste ano (ANO NOVO, VIDA NOVA) esqueci de colocar como pontos positivos a abertura para colaboração nos virtuais Revista Guaruçá, Ubatuba Víbora e Litoral Virtual. Portanto, aqui vai o meu agradecimento ao Luiz Moura, ao Sidney Borges e ao Emilio Campi.

Através desses espaços pude me contactar com muitas pessoas que não conheço ou das quais não me lembro pois conheço muita gente. Dou aulas desde 71 e, durante vários anos tinha contacto com todos os alunos da escola porque trabalhava na sala de leitura. Quando fazia caminhadas pelo bairro, às margens da represa Guarapiranga, às vezes demorava quase quatro horas pois a cada trecho alguém me parava para conversar. Aqui, em Ubatuba, várias vezes fui surpreendido ao receber e-mails ou quando algumas pessoas vem comentar pessoalmente o teor dos meus textos.

Ao ler o texto da Vitória, fiquei muito feliz pela árdua conquista, e que reforça o texto sobre o lixo publicado no último domingo no UBATUBA VÍBORA. É a grande conquista da tecnologia: colocar-nos em contacto com pessoas que tem as mesmas preocupações e os mesmos desejos. Ou até mesmo divergências que podem ser superadas, como se percebe no texto do Renato Nunes (29/12/08).

Mas diálogo não é só concordância, é o espaço para o confronto e a mudança. Como ensinava MARX , do confronto entre a tese e a antítese surgirá a síntese, que não é igual a nenhuma das duas mas que carrega dentro de si as duas anteriores. Do confronto entre o filho e o pai, nenhum dos dois permanecerá o mesmo; ambos incorporarão valores e idéias do outro sem deixar de serem eles mesmos, com personalidades distintas.

Ao receber o e-mail da Vitória me lembrei do Alemão, esposo de uma amiga minha. Era um sujeito franzino, nordestino, participante e cheio de vida. Ao vê-lo preso na cama, tetraplégico, usando fraldas e sondas, mas lúcido, fiquei imaginando a dor e a revolta que aquele tiro na coluna provocava. Para romper essa prisão, a Regina, sua esposa, levava-o uma vez por semana a uma rádio onde ele fazia um programa. Era a sua maneira de se sentir vivo e útil à comunidade.

Quando vai chegando o domingo, vou ficando cada vez mais tenso, vou me identificando com o Alemão, tentando encontrar um assunto que possa interessar ou que seja importante discutir. Essa tensão me traz a alegria de estar vivo e ainda poder fazer alguma coisa.

Como dizia Guimarães Rosa : “Viver é perigoso”. E escrever é um desnudar-se, é fazer um streap-tease da alma, tornando-nos vulneráveis. Mas realmente só nos aproximamos uns dos outros quando nos desnudamos.

Ao escrever vou fazendo novos parceiros e quando temos algum retorno, isso nos faz sentir como uma das formigas que, com seu pequeno mas incessante trabalho vão construindo os montes de terra e os túneis do formigueiro, arejando a terra e transformando-a. No entanto, sempre há os esquecidos, como as minhocas, que com seu trabalho torna a terra mais rica e produtiva.

A vitória da Vitória veio, de certa forma, reforçar as idéias contidas na mensagem ao prefeito, confirmando que existem saídas para reduzir o gasto com o transbordo do lixo e que um outro mundo é possível.

Parabéns Vitória !
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

Rede

Internet supera jornais como fonte de notícias nos EUA

Do blog Idéia 2.0 :
O reino do papel vai se esfarelando. Em estudo conduzido no começo de dezembro, a Pew Research Center for the People & the Press chegou à conclusão que a internet agora é a segunda fonte de informação dos norte-americanos.
Passou, sem qualquer surpresas, os jornais. Em um ano, a fatia dos que recorrem à internet por notícias subiu de 24% para 40%, enquanto os jornais se mantiveram praticamente estáveis em 35%.


A TV continua como fonte líder, com 70% dos entrevistados ligando seus televisores quando estão atrás de notícias.

A liderança folgada da TV também parece ser questão de tempo, já que, entre os mais jovens ouvidos pela pesquisa, a busca por dados na TV ou na internet está empatado - 59% afirmou recorrer a cada um dos meios, contra 28% a jornais.
A escalada de 16 pontos percentuais da web entre 2007 e 2008 (você vê a diferença no gráfico ao lado) é a maior diferença já registrada no período de 12 meses de alguma mídia desde 2001, segundo a Pew.

O motivo? Os jovens, de novo. Em 2007, apenas 34% deles recorriam à internet, número que quase dobrou em um espaço de 12 meses. Um preview do estudo pode ser lido no site da Pew.

Pra boi dormir

''Tenho representatividade para participar da vida política do País''

José Dirceu: ex-ministro; petista crê que será absolvido pelo STF e diz que pedirá anistia na hipótese de julgamento ficar para 2013 ou 2014

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA
Três anos depois te ter o mandato de deputado cassado - no auge do escândalo do mensalão -, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirma ter convicção de que será absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Avalia que sua substituta no posto de braço direito de Lula, a ministra Dilma Rousseff, tem "grande" chance de emplacar como candidata do PT à Presidência em 2010, e que os tucanos agem como se o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) - principal pré-candidato da oposição -, já tivesse sido eleito. "Essa história está distante da realidade. O Serra tem de conquistar Minas e Rio, porque o Norte e Nordeste ele não vai conquistar. E Minas e São Paulo serão os Estados mais afetados pela crise", afirma, em entrevista ao Estado. As respostas de Dirceu foram dadas por e-mail.


Leia a íntegra da entrevista

Nota do Editor - José Dirceu usa o fato de ter lutado contra a ditadura como bandeira de superioridade. Toda uma geração esclarecida lutou contra a ditadura, eu lutei contra a ditadura. A diferença entre o meu ponto de vista e o de Dirceu é que eu não queria substituir a ditadura dos militares pela ditadura do proletariado. Para mim interessava a democracia. Dirceu é um esquerdista profissional. Muito parecido com aqueles que fingem sonhar com o paraíso socialista enquanto desfrutam do luxo da Via Montenapoleone de Milão. (Sidney Borges)

Opinião

A crise do etanol

Editorial do Estadão
Alguns meses atrás, as atividades vinculadas à cana-de-açúcar eram tidas como as mais atraentes da economia nacional. Hoje, atravessam grave crise, especialmente as unidades que se dedicam à produção de álcool. Alguns projetos em fase de implantação foram suspensos, muitas empresas estão inadimplentes e poderão pedir concordata e a cana-de-açúcar plantada em grandes áreas pode não ser colhida.

O setor sucroalcooleiro não foi vítima direta da crise financeira internacional. Dela não sofreu mais que efeitos marginais. Essa crise tem origem no excessivo otimismo com que os produtores de etanol encararam suas possibilidades de exportação, incentivados pelo presidente Lula, certo de que convenceria os países ricos a importar um combustível que reduz a poluição e permite substituir em parte o petróleo - cujo preço, no início de 2008 apresentava uma curva de alta que parecia projetar-se por vários anos à frente.

Tanto a campanha pró etanol brasileiro não teve o êxito almejado quanto o preço do petróleo entrou em declínio.

O malogro deveu-se essencialmente à incapacidade do governo brasileiro de convencer os governos estrangeiros de que a produção da cana-de-açúcar não ocupava área suscetível de reduzir a oferta de alimentos, num momento em que, em razão da queda da produção alimentícia, o mundo se deparava com escassez de gêneros. Para a opinião pública externa, a área ocupada pela cana no Brasil poderia ter sido usada para aumentar a oferta de outros produtos. Além disso, era difícil que alguns movimentos de ecologistas esquecessem das disputas, no País, em torno dos malefícios da monocultura em certas regiões. O Brasil deveria ter-se preparado também para as críticas no exterior de que o corte da cana é obra de trabalho escravo, enquanto, na verdade, parte importante da colheita é feita por máquinas.

Teria sido necessário que, antes mesmo de querer exportar grande quantidade de etanol, o Brasil fizesse investimentos no exterior para promover os motores flex ou para exportar automóveis desse tipo e assim comprovar as vantagens desse combustível.

Os investidores certamente foram seduzidos pelos resultados potenciais. O preço médio do etanol em 2006 era de US$ 469,69 por m³, mas caiu para US$ 418,58 em 2007. Essa variação deveria ter sido observada pelos produtores que, no entanto, preferiram olhar os dados das exportações em 2008, que alcançaram US$ 2,227 bilhões nos 11 primeiros meses do ano ante apenas US$ 1,380 bilhão no mesmo período de 2007. O que não previram foi a rapidez da queda dos preços do petróleo, fator decisivo, pois o etanol só pode ser competitivo se o petróleo custar mais do que US$ 35 o barril, e que os usuários desse combustível precisam de uma faixa de segurança maior. Por outro lado, é preciso levar em conta também a evolução das exportações de açúcar, cuja produção é ligada à de álcool e que estão sofrendo também queda de preços.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Israel se declara em "guerra total"
No terceiro dia do maior ataque aéreo já lançado contra alvos palestinos, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o país está em “guerra total” com o grupo Hamas, que controla a faixa de Gaza, e confirmou que uma ação por terra poderá ser o próximo passo. Enquanto a aviação continuava a bombardear bases do Hamas, elevando o total de mortos a mais de 360 (60 civis, estima a ONU) em Gaza, militantes islâmicos respondiam com dezenas de foguetes, que mataram três. Entre outros locais, Israel atacou a Universidade Islâmica e o Ministério do Interior. O Hamas reiterou que não aceitará novas condições para um cessar-fogo. Em diversos países árabes houve protestos contra o ofensiva de Israel e a suposta conivência de Egito e Jordânia com o país vizinho. Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Lula, disse que o ataque a Gaza é uma “brutalidade”.


O Globo
"Israel decreta guerra total; ataques já mataram 350"
No terceiro dia de ataques israelenses à Faixa de Gaza que já mataram 350 palestinos e feriram cerca de 1.400, o ministro da Defesa, Ehud Barak, declarou a área da fronteira entre Israel e Gaza como zona militar fechada e garantiu que seu país está em guerra total contra o Hamas, que governa a região. Jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar em Gaza.
Centenas de tanques e peças de artilharia foram posicionados à espera da ordem para uma invasão terrestre, e aviões e navios de guerra intensificaram os bombardeios, destruindo o Ministério do Interior e casas próximas à residência do premier palestino, Ismail Haniyeh. Entre os mortos, 62 são civis, dos quais 21 crianças . Como cinco irmãs, entre 4 e 17 anos, atingidas m casa. Moradores de Gaza estão sitiados em suas casas numa região que, por si só, já é considerada uma gigantesca prisão.
A incapacidade de lidar com o grande número de feridos e a escassez de alimentos, medicamentos e combustível agravaram ainda mais a situação em Gaza. Ontem, Israel abriu parcialmente dois terminais para permitir a entrada de ajuda. Do lado israelense da fronteira, três pessoas morreram e meio milhão de civis tiveram que se refugiar em abrigos.


O Estado de São Paulo
"Israel avança em 'guerra aberta' contra o Hamas"
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o país está em "guerra aberta" contra o Hamas na Faixa de Gaza, no terceiro dia de ofensiva que já matou mais de 350 palestinos - dos quais quase 60 civis, segundo a ONU. Barak disse que Israel usará "todos os meios" para reduzir a capacidade do movimento islâmico palestino de lançar foguetes contra o país, motivo alegado pelos israelenses para sua ação. O Hamas disparou ontem mais de 80 foguetes e morteiros contra Israel, matando três pessoas. Já Israel atacou prédios administrativos do grupo palestino. As bombas mataram quatro irmãs, com idade entre 1 e 12 anos, em Jabaliyah. Outras duas crianças foram mortas em Rafah, próximo do Egito. "Só estamos no começo da batalha. O mais difícil está por chegar e é preciso prepara-se para isso", afirmou o general israelense Dan Harel, referindo-se a uma eventual ofensiva terrestre. A região ao redor de Gaza foi declarada por Israel "zona militar fechada" e analistas militares consideram a invasão inevitável.


Jornal do Brasil
"Estradas matam 180% a mais no feriadão"
O número de mortos em acidentes nas estradas do Rio de Janeiro praticamente triplicou no feriado de Natal deste ano, se comparado com 2007. Foram 14 óbitos, contra cinco no ano passado. Os acidentes também cresceram: de 245 em 2007 para 273 em 2008. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal, que credita a estatística às chuvas intensas em várias regiões do estado e à imprudência dos motoristas. Os números reforçam a atenção dos policiais na segunda fase da Operação Fim de Ano, que termina no domingo. O Departamento de Estradas de Rodagem promete reparar as vias danificadas pelas chuvas.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Ubatuba em foco



Em Ubatuba, uma nova opção de cultura e lazer

Divulgação

O Instituto Pau Brasil de História Natural - IPBHN uma OSCIP, vai inaugurar em seu décimo aniversário, no dia 30 de dezembro de 2008, o Espaço Viva Ciência. É um espaço de divulgação científica cuja primeira exposição abordará o tema “A vida na Terra”. Esta exposição já esteve no Alto Tietê e agora, maior e mais diversificada, será instalada no litoral norte, em Ubatuba, possibilitando aos moradores do litoral e Vale do Paraíba a conhecer a história da vida no Planeta Terra. Lá o visitante poderá ter uma idéia da principal teoria de aparecimento do Universo – o Big Bang; poderá admirar uma riquíssima coleção de cristais de todo o mundo, minerais de importância para o ser humano, conhecer as teorias do aparecimento da vida no planeta e acompanhar passo a passo a evolução em painéis, dioramas, vitrines com fósseis verdadeiros, reconstituições de animais pré históricos e atuais. Há também uma ala onde se pode ver a árvore evolutiva dos humanos e seus ancestrais.
Esta é a primeira atividade do IPBHN no litoral norte, mas já estão sendo planejadas atividades para todos os grupos estudantis desde o ensino fundamental até universitários. “A idéia é criar um espaço onde se possa discutir ciência, onde a população possa informar-se sobre ciência e assim melhorar sua própria vida e do ambiente onde vive” – diz Paulo Auricchio idealizador do projeto.
Desta forma, a missão do Espaço Viva Ciência é promover a divulgação científica envolvendo ações multidisplinares em benefício da diversidade biológica e cultural visando o desenvolvimento sustentável – enfatiza Ana Lúcia Auricchio, presidente da instituição.
No próximo ano serão oferecidas atividades culturais, cursos e divulgação de práticas auto-sustentáveis, ações ambientais voltadas à escola, seus professores e alunos.
O espaço é um Ponto de Cultura do Ministério da Cultura e do Fundo Nacional da Cultura. Com essa identidade, o Espaço Viva Ciência já chega equipado. Para um futuro próximo, pretende tornar disponível sua biblioteca cujo acervo é de mais de 7 mil obras na área de meio ambiente, um acervo de vídeos ambientais, cdteca e mapas.
Você pode conhecer o Espaço Viva Ciência na Av. Guarani, 245 Itaguá, Ubatuba tel (012) 3832 6794. (Enviado por Carlos Rizzo)
http://www.institutopaubrasil.org.br

As aparências enganam




O que você está vendo?
Sidney Borges
Um incauto observador poderá tirar conclusões apressadas do quadro acima e dizer que nas fotos há dois animais bebendo água. No alto uma onça e embaixo um animal que não é bem um animal, no sentido que as pessoas dão à palavra. É um cachorro. Brasil, o meu cachorro. Esperto como o Rin-tin-tim.
Então o que você está vendo? Ficou confuso, não sabe direito, eu explico. Na foto superior há de fato uma onça bebendo água, foto arriscada, quando tirei fiquei com medo. Tirei da Internet, acredito que seja de domínio público. Ao sorver o precioso líquido o felino produziu ondas que se propagam pela superfície do lago. Mostrei ao Brasil, que como disse anteriormente, não é um cão qualquer. Ele não ligou para a onça, Brasil não aprecia gatos, mas fixou os olhos nas ondas. Momentos depois o ví produzindo suas próprias ondas, às quais olhava embevecido.
Brasil tem imensa curiosidade, variou a intensidade dos golpes na água e tirou conclusões importantes sobre velocidade, freqüência e outras grandezas associadas ao movimento ondulatório. Depois foi dormir, o pensar científico exige muito do cérebro. Mais tarde vamos passear e discutir interferência em duas dimensões.

Frô


Nasceu na varanda. Desconfio que seja uma petúnia, o que me remete aos tempos da Petúnia Resedá da Simone. Eu trabalhava como caixeiro-viajante. Vendia aulas de Física por esse Brasil afora. Petúnia Resedá e Querelas do Brasil, com o Quarteto em Cy, tocavam nas rodoviárias enquanto eu esperava o tempo passar. Gostei da jovem petúnia a quem batizei de Frô. Acho que ela veio me dar Feliz Ano Novo. Feliz Ano Novo pra você também Frô. Volte sempre, na Páscoa tem chocolate. (Sidney Borges)

Coluna da Segunda-feira

Fim de ano?

Renato Nunes
Ou início de ano? O que queremos comemorar? Resposta complicada. Por dentro, no íntimo, temos nossas expectativas, alegrias e desgostos, material necessário para fazermos um balanço pessoal do ano que passou. Desse balanço organizamos nosso rumo do novo ano. Mas por fora, abertamente, com a família, amigos, vizinhos, somos levados de roldão no meio do barulho, fogos e buzinaços para comemorar a entrada do ano novo. É só alegria. Ninguém se reúne para fazer uma choradeira geral, uns dando tapinhas nas costas dos outros para consolar suas tristezas e frustrações. Quem ganha os aplausos é o ano que entra e não o que sai. Saem aplaudidas a esperança e as incertezas do futuro. Xô tristezas e certezas passadas.

Parece até que a realidade se divide de acordo com os ponteiros do relógio, na passagem da meia noite do dia 31 para a zero hora do dia 1º, como se um dia não tivesse nada a ver com o outro e ficou tudo para trás. No mundo inteiro, as diferentes culturas comemoram dessa forma. São festas diferentes, outros símbolos e até outras datas, mas o sentido é o mesmo, viva o ano novo.

É bom que seja assim, mas todos sabemos que apesar das alegrias e bons fluidos do futuro nada pode ser esquecido, situações importantes não devem ser negligenciadas só porque pertencem a acontecimentos do ano que se finda.

Mas cada vez mais nos obrigam ao esquecimento. As energias do civismo que reclama se dissipam. A tradição de alegria gera festas cujo sentido solidário foi distorcido e que são acompanhadas e patrocinadas pelo comércio e pela TV. Vender muito, esse é o grande compromisso que orienta a programação e falseia a visão da realidade. Mostra, no fim do ano, um mundo novo que vai começar a partir dali. Perdoa-se tudo, inclusive as inépcias do poder público, as promessas não cumpridas. A mensagem por trás disso tudo diz: não proteste, esqueça, agora é vida nova, vamos começar tudo de novo.

O excelente artigo do Rui Grilo publicado no Víbora na Coluna de Sexta Feira, “A Constituição Cidadã e a mídia”, além do caráter extremamente pertinente e grave da denúncia e do elevado e oportuno distanciamento partidário, expõe os responsáveis pelo atraso brasileiro e o perigo do esquecimento a que toda a sociedade é submetida.

Lembra ele que a Constituição Cidadã assim foi chamada porque ouviu “movimentos sociais com o objetivo de assegurar e ampliar direitos e melhores condições de vida”, e que os avanços na área de comunicações foram prejudicados pelo “intenso lobby dos detentores das concessões, sendo grande parte deles parlamentares e membros do executivo”. E acrescenta que o “Conselho de Comunicação Social há mais de dois anos não se reúne” e que “cerca de 400 projetos foram apresentados mas não foram votados”.

É lamentável. Conforme o Art. 227 da Constituição também lembrado pelo Rui, é a família e a sociedade cumprindo suas obrigações e o Estado, através dos deputados, senadores e poder executivo descumprindo a citada determinação constitucional. Jogam há anos e em todas as áreas contra as melhorias propostas pela sociedade por razões de interesse político ou econômico.
Dirão que esse é o ônus da Democracia, que o povo não sabe votar e que o tempo irá melhorar o nível de nossos representantes. Isso é verdade, mas não pode parar por aí. A única maneira de forçar um político a priorizar a sociedade e não a própria carreira é pôr sua reeleição em risco. É tiro e queda, tiro certeiro.

Está na hora de criar um movimento social apartidário de pressão e monitoramento da ação parlamentar em todos os níveis, municipal, estadual e federal. E de registro para evitar que os bandoleiros do poder público caiam no esquecimento.

400 projetos apresentados sobre um único tema e que não foram votados, não dá para esquecer.

Como se vê, não existe o passado. O passado é o bolso de trás da calça. Pra você se desfazer do passado tem que jogar fora a calça, e aí, você fica nu como veio ao mundo. Cheio de incertezas, novidades e assombrações.

Busque o novo, exija, crie, adapte-se, mas esteja sempre com seu passado à mão, ele é a luz que te guia.


São meus votos para 2009.

Álcool

Abaladas pela crise, usinas de álcool enfrentam inadimplência

Em quase todas as regiões de São Paulo há atraso no pagamento a fornecedores; dez usinas foram adiadas

José Maria Tomazela, SOROCABA
Pelo menos 6% dos canaviais ou 29,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar deixaram de ser colhidas no Centro-Sul do País, a principal região produtora. A sobra de 330 mil hectares de cana em pé é um dos efeitos da desaceleração dos investimentos no setor provocada pela crise internacional. No interior de São Paulo, pelo menos 10 usinas que deveriam entrar em operação este ano não ficaram prontas. Em Mato Grosso do Sul, dos 43 projetos com operação prevista até 2018, cerca de 20 já sofreram corte de recursos.


A crise sucroalcooleira preocupa o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João de Almeida Sampaio. Ele se reuniu com representantes do setor para discutir a situação. "O desafio é garantir que as usinas cheguem à próxima safra em condições de moer", disse ao Estado. As usinas precisam de dinheiro para bancar as despesas da entressafra, que incluem a manutenção das máquinas, a renovação dos canaviais e o preparo das usinas para a nova safra.

Os chamados ACCs (Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio) oferecidos por tradings ou bancos tornaram-se escassos e com juros altos. "O setor foi pego numa situação de baixo preço do açúcar no mercado internacional, baixa demanda para exportação de etanol e um nível de investimento altíssimo, feito com recurso de curto prazo", disse o secretário. Com a escassez de crédito, a usina ficou sem caixa para tocar os negócios.

Em quase todas as regiões do Estado houve atraso no pagamento de fornecedores. Apesar de quatro grupos usineiros já terem requerido a recuperação judicial, o secretário não acredita em quebradeira generalizada. "Algumas usinas vão sucumbir até o início da próxima safra, mas os fundamentos são positivos e levam a crer numa melhora para o setor." A primeira a pedir recuperação judicial foi a Companhia Albertina, de Sertãozinho. Também entraram com pedidos os grupos João Lyra, Naoum e Othon, que atuam em Estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

De acordo com o diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), Antonio de Pádua Rodrigues, as empresas passaram a depender do mercado para se recuperarem. "A esperança é de que os preços melhorem." Mesmo que o preço do barril de petróleo se mantenha no nível atual, abaixo dos R$ 50, ele acredita que o etanol continuará uma alternativa de energia limpa e renovável.
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Literatura

A morte ignorada de Valêncio Xavier

Wilson Bueno
Espero, senhores, com que os grandes jornais e as revistas especializadas estejam preparando, no mínimo um alentado dossiê sobre a vida e obra de Valêncio Xavier – um dos mais inventivos prosadores surgidos no Brasil nos últimos tempos, recém falecido em Curitiba, aos 75 anos. À exceção da imprensa local, pouco ou quase nenhuma foi a repercussão nacional da morte do escritor, em condições cruéis, devastado pelo Alzheimer.


O paulistano, e polaco, Valêncio Niculitcheff, morava há mais de 50 anos em Curitiba onde produziu vídeos, peças, filmes, textos, programas de televisão. Trabalhador incansável, em seu caso somava-se a isso o interesse múltiplo e numeroso por diversas áreas, o que o tornava ainda mais inquieto, excitado sempre e rabugento por excelência.

Nunca o deixei de perdoar, mesmo as vezes em que me atacou duramente – sempre por diferenças pessoais – , num delírio que já era a sua marca, muito antes de a doença começar a devorá-lo, devagar e de modo insidioso, em 2002. Jamais criticou o que escrevo, coisa que ele, mesmo engolindo em seco, parecia admirar. Afinal vibrávamos na mesma pauta – a busca de uma maior expressividade da prosa brasileira. Ao largo, ao menos, dos romancetes que se fazem por aí com vistas a entreter o fim de semana de enfarados executivos paulistanos.

Depois que começou a ser publicado pela Companhia das Letras, considerava-se, por sua conta e risco, o maior escritor brasileiro vivo. E dizia isso sem nenhum pudor, em qualquer lugar, em qualquer roda, em círculos íntimos ou públicos. Ainda não era a doença, repito e garanto, mas ali talvez ela já deitasse seus ovos.
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Crônica

Várias fadigas e um cavalo morto!

Franz Kafka (como se o improvável pudesse ser verossímil)

Marcelo Mirisola*
Franz Kafka era filho de uma típica família judia de classe média. Foi um escritor que se notabilizou por sacanear o Pai e dar a notícia de um tempo futuro claustrofóbico e falecido comum a todos os outros tempos, antes e depois dele. Kafka pediu ao melhor amigo e testamenteiro que queimasse sua obra porque, na verdade, queria vê-la preservada, caso contrário, ele mesmo teria providenciado uma bela fogueira. Não há, portanto, que se falar em traição. Resultado: o vermezinho genial conseguiu vingar-se do Pai, e de lambuja conseguiu dar um nó na literatura do século XX. Isso é o que diz o lugar-comum.

Para chegar a Kafka terei de fazer um breve preâmbulo e passar por Jorge Luis Borges. Vou tentar – tarefa difícil, reconheço – não aborrecê-los.

Pois bem. Jorge Luis Borges dá as pistas de Kafka num texto que consta do livro Outras Inquisições cujo título é Kafka e seus precursores. Nesse texto fica bem clara a intenção de Borges. Ele queria crescer nas costas de Kafka, e – a meu ver – conseguiu muito mais que isso. Agigantou-se e poupou-me um bocado de trabalho. Borges confessa que de início pensava que Kafka fosse tão singular como a “fênix das loas retóricas”. Mas o argentino era um cricri e – como já adiantei – pessimamente intencionado. Correu atrás. E achou vários elementos de distintas épocas e diversas literaturas que comprovariam que Kafka não era tão original assim.

A qualidade do autor de O Processo, como veremos em seguida, era – segundo Borges – entre tantos volteios e enigmas e paradoxos ao redor de si mesmo, fazer o próprio argentino agigantar-se.

Mas isso Borges não registrou porque não era besta, apenas sugeriu que a luz de Kafka comprometeria não somente os autores que o copiariam, mas aqueles que o precederam, num curioso reflexo às avessas que, no final das contas, o refletiria, Borges, acima de tudo e de todos. Vou citar os exemplos de J. L. B. para apontar um registro que o argentino deixou de fora. A partir daí puxarei deliberadamente a sardinha para o meu lado, e chegarei afinal onde pretendo: num lugar chamado “Franz Kafka”.

Ao argentino: em primeiro lugar, ele associa Kafka a Zenão, aquele do famoso paradoxo. Não me interessa, aqui, explicar o paradoxo. Quem quiser que vá pesquisar no Google. Minha intenção é seguir as pistas do argentino (que são quatro, incluído esse paradoxo) para chegar ao quinto registro, que Borges – repito – deixou escapar. O segundo registro de Borges fala da coincidência do apólogo (animais dando lição de moral) de Han Yu e o tom usado por Franz Kafka em seus livros: algo no ar que sugeriria a presença de uma serpente disfarçada pronta a dar o bote, bem na nossa frente e claramente irreconhecível. No caso de Han Yu a serpente era um unicórnio. Borges não nos explica onde encontrou esse unicórnio na obra de Kafka, fala apenas numa “coincidência de tons”. Aqui, abro um parêntese, faço um alerta e uma confissão. E digo que o procedimento que consiste em deixar as coisas no ar para não resgatá-las (ou dar um bote fraudulento) é típico do argentino: ele é que é o unicórnio de si mesmo, a falsa serpente. Agora fecho o parêntese, e confesso: eu gosto das picaretagens e associações desse Borges. Se ele quisesse, poderia ter sido um Freud, mas optou pela ficção – o que, a meu ver, o fez muito mais crível.

Vamos em frente.

O terceiro registro do argentino aproxima Kafka de Kiekegaard. Ele diz que ambos praticavam parábolas religiosas de temas contemporâneos e burgueses. E dá o exemplo do falsificador que, vigiado incessantemente, examina as cédulas do banco da Inglaterra. Borges dá esse exemplo para sugerir que Deus fez a mesma coisa com Kiekegaard, ou seja, teria lhe encomendado uma missão muito especial sabendo que o filósofo era afeito ao mal. Nem é preciso dizer que Borges desqualifica elegantemente tanto Kafka como Kiekegaard para privilegiar seu ponto de vista. É ele, afinal, o observador suspeito e o observado. Portanto, agora que provou que é mais do que Deus, o argentino matreiro segue em frente, e vai fazendo suas analogias, uma mais bem elaborada e convincente que a outra. Eu, aqui com os meus botões, duvido muito que Kafka fosse tão engenhoso e duvido também que pudesse desconfiar que era assim tão banal a ponto de influenciar seus precursores: essa é a tese de Borges. Coroada, diga-se de passagem, quando encerra o raciocínio falando das “idiossincrasias” do autor que sacaneava o pai (o exemplo e a sacanagem, agora, são meus). Afirma Borges: “Se não me engano, os heterogêneos textos que enumerei parecem-se a Kafka; se não me engano, nem todos se parecem entre si. Este último fato é mais significativo. Em cada um desses textos, em maior ou menor grau, encontra-se a idiossincrasia de Kafka, mas, se ele não tivesse escrito, não a perceberíamos; vale dizer, não existiria”.

Logo em seguida, cita um poema “profético” de Robert Browning e diz que nossa leitura de Kafka – hoje – “afina e desvia sensivelmente a leitura desse poema”. E arremata dizendo que deveríamos tentar purificar o termo “precursor” de toda conotação de polêmica ou rivalidade. O fato – eis a chave de ouro –: “É que todo escritor cria seus precursores. Seu trabalho modifica nossa concepção do passado, como há de modificar o futuro”.

Uma pergunta: a idiossincrasia apontada por Borges é apenas um fato corriqueiro que escapou aos outros autores... ou seria uma invenção de Borges com o intuito de jogar Kafka na vala comum? Quem, senão Borges, se destacaria com olímpica diferença nessa vala comum? E por quê?

Ora, porque Borges foi o primeiro a existir nesse lugar. Vejam bem: Borges não se inclui nesse “lugar” nem tampouco se permite contaminar como os outros autores, mas existe a partir de.

Depois disso, é fácil e elegante dizer que esse lugar aconteceu no passado e existirá no futuro em conseqüência da iluminação de fulano ou sicrano. Mas, nas entrelinhas, o que o argentino quer dizer é o seguinte: o lugar é de todos, porém eu cheguei primeiro. Portanto, tenho a posse.

Assim, Borges elimina qualquer possibilidade de polêmicas e rivalidades. Como se dissesse: vocês não têm escolhas, se quiserem vicejar, aqui, serão meus inquilinos eternos. Kafka é meu capanga e guardião, alguém aí vai me encarar?

Bem, aqui eu entro. E aponto o quinto registro esquecido por Borges: o pesadelo. Antes de prosseguir, quero dizer que comecei a ler e escrever no começo dos noventa, em plena era Collor. Não conhecia nada de literatura, e tinha lido meia dúzia de livros chatíssimos obrigado pelo vestibular. Kafka, para mim, era algo que remetia a um espeto de carne moída. Eu era um xucro, e estava cansado da faculdade de direito – e, sobretudo, não sabia o que ia fazer da vida. Em suma, um cara normal e com um futuro promissor pela frente. Tinha até uma namorada loirinha, a Karen.

De vez em quando visitava a biblioteca da faculdade. Numa dessas visitas, encontrei uma antologia de autores sombrios do século vinte. Nem sei por que abri o livro, talvez para fazer um tipo de intelectual e impressionar a estagiária que era o real motivo que me levara àquele lugar, mas enfim, devia ter uns trinta autores na coletânea. Um mais chato e “sombrio” e distante dos meus interesses que o outro. Aquilo sinceramente me aborrecia, e eu já ia dar o bote na estagiária quando um cara de testa baixa e esquisito – cujo nome me lembrava espetinhos de carne moída – procurava um cavalo para uma emergência, pois o seu animal havia morrido congelado “consumido pelas fadigas do inverno”. Fadigas! Como assim, no plural? Várias fadigas, e um cavalo morto!

O narrador mobiliza Rosa, sua criada, para ajudá-lo na empreitada de achar um cavalo. Ao fundo uma tempestade de neve, e o defunto de outro cavalo. A emergência paira no ar. Não necessariamente a emergência de achar um cavalo substituto. Mas de acontecer uma desgraça. Nesse ponto, o leitor sabe que um homem agoniado precisa de um cavalo, mas não faz idéia aonde ele quer chegar. Estou falando dos dois primeiros parágrafos do conto “Um médico de aldeia”. Pois bem, ele vai atrás do animal e, confuso e inopinado (como se um pesadelo o conduzisse), mete os pés num curral de porcos. Lá dentro, num espaço exíguo, encontra um homem acocorado, pronto a servi-lo: “quer que eu aparelhe?”.

Eis o registro que escapou a Borges. O registro do pesadelo. Kafka põe o pesadelo em seqüência, e prescinde de efeitos especiais. Isso quer dizer que as situações acontecem independentemente da vontade do narrador. E o leitor assume os sustos e sobressaltos que deviam ser do narrador, o qual se submete aos acontecimentos, porém de uma maneira não completamente passiva. Muito pelo contrário. O narrador reage com violência proporcional. Taí a diferença entre literatura e pesadelo. Estou falando da mão do autor, que , digamos, não se deixa levar por personagens e situações impostas por quem quer que seja. O narrador de Kafka dá o troco o tempo inteiro.

Vejam só: o narrador agoniado conseguirá dois cavalos do homem que “morava” no curral de porcos. O preço do “achado” cairá todo nas costas de Rosa, a criada. Ela é quem pagará pelo pesadelo: o homem-porco cravará uma mordida em seu belo e alvo rosto. Não seria exagero dizer que os leitores “usufruem” da mesma condição da criada: vítimas impotentes, ao dispor de Kafka.

Imediatamente vem a reação do narrador: “Quer que o mande chicotear?”. No entanto, quase que simultaneamente, ele reconhece a ajuda do homem-porco e sente-se sinceramente agradecido pela bela parelha de cavalos que lhe fora presenteada. O que isso quer dizer?

Digamos que os defuntos relincham vigorosamente. A partir daí, o “pesadelo” do homem-porco, e o “pesadelo” no narrador vão confluir tacitamente em direção à pobre criada: que tem o “justificado pressentimento de não poder escapar ao destino”. Nem ela, nem o leitor.

No parágrafo seguinte – sem o uso de efeitos especiais (isso que é admirável em toda a obra de Kafka) – ficamos cientes de que o narrador do pesadelo é um médico de aldeia. De um curral de porcos somos trasladados para o quarto de um moribundo. A mesma atmosfera sufocante e febril: como se o improvável pudesse ser verossímil. O doente pede para o médico de aldeia deixá-lo morrer, e o médico debocha da situação, ignorando o pedido do moribundo e lembrando-se da criada que ficara à disposição do homem-porco. Esse expediente de deixar as coisas suspensas, de sugerir uma situação e largá-la para ameaçar usá-la mais à frente (embora as coisas fiquem mesmo no meio do caminho) é comum – já disse – na obra da Borges.

Os cavalos são testemunhas do bafio do diabo, e enfiam a cabeça para dentro do quarto de ar quase irrespirável: são observadores do pesadelo da família e dos leitores, o médico de aldeia (agora já na pele assumida do narrador) não se espanta, e pensa no próximo lance: “o melhor é voltar para casa”. Porque, pasmem, a situação do doente, afinal de contas, não era tão grave!

Kafka é surpreendente: “se não tivesse calhado serem cavalos, teria de deslocar-me puxado por porcos”. Enquanto isso, Rosa, a criada (e nós, os leitores) nos encontramos em péssimos lençóis: “passar receitas é fácil, mas fazer as pessoas compreender as coisas é difícil”.

A literatura é um chamado sem necessidade, parece que essa é a sugestão de Kafka. Por isso mesmo, resolve ocupar-se de algo mais premente, e descobre que o doente, ora ... devia mesmo estar doente. Um pesadelo não substitui outro, mas pode ter detalhes que, digamos, o valorize: “do lado direito, junto à anca, tinha uma ferida aberta do tamanho da palma da mão (...) e do estreito interior da ferida coleavam em direção à luz uns vermes de grossura e comprimento do meu dedo mínimo, cor-de-rosa e manchados de sangue”. Os cavalos relinchavam, e a família se dava por satisfeita. Agora o médico tinha uma ocupação.

Serviria ele mesmo ao pesadelo que criara. Nada melhor que os seus personagens dispam-se de suas crenças, e o dispam, a ele, médico de aldeia – a essa altura despojado de sua autoridade, de sua criada, e à mercê da própria sorte: Um coro de crianças, orientado por um professor à frente, posta-se diante da casa, e canta: “tirem-lhe a roupa que ele nos trata, Se não nos cura, aqui mesmo se mata!”.

Ali estavam o médico, o narrador e Kafka: agora mais do que escravos do pesadelo, condenados pelo próprio pesadelo, e – apesar de tudo – senhores de si mesmos. Façam o que quiserem: vocês querem me colar à ferida que não curei?! Ótimo, somos o sádico e os masoquistas de nós mesmos, nós não inspiramos confiança e estamos aqui para purgar pelos nossos crimes!

O moribundo reage, e tenta esboçar uma sentença: “em vez de curar-me, vem me roubar o leito de morte”. Mas seria isso tão grave? O médico de aldeia acha que não, e – colado aos vermes do doente – contra-argumenta: “Sua ferida não é assim tão grave. Muita gente dá o flanco e mal consegue ouvir o machado na floresta, e muito menos que ele se aproxima”. O moribundo sossega, e o médico de aldeia imediatamente pensa numa maneira de sair daquela situação – ora, era mais do que óbvio que a única alternativa que lhe restava era recorrer ao próprio pesadelo, que estava à mão, logo ali, do lado de fora da janela a observá-lo: Os cavalos!

No entanto, como eram pesadelos antes de serem cavalos, a reação desses animais ao comando do médico é de obediência e semi-empacamento: “arrastamo-nos pelos ermos cobertos de neve”, diz o médico escapado do próprio pesadelo, mergulhado em outro muito pior. Ao fundo, a canção das crianças ecoava: alegrai-vos, doentes de todo lado, o médico está junto a vós, deitado!

Ou seja, Kafka foi o responsável pela forma e o pesadelo pelo conteúdo. Resultado: o tempo presente entrelaçado com o eterno; a criada e os leitores são (e serão) vítimas consumadas do homem-porco/da obra-prima. Ou do falso alarme: e o médico-narrador seminu está sendo (e será por toda a eternidade) arrastado lentamente pelos seus pesadelos na mais triste das estações do ano, “já não há mais remédio”. De certa forma, Borges não estava incorreto. Só que, em vez de apenas considerar a iluminação do presente pelo passado e vice-versa, poderia ter sido mais generoso, e ter atribuído ao “nunca mais” o tempo da eternidade. A eternidade cabe dentro do corralito imaginado por Borges, ponto para o argentino. Mas também ultrapassa esse limite. O corvo de Poe reproduz esse pressuposto, e é assim que Kafka encerra seu conto. Portanto, caros leitores, vos asseguro que não estamos diante de mais um registro banal nem tampouco de uma mera coincidência.

*Marcelo Mirisola, 42, é paulistano, autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô, O azul do filho morto (os três pela Editora 34), Joana a contragosto (Record), entre outros.

Opinião

Pobres alunos, brancos e pobres...

Sandra Cavalcanti
Entre as lembranças de minha vida, destaco a alegria de lecionar Português e Literatura no Instituto de Educação, no Rio. Começávamos nossa lida, pontualmente, às 7h15. Sala cheia, as alunas de blusa branca engomada, saia azul, cabelos arrumados. Eram jovens de todas as camadas. Filhas de profissionais liberais, de militares, de professores, de empresários, de modestíssimos comerciários e bancários.


Elas compunham um quadro muito equilibrado. Negras, mulatas, bem escuras ou claras, judias, filhas de libaneses e turcos, algumas com ascendência japonesa e várias nortistas com a inconfundível mistura de sangue indígena. As brancas também eram diferentes. Umas tinham ares lusos, outras pareciam italianas. Enfim, um pequeno Brasil em cada sala.

Todas estavam ali por mérito! O concurso para entrar no Instituto de Educação era famoso pelo rigor e pelo alto nível de exigências. Na verdade, era um concurso para a carreira de magistério do primeiro grau, com nomeação garantida ao fim dos sete anos.

Nunca, jamais, em qualquer tempo, alguma delas teve esse direito, conseguido por mérito, contestado por conta da cor de sua pele! Essa estapafúrdia discriminação nunca passou pela cabeça de nenhum político, nem mesmo quando o País viveu os difíceis tempos do governo autoritário.

Estes dias compareci aos festejos de uma de minhas turmas, numa linda missa na antiga Sé, já completamente restaurada e deslumbrante. Eram os 50 anos da formatura delas! Lá estavam as minhas normalistas, agora alegres senhoras, muitas vovós, algumas aposentadas, outras ainda não. Lá estavam elas, muito felizes. Lindas mulatas de olhos verdes. Brancas de cabelos pintados de louro. Negras elegantérrimas, esguias e belas. Judias com aquele ruivo típico. E as nortistas, com seu jeito de índias. Na minha opinião, as mais bem conservadas. Lá pelas tantas, a conversa recaiu sobre essa escandalosa mania de cotas raciais. Todas contra! Como experimentadas professoras, fizeram a análise certa. Estabelecer igualdade com base na cor da pele? A raiz do problema é bem outra. Onde é que já se viu isso? Se melhorassem de fato as condições de trabalho do ensino de primeiro e segundo graus na rede pública, ninguém estaria pleiteando esse absurdo.

Uma das minhas alunas hoje é titular na Uerj. Outra é desembargadora. Várias são ainda diretoras de escola. Duas promotoras. As cores, muitas. As brancas não parecem arianas. Nem se pode dizer que todas as mulatas são negras. Afinal, o Brasil é assim. A nossa mestiçagem aconteceu. O País não tem dialetos, falamos todos a mesma língua. Não há repressão religiosa. A Constituição determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de nenhuma natureza! Portanto, é inconstitucional querer separar brasileiros pela cor da pele. Isso é racismo! E racismo é crime inafiançável e imprescritível. Perguntei: qual é o problema, então? É simples, mas é difícil.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 29 / 12 / 2008

Folha de São Paulo
"Israel prepara ataque terrestre a Gaza"
Ação contra Hamas tem 2º dia de bombardeios, envio de tanques à fronteira e convocação de mais de 6.500 reservistas.


O Globo
"Israel volta a bombardear Gaza e prepara a invasão"
Mísseis atingem fronteira com o Egito e mortos já chegam a 298.


O Estado de São Paulo
"Israel prepara ofensiva terrestre"
No segundo dia da maior ofensiva aérea contra a Faixa de Gaza em 60 anos, Israel anunciou o preparo de uma incursão terrestre de larga escala: cerca de 6,5 mil reservistas foram convocados e as tropas já estão mobilizadas na fronteira ao norte do território palestino. (...)


Jornal do Brasil
"Curso médio ganha perfil modernizado"
O governo criará 38 Instituições Federais de Educação, Ciência e Tecnologia para baixar o desemprego juvenil e ampliar as vagas profissionalizantes. As unidades usarão Centros Federais de Educação Tecnológica, escolas agrotécnicas federais e escolas técnicas de universidades.

domingo, dezembro 28, 2008


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Lixo

Sr. Prefeito - Ubatuba merece uma explicação

Rui Grilo
Através do Ubatuba Víbora fiquei sabendo do aumento da taxa do lixo, fato já previsto em artigos anteriores porque não dá para manter o custo se aumenta a distância entre o lugar de coleta e de destino. Se o aumento desse custo era previsto, era necessário um plano estratégico para reduzir o volume do lixo destinado ao aterro. Desde o começo do mandato, o senhor sabia que não haveria novo licenciamento para aterro sanitário e o que estava em funcionamento, além de poluir o Rio Grande com o chorume, estava no seu limite de capacidade.

Ao mesmo tempo, a mídia local têm divulgado reclamações contra os moradores de rua, sobre a grande quantidade de lixo nas ruas e praças da cidade.

Gostaria de saber:

a) se houve um trabalho de cadastramento dos catadores de sucata no sentido de organizar a coleta seletiva do lixo e a formação de cooperativas;

b) por que não se organizou o Fórum Lixo & Cidadania e um amplo debate sobre os resíduos sólidos, envolvendo as associações de bairro e as ongs do município.

Sabe-se que há linhas de financiamento públicos no FNMA/CEF; também há financiamentos privados e internacionais, tanto para a solução do problema dos resíduos sólidos como para a geração de emprego e renda e programas de inclusão social, mas tem como requisito necessário a instalação do Fórum Lixo & Cidadania, instrumento para gestão socioambiental integrada e compartilhada, por meio da atuação dos órgãos de governo, ONGs e incubadoras, dedicados às questões relativas aos resíduos sólidos.

O Fórum Lixo & Cidadania municipal constitui um espaço importante no processo de formação de consciência crítica acerca dos conflitos e potencialidades da gestão de resíduos sólidos, permitindo aos seus participantes trocarem experiências, formular soluções integradas e atender as demandas comuns e individuais para o desenvolvimento de práticas que promovam, desde a destinação adequada dos resíduos com a inclusão dos catadores de materiais recicláveis, até o consumo consciente.

Na maioria das cidades brasileiras, mulheres e homens, num trabalho isolado, insalubre e disperso, batalham nas ruas, dia e noite, para garantir a sobrevivência; assim, impedem que o lixo aumente a poluição de córregos e rios.

Além de facilmente contraírem doenças, são vítimas da exploração de intermediários das indústrias que fazem a reciclagem de materiais. Em geral, os catadores são desempregados e de baixo nível profissional e cultural, sofrendo ainda com a incompreensão e a má vontade das prefeituras. No entanto, há várias experiências positivas de solução desse problema. Como exemplo, vou citar o caso da ASMARE de Belo Horizonte, cujo quadro se modificou quando a Pastoral de Rua da Arquidiocese estimulou e orientou os catadores de lixo a defenderem seus direitos. Esse trabalho foi iniciado na década de 1980 e tinha como objetivo promovera organização desses homens e mulheres, estimulando-os a batalharem pela valorização de seu trabalho.

Pretendia-se, sobretudo, promover o resgate da cidadania dessas pessoas, antes condenadas a viver nas ruas e desprovidas de qualquer direito. Por isso, em 1º de maio de 1990, foi fundada a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável de Belo Horizonte, a Asmare. Ela resultou, portanto, de uma intensa mobilização, por meio de atos públicos, ocupação de espaços para a triagem de recicláveis e protestos encaminhados à Câmara de Vereadores da capital mineira. Assumindo um papel reivindicatório junto à municipalidade, a Associação marcou o início do movimento organizado de luta pelos direitos da população de rua.

Essa luta está provocando transformações no imaginário social e forçando a administração pública a romper com uma postura histórica em relação aos catadores como incapazes de se defenderem. Eles migraram, então, de uma situação de marginalidade para o reconhecimento por parte do poder público municipal de serem parceiros na realização da coleta seletiva de lixo. Em 1992 foi iniciada a construção de um galpão da Asmare pela prefeitura.

A partir desse trabalho, muitos catadores e ex-moradores de rua, antes dependentes químicos, ou mesmo alguns portadores de doenças mentais, tiveram oportunidade de se restabelecer e construir novos valores. Tiveram a oportunidade de estudar e de oferecer melhores condições de vida a seus filhos. Atualmente, a equipe administrativa da Asmare e do Reciclo Espaço Cultural é composta, em grande parte, por catadores, sendo assessorada por técnicos e universidades parceiras.

Devido à falta de recursos e a baixa escolaridade é muito difícil que os catadores se organizem em cooperativas sem o apoio de alguma instituição que lhes dê suporte; assim, a parceria entre prefeituras e associações de catadores vem se ampliando por ser vantajosa para ambos, inclusive em cidades pequenas.

Recentemente, a arquiteta Márcia Macul, que possui residência na Estrada da Almada, esteve na Câmara Municipal para expor o Projeto Lixo Zero, em que até o lodo das estações de tratamento são transformados em bloquetes. Não seria o caso de tentar implantá-lo na cidade? Se outras cidades conseguiram resolver o problema da destinação dos resíduos sólidos de maneira sustentável e inteligente, por que Ubatuba não pode conseguir? Reduzir o volume de lixo deve ser prioridade nesse próximo mandato.

Com a palavra o prefeito.

Políticos

Surrando o vernáculo
Contam no Ceará que o prefeito de Crateús, Raimundo Rezende, certa vez denunciava num comício o temperamento violento de um adversário:
- ...e o Raimundo Bezerra, então, deu um tapa neu!
- "Em mim", prefeito - corrigiu um assessor, ao seu ouvido.
Rezende apontou para o assessor e gritou:
- Bateu nesse também! (Cláudio Humberto)

Arde e alivia a dor



Pimenta tem efeito semelhante ao da morfina

Economist
Cada vez mais a pimenta vem fazendo parte das dietas no mundo rico. Ela se tornou um ingrediente comum em tudo, desde as refeições prontas até os coquetéis, para satisfação dos apaixonados por culinárias exóticas, como a mexicana, a indiana e a tailandesa.

Uma das razões deste sucesso é que a globalização aumentou a tolerância das pessoas que vivem nos países desenvolvidos à capsaicina, o composto químico responsável pela sabor picante da pimenta.

O curioso é que a resposta natural do organismo a doses modestas desta substância é a auto-defesa: suor, pulso acelerado, língua dormente e lágrimas nos olhos.

Mas a capsaicina também alivia a dor. Ela libera na circulação sanguínea uma carga de endorfina, que é o que o corpo produz de mais parecido com a morfina.

A Tesco, maior cadeia de supermercados da Grã-Bretanha, recentemente lançou um produto cuja concentração de capsaicina chega perto daquela usada nos sprays de pimenta utilizados para dispersar rebeliões. (Opinião e Notícia)
Foto: Economist

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O sertão virou mar?


Márcio Martins/AE
Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie de cobra que só existe na ilha de Queimada Grande

Há 20 mil anos, oceano ficava a 100 km da Serra do Mar

Ilhas de São Sebastião (Ilhabela), Queimada Grande, Alcatrazes, Montão de Trigo eram montanhas em terra firme

Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Se a viagem de fim de ano dos paulistanos para passar o réveillon na praia já parece longa hoje, por causa do trânsito, imagine como era 20 mil anos atrás. Naquela época, o mar ficava muito mais distante da costa. Depois de cruzar a Serra do Mar, ainda seria necessário dirigir 100 quilômetros em linha reta até a praia mais próxima. As ilhas de São Sebastião (Ilhabela), Queimada Grande, Alcatrazes, Montão de Trigo e outras que pontuam o horizonte marítimo atual eram, na verdade, montanhas em terra firme, diretamente ligadas ao continente.

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Foi só 6 mil anos atrás, ao fim da última era glacial, que a linha da costa se estabilizou na posição atual e as antigas montanhas ficaram definitivamente aprisionadas pelo mar. Nesse momento, um espantoso processo evolutivo já estava em curso. Animais e plantas que tiveram o azar - ou a sorte - de ficar isolados nas ilhas começaram a se dif erenciar rapidamente de seus familiares no continente. Algumas populações ficaram tão diferentes que se transformaram em novas espécies, restritas a uma única ilha.

Algumas dessas espécies - chamadas endêmicas - já são conhecidas dos cientistas, como as famosas jararaca-ilhôa, da Ilha de Queimada Grande, e jararaca-de-alcatrazes, da Ilha de Alcatrazes. Mas muitas podem ainda estar escondidas dentro de suas pequenas florestas, aguardando para serem descobertas. Os próprios pesquisadores reconhecem que seu conhecimento sobre a biodiversidade das ilhas paulistas é muito limitado. "Comparado ao que sabemos sobre a biodiversidade do continente, é nada", diz o ecólogo Marcio Martins, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

Por causa dessa falta de conhecimento, os ecossistemas marinhos - praias, manguezais e ilhas, além do próprio mar - ficaram de fora, até agora, dos mapas de áreas prioritárias para conservação produzidos pelo programa Biota, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Pesquisadores de várias instituições, porém, estão empenhados em redigir projetos para reverter esse cenário em 2009.

"Tivemos dificuldade com essa parte marinha e estamos incentivando os grupos a preencher essa lacuna agora", diz o biólogo Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do Biota e pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). O esforço é feito em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

O plano é apresentar propostas para três projetos temáticos sobre biodiversidade do mar, das ilhas e das praias e manguezais do litoral paulista. "Em cinco anos queremos chegar ao nível de conhecimento que temos do continente", diz Martins. "Pode esperar que vai aparecer muita coisa interessante."

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