Felipão nasceu virado pra Lua



Portugal no seleto grupo dos oito

Portugal passou para a próxima fase num jogo emocionante e faltoso. Ganhou da Holanda pelo placar de um a zero. O juiz começou mal. Logo no início um zagueiro holandês deu uma entrada violenta no atacante Cristiano Ronaldo, que ficou lesionado e teve de ser substituído. O juiz deveria ter dado cartão vermelho, preferiu o amarelo e deixou que as coisas descambassem. Quatro expulsões, duas de cada lado, tiraram um pouco do brilho da partida. O jogo acabou por evidenciar que há uma sutil diferença entre equipes de ponta e intermediárias. Os ungidos pelos deuses - Brasil e Argentina, por exemplo, têm a capacidade de dar ao público o que ele quer, sabem fazer gols. Já jogos de mortais, como os de hoje, Inglaterra versus Equador e Portugal versus Holanda, deixam muito a desejar. Quem não está emocionalmente envolvido, não é torcedor, apenas observador, acaba entediado com a falta de gols. É a grande diferença do jogo praticado pelo Brasil, podemos até jogar mal um dia ou outro, mas na hora de decidir sabemos como fazê-lo. Vejamos a retrospectiva das últimas três copas. Em 1994 ganhamos sete partidas e ficamos com o título. Em 1998, ganhamos seis, perdemos a final e fomos vice-campeões. Em 2002 ganhamos sete vezes e fomos mais uma vez campeões, ou seja, em vinte e um jogos de copa ganhamos vinte e levantamos a taça duas vezes, perdendo apenas uma vez para um time mediano. Estatisticamente é um aproveitamento assombroso, a Fifa deve estar preocupada, em persistindo as vitórias brasileiras o público poderá perder o interesse pelas copas. Caso o campeonato fosse disputado por pontos corridos, com turno e returno, o Brasil provavelmente teria ganhado mais três copas. Somos realmente o país do futebol, embora possamos tropeçar em um jogo fora da curva e voltar mais cedo para casa. Se isso acontecer será pela Varig, mas se formos até o fim é provável que ela já não tenha aviões disponíveis. Quem sabe o presidente faça a gentileza de emprestar o “Aerolula” para trazer nossos craques. Ato falho, eu quis dizer para levar nossos craques. Não posso esquecer que estou na Alemanha.

Segrob Yendis

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