sábado, junho 05, 2010

Bola da vez



Jabulani, a estrela do espetáculo

Sidney Borges
A Jabulani, bola da Copa do Mundo da África do Sul tem oito gomos de material sintético moldados com curvatura tri-dimensional. Quando a bola é fechada, através de soldagem eletrônica, pode ser considerada uma esfera quase perfeita.

Na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, foi usada a "Teamgeist", de 14 gomos, evolução da bola usada em 1970 no México, cuja forma de Icosaedro truncado apresentava 12 faces pentagonais e 20 faces hexagonais planas. A pressão do ar dava o formato esférico.

O avanço na concepção geométrica parece não ter impressionado os craques.

Luis Fabiano, atacante da seleção brasileira acha a Jabulani "sobrenatural".

Para Júlio César é uma "bola de supermercado", enquanto o inglês David James a chamou de "horrível". O italiano Gianluigi Buffon radicalizou dizendo temer que a imprevisibilidade da bola arruíne a Copa.

Já o craque Kaká absolveu o esférico: “a Jabulani é ótima no contato do jogador com a bola”.

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Opinião

Atenção aos mercados da Ásia

Editorial do Estadão
Maior mercado para as exportações brasileiras, a China poderá ser forçada a reduzir seu ritmo de crescimento. Especialistas apontam pelo menos três problemas graves na economia do país. A atividade está muito aquecida, há uma grande bolha no setor de imóveis e os governos provinciais e locais estão muito endividados. Mesmo com a redução de 13,9% em relação a abril, a venda de 1,2 milhão de veículos em maio ainda foi 29,7% maior que a de um ano antes. No primeiro trimestre, o PIB cresceu em ritmo equivalente a 11,9% ao ano.

As autoridades têm tentado controlar a expansão dos negócios, mas com medidas suaves. Houve um aperto moderado na política monetária e, além disso, o governo anunciou a criação de um imposto anual sobre residências para conter a alta de preços dos imóveis. Mas o problema da bolha chinesa é mais grave que o dos Estados Unidos e do Reino Unido, comentou o economista Li Daokui, professor da Universidade Tsinghua e membro do Comitê de Política Monetária do Banco do Povo, o BC chinês.

O economista Fan Gang, professor da Universidade de Beijing e também membro do Comitê de Política Monetária, chamou a atenção para o crescimento da dívida pública, resultante em grande parte dos empréstimos tomados por governos provinciais e locais.

Em 1994 uma lei proibiu esses governos de tomar empréstimos bancários ou por meio da emissão de títulos. Para enfrentar a crise de 2008, o governo central aumentou seus gastos e estimulou os demais níveis administrativos a investir em obras de infraestrutura.

Entre 2008 e 2009 os créditos bancários para esses investimentos aumentaram de US$ 150 bilhões para US$ 900 bilhões e os governos provinciais e locais passaram a dever quase 20% do PIB. A situação ainda é controlável, segundo o professor Gang, mas o governo central terá de impor controles aos empréstimos.

Mas não só a China dá sinais, na Ásia, de crescimento econômico muito acelerado. Também a economia indiana tem-se expandido rapidamente, com risco de pressões inflacionárias. No primeiro trimestre, seu PIB aumentou à taxa anualizada de 8,6%. Nos 12 meses terminados em março o país acumulou um crescimento de 7,4%. Houve, portanto, uma forte aceleração no começo de 2010. Com a forte ampliação do consumo, os preços tendem a subir e o BC provavelmente será forçado a elevar os juros, segundo especialistas.

O aquecimento da economia da China e de outros emergentes, principalmente da Ásia, tem permitido ganhos importantes para os exportadores de matérias-primas. O Brasil é um dos principais beneficiários. A China foi no ano passado a principal fonte de receita comercial do País e está mantendo essa posição em 2010. De janeiro a maio deste ano, as vendas para o mercado chinês, US$ 10,6 bilhões, foram 14,85% maiores que as de um ano antes e representaram 14,8% da exportação total do Brasil. Nesse período, os Estados Unidos proporcionaram 10,1% do valor faturado pelo País.
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Manchetes do dia

Sábado, 05 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Ficha Limpa se torna lei sem data para começar"

Justiça vai definir se regra que veta candidatura de condenados valerá já neste ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem sem vetos a lei do Ficha Limpa, que impede a candidatura de pessoas com condenação na Justiça. O projeto foi resultado de uma iniciativa popular que obteve 1,6 milhão de assinaturas. Não está definido, porém, se a lei valerá para a eleição deste ano. Outra dúvida é se ela inclui casos de políticos já condenados ou só será aplicada a sentenças proferidas após sua promulgação. Nos dois casos, a Justiça terá de se pronunciar. A nova lei torna inelegível quem tenha sido condenado por decisão colegiada (mais de um juiz), mas permite que o político recorra à um colegiado para obter a suspensão da pena. Ela atingirá condenados por crimes eleitorais, entre outros. Procuradores eleitorais criticaram a sanção. Segundo eles, a lei deixa de fora políticos que tenham as suas contas rejeitadas pelos tribunais de contas. O Ministério Público avalia que condenações judiciais podem demorar anos.

O Estado de São Paulo
"Campanha de Dilma convidou araponga para fazer dossiês"

Sargento Dadá, que trabalhou na Operação Satiagraha, chegou a propor preço do serviço e a contatar outros agentes

A articulação para montar uma central de dossiês a serviço da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência contou com a participação de agentes ligados aos serviços secretos oficiais, informa o repórter Rodrigo Rangel. Um deles é Idalberto Matias de Araújo, o "sargento Dadá", um dos mais experientes agentes do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica. Ele se notabilizou por ter trabalhado nas investigações que resultaram na Operação Satiagraha, contra o banqueiro Daniel Dantas. Em abril, após solicitar auxílio de outros agentes, Dadá teve contato com um dos principais profissionais de comunicação da campanha de Dilma, o jornalista Luiz Lanzetta, com quem acertou o preço do serviço. Ele pediu R$ 200 mil por mês e uma equipe de 12 pessoas. O assunto chegou ao coordenador da campanha de Dilma, Fernando Pimentel.

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sexta-feira, junho 04, 2010

Copa do Mundo

Carlitos Tevez pensando

Pelados pela Argentina

Maradona promete tirar a roupa, Tevez tira...

Sidney Borges
Os craques argentinos podem quase tudo. Maradona liberou sexo, vinho e churrasco. Rock and roll não. Na seleção argentina é tango ou tango. Tevez gosta de ficar nu na concentração. Elogiou o treinador dizendo que jogar na seleção argentina é bom, mas treinar é melhor pois nunca um treino é igual ao outro. Tevez é um grande pensador.

Espaço Zifiu

O cidadão ao fundo está disfarçado de Gilberto Gil

'Farmácia' em Joanesburgo cura dores e afasta maus espíritos

Kwazulu Muti vende ervas e preparados com base em animais para clientes fiéis, que buscam afastar os males do corpo e da alma

Por Adilson Barros e João Paulo Garschagen
Kwazulu Muti: Museu do Homem e da Ciência. O nome sugere um local de pesquisa, com ar acadêmico. Mas não se deixe enganar. Kuwazulu Muti, uma lojinha encravada no centro de Joanesburgo, não tem nada de científico. Trata-se de uma farmácia alternativa que vende ervas e preparados de animais que servem para curar males do corpo e do espírito. Um dos lugares mais curiosos da maior cidade da África do Sul. Os clientes encontram desde raiz para curar dor nas costas até unguento para afugentar demônios.
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Nota do Editor - Um enviado especial do Ubatuba Víbora está na África do Sul fechando negócio. O blog, ampliando suas atividades, vai importar mil frascos de ungento para afastar demônios. O que não falta nesta cidade são demônios. Ungento neles. Serão convidados a se retirar de forma sustentável. Com capacitação. (Sidney Borges)

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Coluna do Celsinho

Tempo integral

Celso de Almeida Jr.
Se eu tivesse muitos recursos, transformaria a nossa escola num ambiente aonde o estudante pudesse ficar o dia inteiro.

De segunda a sábado.

Já imaginou se todas as escolas de Ubatuba fossem assim?

Além do ensino regular, ministrado em um período, teríamos muitas atividades esportivas, culturais e profissionalizantes no outro turno.

Bacana, até, se o aluno mais carente dormisse na escola.

Teria a garantia de boa alimentação e acompanhamento pedagógico.

É angustiante ver a falta de perspectivas para a nossa garotada.

É triste quando vemos crianças e jovens perambulando pelas ruas, sem ter o que fazer.

Em Ubatuba, muitas escolas e associações têm oferecido alternativas aos mais jovens.

O problema é que o alcance é muito pequeno, considerando o elevado número de estudantes das redes estadual, municipal e particular.

Torna-se necessário um esforço maior, muito mais abrangente, que obrigatoriamente requer investimentos públicos e privados.

Seria conveniente uma estratégia conjunta, identificando quais alunos não se envolvem em alguma atividade extracurricular, procurando convidá-los a participar de projetos que despertem interesse.

Mapear os cursos que estão disponíveis; solicitar bolsas de estudo às escolas e academias de esporte; incentivar cursos profissionalizantes de rápida formação; mobilizar assistentes sociais, psicólogos e pedagogos; são ações possíveis que precisam ser postas em prática com grande visibilidade.

Cadastrar voluntários dispostos a dar aulas particulares para pequenos grupos de alunos; identificar espaços públicos para estas atividades; convocar o empresariado para ajudar; são itens que também integram o rol de iniciativas que precisam ser praticadas.

Sabe, prezado leitor, querida leitora; fico envergonhado com a nossa passividade.

Olhamos tudo, reclamamos um bocado e fazemos pouco.

Somos um povo habituado a transferir as responsabilidades para terceiros.

Não temos nada a ver com o problema.

A Prefeitura e o Estado que resolvam.

Chegaremos a algum lugar com este tipo de pensamento?

Há atores confiáveis para conduzir um processo de mobilização da comunidade, isentos de interesses pessoais, sejam políticos, financeiros ou religiosos?

Complicado...

Uma clara questão cultural.

É a lógica do cada um por si.

E o bom Deus para todos.

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Opinião

O elogio da voracidade

Editorial do Estadão
Os brasileiros pagam um volume de impostos de Primeiro Mundo em troca de serviços de país subdesenvolvido e ainda têm de sustentar o empreguismo no governo e as benesses concedidas a pelegos amigos do poder. Esses são os fatos, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou uma história diferente em seu discurso, em Brasília, na reunião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). "Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada", disse o presidente. Os países desenvolvidos têm boas políticas sociais, argumentou, porque têm a tributação mais elevada, e citou EUA, Alemanha, França, Dinamarca e Suécia como exemplos. Há muita má-fé nessa argumentação e alguma ignorância.

Para começar, a opção não é entre uma carga tributária de 10% do PIB, obviamente muito baixa, e uma de 35%, 40% ou mais. Em segundo lugar, nem todos os países desenvolvidos ou emergentes têm impostos e contribuições tão pesados quanto os do Brasil. A tributação nos EUA fica geralmente abaixo de 30% do PIB, assim como na Coreia, Japão e México. Na Austrália, oscila em torno de 30%, assim como na Suíça.

Em todos esses países os contribuintes pagam menos que no Brasil e recebem serviços muito melhores que aqueles proporcionados aos brasileiros. Na Europa mais desenvolvida a tributação média é muito próxima da brasileira, estimada na faixa de 35% a 38% do PIB. Mas quem ousará confrontar os serviços de educação, saúde, segurança e justiça desses países com os do Brasil - além, é claro, dos gastos públicos em pesquisa, tecnologia, infraestrutura e transportes?

Como ocorre com frequência, o presidente Lula se enrolou na confusão de ideias e informações defeituosas, mal assimiladas e mal combinadas. Carga fiscal pesada não é garantia de bons serviços públicos, como prova a lista de exemplos de países com bons Índices de Desenvolvimento Humano e tributação muito menor que a do Brasil (Coreia, México, Austrália, etc.). Quanto aos países da Europa mais desenvolvida, seus elevados impostos custeiam funções públicas definidas com base em concepções amadurecidas e consolidadas democraticamente. Esses países dispõem de um funcionalismo altamente profissional, estável e pouco permeável a decisões baseadas no companheirismo e no loteamento de cargos. Os partidos se comprometem com a gestão fiscal e têm de se ajustar a padrões socialmente aceitos, mesmo quando executam políticas discutíveis, como a dos subsídios à agricultura.

O documento básico apresentado pela Cepal, intitulado A Hora da Igualdade, contém um capítulo sobre como a tributação e o gasto público podem promover o desenvolvimento social. A estrutura tributária da maior parte dos países da região é descrita como regressiva, isto é, desfavorável à igualdade, e insuficiente para o custeio das políticas necessárias. A tributação média da América Latina equivalia em 2008 a 18,7% do PIB. O presidente Lula deve ter recebido alguma informação sobre esse texto. Mas o mesmo capítulo aponta quatro países com carga tributária elevada em relação ao PIB per capita: Argentina, Brasil, Bolívia e Nicarágua. O Brasil aparece em primeiro lugar, com um peso fiscal equivalente a 35,5% do PIB, bem acima da Argentina (30,6%). Em 2007, a carga tributária da OCDE (formada por 31 dos países mais desenvolvidos) representou quase o dobro da latino-americana - e praticamente igual à brasileira, poderiam ter acrescentado os autores do estudo.

O discurso foi um rosário de disparates e de fantasias, e não só sobre impostos. O presidente Lula se vangloriou de haver quebrado o "paradigma" da oposição entre exportar e atender o mercado interno. Nada mais falso. Ao chegar ao governo ele ainda se referiu à necessidade de garantir o abastecimento interno antes de exportar - uma evidente bobagem, porque a agricultura e outros setores já se haviam provado capazes de atender o mercado brasileiro e de competir no exterior. Os últimos a perceber esse fato foram Lula e a sua assessoria.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 04 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"PT interpela Serra na Justiça"

Partido quer que tucano confirme declaração que culpa Dilma por dossiê; para PSDB, 'querem transformar vítima em réu'

O PT anunciou que irá interpelar (intimar a dar esclarecimentos) na Justiça o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, para que confirme a declaração que atribuiu à rival petista, Dilma Rousseff, a responsabilidade pela confecção de um dossiê contra os tucanos. Caso Serra reafirme, será processado por danos morais, disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Ele terá de provar o que falou", afirmou José Eduardo Cardozo, secretário-geral petista. A sigla nega que tenha investigado o tucano. Em resposta, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que Dilma deveria explicar "quem fez o dossiê", "Querem transformar o Serra, vítima de uma política nefasta, em réu."

O Estado de São Paulo
"Governo estuda zerar taxa para importar aço"

Medida é reação à decisão de siderúrgicas de elevar preço do produto, usado em carros

O governo voltou a estudar a hipótese de zerar as tarifas de importação de aço, para conter o impacto da alta do preço do produto na inflação. Depois de elevar os preços entre 10% e 15% em abril, as siderúrgicas negociam com os clientes um novo reajuste de 10% para junho ou julho. A justificativa é o aumento do preço do minério de ferro promovido pela Vale. Após dobrar os preços em abril, a mineradora aplicará mais um aumento de 35% a partir de julho. O aço é um insumo importante para a produção de bens como carros e eletrodomésticos e para a construção civil. Setores do governo vão tentar incluir o tema na próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que deve ocorrer na primeira quinzena deste mês. A avaliação oficial é que as siderúrgicas teriam espaço para absorver parte dos reajustes do minério. Em abril, o governo já havia ameaçado zerar as tarifas.

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quinta-feira, junho 03, 2010

Copa do Mundo

Soweto clama por Ronaldinho Gaúcho na Seleção Brasileira

Multidão presente ao Estádio Dobsonville queria ver o craque do Milan, preterido por Dunga

Thiago Salata no MSN Esportes
Onde está o Ronaldinho? Onde está o Ronaldinho?" O sul-africano Donet Ushonga, no fim do treino da Seleção Brasileira, no Soweto, fazia a pergunta, em voz alta, no meio do público que entrou no Estádio Dobsonville para ver a atividade do Brasil. A reclamação do torcedor era a mesma de outros tantos.

- Ronaldinho é o melhor. Eu gosto muito dele. Ele daria mais alegria a todos por aqui - reclamou Ushonga.

Muitos sul-africanos perguntavam aos jornalistas brasileiros o motivo de Dunga não ter convocado o jogador do Milan. Um deles foi Nuro Said, de 20 anos, nascido em Moçambique, próximo à África do Sul.

- O Ronaldinho está no meu coração. É um jogador experiente. Não há igual. Como o Dunga não convocou, sinto uma dor no coração. O Dunga faz coisas que eu não entendo - afirmou Said, que vive há dois anos no país.
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Nota do Editor - Quando li essa matéria em voz alta para Fred-Brasil, cão comentarista do Ubatuba Víbora, notei pelo movimento de orelhas que ele está indignado com o Seteanão. Said afirmou que Dunga faz coisas que ele não entende. Fred-Brasil também não entende. Ontem ele latiu para mim dizendo em cachorrês caiçárico: deixou fora Ganso e Ronaldinho, eu nunca faria isso. Palavra de rotweiller. Au. Enfim, quem tem a caneta na pata, digo na mão, escreve o que lhe der na telha. Au. (Sidney Borges com a colaboração de Fred-Brasil)

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Meteorologia


Raios

Sidney Borges
Acompanhe a interessante animação sobre raios clicando aqui.

Um dia o homem vai dominar a enorme quantidade de energia que há na atmosfera. O porvir glorioso da energia farta e gratuita, que hoje é desperdiçada, é um sonho. Quem sabe algum jovem estudante de Ubatuba descubra como domar essa força da natureza.

Veículos

Abastece aí Tutuquinho

Sidney Borges
O século XXI avança para a segunda década e o homem continua queimando ancestrais. Gente vira petróleo. Até o racista mais renitente acaba da cor do azeviche e da jabuticaba. Você nunca imaginou que a gasolina do seu carro possa ser a avó da bisavó da sua tetravó?

Pense nisso.

Com o fim da desigualdade e a adesão da China ao conforto burguês, o consumo de ancestrais fossilizados aumentou. O fim está próximo, em breve não haverá o que pôr no tanque.

Como levar as crianças ao zoológico para dar pipoca aos macacos? Quem sabe a soluçâo seja ficar em casa vendo o Faustão e comendo a pipoca dos macacos.

Os carros, que tanto fascínio exerceram e ainda exercem, estão com os dias contados.

Pelo menos os movidos a gasolina e diesel. Mas não se assuste, o fim do petróleo vai demorar, ainda há no subsolo zilhões de avós para queimar.

Em Nova Iorque ricos finos e chiques torcem o nariz para os carros. Como não há alternativa, alugam limusines e fazem questão de dizer que não possuem veículos poluentes. Metrô e táxi estão na crista da onda. 

Pobres copiam ricos, logo vai ser moda não ter carro, embora em cidades brasileiras seja quase impossível. Quando só as elites tinham o privilégio de desfilar em carruagens sem cavalos havia espaço para que passassem reluzentes e velozes, deixando rastros de cobiça nas massas exploradas pelo capitalismo desalmado.

Situação de um passado remoto, o mundo mudou. Banqueiros lulo-socialistas financiam carros em 100 meses, permitindo motorização ampla geral e irrestrita.

E pensar que há 40 anos queriam seqüestrar Delfim Netto.

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Espaço do leitor

Reflexão sobre valores

Wendell Pestallozzi
Num dia desses qualquer, recebi a visita de um dos meus sobrinhos. Ele mora perto de onde moro; estuda no mesmo bairro, em escola pública. Está iniciando o primeiro ano do ensino médio. Uma das matérias que sempre o empolga é a Filosofia; tenho a impressão que ela lhe possibilita muitas novas pistas de reflexão. Ainda irei conhecer o seu professor e dizer o quanto está sendo importante aos alunos ter tal oportunidade. Quando eu estava nesse nível, ainda na década de 1960, os militares proibiram tal disciplina na escola sem nunca dizer o porquê disso. O que eu reproduzo a seguir é parte de um texto que eles trabalharam em grupos. O tema era sobre a ética. A narrativa é de um professor.

“Em um dia desses, na sala de aula, com adolescentes do ensino médio, reparei bem naqueles que se destacavam por indisciplina: alguns se estapeavam, outros não paravam em seus lugares, havia aqueles que fingiam fazer alguma coisa enquanto copiavam tudo do colega, etc. Também não é incomum se encontrar nos cantos alguém que é maldoso, sempre maquinando ao menos um cascudo em alguém. Os fracos nos estudos sempre buscam os pontos mais distantes do professor. Eles temem o quê? Nisso que eu ia refletindo e anotando no diário os elementos que se destacavam negativamente, vejo dois das ‘figurinhas’ arrancando os bonés. Bonés, isso mesmo!!! Essa coisa geralmente encardida e fedida que serve para esconder alguns alunos. Dito de outra forma: nós ainda vemos muitos adolescentes e jovens que precisam de um boné para se sentir em segurança. Para encurtar o caso, os dois chegaram perto da minha mesa, dando oportunidade para pegar o boné de um deles e ameaçar jogar no lixo. Ah!!! Você imagina o escândalo do bonitinho? Ele me desafiou a jogar mesmo. Nesse momento eu devolvi a tal coisa nojenta; já tinha alcançado o meu objetivo: completei a minha avaliação sobre o tal aluno. Concluí que aquele objeto valia mais do que o dono. Não era ele que merecia ir para o lugar de coisas descartadas. Disso retomo o meu trabalho na educação: fazer com que as pessoas reflitam; recuperem ou aprendam o seu verdadeiro valor. Faço das palavras de André Comte-Sponville a minha conclusão: “Toda filosofia é um combate. Sua arma? A razão. Seus inimigos? A tolice, o fanatismo, o obscurantismo. Seus aliados? As ciências. Seu objeto? O todo, com o homem dentro. Ou o homem, mas no todo. Sua finalidade? A sabedoria”.

Com o texto em mãos, perguntei ao meu sobrinho: - Por que você gostou deste texto?

- Ora, titio! Na conversa em grupo nós chegamos à conclusão que a nossa turma também é assim. A nossa classe está lotada, perto de 45 alunos. Tem vários colegas que não sabem nem ser educados, cansam os professores e os funcionários da escola. Parece que só sabem palavrões. Essa forma de linguagem deve ser o dialeto de suas casas. Em seguida, escrevemos algumas pistas que podem mudar este quadro escolar. Acho que o professor comentará na próxima aula.

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Seção Bicho-Grilo

Canários rejeitam comida orgânica

Maecelo Leite na Folha.com
Nas nações mais afluentes do mundo, Estados Unidos e Europa, os alimentos ditos "orgânicos" já representam 2% a 3% de toda a comida vendida. Um mercado avaliado em R$ 64 bilhões anuais, que cresce à taxa de 14%.

No Brasil, a área ocupada por plantações naturebas não alcança 2% da superfície cultivada. Em alguns hipermercados, por outro lado, a oferta de produtos orgânicos aumenta em 20% a 40% anuais. Isso apesar de custarem cerca de 40% mais que a comida convencional.

Cada vez mais gente se sente atraída pelos gêneros produzidos sem pesticidas e fertilizantes artificiais, considerados mais saudáveis. Só falta convencer canários e outros passarinhos da superioridade dos orgânicos. Sério.

O estudo de Ailsa McKenzie e Mark Whittingham, da Universidade de Newcastle (Reino Unido), bem que pode acabar reproduzido nos "Anais de Pesquisa Improvável", o pseudoperiódico científico inventado pelos mesmos organizadores (http://improbable.com/ig/) do Prêmio IgNobel. O título soa levemente humorístico: "Pássaros preferem trigo convencional a orgânico quando têm livre escolha".

O trabalho (http://www.interscience.wiley.com) resulta de pesquisa que durou três anos. Saiu numa publicação respeitável, o "Journal of the Science of Food and Agriculture" em 19 de maio. A chave da preferência canária parece estar no conteúdo proteico mais elevado do trigo convencional (e depois dizem que eles é que têm cérebro de passarinho...).

"Nossos resultados sugerem que o dogma corrente de que alimentação orgânica tem preferência sobre a convencional talvez não seja sempre verdadeira", afirma McKenzie em comunicado da universidade, não sem algum eufemismo. Para ela, os achados deverão despertar "considerável interesse no público no debate sobre os méritos relativos da comida orgânica para pássaros e animais".
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Endurecem as regras do jogo

3 anos de filiação partidária para ser candidato

Agência Senado:
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) aprovou nesta quarta-feira projeto de lei que exige pelo menos três anos de filiação a um mesmo partido para que o candidato possa concorrer nas eleições. A proposta prevê ainda a perda imediata do mandato para quem deixa a legenda com o qual foi eleito. Aprovado com ressalvas, o projeto de lei segue agora para a Câmara dos Deputados.

Baseando-se em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o "troca-troca" de políticos entre partidos, o relator do projeto, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), acrescentou ressalvas às medidas propostas pelo autor da proposta, senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Uma delas diz que o candidato não terá de respeitar o prazo de três anos, nem perderá o mandato se mudar de sigla por conta da incorporação ou fusão de partido e da criação de um novo partido.

A mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário ou grave discriminação pessoal que torne impossível a convivência partidária também permitem a mudança do político de sigla sem a perda do mandato.
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Opinião

A derrubada da Mata Atlântica

Editorial do Estadão
Não é só na Amazônia que o desmatamento voltou a aumentar, o que acontece, segundo se desculpa o Ibama, por causa das greves dos fiscais do órgão. O que sobrou da Mata Atlântica está também sob séria ameaça em vários pontos do País, particularmente no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial revelam que, entre 2008 e 2010, a Mata Atlântica perdeu 20.887 hectares, equivalentes a 130 Parques do Ibirapuera.

Na área do bioma sob proteção ambiental, figura de longe como campeão do desmate o Estado de Minas Gerais, com 12.524 hectares. Seguem-se Paraná (2.899 hectares), Santa Catarina (2.149) e Rio Grande do Sul (1.897). A situação é menos grave em São Paulo, com 794 hectares destruídos, mas aumenta a preocupação com as investidas das motosserras no Vale do Ribeira e região sul.

Minas apresenta um contraste. É o Estado com a maior extensão de florestas plantadas, mas, ao mesmo tempo, é aquele que hoje detém a maior área remanescente, não contínua, da Mata Atlântica. Com a demanda em crescimento para a produção de ferro-gusa, que usa carvão vegetal, as florestas cultivadas para esse fim não estão dando conta das encomendas. Atraídos por bons preços, os guseiros partem para as matas existentes fora do cerrado, já praticamente devastado.

Em consequência, municípios como Ponto dos Volantes e Jequitinhonha, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,600, bem abaixo da média do Brasil (0,813), se tornaram centros de produção carvoeira. Somados, os dois municípios, à margem da BR-116, desmataram nada menos que 5.199 hectares. O Vale do Jequitinhonha é uma região pobre, mas já fez muita gente enriquecer com a mineração de ouro e pedras preciosas. Nas décadas de 1950 e 1960, a região possuía um vasto estoque de pés de jacarandá, que foram cortados para venda nos mercados interno e externo. Sobraram as matas nativas sem madeiras de lei, que também vêm sendo devastadas. Dali partem caminhões carregados de carvão para as fábricas de gusa.

Ainda que não estejam em greve, fiscais do Ibama não são vistos por ali. A fiscalização é exercida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas, cuja ação é manifestamente ineficaz. O IEF, alega-se, não tem interesse em deter o corte da mata nativa, uma vez que cobra uma "taxa de reposição" quando detecta o desmate. Assim, a redução progressiva do bioma torna-se fonte de arrecadação de impostos.

Uma nova ameaça surge com o projeto, já aprovado em primeiro turno pela Assembleia Legislativa de Minas, que retira da área de proteção ambiental as matas secas, que só voltam a florescer na estação das chuvas. Por considerar o projeto inconstitucional, a Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente espera que o governador Antônio Anastasia o vete. Com veto ou sem veto, será difícil conter o apetite por carvão vegetal dos guseiros e das siderúrgicas em expansão. Mesmo que for cumprida a promessa do Instituto Aço Brasil, de que 100% do carvão vegetal usado para a produção de aço no País será proveniente de florestas plantadas a partir de 2012, é possível que até lá não exista mais mata nativa no Vale do Jequitinhonha.

É hora de o Ministério do Meio Ambiente intervir, em articulação com outras Pastas. O Brasil comprometeu-se na Convenção sobre Diversidade Biológica a zerar o desmatamento na Mata Atlântica até este ano. Não vai cumprir a meta. Mas, pelo menos, deve agir para salvar o que pode ser salvo. Há muitas áreas do cerrado que estão deterioradas e podem servir para a plantação de florestas para a produção de carvão vegetal. A curto prazo, a alternativa é importar carvão mineral.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 03 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra acusa Dilma de fazer dossiê; petista nega"

Tucano diz que sigla rival tem 'tradição' nesse tipo de ação; presidente do PT vê 'desespero'

O pré-candidato do PSDB ao Planalto, José Serra, acusou sua adversária Dilma Rousseff (PI) de estar por trás de um dossiê contra ele. "A principal responsabilidade desse dossiê é da candidata Dilma", afirmou o tucano, que lembrou o caso dos "aloprados", em 2006, e disse que o PT tem "tradição" em fazer dossiês. Segundo a revista "Veja", petistas articularam a criação de equipe de espionagem, o que a sigla nega. O pré-candidato ficou irritado ao receber informações de que sua filha, Verônica, foi alvo de investigações. Dilma negou a acusação: "Não vou ficar batendo boca sobre isso. Agora, é uma falsidade". Segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a fala de Serra revela "desespero".

O Estado de São Paulo
"Serra responsabiliza Dilma por suposto dossiê contra ele"

Alvo seria sua filha; tucano lembrou do escândalo dos 'aloprados' para dizer que não seria a primeira vez

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, responsabilizou a petista Dilma Rousseff pela fabricação de suposto dossiê contendo denúncias que o atingiriam. "Disso eu não tenho dúvida", afirmou o tucano. O alvo da ação seria a filha de Serra, Verônica. Ele lembrou casos de eleições passadas, quando houve guerra de dossiês. Falou especificamente da disputa de 2006, quando um grupo de petistas, alguns ligados ao senador Aloizio Mercadante, que disputava o governo de São Paulo, tentou comprar um dossiê com supostas irregularidades da administração tucana no Estado. Na ocasião, os responsáveis foram chamados pelo presidente Lula de "aloprados". O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que esse tipo de ação, além de ser ilegal, "é vergonhosa, indecente e coisa de gente safada".

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quarta-feira, junho 02, 2010

Foguete



Movido a Mentos e Coca Zero

Por Heloisa Lupinacci (original aqui)
A descoberta de que bala Mentos mais refrigerante é igual a uma espécie de gêiser virou hit da internet. Mas agora a piada virou combustível.

Uma traquitana cirada por Fritz Grobe e Stephen Voltz usando uma bicicleta e um trailer é movida por meio de um mecanismo de pistão que tem como combustível Coca Zero e centenas de pedacinhos de Mentos.

Em um vídeo postado hoje, a máquina viaja por mais de 67 metros.

Nota do Editor - O experimento mostra que é possível decolar de asa delta de qualquer lugar. Basta o piloto engolir uma caixa de Mentos e tomar uma garrafa de Coca Zero de 2 litros. Depois é só chacoalhar um pouco e decolar. Jato humano. Difícil vai ser o abastecimento, 2 litros de Coca Cola não é pra qualquer um. Em tempo, recomenda-se que ninguém fique atrás da asa na decolagem, o impacto do deslocamento de ar pode ser fatal. (Sidney Borges)

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Tá no papo

Curandeiro nigeriano prevê que Brasil vencerá a Copa

DA BBC BRASIL
O curandeiro nigeriano John Adtari, de 78 anos, previu que o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo, na África do Sul.

Adatiri diz que tem contato com o além e afirmou que, depois de consultar seu "espelho mágico" por dois dias consecutivos, descobriu que o Brasil vencerá a Copa.

Sobre seu próprio país, o curandeiro previu que a Nigéria chegará às quartas de final.

Adatiri diz que é curandeiro desde 1952 e já tratou milhares de pessoas. Mas ele diz que não usará seus poderes para ajudar a seleção nigeriana a vencer a Copa porque isso seria um pecado.
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Ditaduras

Corte iraniana confirma condenação de jornalista por "propaganda contra o Estado"

Redação Portal IMPRENSA (original aqui)
Uma corte do Irã confirmou uma sentença de três anos e meio de prisão e cinquenta chibatadas contra um jornalista e cineasta condenando, no entendimento do governo, por propaganda contra o Estado e por insultos ao líder supremo do país.

Preso no fim do ano passado após postar em sua página pessoal na Internet cartas consideradas desrespeitosas ao aiatolá Ali Khameneni e a outras autoridades iranianas, Mohammad Nourizad teria sido ainda espancado ao chegar à penitenciária, onde deu início à greve de fome.

De acordo com a agência de notícias Reuters, a confirmação da sentença do cineasta pode ser um sinal de que o governo do Irã não será tolerante a eventuais protestos por conta do aniversário de um ano da polêmica eleição presidencial que levou milhares de oposicionistas ao presidente Mahmoud Ahmadinejad às ruas de Teerã em 12 de junho de 2009.

Na semana passada, o cineasta Jafar Panahi, correligionário do líder opositor Mirhossein Mousavi, foi libertado, mediante pagamento de fiança, após ficar mais de dois meses e meio preso. Mousavi também fez greve de fome para protestar contra sua prisão.

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Copa do Mundo

Seleção vence a primeira

Aleguá, guá, guá, hip, hip, urrah! Brasil!

Sidney Borges
Pois é ganhamos do Zimbábue. Três a zero sem muito esforço. A seleção zimbabuense (ou seria zimbabuana?) corre muito, mas não é páreo para o Brasil. Estou em dúvida, vou ao oráculo. Quem nasce no Zimbábue é? A resposta chega rápido como um raio. É zimbabweano e geralmente pobre de dar dó, embora lá, como aqui, existam elites que acumulam coisas.

Os zimbabweanos perderam um gol feito quando o jogo estava zero a zero. O atacante Owidy, cara a cara com Julio César colocou a jabulani  em órbita, ou se não tanto a enviou a Adis Abeba, na Etiópia, que já foi Abissínia e encantou Mussolini.

Dunga não cabia em sí. Estava Feliz e quase espirra fazendo Atchim. Ficou Zangado no começo, mas na medida em que os gols foram surgindo mudou a expressão. Parecia Dengoso. Dunga está mostrando competência de Mestre, o domínio do Brasil em certos momentos deu vontade de tirar uma Soneca.

Dunga é múltiplo, nele vivem os sete anões. Um por sete, sete por um. Viva o Seteanão.

Hoje vou ao centro. Tomar uns passes e ver se consigo que o caboclo Dolores traga o caboclo Perón, digo o presidente Perón. Quem sabe o grande lider consiga pôr ordem no caos. Alguém precisa dizer a Maradona que sair pelado não pega bem. Um leitor mais afoito poderia argumentar que antes de cumprir a promessa o técnico argentino precisa vencer a Copa. É verdade, mas quem chega quietinho como a Argentina e tem Messi é candidato a levantar o caneco.

Em 1990 o técnico Sebastião Lazaroni escalou um time que acertava a trave. Dunga foi o seu lugar-tenente em campo. Perdemos para a Argentina de Dieguito e voltamos antes do tempo. Lazaroni levou a culpa e sumiu, parece ter sido abduzido. Ninguém fala dele, nem mesmo para treinar o Palmeiras. O período de memória triste do futebol brasileiro ficou conhecido como "Era Dunga".

Para mim tudo não passou de mal entendido. O Brasil jogou o mesmo de sempre, perdeu da Argentina por conta da magia do futebol. Maradona, ao comentar o jogo anos depois, disse que o Brasil passou noventa minutos embaixo das traves argentinas e não marcou. A Argentina, em um contra-ataque, marcou.

Não concordo com o desterro de Lazaroni, condenado pela crônica esportiva. Aqui no Ubatuba Víbora ele está reabilitado. Viva Sebastião Lazaroni. E viva o Seteanão. Viva todo mundo! Eia! Viva o Zimbábue!

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Ubatuba em foco

A Santa Casa e a Cruz Vermelha

Sidney Borges
Em 2007 viviam em Ubatuba 75 008 habitantes, segundo o IBGE, hoje vivem perto de 100 mil. Nas temporadas de férias e nos feriados prolongados a população chega a 500 mil habitantes. Um aumento considerável de demanda para o único hospital disponível na cidade, a Santa Casa, que vive eternamente em dificuldades financeiras. Não poderia ser diferente, é público e notório que as verbas do SUS não são suficientes para fazer frente às despesas  A entidade recebe doações e repasses da prefeitura, mesmo assim o déficit acumulado redundou em uma dívida considerável.

Em 2005 o prefeito Eduardo Cesar fez a requisição administrativa do hospital. O novo gestor deu início aos trabalhos e segundo o secretário de Saúde, Clingel Frota, no processo de ajustes aconteceram demissões. As reclamações trabalhistas decorrentes tiveram impacto na dívida que saltou de 11 para 21 milhões de reais. Acrescente-se, reclamações trabalhistas e falhas administrativas. Só assim é possivel justificar a duplicação do passivo em 5 anos.

A Prefeitura sentindo-se incapaz de gerir um setor pleno de especificidades, buscou auxílio na Cruz Vermelha do Maranhão, entidade com experiência em gestão de hospitais do porte da Santa Casa de Ubatuba. Palavras do prefeito Eduardo Cesar na apresentação do então pretenso parceiro.

Durante 40 dias a Cruz Vermelha esteve no hospital inteirando-se dos andamentos. Feito o diagnóstico, foi apresentada proposta de trabalho. A Prefeitura aceitou os termos e o contrato foi firmado. A partir desse momento o déficit mensal de 200 mil reais foi acrescido de 50 mil reais dos honorários do novo gestor.

Em tempo, o contrato foi assinado sem que houvesse licitação.

A Lei Nº 8.666, de 21 de junho de 1993, conhecida como “Lei das Licitações”, diz o seguinte:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

SEÇÃO I
DOS PRINCÍPIOS

Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Art. 2º As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.

Com base no texto da Lei 8666 e entendendo que com a requisição administrativa de 2005 a contratação da Cruz Vermelha foi ilegal, uma ação popular pediu em liminar o cancelamento do contrato.

O parecer do Ministério Público foi favorável à ação, mas a liminar não foi integralmente concedida pelo temor de que o atendimento médico fosse comprometido. A ação segue seu curso. A prefeitura entende que a licitação não é obrigatória. A tese é que a Santa Casa por ser empresa filantrópica, sem fins lucrativos, está fora das obrigações da órbita pública.

Esse será o ponto fulcral do desenrolar do processo. Qual é a natureza jurídica do hospital?

Há duas possibilidades:

1) A intervenção de 2005 não alterou o status jurídico da Santa Casa, o que a coloca fora do alcance da Lei 8.666/93. Nesse caso o contrato foi assinado dentro da legalidade e o processo será encerrado.

2) Com a intervenção, o hospital passou a ser controlado pelo Município, ainda que de forma indireta, sendo sua administração obrigada a acatar o texto da lei 8.666, como é praxe na administração pública. Nesse caso existe a possibilidade do vínculo entre a Santa Casa e a Cruz Vermelha ser extinto. Além de abertura de processo de Improbidade Administrativa envolvendo os participantes da contratação.

O tempo e a Justiça dirão quem tem razão.

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Deu em O Globo

A compadecida diplomacia amoral de Lula

De Elio Gaspari:
Acandidata Dilma Rousseff e o companheiro Paulo Vanucchi, secretário nacional de Direitos Humanos, precisam ler "Death to the dictator!" ("Morte ao ditador!"), livrinho de 169 páginas que saiu nos Estados Unidos, contando a história de um jovem de 25 anos que foi preso pela milícia iraniana no dia 5 de agosto do ano passado, durante um protesto contra a posse de Mahmoud Ahmadinejad na Presidência do país. Ele passou 28 dias nos calabouços da República Islâmica. Ambos conheceram a rotina dos porões da ditadura brasileira e podem avaliar o que sucede no Irã enquanto Nosso Guia apoia a ditadura que esmagou a sociedade civil iraniana.

Ex-presos políticos, Dilma e Vanucchi podem entender o que sucedeu ao ex-metalúrgico Mohsen (um pseudônimo, bem como o da autora, cujas qualificações foram verificadas pelo colunista Roger Cohen, do "The New York Times"). Ele era um ativista periférico e participou de passeatas e quebra-quebras nas semanas seguintes à eleição. Preso, foi levado para a prisão de Evin, a Bastilha de Teerã, desde o tempo do xá. Os presos ficavam nas celas algemados, encapuzados e obrigados ao silêncio. Na linguagem do porão, Mohsen "quebrou" na primeira surra. Isso ficou claro quando confirmou ter participado de reuniões e projetos inexistentes, inventados pelos interrogadores. Mohsen ficou poucos dias em Evin. Foi transferido para outro calabouço, onde o regime guardava bandidos, traficantes e cafetões. Lá, não mais o interrogavam. Os policiais o espancavam em nome do "Deus misericordioso e compadecido..." e um deles ordenou: "Engravide-o." Outro disse-lhe: "Você quer de volta o seu voto?" Mohsen, como seus companheiros de cela, era violentado todos os dias, às vezes mais de uma vez. Três semanas depois jogaram-no numa beira de estrada. Quando reencontrou a família, pediu que o levassem a um médico que não o conhecesse.

Na noite da eleição, em junho passado, o presidente Ahmadinejad ironizou esportivamente os protestos: "É como no futebol, todo mundo acha que vai ganhar." No dia seguinte, Lula recorreu à mesma metáfora: "Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos." O médico que cuidou de Mohsen disse à sua mãe que vigiasse o filho, pois vira casos semelhantes e muitos jovens mataram-se.

O que aconteceu no Irã depois que a Guarda Revolucionária se impôs nas ruas, nas empresas, nos meios de comunicação e no aparelho judiciário não foi coisa de flamenguistas ou de vascaínos. O beneplácito misericordioso e compadecido que, desde então, Lula dá a Ahmadinejad suja com a marca da amoralidade a diplomacia brasileira. Esse beneplácito faz com que soe parcial quando condena as ações de Israel.

Razões de Estado podem levar o governo turco, que tem uma extensa fronteira com o Irã, a cultivar uma política de boa vizinhança com Ahmadinejad, mas Brasília fica a 11 mil quilômetros dessa encrenca. Lula argumenta que exerce no Oriente Médio uma função pacificadora, porque o Brasil "cansou de ser tratado como segunda classe". Expandindo contenciosos e importando conflitos que pouco têm a ver com o interesse brasileiro, pratica uma agenda de terceira. (Do Blog do Noblat)

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Opinião

Reação desproporcional

Editorial do Estadão
Uma forma de loucura, dizem os especialistas, é a repetição de atos cujo desfecho será invariavelmente desastroso para quem os pratica. Este é o círculo vicioso que Israel vem traçando com o seu incrustado senso de soberba, alheio ao que Thomas Jefferson chamava "respeito decente pela opinião da humanidade". O país que professa desejos de paz com os seus vizinhos e se considera permanentemente ameaçado enveredou pela contramão do único caminho para o seu reconhecimento e segurança no Oriente Médio - a aceitação de um Estado palestino viável, ainda que numa fração do espaço demarcado pela ONU em 1947.

Se Israel tivesse planejado hostilizar a comunidade internacional e desalentar os seus amigos, não poderia vir fazendo melhor - na Cisjordânia ocupada, no Sul do Líbano, na Faixa de Gaza e, agora, em alto-mar. Por qualquer critério político, foi insana a decisão israelense de abordar em águas internacionais o Mavi Marmara, de bandeira turca, na madrugada da segunda-feira.

Ante a reação dos passageiros, os comandos mataram uma dezena deles. O maior e mais carregado dos 6 navios que transportavam 671 ativistas de 32 nacionalidades e 10 mil toneladas de suprimentos, o Marmara encabeçava a "flotilha da liberdade" para socorrer o 1,5 milhão de habitantes de Gaza.

Desde 2007, quando o movimento fundamentalista Hamas, que se recusa a aceitar a existência de Israel, assumiu o poder no território, Israel bloqueou a área para sufocar o governo inimigo. Fustigados pelos foguetes do Hamas, na virada de 2008 para 2009, os israelenses desencadearam uma brutal ofensiva que matou mais de 4 mil civis, acarretou imensa destruição e deixou a população local à míngua. A reação desproporcional e a punição coletiva aos civis chocaram o mundo. O Conselho de Segurança exigiu o levantamento do bloqueio e o ingresso irrestrito da ajuda humanitária.

Israel deixa entrar uma parcela apenas dos bens de que Gaza necessita - e aparentemente tolera o emaranhado de túneis na fronteira com o Egito, onde viceja um próspero contrabando do que se queira, incluindo armas. Eis por que se diz que a manutenção do bloqueio pelo governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu visa a mostrar firmeza a um público interno cada vez mais indiferente aos padecimentos de seus vizinhos árabes, quando não lhes é abertamente hostil. Já algumas vezes o movimento internacional Gaza Livre ensaiou levar suprimentos à região e foi repelido sem que uma coisa e outra repercutissem. Agora, porém, preparou uma operação de grande calado para denunciar a conduta israelense. E Israel lhe deu razão.

Se nada mais espantasse na política israelense de onipotência suicida, bastaria a disposição de levar à beira da ruptura o seu relacionamento com o único país muçulmano amigo. Turquia e Israel, de fato, chegaram a formar uma parceria estratégica, em sentido literal, algo impensável no caso do Egito e da Jordânia, os únicos países árabes que reconhecem o Estado judeu. Ancara, que chegou a mediar negociações entre Israel e a Síria, se afastou de Jerusalém depois da invasão de Gaza, mas ainda assim tinha manobras militares conjuntas marcadas para breve - agora canceladas, naturalmente.

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan qualificou a sangrenta interceptação do Mavi Marmara de "terrorismo de Estado" e apelou ao Conselho de Segurança. Os Estados Unidos conseguiram impedir a condenação unilateral de Israel, que alegou legítima defesa - os comandos foram atacados com armas brancas. A resolução condenou, sem especificar, os "atos" que causaram as mortes a bordo (quatro delas de turcos), e reafirmou a necessidade de livre fluxo de bens e pessoas a Gaza. Uma crise leva a outra: o destino dos mais de 600 ativistas da flotilha levados a Israel e mantidos presos por terem recusado a se identificar e aceitar a deportação (como o fizeram 45 deles). E o Gaza Livre anunciou novos embarques marítimos.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 02 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Egito abre caminho para Gaza após ataque a barco"

Mesmo membros do governo israelense questionam ação militar; ONU cobra fim do bloqueio

A pressão internacional pelo fim do bloqueio israelense a Gaza aumentou, após o Egito anunciar a reabertuta da passagem de Rafah, que liga o país a Gaza. Única saída terrestre do território que não passa por Israel, a passagem estava fechada desde que o grupo islâmico Hamas tomou o poder em Gaza, em 2007. O movimento que organizou a frota interceptada por Israel, quando nove ativistas foram mortos, anunciou o envio de outros navios para o território palestino. A ONU cobrou o fim do bloqueio. O Conselho de Segurança quer investigação. Ministros israelenses criticaram que a ação tenha sido decidida apenas por uma parte do gabinete.

O Estado de São Paulo
"Conselho da ONU critica Israel e cobra investigação"

Declaração sobre a sangrenta ação contra barcos de ativistas pró-palestinos evita culpar só os israelenses

O Conselho de Segurança da ONU divulgou declaração em que diz lamentar “profundamente” as nove mortes na ação israelense contra uma frota de ativistas pró-palestinos que tentou furar o cerco a Gaza. O texto, elaborado após negociações que se estenderam pela madrugada, usa linguagem que evita responsabilizar apenas Israel pelo ocorrido, como defendia a Turquia. Além disso, os turcos não conseguiram fazer com que o conselho acusasse Israel de violar leis internacionais. Mas os termos do documento foram mais duros do que queriam os EUA - ele exige que Israel libere os barcos e os civis detidos e pede investigação imediata, imparcial, crível e transparente de acordo com os padrões internacionais". Na avaliação do conselho, "a situação em Gaza é insustentável". O governo israelense decidiu que o processo de deportação dos ativistas estrangeiros presos seja concluído até amanhã.

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terça-feira, junho 01, 2010

Copa do Mundo

Jabulani e Vuvuzela

Sidney Borges
Continuam os ataques à Jabulani. Para quem pegou o bonde andando, Jabulani é a bola da copa. Talvez seja parte de um complô. Capitalistas neoliberais de olhos azuis querendo impedir que uma potência emergente levante o caneco pela sexta vez. É isso? Ou estou sofrendo da síndrome paranóica que consagrou Ubaldo?

Ontem enquanto passeava o cachorro fui abordado por um simpático vizinho que deve ter entre quatro e cinco anos. Ele queria saber do cão.

- Morde?

Respondi a verdade.

- Até hoje nunca mordeu nada além de ração e passarinhos.

- Posso passar a mão nele?

- Pode.

Enquanto ele acariciava o cão perguntei da copa.

- Quem você acha que vai ganhar?

- O Brasil.

- Quem é o melhor jogador do Brasil?

- Messi.

- Messi não joga no Brasil.

- Eu sei, o Dunga não convocou. Meu pai vai me dar uma vuvuzela. Tchau, minha mãe tá chamando.

Continuei o passeio pensando no Dunga. Bem que ele gostaria de convocar Messi. Se eu fosse ele convocaria. Messi e Ganso. Que belo ataque! Também quero uma vuvuzela.

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Campeonato de Ubatuba

Itaguá ganha a segunda por 4 a 0 e confirma favoritismo; Litoral e Puruba também vencem

Saulo Gil
O Itaguá confirmou o favoritismo para a conquista do bi campeonato amador de Ubatuba e goleou por 4 a 0 a equipe do Real Perequê, atual lanterna da competição. O jogo realizado no Estádio Municipal deu sequência a segunda rodada da disputa 2010, que foi aberta com a derrota do Brasília, para a equipe do Morro das Moças, por 3 a 1. Com o novo revés, a arqui rival do Itaguá amarga a penúltima colocação no campeonato.

Quem vem fazendo frente ao grande elenco comandado por Fabiano, são as equipes do Litoral e Puruba, que também venceram seus confrontos e somam 6 pontos na competição. No primeiro turno as equipes jogarão entre si, em turno único, no sistema de pontos corridos e forma contínua, num total de sete jogos cada equipe, sagrando-se campeão o clube que acumular o maior número de pontos ganhos em toda a disputa deste turno. Na segunda fase, mata-mata de ida e volta até se conhecer o campeão. Os vitoriosos dos dois turnos se enfrentam numa final, ao estilo do campeonato carioca.

Na segunda divisão, o número de participantes é maior e as equipes foram divididas em grupos. Com 100% de aproveitamento, apenas dois times do grupo D, Caiçara e Novo Rio Escuro, com vantagem para o alvirrubro da Estufa no saldo de gols.

Sobre a bola da Copa, é brincadeira a reclamação. Ninguém está falando da pelota do kiko, estamos falando da gorduchinha. Para quem vê o que os atletas ubatubenses fazem nos campos onde a bola muitas vezes não rola, quica, a reclamação dos super stars soa até como ofensa. Eu quero ver o comprometimento seteanão empurrar a redonda pras redes adversárias. Isso é o que importa!

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Brasil

As Mulheres na Política

Luiza Eluf
As próximas eleições já entraram para a História, independentemente do resultado. Pela primeira vez no País duas mulheres disputam o cargo de presidente da República e estão entre os principais candidatos. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) são as protagonistas deste pleito. Antes delas tentaram Lívia Maria Pio de Abreu (em 1989, ficando em 17.º lugar) e Heloísa Helena (em 2006, em 3.º lugar, com expressiva votação).

Se o fato de termos duas fortes postulantes ao Planalto numa mesma eleição é histórico e motivo de comemoração, a verdade é que a política no Brasil ainda é essencialmente masculina. A participação das mulheres é crescente na História brasileira, mas ainda está aquém do desejado. Somos a maioria da população do País e representamos 40% da força de trabalho fora do lar, mas continuamos invisíveis na área pública. Só em 1985 uma mulher se tornaria prefeita de capital (Maria Luiza Fontenelle, do PT, em Fortaleza) e apenas em 1995 o Brasil elegeria sua primeira governadora (Roseana Sarney, no Maranhão). Somente dois dos nossos Estados mais populosos já elegeram governadoras - Rio de Janeiro (Rosinha Garotinho) e Rio Grande do Sul (Yeda Crusius).

Na Câmara dos Deputados o cenário é ainda mais desanimador. Em 184 anos de existência do Legislativo, nunca uma mulher ocupou um cargo titular na Mesa da Casa. São apenas 45 mulheres em meio a 513 deputados, ou seja, míseros 8% de representação feminina. No Senado o índice sobe para 13%, mas ainda é inexpressivo. O porcentual de mulheres na Câmara e no Senado brasileiros é um dos mais baixos da América Latina e do mundo.

Apesar de a legislação determinar que os partidos preencham ao menos 30% de suas candidaturas com mulheres, isso não ocorre na prática. Entre os fatores que desestimulam as mulheres a participar da política estão o preconceito, que começa na própria família, a falta de incentivos financeiros e a dificuldade de encarar uma jornada dupla de trabalho, muito mais acentuada no caso de atividade partidária. Trata-se de um problema cultural. Durante grande parte da História do País, as mulheres não tiveram direitos civis nem cidadania plena. A elas eram negados os mais elementares direitos políticos, como votar e ser votadas. Só em 1932, no governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, depois de muita luta do movimento sufragista. Mesmo assim, apenas mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria votavam.

Com o Estatuto da Mulher Casada, de 1962, algumas liberdades fundamentais foram conferidas às mulheres, como o direito de viajar sem autorização do marido ou de gerenciar seus bens patrimoniais. Mais tarde, a Lei do Divórcio (1976) possibilitou que casamentos fracassados pudessem ser oficialmente desfeitos, permitindo a dissolução do vínculo matrimonial, que, enfim, deixou de ser para sempre. A mesma lei igualou os direitos dos filhos, independentemente da situação dos pais. Esses passos aparentemente elementares, no entanto, resultaram de muito esforço de persuasão das militantes feministas.

A verdadeira emancipação feminina só ocorreu com a Constituição de 1988, que equiparou homens e mulheres em direitos e obrigações. Em que pesem os avanços legais, convivemos ainda com os resquícios culturais dessa antiga situação de subalternidade.

A desigualdade de gênero nas instâncias de poder é um problema internacional. Em 1995 foi realizada em Pequim a IV Conferência Mundial da Mulher, um verdadeiro marco no avanço dos direitos femininos. Mas muitas das recomendações feitas às delegações oficiais dos países participantes não foram implementadas. As propostas legislativas que visavam a garantir o direito das mulheres ao patrimônio, à saúde e à liberdade sexual não se concretizaram em sua plenitude. Com a população feminina sub-representada nas áreas de comando e compondo apenas 20% dos legisladores em todo o mundo, segundo dados da ONU, estamos muito distantes das metas fixadas em Pequim. Nesse compasso, serão ainda necessárias muitas décadas para haver paridade de gênero nos cargos políticos de relevância.

Mulheres já foram eleitas presidente ou primeira-ministra na Índia, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Argentina e no Chile, para citar alguns exemplos, mas uma andorinha só não faz verão. A emancipação efetiva só será realidade quando atingir todas as mulheres, em todas as classes sociais. Enquanto houver violência doméstica, discriminação no trabalho fora do lar e abusos sexuais, nenhuma sociedade poderá dizer que a igualdade de gênero foi alcançada. Por isso, fortalecer e proteger a população feminina deve ser um projeto de governo.

Um exemplo de divisão justa do poder foi adotado por Michelle Bachelet, no Chile, e por José Luiz Zapatero, na Espanha, que decidiram nomear um Ministério paritário (metade homens e metade mulheres). Essa medida, na esfera do Poder Executivo, é fundamental para promover o respeito a uma parcela da população até hoje subjugada e menosprezada pelos padrões patriarcais. Se as mulheres não estiverem no poder, suas reivindicações não serão concretizadas e os projetos que as beneficiam estarão fadados ao esquecimento.

No Brasil foi aprovada nova lei eleitoral (12.034/2009) que determina a obrigatoriedade de os partidos políticos destinarem 5% do fundo partidário à formação política de mulheres, prevendo punição para o descumprimento da regra, e do já mencionado preenchimento de 30% das vagas com candidaturas femininas. Além disso, reserva 10% do tempo de propaganda partidária em anos não-eleitorais para promover a participação da mulher.

Democracia aprende-se, constrói-se e se exerce. No caso das mulheres e de outros segmentos excluídos, a verdadeira democracia requer o acesso ao poder político. O Brasil cidadão precisa ser mais feminino, mais tolerante, mais igualitário, mais atento à preservação ambiental, em suma, mais responsável pelo seu futuro, nos exatos termos consignados em nossa Constituição. (Artigo publicado originalmente no Estadão)

Luiza Eluf é Procuradora de Justiça. Além de atuar na carreira pública, publicou artigos e livros e ajudou a tornar crime toda forma de discriminação no país. Foi a primeira autora brasileira a falar sobre crimes sexuais segundo a ótica da mulher.

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