Deu na Folha

Turbulência

De Eliane Cantanhêde (original aqui)
Mais uma reviravolta no processo de seleção dos 36 novos caças que a FAB pretende adquirir, a um preço que pode chegar a 4 bilhões de euros: apesar da expectativa de que a comissão técnica não indicasse nenhum vitorioso, é exatamente isso que ela vai fazer.


Segundo o brigadeiro Dirceu Tondolo Noro, um oficial aviador com MBA em projeto pela Fundação Getulio Vargas, a comissão, que se chama Copac, vai, sim, indicar "o mais pontuado" entre os três finalistas: o Rafale, da francesa Dassault, o F-18, da americana Boeing, e o Gripen, da sueca Saab.

O que isso significa? Que, se a comissão apontar o Rafale como "mais pontuado", será um alívio geral para Jobim, Amorim, Marco Aurélio Garcia e principalmente Lula, que já deram mil indicações de que preferem o francês.

Mas, e se a comissão indicar o F-18 ou o Gripen? Vai ser uma saia justa, com Lula numa situação desconfortável: ou ele escolhe o Rafale assim mesmo e diz, com todas as letras, que a opção é política e prerrogativa dele, ou desiste do projeto original e fica com o indicado.

Daí, a confusão continua. No primeiro caso, vai piorar a indisposição dos norte-americanos, que já apresentaram cartas, notas e declarações jurando que aceitam transferir tecnologia e não entendem porque estão sendo preteridos. Vai que resolvam retaliar...

No segundo, se ganhar o F-18 ou o Gripen, já imaginou como os franceses vão ficar? Fecharam submarinos, helicópteros, compras de aviões da Embraer, fizeram tudo direitinho e estavam convencidos -como todo mundo- que é do Rafale e ninguém tasca.

Aliás, mais um dado curioso: o Sukhoi russo foi desclassificado porque... não oferecia transferência de tecnologia. Ou seja: os três que ficaram oferecem. Então, por que o governo insiste em dizer que esse é o grande trunfo só da França?

Ainda tem muito chão, ou muito ar, para esse voo do FX-2.


Nota do Editor - Partindo do princípio de que armas são compradas para serem usadas e que a arte de guerrear se aprende guerreando, vamos passear pela minha máquina do tempo e voltar ao conflito das Falkland/Malvinas. Os pilotos argentinos lutaram bravamente com o material obsoleto que dispunham, mas não foram páreo para a tecnologia superior da Inglaterra. Em determinado combate, mostrado recentemente no canal Discovery, um piloto de Sea-Harrier, caça subsônico de decolagem vertical, derrubou dois A-4 Skyhawk disparando mísseis, sem que os pilotos argentinos sequer soubessem da sua presença. O aparato eletrônico e as armas a bordo fizeram a diferença. O equipamento argentino moderno estava restrito aos caças-bombardeiros Super Étendard, de fabricação francesa, que levavam os mortais mísseis Exocet. Usando essa combinação poderosa afundaram o destroier Sheffield, o navio mais moderno da guerra. Tivessem mísseis em quantidade teriam varrido a armada inglesa dos mares. Analistas britânicos sabem disso, americanos também. Fica portanto claro que a compra dos caças para a FAB, assunto quente do momento, depende das armas neles embarcadas e da possibilidade dessas armas serem fabricadas no Brasil. Depois que os argentinos gastaram os misseis Exocet a guerra naval acabou. Venceu a tecnologia moderna. Um comentário final. Como eram burros os gorilas fascistas da Argentina. O que será que eles pensaram, que lutar contra a Inglaterra seria o mesmo que torturar civis na Escola de Mecânica da Armada? (Sidney Borges)

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