Editorial

O Corinthians caiu. Chávez perdeu. Lula vai viajar.

Ontem foi um dia concorrido para a Imprensa. No Brasil o campeonato nacional chegava à última rodada com o Corínthians à beira do abismo, expressão de Lula, correta em gênero número e grau. Alguém poderia dizer que futebol é assunto para a seção de esportes, eu discordo, o Corínthians é um fenômeno de massas, transcende. Na orelha esquerda de Lula o radinho ligado nos acontecimentos da Venezuela dava como certa a vitória do companheiro Chávez. Confesso que eu também me deixei levar pelo DIP venezuelano. Pela manhã entrei em diversos sites do país vizinho onde as pesquisas de boca-de-urna apontavam a vitória do sim. Continuei acessando até que no começo da noite não consegui mais. Fui ao Google e digitei “jornais da Venezuela”. Os links não funcionavam, imaginei congestionamento dos servidores, muita gente devia estar fazendo o mesmo, só não uso a figura da torcida do Corínthians porque esta estava chorando a descida aos infernos. Continuei tentando. Embora os leitores do Víbora caibam em um carro médio eu os trato como se escrevesse no “The New York Times”. Antes de publicar procuro me certificar da procedência e da confiabilidade das informações. Calei ante o que estava nos jornais eletrônicos, que davam como certa a vitória do Caudilho. Calei, eu só escreveria depois do resultado final. Fui dormir por volta das onze horas com uma dúvida, como abordar a quase certa vitória de Chávez? A superioridade da internet sobre os outros meios de comunicação está evidente nesta página, basta olhar a imensa barriga postada nas Manchetes do dia. Comeram moscas a Folha, o Globo e o Estadão, deram notícias falsas e velhas. No papel é assim, escreveu, imprimiu, não tem jeito. Chávez perdeu e aquela sala do Itamaraty que passou a noite com as luzes acesas esperando para comemorar, teve de guardar o champanhe. A derrota de Chávez não foi exatamente o que Lula esperava. Para os adeptos do continuísmo infinito, ele próprio o maior, acendeu-se a luz vermelha, aconteceu um desastre. Se Lula não é pé-frio, então não sei quem é. O Corinthians caiu e Chávez perdeu. Nuncaantesnestepaísseviucoisaigual. Quanto à confiabilidade das pesquisas, só posso dizer que erraram feio mais uma vez. Deve ter sido o diferencial delta cucaracho. Chávez é como o brasileiro do reclame, não desiste nunca. Esgotada a via legal, restam as armas. Ele vai tentar. Certo como o cair da noite ao findar o dia. O eu sou Napoleão fica para depois, agora é seguir o conselho do Rei e calar!

Sidney Borges

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