sábado, janeiro 16, 2010

Ninguém resiste a uma boa história

História

Haiti, o Rio e o início do primeiro ciclo do café

Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. Em 5 de dezembro de 1492, menos de 2 meses depois de ter descoberto a América, Cristóvão Colombo chega a uma grande ilha que chama de La Española. É a primeira ocupação das Américas e com desenho urbano espanhol. A população encontrada era estimada em 300 mil indígenas. Em 1697, espanhóis e franceses celebraram o Tratado de Ryswick e dividem a ilha ao meio. À França coube a parte onde hoje é o Haiti, onde intensificou o sistema escravista. Em 1750, a parte francesa contava com 310 mil pessoas, sendo 300 mil escravos.

2. O Haiti alcançou, na segunda metade do século 18, índices de produtividade agrícola (café, cana, etc.) dos maiores do mundo. A avaliação dos proprietários era que a escravidão explicava a produtividade. Com isso, a população escrava não parou de crescer, atingindo quase o dobro no final do século 18. A aglomeração de escravos produziu, no último quarto desse século, reações, inicialmente de base religiosa. Sob a liderança do escravo Toussaint-Louverture se iniciou a luta a partir de 1790. Declara abolição em 1794 e promulga Constituição em 1801. É capturado em 1802 e morto na França.

3. Em 1803, sob a liderança do escravo Jean Jacques Dessalines se inicia a luta pela independência, que derrota os franceses e em 1804 declara Independência, assumindo o governo como Imperador e nessa condição seus sucessores. É o primeiro país das América Latina a se tornar independente. O temor do exemplo leva a América Hispânica a limitar a entrada de escravos e após as independências, realizar as suas abolições. Em 1822, o Haiti invade a parte oriental e unifica a Ilha de Santo Domingo. Em 1844, Haiti perde o controle da parte oriental e a República Dominicana se declara independente. Em 1915, o exército dos Estados Unidos ocupa o Haiti e o controla até 1934.

4. Mas o ponto que relaciona Haiti ao Rio é a rebelião de 1794. Os proprietários fugiram. Um deles, LOUIS FRANÇOIS LECESNE, grande produtor de café no Haiti, vai para a Cuba e em função das disputas -Espanha e França-, segue para os EUA. Quando D. João IV cria no Brasil um programa de incentivos à lavoura, Lecesne (com 57 anos) e sua esposa norte-americana Frances Mary vêm para o Brasil (1816) e se apresentam. Querem que ele plante trigo. Lecesne lembrou que trigo só em clima temperado.

5. Sem esse apoio e com apoio do embaixador francês, compra 130 HA na Gávea Pequena, Floresta da Tijuca. Em menos de um ano tem 60 mil pés de café plantado, o que é a primeira plantação de café em extensão do Brasil. Chamou suas terras de Fazenda São Luis. A casa central da fazenda é onde hoje está a casa da família M. Lins. E a casa de apoio é hoje a casa do Prefeito do RIO, a Gávea Pequena. A Fazenda São Luis foi desenhada de cima e está no diário de Maria Graham ('Diário de uma viagem ao Brasil').

6. A Fazenda São Luis foi visitada e relatada por Carl von Martius, Rugendas, von Theremin, Príncipe Adalberto da Prússia, Maria Graham... Dois anos depois, o comerciante e médico-militar holandês Charles Alexandre van Mocke comprou as terras ao lado de Lescene e passou a ser o segundo grande produtor com sua Fazenda Nassau. E dessa forma nasceu a grande plantação de café no Brasil e seu caráter exportador. Em 1843 uma praga encerrou o ciclo do café nos altos da Tijuca.

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Televisão

Hebe

Sidney Borges
Não sei precisar o ano, poderia ser 1956, ou talvez 1957, nas noites de quarta-feira as mulheres da vizinhança iam à minha casa assistir "O mundo é das mulheres", programa de entrevistas que passava no Canal 5 de São Paulo, emissora das Organizações Victor Costa. A apresentadora Hebe Camargo também cantava e tanto conversando com os entrevistados ou cantando canções brejeiras fazia sucesso. Não tenho maiores lembranças do programa, enquanto ia ao ar eu estava ocupado combatendo invasores intergaláticos. Com capa de cetim e pistola de água salvei a humanidade de virar hamburguer. Anos depois o programa foi para as noites de domingo na Record, líder de audiência. Nessa época começou o patrulhamento sobre a apresentadora. Tenho lembrança do médico Christian Barnard, pioneiro dos transplantes cardíacos, sendo chamado de gracinha. O mundo intelectual teve arrepios, a mulherada da vizinhança gostou. Continuou assistindo, depois que o programa foi para o SBT a platéia também foi. Hebe tem um jeito especial de se comunicar com o público. Está atravessando um momento difícil. Desejo boa sorte. Auguri Hebe!

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Opinião

Lula e as obras da Copa

Editorial do Estadão
Ao pedir que os órgãos incumbidos de fiscalizar e conceder licença ambiental para obras públicas ajam com menos rigor no exame dos projetos ligados à Copa do Mundo de 2014, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou o cuidado de ressalvar que "facilitar" a execução dessas obras não significa "ilegalidade", mas "agilidade". Trata-se, segundo ele, de dar-lhes "um tratamento totalmente especial".

No entanto, como o governo Lula, desde seu início, vem dando "tratamento especial" ao principal órgão fiscalizador das obras públicas federais, o Tribunal de Contas da União (TCU), criticando duramente sua atuação, e às agências reguladoras encarregadas de assegurar o bom funcionamento de setores vitais da infraestrutura, asfixiando-as funcional e financeiramente, convém examinar com cuidado suas declarações.

"A Copa do Mundo tem data, junho de 2014", argumentou Lula, na solenidade em que foi firmado o compromisso de responsabilidade da União, dos Estados e municípios envolvidos na organização do evento, e que reuniu governadores e prefeitos das cidades que sediarão os jogos. Por isso, segundo ele, as obras programadas para a realização do evento não podem sofrer atrasos provocados por fiscalização, questões ambientais não resolvidas, exigências formais do TCU, entre outros fatores que podem retardar ou paralisar a construção. Estendeu o raciocínio para as obras destinadas à Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

Para evitar a paralisação das obras por problemas contratuais ou de pagamentos, Lula recomendou que se negocie, desde já, uma espécie de "ajuste de conduta" entre os órgãos executores e os órgãos fiscalizadores, "seja na questão ambiental, seja na Controladoria (Geral da União), seja no Tribunal de Contas, ou em qualquer outro órgão".

A questão, porém, talvez seja bem mais simples. Para que as obras não sejam retardadas ou embargadas por irregularidades, bastará que seus projetos e seus contratos respeitem as exigências da lei, o que nem sempre acontece com os contratos do governo federal.

O TCU suspendeu alguns contratos porque as licitações foram feitas, os contratos assinados e as obras iniciadas sem que houvesse um projeto executivo, lembrou o presidente do órgão, ministro Ubiratan Aguiar, há algum tempo, após participar de uma reunião de um grupo de trabalho convocado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para discutir medidas que reduzam os obstáculos impostos pelos órgãos fiscalizadores à execução das obras públicas.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"EUA terão 10 mil soldados no Haiti"

Americanos podem assumir controle de operações no país; governo brasileiro se queixa de interferência

O presidente dos EUA, Barack Obama, autorizou uma escalada militar que deixará o Haiti, atingido por forte terremoto na terça, com até 10 mil soldados americanos. Com a presença militar maior, os EUA poderão controlar de fato as ações de resgate e segurança, apesar de o controle de direito ser das forças da ONU chefiadas pelo Brasil, com 7.000 soldados, auxiliadas por 2.000 homens da polícia local. O governo brasileiro se queixou de interferência após o aeroporto de Porto Príncipe passar ao controle dos americanos. O chanceler Celso Amorim falou que “descoordenação”, e o ministro Nelson Jobim (Defesa) apontou “assistencialismo unilateral”. Para o secretário Robert Gates (Defesa), os EUA não serão vistos como força de ocupação.

O Estado de São Paulo
"Após enterrar 40 mil vitimas, Haiti teme onda de violência"

Estimativa oficial de mortos sobe para 200 mil; gangues atacam nas ruas

Autoridades haitianos informaram ontem que 200 mil pessoas podem ter morrido após o terremoto que devastou o Haiti na terça-feira. “Estamos retirando os cadáveres das ruas e enterrando-os em valas comuns. Já enterramos 40 mil pessoas”, disse o secretário de Estado para Segurança Pública, Aramick Louis. O governo adverte que gangues estão atacando os sobreviventes, que aguardam cada vez mais desesperados a distribuição de água e comida. O temor das autoridades é de que o desespero da população, que vaga pelas ruas, produza uma onda de violência.

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sexta-feira, janeiro 15, 2010

Verão úmido

Chuva alaga Ubatuba e causa congestionamento na Rio-Santos

Do VNews
As fortes chuvas que estão caindo em toda a região castigaram também os moradores do litoral. Em São Sebastião um homem morreu e em Ubatuba alguns bairros estão alagados. Nesta quinta-feira (14) uma casa desabou e um homem de 55 anos morreu soterrado. O desabamento foi no bairro Itatinga. De acordo com a Defesa Civil de São Sebastião não há outras vítimas por causa da chuva na cidade.
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A chuva intensa em Ubatuba fez com que as ruas da cidade amanhecessem como rios. Na praia da Enseada, a água tomou conta de quase tudo e os moradores começaram o dia com dificuldade e medo.
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Mico voador

Dassault Mercure: a história de um fracasso comercial

Cultura Aeronáutica (original aqui)
A história da aviação está repleta de grandes avanços e grandes sucessos, mas também de grandes fracassos. Praticamente todos os fabricantes já colocaram no mercado aeronaves que se revelaram grandes fracassos comerciais, cujo custo de desenvolvimento nunca chegou a ser absorvido. São exemplos: Boeing 377 Stratocruiser, Lockheed L-188 Electra II e Sud-Aviation/BAC Concorde. Uma infinidade de projetos foram abortados antes de nascer, e inúmeros não passaram da fase de protótipo.


O Dassault Mercure foi proposto em 1967 pelo fabricante francês Marcel Dassault, muito bem conceituado pelos aviões militares muito bem sucedidos, como os Mirage III, Mirage IV, Mirage F-1 e Mirage 2000. O governo francês deu apoio ao projeto, que pretendia colocar no mercado uma aeronave para competir com o Boeing 737-200, a aeronave comercial mais bem sucedida da história.

A idéia era competir no mercado com uma aeronave de 150 lugares, um pouco maior que o Boeing 737-200, com seus 115 lugares. A aerodinâmica seria refinada, permitindo alta velocidade de cruzeiro aliada a um bom desempenho em baixas velocidades, para operar em pistas curtas típicas em rotas domésticas de curto alcance.

O primeiro protótipo do Mercure fez roll-out da fábrica Dassault em Bordeaux-Merignac em 04 de abril de 1971. Era equipado com motores Pratt & Whitney JT-8D-11, com 15.000 lbf de empuxo cada um. Voou pela primeira vez em 28 de maio. O segundo protótipo, equipado com motores JT-8D-15, com 15.500 lbf de empuxo, voou pela primeira vez em 7 de setembro de 1972. O motor JT-15D-15 equipou todos os modelos de produção.

Por essa época, quatro aeronaves disputavam esse interessante mercado: o Boeing 727-100, o Boeing 737-200, o BAC 111 e o McDonnell-Douglas DC-9. Dassault procurou interessar especialmente os clientes desse último.


Em 12 de fevereiro de 1974, o Mercure 100 foi certificado na França, e em 30 de setembro do mesmo ano foi certificado para operar ILS Cat IIIA e pouso automático. Algumas poucas empresas demostraram interesse na aeronave, mas nenhuma chegou a encomendar o modelo, a não ser a Air Inter, uma operadora doméstica francesa.

O motivo de tal falta de interesse pode ser explicado basicamente por alguns fatores econômicos, como a Crise do Petróleo de 1973 e grande desvalorização do dólar nessa época, que tornou o avião caro demais para operadores estrangeiros.

Mas o maior motivo do fracasso foi a pequena autonomia da aeronave, suficiente para curtos trajetos domésticos europeus, mas inviável para rotas mais longas, como as domésticas norte ou sul americanas e asiáticas. Com sua carga paga máxima, a autonomia do Mercure era de apenas 700 Km, muito pequena até para a Europa Ocidental.

Marcel Dassault chegou a propor um modelo melhorado e com mais autonomia, o Mercure 200, que nunca saiu do papel. A Air Inter adquiriu 10 aeronaves Mercure 100 de produção. O segundo protótipo foi convertido em aeronave de linha e entregue à Air Inter, que operou então um total de 11 aeronaves, até 1995.

Com apenas 12 aeronaves produzidas, o Mercure teve pior desempenho que outros notórios fracassos comerciais, como o Concorde (20 unidades, incluindo protótipos) e o Saab Scandia (18 aeronaves). Seu único operador foi a Air Inter.


Retrospectivamente, pode-se afirmar que Marcel Dassault fracassou em pesquisar o mercado potencial para o Mercure, e o problema da pequena autonomia foi resultado disso, inviabilizando o uso no maior mercado do mundo, o americano.

Entretanto, a aeronave tinha seus méritos: o tipo operou na Air Inter de outubro de 1973 até 29 de abril de 1995, quando os dois Mercure remanescentes voaram pela última vez. Voaram 360 mil horas e transportaram 44 milhões de passageiros em 440 mil vôos, nesses quase 22 anos sem nenhum acidente e com um índice de disponibilidade em serviço de 98%. Sua carreira foi impecável e um grande triunfo técnico para a equipe da Dassault.

Uma curiosidade a respeito do Mercure é que essa foi a primeira aeronave comercial a jato a ter um voo tripulado exclusivamente por mulheres.

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Fé na ditadura

Frei Betto, a blogueira e Cuba

Trecho de artigo do Observatório da Imprensa (original aqui)
Frei Betto diz que Yoani Sanchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo de seu país, mas pensa que "somente ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira". Ele atribui as agressões que ela diz ter sofrido a fantasias para se transformar em vítima do regime.

A resistência de Cuba incomoda e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão trabalhando em mais de 70 países, como médicos e professores", diz Frei Betto.

Para ele, o capitalismo – que exclui 4 bilhões de seres humanos de seus benefícios elementares – não é capaz de suportar o fato de que 11 milhões de habitantes de um país vivam com dignidade e com os três direitos fundamentais humanos, que são o alimento, a saúde e a educação. E conclui: "Em Cuba existe pobreza, mas não há miséria e os cubanos podem se orgulhar com o cartaz no aeroporto de Havana que diz: `Esta noite, 200 milhões de crianças vão dormir na rua mas nenhuma delas é cubana´.


Nota do Editor - A exclusão presente em muitos países capitalistas é de causar repulsa. O texto de Frei Betto deveria dar aos governantes vontade de reverter o quadro sombrio. Das ruas brasileiras, por exemplo. Nos países do norte da Europa, onde o capitalismo avançou, não existem crianças abandonadas dormindo ao relento. E há liberdade de ir e vir. Liberdade, calcanhar de Aquiles da ditadura do proletariado. Um deles, há outros. Hipocrisia... (Sidney Borges)

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Fatos & Versões

A verdade não importa

Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa (original aqui)
Um jornalista que trabalha no Diap, Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, publicou artigo sob o título "Lula x FHC: por que os tucanos evitam as comparações", amplamente favorável a Lula, atribuindo os dados à revista britânica The Economist. Textual: "Estes dados não foram inventados por mim, muito menos por algum petista ou pelo governo. São da conceituada revista britânica The Economist".

Tudo bem – a não ser que a Economist não havia publicado esses dados. A explicação do repórter é brilhante: "Realmente não me dei ao trabalho de ir na Economist e checar tudo".

Até aí, tudo bem. O engraçado vem em seguida: manifestações segundo as quais não importa saber se os dados provêm ou não da The Economist. Importa, claro: tanto importa que o autor do artigo faz questão de citar a revista, beneficiando-se de seu conceito e credibilidade. Uma das manifestações merece ser transcrita: "Dados inventados ou não, isso não interessa. Interessa o povo saber o que mudou na vida do cidadão brasileiro".

Ah, bons tempos em que 1984 e sua novilíngua eram apenas metáforas!

Culpa dos leitores

Certa vez, um cavalheiro escreveu um longo artigo sobre música americana para um importante jornal brasileiro. No dia seguinte, apareceu no jornal, enviado por um leitor, longo artigo sobre música americana, publicado bem antes numa revista dos EUA, igualzinho ao que havia saído no jornal. O leitor atento não deixou passar. E o autor do texto ganhou o imortal apelido de Xerox.

O caso dos dados atribuídos a The Economist é parecidíssimo: uma leitora havia lido num blog, há tempos, um artigo igualzinho, e escreveu para protestar. E outros leitores, que tinham lido The Economist, escreveram para perguntar onde estavam aqueles dados, porque na revista deles não havia nada semelhante.

Em resumo, a culpa de tudo é dos malditos leitores. Por que é que eles têm de se meter onde não são chamados?

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Coluna do Celsinho

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Celso de Almeida Jr.
Saíram as listas.


Corri para conferir.

Na dos mais belos, fiquei atrás do Chapolim Colorado.

Na dos mais elegantes, ganhei do Jackson do Pandeiro.

Até aí, tudo bem, tenho espelho em casa.

O que me surpreendeu foi a classificação dos justos e honestos.

Espremeram-me entre Paulo Maluf e o Lobo Mau.

Sinceramente...

Pensei em questionar a seriedade da pesquisa, mas desisti.

A escolha foi tipo Baile das Rosas, saudoso evento do professor Eunápio.

Impossível duvidar da lisura.

Então, fiz profunda reflexão.

Como construí esta imagem?

Nada contra o Doutor Maluf.

Gosto daquela voz metálica, estalada.

Mas, convenhamos, ele já teve melhor ibope.

E eu, ali...

E o Lobo Mau, então?

A única vovozinha que comi foi a deliciosa pipoca doce.

Talvez um ex-funcionário chateado tenha participado da votação; deve ser isso.

Lembro que, numa audiência trabalhista, fui chamado de tubarão do ensino.

Silenciei.

Não queria sujeitar o juiz a um bate boca contraproducente.

Só pensei que se o carcará soubesse o saldo de minha conta bancária substituiria o tubarão por sardinha.

Mais gente votou.

Possivelmente, algum desafeto que não captou meu bem intencionado alerta:

“Quem tem olho grande não entra na China.”

Insisti em buscar na memória.

Recordei quando fui secretário de administração, por três meses e meio.

O prefeito da época acabara de ser eleito, alicerçado no mote da honestidade.

Imagine a pecha que levei ao romper com um homem destes...

Talvez seja isso, resquícios distantes.

Aliás, que experiência importante aquela.

Vi, na prática, como é sábia a frase:

“Não basta ser honesto. Tem que parecer honesto.”

Mas, isso é para políticos profissionais, preocupados com a carreira.

Prefiro a autenticidade.

Pode gerar dúvidas, entretanto, combina mais com a verdade.

E esta, seguramente, um dia aparece.

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Opinião

Fazer do Haiti um país

Editorial do Estadão
As necessidades do Haiti, disse o seu embaixador em Brasília, Idalbert Pierre-Jean, são infinitas. Ele se referia, naturalmente, à multiplicidade de formas de socorro internacional para a desesperadora situação de seu povo, depois do terremoto da terça-feira que praticamente pôs abaixo a capital Porto Príncipe, deixando um número ainda indeterminado de vítimas - o presidente haitiano René Préval falou em até 50 mil mortos; o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive mencionou o dobro disso. O Brasil perdeu uma figura excepcional, a pediatra e sanitarista Zilda Arns. Mas as necessidades do Haiti eram já infinitas antes da catástrofe: necessidades materiais e todas aquelas que se possam imaginar para dar um semblante de país à colônia francesa que conquistou a sua independência em 1804 - e, desde então, com breves pausas, tem passado por abalos políticos e convulsões sociais que justificam a amarga metáfora de que a sua única instituição consolidada é a da violência.

Em abril de 2004, depois da onda de distúrbios populares - sangrentos como todos quantos os antecederam - que derrubaram o então presidente Jean-Bertrand Aristide, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) para estabelecer a segurança e a ordem pública, incentivar o diálogo político e garantir a realização de novas eleições presidenciais em 2006. Com 9 mil militares e policiais de 17 países, dos quais cerca de 1.300 brasileiros, e perto de 500 civis, sob o comando do Brasil, a Minustah era a incubadeira do que um dia poderia vir a ser um Estado funcional no Haiti. A sua base principal foi uma das raras edificações grandes de Porto Príncipe a não desabar - um acaso carregado de simbolismo. O Brasil perdeu pelo menos 14 militares, além do vice-representante da ONU, Luiz Carlos da Costa, mas os seus camaradas estão envolvidos "de corpo e alma", diz o porta-voz do Exército, na ajuda à população.

De fato, os únicos homens uniformizados que apareceram nas fotos da devastada capital no dia seguinte ao terremoto são os capacetes azuis da ONU. No mais, "são os civis que estão tentando, com as mãos nuas, tirar as pessoas sob os escombros", aponta o chefe da representação da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti e ex-enviado especial do governo brasileiro, o cientista político Ricardo Seitenfus. "Não há um helicóptero do governo, não há um guindaste, um cão farejador, não há nada", constata, como que ecoando a fala do embaixador Pierre-Jean sobre as "necessidades infinitas" do Haiti. Se não estivesse em férias na sua cidade natal, Arroio do Tigre, no Rio Grande do Sul, Seitenfus poderia ter perecido na tragédia. O prédio onde trabalhava desabou, matando, entre outros, o chefe da missão da ONU, o tunisino Hedi Annabi. Na quarta-feira voltou às pressas a Porto Príncipe, por "obrigação moral".

Ele até que estava moderadamente otimista com o rumo das coisas no país. "Haveria eleições para o Parlamento, no dia 28 de fevereiro, com segundo turno no início de março. As eleições presidenciais seriam em novembro", relaciona. "Enfim seria um ano essencialmente político, de reforma constitucional e reformas institucionais." Agora, "o terremoto faz o Haiti voltar 15 anos no tempo", deplora. O número, evidentemente, é aleatório. O fato que conta é o súbito anacronismo a que o terremoto reduziu o programa de estabilização a cargo da ONU e, em especial, do Brasil. (O presidente Lula tinha uma viagem marcada para Porto Príncipe em fevereiro; poderá antecipá-la.) O Haiti provavelmente voltou a se aproximar do "estado de natureza" de que falava o pensador Thomas Hobbes no Leviatã - no qual a ausência de governo engendra a desordem e a violência. A rigor, assim como não se trata, até onde a vista alcança, de estabilizar o Haiti, reconstruir tampouco é o verbo da hora.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Estado frágil dificulta socorro às vítimas da tragédia no Haiti"

Folha percorre cenário de destruição; Cruz Vermelha estima mortes no terremoto em 50 mil

Dois dias após o terremoto no Haiti, Porto Príncipe ainda não começara a reagir à tragédia que arrasou a capital mais pobre das Américas. A Folha percorreu a cidade de carro ontem e encontrou centenas de corpos em decomposição acumulados, casas destruídas e sobreviventes sob os escombros, em meio à ausência quase completa do Estado. Serviços de resgate praticamente inexistem. Em prédios como o da Universidade GOC, era possível ver salas repletas de corpos misturados a cadeiras escolares. Há acampamentos de refugiados em vários pontos da cidade; faltam água e combustível por toda parte. A partir de observações de campo, a Cruz Vermelha estimou em 45 mil a 50 mil os mortos no tremor de terça. Segundo a ONU, porém, a avaliação de que as vítimas podem ter chegado a 100 mil é "coerente".

O Estado de São Paulo
"Países ampliam socorro ao Haiti"

Só as doações dos EUA e de instituições financeiras internacionais somam US$ 500 milhões

Tragédia no Haiti: A tragédia provocou uma mobilização internacional de ajuda humanitária ao Haiti. Recursos financeiros, materiais e pessoal estão sendo enviados de todas as partes do mundo. EUA, FMI, Banco Mundial e BID doaram, em conjunto, US$ 500 milhões. Diversos países fazem doações individuais, incluindo o Brasil, que destinará US$ 15 milhões, além de equipamentos, pessoal e 14 toneladas de alimentos. Trinta militares do Corpo de Bombeiros do Rio que atuaram no socorro às vitimas dos deslizamentos em Angra dos Reis embarcaram para Porto Príncipe. Haitianos famosos e outras celebridades dos EUA também estão fazendo doações. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs ontem a convocação de uma conferência internacional para a reconstrução do Haiti. Ele pede ajuda a EUA, Brasil e Canadá.

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quinta-feira, janeiro 14, 2010

Qualquer semelhança é mera coincidência


Eu Te Amo Meu Brasil
Dom e Ravel - Clique aqui

Deu em O Globo

Energia igual à de 30 bombas de Hiroshima

País é vulnerável a sismos, e cientistas haviam alertado em 2008 para risco elevado de grande terremoto

De Renato Grandelle (original aqui)
O terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira liberou uma energia equivalente à de 30 bombas nucleares como a de Hiroshima. A energia foi liberada de apenas um ponto, a oito quilômetros de profundidade e 15 quilômetros de distância do centro de Porto Príncipe, ainda dentro da área urbana da capital. Os terremotos são causados pelo movimento de placas tectônicas. A capital haitiana é especialmente vulnerável a esse fenômeno, por estar localizada no limite de duas placas, a caribenha e a norte-americana. Ambas chocam-se frontalmente e raspam uma na outra. Um raspão teria provocado a catástrofe de terça-feira.


O sistema de falhas de Enriquillo-Plaintain, que corta o sul do Haiti, foi a origem do terremoto. A iminência de um desastre na região preocupava especialistas desde 2008. Naquele ano, a 18 Conferência Geológica do Caribe divulgou um documento assegurando que, se toda a tensão na falha fosse liberada, provocaria um terremoto com a magnitude de 7,2 graus na escala Richter. Ainda de acordo com a pesquisa, duas capitais seriam mais suscetíveis aos estragos — Kingston, na Jamaica, e Porto Príncipe. Até 3,6 milhões de pessoas poderiam ser atingidas.

O Haiti tem uma trágica história de catástrofes naturais, mas o terremoto de terça-feira foi o maior dos últimos dois séculos. Como a energia foi toda liberada de apenas um ponto, a República Dominicana, vizinha do Haiti, não registrou danos materiais sérios. O país teria sentido os tremores em menor escala, mas sua capital, Santo Domingo, foi protegida pelos 250 quilômetros que a separam de Porto Príncipe.

— Cerca de 90% dos terremotos que acontecem no planeta são em regiões de contato de placas — explica Jorge Luís Souza, pesquisador de geofísica do Observatório Nacional. — Em uma região geologicamente problemática como Porto Príncipe, um terremoto de grande magnitude é trágico, mas esperado. E o impacto torna-se ainda maior se considerarmos que o país é extremamente pobre e não conta com qualquer infraestrutura para atender às vítimas.

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Século XX

Dornier Do-X: o gigante dos anos 30

Cultura Aeronáutica (original aqui)
Na década de 1920, a aviação comercial estava em plena fase de crescimento. Como os aeroportos ainda tinham pistas relativamente pequenas, as maiores aeronaves eram, quase sempre, hidroaviões, que podiam pousar em baías, portos, rios ou lagos. Essa foi a época de ouro para os hidroaviões, que iria durar, praticamente, até o início da Segunda Guerra Mundia, em 1939.


O projetista alemão Claudius Dornier era especialista nesse tipo de aeronave: um dos seus maiores sucessos, o Dornier J Wal ("baleia"), teve nada menos que 300 exemplares fabricados, e se destacou como o primeiro avião comercial a ser usado por uma empresa aérea brasileira, e foi usado inclusive em linhas aéreas postais transoceânicas entre a América do Sul e a Europa pela Lufthansa.

Dornier começou a construir, no início da década de 1920, uma gigantesca aeronave de transporte, o Dornier Do-X, maior que qualquer aeronave até produzida, e que iria manter o título de maior aeronave já fabricada por várias décadas. Sete anos foram dispendidos na construção, e o primeiro exemplar ficou pronto em meados de 1929. O primeiro voo foi realizado em 12 de julho e foi muito bem sucedido.

Como a Alemanha, nessa época, estava legalmente impedida de fabricar aviões, nos termos do Tratado de Versalhes, o avião foi feito do lado suíço do Lago Constança, na fronteira entre a Alemanha e a Suíça.


O avião era impressionante sob qualquer ponto de vista: tinha nada menos que doze motores radiais Bristol Jupiter (fabricados sob licença pela Siemens), de 524 HP cada um, montados em tandem em seis naceles duplas, tendo, portanto, seis hélices tratoras e seis hélices impulsoras. Podia levar 66 passageiros com todo o conforto, em voos transoceânicos, ou até 100, em distâncias mais curtas. A fuselagem era metálica, em duralumínio, e as asas tinham um estrutura em alumínio e aço, revestida em tela pintada em cor alumínio.

O avião tinha 41 metros de comprimento por 48 metros de envergadura e 10 metros de altura. O peso máximo de decolagem era de 56 toneladas, e a velocidade de cruzeiro era de 109 MPH. As asas tinham a impressionante área de 450 metros quadrados, maior que a de um A340-600, que tem 429 metros quadrados).


A primeira deficiência da aeronave foi notada já nos primeiros voos de experiência: os motores Jupiter, refrigerados a ar, tendiam a superaquecer e não conseguiam levar o avião além de 1.400 pés em cruzeiro, altitude insuficiente para realizar voos através do Atlântico. Após 103 voos, em 1930, a Dornier resolveu substituir os Jupiter por 12 motores americanos Curtiss Conqueror, de 12 cilindros em "V" e refrigerados a líquido, eliminando assim os problemas de superaquecimento. Com 610 HP cada um, esses motores podiam fazer o avião cruzar a 1650 pés (500 metros), suficiente para cruzar o Atlântico com segurança.

O Do-X levava seus passageiros com o conforto de um grande navio de passageiros: no deck principal havia um salão de fumar, com bar, sala de jantar e 66 assentos, que podiam ser convertidos em camas caso o passageiro desejasse dormir. O cockpit, os compartimentos do navegador, do rádio e dos mecânicos ficavam no deck superior. No deck inferior, ficavam os tanques de combustível. A parte inferior do casco era dividida em nove compartimentos estanques, dois dos quais podiam ser completamente inundados sem comprometer a flutuabilidade da aeronave.

A intenção da Dornier em construir uma aeronave tão grande era conquistar passageiros de e para os Estados Unidos, então servido apenas pelos navios e alguns dirigíveis comerciais. Para promover a aeronave, foi realizado um grande voo promocional de teste destinado à América do Sul e América do Norte. Esse voo partiu de Friedrichshafen, na Alemanha, em 03 de novembro de 1930, sob o comando de Friedrich Cristiansen. A primeira etapa, através da Europa, foi interrompida em 29 de novembro, quando um tubo de escapamento incendiou uma parte do revestimento da asa, obrigando uma parada para reparos em Lisboa, Portugal.

Depois de seis semanas em reparos em Lisboa, a aeronave decolou novamente em direção à África do Norte, atravessando o Atlântico em direção ao Brasil, onde os tripulantes foram recebidos como heróis pela comunidade de imigrantes germânicos. O pouso na baía da Guanabara atraiu milhares de curiosos. Do Brasil, o avião voou para os Estados Unidos, pousando em Nova York em 27 de agosto de 1931. Obviamente, o voo foi repleto de contratempos e panes, pois demorou quase nove meses


Em Nova York, os 12 motores foram removidos e mandados para uma revisão geral, e o avião passou mais nove meses parado no Glenm Curtiss Airport (Atualmente, Aeroporto La Guardia), onde se tornou, como no Brasil, atração turística. O voo de regresso para a Alemanha, atravessando o Atlântico Norte, via Terra Nova, no Canadá, e Açores, partiu no dia 21 de maio de 1932 e chegou a Berlim em 24 de maio, dessa vez sem maiores contratempos.

Infelizmente para a Dornier, por essa época os Estados Unidos passavam pela Grande Depressão, e não havia mercado para aeronaves de tamanho porte. A aeronave passou para a empresa aérea Lufhansa, mas não operou por muito tempo. Depois de alguns voos de demonstração nas cidades costeiras alemãs, a Lufthansa pensou em empregar o Do-X em voos para Vienna, Budapeste e Istambul a partir de 1933. Entretanto, o avião teve sua cauda bastante danificada em um pouso desastroso perto de Passau, no sul da Alemanha. Foi reparado e voltou para Berlin, dessa vez destinado a nunca mais voar: virou a peça central de um novo Museu Aeronáutico em 1934. Infelizmente, tal Museu foi destruído em um bombardeio da RAF em novembro de 1943, e nada restou do Do-X senão cinzas e algusn destroços.

Dornier fabricou mais dois hidroaviões Do-X, que foram vendidos à SANA, uma empresa aérea estatal italiana. Essas aeronaves, tão logo chegaram à Itália, entretanto, foram requisitadas pela Regia Aeronautica Italiana. O Dornier Do-X2 foi batizado com o nome de Umberto Maddalena, e o Do-X3 com o nome de Alessandro Guidoni (foto abaixo). Houve planos para operar um serviço de primeira classe entre Genova e Gibraltar, mas o serviço foi considerado inexequível, e os aviões foram utilizados como transportes militares e para treinamento. Correram rumores que um Do-X teria levado tropas italianas para invadir a Etiópia em fevereiro de 1935.


Os Do-X italianos eram idênticos ao Do-X original, com exceção dos motores, substituídos por motores V-12 FiatA-22R. O destino final dos dois aviões não é conhecido, e provavelmente foram desmontados e sucateados silenciosamente.

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Silas Azocar/PMI

Navios e mais navios...

Sidney Borges
A foto saiu no Imprensa Livre ilustrando matéria de Acácio Gomes. A legenda que a acompanha resume o que virá: Ilhabela pode receber apenas três navios por dia, de acordo com determinação da Marinha do Brasil.

Nesta temporada Ilhabela tem 146 visitas programadas. Isso dá 49 dias a 3 navios por dia, quase dois meses. A capacidade de receber embarcações da bela Ilhabela está esgotada. E o turismo embarcado está bombando como diria meu amigo Sérgio Caribé.

Navios modernos e econômicos permitiram o acesso da classe média aos passeios marítimos. Nos suplementos de turismo dos jornais é fácil verificar que o financiamento de um cruzeiro de 4 dias, com tudo incluído, tem prestações que não custam mais do que uma pizza. O armador lota o navio e lucra, o passageiro paga pouco e se diverte. Bom negócio.

Davi Allan Mc Neil, representante da Royal Caribbean (Splendour of the Seas e Vision of the Seas) e da CVC (Zenith), afirma: "Ubatuba tende a se firmar como ponto de parada de navios de passageiros. E o seu ponto forte será, como Ilhabela, o receptivo e a venda de excursões”.

A expansão da economia coloca Ubatuba como bola da vez. A cidade recebeu visitas experimentais. Em breve serão dois ou três navios por semana e num futuro não distante três navios por dia.

Centenas de visitantes diariamente, a maioria querendo passear, ver novidades, conhecer praias. O receptivo vai ser o xis da questão. Um desafio.

Como dizia Isaac, meu saudoso amigo judeu: "o negócio tem de ser bom pros dois lados, senão o freguês não volta."

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Em foco

Ubatuba (SP) vive surto de virose; prefeitura investiga causa

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO enviado da Folha a São Sebastião
Uma transmissão por via respiratória é a causa mais provável do surto de virose que levou, em média, 50 pessoas ao dia aos serviços de saúde de Ubatuba (litoral norte de SP) desde o dia 3 de janeiro. Os números foram levantados por um inquérito aberto pelo setor de Vigilância Epidemiológica da prefeitura.


Cresce número de casos que indicam surto de diarreia no litoral
Paciente fica 4 horas em fila para tratar diarreia no Guarujá

Diferente do Guarujá (Baixada Santista), o principal sintoma identificado em Ubatuba é o vômito, seguido de queixas de diarreia e de fraqueza.

O número de casos, no entanto, parece diminuir. Ontem, até as 14h, havia somente mais quatro registros na Santa Casa de Ubatuba.

Em menor incidência, casos parecidos foram registrados em São Sebastião, Caraguatatuba e Ilhabela.

As características de Ubatuba, 82 praias e inúmeros sistemas de abastecimento de água, facilitaram a investigação. Como os doentes beberam água e se alimentarem em locais distintos, a possibilidade de contaminação da água ou da comida foi praticamente descartada. Mas o superintendente de Proteção à Saúde, Neilton Nogueira de Lima, faz uma ressalva: parte dos casos pode ser devido ao consumo de alimentos estragados por causa do calor.

A Secretaria de Estado da Saúde disse não poder confirmar as suspeitas. O Instituto Adolfo Lutz só deve concluir os laudos para indicar o agente da doença em cerca de dez dias.

Sobre a água do mar, a Folha conversou ontem com pescadores de São Sebastião. Segundo eles, se há poluição, as algas tendem a se reproduzir mais --o que não tem ocorrido.
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Opinião

O decreto da incompetência

Editorial do Estadão
Acuado pela ampla reação contrária ao Programa Nacional dos Direitos Humanos - criticado até por ministros -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recuar para evitar custos políticos maiores, mas procurou poupar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata à Presidência da República. Ela é, no entanto, pelo menos tão responsável quanto o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, pelo embaraço causado ao presidente. De certo modo, sua responsabilidade é maior, porque cabe à Casa Civil a avaliação final de qualquer projeto encaminhado ao chefe do governo. Segundo informação daquela Pasta, só os aspectos legais do programa foram analisados. Isso equivale à confissão de uma falha. É função do gabinete civil não só a "verificação prévia da constitucionalidade e da legalidade dos atos presidenciais", mas também a "análise do mérito, da oportunidade e da compatibilidade das propostas, inclusive das matérias em tramitação no Congresso Nacional, com as diretrizes governamentais". Não é preciso pesquisar a legislação para descobrir esses dados. Tudo isso está nas páginas da Casa Civil, facilmente acessíveis pelo site do Palácio do Planalto.

Não tem sentido, em termos administrativos, lançar sobre o secretário Paulo Vannuchi toda a responsabilidade pela desastrosa publicação do decreto sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos. O secretário fez um péssimo trabalho em todos os sentidos - muito ruim como projeto para o País e politicamente custoso para o governo -, mas o texto foi submetido a uma instância intermediária, antes de chegar ao chefe de governo. O presidente alegou ter assinado sem ler. Não explicou se o fez por aversão à leitura, mas, de toda forma, deve ter confiado no trabalho de seus auxiliares. Se confiou, errou.

Com esse escorregão, a ministra Dilma Rousseff demonstrou de forma irrefutável seu despreparo para mais um cargo federal. Já havia mostrado sua inépcia ao chefiar o Ministério de Minas e Energia, onde sua gestão foi abaixo de inexpressiva. Chamada para a Casa Civil, foi desde o início poupada, pelo presidente, de toda a responsabilidade pela articulação política. Foi-lhe atribuída a gerência dos investimentos federais e, em 2007, o presidente Lula entregou-lhe a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mais que isso, ele a nomeou "mãe do PAC". Mais uma vez a ministra demonstrou sua inépcia gerencial, desmentindo novamente sua injustificável fama de executiva.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Terremoto no Haiti mata milhares; Zilda Arns e 14 brasileiros morrem"

Tremor foi o pior na região em 200 anos; comandantes militares do Brasil no país relatam situação dramática

Os chefes militares brasileiros no Haiti fizeram um dramático relato ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que chegou à base brasileira na capital, Porto Príncipe, um dia após o pior terremoto na região em 200 anos. "As prioridades são médico, água e material de engenharia",afirmou o comandante da missão de paz da ONU, o general brasileiro Floriano Peixoto Vieira Neto. Na base estão 05 corpos das 15 vítimas brasileiras confirmadas - 14 soldados que integravam a missão e a médica Zilda Arns, 75, fundadora da Pastoral da Criança. O Exército informou que, além dos 14 mortos, estão desaparecidos 4 dos 1.266 militares brasileiros que integram a missão, iniciada em 2004. Zilda Arns viajara ao Haiti para organizar religiosos para ação nos moldes da Pastoral da Criança, que no Brasil acompanha mais de 1,9 milhão de gestantes e crianças menores de seis anos. O governo do Haiti estima em "centenas de milhares" as mortes no terremoto, de 7 graus na escala Richter, classificado de "catástrofe inimaginável" pelo presidente René Préval. O cenário no país é de destruição, com sobreviventes procurando conhecidos entre cadáveres e saques na capital. No trajeto do aeroporto à base brasileira, a reportagem da Folha viu prédios destruídos, corpos cobertos e haitianos feridos pedindo ajuda. Os EUA prometeram mandar militares e ajuda humanitária; o Brasil enviaria ontem à noite avião da FAB com 13 toneladas de água e alimentos.

O Estado de São Paulo
"Tragédia no Haiti: Terremoto mata pelo menos 30 mil e deixa Haiti em colapso"

Entre os mortos, há 12 brasileiros; país agora depende ainda mais da ajuda internacional

O forte terremoto que atingiu o Haiti, no Caribe, anteontem pode ter matado entre 30 mil e 50 mil pessoas, segundo o presidente René Préval. A morte de 12 brasileiros já foi confirmada: a médica Zilda Arns, de 75 anos, fundadora da Pastoral da Criança, e 11 militares que integravam a missão de paz das Nações Unidas, liderada pelo Brasil. Entre os desaparecidos, está o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da missão. Ele está sob os escombros da sede da ONU em Porto Príncipe, um dos muitos prédios destruídos. Especialistas dizem que ainda podem ocorrer tremores nos próximos dias. O terremoto de 7 graus na escala Richter, com energia equivalente a 30 bombas de Hiroshima, devastou um país marcado por golpes, pobreza e violência. Com a tragédia, que afetou instituições já frágeis e os organismos de apoio, o Haiti dependerá ainda mais da ajuda internacional.

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quarta-feira, janeiro 13, 2010

Enquanto a noite não desce...

Pensamentos ao entardecer

Sidney Borges
O carrinho que apregoava pamonha, pamonha, pamonha sumiu. Pamonha de Piracicaba. Era franquia, tinha em todo lugar. Eu soube que a pamonha não era exatamente de Piracicaba, a receita talvez fosse, mas havia muitas fábricas espalhadas por esse mundão afora. Por que será que sumiu? As pessoas não gostam mais de pamonha? Eu nunca gostei, não tenho tendências galináceas, milho e derivados não me atraem. Jack Daniel's prova a velha tese: toda regra admite pelo menos uma exceção.

Some um, aparece outro, apregoadores sempre existirão. Os de gás engarrafado continuam espalhando no éter músicas tristes. Hoje foi comovente ver a melancolia que se apossou de meu cão Brasil ao ouvir os acordes de Pour Elise. Fiquei tão desconcertado que sentei-me ao lado e fizemos dueto uivando. Ele me olhou com ar surpreso, deve ter pensado: isso é que é amigo, cuida de mim, me dá comida, passeia comigo e ainda por cima sabe uivar. Definitivamente o melhor amigo do cão é o homem. Brasil é filósofo. Depois das considerações a respeito da simbiose homem-cão saiu na maior vula atrás da borboleta azul...

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Você se acha importante?

Faça uso da imaginação

Sidney Borges
Imagine um cubo de 800 m de aresta. Para calcular o volume multiplique 800 m x 800 m x 800 m e você vai encontrar 512 000 000 m3.

No intuito de facilitar a imaginação podemos pensar em um corte na Serra do Mar de 800 metros de frente por 800 metros de fundo. Na cavidade cabe justinho o cubo. A Serra tem 800 m de altura.

Agora vamos falar de gente. O mundo tem 6 bilhões e meio de habitantes. (6 500 000 000)

A densidade do corpo humano é aproximadamente igual à da água e vale 1. Portanto 1 litro de água tem massa de 1 kg e volume de 1 dm3 e 1 m3 de água tem massa de 1000 kg. (1 tonelada)

Fazendo um cálculo superdimensionado, vamos atribuir massa de 75 kg a cada habitante, não importando a idade, o sexo ou a nacionalidade.

Agora multiplicamos os habitantes pela massa de cada um e obtemos a massa total dos humanos que habitam a Terra.

Vamos lá: 6 500 000 000 (pessoas) x 75 kg (massa de 1 pessoa) = 487 500 000 000 kg. (487 bilhões e 500 milhões de kg)

Lembrando que 1 m3 de água tem massa de 1000 kg, cortamos três zeros da massa humana e temos o volume da humanidade: 487 500 000 m3.

Comparando o volume do cubo de 800 m de aresta (512 000 000 m3) com o volume da humanidade, (487 500 000 m3) chegamos à conclusão que ajeitando bem, colocando as pessoas em camadas como sardinha em lata, dá perfeitamente para encaixotar a fauna bípede na Serra.

Depois de ajardinar, ninguém vai imaginar que ali jaz a raça humana, tão pretensiosa e insignificante.

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Haiti

Número de mortos no terremoto do Haiti pode passar de 100 mil, diz premiê

Informação foi dada pelo primeiro-ministro em entrevista à CNN. Tremor devastou a capital, Porto Príncipe, e matou 12 brasileiros.

Do G1, com agências internacionais
O premiê do Haiti, Jean-Max Bellerive, disse nesta quarta-feira (13) à rede CNN que teme que o número de mortos pelo terremoto que atingiu o país na tarde de terça supere 100 mil pessoas. O número equivale a mais de 1% da população do país da América Central.

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Haiti

Veja vídeos sobre o terremoto no Haiti

Tremor de magnitude 7 derrubou casas, hospital e igreja. Abalo também foi sentido na vizinha República Dominicana.

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The Temptations


Just My Imagination
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Não se fala mais nisso...

Impasse entre Jobim e Vanucchi sobre plano foi solucionado, diz Planalto

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) para discutir o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos durou pouco mais de meia hora. Segundo interlocutores do Planalto, o impasse entre os ministros foi solucionado e houve consenso sobre o plano.


Vanucchi saiu sem falar com a imprensa, embora ontem tivesse prometido falar sobre o assunto, e Jobim continuou no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde participará de outra reunião sobre o terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu ontem o Haiti.
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Nota do Editor - Demorou, mas acabou. Não vou tecer considerações sobre as polêmicas deste início de ano, desnecessárias a meu ver. Ricardo Kotscho disse tudo ontem. Está logo abaixo. (Sidney Borges)

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Haiti


Palácio presidencial ficou em ruínas após terremoto atingir Porto Príncipe, no Haiti

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Perigo nos céus

O incidente de Palomares: as bombas nucleares perdidas

Cultura Aeronáutica (original aqui)
Durante as décadas de 1950 e 1960, auge da Guerra Fria, tanto as aeronaves soviéticas quanto as americanas carregavam regularmente armas nucleares a bordo, para poder entrar em combate de imediato para "revidar uma agressão". Naturalmente, um medo era constante: e se uma aeronave armada com bombas nucleares sofresse um acidente?


Os cientistas que projetavam e construíam as bombas tinham essa preocupação e, já que os acidentes com os aviões eram tidos como praticamente inevitáveis, eles projetaram os artefatos de maneira a evitar, a qualquer custo, uma explosão nuclear acidental, que poderia ser catástrofica. De fato, embora tenham ocorrido acidentes, nenhuma bomba nuclear explodiu acidentalmente até hoje. Mesmo assim, é claro que um acidente envolvendo bombas nucleares é um evento dramático, e o que ocorreu em 17 de janeiro de 1966 na costa mediterrânea da Espanha, perto da localidade de Palomares, foi um dos piores.

O acidente envolveu um bombardeiro Boeing B-52G, que transportava quatro bombas termonucleares B28, de 1,5 megatons, e um avião-tanque KC-135, ambos da Força Aérea dos Estados Unidos, que carregava 110 mil litros de combustível. O B-52 tinha decolado da Turquia, junto com outras aeronaves do mesmo grupo, e voavam para sua base na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

As duas aeronaves voavam a cerca de 31 mil pés de altitude, sobre o Mar Mediterrâneo, quando se aproximaram para iniciar a operação de reabastecimento, a segunda da missão, às 10 horas e 30 minutos de 17 de janeiro de 1966. O B-52 se aproximou demais, sendo atingido em cheio pelo boom de abastecimento, já estendido pelo operador, e chocou-se com a barriga do KC-135, que explodiu em seguida, matando seus quatro ocupantes. O B-52 também explodiu, mas 4 dos 7 tripulantes conseguiram escapar, saltando de para-quedas antes da explosão, e não se feriram.


Das quatro bombas nucleares a bordo, três caíram em terra, no vilarejo pesqueiro de Palomares, e uma caiu no mar. Explosivos convencionais em duas das bombas que caíram em terra explodiram, espalhando pela área fragmentos de plutônio, o mais perigoso elemento químico conhecido. Felizmente, e para espanto dos tripulantes sobreviventes do B-52, não houve explosão nuclear.

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) rapidamente montou uma operação de guerra para resgatar as bombas nucleares e limpar a área. Três das bombas foram encontradas em menos de 24 horas após o acidentes. Duas estavam destruídas e outra estava relativamente intacta. A quarta bomba não foi encontrada, e logo se concluiu que tinha caído no mar.

Os civis da área foram todos evacuados, devido ao perigo dos resíduos de plutônio espalhados pela explosão. As bombas e destroços em terra foram removidos, assim como uma grande quantidade do terreno próximo. Entretanto, 15 por cento do plutônio espalhado pela explosão, aproximadamente 3 Kg, nunca foi encontrado. O plutônio é um metal pirofórico, e sua combustão provocou uma nuvem radioativa que se espalhou rapidamente por fortes ventos de 30 Knots, por uma grande área ao redor de Palomares.

O maior problemas, entretanto, era localizar a bomba que caiu no mar. Em 22 de janeiro, a USAF pediu ajuda ao Secretário da Marinha, e a Marinha despachou para o local nada menos que 19 navios de guerra, para localizar o artefato.


Não foi fácil encontrar a bomba. Oitenta dias de busca foram necessários até que a mesma foi encontrada por um mini-submarino Alvin, a 869 metros de profundidade e 5 milhas náuticas da costa. A Marinha contou com a ajuda de um pescador local, que testemunhou o acidente e conduziu as equipes de busca até lá.

A bomba foi finalmente recuperada, graças a um aparelho denominado "CURV", projetado para recuperar torpedos do fundo do mar. Tanto a bomba resgatada intacta em terra quanto a resgatada do fundo do mar foram desarmadas e encontram-se hoje no Museu Atômico Nacional em Albuquerque, Novo México (foto abaixo).


Após o incidente de Palomares, vários países, especialmente na Europa, proibiram o voo de aeronaves portando armas nucleares sobre seus territórios, e a USAF restringiu fortemente os voos com bombas nucleares ativas, para evitar novos e custosos acidentes. os Estados Unidos gastaram na operação 80 milhões de dólares da época, e removeram 1.400 toneladas de terra e destroços, que foram levadas aos Estados Unidos.

Mesmo assim, Palomares é, ainda hoje, a localidade mais radioativa da Espanha, e traços de plutônio foram encontrados em muitos dos moradores da vila. O Ministro da Informação e do Turismo da Espanha da época, Manoel Fraga Iribarne, junto com o Embaixador dos Estados Unidos, tomaram um banho de mar em Palomares para afastar os rumores de que o local é perigoso para a saúde, o que prejudicaria o turismo na região. Entretanto, alguns afirmam que tal banho de mar foi uma farsa, e que ocorreu não em Palomares, mas sim em outra praia distante cerca de 15 Km.

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Deu na Folha

'Lula' leva só 102 mil aos cinemas no 2º final de semana

De Ana Paula Sousa:
Embalado como blockbuster, "Lula, o Filho do Brasil" segue desapontando nas bilheterias. Após uma estreia aquém do esperado, o filme teve, no seu segundo final de semana em cartaz, uma queda de 49% em relação à abertura. Segundo o boletim Filme B, que monitora o mercado cinematográfico, o filme foi visto por 102 mil pessoas entre sexta-feira e domingo.


Quando se leva em conta o tamanho do lançamento, em mais de 430 salas, o número é baixíssimo. "Alvim e os Esquilos 2" vendeu, nesses três dias, 640 mil ingressos.

A produtora Paula Barreto prefere, ainda assim, não falar sobre a redução do circuito. "As centrais sindicais estavam de férias e muitos trabalhadores só foram informados da promoção nesta segunda-feira", diz, referindo-se ao desconto de 50% para todos os sindicalizados.
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Nota do Editor - A vida de Lula é um roteiro pronto. É pegar a câmera e sair filmando. Uma família de retirantes chega de pau de arara. São muitos, a maioria crianças. Sujos, cansados, famintos, assustados, com medo da cidade grande. Depois de enfrentar dificuldades, humilhações e preconceito, lutam duramente e aos poucos vão se adaptando. Um membro da família se sobressai. Começa como operário especializado, entra na vida sindical, funda um partido político e acaba eleito e reeleito presidente do país, com reconhecimento internacional e 80% de aprovação interna. Em linguagem cinematográfica diz-se que o diretor errou a mão. O filme dá vontade de dizer: menos, menos, calma com o andor que o santo é de barro. O público percebeu a panfletagem primária e virou as costas, continua gostando de Lula, mas sabe diferenciar as coisas. (Sidney Borges)

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Verão

Casos de virose levam quase 300 pessoas a hospitais de Ubatuba

Número de internações equivale ao registro dos 3 primeiros meses de 2009

Do VNews
Nessa época de calor aumentam os casos de viroses na região, principalmente no litoral norte. Em Ubatuba, já são quase 300 pessoas internadas com a doença só nestes primeiros dias do ano.

Em Ubatuba, Cláudio não esperava ficar numa maca de hospital. "Muito vômito, dor no corpo, fraqueza demais", diz o vendedor Cláudio Lima.

Marina perdeu a vontade de brincar, depois que começou a vomitar. "Ela tomou um pouquinho de água do mar e começou a passar mal. Vomitou a madrugada inteira e está vomitando até agora", diz a mãe de Marina, Marta Gomes.

Do primeiro dia do ano até agora, Ubatuba registrou 295 internações por virose. No ano passado foram 320 nos 3 primeiros meses.

Setenta por cento desses pacientes não tiveram diarréia continua, quadro comum na intoxicação alimentar. A Vigilância Epidemiológica suspeita de um outro perigo: um vírus que se espalha pelo ar. "Isso caracteriza a possibilidade de ser Rota vírus, mas ainda estamos analisando a situação", diz Neilton Nogueira, supervisor de saúde.

Petiscos saborosos, cerveja e muito calor: combinação que pode acabar no hospital. Na praia, os médicos recomendam hidratação e boa alimentação. "Cuidados gerais com a saúde, não ter abuso, cuidados com a hidratação, manter uma boa alimentação e cuidados com a higiene", orienta o médico Antonio Pozo.
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Opinião

A Venezuela em crise

Editorial do Estadão
A Venezuela está diante da sua mais grave crise econômica desde 1998, quando o caudilho Hugo Chávez assumiu o poder. Atingida, em setembro de 2008, pela crise internacional, quando já estava combalida por uma administração ruinosa e pela queda drástica dos preços do petróleo, o país entrou em recessão, tendo o seu PIB acusado uma retração de 2,8% no ano passado. O país vive uma crise energética de proporções inéditas, com frequentes apagões, há escassez de produtos essenciais nos supermercados e os programas sociais do governo, base de sua sustentação política, estão à beira do colapso. As reservas da Venezuela estão em US$ 34,2 bilhões, nível que dificulta a distribuição de benesses aos regimes amigos do peito, adeptos do "socialismo no século 21".

Em uma tentativa de contornar a crise, o coronel Chávez decidiu, na sexta-feira, desvalorizar a moeda nacional, o bolívar forte. A moeda, que pela cotação oficial valia 2,15 por dólar saltou para 2,60 para a importação de bens essenciais de consumo. Para a aquisição no exterior de bens supérfluos, como automóveis e produtos eletrônicos, a cotação passou para 4,30 por dólar. Esse tipo de câmbio duplo tem uma nuance: a taxa de 4,30 bolívares por dólar também é aplicável às exportações do país, altamente concentradas no petróleo. Isso atenuará a penúria de recursos do governo. Chávez, aliás, já determinou que o Banco Central transfira US$ 7 bilhões de suas reservas para o Fundo de Desenvolvimento Nacional (Fonden). Durante 2009, já haviam sido transferidos cerca de US$ 12 bilhões para esse fundo, cujos recursos podem ser livremente utilizados por Chávez na promoção do "socialismo do século 21".

Com o dólar sendo negociado no câmbio negro a 6 ou 7 bolívares, o governo não tinha escapatória senão desvalorizar a moeda, embora sabendo que isso irá afetar as classes de mais baixa renda, uma vez que a Venezuela importa cerca de 80% dos alimentos que consome.

A reação popular à desvalorização foi a previsível. Anunciada a depreciação da moeda, multidões invadiram as lojas, comprando tudo o que pudessem carregar. A população receava ter de enfrentar, além da escassez, um aumento brutal dos preços das mercadorias. A reação de Chávez foi convocar a Guarda Nacional e as milícias populares para "lutar contra os especuladores".

É possível que o governo venha a criar novas formas de subsídio aos gêneros de primeira necessidade para acalmar os ânimos, além de reforçar o tabelamento de preços, que já estava levando ao desabastecimento. Seja como for, a inflação anual oficial, que anda ao redor de 25% ? a inflação real passa dos 30% ?, deve ter um acréscimo de 5 pontos porcentuais, segundo os analistas. Uma inflação tão elevada decerto agravará ainda mais a crise, prejudicando a produção e sacrificando a população.

Quanto aos bilhões destinados ao Fonden, a sua eficácia é extremamente duvidosa. Não só por questões relativas à incompetência na gestão de recursos e à corrupção da claque que cerca o caudilho, e que só se avoluma com a expropriação de bancos, indústrias e até mesmo de estabelecimentos comerciais. Os casos de corrupção têm sido tantos e de tal monta que Hugo Chávez se viu obrigado a afastar ou a prender alguns de seus companheiros. Mas, além disso, falta planejamento ou definição de objetivos claros a atingir. Grande parte dos recursos do Fonden, como de hábito, será certamente desviada para o empreguismo e aumento dos salários do funcionalismo, para o financiamento das extravagâncias da política externa bolivariana e para garantir o sucesso dos candidatos de Chávez nas eleições parlamentares deste ano.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 13 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Forte terremoto atinge o Haiti"

Tremor de 7 graus na escala Richter destruiu prédios e abalou palácio presidencial; não há estimativa de mortes

Um forte terremoto atingiu o Haiti por volta das 20h de ontem (horário de Brasília), causando o colapso de edificações na capital, Porto Príncipe. Até ontem à noite, não se sabia o total de mortes e a extensão dos danos. Conforme testemunhas, havia prédios em ruínas, entre eles um hospital, e pessoas gritando sob os escombros. Segundo uma TV local, o palácio presidencial ruiu, mas o embaixador haitiano nos EUA, Raymond Joseph, disse que o presidente René Préval está bem. Para Joseph, o tremor é "catástrofe de grandes proporções". O Centro de Pesquisa Geológica dos EUA informou que o primeiro tremor, a 15 km da capital, atingiu 7 graus na escala Richter e foi seguido de outros dois, de 5,9 e 5,5 graus. Sentido na República Dominicana e em Cuba, o terremoto chegou a provocar alerta de tsunami, depois retirado, no Caribe. Desde 2004, o Brasil lidera missão de estabilização da ONU composta por mais de 7.000 "capacetes azuis", 1.266 dos quais brasileiros. O embaixador no Haiti, Igor Kipman, que estava em Brasília, disse não haver feridos entre os brasileiros.

O Estado de São Paulo
"Planos cobrirão mais tratamentos"

A partir de junho, operadoras de saúde terão de bancar internação domiciliar e 23 novos exames

Atendimento psiquiátrico ilimitado em casos graves e possibilidade de internação domiciliar estão entre os 73 novos procedimentos incluídos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar na cobertura mínima obrigatória das operadoras de planos de saúde. A partir de 7 de junho, os planos deverão cobrir transplantes de medula óssea (de outro doador) para pessoas com até 70 anos e exames de imagem para detecção precoce de tumores e metástases de linfoma e câncer pulmonar. Também foram autorizadas cirurgias por vídeo no tórax e 17 exames laboratoriais. O número de consultas com fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e psicólogos foi ampliado. As medidas valem para 43,7 milhões de clientes que têm planos contratados a partir de 1999, para 10,4 milhões que têm planos mais antigos, vale o que está no contrato.


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