Opinião
Apenas nomes ou reais alternativas?
Fernando Henrique Cardoso
A discussão eleitoral põe habitualmente o carro à frente dos bois. Quase três anos antes das eleições para presidente e nove meses distante das municipais, a mídia, em geral, reduz a política à discussão sobre os nomes dos candidatos. Qualquer comentário que permita inferir apoio a algum ainda não-candidato se transforma logo em "adesão", mesmo que o entrevistado nem remotamente esteja pensando que as uvas estão maduras. Isso é corriqueiro e não deve preocupar muito.
O que preocupa é a falta de densidade no pseudodebate político. Nele quase sempre se esquece que, quando se travarem as eleições para presidente, estará em jogo a possibilidade de um caminho melhor para o Brasil.
Depois do frenesi de 2002, quando as mentes mais aflitas imaginaram que a vitória do PT significaria uma ruptura, o comportamento do governo Lula, respeitoso das regras do jogo capitalista e da democracia, teria colocado ponto final no debate sobre os rumos do Brasil. De agora em diante, "nada a temer". Os conservadores, beneficiários da situação econômica, mesmo que possam desconfiar de algo, preferem silenciar sobre mudanças de rumo. A "esquerda", ou que nome se queira dar a quem pensa que é possível dar outro curso às coisas, talvez discrepe, mas fica temerosa de que "ruim com Lula, pior sem ele".
Se for assim, as eleições se resumirão a uma competição entre nomes, simpatias, arrogâncias, interesses regionais ou locais, capacidade de manobrar politicamente, efetividade da gestão, etc. Ora, todos esses elementos são componentes inegáveis do jogo político. Mas qual jogo, se não se questiona o rumo das coisas e não se formulam alternativas claras viáveis ao que aí está?
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Fernando Henrique Cardoso
A discussão eleitoral põe habitualmente o carro à frente dos bois. Quase três anos antes das eleições para presidente e nove meses distante das municipais, a mídia, em geral, reduz a política à discussão sobre os nomes dos candidatos. Qualquer comentário que permita inferir apoio a algum ainda não-candidato se transforma logo em "adesão", mesmo que o entrevistado nem remotamente esteja pensando que as uvas estão maduras. Isso é corriqueiro e não deve preocupar muito.
O que preocupa é a falta de densidade no pseudodebate político. Nele quase sempre se esquece que, quando se travarem as eleições para presidente, estará em jogo a possibilidade de um caminho melhor para o Brasil.
Depois do frenesi de 2002, quando as mentes mais aflitas imaginaram que a vitória do PT significaria uma ruptura, o comportamento do governo Lula, respeitoso das regras do jogo capitalista e da democracia, teria colocado ponto final no debate sobre os rumos do Brasil. De agora em diante, "nada a temer". Os conservadores, beneficiários da situação econômica, mesmo que possam desconfiar de algo, preferem silenciar sobre mudanças de rumo. A "esquerda", ou que nome se queira dar a quem pensa que é possível dar outro curso às coisas, talvez discrepe, mas fica temerosa de que "ruim com Lula, pior sem ele".
Se for assim, as eleições se resumirão a uma competição entre nomes, simpatias, arrogâncias, interesses regionais ou locais, capacidade de manobrar politicamente, efetividade da gestão, etc. Ora, todos esses elementos são componentes inegáveis do jogo político. Mas qual jogo, se não se questiona o rumo das coisas e não se formulam alternativas claras viáveis ao que aí está?
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