sábado, janeiro 09, 2010

São Paulo

No litoral de SP, deslizamentos voltam a interditar Tamoios

FÁBIO AMATO da Agência Folha, em Jambeiro
Motoristas enfrentaram congestionamento hoje na rodovia dos Tamoios, principal acesso ao litoral norte de São Paulo, por conta da interdição parcial da estrada causada por uma queda de barreira no dia anterior.


O deslizamento aconteceu no km 24 da rodovia, na altura da cidade de Jambeiro (135 km a leste de São Paulo). A terra atingiu a pista sentido Caraguatatuba, que havia sido liberada na noite de ontem (8).

De acordo com a Polícia Rodoviária, durante a madrugada de hoje o trecho foi novamente atingido por terra e foi preciso que máquinas voltassem a trabalhar no local. Até o início desta tarde, funcionou o sistema pare-siga na rodovia, em apenas uma faixa.

O congestionamento no sentido litoral chegou a seis quilômetros. A reportagem gastou cerca de 40 minutos para percorrer essa distância.

Às 14h, o trânsito foi liberado novamente nas duas direções, ficando interditado apenas o acostamento da pista sentido litoral. Havia duas faixas de tráfego no sentido Caraguatatuba e uma no sentido São Paulo. Amanhã, o esquema será invertido para permitir mais fluidez à subida dos veículos.

Nenhum acidente foi registrado na rodovia até o início da tarde de hoje. As obras de remoção de terra no km 24 foram suspensas e devem ser retomadas na terça-feira.
Leia mais

Twitter

Elvis Presley


Danny Boy
Clique aqui

Conto

Rawson, uma viagem

Sidney Borges
Saímos de Rawson ao entardecer, fazia frio, muito frio, o ar estava seco, muito seco. Enquanto eu pensava nos mistérios da ciência meus pés congelavam, apesar do aquecimento, meias de lã e botas forradas.

Estrada deserta, paisagem lunar. À frente Comodoro Rivadávia. Tive sensação de fragilidade quando imaginei o carro em pane. Eu e minha mulher perdidos na noite gelada do deserto. Mala suerte.

Pensamentos negativos atraem coisas ruins, está escrito em algum lugar, Paulo Coelho talvez, não importa, quando virei de costas para pegar chocolate o pneu explodiu. Foi o traseiro esquerdo, canhoto como o Canhoto. Saímos velozes da pista, saltitantes. No terreno plano pedras soltas batiam no carro em sinfonia atonal.

Paramos perto da rodovia, 100 metros talvez. Dos males o menor. Uma valeta e teríamos capotado. O sol começava a tangenciar o horizonte, desci apressado, cheio de energia e adrenalina. Sair dali. Rápido. O pensamento tomou conta, comecei a agir descarregando a bagagem. Ao pegar o estepe um gosto amargo na boca. Vazio. Mordi uma barra de Suchard com nozes. O amargor cedeu.

Munido de cobertor e lanterna com pilhas fracas caminhei em direção à rodovia.

Fiquei parado, quieto, guardando energias e observando a passagem do tempo. A noite começou a descer o manto escuro. Tentei impedir usando poderes mediúnicos. Não funcionou. Não tenho poderes mediúnicos.

Cantei canções em pensamento e algumas em voz alta. Um gavião me sobrevoou em curva de trezentos e sessenta graus de pequena inclinação. Grande demais para o jantar deve ter pensado. Gaviões pensam e sabem contar até cinco.

A noite finalmente escureceu sobre areia e pedras. No horizonte um diminuto segmento circular dourado fazia contraponto ao firmamento escuro. Bela imagem.
De onde eu estava mal dava para ver o carro apoiado no macaco. Usando um cobertor como barraca, sentei-me à beira da estrada e uma canção me veio à mente. Amapola. Comecei a cantarolar.

Amapola, lindísima amapola

Será siempre tu alma
Tuya sola
Yo te quiero amada niña mía
Igual que ama la flor la luz del día
Amapola, lindísima amapola
No seas tan ingrata
Mírame
Amapola, amapola
Cómo puedes tu vivir tan sola

Surgiu do nada, caiu do céu ou emergiu dos sete círculos do inferno, ninguém sabe, como disse Humphrey Boggart mordiscando o cigarro em “O Falcão Maltês”: nobody knows. Não importa, estava lá o caminhão Ford 1946.

O motorista desceu e sem dizer palavra fez sinal para que eu embarcasse. Sem outra opção obedeci, eu tinha certeza de ter visto aquele cara em algum lugar, a barba crescida e os óculos escuros dificultassem saber onde. No carro, minha mulher dormia.

Colocamos a bagagem na carroceria do caminhão, trancamos o carro e voltamos à estrada, os três na cabine apertada do velho Ford, levando na carroceria o estepe vazio, objeto desajeitado. Silêncio total. O motorista esboçou um leve sorriso quando minha mulher perguntou o que eu estava cantando e respondi Amapola.

Uma hora depois paramos para abastecer. Nosso misterioso amigo desceu e sem dizer palavra entrou no edifício anexo ao posto. O estilo arquitetônico lembrava “saloons”, do velho oeste. Depois de esperar por mais de meia hora, com fome e frio entramos também.

O interior poderia quase ser classificado como elegante em contraste com o desleixo externo. Lembrei-me que estávamos no meio do nada e perto de lugar nenhum. Atrás do balcão de madeira e mármore um homem limpava copos. Usava ligas na camisa e sem pressa verificava a transparência dos cristais na luz do balcão. No salão um pequeno palco com uma guitarra sobre uma cadeira deu para imaginar que haveria música ao vivo.

Pedi ao homem água mineral e perguntei se ele sabia de alguém que pudesse me ajudar com o carro, que estava no deserto. Ele disse que providenciaria socorro. Enquanto isso eu deveria sentar-me e apreciar o show.

A configuração era a de um teatro de arena, o público rodeando o palco. Com lotação completa o local abrigaria umas sessenta pessoas. Procuramos uma mesa longe do movimento, embora não houvesse movimento. Um senhor distinto surgiu para nos servir. Minha mulher pediu espaguete ao molho branco, eu preferi bife de chouriço e fritas. Para acompanhar, vinho da casa, excelente.


A temperatura ambiente era agradável e a comida digna do Alfredo de Roma. Pedi ao garçom que desse os parabéns ao pessoal da cozinha.

Depois da sobremesa e do café acendi uma cigarrilha holandesa e notei algumas mesas ocupadas. Pedimos licor. O movimento começava a acontecer, rapazes testavam o som e cuidavam da iluminação. O licor, o vinho, o aroma do tabaco, o conforto do ambiente, que lugar especial, que sensação agradável eu estava sentindo.

Uma hora depois a casa estava lotada. Quando o artista surgiu dava para ouvir a respiração das pessoas. Surpresa! Era o motorista que nos socorrera. De início pensei em um show folclórico de canções patagônicas. Canções de solidão inspiradas naquele fim de mundo. Mais uma vez tive a certeza de já ter visto aquele homem. Aparentava estar na casa dos quarenta, não era magro nem gordo, mas se perdesse alguns quilos não fariam falta.

As luzes se apagaram e o show começou. As primeiras notas soaram da guitarra e uma voz familiar e potente entoou:

Love me tender, love me sweet, never let me go. You have made my life complete, and I love you so.

A platéia delirou. As pessoas gritavam, choravam enquanto a canção fluía. Não havia caixas de som, as ondas sonoras brotavam de todos os lugares, das paredes, do chão, do teto.

Minha mulher me olhou com cara de espanto. Antes que eu dissesse alguma coisa percebi o engodo. Aquele cara não estava cantando, era dublagem. Bem feita, a melhor que eu já vira, mas não passava de dublagem, a voz pertencia ao inesquecível Elvis Presley. As canções que se seguiram confirmaram minhas suspeitas:

A Big Hunk o' Love
A Boy Like Me, A Girl Like You
A Cane and a High Starched Collar
Adam and Evil
A Dog's Life
A Fool Such as I
After Loving You
A House that has Everything
A Hundred Years from Now
Ain't That Loving You Baby
A Little Bit Of Green


O show terminou com a triste Danny Boy que emocionou a todos, lágrimas rolaram fartamente naquele salão longínquo.

Chamei o garçon e pedi a conta e uma dose cawboy de Black and White. Sempre tomo uísque quando as forças começam a diminuir. Paguei com cartão, o jantar não foi barato, quase 300 dólares, US$ 279, 50 para ser mais preciso. Mandei acrescentar 10% de serviço. O garçon sorriu amistoso. Saímos na noite fria.

Surpresa, o Cherokee estava estacionado na porta com o pneu consertado e a chave no contato.

Nem sinal do caminhão e do motorista. Liguei o carro e outra surpresa, o tanque estava cheio. Decididamente aquela noite não foi uma noite comum. Procurei um CD no porta luvas, encontrei um e coloquei no aparelho sem ver do que se tratava. Enquanto colocava as coordenadas daquele ponto no GPS a voz de Elvis quebrou o silêncio. As músicas do show estavam no CD. Entendi como gentileza da casa. Continuamos a viagem.e duas horas depois um motel ao lado de um vilarejo de vinte casas tornou-se nosso abrigo por uma noite.

Na manhã seguinte seguimos cedo, eu tinha negócios em São Paulo. Ao chegarmoa a Comodoro Rivadávia deixei o carro na locadora e meia hora depois estava a bordo do Boeing 737 da Aerolíneas Argentinas voando para Buenos Aires. Minha mulher tinha afazeres na Universidade. Viajou dois dias depois.


Aquela noite mágica ficou presente, sempre que a história era contada despertava interesse. Depois de alguns meses a cansou, paramos de tocar no assunto, mas os amigos insistiam, alguns até planejavam ir à Patagonia saborear as delícias do cardápio do “Alfredo” austral. No entanto, algumas perguntas ficaram sem resposta. A fatura do cartão nunca foi cobrada.

Certa vez, em uma festa, contei o caso a um grupo de colegas de trabalho. Um deles, cético e nada simpático, duvidou, disse que eu tinha inventado a história e pediu para ver a fatura do cartão. O cara tinha espírito de sherlock, exatamente a fatura não cobrada. Fiquei sem palavras, dizer o quê? Ele também pediu as coordenadas do posto-saloon. Eu as havia copiado na contracapa de uma velha agenda.

Alguns meses se passaram e uma noite, na casa de um primo, tive a desagradável surpresa de encontrar o ex-colega que pedira a fatura. Eu tinha enviado a ele as coordenadas, depois nunca mais o vi. Mudara de emprego e de cidade.

Depois de termos pedido por telefone a tradicional pizza ele disse que nas coordenadas que eu enviara não havia nada além de deserto. Como você sabe? Perguntei. Ele respondeu que havia sobrevoado o local duas vezes. Indo e voltando de Punta Arenas. Voou baixo, em avião pequeno. Não havia chance de erro. Era um ponto no deserto. Sem nada ao redor num raio de quilômetros.

Duas hipóteses foram por ele sugeridas: eu tinha mentido ou tinha talento para inventar histórias. Assim terminou a noite. Passei por mentiroso, a hipótese do talento fora colocada com sarcasmo.

As semanas se arrastaram até a parada de outubro, quando professores descansam uma semana. Aproveitei a folga e fui tirar as coisas a limpo. Viajei em uma segunda-feira cedo. Depois de muita turbulência o 737 pousou em Comodoro Rivadávia, debaixo de um dilúvio para Noé nenhum botar defeito.

Passava das 21h da noite mais escura e lúgubre que eu já vira. Na manhã seguinte, a bordo do mesmo Cherokee, acho que era o único da locadora, desta vez com os pneus devidamente checados, estepe inclusive, lá estava eu na estrada, sem companhia, minha mulher preferiu ficar na praia.

Parei apenas no vilarejo onde tínhamos dormido na noite do show. Comprei água mineral e salgadinhos. Perguntei ao dono da venda que pareceu ter me reconhecido se ele sabia de um caminhão Ford 1946 dirigido por um barbudo. Ele fez sinal com a cabeça que não, mas quando eu ia saindo deu de ombros como se a resposta fosse talvez. Peguei um cortador de unhas Trim, paguei e tornei a perguntar se o caminhão costumava passar por lá e onde eu poderia encontrar o motorista.

Ele me disse que nunca vira o caminhão, mas sabia que existia e que as pessoas comentavam que aparecia de tempos em tempos. Também diziam que o motorista era mudo. Ninguém sabe onde mora, continuou, e nem o seu nome.

Parece que o senhor Ledesma, da pedreira, já conversou com ele. Perguntei onde era a pedreira.

O endereço foi copiado em papel de embrulho. O original estava na gaveta da caixa registradora, num cartão de visitas surrado e engordurado. O cartão foi guardado com a mesma calma com que fora retirado.

Com o lápis acomodado na orelha o dono da venda tragou profundamente o cigarro de palha, cruzou os braços fortes e ficou me olhando enquanto mastigava um palito no canto direito da boca. Estático. Sem expressão.

Não havia como errar, a pedreira era perto, bastou seguir à esquerda em uma bifurcação na estrada principal. Depois andar quinze quilômetros. Estrada de cascalho, poeirenta. Parei na porta de uma casa de madeira que me pareceu o escritório. Ao longe caminhões trafegavam, imaginei que aquela pedreira supria as obras da indústria petrolífera e da construção civil de Comodoro Rivadávia. Me pareceu próspera. Enquanto eu estacionava também o fazia um carro branco. Era o senhor Ledesma.

Contei a ele o que acabei de escrever. Era um homem simpático, bom ouvinte, disse que tinha vivido experiência semelhante. Seu carro quebrou e ele foi socorrido pelo mesmo caminhão Ford 46, exatamente como tinha acontecido comigo. Quando partiram passou um conhecido e ele mudou de veículo.

Argumentei que na região diziam que ele tinha conversado com o motorista.

Não foi exatamente uma conversa, ele apenas sorriu quando eu quebrei o silência de nossa breve viagem e cantei alguns versos de Amapola. Depois nunca mais o vi.

O local das coordenadas não era distante, convidei meu interlocutor a ir lá comigo. Ele concordou. Viajamos ao som de Elvis, o mesmo CD do dia da estranha experiência.

Foi difícil sair do ar condicionado, estava quente, muito quente. No ponto marcado pelas coordenadas só havia areia e pedras. Um pequeno lagarto acomodou-se na sombra do carro não se importando com a presença humana.

Caminhamos alguns metros e eu me convenci da inutilidade da busca, não havia nada a ser encontrado. Tentei concatenar os pensamentos, senti a adrenalina circulando, o coração batia forte ressoando nos ouvidos. O que teria acontecido? Alucinação? Fenômeno paranormal? Confluência de dimensões? Loucura?

De longe vi o Sr. Ledesma acenando, o suor turvara meus olhos. O ar quente subia e ondulava a paisagem distorcendo tudo como os espelhos do Parque Shangai, fazendo o Sr. Ledesma parecer um ectoplasma, como imagino devam ser ectoplasmas.

Ele havia tropeçado na alça de uma pasta enterrada na areia. Pasta antiga, parecia mala de retirante. Dentro havia papéis velhos e recortes de jornal. Em um dos recortes, datado de 8 de janeiro de 1995, havia uma matéria sobre o aniversário de 60 anos de Elvis Presley.

Ilustrando a matéria a foto de um show de 1965, acontecido em East Tupelo, Mississippi. Em uma mesa de fundo reconheci a mim e minha mulher. Estávamos sorrindo depois de um jantar inesquecível.

O Sr. Ledesma perguntou se eu queria ficar com a pasta. Respondi que não enquanto rasgava o recorte. Ninguém iria acreditar. Não tenho mais paciência para explicar...

Twitter

Brasil

Para Planalto, compra de Rafale é questão fechada

Referências favoráveis a caças rivais no segundo relatório serão descartadas

Denise Chrispim Marin e Vera Rosa
O governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o caça Rafale-C, da companhia francesa Dassault, se encaixa em um projeto maior de defesa e, portanto, deve ser o escolhido do programa F-X2, para aquisição de 36 aviões para a aviação de combate. A palavra final depende dos últimos acertos sobre o preço desse lote, estimado em R$ 10 bilhões. Com base nessa escolha já consolidada, o Palácio do Planalto decidiu descartar qualquer referência favorável aos outros dois caças concorrentes que constar do segundo relatório do Comando da Aeronáutica, entregue na quarta-feira ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. O documento não estabelece ordem de preferência.


Como contrapartida para a Aeronáutica, que terá seu trabalho de análise relativizado na escolha final, o Planalto afasta a hipótese de punição ao comando da Força pelo recente vazamento do texto preliminar do relatório F-X2, de caráter confidencial e datado de setembro de 2009.

Segundo um colaborador direto do presidente Lula, a atitude foi "deliberada", "grave" e nociva à segurança nacional. Mas, ponderou ele, a responsabilidade pelo ato "de um brigadeiro" não pode ser imposta ao comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, cuja "lealdade e integridade são inquestionáveis".

Em entrevista a um canal de TV francês, o assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ironizou a crise. "Com essa polêmica, os preços dos caças tendem a cair."

Para o Planalto, o dado mais relevante dos relatórios é a inexistência de veto aos três concorrentes. Desde o início do F-X2, outros três caças foram riscados pela FAB. O argumento definitivo, do ponto de vista da Presidência, não está presente na análise técnico-militar, mas na avaliação de políticas estratégica e industrial. Nesse quesito, o Rafale não teria rival.

Segundo o mesmo colaborador de Lula, o F-X2 está inserido em um projeto mais amplo do governo para a área de defesa, que contempla a padronização de toda a frota de caças do País, inclusive uma versão embarcada para guarnecer um futuro porta-aviões a ser construído em parceria com a França.

O pacote que começa com 36 unidades envolverá a compra de um total de 120 caças. Nesse plano, há três exigências: transferência de tecnologias, reserva de mercado e soberania irrestrita de uso das aeronaves.
Leia mais

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

Silêncio sobre as barreiras

Editorial do Estadão
Mais uma vez o governo deixou de publicar o relatório sobre barreiras comerciais americanas, um importante instrumento de informação para exportadores, políticos e demais interessados em acompanhar as condições do comércio Brasil-Estados Unidos. Sem explicação, a divulgação foi interrompida em 2008, embora o governo americano tenha continuado a praticar sua habitual política protecionista. Segundo a embaixada brasileira em Washington, o relatório de 2009 ainda não está pronto e, quando for concluído, o Itamaraty decidirá sobre sua divulgação. Ou, naturalmente, sobre a não divulgação, como no ano anterior. A nova orientação adotada pelos diplomatas de Brasília, em relação aos entraves comerciais impostos por Washington, é incompreensível. Deve ser parte de alguma das estranhas concepções estratégicas desenvolvidas no Palácio do Planalto e no Itamaraty a partir de 2003, quando a diplomacia nacional abandonou seu profissionalismo para se sujeitar à mais amadorística e fantasiosa orientação partidária.

O relatório sobre as barreiras comerciais americanas foi publicado regularmente entre 1993 e 2007, com exceção de um único ano, 2004. A grande mudança de orientação ocorreu em 2007, quando a embaixada em Washington foi finalmente enquadrada, de forma completa, nos novos padrões do Itamaraty. O resultado foi muito estranho. O texto de apresentação, tradicionalmente crítico em relação ao protecionismo americano, foi atenuado e, mais que isso, ganhou tonalidades quase positivas. Tudo isso foi recebido com surpresa pelos leitores habituais do relatório, até porque o governo petista não havia deixado de contestar, legalmente, a política de comércio dos Estados Unidos, marcada por forte protecionismo em algumas áreas e muitos subsídios à agricultura.

A única explicação parecia estar na boa relação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu colega George W. Bush. Teriam os estrategistas do Planalto e do Itamaraty enxergado nessa relação a base de alguma nova estratégia internacional de projeção do Brasil - ou de seu presidente?

O mistério nunca foi desfeito. Nunca se explicou por que a embaixada brasileira deveria dar uma tonalidade rósea à velha e sempre reiterada tendência protecionista de Washington - protecionista pelo menos em relação aos produtos de maior interesse para o comércio brasileiro. O mistério apenas ficou mais denso com a decisão de suspender a divulgação do relatório nos dois anos seguintes.

Documentos desse tipo são no entanto normais, e muito úteis, na relação diplomática entre grandes parceiros comerciais. Como lembra a correspondente do Estado em Washington, Patrícia Campos Mello, os europeus dispõem do Market Access Database, um canal de divulgação de barreiras de qualquer país contra produtos da União Europeia. Dispõem também de uma base de dados especial para o registro de barreiras impostas pelo governo dos Estados Unidos. Os americanos têm o National Trade Estimate, com informações sobre barreiras a produtos, entraves a investimentos e ameaças à propriedade intelectual.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 09 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Ministro critica plano de direitos humanos"

Stephanes (Agricultura) engrossa coro de críticas internas a decreto de Lula

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) engrossou o coro das críticas no próprio governo ao Programa Nacional dos Direitos Humanos, já atacado pelos militares. Para Stephanes, o texto mostra “preconceito contra a agricultura comercial” e vai trazer instabilidade jurídica para o campo. O programa reúne em amplo apanhado de 521 medidas em várias áreas, que vão de metas vagas como “proteger o idoso” a propostas controversas como o apoio à descriminalização do aborto e à união civil entre pessoas do mesmo sexo. Os comandantes do Exército e da Aeronáutica ameaçaram se demitir devido a um dos pontos do programa, que cria uma “comissão da verdade” para apurar tortura na ditadura militar (1964 –1985). O plano também recebeu críticas de católicos. A oposição apresentou no Senado projeto para anular o decreto do presidente Lula que criou o programa; para o PSDB, a iniciativa é eleitoreira. O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) defendeu o plano e argumentou que seus críticos tiveram quatro meses para sugerir mudanças.

O Estado de São Paulo
"Plano de Direitos Humanos provoca onda de protestos"

Texto é criticado por militares, religiosos, agricultores e representantes da mídia

A divulgação de detalhes do Programa Nacional de Direitos Humanos desencadeou uma onda de protestos de militares, da Igreja Católica, da sociedade civil e até de integrantes do governo. Além de propor a anulação da Lei de Anistia – o que quase provocou a renúncia do ministro Nelson Jobim (Defesa) e da cúpula militar em dezembro -, o texto avança em múltiplas áreas. Sugere critérios de acompanhamento editorial dos veículos de comunicação e trata da reintegração de posse em invasões de terra. “Daqui a pouco vamos ter que demolir a estátua do Cristo”, disse d. Dimas Lara Resende, secretário-geral da CNBB, sobre o item que proíbe símbolos religiosos em locais públicos. Elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, o texto do programa foi enviado ao Palácio do Planalto, que avalia agora se vai encaminhá-lo ao Congresso.

Twitter

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Universo

Astrônomos dizem que planetas habitáveis devem ser encontrados em até 5 anos

da Associated Press, em Washington
Astrônomos dizem que estão prestes a encontrar planetas como a Terra orbitando outras estrelas, um passo-chave para determinar se nós estamos sozinhos no Universo.


Um importante oficial da Nasa (agência espacial norte-americana) e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, eles devem descobrir o primeiro planeta similar à Terra onde a vida poderia se desenvolver, ou já se desenvolveu.

Um planeta com o tamanho próximo ao da Terra pode até mesmo ser encontrado neste ano se vestígios preliminares de um novo telescópio espacial se confirmarem.

Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, que acontece nesta semana, cada descoberta envolvendo os assim chamados "exoplanetas", aqueles planetas de fora do nosso Sistema Solar, apontam para a mesma conclusão: planetas como a Terra, em que a vida pode se desenvolver, são provavelmente abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão.
Leia mais

Nota do Editor - Encontrar planetas habitáveis é viável, chegar até eles são outros quinhentos. No estágio tecnológico em que nos encontramos não dá para imaginar viagens tripuladas para fora dos limites do Sistema Solar. Se existirem planetas com água e condições de temperatura e pressão similares às da Terra, certamente estarão distantes. (Sidney Borges)

Twitter

Clique sobre a imagem e saiba mais

Ubatuba em foco

Fomentando o debate

Caro Sidney

Li o seu editorial de hoje, 08 de janeiro, e também a matéria do meu amigo Maurício Moromizato, publicada em seu blog. Como você afirmou que iria receber opiniões e publicá-las, resolvi escrever. Ao fazer uma análise crítica de sua atitude com relação à intervenção por parte da Vigilância Sanitária de Ubatuba no mercado do meu amigo Tato, quero crer que faltou um tanto de censo jornalístico, ou, no mínimo, aptidão pela notícia. Seu blog limitou-se a publicar na íntegra o release da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ubatuba, sem ao menos um comentário seu em texto anexo, o que é comum em seu blog. Comparando com a matéria que foi publicada hoje no jornal “Imprensa Livre” pelo repórter Saulo Gil, notamos a clara diferença do contexto apresentado, em seu conteúdo isento de características específicas.

A matéria publicada no jornal “Imprensa Livre”, afirma em sua manchete que a vigilância sanitária de Ubatuba, considera ruim as condições gerais do comércio de alimentos na cidade e nos último 30 dias aplicou diversas autuações e realizou mais de 10 interdições em estabelecimentos que comercializam alimentos em Ubatuba. Afirma ainda, que no penúltimo mês do ano passado, uma grande rede supermercadista foi fechada por não atender às diversas orientações realizadas pela vigilância ao longo de 2009, citando apenas que o mesmo ocorreu na quinta-feira última, com um pequeno mercado também localizado no centro da Cidade.

Nota-se a isenção da matéria e seu elevado grau de profissionalismo, deixando claro ser um problema crônico e não específico de um determinado comerciante.

Seu editorial também afirma que tal fato teve conotação política, o que é evidente. Porém, assim como Maurício Moromizato em seu texto, faço as seguintes colocações: quantas autuações o mercado 24 horas já teve por parte da vigilância sanitária?

Pois segundo relato do Sr. Neilton Nogueira, Superintendente de Proteção á Saúde da Prefeitura de Ubatuba, quando existe a interdição do comércio é porque a situação já chegou ao limite. Pelo que sei, este mercado não tem um histórico de autuações ou mesmo advertência por tal órgão. Por fim, gostaria de fazer um apelo a todos os políticos de Ubatuba: que não deixem suas vaidades ou revanchismos adentrarem na esfera pessoal. Política se faz com idéias e ideais. Não concebo o fato de se riscar um carro de um adversário ou denegrir a imagem de sua família. A ética deve se fazer presente na política e o rancorismo não eleva ninguém, só denigre sua imagem.

Engº. Guaracy Fontes Monteiro Filho

Nota do Editor - Ao receber o release da Prefeitura ontem, por volta das 18h15, liguei para o Tato e coloquei o Ubatuba Víbora à disposição para comentários. Ele disse que se manifestaria no momento adequado. O release foi publicado pelo fato do Tato ser quem é, presidente de partido e homem de destaque no cenário político de Ubatuba, tão óbvio que nem vale a pena mencionar. Tivesse sido fechado o "Mercadinho do seu Asdrubal", do Sertão da Quina, eu não teria publicado. E certamente a Prefeitura não teria enviado o release. Sobre a atuação da Vigilância Sanitária em outros casos, não é pauta do meu interesse. Você como cidadão pode pedir informações e a Prefeitura tem a obrigação de dar. (Sidney Borges)

Twitter

Litoral



Veranistas se unem para preservar a Praia de Iporanga, no Guarujá

Reflorestamento da mata atlântica, reciclagem de lixo e controverso acesso limitado à área estão entre as ações

GUARUJÁ
A Praia de Iporanga, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, é uma enseada tranquila no meio da Serra do Guararu, em uma área preservada da mata atlântica. "Aqui estamos na natureza, em um ambiente agradável e calmo, onde há até trilhas", diz a consultora paulistana Valéria Pierieri, que tem uma casa de veraneio na região há 5 anos. "Precisamos fazer de tudo para conservar e respeitar esse local, para que ele continue um paraíso." Com essa motivação, ela e os outros 370 proprietários de casas num loteamento que abrange as Praias de Iporanga, São Pedro e das Conchas investem em ações de preservação ambiental para impedir que a fauna e a flora sofram com interferências humanas. "É preciso ter consciência de que temos de limitar nossas atitudes para não perder esse lugar", diz a advogada Elisa Cury, de Ribeirão Preto, que também tem um terreno em Iporanga.

Os proprietários das casas de veraneio (que chegam a custar mais de R$ 20 milhões) têm iniciativas de reciclagem de lixo, reflorestamento e recuperação de mangues. Desde 2007, eles financiam, por meio da Associação dos Proprietários do Iporanga (Sasip), o replantio de árvores de palmito juçara na mata atlântica. As sementes são jogadas de um helicóptero. No ano passado, foram espalhados cerca de 660 quilos de sementes dessa forma.

Com o plantio de mudas e o combate às ações de degradação, a Sasip também recuperou um mangue próximo da praia. "Quando cheguei aqui, esse lugar estava cheio de areia e sem animais", conta o administrador Roberto Nagy, superintendente geral da Sasip há 6 anos. "Depois que começamos a nos preocupar mais com a preservação do meio ambiente, conseguimos revitalizar o mangue. Hoje, há garças e outros bichos morando na área recuperada."
Leia mais

Nota do Editor - Fico quieto no meu canto lembrando e cantarolando: Carcará, pega mata e come. Era bom ouvir Betânia e depois tomar umas no Riviera, discutindo o glorioso porvir. Igualdade, dinheiro no bolso, acesso à educação e tempo para viajar. Quarenta anos depois a massa tem grana, diploma na bagagem e viaja. Por que jogam papéis no chão? Nem vou falar de ossinhos de frango na areia. E o gosto musical? Que horror. A turma do José Dirceu era realista: "da burguesia queremos o poder e as mulheres". Socorro, invadiram a nossa (deles) praia. Sou contra a propriedade desnecessária, uma casa basta. Mas gosto de conversar com socialistas ricos, que adoram, amam, veneram ter coisas (low profile) e por elas são capazes de matar ou morrer. Vou invadir a praia deles ouvindo Haydn e tomando Rémy Martin. Mas continuarei contra o supérfluo. A burguesia fede... (Sidney Borges)

Twitter

Editorial

Mercado do Tato

Sidney Borges
Ontem saí com o meu amigo Celsinho para tomar café e planejar o curso de aviação. Estou escrevendo o programa de "Teoria de Vôo".

Falamos do site da Dominique, da competência do Caíque, menino talentoso e dos novos moradores de Ubatuba que estão chegando para trabalhar nos projetos da Petrobras em Caraguatatuba e preferem viver aqui.

Enfim, a conversa foi boa. Na volta pensei em passar no mercado do Tato. Meu estoque de coca zero está no fim. Por ter outros compromissos acabei não indo.

Assim que cheguei em casa fui interpelado por um vizinho:

- Você sabe o que aconteceu com o mercado do Tato?

Respondi que não.

- Está fechado.

Anotei na agenda: ligar para o Tato.

Telefonemas de São Paulo, visita de um amigo, passeio com o cachorro, acabei não ligando. A noite chegou amenizando o calor, insuportável, de fritar ovos em pedras. No Hemisfério Norte a temperatura desce como a popularidade do Arruda. Falam em 50 graus Celsius negativos em Nova Iorque. Mussum diria: cacildis...

Às 18h16 chegou o comunicado da Assessoria de Comunicação da Prefeitura. "O Mercado do Tato foi fechado pela Vigilância Sanitária". Bullshit, não saí para comprar o sorvete das quintas.

Pássaros ao rum, o preferido do Carlos Rizzo.

Publiquei a notícia, depois busquei o outro lado, liguei para o Tato e coloquei o Blog à disposição.

O ex-candidato a prefeito pelo PT, Maurício Moromizato, foi contra a publicação e pediu para que a notícia fosse tirada do ar.

Não vou tirar, prefiro receber opiniões e publicar. Quero fomentar o debate. A cidade tem de discutir seus problemas, não pode continuar varrendo a sujeira para baixo do tapete.

Uma ressalva, não quero ser processado, publicarei opiniões que não contenham risco.

Deixar o flanco exposto é fatal quando se entra em guerra. Von Paulus tomou Stalingrado. Zhukov cercou a cidade pelos flancos e quando Paulus acordou era tarde. Foi derrotado.

O caso Lunus expressa o mesmo raciocínio. Roseana Sarney liderava as pesquisas para a presidência da República em 2002. Foi feita uma denúncia, atribuída pelo PT ao tucano José Serra, sobre irregularidades na empresa Lunus, de propriedade de Roseana e de seu marido, Jorge Murad.

A Polícia Federal invadiu a empresa e encontrou um milhão e trezentos mil reais em dinheiro.

- De quem é esse dinheiro?

- Não sei, nunca vi, alguém colocou aí para me incriminar...

Como estamos no Brasil o caso será definitivamente solucionado em 2075, mas as pretensões políticas da então governadora do Maranhão foram para o brejo.

Um leitor me ligou hoje de manhã protestando contra a publicação e dizendo que se o mercado fosse de um amigo do prefeito não teria sido fechado.

Tive de dizer que sinto muito, mas a afirmação está no campo da conjetura. O fechamento tem características de ato político, mas teve fundamento.

Na ditadura nada podia ser publicado. Só as notícias plantadas pelos órgãos da repressão.

Costumavam sair na Folha da Tarde. Dou um exemplo: Bacurau escapou. Quem acompanhava os acontecimentos soube pela nota que Bacurau tinha sido executado.

Em Ubatuba não existe imprensa. Apesar das limitações do Blog estamos dispostos a informar.

A sociedade ubatubense não convive bem com informação, não gosta, não apóia, não dá valor.

Um dia isso vai mudar, a democracia demora para ser assimilada, em Ubatuba, terra de coronéis, vai demorar mais um pouco.

Sempre é bom lembrar que se a ditadura continuasse, Lula ainda seria torneiro-mecânico.

Twitter

Espaço do leitor

Mercadinho do Tato

Caro Sidney.

Li com muito espanto e preocupação a publicação sobre o fechamento do mercado do tato pela vigilância. Não o acontecimento, que eu já sabia, mas a publicação no Víbora. No Ubaweb ainda não saiu e espero que continue sem publicar.

Explico:

O fechamento de um estabelecimento por ação da vigilância sanitária, motivado por denúncias objetivas e feito de maneira técnica é compreensível, desejável enquanto exercício de responsabilidade pelo poder público, etc...

Mas tornar tal ato público via assessoria de comunicação da prefeitura e sua repercussão na mídia conferem caráter político, politiqueiro e revanchista a uma atitude técnica.

Quantas fiscalizações e interdições a vigilância fez no período de 12 meses? Quantas denúncias recebeu? Quantas dessas ações foram parar no site da prefeitura e distribuídas à imprensa?

Você tem condições de fazer esse levantamento porque deve receber comunicados à imprensa da assessoria de comunicação da PMU.

Lembro-me da interdição de um dos grandes supermercados aqui de Ubatuba. Não lembro de ter saído no Víbora ou no site da prefeitura.

Em minha profissão de cirurgião dentista, se infringir o código de ética, além de ter direito a julgamento com oitiva de minha versão, uma vez condenado, terei como primeira punição a advertência sigilosa, na sequência, uma advertência pública, na sequência uma suspensão, seguida de outra suspensão e só depois a cassação do diploma.

Penso que o correto, com todos os estabelecimentos do município seria uma vez denunciado qualquer estabelecimento e constatada a irregularidade, fosse feita uma primeira advertência e a imediata suspensão da comercialização da área afetada. Num segundo momento, a advertência pública e fechamento, com multa, e assim numa sequência. E o mais importante, que as fiscalizações de rotinas, para orientação e liberação fossem feitas a todos os estabelecimentos, independente do dono e da preferência política do mesmo, bem como que se desse preferência para a fiscalização dos lugares não legalizados. Falo isso com conhecimento de causa. É possível exigir legalização de todos os comerciantes, mas deve-se ter um plano de ação, na baixa temporada, chamando todos os estabelecimentos, ramo a ramo, para orientação, aviso de datas á partir do qual a fiscalização cobrará as normas legais, abrir canal de diálogo para supressão de dúvidas e orientações, publicar o que está sendo feito preventivamente, e iniciar as ações com quem não participa e não se mostra interessado na legalidade. Dá inclusive para discutir a questão tributária junto a isso. Quem se legaliza tem que pagar menos do que as multas e punições e ter a garantia de que será visto com bons olhos pelo poder público.

No meu ramo da odontologia, a vigilância só vai ao seu consultório por denúncia ou quando vocẽ pede alvará. Se ficar funcionando ilegalmente, dificilmente será fiscalizado.

Será que no caso do Tato é apenas uma denúncia? Ou várias? Primeira vez? Ou reincidência?

Pela idade do comércio, se for a primeira vez, complica para a vigilância, né? Pela informação que tenho, foi a primeira vez que o Tato sofreu esse tipo de ação. E mais, a pessoa que esteve à frente da ação é cliente com conta mensal. Ora, se é cliente, nunca reparou nas irregularidades?

Face a esses argumentos, avalio que você deveria tecer alguns comentários a esse respeito, bem como retirar a publicação do ar.

Essas atitudes precisam parar em Ubatuba. É preciso dar um breque em quem prefere o "argumento da força à força do argumento".

É o que tenho a lhe colocar.

Forte abraço,

Mauricio Moromizato

Twitter

Coluna do Celsinho

Pirulitos

Celso de Almeida Jr.
Há muitos anos busquei o apoio de um empresário para patrocinar um projeto cultural.


Ele, falante ao extremo, tentava sair pela tangente.

Declamou um Salmo.

Contava causos.

E, distraído, explicou que já ajudava muito a cidade.

Bastava eu perguntar a alguns políticos, seus amigos.

Deixei a conversa fluir.

Empolgado, ele disse que dinheiro não é um termo adequado para usar em certas situações.
Entregou que, quando precisava ser mais convincente na defesa de seus interesses, distribuía - com generosidade - pirulitos.

Resistindo aos meus argumentos, não abriu a carteira.

Resignado, agradeci a atenção, mas tentei nova estratégia.

Fui ao prefeito, amigão do peito do salmista.

Eu já sabia que caminhávamos para um ano eleitoral.

Recomendei uma conversa convincente, afinal, seduzir empresário era especialidade do primeiro mandatário.

Não deu outra.

Em 10 dias o prefeito colocava no meu bolso um cheque de 5 mil pirulitos, emitido pelo nobre empreendedor.

O projeto tornou-se real.

Mas, não curti.

Sabia que aquele fruto trazia na semente o gérmen do toma-lá-dá-cá, temperado com boa dose de tráfico de influência.

Algum tempo depois contei esse caso para outro empresário.

Ele o recebeu com gargalhada.

Sugeriu que eu deveria sair com mais frequência do ambiente escolar, onde passei grande parte de minha vida.

Pragmático, disse que eu ainda tinha muito a aprender.

Rotulou-me de poeta, romântico, um autêntico sonhador.

Alertou-me que, na prática, a teoria era outra.

Mandou parar de lamuriar o método, pois alcancei o que queria.

Achei bobagem contra-argumentar.

Alguns sentimentos poucos compreendem.

Mas aprendi com as experiências.

Vi como se criam riscos.

E conheci novas designações para uma mesma palavra.

O segundo empreendedor disse-me que não trabalhava com pirulito.

Preferia queijinho.

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

Olhar para o céu, tomar decisões

Washington Novaes
"Não se deve chorar pelo leite derramado", costumavam dizer os mais antigos. Porque seria inútil. E porque - estava implícito - o necessário seria mudar de atitudes, adotar caminhos adequados para que os problemas não se repetissem. Parece ser uma boa lição diante dos graves acontecimentos na área dos desastres provocados nas últimas semanas em várias partes do Sudeste, principalmente por mudanças climáticas, chuvas intensas. Em Capivari foram 151 milímetros (ou151 litros de água por metro quadrado de solo) em 90 minutos; em São Paulo, na última segunda-feira, 73 milímetros; em Angra dos Reis, São Luís do Paraitinga e outros lugares, mais dilúvios. Nada ainda parecido com o que houve em Blumenau em 2008, com mais de 800 milímetros de chuvas em único dia (800 litros de água por metro quadrado de solo). São os chamados eventos extremos, para os quais o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) tem chamado insistentemente a atenção: eles são uma característica dos novos tempos, com o aquecimento da temperatura planetária em razão da concentração de gases emitidos em vários setores da atividade humana.


A lição a tirar - tantas vezes repetida neste espaço - é a de que não nos preparamos para esses novos tempos, para os eventos extremos. Não só continuamos a permitir a ocupação de áreas inadequadas (encostas e topos de morros, principalmente, mas também áreas muito úmidas), como quase nada temos feito para impedir a impermeabilização dos solos urbanos e a redução da capacidade de fluxo dos rios - e com isso favorecemos grandes enchentes. Mais grave, entretanto, é que não conseguimos, apesar das evidências de urgência, formular políticas adequadas não apenas de mitigação (redução de emissões), mas de adaptação às novas condições climáticas, em muitas áreas.

Está claro que as regras para ocupação do solo em toda parte terão de ser muito mais rigorosas - e isso inclui a revisão das autorização legais ou de fato para ocupação. Angra dos Reis é um bom exemplo, com 3 mil casas em áreas de risco. Ou o Jardim Romano, em São Paulo, onde se permitiu o parcelamento por grileiros de uma área que não deveria ser ocupada - e agora não se sabe o que fazer com milhares de famílias. Mas os próprios padrões urbanos de construção - seja de moradias ou infraestruturas (pontes, viadutos, etc.) -, assim com os padrões rodoviários, precisarão ser fortalecidos para pôr fim ao espetáculo de ruptura de pontes e aterros, desmoronamento de pistas, rompimento de barragens. Todos esses padrões obedecem às necessidades e exigências de outros tempos em matéria de clima. E agora é preciso mudar os critérios em cada município, em cada Estado, no País todo. Para dar à população a certeza de que ela será protegida por instituições competentes em cada lugar, em cada necessidade.
Leia mais

Twitter


Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Jobim fará seu próprio relatório sobre os caças"

Ministro, que prefere avião francês, pode rever ranking com suecos em 10

O ministro Nelson Jobim (Defesa) levará ao presidente Lula relatório próprio sobre a renovação da frota da Força Aérea Brasileira e poderá rever o critério de pontuação que pôs em primeiro o caça sueco Gripen NG, informam Eliane Cantanhêde e Fernando Rodrigues. A Aeronáutica manteve o ranking que traz em último lugar o caça francês Rafale, preferido do Planalto. "E importante ver se a pontuação bate com a posição da gente, que é baseada na Estratégia Nacional de Defesa e prioriza a transferência de tecnologia", disse Jobim. O ministro e Lula defendem negócio com a França porque o país é "parceiro estratégico", com o qual há acordo militar. Jobim, porém, disse que analisará o relatório da Aeronáutica antes de levar ao presidente sua conclusão. Os 36 caças custarão até R$ 10 bilhões. Em Paris, em evento com a presença do chanceler Celso Amorim, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU e elogiou o Brasil. Amorim voltou a falar dos caças e disse que "o barato às vezes sai caro".

O Estado de São Paulo
"Presidente do BC é demitido e crise se agrava na Argentina"

Cristina Kirchner baixa decreto e oposicionistas denunciam ataque à Constituição

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, demitiu ontem, por decreto, o presidente do Banco Central, Martín Redrado. A medida aprofundou a crise institucional no país. Partidos de oposição anunciaram que vão resistir à demissão de Redrado, cujo mandato terminaria em setembro e, pela Constituição, somente poderia ser removido pelo Senado. No decreto, assinado por todos os ministros, Cristina Kirchner acusa Redrado de má conduta e falta de cumprimento dos deveres de funcionário. público, por não autorizar que US$ 6,56 bilhões das reservas do BC fossem destinados ao pagamento de parcelas da dívida pública. Miguel Angel Pesce, vice-presidente do BC, foi nomeado presidente do banco.

Twitter

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Ubatuba em foco

Vigilância Sanitária interdita mercado

Falta de condições de higiene e armazenamento de alimentos foram as causas

Assessoria de Comunicação – PMU
A Vigilância Sanitária da Prefeitura de Ubatuba interditou nesta quarta-feira, 6, o Mercado 24h, popularmente conhecido como “Mercadinho do Tato”, localizado na Rua Conceição, centro da cidade. O estabelecimento foi vistoriado após o recebimento de diversas denúncias de cidadãos que acionaram a Vigilância Sanitária. Durante a vistoria foram detectadas irregularidades com relação à falta de higiene e acondicionamento inadequado de alimentos.

De acordo com a Superintendência de Proteção à Saúde, o mercado tinha à venda variados tipos de alimentos com data de validade vencida, armazenados de forma inadequada e sistema de refrigeração em temperatura imprópria para conservação dos mesmos. Ainda de acordo com informações da Vigilância Sanitária, os produtos estavam armazenados de forma totalmente desorganizada, com diferentes tipos de itens sendo guardados no mesmo espaço, além da presença de produtos sem procedência.

A inspeção gerou um auto de infração e a inutilização de vários produtos, como carnes, queijos, frangos, hambúrgueres, pizza, salsicha, salame, entre outros. A penalidade imediata neste caso foi a interdição do estabelecimento, que segundo a Vigilância Sanitária, não tinha condições de permanecer em funcionamento. O proprietário do Mercado 24h tem 10 dias para apresentar defesa e adequar o estabelecimento às normas de funcionamento.

Twitter

Editorial

Rafales e Conexos

Sidney Borges
Quando a ditadura argentina, moribunda, resolveu se apoderar das Ilhas Falklands tinha no arsenal aproximadamente 110 aviões, dentre eles alguns Dassault-Breguet Super Étendard equipados com mísseis Exocet.

Foram encomendados 14, só chegaram 5. Foi esse conjunto que afundou o destroier Sheffield, orgulho da frota britânica, o navio mais moderno da guerra. No mesmo ataque outro Exocet quase pôs a pique o porta aviões HMS Hermes. Historiadores acreditam que o míssil atingiu o alvo e não explodiu.

Não há confirmação, mas depois dessa batalha o Hermes teve pouca ação na guerra, não se sabe se para proteger a vida do Príncipe-piloto que nele servia ou se por conta dos danos causados pelo míssil.

Dá pra imaginar que se a Argentina tivesse 50 ou 60 mísseis o resultado da guerra poderia ter sido outro. Tinha 5. Sorte de Margaret Thatcher.

O Brasil fecha questão em torno dos caças Rafale. É uma opção política. Na guerra moderna não interessa a plataforma. A eletrônica embarcada e os mísseis formam o diferencial.

Não há mais combates no estilo "dog fight" da batalha da Inglaterra, os enfrentamentos acontecem à distância. Vence quem encontrar o inimigo primeiro. O avião, volto a afirmar, é apenas uma plataforma.

Ontem publiquei uma matéria do The New York Times sobre o Irã. A foto que ilustra o texto mostra um trecho de montanhas e dá idéia da invulnerabilidade das instalações nucleares do país dos aiatolás.

Israel ameaça. Vai continuar ameaçando, pouco poderá fazer além disso. Um ataque convencional, como o que destruiu o reator iraquiano de Osirak, em 1981, não vai surtir efeito. Além do que, convém lembrar que o Irã não tem apenas uma, mas diversas instalações construídas dentro da rocha, protegidas, difíceis de localizar.

Está fora de cogitação o uso de artefatos nucleares, portanto, em breve, vamos saudar mais um membro do seleto clube dos senhores da morte.

Depois da deposição de Mossadegh os iranianos tiveram de engolir "Xá" sem açúcar por imposição anglo-americana. Nasceu o ódio irreversível que segundo um aiatolá falastrão não será aplacado em um milhão de anos.

O Irã corre atrás de armas letais, desenvolve mísseis de longo alcance e bombas atômicas. Tem lá suas razões, não é bom confiar em ingleses e americanos, pelo menos nos anos da década de 1950, no Oriente Médio, não era.

Mas também não é bom confiar em fanáticos religiosos.

O que vai acontecer a partir do Irã nuclear eu não sei. Mas conhecendo o elenco da peça, temo pelo pior. Certamente não vai acabar em pizza, o que lamento.

Sou apreciador das redondas.

Twitter

Clique e saiba mais

Opinião

Redescobrindo os EUA

Editorial do Estadão
Os Estados Unidos - quem diria? - são importantes demais para serem deixados em segundo lugar na pauta de exportações do Brasil. "Vamos investir muito em 2010 no mercado americano", prometeu o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, ao comentar os números de exportação e importação do ano passado. Em 2009, os exportadores brasileiros venderam aos Estados Unidos US$ 15,7 bilhões em mercadorias. Esse valor foi 42,4% menor que o do ano anterior. Os americanos perderam para os chineses o posto de maiores clientes do Brasil. Em Brasília, pelo menos em um Ministério esse fato parece provocar alguma reação e estimular um novo interesse comercial pela maior potência econômica do mundo.

A reação do secretário Barral é positiva, mas só produzirá resultados se envolver o primeiro escalão do governo. Há sete anos o mercado americano deixou de ser assunto prioritário para os formuladores da diplomacia comercial brasileira. Essa atitude parece haver contaminado até o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, embora sua orientação, a partir de 2003, tenha sido quase sempre mais pragmática e realista que a do Itamaraty.

Há um aspecto interessante, e quase divertido, na preocupação demonstrada pelo secretário Welber Barral. A redução das exportações para o mercado americano é facilmente explicável pela severa recessão nos Estados Unidos. Vários outros países perderam vendas para esse mercado em 2009. Em contrapartida, o mercado chinês se manteve dinâmico, porque a economia da China, embora afetada pela crise, continuou crescendo firmemente.

Em 2009, a participação brasileira nas importações americanas de bens não foi muito diferente da observada nos anos anteriores: ficou próxima de 1,4%. O problema realmente importante, no comércio Brasil-Estados Unidos, não ocorreu no ano passado. O grande erro foi cometido em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, influenciado por seus estrategistas, decidiu enterrar o projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Os governos brasileiro e argentino uniram-se para essa tolice. Fizeram a maior parte do trabalho, complementado, depois, pelas autoridades americanas. Em 2004, foi a sua vez de exibir intransigência e de contribuir para o fracasso das negociações.

Há alguns anos, o presidente Lula vangloriou-se, num encontro com sindicalistas, de haver tirado a Alca da pauta. Nessa ocasião, ele admitiu publicamente, pela primeira vez, o fato conhecido de quem acompanhava o assunto. A intransigência americana, em 2004, apenas facilitou o trabalho dos governos brasileiro e argentino. Nos anos seguintes, o presidente e seus conselheiros vangloriaram-se várias vezes de haver redistribuído geograficamente as exportações brasileiras, diminuindo a dependência do mercado americano. A história real é outra: o Brasil limitou-se a acompanhar o crescimento do mercado americano e deixou as novas oportunidades a parceiros mais pragmáticos - entre eles China, Índia e Rússia, os outros Brics.
Leia mais

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 01 / 2010

Folha de São Paulo
"Prejuízo com chuva supera R$ 1 bi"

Valor permitiria construir e equipar 20 hospitais; mortes no Sul e no Sudeste já são 138

As chuvas que atingem o Sul e o Sudeste do país, além de 138 mortes, já causaram aos cofres públicos prejuízo superior a R$ 1 bilhão. Com esse valor, seria possível construir e equipar 20 hospitais com 75 leitos cada um. Apenas os gastos com recuperação de estradas nas duas regiões já são estimados em mais de R$ 300 milhões. Em São Paulo, aproximadamente 12% das rodovias apresentam problemas provocados pelas chuvas. No Rio, Angra dos Reis e a Baixada Fluminense estão entre as áreas mais atingidas. Enquanto Angra estima perdas de R$ 217 milhões, a cidade de Nova Iguaçu, por exemplo, calcula seus prejuízos em R$ 20 milhões. No Rio Grande do Sul, onde 7% das estradas estão interrompidas total ou parcialmente, especialistas estimam que só a reconstrução da ponte que caiu no rio Jacuí, na cidade de Agudo, custe cerca de R$ 2,6 milhões. Os bombeiros ainda procuram por cinco desaparecidos, entre eles o vice-prefeito de Agudo, Hilberto Boeck (PMDB), 55. O número de sobreviventes chega a dez; dois deles saíram sozinhos do rio Jacuí.

O Estado de São Paulo
"Pressão do Planalto faz FAB alterar relatório sobre caças"

Recomendação de compra de aviões suecos será excluída de parecer técnico

O relatório técnico que o Comando da Aeronáutica apresentará ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a avaliação dos modelos de caças para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), não vai conter uma "hierarquização" das propostas internacionais, informam as repórteres Vera Rosa e Eugênia Lopes. A FAB ia recomendar o Gripen NG, da empresa sueca Saab, o mais barato entre os concorrentes, mas foi pressionada pelo governo e não entrará no mérito de qual a melhor opção para o projeto FX-2, que prevê a compra de 36 caças. O vazamento do relatório para a imprensa foi interpretado pelo Planalto como uma derradeira tentativa da Aeronáutica de constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já manifestou sua preferência pelo caça francês Rafale, da empresa Dassault.

Twitter

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Oriente Médio



Irã protege usinas nucleares em túneis e montanhas

William J. Broad no The New York Times
Em setembro passado, quando foi revelada a existência de uma usina de enriquecimento de urânio do Irã, dentro de uma montanha próxima da cidade sagrada de Qom, o episódio ressaltou um padrão mais amplo: ao longo da última década, o Irã escondeu discretamente uma parte cada vez maior de seu complexo atômico em redes de túneis e "bunkers" por todo o país.


Ao fazê-lo, disseram especialistas federais e privados, o Irã atingiu um duplo propósito. Não apenas o país protegeu sua infraestrutura de um ataque militar sob barreiras de rocha densa, como também ocultou ainda mais a escala e natureza de seu esforço nuclear notoriamente invisível. A descoberta da usina em Qom apenas aumentou o temor da existência de outras instalações não declaradas.

Presidente do Irã discursa durante visita a usina de enriquecimento de urânio, em Natanz, no Irã. Mahumud. Ele é acusado pelos EUA de iniciar a produção de combustível nuclear "em escala industrial", os atritos também com a União Européia e o Conselho de Segurança da ONU.


Agora que passou o prazo do final de ano para progresso diplomático, estabelecido pelo presidente Barack Obama, esse manto de invisibilidade despontou como uma espécie de arma furtiva, complicando o cálculo militar e geopolítico do Ocidente.

O governo Obama diz que espera tirar proveito da inquietação política doméstica e desarranjo no programa nuclear do Irã para pressionar por um regime de novas sanções, imediatas e mais fortes. Mas um fator crucial por trás do esforço por soluções não-militares, dizem alguns analistas, são os túneis do Irã - o que Teerã chama de estratégia de "defesa passiva".

De fato, o secretário de Defesa, Robert Gates, desconsiderou repetidas vezes a possibilidade de um ataque militar, dizendo que apenas retardaria as ambições nucleares do Irã em um a três anos, ao mesmo o tempo ocultando ainda mais o programa.

Alguns analistas dizem que Israel, que adotou a linha mais dura em relação ao Irã, pode ser particularmente atrapalhado, dado suas forças armadas e capacidades de inteligência menos formidáveis.

"Isso complica o estabelecimento dos alvos", disse Richard L. Russell, um ex-analista da CIA e atualmente na Universidade de Defesa Nacional. "Nós estamos acostumados com as instalações presentes acima do solo. No subsolo, isso se transforma literalmente em um buraco negro. Não dá para saber o que está realmente acontecendo."

Até mesmo os israelenses reconhecem que a rocha sólida pode tornar as bombas inúteis. No final do mês passado, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse ao Parlamento que a instalação em Qom estava "localizada em "bunkers" que não podem ser destruídos por meio de um ataque convencional".

O Irã altamente montanhoso tem uma longa história de túneis para fins civis e militares, e Mahmoud Ahmadinejad exerceu um papel primeiro como engenheiro de transportes e fundador da Associação Iraniana de Construção de Túneis, depois como presidente do país.

Há centenas, talvez milhares, de grandes túneis no Irã, segundo o governo americano e especialistas privados, e as linhas que separam seus diferentes usos não são claras. As empresas de propriedade da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, por exemplo, constroem tanto os túneis civis quanto os militares.

Ninguém no Ocidente sabe quanto, ou exatamente que parte, do programa nuclear do Irã está escondido. Ainda assim, a evidência de transferência do esforço atômico para o subsolo é clara.
Leia mais

Twitter

Duas bombas na moringa

Falta ou excesso de sorte? Você decide...

Ganhar na loteria duas vezes é difícil, sobreviver a duas bombas atômicas muito mais

Sidney Borges com informações da Web
Tsutomu Yamaguchi estava em uma viagem de negócios em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945 quando a cidade foi bombardeada.

Cerca de 140 mil pessoas foram mortas, muitas instantaneamente, enquanto outras milhares ficaram gravemente feridas.

Yamaguchi sofreu queimaduras graves, mas conseguiu no dia seguinte retornar à sua casa, na cidade de Nagasaki.

Ele estava lá no dia 9 de agosto quando a cidade também foi bombardeada pelos Estados Unidos. Cerca de 70 mil morreram, mas Yamaguchi sobreviveu novamente.

Tsutomu Yamaguchi morreu aos 93 anos, de câncer no estômago.

O prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, lamentou a morte de Yamaguchi e afirmou que “um excelente contador de histórias” desapareceu.

Twitter

Editorial

Destruindo vamos vivendo

Sidney Borges
Ontem vi na televisão dois técnicos falando sobre prevenção de catástrofes em áreas de risco. Papo interessante, acontece todos os anos. Meses depois das vítimas enterradas ninguém mais fala no assunto. Até a próxima catástrofe.

Falaram de Angra dos Reis, que juro, quando conhecí, em 1972, só pensei em desabamentos.

Também falaram de Blumenau, bola da vez de 2008. Consta a lenda que quando o vilarejo que posteriormente seria a cidade foi erguido, houve problemas com os índios, que se sentiam donos da terra. Quando, no entanto, os desbravadores brancos começaram a roçar áreas ribeirinhas os índios apenas observaram. Perguntados responderam que aquela terra não era deles, era do rio. O rio um dia iria reclamar. Reclamou.

Os mortos? Mortos devem ser enterrados e ponto final.

Por falar em morte, há algo estranho na forma como o Brasil trata a orla e a exploração do turismo. O petróleo, fonte de recursos, está nas mãos da Petrobras que sabe como administrar as riquezas do sub-solo. O orla brasileira, com praias belíssimas, poderia também ser fonte de recursos. Mas não há uma Petrobras para cuidar dela, está em mãos de prefeituras e câmaras.

O resultado pode ser traduzido em poluição, especulação imobiliária predatória, comércio ilegal e outros males já cantados em prosa e verso.

Não há no horizonte sinais de mudanças. Meu raciocínio vale para a faixa litorânea que se estende do Oiapoque ao Chuí. Lamentável.

O Brasil rasga dinheiro.

Twitter

Amizade


Do Blog do Lessa (original aqui)

Do Jornal do Carro


Em 1967, deslizamentos destroem estrada que leva a Caraguatatuba (SP)

Serra do Mar em alerta

por Mário Curcio (original aqui)
Segundo meteorologistas da Climatempo, como 2009 foi chuvoso, a tendência é de que as precipitações continuem altas neste verão. Por intermédio das Rodovias Osvaldo Cruz, Mogi-Bertioga e Tamoios, a Serra do Mar já deu sinais de instabilidade. Será preciso torcer muito para que os desmoronamentos não se repitam. Neste post, resgatamos no arquivo do Grupo Estado uma tragédia de arrepiar que afetou o litoral norte. Confira.

Março, 1967. Segundo reportagens do Estadão e do Jornal da Tarde, chovia forte sobre Caraguatatuba (SP) desde o dia 16 daquele mês, uma quinta-feira. A chuva apertou por volta das 18 horas da sexta e varou a noite. No sábado pela manhã, um dos morros começou a deslizar. À tarde, por volta de 15h30, toda a serra se desmancha: "Em 10 minutos, 400 mortes" era a manchete do Jornal da Tarde sobre a catástrofe.

A cidade estava isolada. Pouco sobrou da Rodovia dos Tamoios (foto acima), acesso ao litoral pelo Vale do Paraíba. Alguns carros e caminhões ficaram presos entre dois desbarrancamentos. O fotógrafo Oswaldo Luiz Palermo, que trabalhou no Grupo Estado de 1965 a 1999, fez parte de uma das equipes de reportagem: "Tivemos de descer a serra a pé. Lá embaixo, a cidade estava arrasada." O jornalista, hoje com 63 anos, afirma nunca ter visto nada parecido. O Departamento de Estradas de Rodagem nem acreditava na recuperação daquela rodovia.

Quem estava em Caraguatatuba também não podia ir para Ubatuba (vizinha ao norte) ou São Sebastião (ao sul), todos os caminhos ficaram bloqueados. A ajuda só chegava por mar e ar. Pelo Rio Santo Antônio (no canto superior da foto abaixo) desceu uma mistura de lama e árvores que cobriu o centro da cidade. Para qualquer lado que se olhasse, a Serra do Mar apresentava deslizamentos como aqueles que afetaram Angra dos Reis e Ilha Grande (RJ). Em 22 de março, as equipes de resgate já contavam 100 corpos.

Com a tromba-d'água, Serra do Mar se desmanchou sobre a cidade litorânea
Em 13 de abril de 1967, um carro do DER e outro do Grupo Estado desceram pela primeira vez após a tragédia o trecho entre o Vale do Paraíba e o litoral. O departamento de estradas passava a acreditar na recuperação da via. Lá embaixo, moradores se espantaram com os veículos que voltavam a circular. A imagem abaixo foi feita em maio de 1968, pouco mais de um ano depois da catástrofe. Repare a quantidade de deslizamentos que afetou esse trecho da estrada.

No ano seguinte, 1968, as marcas de deslizamento ainda eram fortes

Clique e saiba mais

Opinião

Eles não arriscavam a pele pela democracia

José Nêumanne
Já que o secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, está tão interessado em investigar a violação de direitos humanos pela ditadura militar que provocou uma crise interna no governo federal por propor a tal Comissão Nacional da Verdade, talvez fosse útil esclarecer algumas meias-verdades, que também são meias-mentiras, a respeito desse delicado assunto. A primeira delas é a motivação da iniciativa: conforme o proponente e seu patrono na Esplanada dos Ministérios, Tarso Genro, ministro da Justiça, não há intenção de ofender os militares nem de revogar a Lei da Anistia, que extinguiu os crimes políticos eventualmente cometidos na vigência do regime de exceção. A dificuldade para quem (como o autor destas linhas) não é fluente na algaravia ideológica de ambos é compreender como o dito cujo texto será blindado se ele vige desde 1979 e a proposta é revogar as leis que possam ter permitido tais violações entre 1964 e 1985.


"Criar a Comissão da Verdade é a favor das Forças Armadas, que são formadas por oficiais militares das três Armas, pessoas dedicadas à Pátria, ao serviço público, com sacrifícios pessoais, das suas famílias. Esses oficiais não podem ser misturados com meia dúzia, uma dúzia ou duas dúzias de pessoas que prendiam as opositoras políticas, despiam-nas e praticavam torturas sexuais, que ocultaram cadáveres. É um grande equívoco e eu tenho certeza de que o ministro da Defesa (Nelson Jobim) sabe disso", disse Vannuchi em entrevista à Agência Brasil (oficial). Circulam na internet manifestos pedindo a adesão dos brasileiros à iniciativa e citando os "verdadeiros" heróis militares, caso do líder da revolta contra o uso da chibata para punir infratores nos navios da Marinha brasileira, em 1910, o marujo João Cândido. Ainda bem que os autores de tal manifesto tiveram o cuidado de evitar citar outro marinheiro, o cabo fuzileiro naval Anselmo, um agitador que depois se descobriu ter sido agente provocador dos quadros da inteligência militar que lutava contra os grupos da esquerda armada na guerra suja travada com o regime nos anos 70 do século passado. Isso, contudo, não impede a observação de que essa lisonja às instituições armadas é um mero e sórdido truque retórico.

É difícil crer que o secretário de Direitos Humanos ignore um tema de sua pasta a esse ponto. Pois qualquer aluno iniciante de algum cursinho mambembe de História recente do Brasil sabe muito bem que os agentes da repressão nos órgãos encarregados de combater a guerrilha não eram loucos solitários e isolados das instituições militares. João Cândido, assim como o capitão Carlos Lamarca, que fugiu do quartel de Quitaúna, na Grande São Paulo, com um caminhão de armamentos para liderar um grupelho guerrilheiro, é que pode ser considerado à margem dos quadros fardados. A repressão à esquerda armada - e todas as suas consequências - foi uma decisão de governo, cumprida pelas Forças Armadas, e desconhecer essa verdade histórica só pode resultar de crassa ignorância ou asquerosa má-fé. Portanto, qualquer tentativa de investigar violações de direitos humanos no regime de exceção sob comando militar mexerá, sim, com vespeiros em muro de quartel. Se isso é necessário ou não, são outros 500 cruzeiros. Mas não nos venham os atuais detentores do poder com tantos borzeguins ao leito.

A reabertura dessas chagas neste momento pode até contemplar o princípio legal vigente em vários países e recentemente adotado no Brasil de que a tortura é um crime que nunca prescreve. A medida legal será até salutar se a denúncia dos torturadores impedir que tais práticas continuem sendo cometidas em delegacias de polícia contra presos comuns ainda hoje. Mas urge considerar outras questões, que vão além dessa meia-verdade, simplória apenas na aparência. Isso poderá suscitar um longo debate jurídico, histórico, político e ético. Pois a lei que torna a tortura um crime imprescritível é posterior à anistia, sem a qual não teria havido o arranjo institucional que permitiu a volta da democracia clássica e a ascensão da esquerda desarmada ao poder.
Leia mais

Twitter
 
Free counter and web stats