Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Políticos
Adversários e inimigos
Do Ex-Blog do Cesar Maia
Entre as histórias de Churchill, há uma, como deputado, relativa ao início da legislatura de 1935. A Câmara dos Comuns dispõe as bancadas do governo e da oposição de forma confrontante, separadas por um corredor.
Um deputado estreante sentou ao lado de Churchill e quis mostrar serviço: Deputado, ali na frente..., nossos inimigos. Churchill sorriu e respondeu:
- Não, meu caro. Ali na frente..., nossos adversários. Aqui atrás..., nossos inimigos.
Twitter
Do Ex-Blog do Cesar Maia
Entre as histórias de Churchill, há uma, como deputado, relativa ao início da legislatura de 1935. A Câmara dos Comuns dispõe as bancadas do governo e da oposição de forma confrontante, separadas por um corredor.
Um deputado estreante sentou ao lado de Churchill e quis mostrar serviço: Deputado, ali na frente..., nossos inimigos. Churchill sorriu e respondeu:
- Não, meu caro. Ali na frente..., nossos adversários. Aqui atrás..., nossos inimigos.
Um dia, um time...

Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Pé-de-Valsa, Poy, Mauro, Bauer e Serrone (roupeiro). Abaixados: Maurinho, Albella, Gino, Negri e Teixeirinha. Time campeão paulista de 1953. A dupla de ataque Gino e Albella (pronuncia-se albeja), sempre bem penteados e elegantes, deu grandes alegrias aos torcedores do tricolor. Outros tempos, os pernas de pau de hoje estão devendo. (Sidney Borges)
Brasil
Prêmio Nobel Krugman vê risco de “bolha Brasil”
Maurício Savarese
Do UOL Notícias, em São Paulo
Os pesados fluxos de recursos para o Brasil ameaçam o país de haver uma bolha financeira semelhante às que atingiram México, o sudeste asiático e o leste europeu, afirmou nesta terça-feira o prêmio Nobel de Economia 2008, Paul Krugman, professor da Universidade Princeton e colunista do “The News York Times”, que participou de evento em São Paulo.
Em entrevista a jornalistas, Krugman disse que a superação da crise internacional pelo Brasil foi “uma história feliz”, mas a sobrevalorização do real, a falta de infraestrutura e o baixo nível de educação da população brasileira são entraves importantes para que o país se torne uma “superpotência econômica”.
“Dizer que o Brasil é uma boa história não é o mesmo que dizer que se tornará uma superpotência econômica no ano que vem, e é isso que os mercados estão dizendo”, declarou Krugman.
O economista afirmou que o cenário econômico brasileiro “não é de apocalipse, não é a Argentina, mas não é saudável”.
Krugman brincou ao dizer que uma das vantagens do Brasil em relação ao restante do mundo “é o fato de que vocês odeiam banqueiros”.
“Nos Estados Unidos, se alguém fala em ajudar o Goldman Sachs, o cidadão médio fica preocupado, acha que é importante. Aqui, politicamente, não faz sentido.”
O prêmio Nobel elogiou o sistema bancário brasileiro, menos exposto a empréstimos de alto risco, como os que vitimaram a economia americana no ano passado, em especial no mercado imobiliário. (original aqui)
Nota do Editor - Obviamente não é preciso ser economista nem ter sido laureado com o prêmio Nobel para constatar que no Brasil o banco empresta 10 se você tiver 20. Vem daí a solidez do sistema. Bancos privados, por suposto, bancos oficiais tem outros critérios. Com Fernando Collor presidente tramitou um processo de empréstimo no Banco do Brasil. Caiu na mesa de um amigo, funcionário de carreira, dedicado e cumpridor dos manuais. O cliente não apresentava garantias, meu amigo vetou a transação. No outro dia veio a ordem de Brasília: empreste. Ele emprestou, o cliente nunca pagou nem vai pagar, embora viaje de jato particular e tenha apartamento em Paris. Para o banco foi um mau passo, contabilizado nas perdas. Para o meu amigo foi o início de um pesadelo. Com o fim do governo Collor ele teve de justificar a assinatura na concessão do empréstimo. O ex-chefe de Brasília, responsável pela patranha, já estava aboletado em outra sinecura e lavou as mãos. O dinheiro entra no Brasil por conta dos juros altos e das garantias que o governo dá. Há reconhecimento, o mundo capitalista aplaude o apreço de Lula pelos princípios fundamentais do capitalismo. Se a dinheirama deixar de entrar acaba o milagre. O baixo nível educacional é o maior entrave ao desenvolvimento do país. Mas é tratado com sabedoria pelos propagandistas do governo. Há um certo orgulho quando acontece um tropeço gramatical do presidente. (Sidney Borges)
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Maurício Savarese
Do UOL Notícias, em São Paulo
Os pesados fluxos de recursos para o Brasil ameaçam o país de haver uma bolha financeira semelhante às que atingiram México, o sudeste asiático e o leste europeu, afirmou nesta terça-feira o prêmio Nobel de Economia 2008, Paul Krugman, professor da Universidade Princeton e colunista do “The News York Times”, que participou de evento em São Paulo.
Em entrevista a jornalistas, Krugman disse que a superação da crise internacional pelo Brasil foi “uma história feliz”, mas a sobrevalorização do real, a falta de infraestrutura e o baixo nível de educação da população brasileira são entraves importantes para que o país se torne uma “superpotência econômica”.
“Dizer que o Brasil é uma boa história não é o mesmo que dizer que se tornará uma superpotência econômica no ano que vem, e é isso que os mercados estão dizendo”, declarou Krugman.
O economista afirmou que o cenário econômico brasileiro “não é de apocalipse, não é a Argentina, mas não é saudável”.
Krugman brincou ao dizer que uma das vantagens do Brasil em relação ao restante do mundo “é o fato de que vocês odeiam banqueiros”.
“Nos Estados Unidos, se alguém fala em ajudar o Goldman Sachs, o cidadão médio fica preocupado, acha que é importante. Aqui, politicamente, não faz sentido.”
O prêmio Nobel elogiou o sistema bancário brasileiro, menos exposto a empréstimos de alto risco, como os que vitimaram a economia americana no ano passado, em especial no mercado imobiliário. (original aqui)
Nota do Editor - Obviamente não é preciso ser economista nem ter sido laureado com o prêmio Nobel para constatar que no Brasil o banco empresta 10 se você tiver 20. Vem daí a solidez do sistema. Bancos privados, por suposto, bancos oficiais tem outros critérios. Com Fernando Collor presidente tramitou um processo de empréstimo no Banco do Brasil. Caiu na mesa de um amigo, funcionário de carreira, dedicado e cumpridor dos manuais. O cliente não apresentava garantias, meu amigo vetou a transação. No outro dia veio a ordem de Brasília: empreste. Ele emprestou, o cliente nunca pagou nem vai pagar, embora viaje de jato particular e tenha apartamento em Paris. Para o banco foi um mau passo, contabilizado nas perdas. Para o meu amigo foi o início de um pesadelo. Com o fim do governo Collor ele teve de justificar a assinatura na concessão do empréstimo. O ex-chefe de Brasília, responsável pela patranha, já estava aboletado em outra sinecura e lavou as mãos. O dinheiro entra no Brasil por conta dos juros altos e das garantias que o governo dá. Há reconhecimento, o mundo capitalista aplaude o apreço de Lula pelos princípios fundamentais do capitalismo. Se a dinheirama deixar de entrar acaba o milagre. O baixo nível educacional é o maior entrave ao desenvolvimento do país. Mas é tratado com sabedoria pelos propagandistas do governo. Há um certo orgulho quando acontece um tropeço gramatical do presidente. (Sidney Borges)
Coluna do Mirisola
Os filhos de FHC e Lula, e outras águas
Marcelo Mirisola*
"Jornalões, jornalistas e jornaleiros... raças em extinção? O mundo vai acabar em 2012? Luciana Gimenez está preocupada e sou daqueles que querem ser levados pelo fogo. Mas tenho certeza que Deus vai me deixar por aqui... para escrever uma crônica"
Foi numa entrevista que Cony concedeu a Mauricio Melo Junior, na TV Senado. Mauricio é um desses raros entrevistadores que leem os livros e jamais perguntam coisas do tipo “do que fala seu livro”. Pude constatar isso “in loco”. Abraço, Mauricio.
Em determinado momento da entrevista, antes de discorrer sobre Memórias de um Sargento de Milícias, Cony estabelece a diferença entre o cronista e o romancista. Segundo o autor de Pilatos e Posto 6 - portanto, um sujeito que faz muito bem as duas coisas e sabe o que está falando - o primeiro é peixe de aquário: está ali para soprar amenidades no ouvido do leitor passageiro. Podemos encontrá-lo nas ante-salas de consultórios dentários ou no hall de entrada de churrascarias de gosto duvidoso, e geralmente carne de primeira. O cronista é uma distração. Ele afaga, decora o ambiente. Um fofoqueiro de luxo. Uma comadre remunerada. Nunca tem uma tese; se faz e ganha o pão no reino das generalidades, dos palpites. Uma exceção óbvia e ululante me vem à mente: Nelson Rodrigues – esse é outro papo.
E o segundo é peixe cascudo, de águas profundas, vive e produz isolado: não faz nenhuma questão de ser bonitinho e piscar luzinhas coloridas para o deleite de sua audiência, aliás, ele dispensa a tal audiência. Escreve apesar dos poucos leitores que o admiram, apesar dele mesmo. Com ele, não tem lero-lero. O cara é ambicioso e intratável. O negócio dele são os desvãos da alma, os voos tonitruantes sobre abismos infernais. Um pé no saco. Claro que também há exceções, e é claro que o mesmo sujeito pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os exemplos são numerosos, a começar pelo próprio Cony. Diferenças estabelecidas, posso dizer o seguinte: não é raro que o cronista atrapalhe o trampo do romancista e vice-versa. Sobretudo se ele for a mesma e problemática pessoa. Está acontecendo isso comigo, aqui e agora. Depois de 86 crônicas publicadas no Congresso em Foco, com apenas duas brevíssimas interrupções ao longo de quase dois anos, sinto que o parafuso dá dando uma espanada. Ou eu faço uma coisa ou faço outra. Ou faço as duas coisas pela metade.
Vejam só. Essas últimas duas semanas foram um verdadeiro banquete para os cronistas. Uniban, Taleban e a minissaia da Geisy, biscate ou Joana D’Arc?, depois o caso de Cesare Battisti, assassino ou perseguido político? Eis a questão. O STF que lavou as mãos e mandou o pepino para Lula. A partir daí só deu Lula, Lula e Cesare Battisti, Lula e Ahmadinejad, Lula e Dilma, Lula e Serra, Lula e Caetano Veloso, Caetano Veloso e Lula, a mãe do Caetano Veloso e Lula, Lula e o papel higiênico, a bolha no pé de Adriano, o Imperador (“imperador” só se for das negas dele) e o desfalque no jogo contra o Corinthians de Lula, Lula e a Rainha da Inglaterra, depois Lula nos porões da ditadura querendo estuprar ninfetos subversivos (?), Lula estuprador ou um delírio dos adversários? Quem estaria por trás dessa baixaria? Os judeus? Seria uma retaliação aos afagos que Lula fez em Ahmadinejad?
A internet pulverizando tudo e pondo em xeque a “grande clamídia”. Jornalões, jornalistas e jornaleiros... raças em extinção? O mundo vai acabar em 2012? Luciana Gimenez está preocupada e sou daqueles que querem ser levados pelo fogo. Mas tenho certeza que Deus vai me deixar por aqui... para escrever uma crônica. Como vocês podem perceber, não faltam especulações, teorias conspiratórias e um cardápio imenso de pequenezas e abobrinhas para o cronista se esbaldar. Tive assunto para – no mínimo – uma dezena de crônicas. Não bastasse, o mensalão do DEM e o filho bastardo de FHC que apareceu de carona, vindo diretamente da Europa: quem diria (ah, quanta fofoca...) FHC era o grande comedor das Diretas Já! E a dona Ruth dava pra quem?
Daí para emendar para conclusões absurdas bastaria apenas um piparote. Vou aqui exercitar o máquina de abobrinhas, e darei meu veredicto (porque os cronistas precisam, inclusive, não ser vaselina o tempo todo): as políticas de Lula e de FHC e de todos os outros, aliás, são a mesmas: adular banqueiros e pôr pra dentro. Não importa de quem, geralmente do povo. O presidente do Paraguai não foge à regra, porém é mais convencional. Só no papai e mamãe. Semana passada apareceu mais um filho do ex-bispo paraguaio. Viram? Uma coisa puxa a outra, um filho puxa o outro e o cronista é um verdadeiro fabricante de linguiças. E já que o assunto é filho, voltamos a Lula, ou melhor, ao filho de Lula, o Lulinha que é filho do Brasil. Ops! Errei. Quem é Filho do Brasil é o Lula, Lulinha é o neto, pois então, o neto do Brasil levou os amigos pra dar uma banda no avião da FAB... quanta merda, meu Deus! Vejam só leitores, o que jamais faltará ao cronista é assunto. Mais um pouco vou acabar no zoológico disputando bananas com o Macaco Simão.
Tô de saco cheio disso. Não entendo como é que as pessoas não cansam. Como é que elas ainda “participam” e ficam indignadas. E o pior: como é que esse caminhão de informações não se transforma em coisa alguma, a não ser em mais inutilidade. O mundo virou um grande charque. A tiazinha futriqueira do Clube Espéria e o mais furioso dos anarquistas, o careca nazista e o hare krishna mais xarope e pacifico são feitos do mesmo material. Tá todo mundo online, já que a imprensa escrita – dizem os cronistas - foi pro beleléu.
A internet é um imenso paralelepípedo de isopor. Só mesmo num lugar primitivo feito Cuba pra uma blogueira quebrar um pouco da rotina de uma meia dúzia de tatus.
Eu, romancista, penso que muita gente está sendo feita de trouxa. A começar por mim. Se dependesse da minha vontade, o mundo acabava depois da próxima reviravolta do Palmeiras no Brasileirão - portanto não vai ser dessa vez, Luciana Gimenez, relax. No diálogo entre Borges e Sábato, um dos dois, agora não me lembro quem foi, disse que os jornais deveriam ter edições quando tivessem realmente notícias a dar, por exemplo:" Colombo descobriu a América!". Entenderam? O que me interessa se Lula é fanchona? Se o Serra é o vampiro do Trianon ou se FHC tem preferência por jornalistas de economia que usam cabelo chanel? Assunto não me falta. O que me falta é ânimo para ser peixe de aquário.
Sinceramente? Isso tudo é bullshit, às vezes, porém, tenho a felicidade de navegar em outras águas.
Meu Memórias da Sauna Finlandesa foi para a gráfica na quarta-feira da semana passada. De quinta para sexta-feira, escrevi um conto. Quero, aqui, agradecer ao Paulo Malta, meu editor, que parou as rotativas (serão rotativas?) e conseguiu incluir esse novo conto no volume. Isso que é notícia. Outras águas. Cansei de ser peixe de aquário. Nem se o Obama cismar de ir jogar capoeira no Pelourinho, eu me animo. Já imaginaram que fofocaria? Não vou gastar meu teclado nem se o Sarney bater com o rabo na cerca. O máximo que posso fazer é disputar a vaga dele na Academia Brasileira de Letras. Obama e Sarney são assuntos pro Nelson Rubens e pro Capeta respectivamente. Embora, confesso, eu adoraria acompanhar a Roseana de óculos escuros no enterro do pai, acho mulher de óculos escuros em enterro a coisa mais tesuda do mundo. Taí, esse é o meu fetiche sadomasô: um dia verei Roseana no enterro do pai e a Rosinha no enterro no marido, as duas lindas, austeras, cheias de embargo e de óculos escuros. Tesão.
Entrementes, eu podia falar algo sobre a crise de Dubai que remeteria à crise econômica do ano passado e que remeteria... a quem? A quem? Adivinhem? Não, não! Não quero saber de marolinhas. Já disse: estou submerso em águas profundas, coisa de vinte mil léguas submarinas. Dane-se Dubai, quero mais é que Dubai volte a ser um deserto.
E que Deus me perdoe se um dia me omiti, esse é o único pecado – a meu ver - que alguém pode cometer nessa vida, seja ele um Barack Obama, um Acará Bandeira ou um daqueles monstros marinhos que se quedam imóveis nas profundezas do oceano, aguardando suas presas na penumbra absoluta, em águas eternas e inexpugnáveis.
*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.
Twitter
Marcelo Mirisola*
"Jornalões, jornalistas e jornaleiros... raças em extinção? O mundo vai acabar em 2012? Luciana Gimenez está preocupada e sou daqueles que querem ser levados pelo fogo. Mas tenho certeza que Deus vai me deixar por aqui... para escrever uma crônica"
Foi numa entrevista que Cony concedeu a Mauricio Melo Junior, na TV Senado. Mauricio é um desses raros entrevistadores que leem os livros e jamais perguntam coisas do tipo “do que fala seu livro”. Pude constatar isso “in loco”. Abraço, Mauricio.
Em determinado momento da entrevista, antes de discorrer sobre Memórias de um Sargento de Milícias, Cony estabelece a diferença entre o cronista e o romancista. Segundo o autor de Pilatos e Posto 6 - portanto, um sujeito que faz muito bem as duas coisas e sabe o que está falando - o primeiro é peixe de aquário: está ali para soprar amenidades no ouvido do leitor passageiro. Podemos encontrá-lo nas ante-salas de consultórios dentários ou no hall de entrada de churrascarias de gosto duvidoso, e geralmente carne de primeira. O cronista é uma distração. Ele afaga, decora o ambiente. Um fofoqueiro de luxo. Uma comadre remunerada. Nunca tem uma tese; se faz e ganha o pão no reino das generalidades, dos palpites. Uma exceção óbvia e ululante me vem à mente: Nelson Rodrigues – esse é outro papo.
E o segundo é peixe cascudo, de águas profundas, vive e produz isolado: não faz nenhuma questão de ser bonitinho e piscar luzinhas coloridas para o deleite de sua audiência, aliás, ele dispensa a tal audiência. Escreve apesar dos poucos leitores que o admiram, apesar dele mesmo. Com ele, não tem lero-lero. O cara é ambicioso e intratável. O negócio dele são os desvãos da alma, os voos tonitruantes sobre abismos infernais. Um pé no saco. Claro que também há exceções, e é claro que o mesmo sujeito pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo: os exemplos são numerosos, a começar pelo próprio Cony. Diferenças estabelecidas, posso dizer o seguinte: não é raro que o cronista atrapalhe o trampo do romancista e vice-versa. Sobretudo se ele for a mesma e problemática pessoa. Está acontecendo isso comigo, aqui e agora. Depois de 86 crônicas publicadas no Congresso em Foco, com apenas duas brevíssimas interrupções ao longo de quase dois anos, sinto que o parafuso dá dando uma espanada. Ou eu faço uma coisa ou faço outra. Ou faço as duas coisas pela metade.
Vejam só. Essas últimas duas semanas foram um verdadeiro banquete para os cronistas. Uniban, Taleban e a minissaia da Geisy, biscate ou Joana D’Arc?, depois o caso de Cesare Battisti, assassino ou perseguido político? Eis a questão. O STF que lavou as mãos e mandou o pepino para Lula. A partir daí só deu Lula, Lula e Cesare Battisti, Lula e Ahmadinejad, Lula e Dilma, Lula e Serra, Lula e Caetano Veloso, Caetano Veloso e Lula, a mãe do Caetano Veloso e Lula, Lula e o papel higiênico, a bolha no pé de Adriano, o Imperador (“imperador” só se for das negas dele) e o desfalque no jogo contra o Corinthians de Lula, Lula e a Rainha da Inglaterra, depois Lula nos porões da ditadura querendo estuprar ninfetos subversivos (?), Lula estuprador ou um delírio dos adversários? Quem estaria por trás dessa baixaria? Os judeus? Seria uma retaliação aos afagos que Lula fez em Ahmadinejad?
A internet pulverizando tudo e pondo em xeque a “grande clamídia”. Jornalões, jornalistas e jornaleiros... raças em extinção? O mundo vai acabar em 2012? Luciana Gimenez está preocupada e sou daqueles que querem ser levados pelo fogo. Mas tenho certeza que Deus vai me deixar por aqui... para escrever uma crônica. Como vocês podem perceber, não faltam especulações, teorias conspiratórias e um cardápio imenso de pequenezas e abobrinhas para o cronista se esbaldar. Tive assunto para – no mínimo – uma dezena de crônicas. Não bastasse, o mensalão do DEM e o filho bastardo de FHC que apareceu de carona, vindo diretamente da Europa: quem diria (ah, quanta fofoca...) FHC era o grande comedor das Diretas Já! E a dona Ruth dava pra quem?
Daí para emendar para conclusões absurdas bastaria apenas um piparote. Vou aqui exercitar o máquina de abobrinhas, e darei meu veredicto (porque os cronistas precisam, inclusive, não ser vaselina o tempo todo): as políticas de Lula e de FHC e de todos os outros, aliás, são a mesmas: adular banqueiros e pôr pra dentro. Não importa de quem, geralmente do povo. O presidente do Paraguai não foge à regra, porém é mais convencional. Só no papai e mamãe. Semana passada apareceu mais um filho do ex-bispo paraguaio. Viram? Uma coisa puxa a outra, um filho puxa o outro e o cronista é um verdadeiro fabricante de linguiças. E já que o assunto é filho, voltamos a Lula, ou melhor, ao filho de Lula, o Lulinha que é filho do Brasil. Ops! Errei. Quem é Filho do Brasil é o Lula, Lulinha é o neto, pois então, o neto do Brasil levou os amigos pra dar uma banda no avião da FAB... quanta merda, meu Deus! Vejam só leitores, o que jamais faltará ao cronista é assunto. Mais um pouco vou acabar no zoológico disputando bananas com o Macaco Simão.
Tô de saco cheio disso. Não entendo como é que as pessoas não cansam. Como é que elas ainda “participam” e ficam indignadas. E o pior: como é que esse caminhão de informações não se transforma em coisa alguma, a não ser em mais inutilidade. O mundo virou um grande charque. A tiazinha futriqueira do Clube Espéria e o mais furioso dos anarquistas, o careca nazista e o hare krishna mais xarope e pacifico são feitos do mesmo material. Tá todo mundo online, já que a imprensa escrita – dizem os cronistas - foi pro beleléu.
A internet é um imenso paralelepípedo de isopor. Só mesmo num lugar primitivo feito Cuba pra uma blogueira quebrar um pouco da rotina de uma meia dúzia de tatus.
Eu, romancista, penso que muita gente está sendo feita de trouxa. A começar por mim. Se dependesse da minha vontade, o mundo acabava depois da próxima reviravolta do Palmeiras no Brasileirão - portanto não vai ser dessa vez, Luciana Gimenez, relax. No diálogo entre Borges e Sábato, um dos dois, agora não me lembro quem foi, disse que os jornais deveriam ter edições quando tivessem realmente notícias a dar, por exemplo:" Colombo descobriu a América!". Entenderam? O que me interessa se Lula é fanchona? Se o Serra é o vampiro do Trianon ou se FHC tem preferência por jornalistas de economia que usam cabelo chanel? Assunto não me falta. O que me falta é ânimo para ser peixe de aquário.
Sinceramente? Isso tudo é bullshit, às vezes, porém, tenho a felicidade de navegar em outras águas.
Meu Memórias da Sauna Finlandesa foi para a gráfica na quarta-feira da semana passada. De quinta para sexta-feira, escrevi um conto. Quero, aqui, agradecer ao Paulo Malta, meu editor, que parou as rotativas (serão rotativas?) e conseguiu incluir esse novo conto no volume. Isso que é notícia. Outras águas. Cansei de ser peixe de aquário. Nem se o Obama cismar de ir jogar capoeira no Pelourinho, eu me animo. Já imaginaram que fofocaria? Não vou gastar meu teclado nem se o Sarney bater com o rabo na cerca. O máximo que posso fazer é disputar a vaga dele na Academia Brasileira de Letras. Obama e Sarney são assuntos pro Nelson Rubens e pro Capeta respectivamente. Embora, confesso, eu adoraria acompanhar a Roseana de óculos escuros no enterro do pai, acho mulher de óculos escuros em enterro a coisa mais tesuda do mundo. Taí, esse é o meu fetiche sadomasô: um dia verei Roseana no enterro do pai e a Rosinha no enterro no marido, as duas lindas, austeras, cheias de embargo e de óculos escuros. Tesão.
Entrementes, eu podia falar algo sobre a crise de Dubai que remeteria à crise econômica do ano passado e que remeteria... a quem? A quem? Adivinhem? Não, não! Não quero saber de marolinhas. Já disse: estou submerso em águas profundas, coisa de vinte mil léguas submarinas. Dane-se Dubai, quero mais é que Dubai volte a ser um deserto.
E que Deus me perdoe se um dia me omiti, esse é o único pecado – a meu ver - que alguém pode cometer nessa vida, seja ele um Barack Obama, um Acará Bandeira ou um daqueles monstros marinhos que se quedam imóveis nas profundezas do oceano, aguardando suas presas na penumbra absoluta, em águas eternas e inexpugnáveis.
*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.
Crônica
Quero olhá-los, não vê-los apenas...
Lourdes Moreira
Eu os vejo todo dia. Questiono-me se os vejo ou se os olho. Parecem amoitados de seus próprios corpos; acossados da sociedade. Sei não se minha rotina é escravizante ao ponto de não poder me ater a pequenos detalhes que nos segredam nos sacos encardidos, nas pernas inchadas, nos olhares vazios... Será distância que tem de mim ou que tenho deles?
Dia desses senti-me envergonhada ao estacionar meu carro e deparar-me com um deles. Maltrapilho e cabisbaixo feito cão no cio ao não conseguir desvencilhar-se da cachorra que saciara sua fome de necessidades corpóreas que todo mundo vê, mas não liga, não o ajuda a desvencilhar-se do coito já exaurido, já sofrido... Só vê, não olha. Parecia estar numa clausura tal afastamento de seus iguais tão diferentes. Denotava estar apático, olhos embaçados da vida que viveu um dia.
Vi-me caminhando na rua e ele, à frente, exalava o odor que os poros denunciam a falta do banho com sabonete e água límpida. Estava tão distante dos Direitos Humanos!
Vergonha maior foi ter apertado minhas narinas para não sentir o cheiro que seu corpo exalava. Vontade de convidá-lo a um banho em minha casa com dignidade esvaiu-se no medo do desconhecido. Quem seria ele? De onde partira com sua dor ou desilusão no seu igual?
Pensei na injusta verdade que políticos verborragem em nossos ouvidos. Tudo tão distante das necessidades dos que deles dependem na árdua sobrevivência; na necessidade de continuarem uma sobre vida aparentemente humana, mas tão desumana! Pensei numa querida amiga que não consegue sua sonhada aposentadoria apesar de ter sido sustentáculo no crescimento profissional de tantos educadores; burocracia atroz que nem mesmo o famigerado Ministério da Desburocratização conseguiu aliviar dores tão próximas a nós. Tanto dinheiro do povo desperdiçado... Correu nos becos escuros por nós não transitáveis ou pelos que deles estiveram íntimos?
Minha amiga já passou dos setenta anos. Poderia ser uma dessas mulheres que sobrevivem pelas calçadas sonhando com o NADA. Poderia exalar o odor que minhas narinas negaram-se a sentir do transeunte que a minha frente caminhava. Poderia estar acometida de depressão profunda após sofrer percalços de saúde constantes como sofreu mesmo não tendo tido o auxílio legítimo que o governo lhe nega duma parca aposentadoria.
Poderia. O que a diferencia dos que vejo todo dia é que tem sua família e seus amigos que a fortalecem diuturnamente.
È hora mais que premente de não taparmos a narina aos cheiros desagradáveis de corpos cansados da sociedade que construímos: uma sociedade voltada para valores individuais onde questionar o que os poderes constituídos por nós estão realmente realizando voltados ao bem comum dão um trabalho enorme e aí...é melhor calar-se. Questionarmos o porquê do não acolhimento de seres alienados do sobreviver pelas Secretarias do Bem Estar Social; do porquê, minha amiga, uma socióloga tão importante à nossa sociedade não conquistou ainda sua tão sonhada aposentadoria quando sabemos dos inúmeros casos de aposentados fantasmas do INSS.
Não quero tapar narinas. Quero rostos claros e não sofridos ou desiludidos em suas necessidades. Quero clareza nas decisões governamentais. Quero que excluídos sejam inseridos em decisões dos que detém o poder e que por nós foram eleitos e que , se não nos dão devolutiva a nossos anseios, que não sejam reeleitos. Que tapemos nossos ouvidos e não nossas narinas a eles.Que não tenhamos mais uma sociedade açoitada pelas verborragias políticas. Que sejamos cada dia mais abertos aos odores que nos cercam sem vergonha das decisões que tomamos nos tão festeiros dias de eleições.
Não vejamos apenas, olhemos tudo por inteiro.
Lourdes Moreira
Profª da Rede Municipal e Estadual de Ubatuba.
Twitter
Lourdes Moreira
Eu os vejo todo dia. Questiono-me se os vejo ou se os olho. Parecem amoitados de seus próprios corpos; acossados da sociedade. Sei não se minha rotina é escravizante ao ponto de não poder me ater a pequenos detalhes que nos segredam nos sacos encardidos, nas pernas inchadas, nos olhares vazios... Será distância que tem de mim ou que tenho deles?
Dia desses senti-me envergonhada ao estacionar meu carro e deparar-me com um deles. Maltrapilho e cabisbaixo feito cão no cio ao não conseguir desvencilhar-se da cachorra que saciara sua fome de necessidades corpóreas que todo mundo vê, mas não liga, não o ajuda a desvencilhar-se do coito já exaurido, já sofrido... Só vê, não olha. Parecia estar numa clausura tal afastamento de seus iguais tão diferentes. Denotava estar apático, olhos embaçados da vida que viveu um dia.
Vi-me caminhando na rua e ele, à frente, exalava o odor que os poros denunciam a falta do banho com sabonete e água límpida. Estava tão distante dos Direitos Humanos!
Vergonha maior foi ter apertado minhas narinas para não sentir o cheiro que seu corpo exalava. Vontade de convidá-lo a um banho em minha casa com dignidade esvaiu-se no medo do desconhecido. Quem seria ele? De onde partira com sua dor ou desilusão no seu igual?
Pensei na injusta verdade que políticos verborragem em nossos ouvidos. Tudo tão distante das necessidades dos que deles dependem na árdua sobrevivência; na necessidade de continuarem uma sobre vida aparentemente humana, mas tão desumana! Pensei numa querida amiga que não consegue sua sonhada aposentadoria apesar de ter sido sustentáculo no crescimento profissional de tantos educadores; burocracia atroz que nem mesmo o famigerado Ministério da Desburocratização conseguiu aliviar dores tão próximas a nós. Tanto dinheiro do povo desperdiçado... Correu nos becos escuros por nós não transitáveis ou pelos que deles estiveram íntimos?
Minha amiga já passou dos setenta anos. Poderia ser uma dessas mulheres que sobrevivem pelas calçadas sonhando com o NADA. Poderia exalar o odor que minhas narinas negaram-se a sentir do transeunte que a minha frente caminhava. Poderia estar acometida de depressão profunda após sofrer percalços de saúde constantes como sofreu mesmo não tendo tido o auxílio legítimo que o governo lhe nega duma parca aposentadoria.
Poderia. O que a diferencia dos que vejo todo dia é que tem sua família e seus amigos que a fortalecem diuturnamente.
È hora mais que premente de não taparmos a narina aos cheiros desagradáveis de corpos cansados da sociedade que construímos: uma sociedade voltada para valores individuais onde questionar o que os poderes constituídos por nós estão realmente realizando voltados ao bem comum dão um trabalho enorme e aí...é melhor calar-se. Questionarmos o porquê do não acolhimento de seres alienados do sobreviver pelas Secretarias do Bem Estar Social; do porquê, minha amiga, uma socióloga tão importante à nossa sociedade não conquistou ainda sua tão sonhada aposentadoria quando sabemos dos inúmeros casos de aposentados fantasmas do INSS.
Não quero tapar narinas. Quero rostos claros e não sofridos ou desiludidos em suas necessidades. Quero clareza nas decisões governamentais. Quero que excluídos sejam inseridos em decisões dos que detém o poder e que por nós foram eleitos e que , se não nos dão devolutiva a nossos anseios, que não sejam reeleitos. Que tapemos nossos ouvidos e não nossas narinas a eles.Que não tenhamos mais uma sociedade açoitada pelas verborragias políticas. Que sejamos cada dia mais abertos aos odores que nos cercam sem vergonha das decisões que tomamos nos tão festeiros dias de eleições.
Não vejamos apenas, olhemos tudo por inteiro.
Lourdes Moreira
Profª da Rede Municipal e Estadual de Ubatuba.
Opinião
Comércio exterior e modelo econômico
Editorial do Estadão
É preocupante o resultado de novembro da balança comercial, quando comparado com o do mês anterior, haja vista a queda de 5,7% nas exportações e de apenas 0,9% nas importações, o que resultou em redução de 51,4% do saldo comercial calculado pela média por dia útil.
Isso poderia ser visto como um fato excepcional e como se uma avaliação do comércio externo devesse ser feita usando o resultado acumulado dos 11 meses do ano, pois, assim, poder-se-ia ter uma visão mais clara do que representou essa atividade para o conjunto da economia do País. Mas também assim o resultado não nos traz grande otimismo: as exportações caíram 23,8%; as importações, 27,6%; e o saldo da balança cresceu 3,8%, levando em conta os dados da média por dia útil.
O que nos parece mais importante é que as vendas externas dos produtos manufaturados apresentaram queda de 28,9%; as de semimanufaturados, de 26,5%; e as de produtos básicos, de 15,1%. Esse recuo das exportações naturalmente pode ser atribuído à conjuntura internacional e à taxa cambial desfavoráveis. Porém, a verdade é que nossas autoridades não fizeram nenhum esforço para corrigir esses fatores, o que teria sido possível por meio de uma revisão da política fiscal e de outros incentivos.
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Editorial do Estadão
É preocupante o resultado de novembro da balança comercial, quando comparado com o do mês anterior, haja vista a queda de 5,7% nas exportações e de apenas 0,9% nas importações, o que resultou em redução de 51,4% do saldo comercial calculado pela média por dia útil.
Isso poderia ser visto como um fato excepcional e como se uma avaliação do comércio externo devesse ser feita usando o resultado acumulado dos 11 meses do ano, pois, assim, poder-se-ia ter uma visão mais clara do que representou essa atividade para o conjunto da economia do País. Mas também assim o resultado não nos traz grande otimismo: as exportações caíram 23,8%; as importações, 27,6%; e o saldo da balança cresceu 3,8%, levando em conta os dados da média por dia útil.
O que nos parece mais importante é que as vendas externas dos produtos manufaturados apresentaram queda de 28,9%; as de semimanufaturados, de 26,5%; e as de produtos básicos, de 15,1%. Esse recuo das exportações naturalmente pode ser atribuído à conjuntura internacional e à taxa cambial desfavoráveis. Porém, a verdade é que nossas autoridades não fizeram nenhum esforço para corrigir esses fatores, o que teria sido possível por meio de uma revisão da política fiscal e de outros incentivos.
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Manchetes do dia
Quinta-feira, 03 / 12 / 2009
Folha de São Paulo
"Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment"
Lula agora classifica de 'deplorável' suposto esquema de propinas no DF
O PT do Distrito Federal entrou ontem com um dos seis pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (DEM), acusado de recebimento ilegal de dinheiro. Em Kiev (Ucrânia), o presidente Lula adotou tom mais crítico que na véspera, quando afirmou que imagens "não falam por si". Classificou de "deplorável" o suposto esquema de Arruda. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse não temer que investigações atinjam seu governo, que tem contratos com empresas apontadas no mensalão. "É caso de polícia". Cerca de 200 pessoas invadiram o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal para pedir a saída de Arruda. Quebra-quebra atrasou a leitura dos pedidos de impeachment.
O Estado de São Paulo
"Arruda licitou panetones no dia da operação da PF"
Compra foi o argumento do governador para justificar recebimento de R$ 50 mil
O governo do Distrito Federal abriu licitação para comprar panetones no dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação que desmontou um suposto esquema de corrupção comandado pelo governador José Roberto Arruda (DEM). A aquisição regular de panetones, para "distribuição às famílias de baixa renda", foi o argumento usado por Arruda para justificar os R$ 50 mil que recebeu, em dinheiro, conforme aparece em vídeo gravado em 2006. O edital da licitação, aberta na sexta-feira passada, menciona a compra de 120 mil panetones, ao custo médio de R$ 5 cada. Arruda sabia com antecedência da investigação da PF. A própria produção de recibos dos panetones, para justificar as supostas propinas, teria sido combinada com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, pivô do escândalo e que fez as gravações.
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Folha de São Paulo
"Para mensalão do DEM, PT propõe impeachment"
Lula agora classifica de 'deplorável' suposto esquema de propinas no DF
O PT do Distrito Federal entrou ontem com um dos seis pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda (DEM), acusado de recebimento ilegal de dinheiro. Em Kiev (Ucrânia), o presidente Lula adotou tom mais crítico que na véspera, quando afirmou que imagens "não falam por si". Classificou de "deplorável" o suposto esquema de Arruda. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse não temer que investigações atinjam seu governo, que tem contratos com empresas apontadas no mensalão. "É caso de polícia". Cerca de 200 pessoas invadiram o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal para pedir a saída de Arruda. Quebra-quebra atrasou a leitura dos pedidos de impeachment.
O Estado de São Paulo
"Arruda licitou panetones no dia da operação da PF"
Compra foi o argumento do governador para justificar recebimento de R$ 50 mil
O governo do Distrito Federal abriu licitação para comprar panetones no dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação que desmontou um suposto esquema de corrupção comandado pelo governador José Roberto Arruda (DEM). A aquisição regular de panetones, para "distribuição às famílias de baixa renda", foi o argumento usado por Arruda para justificar os R$ 50 mil que recebeu, em dinheiro, conforme aparece em vídeo gravado em 2006. O edital da licitação, aberta na sexta-feira passada, menciona a compra de 120 mil panetones, ao custo médio de R$ 5 cada. Arruda sabia com antecedência da investigação da PF. A própria produção de recibos dos panetones, para justificar as supostas propinas, teria sido combinada com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, pivô do escândalo e que fez as gravações.
Quarta-feira, Dezembro 02, 2009
Meio ambiente

Vai uma latinha 'verde' de Coca-Cola?
por Paula Rothman (original aqui)
O artista plástico Hanc Lee redesenhou um dos ícones da cultura pop – a lata de Coca-Cola – com um logo convexo que substitui as tintas usadas para imprimir a marca. Isso não só reduz a poluição na hora de pintar como também na hora de reciclar as latinhas.
Isso porque, antes de serem amassadas e reutilizadas, as latas (todas, não só as de Coca) passam por um processo de remoção de tinta.
Em sua página, Hanc sugere que, no lugar das tintas tóxicas, fabricantes processem o alumínio em uma prensa e – pronto – a marca fica visível na superfície.
A lata com relevo é bem legal porque não só poderia poupar litros de tinta – e de removedores – como também é linda.
Para se ter uma noção do que significaria a mudança, segundo dados da Abralatas (Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade), se enfileirássemos todas as latas de alumínio produzidas somente no Brasil em 2005 (10 bilhões) seria possível para dar 31 voltas ao redor do planeta Terra.
É um bocado de latas, não? Será que a Coca-Cola (e a Guaraná, a Pepsi e, por que não, a AMBEV) aceita a sugestão de Lee?
Humor
Prefeito de Macapá é cassado pela 5a. vez
Notável exemplo de como a Justiça entre nós tarda e... falha.
Do Blog do Noblat (original aqui)
Decisão tomada hoje pela juíza da 10a Zona Eleitoral Sueli Pine condenou Roberto Góes (PDT), prefeito de Macapá, por abuso de poder político, assim como sua vice Helena Guerra. Os dois tiveram os mandatos cassados e se tornaram inelegíveis por três anos.
Calma: já, já eles conseguirão uma liminar para permanecer nos cargos. Foi assim das quatro vezes anteriores. A saber:
1a. cassação - 03/12/2008 - Antes mesmo de ser diplomado e empossado como prefeito, Góes teve seu registro de candidatura cassado pelo juiz da 10ª Zona Eleitoral de Macapá, Marconi Pimenta. A vice também. Os direitos políticos dos dois foram suspensos por três anos. Motivo: abuso do poder político e econômico e compra de votos.
2a. cassação - 12/12/2008 - O juiz da 10a Zona Eleitoral Marconi Pimenta cassou o registro da candidatura de Góes e suspendeu seus direitos políticos por três anos. Motivo: abuso do poder político e econômico e captação ilícita de votos.
3a. cassação - 03/03/2009 – Trecho da sentença da juíza Sueli Pini da 10a Zona eleitoral de Macapá. “Os investigados se preparavam para praticar a famigerada distribuição de cestas básicas em troca de votos, o toma lá da cá, a vantagem pessoal de obter votos”.
4a. cassação – 05/08/2009 - Góes e sua vice foram condenados à perda do registro de candidatura, portanto aos mandatos, devido a compra de votos em troca de tickets combustível. A decisão foi proferida pela juiza Sueli Pini da 10a Zona eleitoral.
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Notável exemplo de como a Justiça entre nós tarda e... falha.
Do Blog do Noblat (original aqui)
Decisão tomada hoje pela juíza da 10a Zona Eleitoral Sueli Pine condenou Roberto Góes (PDT), prefeito de Macapá, por abuso de poder político, assim como sua vice Helena Guerra. Os dois tiveram os mandatos cassados e se tornaram inelegíveis por três anos.
Calma: já, já eles conseguirão uma liminar para permanecer nos cargos. Foi assim das quatro vezes anteriores. A saber:
1a. cassação - 03/12/2008 - Antes mesmo de ser diplomado e empossado como prefeito, Góes teve seu registro de candidatura cassado pelo juiz da 10ª Zona Eleitoral de Macapá, Marconi Pimenta. A vice também. Os direitos políticos dos dois foram suspensos por três anos. Motivo: abuso do poder político e econômico e compra de votos.
2a. cassação - 12/12/2008 - O juiz da 10a Zona Eleitoral Marconi Pimenta cassou o registro da candidatura de Góes e suspendeu seus direitos políticos por três anos. Motivo: abuso do poder político e econômico e captação ilícita de votos.
3a. cassação - 03/03/2009 – Trecho da sentença da juíza Sueli Pini da 10a Zona eleitoral de Macapá. “Os investigados se preparavam para praticar a famigerada distribuição de cestas básicas em troca de votos, o toma lá da cá, a vantagem pessoal de obter votos”.
4a. cassação – 05/08/2009 - Góes e sua vice foram condenados à perda do registro de candidatura, portanto aos mandatos, devido a compra de votos em troca de tickets combustível. A decisão foi proferida pela juiza Sueli Pini da 10a Zona eleitoral.
Editorial
Mente quieta, espinha ereta e coração tranquilo
Sidney Borges
O dia está encoberto, quente, nas ruas temos a sensação de caminhar em uma estufa. Bom para orquídeas, bromélias e rãs. Nem tanto para humanos. Viva o ar condicionado. O Ubatuba Víbora começa diariamente com a publicação das manchetes do dia. Depois vem a seção "opinião", quase sempre com editoriais do Estadâo. Damos o título, alguns parágrafos e o link para o original.
Em seguida é publicada a coluna do dia. Quando foi criada tinha autores todos os dias, com o passar do tempo restaram a segunda e a sexta-feira com as colunas do Rui Grilo e do Celsinho, respectivamente.
O que é publicado posteriormente depende dos acontecimentos, no momento o governador Arruda, do Distrito Federal, está na berlinda. Zelaya já não atrai leitores e a política local não apresenta novidades o que desviou nosso foco para os meandros do futebol.
Fique então o leitor sabendo que se uma notícia que está na boca do povo não foi publicada, então não é notícia. Desde os remotos tempos do talentoso Carlos Joel Nelli é voz corrente que "se o Ubatuba Víbora não deu, ninguém sabe o que aconteceu'. Tudo mais pertence ao reino da ficção.
Twitter
Sidney Borges
O dia está encoberto, quente, nas ruas temos a sensação de caminhar em uma estufa. Bom para orquídeas, bromélias e rãs. Nem tanto para humanos. Viva o ar condicionado. O Ubatuba Víbora começa diariamente com a publicação das manchetes do dia. Depois vem a seção "opinião", quase sempre com editoriais do Estadâo. Damos o título, alguns parágrafos e o link para o original.
Em seguida é publicada a coluna do dia. Quando foi criada tinha autores todos os dias, com o passar do tempo restaram a segunda e a sexta-feira com as colunas do Rui Grilo e do Celsinho, respectivamente.
O que é publicado posteriormente depende dos acontecimentos, no momento o governador Arruda, do Distrito Federal, está na berlinda. Zelaya já não atrai leitores e a política local não apresenta novidades o que desviou nosso foco para os meandros do futebol.
Fique então o leitor sabendo que se uma notícia que está na boca do povo não foi publicada, então não é notícia. Desde os remotos tempos do talentoso Carlos Joel Nelli é voz corrente que "se o Ubatuba Víbora não deu, ninguém sabe o que aconteceu'. Tudo mais pertence ao reino da ficção.
Justiça
Fundadores da Renascer são condenados a quatro anos por evasão de divisas
da Folha Online
A Justiça Federal em São Paulo condenou os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, a quatro anos de reclusão pelo crime de evasão de divisas.
A decisão é do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, que ontem acatou parcialmente a denúncia do Ministério Público Federal.
A reportagem já entrou em contato com a assessoria da Renascer, que informou que divulgará uma nota sobre o assunto ainda hoje.
A condenação se refere ao fato de o casal ter saído do Brasil com destino aos Estados Unidos, em janeiro de 2007, com dólares escondidos em um porta-CD e uma Bíblia. Ao desembarcarem no aeroporto de Miami, os Sonia, Estevam e o filho deles foram flagrados com US$ 56 mil.
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da Folha Online
A Justiça Federal em São Paulo condenou os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, a quatro anos de reclusão pelo crime de evasão de divisas.
A decisão é do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, que ontem acatou parcialmente a denúncia do Ministério Público Federal.
A reportagem já entrou em contato com a assessoria da Renascer, que informou que divulgará uma nota sobre o assunto ainda hoje.
A condenação se refere ao fato de o casal ter saído do Brasil com destino aos Estados Unidos, em janeiro de 2007, com dólares escondidos em um porta-CD e uma Bíblia. Ao desembarcarem no aeroporto de Miami, os Sonia, Estevam e o filho deles foram flagrados com US$ 56 mil.
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Cabelo azul
Torcedores negam ofensa racial a Vagner Love, diz delegado
Três integrantes de organizada foram presos em flagrante por racismo. Segundo delegado, eles admitiram cobranças por empenho em campo.
Juliana Cardilli Do G1, em São Paulo
O delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, informou na manhã desta quarta-feira (2) que os torcedores que se envolveram em uma briga com o jogador do Palmeiras Vagner Love negaram ter feito ofensas raciais contra o esportista. Entretanto, de acordo com o delegado, eles admitiram ter cobrado melhor empenho do jogador em campo.
Os torcedores têm 19, 20 e 25 anos, e foram presos em flagrante na terça-feira (1) por suspeita de racismo, crime inafiançável. De acordo com Franco, eles devem permanecer presos até decisão da Justiça. “Eles negaram que tivessem ofendido o Vagner na questão de racismo, disseram que também foram agredidos pelo Vagner, mas eram três contra um, duvido que ele [Vanger Love] conseguiria enfrentá-los”, disse o delegado ao G1.
Leia mais
Nota do Editor - Tenho curiosidade sobre o QI dos "justiceiros verdes". Um deles, conhecido como "Lagartixa", gosta de briga. Já esteve preso em outras oportunidades por agredir gente do "staff" palmeirense. Deveria canalizar a agressividade. Praticar boxe ou vale-tudo. Para isso, no entanto, é preciso QI superior ao de uma lagartixa. (Sidney Borges)
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Três integrantes de organizada foram presos em flagrante por racismo. Segundo delegado, eles admitiram cobranças por empenho em campo.
Juliana Cardilli Do G1, em São Paulo
O delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, informou na manhã desta quarta-feira (2) que os torcedores que se envolveram em uma briga com o jogador do Palmeiras Vagner Love negaram ter feito ofensas raciais contra o esportista. Entretanto, de acordo com o delegado, eles admitiram ter cobrado melhor empenho do jogador em campo.
Os torcedores têm 19, 20 e 25 anos, e foram presos em flagrante na terça-feira (1) por suspeita de racismo, crime inafiançável. De acordo com Franco, eles devem permanecer presos até decisão da Justiça. “Eles negaram que tivessem ofendido o Vagner na questão de racismo, disseram que também foram agredidos pelo Vagner, mas eram três contra um, duvido que ele [Vanger Love] conseguiria enfrentá-los”, disse o delegado ao G1.
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Nota do Editor - Tenho curiosidade sobre o QI dos "justiceiros verdes". Um deles, conhecido como "Lagartixa", gosta de briga. Já esteve preso em outras oportunidades por agredir gente do "staff" palmeirense. Deveria canalizar a agressividade. Praticar boxe ou vale-tudo. Para isso, no entanto, é preciso QI superior ao de uma lagartixa. (Sidney Borges)
A ponderar...
Por que agora?
César Benjamin
DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal. Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.
O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.
Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.
Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos.
Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.
Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.
Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.
Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa. (Do Portal Clipping)
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César Benjamin
DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.
Há meses a Presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal. Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.
O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical -ou seja, recolhidos por imposição do Estado- estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do país e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.
Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.
O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão.
Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais. Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.
Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos.
Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder.
Não há nada de emancipatório nisso. Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação. Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.
Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.
Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa. (Do Portal Clipping)
Deu em O Globo
Ah, se meu panetone falasse...
De Elio Gaspari:
É sempre a mesma história. Apanhado, o magano chantageia seus pares ameaçando contar o que sabe. O tempo passa, ele mede as consequências, sai de fininho, e restabelece-se a paz no andar de cima. (Se for o caso, o DEM, ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL, muda de nome.)
Em 2001, quando foi apanhado no episódio da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado, José Roberto Arruda ameaçou contar o que sabia caso fosse deixado ao relento. À época ele era um quadro do PSDB e líder do governo de Fernando Henrique Cardoso no Senado.
Arruda recebeu a visita de dois grão-tucanos, renunciou ao mandato de senador, escapou da cassação e foi cuidar da vida.
Ah, se o Arruda falasse… Em 2001 ele poderia ter contado como se formaram as maiorias parlamentares do tucanato. Algumas, como a da reforma da previdência, nasceram da troca de favores, outras, como a que permitiu a reeleição dos presidentes, governadores e prefeitos, precisaram de mais alavancagem. É verdade que Arruda nunca soube tanto quanto o ministro Sérgio Motta, mas soube bastante.
A crise dos pacotes de dinheiro nas meias de um deputado, na cueca de um dono de jornal e na bolsa de uma educadora transformou Arruda num ativo tóxico. Ele e o senador Eduardo Azeredo, denunciado pelo caixa dois do tucanato mineiro, tornaram-se fiéis depositários do patrimônio de maus costumes da oposição. Às pizzas da nação petista, José Roberto Arruda contrapôs os panetones.
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De Elio Gaspari:
É sempre a mesma história. Apanhado, o magano chantageia seus pares ameaçando contar o que sabe. O tempo passa, ele mede as consequências, sai de fininho, e restabelece-se a paz no andar de cima. (Se for o caso, o DEM, ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL, muda de nome.)
Em 2001, quando foi apanhado no episódio da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado, José Roberto Arruda ameaçou contar o que sabia caso fosse deixado ao relento. À época ele era um quadro do PSDB e líder do governo de Fernando Henrique Cardoso no Senado.
Arruda recebeu a visita de dois grão-tucanos, renunciou ao mandato de senador, escapou da cassação e foi cuidar da vida.
Ah, se o Arruda falasse… Em 2001 ele poderia ter contado como se formaram as maiorias parlamentares do tucanato. Algumas, como a da reforma da previdência, nasceram da troca de favores, outras, como a que permitiu a reeleição dos presidentes, governadores e prefeitos, precisaram de mais alavancagem. É verdade que Arruda nunca soube tanto quanto o ministro Sérgio Motta, mas soube bastante.
A crise dos pacotes de dinheiro nas meias de um deputado, na cueca de um dono de jornal e na bolsa de uma educadora transformou Arruda num ativo tóxico. Ele e o senador Eduardo Azeredo, denunciado pelo caixa dois do tucanato mineiro, tornaram-se fiéis depositários do patrimônio de maus costumes da oposição. Às pizzas da nação petista, José Roberto Arruda contrapôs os panetones.
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Opinião
Duas faces da mesma moeda
Editorial do Estadão
Em 2001, o então senador José Roberto Arruda jurou pelos filhos que não tinha nada que ver com a violação do sigilo do painel eletrônico da Casa, no episódio da cassação do mandato do também representante do Distrito Federal (DF) Luiz Estevão. Dias depois, admitiu ter visto e comentado a lista dos votos de seus pares e renunciou ao mandato para não ser cassado. Na segunda-feira, reunido com a cúpula do seu partido, o DEM, o governador José Roberto Arruda avisou que não se desfiliará da sigla porque se considera inocente da acusação de chefiar o esquema de pagamentos regulares de propinas a assessores, secretários e deputados da Câmara Legislativa do DF, além do vice-governador Paulo Octávio, com recursos arrecadados de empresas fornecedoras da administração distrital. E chantageou a ala do DEM favorável à sua expulsão. "Se vocês radicalizarem daí, eu radicalizo daqui", avisou, deixando claro que poderia fazer revelações sobre ilícitos do partido em campanhas eleitorais de outras paragens.
No passado e no presente, as palavras de Arruda retratam um caráter e uma mentalidade. A jura cínica, a confissão oportunista e a ameaça descarada expõem o estofo característico dos políticos sem princípios, que fazem qualquer negócio para salvar a pele quando apanhados ? tardiamente, em geral ?, servindo-se do poder para nele prosperar. A corrupção é como um vício: uma vez experimentados os seus efeitos, a compulsão se alimenta de si própria, não conhece limites, muito menos permite aos viciados enxergar as consequências de seus atos. A sensação que a droga em sentido metafórico proporciona é a mesma da verdadeira: a certeza da onipotência e da incolumidade. A partir do momento em que Arruda aceitou fazer carreira com os mesmos meios que proporcionaram ao chefão político do DF, Joaquim Roriz, três mandatos de governador e um de senador (ao qual também renunciou para não ser cassado), iniciou um caminho sem volta. Tornou-se, porque quis, o seu herdeiro, embora viessem a romper mais tarde. E esse nexo é o que espessou o pantanal de Brasília.
Numa nota que leu anteontem, Arruda se disse livre dessa "herança maldita" do governo anterior. Ele falava do delegado aposentado Durval Barbosa, que Roriz instalara na estatal de informática do DF, a Codeplan. A empresa foi acusada, entre outras coisas, de fazer repasses ilegais para a campanha do governador à reeleição, em 2002. Quatro anos depois, Barbosa foi cuidar das finanças da campanha de Arruda. Em 2007, o novo governador o nomeou secretário de Relações Institucionais. O seu gabinete se transformou numa concorrida agência bancária VIP do governo, onde colaboradores do governador e deputados distritais iam sacar o seu mensalão, enquanto, a partir de certo momento, o pagador os filmava clandestinamente. Primeiro, por conta própria. Depois, para a Polícia Federal (PF), a fim de obter o benefício da delação premiada nos cerca de 30 processos a que responde por suas maracutaias na era Roriz. Arruda o demitiu na semana passada, depois que tudo veio à tona com a Operação Caixa de Pandora, da PF, incluindo as cenas antológicas de dinheiro nas meias do presidente da Câmara e na cueca do dono de um jornal de Brasília.
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Editorial do Estadão
Em 2001, o então senador José Roberto Arruda jurou pelos filhos que não tinha nada que ver com a violação do sigilo do painel eletrônico da Casa, no episódio da cassação do mandato do também representante do Distrito Federal (DF) Luiz Estevão. Dias depois, admitiu ter visto e comentado a lista dos votos de seus pares e renunciou ao mandato para não ser cassado. Na segunda-feira, reunido com a cúpula do seu partido, o DEM, o governador José Roberto Arruda avisou que não se desfiliará da sigla porque se considera inocente da acusação de chefiar o esquema de pagamentos regulares de propinas a assessores, secretários e deputados da Câmara Legislativa do DF, além do vice-governador Paulo Octávio, com recursos arrecadados de empresas fornecedoras da administração distrital. E chantageou a ala do DEM favorável à sua expulsão. "Se vocês radicalizarem daí, eu radicalizo daqui", avisou, deixando claro que poderia fazer revelações sobre ilícitos do partido em campanhas eleitorais de outras paragens.
No passado e no presente, as palavras de Arruda retratam um caráter e uma mentalidade. A jura cínica, a confissão oportunista e a ameaça descarada expõem o estofo característico dos políticos sem princípios, que fazem qualquer negócio para salvar a pele quando apanhados ? tardiamente, em geral ?, servindo-se do poder para nele prosperar. A corrupção é como um vício: uma vez experimentados os seus efeitos, a compulsão se alimenta de si própria, não conhece limites, muito menos permite aos viciados enxergar as consequências de seus atos. A sensação que a droga em sentido metafórico proporciona é a mesma da verdadeira: a certeza da onipotência e da incolumidade. A partir do momento em que Arruda aceitou fazer carreira com os mesmos meios que proporcionaram ao chefão político do DF, Joaquim Roriz, três mandatos de governador e um de senador (ao qual também renunciou para não ser cassado), iniciou um caminho sem volta. Tornou-se, porque quis, o seu herdeiro, embora viessem a romper mais tarde. E esse nexo é o que espessou o pantanal de Brasília.
Numa nota que leu anteontem, Arruda se disse livre dessa "herança maldita" do governo anterior. Ele falava do delegado aposentado Durval Barbosa, que Roriz instalara na estatal de informática do DF, a Codeplan. A empresa foi acusada, entre outras coisas, de fazer repasses ilegais para a campanha do governador à reeleição, em 2002. Quatro anos depois, Barbosa foi cuidar das finanças da campanha de Arruda. Em 2007, o novo governador o nomeou secretário de Relações Institucionais. O seu gabinete se transformou numa concorrida agência bancária VIP do governo, onde colaboradores do governador e deputados distritais iam sacar o seu mensalão, enquanto, a partir de certo momento, o pagador os filmava clandestinamente. Primeiro, por conta própria. Depois, para a Polícia Federal (PF), a fim de obter o benefício da delação premiada nos cerca de 30 processos a que responde por suas maracutaias na era Roriz. Arruda o demitiu na semana passada, depois que tudo veio à tona com a Operação Caixa de Pandora, da PF, incluindo as cenas antológicas de dinheiro nas meias do presidente da Câmara e na cueca do dono de um jornal de Brasília.
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Manchetes do dia
Quarta-feira, 02 / 12 / 2009
Folha de São Paulo
"Fita expõe ação de Arruda no mensalão"
Governador do DF reorganiza suposta distribuição de dinheiro a aliados; gravação está 'truncada', argumenta ele
Análise de gravação telefônica feita pela Polícia Federal em outubro deste ano mostra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), supostamente organizando a distribuição de dinheiro a aliados. Na gravação, o governador pergunta como está "a despesa mensal com político", ouve os nomes de políticos de cinco siglas (PMDB, PP, PRP, PMN e PSB) que estariam recebendo valores distintos e diz: "Tem que unificar tudo!". Arruda afirmou que o diálogo está "muito truncado e esquisito" e disse ter certeza de que parte da discussão era sobre cargos. A Executiva do DEM decidiu dar prazo para Arruda se defender - sua expulsão será votada no dia 10. O PSDB anunciou que sairá do governo, mas não definiu punição ao secretário de Obras Márcio Machado, acusado de participar do esquema. Em Portugal, o presidente Lula afirmou que não pode dar "palpite" sobre o caso. "Imagens não falam por si. Há todo um processo de investigação", disse.
O Estado de São Paulo
"DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10"
Partido considera denúncias graves e dá oito dias para a defesa do governador, que perdeu mais uma legenda de sua base de sustentação
O DEM abriu processo de expulsão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. A cúpula do partido deu oito dias para que Arruda se defenda e mais dois para o relator do processo dar seu parecer, mas a decisão política está tomada: ele será expulso no dia 10. A direção do DEM considerou graves as denúncias de envolvimento de Arruda em esquema de pagamento de propinas em seu governo e acha que o partido pagará um custo político alto se não expulsá-la de seus quadros. Essa perspectiva, aliada às ameaças de retaliação feitas por Arruda, acabou mudando a posição de defesa até de seus aliados, como o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). O PSDB aderiu à debandada de partidos que sustentavam o governo Arruda, o que irritou os dirigentes do DEM. Já o presidente Lula, em suas primeiras declarações sobre o caso, disse que os vídeos mostrando Arruda e assessores recebendo dinheiro não provam nada. “A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração e de investigação”.
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Folha de São Paulo
"Fita expõe ação de Arruda no mensalão"
Governador do DF reorganiza suposta distribuição de dinheiro a aliados; gravação está 'truncada', argumenta ele
Análise de gravação telefônica feita pela Polícia Federal em outubro deste ano mostra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), supostamente organizando a distribuição de dinheiro a aliados. Na gravação, o governador pergunta como está "a despesa mensal com político", ouve os nomes de políticos de cinco siglas (PMDB, PP, PRP, PMN e PSB) que estariam recebendo valores distintos e diz: "Tem que unificar tudo!". Arruda afirmou que o diálogo está "muito truncado e esquisito" e disse ter certeza de que parte da discussão era sobre cargos. A Executiva do DEM decidiu dar prazo para Arruda se defender - sua expulsão será votada no dia 10. O PSDB anunciou que sairá do governo, mas não definiu punição ao secretário de Obras Márcio Machado, acusado de participar do esquema. Em Portugal, o presidente Lula afirmou que não pode dar "palpite" sobre o caso. "Imagens não falam por si. Há todo um processo de investigação", disse.
O Estado de São Paulo
"DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10"
Partido considera denúncias graves e dá oito dias para a defesa do governador, que perdeu mais uma legenda de sua base de sustentação
O DEM abriu processo de expulsão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. A cúpula do partido deu oito dias para que Arruda se defenda e mais dois para o relator do processo dar seu parecer, mas a decisão política está tomada: ele será expulso no dia 10. A direção do DEM considerou graves as denúncias de envolvimento de Arruda em esquema de pagamento de propinas em seu governo e acha que o partido pagará um custo político alto se não expulsá-la de seus quadros. Essa perspectiva, aliada às ameaças de retaliação feitas por Arruda, acabou mudando a posição de defesa até de seus aliados, como o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). O PSDB aderiu à debandada de partidos que sustentavam o governo Arruda, o que irritou os dirigentes do DEM. Já o presidente Lula, em suas primeiras declarações sobre o caso, disse que os vídeos mostrando Arruda e assessores recebendo dinheiro não provam nada. “A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração e de investigação”.
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Frases
"Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo."
José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, ameaçando seus colegas do DEM de contar o que sabe se o partido o expulsar
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José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, ameaçando seus colegas do DEM de contar o que sabe se o partido o expulsar
Desigualdade "Made in USA"

Fotógrafos escancaram a pobreza nos Estados Unidos
Do Webmanário
Com o mote “a pobreza não é mais invisível na América”, um coletivo de fotógrafos _auxiliados, diga-se de passagem, por uma belíssima sonorização_ estão usando o jornalismo visual para mostrar como vivem e sofrem os excluídos na nação mais rica do planeta.
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Contra? Quem é contra?
Assessor de Lula diz que Brasil pode mudar de posição sobre Honduras
da Folha Online
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta segunda-feira que alguns "gestos" do presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, e a taxa real de participação na eleição de domingo poderão levar a "mudanças" na posição do Brasil, que disse não reconhecer a legitimidade das eleições deste fim de semana.
"Se o Brasil considerar que tem que mudar de posição, mudará de posição", disse Garcia a jornalistas em Estoril, Portugal, onde participa da cúpula de países ibero-americanos. "Por um lado, consideramos a eleição ilegítima, mas se tiver havido uma participação popular muito forte, tampouco poderíamos ser indiferentes ao fato político."
Leia mais
Nota do Editor - Pelo tom das ameaças cheguei a imaginar Garcia enviando "marines" para restaurar o clima pró socialismo. Desembarcariam cantando "Bandiera Rossa": Bandiera rossa la trionferà. Il frutto del lavoro a chi lavora andrà. Após a vitória Zelaya desfilaria na cobertura de um velho tanque M4 Sherman acenando para multidões de velhinhos com os olhos marejados de felicidade e esperança. Fica pra* próxima. (Sidney Borges)
*A rigor, constituindo, como constitui, um monossílabo tônico terminado em a, devia ser acentuado. Mas não é.
Twitter
da Folha Online
O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta segunda-feira que alguns "gestos" do presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, e a taxa real de participação na eleição de domingo poderão levar a "mudanças" na posição do Brasil, que disse não reconhecer a legitimidade das eleições deste fim de semana.
"Se o Brasil considerar que tem que mudar de posição, mudará de posição", disse Garcia a jornalistas em Estoril, Portugal, onde participa da cúpula de países ibero-americanos. "Por um lado, consideramos a eleição ilegítima, mas se tiver havido uma participação popular muito forte, tampouco poderíamos ser indiferentes ao fato político."
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Nota do Editor - Pelo tom das ameaças cheguei a imaginar Garcia enviando "marines" para restaurar o clima pró socialismo. Desembarcariam cantando "Bandiera Rossa": Bandiera rossa la trionferà. Il frutto del lavoro a chi lavora andrà. Após a vitória Zelaya desfilaria na cobertura de um velho tanque M4 Sherman acenando para multidões de velhinhos com os olhos marejados de felicidade e esperança. Fica pra* próxima. (Sidney Borges)
*A rigor, constituindo, como constitui, um monossílabo tônico terminado em a, devia ser acentuado. Mas não é.
Fim de caso
Espanha vai reconhecer eleições em Honduras
El País, 30
No café da manhã de segunda (30), que o Rei da Espanha e o Presidente do Governo, mantiveram com os mandatários centro-americanos presentes à Cúpula Ibero-americana, Zapatero sublinhou o reconhecimento dos resultados das eleições de domingo em Honduras e fez um chamamento aos hondurenhos, para que cheguem a um grande acordo nacional, que conte com o consenso latino-americano e europeu. Espanha adotou uma posição conciliadora junto ao Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá, que reconhecem o triunfo de Porfírio Lobo.
Nota do Editor - O Rei não perderia a oportunidade de dar um pitaco em Chávez, o grande derrotado em Honduras. Lula também perdeu, mas Lula é diferente. Como encarnação da metamorfose ambulante já dá sinais de que vai mudar de idéia, o que não deixa de ser mostra de sabedoria. Lula é lider da esquerda, mas governa como a direita gosta. Eia! (Sidney Borges)
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El País, 30
No café da manhã de segunda (30), que o Rei da Espanha e o Presidente do Governo, mantiveram com os mandatários centro-americanos presentes à Cúpula Ibero-americana, Zapatero sublinhou o reconhecimento dos resultados das eleições de domingo em Honduras e fez um chamamento aos hondurenhos, para que cheguem a um grande acordo nacional, que conte com o consenso latino-americano e europeu. Espanha adotou uma posição conciliadora junto ao Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá, que reconhecem o triunfo de Porfírio Lobo.
Nota do Editor - O Rei não perderia a oportunidade de dar um pitaco em Chávez, o grande derrotado em Honduras. Lula também perdeu, mas Lula é diferente. Como encarnação da metamorfose ambulante já dá sinais de que vai mudar de idéia, o que não deixa de ser mostra de sabedoria. Lula é lider da esquerda, mas governa como a direita gosta. Eia! (Sidney Borges)
Opinião
Dubai, um lembrete sombrio
Editorial do Estadão
A crise não acabou, o setor financeiro ainda vai contabilizar perdas importantes e tem razão quem, como o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, recomenda cautela. A moratória da estatal Dubai World, em apuros com uma dívida de cerca de US$ 60 bilhões, é mais um alerta sobre as condições ainda precárias da economia mundial. A suspensão de pagamentos afeta credores dentro e fora do país e atinge até o Tesouro britânico, por seu respaldo a bancos em dificuldades. O governo de Dubai, no entanto, procura livrar-se de responsabilidades, embora a gigante imobiliária seja controlada pelo setor público. Suas dívidas não têm garantia oficial e os investidores devem assumir a responsabilidade por suas decisões, disse o diretor-geral do Ministério das Finanças do emirado, Abdulrahman Al Saleh. Dirigentes dos maiores bancos centrais e do FMI poderiam recitar em coro: "Nós avisamos."
As carteiras dos bancos americanos continuam recheadas de hipotecas comerciais de baixa qualidade, disse em depoimento no Congresso o diretor associado de Supervisão do Fed, John Greenlee. Segundo ele, havia inadimplência em cerca de 9% daquelas hipotecas, no fim do segundo trimestre. Naquele momento, os bancos detinham aproximadamente US$ 3,5 trilhões de créditos pendentes e relativos a hipotecas comerciais. As expectativas de perdas, acrescentou, continuam elevadas. Em seu depoimento ele detalhou em linguagem corrente as advertências contidas na Ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed. A ata menciona a expectativa de elevação dos níveis de inadimplência. Muitos bancos pequenos e regionais, segundo o relatório, são vulneráveis a perdas nas carteiras de crédito imobiliário comercial e por isso os novos empréstimos estão contidos. Mas não apenas esses bancos têm limitado suas operações. A contração dos financiamentos bancários ocorre em todo o mercado e só os governos - federal, estaduais e municipais - continuaram a endividar-se em outubro.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, também tem mostrado preocupação com a saúde do setor financeiro. Os bancos da Europa ainda terão de passar por um demorado ajuste antes de voltar a condições normais de operação. Os comentários de Trichet valem para os bancos da Europa Ocidental e para os da antiga área socialista, severamente atingidos pela crise financeira global.
O desemprego elevado e as condições ainda precárias do mercado imobiliário, tanto nos EUA quanto na Europa, dificultam a recuperação do setor financeiro. A desocupação tem o duplo efeito de aumentar a inadimplência dos empréstimos pessoais e de retardar a recuperação do setor de imóveis. Os dois problemas afetam os bancos, forçados a continuar reconhecendo perdas em suas carteiras de empréstimos. Em contrapartida, as instituições financeiras, ainda sujeitas a grande número de calotes, adotam políticas mais prudentes e limitam a concessão de empréstimos. Com isso, dificultam a recuperação da economia. O círculo se fecha.
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Editorial do Estadão
A crise não acabou, o setor financeiro ainda vai contabilizar perdas importantes e tem razão quem, como o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, recomenda cautela. A moratória da estatal Dubai World, em apuros com uma dívida de cerca de US$ 60 bilhões, é mais um alerta sobre as condições ainda precárias da economia mundial. A suspensão de pagamentos afeta credores dentro e fora do país e atinge até o Tesouro britânico, por seu respaldo a bancos em dificuldades. O governo de Dubai, no entanto, procura livrar-se de responsabilidades, embora a gigante imobiliária seja controlada pelo setor público. Suas dívidas não têm garantia oficial e os investidores devem assumir a responsabilidade por suas decisões, disse o diretor-geral do Ministério das Finanças do emirado, Abdulrahman Al Saleh. Dirigentes dos maiores bancos centrais e do FMI poderiam recitar em coro: "Nós avisamos."
As carteiras dos bancos americanos continuam recheadas de hipotecas comerciais de baixa qualidade, disse em depoimento no Congresso o diretor associado de Supervisão do Fed, John Greenlee. Segundo ele, havia inadimplência em cerca de 9% daquelas hipotecas, no fim do segundo trimestre. Naquele momento, os bancos detinham aproximadamente US$ 3,5 trilhões de créditos pendentes e relativos a hipotecas comerciais. As expectativas de perdas, acrescentou, continuam elevadas. Em seu depoimento ele detalhou em linguagem corrente as advertências contidas na Ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed. A ata menciona a expectativa de elevação dos níveis de inadimplência. Muitos bancos pequenos e regionais, segundo o relatório, são vulneráveis a perdas nas carteiras de crédito imobiliário comercial e por isso os novos empréstimos estão contidos. Mas não apenas esses bancos têm limitado suas operações. A contração dos financiamentos bancários ocorre em todo o mercado e só os governos - federal, estaduais e municipais - continuaram a endividar-se em outubro.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, também tem mostrado preocupação com a saúde do setor financeiro. Os bancos da Europa ainda terão de passar por um demorado ajuste antes de voltar a condições normais de operação. Os comentários de Trichet valem para os bancos da Europa Ocidental e para os da antiga área socialista, severamente atingidos pela crise financeira global.
O desemprego elevado e as condições ainda precárias do mercado imobiliário, tanto nos EUA quanto na Europa, dificultam a recuperação do setor financeiro. A desocupação tem o duplo efeito de aumentar a inadimplência dos empréstimos pessoais e de retardar a recuperação do setor de imóveis. Os dois problemas afetam os bancos, forçados a continuar reconhecendo perdas em suas carteiras de empréstimos. Em contrapartida, as instituições financeiras, ainda sujeitas a grande número de calotes, adotam políticas mais prudentes e limitam a concessão de empréstimos. Com isso, dificultam a recuperação da economia. O círculo se fecha.
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Manchetes do dia
Terça-feira, 01 / 12 / 2009
Folha de São Paulo
"Ex-secretário liga tucano a mensalão"
Presidente do PSDB no DF nega participação no esquema; governador Arruda diz que sua gestão é vítima
Pivô das denúncias do mensalão do DEM, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa acusa o PSDB de participar do esquema de caixa dois que teria sido montado pelo governador José Roberto Arruda. Quem atuou pelos tucanos, segundo Barbosa, foi o presidente da sigla no Distrito Federal, Márcio Machado, secretário de Obras de Arruda. Machado nega. À Polícia Federal Barbosa disse que, de 2004 a 2006, o esquema recebeu R$ 56,5 milhões ilegalmente de fornecedores do governo. O governador disse ontem que sua gestão está sendo vítima por ter contrariado interesses de Barbosa e de empresários. Arruda chamou o ex-secretário de "herança maldita" do antecessor, Joaquim Roriz, hoje no PSC. Em novas imagens, o empresário Alcyr Collaço, acusado de receber R$ 30 mil, guarda maços de notas na cueca. Ele não ligou de volta para falar sobre o vídeo. A Ordem dos Advogados do Brasil vai analisar se solicitará impeachment. No Senado, houve pedido de CPI. O DEM decide hoje se expulsa o governador ou se dá a ele a chance de se defender em processo rápido, de até 16 dias. Ala do partido teme retaliação de Arruda.
O Estado de São Paulo
"Governador do DF ameaça e DEM adia expulsão"
Arruda se nega a sair por mensalão e adverte partido que contará o que sabe
O governador José Roberto Arruda (DEM) reagiu com ameaças diante da pressão de seu partido para deixar a legenda, três dias após a revelação do pagamento de mensalão no Distrito Federal. Em reunião com a cúpula do DEM, na qual chegou a ser proposta sua expulsão, Arruda disse que tem como se defender e falou em "radicalizar". No fim de semana, ele já havia prevenido interlocutores do partido de que não se calaria se fosse expurgado. Afirmou que revelaria os recursos que saíram do Distrito Federal para várias campanhas do DEM, incluindo a do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
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Folha de São Paulo
"Ex-secretário liga tucano a mensalão"
Presidente do PSDB no DF nega participação no esquema; governador Arruda diz que sua gestão é vítima
Pivô das denúncias do mensalão do DEM, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa acusa o PSDB de participar do esquema de caixa dois que teria sido montado pelo governador José Roberto Arruda. Quem atuou pelos tucanos, segundo Barbosa, foi o presidente da sigla no Distrito Federal, Márcio Machado, secretário de Obras de Arruda. Machado nega. À Polícia Federal Barbosa disse que, de 2004 a 2006, o esquema recebeu R$ 56,5 milhões ilegalmente de fornecedores do governo. O governador disse ontem que sua gestão está sendo vítima por ter contrariado interesses de Barbosa e de empresários. Arruda chamou o ex-secretário de "herança maldita" do antecessor, Joaquim Roriz, hoje no PSC. Em novas imagens, o empresário Alcyr Collaço, acusado de receber R$ 30 mil, guarda maços de notas na cueca. Ele não ligou de volta para falar sobre o vídeo. A Ordem dos Advogados do Brasil vai analisar se solicitará impeachment. No Senado, houve pedido de CPI. O DEM decide hoje se expulsa o governador ou se dá a ele a chance de se defender em processo rápido, de até 16 dias. Ala do partido teme retaliação de Arruda.
O Estado de São Paulo
"Governador do DF ameaça e DEM adia expulsão"
Arruda se nega a sair por mensalão e adverte partido que contará o que sabe
O governador José Roberto Arruda (DEM) reagiu com ameaças diante da pressão de seu partido para deixar a legenda, três dias após a revelação do pagamento de mensalão no Distrito Federal. Em reunião com a cúpula do DEM, na qual chegou a ser proposta sua expulsão, Arruda disse que tem como se defender e falou em "radicalizar". No fim de semana, ele já havia prevenido interlocutores do partido de que não se calaria se fosse expurgado. Afirmou que revelaria os recursos que saíram do Distrito Federal para várias campanhas do DEM, incluindo a do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Panetone com pizza
Mensalão do DEM - Escutas resvalam em tribunal
Gravações feitas com equipamentos da PF mostram integrantes do Executivo falando sobre o relacionamento com desembargadores do TJDF
De Ana Maria Campos e Lilian Tahan, do Correio Braziliense:
Nas conversas gravadas pelos equipamentos da Polícia Federal (PF) na Operação Caixa de Pandora, o governador José Roberto Arruda (DEM) e o chefe da Casa Civil afastado, José Geraldo Maciel, citam relação do Executivo com dois magistrados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Os nomes dos desembargadores Romeu Gonzaga Neiva e José Cruz Macedo aparecem em diálogos de Arruda e Maciel, transcritos pela PF, com o ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, que responde a 37 processos no Judiciário local por formação de quadrilha, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Em um dos trechos, Maciel diz a Durval que Cruz Macedo teria lhe pedido um favor: transferir um sobrinho, médico de posto de saúde de São Sebastião, para trabalhar como geriatra do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Maciel diz que atenderia o pedido e comenta: “Acho que o Cruz Macedo hoje está muito ligadinho à gente, viu! Acho que pode inclusive dar subsídio lá dentro”.
A conversa ocorreu no dia 21 de outubro último, quando Durval usava na roupa equipamentos de escuta e vídeo da PF, na operação autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No governo, Maciel tinha papel institucional de tratar das relações com o Judiciário, o Legislativo e o Tribunal de Contas do DF (TCDF).
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Gravações feitas com equipamentos da PF mostram integrantes do Executivo falando sobre o relacionamento com desembargadores do TJDF
De Ana Maria Campos e Lilian Tahan, do Correio Braziliense:
Nas conversas gravadas pelos equipamentos da Polícia Federal (PF) na Operação Caixa de Pandora, o governador José Roberto Arruda (DEM) e o chefe da Casa Civil afastado, José Geraldo Maciel, citam relação do Executivo com dois magistrados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Os nomes dos desembargadores Romeu Gonzaga Neiva e José Cruz Macedo aparecem em diálogos de Arruda e Maciel, transcritos pela PF, com o ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, que responde a 37 processos no Judiciário local por formação de quadrilha, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Em um dos trechos, Maciel diz a Durval que Cruz Macedo teria lhe pedido um favor: transferir um sobrinho, médico de posto de saúde de São Sebastião, para trabalhar como geriatra do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Maciel diz que atenderia o pedido e comenta: “Acho que o Cruz Macedo hoje está muito ligadinho à gente, viu! Acho que pode inclusive dar subsídio lá dentro”.
A conversa ocorreu no dia 21 de outubro último, quando Durval usava na roupa equipamentos de escuta e vídeo da PF, na operação autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No governo, Maciel tinha papel institucional de tratar das relações com o Judiciário, o Legislativo e o Tribunal de Contas do DF (TCDF).
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Eleições
Honduras
Sidney Borges
São varias as posições dos países em relação às eleições em Honduras. Brasil, Chile, Cuba e Venezuela são contra o reconhecimento do governo eleito no domingo, enquanto Perú, Colômbia e Panamá posicionam-se a favor. Há outros ainda não se manifestaram, na verdade até o Brasil pode rever a posição inicial.
A Espanha quer um amplo debate sobre a questão hondurenha e seus significado em relação ao processo democrático. Antes de ser contra ou a favor os espanhóis propõem que a questão tenha todos os desdobramentos analisados.
Qualquer que seja o andar da carruagem, o Brasil e seu aliado Chávez sairão derrotados. Fecharam questão em torno de Zelaya que hoje não passa de um mico bigodudo com chapéu de vaqueiro.
Os Estados Unidos reconhecerão o novo governo e darão a ele legitimidade. Com esse desfecho terminam as manobras bolivarianas para criar governos eternos em países democráticos. Democracia pressupõe alternância de poder.
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Sidney Borges
São varias as posições dos países em relação às eleições em Honduras. Brasil, Chile, Cuba e Venezuela são contra o reconhecimento do governo eleito no domingo, enquanto Perú, Colômbia e Panamá posicionam-se a favor. Há outros ainda não se manifestaram, na verdade até o Brasil pode rever a posição inicial.
A Espanha quer um amplo debate sobre a questão hondurenha e seus significado em relação ao processo democrático. Antes de ser contra ou a favor os espanhóis propõem que a questão tenha todos os desdobramentos analisados.
Qualquer que seja o andar da carruagem, o Brasil e seu aliado Chávez sairão derrotados. Fecharam questão em torno de Zelaya que hoje não passa de um mico bigodudo com chapéu de vaqueiro.
Os Estados Unidos reconhecerão o novo governo e darão a ele legitimidade. Com esse desfecho terminam as manobras bolivarianas para criar governos eternos em países democráticos. Democracia pressupõe alternância de poder.
Das voltas
O mundo continua girando
Sidney Borges
Segunda-feira de muito calor. Vamos ter chuva no decorrer do período. Consultei o cacique Cobra Coral de quem sou camarada. Ele afirmou mais uma vez é leitor do Ubatuba Víbora. Diz ter grande apreço pelo Blog. Finjo que acredito, mas não levo os elogios em consideração. Tem jeitão de alinhamento ofídico, corporativismo.
Honduras realizou eleições. Agora teremos nova batalha. O Brasil não vai reconhecer o governo eleito. Ou Zelaya ou Zelaya, diz o Itamaraty. Chávez também não vai reconhecer. Os Estados Unidos vão.
Com a proximidade das eleições, 2010 está aí, o embate ideológico começa a ganhar corpo.
Adeptos do estado forte farão campanha por mais intervenção. É interessante observar o duplo posicionamento dos que defendem tal tese. São contra o neoliberalismo. Desde que praticado pelos adversários.
Nunca na história destepaiz e dos outros a "The Economist", revista de direita, elogiou práticas esquerdistas. No entanto, dedicou boa parte de uma edição tecendo loas ao governo Lula.
Teria a revista mudado os critérios? Ou a economia lulista é neoliberal? Os elogios são por isso? Oh céus, estou sendo enganado. Pelo machado de Mercader, onde está a verdade?
Arrisco um palpite. Foram os tucanos que plantaram elogios com a intenção de confundir.
Em política tudo é possível, o simpatizante do PT, Paulo Maluf, antes de ser esquerdista chegou a suspeitar que os trocados depositados em seu nome, em bancos franceses, tinham sido coisa de petistas.
Merreca, trezentos mil dólares.
No futebol deu o que eu vinha imaginando, o Flamengo está com a mão na taça. Teve sorte na tabela, contou com a colaboração do Corinthians, freguês habitual. Na última rodada, precisando apenas de uma vitória, enfrenta o Grêmio. Time valente quando joga em Porto Alegre. O São Paulo não merece comentários. Afinou, amarelou, foi incompetente. Agora depende de uma combinação de resultados que, embora possível, é bastante improvável.
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Sidney Borges
Segunda-feira de muito calor. Vamos ter chuva no decorrer do período. Consultei o cacique Cobra Coral de quem sou camarada. Ele afirmou mais uma vez é leitor do Ubatuba Víbora. Diz ter grande apreço pelo Blog. Finjo que acredito, mas não levo os elogios em consideração. Tem jeitão de alinhamento ofídico, corporativismo.
Honduras realizou eleições. Agora teremos nova batalha. O Brasil não vai reconhecer o governo eleito. Ou Zelaya ou Zelaya, diz o Itamaraty. Chávez também não vai reconhecer. Os Estados Unidos vão.
Com a proximidade das eleições, 2010 está aí, o embate ideológico começa a ganhar corpo.
Adeptos do estado forte farão campanha por mais intervenção. É interessante observar o duplo posicionamento dos que defendem tal tese. São contra o neoliberalismo. Desde que praticado pelos adversários.
Nunca na história destepaiz e dos outros a "The Economist", revista de direita, elogiou práticas esquerdistas. No entanto, dedicou boa parte de uma edição tecendo loas ao governo Lula.
Teria a revista mudado os critérios? Ou a economia lulista é neoliberal? Os elogios são por isso? Oh céus, estou sendo enganado. Pelo machado de Mercader, onde está a verdade?
Arrisco um palpite. Foram os tucanos que plantaram elogios com a intenção de confundir.
Em política tudo é possível, o simpatizante do PT, Paulo Maluf, antes de ser esquerdista chegou a suspeitar que os trocados depositados em seu nome, em bancos franceses, tinham sido coisa de petistas.
Merreca, trezentos mil dólares.
No futebol deu o que eu vinha imaginando, o Flamengo está com a mão na taça. Teve sorte na tabela, contou com a colaboração do Corinthians, freguês habitual. Na última rodada, precisando apenas de uma vitória, enfrenta o Grêmio. Time valente quando joga em Porto Alegre. O São Paulo não merece comentários. Afinou, amarelou, foi incompetente. Agora depende de uma combinação de resultados que, embora possível, é bastante improvável.
Coluna da Segunda-feira
CONFECOM : Botando ordem na casa
Rui Grilo
Se o Brasil não tivesse se libertado de Portugal, provavelmente Tiradentes não seria mostrado nos livros de história como o nosso Mártir da Independência mas como um traidor. A história e o jornalismo não são neutros; sempre apresentam os fatos do ponto de vista de alguém.
Assim, quando abri o site do Guaruçá me assustei com algumas abordagens da CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicação. Como participei da etapa regional e da etapa estadual me senti ofendido com a forma como o Sr. José Nivaldo Cordeiro tratou os participantes, chamando-os de celerados. Assustado, fui procurar o significado no dicionário para me certificar do significado. O significado não cabia a mim pois não me considero nem criminoso, nem bandido, nem facínora, nem malfeitor. E acredito que todos que estavam participando, como o ilustre jurista Walter Ceneviva, podem ser enquadrados nessa categoria. O texto assume, assim, um caráter panfletário e maledicente que desmerece o seu autor.
Cita em seu texto que os petistas e participantes tem como objetivo da CONFECOM “A definição de um marco regulatório democrático... tratando a comunicação como área de interesse público”. Para ele, tal objetivo se trata de “ uma tentativa de acabar com a democracia representativa como a conhecemos, mesmo sem alterações na Constituição.”
Há muito tempo o comportamento dos nossos representantes deixam muito a desejar. Assim, durante a elaboração da Constituição, o capítulo sobre comunicação, por falta de acordo entre os participantes ficou incompleto para posterior regulamentação, o que até hoje não foi realizado, ficando um vazio legal que dá margem a todo tipo de abuso. Mesmo o que já está normatizado não é respeitado e a comissão responsável não se reúne, favorecendo empresários do setor, entre os quais muitos políticos, ou grupos relacionados a eles.
Democracia não é um vale tudo. Mesmo em países reconhecidamente neoliberais, as leis são muito mais severas do que as propostas apresentadas. Discutir e propor novas formas de regulamentação é um direito de qualquer cidadão. As conferências são instâncias legais de participação, para debate e aprofundamento de propostas. Como diz a Constituição, no parágrafo único do Art. 1º: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes legais ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
No entanto, todos aqueles que tem se beneficiado desse vácuo legislativo ou que não tem cumprido nem mesmo o que a lei manda, estão contra a CONFECOM porque podem perder seus privilégios. Para isso, uma das formas de boicotar foi a não divulgação de sua realização e não participação para depois classificá-la de ilegítima. O próprio autor que critica a CONFECOM aponta esse boicote e a omissão quando diz: “Lamento não ter ouvido uma palavra da grande imprensa contra essa violência às instituições. As empresas do setor são vítimas coniventes.”
Acredito que vítimas somos todos nós quando as empresas de comunicação noticiam apenas o que interessa a um pequeno grupo da sociedade, sonegando à maioria o direito à informação, preenchendo os espaços noticiosos com futilidades ou com apelos ao consumo.
Apesar de vários representantes do executivo se aliarem às grandes empresas de comunicação, não fazendo a convocação com o intuito de boicotá-la, entre os quais o Governador Serra e o Prefeito de São Paulo, o legislativo da cidade e do Estado de São Paulo fizeram a convocação garantindo a realização da CONFECOM, a qual somente terá validade com a representação proporcional dos três setores, ou seja, 40% de participantes representando a sociedade civil, 40% a sociedade empresarial e 20% o poder público.
E o próprio autor que critica a sua realização reconhece o grau de participação e de abrangência quando diz: “O encontro terá 1539 delegados, o triplo da nossa Câmara de Deputados. Segundo o último informativo do site Pró-Conferência, são esperadas ao menos cinco mil "propostas" a serem examinadas...”
Entre as entidades organizadoras, há reconhecidos pesquisadores, os quais analisaram* doze diferentes sistemas de comunicação, entre os quais o do Canadá, da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Japão, países reconhecidamente neoliberais. Comparando com o sistema nacional reconhecem que na maioria desses países os principais meios de comunicação surgiram primeiro como serviços públicos e somente mais tarde como empresas particulares. A fragilidade e os problemas que o sistema nacional apresenta decorre muito do fato de que aqui sempre foi visto como um meio de lucro e não como um meio para o desenvolvimento sociocultural e econômico do país.
É muito interessante apontar o caso do Canadá, em que a criação do sistema público se deu em função do temor de que a expansão das empresas privadas representasse uma “americanização” (isto é, a predominância do modelo comercial americano). Outro temor era de que entidades religiosas ou outros grupos conservadores poderiam representar uma ameaça ao princípio da diversidade democrática.
No Brasil, cada vez mais há sinais dessas ameaças. É só observarmos a programação e o conflito entre a Globo e a Record. Portanto, está na hora de decidirmos que tipo de sistema de comunicação que atenda aos interesses da maioria e não de um pequeno grupo.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br
*Sistemas Públicos de comunicação no mundo. Experiências de doze países e o caso brasileiro. Intervozes. SP. Paulus. 2009
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Rui Grilo
Se o Brasil não tivesse se libertado de Portugal, provavelmente Tiradentes não seria mostrado nos livros de história como o nosso Mártir da Independência mas como um traidor. A história e o jornalismo não são neutros; sempre apresentam os fatos do ponto de vista de alguém.
Assim, quando abri o site do Guaruçá me assustei com algumas abordagens da CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicação. Como participei da etapa regional e da etapa estadual me senti ofendido com a forma como o Sr. José Nivaldo Cordeiro tratou os participantes, chamando-os de celerados. Assustado, fui procurar o significado no dicionário para me certificar do significado. O significado não cabia a mim pois não me considero nem criminoso, nem bandido, nem facínora, nem malfeitor. E acredito que todos que estavam participando, como o ilustre jurista Walter Ceneviva, podem ser enquadrados nessa categoria. O texto assume, assim, um caráter panfletário e maledicente que desmerece o seu autor.
Cita em seu texto que os petistas e participantes tem como objetivo da CONFECOM “A definição de um marco regulatório democrático... tratando a comunicação como área de interesse público”. Para ele, tal objetivo se trata de “ uma tentativa de acabar com a democracia representativa como a conhecemos, mesmo sem alterações na Constituição.”
Há muito tempo o comportamento dos nossos representantes deixam muito a desejar. Assim, durante a elaboração da Constituição, o capítulo sobre comunicação, por falta de acordo entre os participantes ficou incompleto para posterior regulamentação, o que até hoje não foi realizado, ficando um vazio legal que dá margem a todo tipo de abuso. Mesmo o que já está normatizado não é respeitado e a comissão responsável não se reúne, favorecendo empresários do setor, entre os quais muitos políticos, ou grupos relacionados a eles.
Democracia não é um vale tudo. Mesmo em países reconhecidamente neoliberais, as leis são muito mais severas do que as propostas apresentadas. Discutir e propor novas formas de regulamentação é um direito de qualquer cidadão. As conferências são instâncias legais de participação, para debate e aprofundamento de propostas. Como diz a Constituição, no parágrafo único do Art. 1º: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes legais ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
No entanto, todos aqueles que tem se beneficiado desse vácuo legislativo ou que não tem cumprido nem mesmo o que a lei manda, estão contra a CONFECOM porque podem perder seus privilégios. Para isso, uma das formas de boicotar foi a não divulgação de sua realização e não participação para depois classificá-la de ilegítima. O próprio autor que critica a CONFECOM aponta esse boicote e a omissão quando diz: “Lamento não ter ouvido uma palavra da grande imprensa contra essa violência às instituições. As empresas do setor são vítimas coniventes.”
Acredito que vítimas somos todos nós quando as empresas de comunicação noticiam apenas o que interessa a um pequeno grupo da sociedade, sonegando à maioria o direito à informação, preenchendo os espaços noticiosos com futilidades ou com apelos ao consumo.
Apesar de vários representantes do executivo se aliarem às grandes empresas de comunicação, não fazendo a convocação com o intuito de boicotá-la, entre os quais o Governador Serra e o Prefeito de São Paulo, o legislativo da cidade e do Estado de São Paulo fizeram a convocação garantindo a realização da CONFECOM, a qual somente terá validade com a representação proporcional dos três setores, ou seja, 40% de participantes representando a sociedade civil, 40% a sociedade empresarial e 20% o poder público.
E o próprio autor que critica a sua realização reconhece o grau de participação e de abrangência quando diz: “O encontro terá 1539 delegados, o triplo da nossa Câmara de Deputados. Segundo o último informativo do site Pró-Conferência, são esperadas ao menos cinco mil "propostas" a serem examinadas...”
Entre as entidades organizadoras, há reconhecidos pesquisadores, os quais analisaram* doze diferentes sistemas de comunicação, entre os quais o do Canadá, da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Japão, países reconhecidamente neoliberais. Comparando com o sistema nacional reconhecem que na maioria desses países os principais meios de comunicação surgiram primeiro como serviços públicos e somente mais tarde como empresas particulares. A fragilidade e os problemas que o sistema nacional apresenta decorre muito do fato de que aqui sempre foi visto como um meio de lucro e não como um meio para o desenvolvimento sociocultural e econômico do país.
É muito interessante apontar o caso do Canadá, em que a criação do sistema público se deu em função do temor de que a expansão das empresas privadas representasse uma “americanização” (isto é, a predominância do modelo comercial americano). Outro temor era de que entidades religiosas ou outros grupos conservadores poderiam representar uma ameaça ao princípio da diversidade democrática.
No Brasil, cada vez mais há sinais dessas ameaças. É só observarmos a programação e o conflito entre a Globo e a Record. Portanto, está na hora de decidirmos que tipo de sistema de comunicação que atenda aos interesses da maioria e não de um pequeno grupo.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br
*Sistemas Públicos de comunicação no mundo. Experiências de doze países e o caso brasileiro. Intervozes. SP. Paulus. 2009
Opinião
Jovens vítimas da violência
Editorial do Estadão
É salutar que a grande preocupação a respeito da atual situação dos jovens brasileiros ? que, em altíssimo porcentual, sofrem os efeitos do abandono, do estudo precário ou inexistente, da dissolução familiar, da perversão de costumes e, sobretudo, do vício das drogas ? esteja resultando em estudos cada vez mais abrangentes, destinados a esmiuçar a complexidade do problema. A questão é que, concluído o diagnóstico, muitas vezes as autoridades e as comunidades se dão por satisfeitas, como se a identificação do mal, por si só, fosse remédio suficiente para curá-lo.
Ressalte-se, antes de mais nada, que também neste campo as diferenças regionais do Brasil são gritantes. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), feita a pedido do Ministério da Justiça, criou um Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência para analisar o nível de segurança dos jovens e adolescentes ? na faixa etária entre 12 e 29 anos ? em 266 municípios com mais de 100 mil habitantes. As cidades paulistas, incluindo a capital, estão entre as mais seguras, do Brasil, para tais jovens. No extremo oposto estão municípios de Pernambuco e Bahia, Estados nordestinos onde os jovens estão mais expostos a morrer assassinados e em acidentes de trânsito ? e não há como deixar de correlacionar esses dois tipos de violência.
Pode até causar surpresa a muitos, mas o fato é que a capital do Estado de São Paulo é a mais bem situada, entre todas as capitais, no ranking da vulnerabilidade dos jovens à violência. E Cubatão, a cidade paulista mais mal situada nesse ranking, aparece apenas em 53º lugar (entre 266). Entre as 42 cidades brasileiras onde os jovens são menos vulneráveis à violência, 26 estão no Estado de São Paulo. São Carlos é a cidade mais segura do País, seguida de São Caetano e Franca. Em contrapartida, das 53 cidades nordestinas com mais de 100 mil habitantes, em 22 delas os jovens se encontram em situação de vulnerabilidade alta e muito alta ? e nesse patamar Pernambuco tem 8 cidades e a Bahia, 7.
Em agosto de 2007, o Ministério da Justiça criou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com o objetivo de destinar verbas para os municípios brasileiros desenvolverem projetos de segurança pública, incluindo, entre outras ações, a criação de gabinetes de gestão integrada e benefícios salariais para policiais. O programa já recebeu a adesão de 115 municípios e até novembro deste ano havia liberado R$ 900 milhões. No entanto, 58% dos municípios onde há, justamente, o maior índice de violência praticada contra os jovens não aderiram ao programa federal. E os resultados da pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça comprovaram o óbvio: quanto maiores os gastos dos municípios com a segurança pública, menores são os índices de vulnerabilidade de seus jovens. As cidades com menor risco investiram, em média, 1,3% de seus orçamentos nessa área, enquanto as de maior risco, com vulnerabilidade juvenil muito alta, gastaram em segurança não mais de 0,4% de suas verbas.
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Editorial do Estadão
É salutar que a grande preocupação a respeito da atual situação dos jovens brasileiros ? que, em altíssimo porcentual, sofrem os efeitos do abandono, do estudo precário ou inexistente, da dissolução familiar, da perversão de costumes e, sobretudo, do vício das drogas ? esteja resultando em estudos cada vez mais abrangentes, destinados a esmiuçar a complexidade do problema. A questão é que, concluído o diagnóstico, muitas vezes as autoridades e as comunidades se dão por satisfeitas, como se a identificação do mal, por si só, fosse remédio suficiente para curá-lo.
Ressalte-se, antes de mais nada, que também neste campo as diferenças regionais do Brasil são gritantes. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), feita a pedido do Ministério da Justiça, criou um Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência para analisar o nível de segurança dos jovens e adolescentes ? na faixa etária entre 12 e 29 anos ? em 266 municípios com mais de 100 mil habitantes. As cidades paulistas, incluindo a capital, estão entre as mais seguras, do Brasil, para tais jovens. No extremo oposto estão municípios de Pernambuco e Bahia, Estados nordestinos onde os jovens estão mais expostos a morrer assassinados e em acidentes de trânsito ? e não há como deixar de correlacionar esses dois tipos de violência.
Pode até causar surpresa a muitos, mas o fato é que a capital do Estado de São Paulo é a mais bem situada, entre todas as capitais, no ranking da vulnerabilidade dos jovens à violência. E Cubatão, a cidade paulista mais mal situada nesse ranking, aparece apenas em 53º lugar (entre 266). Entre as 42 cidades brasileiras onde os jovens são menos vulneráveis à violência, 26 estão no Estado de São Paulo. São Carlos é a cidade mais segura do País, seguida de São Caetano e Franca. Em contrapartida, das 53 cidades nordestinas com mais de 100 mil habitantes, em 22 delas os jovens se encontram em situação de vulnerabilidade alta e muito alta ? e nesse patamar Pernambuco tem 8 cidades e a Bahia, 7.
Em agosto de 2007, o Ministério da Justiça criou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com o objetivo de destinar verbas para os municípios brasileiros desenvolverem projetos de segurança pública, incluindo, entre outras ações, a criação de gabinetes de gestão integrada e benefícios salariais para policiais. O programa já recebeu a adesão de 115 municípios e até novembro deste ano havia liberado R$ 900 milhões. No entanto, 58% dos municípios onde há, justamente, o maior índice de violência praticada contra os jovens não aderiram ao programa federal. E os resultados da pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça comprovaram o óbvio: quanto maiores os gastos dos municípios com a segurança pública, menores são os índices de vulnerabilidade de seus jovens. As cidades com menor risco investiram, em média, 1,3% de seus orçamentos nessa área, enquanto as de maior risco, com vulnerabilidade juvenil muito alta, gastaram em segurança não mais de 0,4% de suas verbas.
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Manchetes do dia
Segunda-feira, 30 / 11 / 2009
Folha de São Paulo
"Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro"
Governador do DF e seu vice se dizem "perplexos" e negam acusações
Deputados distritais e aliados do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), alvos da operação Caixa de Pandora, foram filmados recebendo dinheiro e guardando maços de notas em bolsos e até dentro da meia. As imagens estão em três DVDs que integram o inquérito da Polícia Federal e foram gravadas por Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda. Colaborador da PF, Barbosa denunciou suposto esquema de desvio de verbas para pagar despesas de campanha e distribuir recursos à base de Arruda. O governador do DF também foi filmado recebendo dinheiro de Barbosa. Em nota, Arruda e seu vice, Paulo Octávio (DEM), outro suposto beneficiário, negaram as acusações. Disseram estar "perplexos" com as denúncias e que Barbosa apresentou uma “versão mentirosa” dos fatos para prejudicar a atual gestão. Ainda ontem, o governo do DF anunciou a abertura de processo administrativo para investigar o caso.
O Estado de São Paulo
"Vídeos 'letais' levam DEM a preparar expulsão de Arruda"
Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável
A cúpula do DEM quer o governador José Roberto Arruda (DF) fora do partido. Ele é apontado pelas investigações da Polícia Federal, no âmbito das Operação Caixa de Pandora, como líder do esquema conhecido como “mensalão do DEM" – o pagamento de propina para pelo menos quatro secretários e quatro parlamentares do Distrito Federal com recursos uma empresa privada. Há vídeos em poder da polícia que mostram o governador recebendo dinheiro - ele alega que usaria o montante para comprar panetones e distribuir à população carente. A versão não convenceu seu partido, que se reúne hoje com Arruda para cobrar explicações. Para tentar se sustentar no cargo, a estratégia do governador é caracterizar o “mensalão do DEM" como “crime eleitoral” e não como corrupção.
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Folha de São Paulo
"Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro"
Governador do DF e seu vice se dizem "perplexos" e negam acusações
Deputados distritais e aliados do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), alvos da operação Caixa de Pandora, foram filmados recebendo dinheiro e guardando maços de notas em bolsos e até dentro da meia. As imagens estão em três DVDs que integram o inquérito da Polícia Federal e foram gravadas por Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda. Colaborador da PF, Barbosa denunciou suposto esquema de desvio de verbas para pagar despesas de campanha e distribuir recursos à base de Arruda. O governador do DF também foi filmado recebendo dinheiro de Barbosa. Em nota, Arruda e seu vice, Paulo Octávio (DEM), outro suposto beneficiário, negaram as acusações. Disseram estar "perplexos" com as denúncias e que Barbosa apresentou uma “versão mentirosa” dos fatos para prejudicar a atual gestão. Ainda ontem, o governo do DF anunciou a abertura de processo administrativo para investigar o caso.
O Estado de São Paulo
"Vídeos 'letais' levam DEM a preparar expulsão de Arruda"
Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável
A cúpula do DEM quer o governador José Roberto Arruda (DF) fora do partido. Ele é apontado pelas investigações da Polícia Federal, no âmbito das Operação Caixa de Pandora, como líder do esquema conhecido como “mensalão do DEM" – o pagamento de propina para pelo menos quatro secretários e quatro parlamentares do Distrito Federal com recursos uma empresa privada. Há vídeos em poder da polícia que mostram o governador recebendo dinheiro - ele alega que usaria o montante para comprar panetones e distribuir à população carente. A versão não convenceu seu partido, que se reúne hoje com Arruda para cobrar explicações. Para tentar se sustentar no cargo, a estratégia do governador é caracterizar o “mensalão do DEM" como “crime eleitoral” e não como corrupção.
Domingo, Novembro 29, 2009
Humor
Menino do Mep viu o décimo dedo do Lula
Coligação à força traz de volta a dúvida: comunista come criancinha?
NELITO FERNANDES (original aqui)
Depois que César Benjamin publicou um artigo dizendo que Lula tentou fazer uma coligação à força com um companheiro de cela, chamado por ele de “menino do MEP”, a oposição se debruçou sobre o assunto.
“Não dá para não investigar. Não podemos ficar sentados como se nada tivesse acontecido.”, disse um deputado.
A acusação já entrou para os anais da história política brasileira. Um partido oposicionista divulgou uma nota dizendo que Lula está fazendo com o Brasil o que não conseguiu fazer com o menino do MEP.
Ninguém sabe se é verdade ou mentira, mas se o “menino do MEP” aparecesse muitos mistérios da vida de Lula seriam esclarecidos. Só o menino do MEP poderia dizer, por exemplo, se Lula é mesmo de esquerda ou se tem alguma inclinação da direita. Só ele pode esclarecer se a popularidade de Lula é mesmo tão grande assim.
O menino da MEP é um dos poucos brasileiros que pode ter visto o docimo dedo de Lula. Ou será que foi nesta situação que Lula perdeu o dedo? É fato que o episódio pode fazer voltar uma acusação antiga contra o pessoal da foice e do martelo. Afinal , comunista come criancinha ou tudo não passa de um boato sem fundamento? Enquanto ninguém joga uma luz sobre o que aconteceu, no Rio a gente continua no escuro.
Os cariocas já estão se preparando para as Olimpíadas.
Todo mundo carregando tocha pela casa. Do jeito que a light tá, nem a tocha olímpica vai ficar acesa. A Light atocha na gente! Pelo menos uma medalha de ouro já está garantida: o Brasil já é campeão em vela.
Twitter
Coligação à força traz de volta a dúvida: comunista come criancinha?
NELITO FERNANDES (original aqui)
Depois que César Benjamin publicou um artigo dizendo que Lula tentou fazer uma coligação à força com um companheiro de cela, chamado por ele de “menino do MEP”, a oposição se debruçou sobre o assunto.
“Não dá para não investigar. Não podemos ficar sentados como se nada tivesse acontecido.”, disse um deputado.
A acusação já entrou para os anais da história política brasileira. Um partido oposicionista divulgou uma nota dizendo que Lula está fazendo com o Brasil o que não conseguiu fazer com o menino do MEP.
Ninguém sabe se é verdade ou mentira, mas se o “menino do MEP” aparecesse muitos mistérios da vida de Lula seriam esclarecidos. Só o menino do MEP poderia dizer, por exemplo, se Lula é mesmo de esquerda ou se tem alguma inclinação da direita. Só ele pode esclarecer se a popularidade de Lula é mesmo tão grande assim.
O menino da MEP é um dos poucos brasileiros que pode ter visto o docimo dedo de Lula. Ou será que foi nesta situação que Lula perdeu o dedo? É fato que o episódio pode fazer voltar uma acusação antiga contra o pessoal da foice e do martelo. Afinal , comunista come criancinha ou tudo não passa de um boato sem fundamento? Enquanto ninguém joga uma luz sobre o que aconteceu, no Rio a gente continua no escuro.
Os cariocas já estão se preparando para as Olimpíadas.
Todo mundo carregando tocha pela casa. Do jeito que a light tá, nem a tocha olímpica vai ficar acesa. A Light atocha na gente! Pelo menos uma medalha de ouro já está garantida: o Brasil já é campeão em vela.
Corrupção
O morto vivo Arruda
por Paulo Moreira Leite
Poucas vezes se viu uma investigação de corrupção chegar num escalão tão alto.
Ao aceitar uma oferta de delação premiada, um secretário do governo do Distrito Federal permitiu que a Polícia Federal exibisse um esquema de propinas pelo lado de dentro. Mesmo um país com tantos escândalos em sua memória, o país nunca vira isso. O mensalão nunca chegou perto do gabinete do presidente Lula. Maluf foi denunciado por um engenheiro, a Justiça rastreou suas contas — mas ele próprio não foi pilhado em diálogos sobre o dinheiro ilícito.
Este é o dado que em menos de 24 horas transformou o governador José Roberto Arruda um morto vivo da política brasileira.
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por Paulo Moreira Leite
Poucas vezes se viu uma investigação de corrupção chegar num escalão tão alto.
Ao aceitar uma oferta de delação premiada, um secretário do governo do Distrito Federal permitiu que a Polícia Federal exibisse um esquema de propinas pelo lado de dentro. Mesmo um país com tantos escândalos em sua memória, o país nunca vira isso. O mensalão nunca chegou perto do gabinete do presidente Lula. Maluf foi denunciado por um engenheiro, a Justiça rastreou suas contas — mas ele próprio não foi pilhado em diálogos sobre o dinheiro ilícito.
Este é o dado que em menos de 24 horas transformou o governador José Roberto Arruda um morto vivo da política brasileira.
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Deu no Estadão
Vídeo mostra Arruda com 50 mil
Em fita entregue pela procuradoria, governador do DF aparece recebendo maços de dinheiro, em notas de R$ 100
De Vannildo Mendes:
A subprocuradora da República Raquel Dodge anexou ao pedido de abertura de inquérito da Operação Caixa de Pandora, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma coleção de vídeos que, de acordo com a investigação, revelam em detalhes como funcionava a máquina de arrecadação e distribuição de propina no governo do Distrito Federal.
O primeiro dos 30 vídeos expõe o governador José Roberto Arruda (DEM) como suposto "chefe da quadrilha", atuando desde o tempo em que era deputado federal, de 2003 a 2006, e depois eleito para o comando do DF.
Segundo apuração da Polícia Federal, Arruda se beneficiava diretamente da cobrança de propinas em cumplicidade com o governo anterior, de Joaquim Roriz (2003-2006), que lhe teria dado carta branca para operar com o cabeça do esquema, o então presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) Durval Barbosa. Depois de ser caixa de campanha de Arruda, Durval assumiu a Secretaria de Relações Institucionais do governo eleito em 2006.
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Em fita entregue pela procuradoria, governador do DF aparece recebendo maços de dinheiro, em notas de R$ 100
De Vannildo Mendes:
A subprocuradora da República Raquel Dodge anexou ao pedido de abertura de inquérito da Operação Caixa de Pandora, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma coleção de vídeos que, de acordo com a investigação, revelam em detalhes como funcionava a máquina de arrecadação e distribuição de propina no governo do Distrito Federal.
O primeiro dos 30 vídeos expõe o governador José Roberto Arruda (DEM) como suposto "chefe da quadrilha", atuando desde o tempo em que era deputado federal, de 2003 a 2006, e depois eleito para o comando do DF.
Segundo apuração da Polícia Federal, Arruda se beneficiava diretamente da cobrança de propinas em cumplicidade com o governo anterior, de Joaquim Roriz (2003-2006), que lhe teria dado carta branca para operar com o cabeça do esquema, o então presidente da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan) Durval Barbosa. Depois de ser caixa de campanha de Arruda, Durval assumiu a Secretaria de Relações Institucionais do governo eleito em 2006.
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Opinião
Do campo para o mundo
Editorial do Estadão
O Brasil é hoje um dos líderes mundiais do comércio agrícola, ocupando a primeira posição nos embarques de açúcar e de carne bovina e a segunda nas vendas de soja e de carnes de aves. Já era o maior exportador mundial de café, mas até há uns 20 anos a maior parte de sua produção agropecuária era menos competitiva que as das principais potências produtoras. Esse quadro mudou, graças a um persistente esforço de modernização do setor. Um levantamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) conta uma parte dessa história, mostrando o aumento da presença brasileira nas exportações globais entre 1999 e 2007. Uma história mais completa incluiria também um detalhe ignorado pelos brasileiros mais jovens: o suprimento do mercado interno tornou-se muito melhor quando o País se tornou uma potência exportadora e as crises de abastecimento deixaram de ocorrer. Essa coincidência não ocorreu por acaso.
Os números da OMC contam uma história de indiscutível sucesso, mostrando como os exportadores brasileiros, naqueles oito anos, ampliaram sua participação nas exportações mundiais dos seguintes produtos: carne bovina, de 6,8% para 28,4%; carne de frango, de 12,6% para 35,5%; carne suína, de 3,3% para 14,9%; açúcar, de 31,2% para 42,1%; e oleaginosas (principalmente soja), de 16% para 27%.
Para avançar em alguns setores, os brasileiros tiveram de tomar espaço de grandes exportadores tradicionais. A conquista não foi pacífica. Barreiras protecionistas foram criadas em vários mercados do mundo rico, somando-se aos subsídios concedidos aos produtores.
A prosperidade mundial e o ingresso de centenas de milhões de pessoas no mercado de consumo, em grandes economias emergentes, favoreceram a expansão do comércio de produtos agropecuários nas duas últimas décadas. Mas, apesar das condições favoráveis criadas pela demanda em rápida expansão, houve uma dura concorrência entre os grandes produtores. A competição foi distorcida pelos subsídios e pelos mecanismos de proteção adotados no mundo rico e, em menor proporção, em algumas economias emergentes.
A transformação do Brasil num dos líderes mundiais da exportação agropecuária foi possibilitada por uma combinação de ações políticas e empresariais. Um dos fatores mais importantes foi o trabalho das instituições de pesquisa, amplamente reforçado a partir da criação da Embrapa, nos anos 70. A ocupação do cerrado por agricultores provenientes de outras áreas - principalmente do Sul - intensificou-se nessa mesma época. Nos anos 80, rotulados por economistas como "década perdida", a agropecuária exibiu dinamismo e modernizou-se, graças ao investimento em novas tecnologias e à adoção de melhores práticas de produção. O avanço tecnológico foi particularmente notável, nessa época, na criação de gado de corte e na produção de aves. Isso explica, em boa parte, o sucesso comercial dos dois setores nos anos seguintes. Com o abandono dos controles de preços, a transformação da agropecuária acelerou-se, nos anos 90, e o Brasil pôde firmar sua posição como grande exportador.
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Editorial do Estadão
O Brasil é hoje um dos líderes mundiais do comércio agrícola, ocupando a primeira posição nos embarques de açúcar e de carne bovina e a segunda nas vendas de soja e de carnes de aves. Já era o maior exportador mundial de café, mas até há uns 20 anos a maior parte de sua produção agropecuária era menos competitiva que as das principais potências produtoras. Esse quadro mudou, graças a um persistente esforço de modernização do setor. Um levantamento da Organização Mundial do Comércio (OMC) conta uma parte dessa história, mostrando o aumento da presença brasileira nas exportações globais entre 1999 e 2007. Uma história mais completa incluiria também um detalhe ignorado pelos brasileiros mais jovens: o suprimento do mercado interno tornou-se muito melhor quando o País se tornou uma potência exportadora e as crises de abastecimento deixaram de ocorrer. Essa coincidência não ocorreu por acaso.
Os números da OMC contam uma história de indiscutível sucesso, mostrando como os exportadores brasileiros, naqueles oito anos, ampliaram sua participação nas exportações mundiais dos seguintes produtos: carne bovina, de 6,8% para 28,4%; carne de frango, de 12,6% para 35,5%; carne suína, de 3,3% para 14,9%; açúcar, de 31,2% para 42,1%; e oleaginosas (principalmente soja), de 16% para 27%.
Para avançar em alguns setores, os brasileiros tiveram de tomar espaço de grandes exportadores tradicionais. A conquista não foi pacífica. Barreiras protecionistas foram criadas em vários mercados do mundo rico, somando-se aos subsídios concedidos aos produtores.
A prosperidade mundial e o ingresso de centenas de milhões de pessoas no mercado de consumo, em grandes economias emergentes, favoreceram a expansão do comércio de produtos agropecuários nas duas últimas décadas. Mas, apesar das condições favoráveis criadas pela demanda em rápida expansão, houve uma dura concorrência entre os grandes produtores. A competição foi distorcida pelos subsídios e pelos mecanismos de proteção adotados no mundo rico e, em menor proporção, em algumas economias emergentes.
A transformação do Brasil num dos líderes mundiais da exportação agropecuária foi possibilitada por uma combinação de ações políticas e empresariais. Um dos fatores mais importantes foi o trabalho das instituições de pesquisa, amplamente reforçado a partir da criação da Embrapa, nos anos 70. A ocupação do cerrado por agricultores provenientes de outras áreas - principalmente do Sul - intensificou-se nessa mesma época. Nos anos 80, rotulados por economistas como "década perdida", a agropecuária exibiu dinamismo e modernizou-se, graças ao investimento em novas tecnologias e à adoção de melhores práticas de produção. O avanço tecnológico foi particularmente notável, nessa época, na criação de gado de corte e na produção de aves. Isso explica, em boa parte, o sucesso comercial dos dois setores nos anos seguintes. Com o abandono dos controles de preços, a transformação da agropecuária acelerou-se, nos anos 90, e o Brasil pôde firmar sua posição como grande exportador.
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Manchetes do dia
Domingo, 29 / 11 / 2009
Folha de São Paulo
"Criar igreja e se livrar de impostos custa R$ 418"
Religiosos ainda têm direito a prisão especial e dispensa do serviço militar
Bastaram cinco dias úteis e R$ 418,42, somando gastos com cartório e obtenção de CNPJ, para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com o número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, os três fundadores da igreja puderam abrir uma conta bancária e fazer aplicações livres de Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras. Livrar-se de tributos é a principal vantagem material de abrir uma igreja. Conforme a Constituição, templos estão dispensados de taxas como o IPTU (imóveis urbanos), o IPVA (veículos) e o ISS (serviços). No Brasil, ministros religiosos também têm direito a prisão especial e não precisam prestar serviço militar. Segundo defensores, o objetivo das isenções é evitar que o Estado interfira na liberdade de culto.
O Estado de São Paulo
"UNE é suspeita de fraudar convênios"
Entidade recebeu R$ 2,9 milhões do Ministério da Cultura, mas apresentou documentos suspeitos e não prestou contas
Dados do Ministério da Cultura apontam irregularidades da União Nacional dos Estudantes em nove convênios firmados nos últimos dois anos. Nesse período, a UNE recebeu R$ 2,9 milhões do ministério. O repórter Leandro Colon analisou dois desses convênios, ambos com prazo de prestação de contas já expirado. A organização recebeu R$ 342 mil para realizar seu congresso nacional em Brasília. Para obter o dinheiro, apresentou orçamentos de duas supostas empresas de Salvador. No endereço de uma delas, não funciona nenhuma empresa. No da outra, não há nenhum empregado. O ministério também repassou R$ 435 mil para a produção de um livro e um documentário. O prazo venceu em junho, mas até hoje a UNE não concluiu o projeto nem entregou notas fiscais e extratos bancários referentes a sua execução.
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Folha de São Paulo
"Criar igreja e se livrar de impostos custa R$ 418"
Religiosos ainda têm direito a prisão especial e dispensa do serviço militar
Bastaram cinco dias úteis e R$ 418,42, somando gastos com cartório e obtenção de CNPJ, para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com o número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, os três fundadores da igreja puderam abrir uma conta bancária e fazer aplicações livres de Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras. Livrar-se de tributos é a principal vantagem material de abrir uma igreja. Conforme a Constituição, templos estão dispensados de taxas como o IPTU (imóveis urbanos), o IPVA (veículos) e o ISS (serviços). No Brasil, ministros religiosos também têm direito a prisão especial e não precisam prestar serviço militar. Segundo defensores, o objetivo das isenções é evitar que o Estado interfira na liberdade de culto.
O Estado de São Paulo
"UNE é suspeita de fraudar convênios"
Entidade recebeu R$ 2,9 milhões do Ministério da Cultura, mas apresentou documentos suspeitos e não prestou contas
Dados do Ministério da Cultura apontam irregularidades da União Nacional dos Estudantes em nove convênios firmados nos últimos dois anos. Nesse período, a UNE recebeu R$ 2,9 milhões do ministério. O repórter Leandro Colon analisou dois desses convênios, ambos com prazo de prestação de contas já expirado. A organização recebeu R$ 342 mil para realizar seu congresso nacional em Brasília. Para obter o dinheiro, apresentou orçamentos de duas supostas empresas de Salvador. No endereço de uma delas, não funciona nenhuma empresa. No da outra, não há nenhum empregado. O ministério também repassou R$ 435 mil para a produção de um livro e um documentário. O prazo venceu em junho, mas até hoje a UNE não concluiu o projeto nem entregou notas fiscais e extratos bancários referentes a sua execução.
Sábado, Novembro 28, 2009
Honduras
Fim do imbróglio
Sidney Borges
Amanhã é dia de eleição em Honduras. O Brasil é contra. A Venezuela também. Os Estados Unidos são a favor e vão reconhecer o novo governo. Vai sobrar um Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O que fazer com ele?
César Benjamin afirmou que Lula teria assediado sexualmente um colega de cela. Na blogosfera e no Twitter a coisa está fervendo. Não acredito, mas quem acusa tem o ônus da prova. Nem imagino o que Lula poderia fazer com esse termo em dia de improvisação.
Amanhã além de eleições em Honduras teremos a penúltima rodada do brasileirão. O Corinthians deve perder do Flamengo de quem é freguês habitual. O Timão parece Ismália na torre. No sonho em que se perdeu só contempla a Libertadores de 2010.
Cabe ao São Paulo fazer a lição de casa e frustar os cariocas, só depende dele. Ganhando do Goiás a taça vai pro Morumbi.
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Sidney Borges
Amanhã é dia de eleição em Honduras. O Brasil é contra. A Venezuela também. Os Estados Unidos são a favor e vão reconhecer o novo governo. Vai sobrar um Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O que fazer com ele?
César Benjamin afirmou que Lula teria assediado sexualmente um colega de cela. Na blogosfera e no Twitter a coisa está fervendo. Não acredito, mas quem acusa tem o ônus da prova. Nem imagino o que Lula poderia fazer com esse termo em dia de improvisação.
Amanhã além de eleições em Honduras teremos a penúltima rodada do brasileirão. O Corinthians deve perder do Flamengo de quem é freguês habitual. O Timão parece Ismália na torre. No sonho em que se perdeu só contempla a Libertadores de 2010.
Cabe ao São Paulo fazer a lição de casa e frustar os cariocas, só depende dele. Ganhando do Goiás a taça vai pro Morumbi.
Cães

Britânico Adam Morley passeia em um parque no Reino Unido com 18 dálmatas. Recorde mundial, a ninhada nasceu em janeiro. A mãe dos filhotes, a cadela Button, é filha de um cão que 'atuou' no filme 'Os 102 Dálmatas', seqüência de '101 Dálmatas'. (Foto: Reprodução/Daily Mail)
Testemunha
Tendler: "Só um débil mental não viu que era piada do Lula"
Bob Fernandes
César Benjamin, 55 anos, é ex-preso político e um dos fundadores do PT. Na sexta-feira, 27, Benjamin escreveu um artigo na Folha de S. Paulo e acusou o hoje presidente Lula de ter revelado, em 1994, uma tentativa de estupro dele, Lula, contra um "menino do MEP". Tentativa que teria acontecido em 1980, quando o então líder sindical Lula esteve preso por 30 dias, e na mesma prisão, com o jovem da organização de esquerda que já não existe, o MEP. César Benjamin cita, em seu texto, uma testemunha, "um publicitário brasileiro que trabalhava conosco cujo nome também esqueci".
O "publicitário" é o cineasta Silvio Tendler, que em 1994 trabalhou na campanha de Lula à presidência da República. De início, afirma Tendler:
- Ele diz não se lembrar de quem era o "publicitário", mas sabe muito bem que sou eu. Eu estava lá e vou contar essa história...
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Bob Fernandes
César Benjamin, 55 anos, é ex-preso político e um dos fundadores do PT. Na sexta-feira, 27, Benjamin escreveu um artigo na Folha de S. Paulo e acusou o hoje presidente Lula de ter revelado, em 1994, uma tentativa de estupro dele, Lula, contra um "menino do MEP". Tentativa que teria acontecido em 1980, quando o então líder sindical Lula esteve preso por 30 dias, e na mesma prisão, com o jovem da organização de esquerda que já não existe, o MEP. César Benjamin cita, em seu texto, uma testemunha, "um publicitário brasileiro que trabalhava conosco cujo nome também esqueci".
O "publicitário" é o cineasta Silvio Tendler, que em 1994 trabalhou na campanha de Lula à presidência da República. De início, afirma Tendler:
- Ele diz não se lembrar de quem era o "publicitário", mas sabe muito bem que sou eu. Eu estava lá e vou contar essa história...
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Deu na Folha
Foi uma piada
Da colunista Mônica Bergamo (original aqui)
O cineasta Silvio Tendler diz ser ele o "publicitário brasileiro" de quem o editor César Benjamin afirma não se lembrar no artigo publicado ontem na Folha sobre a campanha de Lula em 1994.
Nele, Benjamin relata conversa em que Lula teria revelado como tentou subjugar um preso nos 30 dias em que esteve detido, na época da ditadura militar. "Aquilo foi uma brincadeira, uma piada que ele tenta transformar em drama", diz Tendler. "Se o cara [Benjamin] não consegue entender piadas, é complicado. Ele deveria ganhar o troféu de loira do ano."
Tendler diz que a conversa era "uma brincadeira como outras 300" que Lula fazia todos os dias. "Não tinha nada do tom dramático que ele [Benjamin] quer dar. O cara deve estar muito ressentido para sacar isso com 30 anos de atraso."
(Comentário de Ricardo Noblat: O publicitário Paulo de Tarso, que segundo Benjamin testemunhou sua conversa com Lula, negou em nota oficial que Lula tivesse dito qualquer coisa a esse respeito. Tendler afirma que "aquilo foi uma brincadeira, uma piada..." Dá a entender, portanto, que Lula disse em tom de brincadeira o que Benjamin levou a sério. O tal preso, supostamente assediado por Lula, disse à VEJA que tudo isso "é um mar de lama". E que cabe a Benjamin provar que falou a verdade.)
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Da colunista Mônica Bergamo (original aqui)
O cineasta Silvio Tendler diz ser ele o "publicitário brasileiro" de quem o editor César Benjamin afirma não se lembrar no artigo publicado ontem na Folha sobre a campanha de Lula em 1994.
Nele, Benjamin relata conversa em que Lula teria revelado como tentou subjugar um preso nos 30 dias em que esteve detido, na época da ditadura militar. "Aquilo foi uma brincadeira, uma piada que ele tenta transformar em drama", diz Tendler. "Se o cara [Benjamin] não consegue entender piadas, é complicado. Ele deveria ganhar o troféu de loira do ano."
Tendler diz que a conversa era "uma brincadeira como outras 300" que Lula fazia todos os dias. "Não tinha nada do tom dramático que ele [Benjamin] quer dar. O cara deve estar muito ressentido para sacar isso com 30 anos de atraso."
(Comentário de Ricardo Noblat: O publicitário Paulo de Tarso, que segundo Benjamin testemunhou sua conversa com Lula, negou em nota oficial que Lula tivesse dito qualquer coisa a esse respeito. Tendler afirma que "aquilo foi uma brincadeira, uma piada..." Dá a entender, portanto, que Lula disse em tom de brincadeira o que Benjamin levou a sério. O tal preso, supostamente assediado por Lula, disse à VEJA que tudo isso "é um mar de lama". E que cabe a Benjamin provar que falou a verdade.)
Opinião
O fracasso da cúpula de Manaus
Editorial do Estadão
Seis chefes de governo sul-americanos, cada qual agindo por conta própria, deram um choque de realidade no presidente Lula, ao se ausentarem da cúpula dos países amazônicos sobre mudança climática, concluída sexta-feira em Manaus, para a qual ele os convidara pessoalmente. A reunião deveria definir uma posição comum do grupo de oito membros, além da Guiana Francesa, departamento de Ultramar do país europeu, para a próxima conferência mundial sobre o clima em Copenhague. Só o francês Nicolas Sarkozy e o presidente da Guiana (ex-inglesa), Bharrat Jagdeo, atenderam ao convite. Até o presidente do Suriname, Ronald Venetiaan, alegou problemas de agenda para ficar em casa. O mesmo fez o peruano Alan García. O colombiano Álvaro Uribe avisou que não poderia ir porque caiu do cavalo. O boliviano Evo Morales alegou que estava absorvido com questões políticas locais. O equatoriano Rafael Correa tinha viajado para a Bélgica.
Nem sequer o venezuelano Hugo Chávez, que não perde uma, deu o ar de sua espaçosa graça. De última hora, avisou que teria de ficar em Caracas para se despedir do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e receber o palestino Mahmoud Abbas. Esvaziado, o encontro terminou sem a costumeira foto oficial dos participantes. Afinal, não ficaria bem para Lula e Sarkozy posar ao lado de uma penca de ilustres desconhecidos - os ministros que representavam os ausentes. A presença de Sarkozy não enganou ninguém. Quando Lula lhe perguntou quando poderia vir, respondeu que qualquer dia era bom. Pudera: ele está para vender ao Brasil 36 caças Rafale - um negócio de R$ 10 bilhões. Em setembro, antecipando-se à avaliação técnica da FAB (empresas americanas e suecas também fizeram as suas ofertas), Lula disse que preferia os jatos franceses. Se amanhã ele o chamar para uma conversa na Papuásia, Sarkozy irá correndo.
O presidente ainda tentou tapar o sol com peneira, ao dizer que "o documento que assinamos hoje (a Declaração de Manaus, que cobra dos ricos a fatura da preservação das florestas) tem a mesma validade que teria se estivessem presentes todos os presidentes", porque os seus ministros tinham plenos poderes para esse fim. Conversa. Ele conhece perfeitamente a importância dos símbolos na política e na diplomacia - nesse plano, nove líderes dando-se as mãos é muito diferente da patética cena em que um contrafeito Lula aparece segurando Sarkozy e o guianês Jagdeo. No seu discurso, o brasileiro achou que era o caso de fazer um afago nos faltosos. O documento, assinalou, "vai balizar o comportamento da América do Sul em Copenhague, sem que nenhum dos países abra mão de sua soberania".
E ainda arrematou: "A soberania dos Estados é intocável." Não é bem assim, como se sabe. Quando se comprometem com um tratado internacional, as nações autolimitam a própria soberania. No caso de Copenhague, os vizinhos em que Lula pensava não querem ser tangidos pelo Brasil - ou, menos ainda, ser caudatários da parceria franco-brasileira na matéria. Uma fonte do próprio governo brasileiro reconheceu que é nulo na região o interesse pelo tema das mudanças climáticas. Julgue-se como se queira essa atitude, mas ela é um exemplo dos inumeráveis obstáculos às pretensões de liderança do presidente Lula - dos quais parece não se dar conta. Decerto ele imagina que a nova imagem do Brasil no mundo, combinada com o seu inquestionável carisma, lhe confere uma voz de comando cujo alcance só depende da sua insistência em usá-la. Lula confunde as coisas, porém. Ele é paparicado pelos interlocutores estrangeiros, ou quando eles têm a ganhar com isso (caso de Sarkozy) ou quando isso não lhes custa nada (caso de Ahmadinejad). Mas as demonstrações gratuitas de prestígio cessam quando a realidade dos interesses nacionais cobra o seu preço.
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Editorial do Estadão
Seis chefes de governo sul-americanos, cada qual agindo por conta própria, deram um choque de realidade no presidente Lula, ao se ausentarem da cúpula dos países amazônicos sobre mudança climática, concluída sexta-feira em Manaus, para a qual ele os convidara pessoalmente. A reunião deveria definir uma posição comum do grupo de oito membros, além da Guiana Francesa, departamento de Ultramar do país europeu, para a próxima conferência mundial sobre o clima em Copenhague. Só o francês Nicolas Sarkozy e o presidente da Guiana (ex-inglesa), Bharrat Jagdeo, atenderam ao convite. Até o presidente do Suriname, Ronald Venetiaan, alegou problemas de agenda para ficar em casa. O mesmo fez o peruano Alan García. O colombiano Álvaro Uribe avisou que não poderia ir porque caiu do cavalo. O boliviano Evo Morales alegou que estava absorvido com questões políticas locais. O equatoriano Rafael Correa tinha viajado para a Bélgica.
Nem sequer o venezuelano Hugo Chávez, que não perde uma, deu o ar de sua espaçosa graça. De última hora, avisou que teria de ficar em Caracas para se despedir do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e receber o palestino Mahmoud Abbas. Esvaziado, o encontro terminou sem a costumeira foto oficial dos participantes. Afinal, não ficaria bem para Lula e Sarkozy posar ao lado de uma penca de ilustres desconhecidos - os ministros que representavam os ausentes. A presença de Sarkozy não enganou ninguém. Quando Lula lhe perguntou quando poderia vir, respondeu que qualquer dia era bom. Pudera: ele está para vender ao Brasil 36 caças Rafale - um negócio de R$ 10 bilhões. Em setembro, antecipando-se à avaliação técnica da FAB (empresas americanas e suecas também fizeram as suas ofertas), Lula disse que preferia os jatos franceses. Se amanhã ele o chamar para uma conversa na Papuásia, Sarkozy irá correndo.
O presidente ainda tentou tapar o sol com peneira, ao dizer que "o documento que assinamos hoje (a Declaração de Manaus, que cobra dos ricos a fatura da preservação das florestas) tem a mesma validade que teria se estivessem presentes todos os presidentes", porque os seus ministros tinham plenos poderes para esse fim. Conversa. Ele conhece perfeitamente a importância dos símbolos na política e na diplomacia - nesse plano, nove líderes dando-se as mãos é muito diferente da patética cena em que um contrafeito Lula aparece segurando Sarkozy e o guianês Jagdeo. No seu discurso, o brasileiro achou que era o caso de fazer um afago nos faltosos. O documento, assinalou, "vai balizar o comportamento da América do Sul em Copenhague, sem que nenhum dos países abra mão de sua soberania".
E ainda arrematou: "A soberania dos Estados é intocável." Não é bem assim, como se sabe. Quando se comprometem com um tratado internacional, as nações autolimitam a própria soberania. No caso de Copenhague, os vizinhos em que Lula pensava não querem ser tangidos pelo Brasil - ou, menos ainda, ser caudatários da parceria franco-brasileira na matéria. Uma fonte do próprio governo brasileiro reconheceu que é nulo na região o interesse pelo tema das mudanças climáticas. Julgue-se como se queira essa atitude, mas ela é um exemplo dos inumeráveis obstáculos às pretensões de liderança do presidente Lula - dos quais parece não se dar conta. Decerto ele imagina que a nova imagem do Brasil no mundo, combinada com o seu inquestionável carisma, lhe confere uma voz de comando cujo alcance só depende da sua insistência em usá-la. Lula confunde as coisas, porém. Ele é paparicado pelos interlocutores estrangeiros, ou quando eles têm a ganhar com isso (caso de Sarkozy) ou quando isso não lhes custa nada (caso de Ahmadinejad). Mas as demonstrações gratuitas de prestígio cessam quando a realidade dos interesses nacionais cobra o seu preço.
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Manchetes do dia
Sábado, 28 / 11 / 2009
Folha de São Paulo
"Governo do DF é acusado de corrupção"
Segundo a PF, secretário gravou pedido de distribuir R$ 400 mil a aliados; Arruda (DEM) nega acusação
A Polícia Federal realizou ontem operação contra um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM-DF). O inquérito cita que existe gravação em que Arruda solicita a seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que distribua R$ 400 mil a aliados. Arruda foi gravado pelo próprio Barbosa, que, investigado por supostos crimes relacionados a desvio de verbas públicas, passou a ser um colaborador da Justiça. A polícia cumpriu 16 mandados de busca e apreensão de documentos em Goiás e Minas Gerais, além de Brasília. O inquérito está no Superior Tribunal de Justiça. O dinheiro veio, segundo a PF, de empresas de informática contratadas pelo governo. Os policiais apreenderam R$ 700 mil, além de US$ 30 mil e 5 mil euros. Arruda negou envolvimento. Disse que irregularidades vêm da gestão anterior. Demitiu Barbosa, afastou outros acusados e prometeu ajudar a PF.
O Estado de São Paulo
"Polícia flagra ‘mensalão do DEM’ no governo do DF"
Suposto esquema teria até mesmo participação do governador Arruda
Uma investigação da Polícia Federal flagrou no governo José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal, um suposto esquema de cobrança de propinas e distribuição do dinheiro pela base aliada, numa espécie de mensalão que envolve ao menos quatro secretários e quatro deputados distritais. O próprio Arruda aparece em documentos orientando o secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais) a “entregar R$ 400 mil a Maciel, para pagamento da base aliada” – em referência a José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil de Arruda. O trabalho da PF contou com a colaboração de Barbosa. O governador puniu os secretários envolvidos e informou que não pretende renunciar. A liderança do DEM disse que só se posicionará quando souber do teor das investigações.
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Folha de São Paulo
"Governo do DF é acusado de corrupção"
Segundo a PF, secretário gravou pedido de distribuir R$ 400 mil a aliados; Arruda (DEM) nega acusação
A Polícia Federal realizou ontem operação contra um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM-DF). O inquérito cita que existe gravação em que Arruda solicita a seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que distribua R$ 400 mil a aliados. Arruda foi gravado pelo próprio Barbosa, que, investigado por supostos crimes relacionados a desvio de verbas públicas, passou a ser um colaborador da Justiça. A polícia cumpriu 16 mandados de busca e apreensão de documentos em Goiás e Minas Gerais, além de Brasília. O inquérito está no Superior Tribunal de Justiça. O dinheiro veio, segundo a PF, de empresas de informática contratadas pelo governo. Os policiais apreenderam R$ 700 mil, além de US$ 30 mil e 5 mil euros. Arruda negou envolvimento. Disse que irregularidades vêm da gestão anterior. Demitiu Barbosa, afastou outros acusados e prometeu ajudar a PF.
O Estado de São Paulo
"Polícia flagra ‘mensalão do DEM’ no governo do DF"
Suposto esquema teria até mesmo participação do governador Arruda
Uma investigação da Polícia Federal flagrou no governo José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal, um suposto esquema de cobrança de propinas e distribuição do dinheiro pela base aliada, numa espécie de mensalão que envolve ao menos quatro secretários e quatro deputados distritais. O próprio Arruda aparece em documentos orientando o secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais) a “entregar R$ 400 mil a Maciel, para pagamento da base aliada” – em referência a José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil de Arruda. O trabalho da PF contou com a colaboração de Barbosa. O governador puniu os secretários envolvidos e informou que não pretende renunciar. A liderança do DEM disse que só se posicionará quando souber do teor das investigações.
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Editorial
Acusação grave sem provas
Sidney Borges
Estou pasmo com a acusação feita pelo fundador do PT, César Benjamin, contra o presidente Lula. Estou mais pasmo ainda com a Folha por ter publicado. Pensei muito antes do colocar o texto no Ubatuba Víbora e só o fiz depois que se tornou público. Pela reação de Gilberto Carvalho, assessor de Lula, o governo vai absorver o golpe e esquecer o fato. O procedimento da Folha é questionável. O do governo também. Depois que a dança começa há que se dançar. Benjamin mentiu? Deve pagar pela mentira. No texto foram citadas testemunhas. Pelo teor das acusações deveriam ter sido ouvidas antes da publicação, vale para qualquer cidadão com a honra em cheque. Deveria valer para o presidente da República. Jornalismo implica em responsabilidade. A Folha não agiu de acordo com o manual da boa educação e passou longe do manual de jornalismo. Enfim, foi coisa "das esquerdas", um comunista acusou um ex-lider sindical de desvio sexual. Eles que são brancos que se entendam...
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Sidney Borges
Estou pasmo com a acusação feita pelo fundador do PT, César Benjamin, contra o presidente Lula. Estou mais pasmo ainda com a Folha por ter publicado. Pensei muito antes do colocar o texto no Ubatuba Víbora e só o fiz depois que se tornou público. Pela reação de Gilberto Carvalho, assessor de Lula, o governo vai absorver o golpe e esquecer o fato. O procedimento da Folha é questionável. O do governo também. Depois que a dança começa há que se dançar. Benjamin mentiu? Deve pagar pela mentira. No texto foram citadas testemunhas. Pelo teor das acusações deveriam ter sido ouvidas antes da publicação, vale para qualquer cidadão com a honra em cheque. Deveria valer para o presidente da República. Jornalismo implica em responsabilidade. A Folha não agiu de acordo com o manual da boa educação e passou longe do manual de jornalismo. Enfim, foi coisa "das esquerdas", um comunista acusou um ex-lider sindical de desvio sexual. Eles que são brancos que se entendam...
Meus sais. Tem maluco no pedaço...
Lula diz que acusações de fundador do PT são 'loucura'
Do site Terra:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "loucura" o episódio narrado em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo segundo o qual ele próprio, quando esteve preso em 1980, teria tentado estuprar um colega de cela.
Lula, que tomou conhecimento na manhã desta quinta-feira das declarações do autor do artigo, César Benjamin, está, conforme explicou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, "triste, abatido e sem entender" o motivo do ataque.
"Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura", disse Carvalho, ressaltando que não existe intenção de processar Benjamin, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).
"Não vamos dar a mínima importância (ao episódio). Vamos nos sujar se fizermos isso. Quando a coisa é séria a gente reage. Quando não é (ignoramos)", disse.
O artigo de Benjamin, que militou no movimento estudantil, afirma que Lula disse ter tentado "subjugar" um colega de cela quando ficou preso por cerca de um mês. O texto narra uma conversa que o autor diz ter tido com o então candidato à Presidência da República, em 1994.
Benjamin afirma que Lula perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Surpreendido com a resposta de que o autor passou "alguns anos na prisão", o presidente teria dito: "Eu não aguentaria. Não vivo sem buceta". Segundo o artigo, a vítima era conhecida por "menino do MEP", em referência a uma extinta organização de esquerda. Benjamin afirma que Lula teria ficado surpreso com a resistência do menino, "que frustrara a investida com cotoveladas e socos". Segundo o autor do artigo, estavam na mesa da conversa o publicitário Paulo de Tarso e o segurança de Lula.
De acordo com Gilberto Carvalho, ele próprio conversou com o empresário Paulo de Tarso, que negou a veracidade do episódio. "Falei com o Paulo de Tarso, e ele disse que não dá pra entender o que deu na cabeça desse menino (César Benjamin)".
-------------------
Assim Benjamin é apresentado pela Folha:
"César Benjamin, 55 anos, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995.
Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha."
Eis o polêmico trecho do artigo dele:
"São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal.
O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?"
"Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou:
"Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir.
Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer.
Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu." (Do Blog do Noblat)
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Do site Terra:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "loucura" o episódio narrado em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo segundo o qual ele próprio, quando esteve preso em 1980, teria tentado estuprar um colega de cela.
Lula, que tomou conhecimento na manhã desta quinta-feira das declarações do autor do artigo, César Benjamin, está, conforme explicou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, "triste, abatido e sem entender" o motivo do ataque.
"Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura", disse Carvalho, ressaltando que não existe intenção de processar Benjamin, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).
"Não vamos dar a mínima importância (ao episódio). Vamos nos sujar se fizermos isso. Quando a coisa é séria a gente reage. Quando não é (ignoramos)", disse.
O artigo de Benjamin, que militou no movimento estudantil, afirma que Lula disse ter tentado "subjugar" um colega de cela quando ficou preso por cerca de um mês. O texto narra uma conversa que o autor diz ter tido com o então candidato à Presidência da República, em 1994.
Benjamin afirma que Lula perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Surpreendido com a resposta de que o autor passou "alguns anos na prisão", o presidente teria dito: "Eu não aguentaria. Não vivo sem buceta". Segundo o artigo, a vítima era conhecida por "menino do MEP", em referência a uma extinta organização de esquerda. Benjamin afirma que Lula teria ficado surpreso com a resistência do menino, "que frustrara a investida com cotoveladas e socos". Segundo o autor do artigo, estavam na mesa da conversa o publicitário Paulo de Tarso e o segurança de Lula.
De acordo com Gilberto Carvalho, ele próprio conversou com o empresário Paulo de Tarso, que negou a veracidade do episódio. "Falei com o Paulo de Tarso, e ele disse que não dá pra entender o que deu na cabeça desse menino (César Benjamin)".
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Assim Benjamin é apresentado pela Folha:
"César Benjamin, 55 anos, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995.
Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha."
Eis o polêmico trecho do artigo dele:
"São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal.
O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?"
"Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou:
"Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir.
Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer.
Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu." (Do Blog do Noblat)
Brasil
Teoria e Prática
Sidney Borges
The Economist é uma revista semanal inglesa de assuntos internacionais. Sua posição editorial é clara: faz a defesa do livre-comércio, do internacionalismo e da mínima interferência do governo, especialmente nos negócios de mercado". Pode-se dizer que a revista é favorável ao neoliberalismo.
O governo do PT sempre afirmou ser contra o neoliberalismo.
A The Economist aprova o governo do PT. Diz em editorial que além de sério é um exemplo de responsabilidade.
Entendeu? Ou a The Economist aderiu ao PIG e tenta difamar o governo Lula, ou o governo Lula diz uma coisa e faz outra. Capitalistas daqui e de fora não se importam, amam o governo que embora afirme detestar o neoliberalismo usa a prática neoliberal com excelentes resultados. Lula lá...
Twitter
Sidney Borges
The Economist é uma revista semanal inglesa de assuntos internacionais. Sua posição editorial é clara: faz a defesa do livre-comércio, do internacionalismo e da mínima interferência do governo, especialmente nos negócios de mercado". Pode-se dizer que a revista é favorável ao neoliberalismo.
O governo do PT sempre afirmou ser contra o neoliberalismo.
A The Economist aprova o governo do PT. Diz em editorial que além de sério é um exemplo de responsabilidade.
Entendeu? Ou a The Economist aderiu ao PIG e tenta difamar o governo Lula, ou o governo Lula diz uma coisa e faz outra. Capitalistas daqui e de fora não se importam, amam o governo que embora afirme detestar o neoliberalismo usa a prática neoliberal com excelentes resultados. Lula lá...
Frases
"A gente não é como aqueles que fala eu mato a cobra e mostro o pau. Ora, quem mata a cobra e mostra o pau não mostrou a cobra morta. Aqui, a gente mata a cobra e mostra a bichinha morta.”
Lula, sobre a proposta brasileira para redução do efeito estufa
Twitter
Lula, sobre a proposta brasileira para redução do efeito estufa
Economia
Crise no deserto
Sidney Borges
A empresa de investimentos estatal de Dubai, a Dubai World, pediu ontem, quinta-feira, aos credores, um prazo de seis meses para pagar dívidas de U$59 bilhões, relacionadas ao rápido desenvolvimento do emirado. A "quebra" estremeceu mercados em todo o mundo e há quem tema uma nova crise.
E eu que pensava que o dinheiro era proveniente do petróleo. Árabes gostam de exibir riquezas, andam joiados como diz o filósofo cearense Falcão. Quem viu o último GP de Fórmula 1 certamente ficou impressionado com a pujança dos executivos que transformaram o deserto em jardim. Fazer não foi difícil, pagar a conta são outros quinhentos.
Um sinal de estranheza me foi passado por um amigo que vive na região. Segundo ele, brasileiros que lá trabalham compraram apartamentos na planta, investindo economias de anos de trabalho. O incorporador era aparentemente confiável, ministro do governo e membro da mais alta dinastia do país.
Um belo dia as obras que mal tinham sido iniciadas pararam. O dono da bola embolsou a grana e deu uma banana aos compradores. Deve estar exibindo anéis de ouro e carros dourados em Monte Carlo. Para os lesados resta silenciar afim de manter os empregos. Não há onde nem com quem reclamar.
Twitter
Sidney Borges
A empresa de investimentos estatal de Dubai, a Dubai World, pediu ontem, quinta-feira, aos credores, um prazo de seis meses para pagar dívidas de U$59 bilhões, relacionadas ao rápido desenvolvimento do emirado. A "quebra" estremeceu mercados em todo o mundo e há quem tema uma nova crise.
E eu que pensava que o dinheiro era proveniente do petróleo. Árabes gostam de exibir riquezas, andam joiados como diz o filósofo cearense Falcão. Quem viu o último GP de Fórmula 1 certamente ficou impressionado com a pujança dos executivos que transformaram o deserto em jardim. Fazer não foi difícil, pagar a conta são outros quinhentos.
Um sinal de estranheza me foi passado por um amigo que vive na região. Segundo ele, brasileiros que lá trabalham compraram apartamentos na planta, investindo economias de anos de trabalho. O incorporador era aparentemente confiável, ministro do governo e membro da mais alta dinastia do país.
Um belo dia as obras que mal tinham sido iniciadas pararam. O dono da bola embolsou a grana e deu uma banana aos compradores. Deve estar exibindo anéis de ouro e carros dourados em Monte Carlo. Para os lesados resta silenciar afim de manter os empregos. Não há onde nem com quem reclamar.
Verdurama
Grampos de sequestro indicariam rede de propina em 5 Estados
Terra Brasil (original aqui)
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e realizadas pela Polícia Civil para investigar um sequestro interceptaram conversas que podem provar pagamento de propinas e financiamento ilegal de campanha políticas em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. O grupo investigado faria parte de uma suposta quadrilha que fraudava licitações de fornecimento de merendas em cidades desses Estados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O caso começou em 25 de agosto, quando uma empresária foi sequestrada em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Ela foi solta no dia 20 setembro, mas, no período em que as ligações entre os suspeitos pelo sequestro foram gravadas - entre 2 e 17 de setembro -, as conversas indicaram práticas como remuneração de secretários municipais e emissão de recibos de valores maiores do que as quantias mencionadas. O dinheiro para os pagamentos a políticos e autoridades teria saído das empresas Verdurama e a SP Alimentação.
Leia aqui a matéria do Estadão
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Terra Brasil (original aqui)
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e realizadas pela Polícia Civil para investigar um sequestro interceptaram conversas que podem provar pagamento de propinas e financiamento ilegal de campanha políticas em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. O grupo investigado faria parte de uma suposta quadrilha que fraudava licitações de fornecimento de merendas em cidades desses Estados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O caso começou em 25 de agosto, quando uma empresária foi sequestrada em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Ela foi solta no dia 20 setembro, mas, no período em que as ligações entre os suspeitos pelo sequestro foram gravadas - entre 2 e 17 de setembro -, as conversas indicaram práticas como remuneração de secretários municipais e emissão de recibos de valores maiores do que as quantias mencionadas. O dinheiro para os pagamentos a políticos e autoridades teria saído das empresas Verdurama e a SP Alimentação.
Leia aqui a matéria do Estadão
Coluna do Celsinho
Ninja
Celso de Almeida Jr.
Nesta semana recebi, no Colégio Dominique, a visita de Adriano Silva, presidente do Aeroclube Regional de Taubaté e de César Rodrigues, Coordenador da Escola de Aviação Civil de Taubaté - EACT.
Eles vieram formalizar o convênio com a nossa escola para a implantação do primeiro Ninja – Núcleo Infantojuvenil de Aviação.
A idéia do Aeroclube é implantar o Ninja em diversas instituições de ensino da região, a partir de 2011.
Neste sentido, Ubatuba saiu na frente, já que o projeto piloto será desenvolvido aqui, em 2010.
Na oportunidade da visita, promoveram uma interessante palestra aos nossos alunos, procurando despertar a atenção para o promissor mercado aeronáutico e o fascinante ato de voar.
Imagine leitor, o entusiasmo da garotada.
Já posso vislumbrar, que num futuro próximo, muitos de nossos jovens seguirão esta carreira que apresenta tantas oportunidades.
Nesse momento, estamos montando a equipe de professores que garantirá o sucesso do Ninja.
Todos irão trabalhar sob a supervisão permanente da EACT, garantindo a excelência do projeto.
O coordenador do Ninja em Ubatuba, aprovado pela EACT, o ex-piloto do Esquadrão Pelicano da FAB, professor Lemar Gonçalves, também deu um belo recado para os nossos estudantes.
Rememorou que, nos tempos de início de carreira, estava com Ozires Silva, o grande brasileiro que contribuiu para o sucesso de nossa indústria aeronáutica.
Num episódio de trânsito, onde a falha de um semáforo exigiu um esforço gigante de um guarda de trânsito, Lemar comentou que a máquina era sempre mais eficiente que o homem. Naquele instante, Ozires discordou, argumentando que o homem é sempre melhor que a máquina, necessitando, porém, de constante capacitação, de treinamento.
Lemar citou que esta foi uma bela lição colhida com Ozires, que ele não poderia deixar de compartilhar com nossos futuros aviadores.
Como se vê, prezado leitor, o Ninja não ambiciona apenas ser um grande fomentador das técnicas aeronáuticas, mas, como núcleo de ensino que é, contribuir para a sólida formação cidadã de nossos jovens.
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Celso de Almeida Jr.
Nesta semana recebi, no Colégio Dominique, a visita de Adriano Silva, presidente do Aeroclube Regional de Taubaté e de César Rodrigues, Coordenador da Escola de Aviação Civil de Taubaté - EACT.
Eles vieram formalizar o convênio com a nossa escola para a implantação do primeiro Ninja – Núcleo Infantojuvenil de Aviação.
A idéia do Aeroclube é implantar o Ninja em diversas instituições de ensino da região, a partir de 2011.
Neste sentido, Ubatuba saiu na frente, já que o projeto piloto será desenvolvido aqui, em 2010.
Na oportunidade da visita, promoveram uma interessante palestra aos nossos alunos, procurando despertar a atenção para o promissor mercado aeronáutico e o fascinante ato de voar.
Imagine leitor, o entusiasmo da garotada.
Já posso vislumbrar, que num futuro próximo, muitos de nossos jovens seguirão esta carreira que apresenta tantas oportunidades.
Nesse momento, estamos montando a equipe de professores que garantirá o sucesso do Ninja.
Todos irão trabalhar sob a supervisão permanente da EACT, garantindo a excelência do projeto.
O coordenador do Ninja em Ubatuba, aprovado pela EACT, o ex-piloto do Esquadrão Pelicano da FAB, professor Lemar Gonçalves, também deu um belo recado para os nossos estudantes.
Rememorou que, nos tempos de início de carreira, estava com Ozires Silva, o grande brasileiro que contribuiu para o sucesso de nossa indústria aeronáutica.
Num episódio de trânsito, onde a falha de um semáforo exigiu um esforço gigante de um guarda de trânsito, Lemar comentou que a máquina era sempre mais eficiente que o homem. Naquele instante, Ozires discordou, argumentando que o homem é sempre melhor que a máquina, necessitando, porém, de constante capacitação, de treinamento.
Lemar citou que esta foi uma bela lição colhida com Ozires, que ele não poderia deixar de compartilhar com nossos futuros aviadores.
Como se vê, prezado leitor, o Ninja não ambiciona apenas ser um grande fomentador das técnicas aeronáuticas, mas, como núcleo de ensino que é, contribuir para a sólida formação cidadã de nossos jovens.
Opinião
As interrogações no mercado de carbono
Washington Novaes
Que acontecerá com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que é decorrência do Protocolo de Kyoto, se não houver acordo nas negociações da Convenção do Clima em dezembro, em Copenhague, e o mundo ficar sem regras nessa área, já que o protocolo tem prazo até 2012 para ser cumprido? É um tema que preocupa países, empresas, o mercado financeiro. Pelo protocolo e pelo MDL, uma empresa de país desenvolvido que tenha obrigação de reduzir suas emissões pode financiar um projeto em outro país que reduza emissões de gases poluentes e deduzir essa redução de suas emissões próprias. Essa empresa também pode comprar "cotas de carbono" de uma empresa de seu país que tenha ficado com suas emissões abaixo da cota máxima que lhe é permitida. Já há um forte mercado mundial de cotas de carbono, que em 2008 chegou a um total de US$ 126 bilhões. Mais de 5 mil projetos na área foram encaminhados e 1.700, cadastrados, com previsão de reduzir 1,3 bilhão de toneladas de dióxido de carbono. Em 2008 foram negociados cerca de US$ 7 bilhões, segundo o Banco Mundial. E 70% dos projetos são na China e na Índia. Apenas 2% na África.
Num fórum promovido há pouco em Roma pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), com empresários e líderes políticos, a visão dominante foi de que haverá algum acordo em Copenhague, principalmente para permitir que chegue à prática a visão do governo Obama sobre mudanças climáticas e os EUA possam aderir formalmente a esse novo caminho. Mas dificilmente haverá um novo protocolo como o de Kyoto, porque isso exigirá que se aprove também na Dinamarca um mandato de negociação que permita chegar a esse novo documento (o de Kyoto foi negociado com base em mandato aprovado em Berlim em 1995). Mas não é impossível que se aprove uma espécie de prorrogação de Kyoto, com uma nova "tabela" de obrigações (pelo protocolo em vigência, os países industrializados, em conjunto, devem reduzir suas emissões em 5,2% até 2012, calculadas sobre as emissões de 1990). E será crucial que se defina um mecanismo de mercado semelhante ao MDL, para que possam ser mobilizados recursos no mercado financeiro. Nos últimos tempos, com a incerteza do futuro, o preço da tonelada de carbono caiu muito no mercado (inclusive brasileiro) e ficou abaixo do que vigorava em 2006.
A previsão é de que, se forem aceitos em Copenhague compromissos que levem a uma redução de emissões entre 25% e 40% do total até 2020 e 80% até 2050, depois de 2012 será necessário comercializar 560 milhões de toneladas de carbono por ano (hoje, para cumprir Kyoto, está-se por volta de 80 milhões de toneladas). É um assunto relevante para o Brasil. Segundo o Brasil Pnuma, boletim local do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Brasil, China, Índia e México somavam, no início deste ano, 3.218 projetos no âmbito do MDL.
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Washington Novaes
Que acontecerá com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que é decorrência do Protocolo de Kyoto, se não houver acordo nas negociações da Convenção do Clima em dezembro, em Copenhague, e o mundo ficar sem regras nessa área, já que o protocolo tem prazo até 2012 para ser cumprido? É um tema que preocupa países, empresas, o mercado financeiro. Pelo protocolo e pelo MDL, uma empresa de país desenvolvido que tenha obrigação de reduzir suas emissões pode financiar um projeto em outro país que reduza emissões de gases poluentes e deduzir essa redução de suas emissões próprias. Essa empresa também pode comprar "cotas de carbono" de uma empresa de seu país que tenha ficado com suas emissões abaixo da cota máxima que lhe é permitida. Já há um forte mercado mundial de cotas de carbono, que em 2008 chegou a um total de US$ 126 bilhões. Mais de 5 mil projetos na área foram encaminhados e 1.700, cadastrados, com previsão de reduzir 1,3 bilhão de toneladas de dióxido de carbono. Em 2008 foram negociados cerca de US$ 7 bilhões, segundo o Banco Mundial. E 70% dos projetos são na China e na Índia. Apenas 2% na África.
Num fórum promovido há pouco em Roma pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), com empresários e líderes políticos, a visão dominante foi de que haverá algum acordo em Copenhague, principalmente para permitir que chegue à prática a visão do governo Obama sobre mudanças climáticas e os EUA possam aderir formalmente a esse novo caminho. Mas dificilmente haverá um novo protocolo como o de Kyoto, porque isso exigirá que se aprove também na Dinamarca um mandato de negociação que permita chegar a esse novo documento (o de Kyoto foi negociado com base em mandato aprovado em Berlim em 1995). Mas não é impossível que se aprove uma espécie de prorrogação de Kyoto, com uma nova "tabela" de obrigações (pelo protocolo em vigência, os países industrializados, em conjunto, devem reduzir suas emissões em 5,2% até 2012, calculadas sobre as emissões de 1990). E será crucial que se defina um mecanismo de mercado semelhante ao MDL, para que possam ser mobilizados recursos no mercado financeiro. Nos últimos tempos, com a incerteza do futuro, o preço da tonelada de carbono caiu muito no mercado (inclusive brasileiro) e ficou abaixo do que vigorava em 2006.
A previsão é de que, se forem aceitos em Copenhague compromissos que levem a uma redução de emissões entre 25% e 40% do total até 2020 e 80% até 2050, depois de 2012 será necessário comercializar 560 milhões de toneladas de carbono por ano (hoje, para cumprir Kyoto, está-se por volta de 80 milhões de toneladas). É um assunto relevante para o Brasil. Segundo o Brasil Pnuma, boletim local do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Brasil, China, Índia e México somavam, no início deste ano, 3.218 projetos no âmbito do MDL.
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Manchetes do dia
Sexta-feira, 27 / 11 / 2009
Folha de São Paulo
"Brasil não vai reconhecer as eleições em Honduras"
Lula diverge dos EUA, que acatarão resultado mesmo sem a volta de Zelaya
O presidente Lula reafirmou que o Brasil não reconhecerá a eleição de domingo em Honduras, cujo resultado os EUA acatarão mesmo sem a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya. "Os países democráticos do mundo necessitam repudiar de forma veemente o que ocorreu em Honduras. Nós não aceitamos histórias de golpes", disse Lula durante entrevista à agência Efe. O chanceler Celso Amorim ratificou a divergência em conversa com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, relata Eliane Cantanhêde. Os países sulamericanos estão divididos. Em Tegucigalpa, estudantes pró-Zelaya fecharam as entradas da principal universidade do país em ato contra o pleito, informa o enviado especial Fabiano Maisonnave.
O Estado de São Paulo
"Superávit sobe, mas meta está ameaçada"
Contas públicas só melhoram com artifícios contábeis e receitas atípicas
O superávit primário das contas públicas, isto é, a economia para pagar juros da dívida do governo, atingiu em outubro R$ 13,818 bilhões, o maior saldo para esse mês desde 2001. Mesmo assim, há um alto risco de que não seja cumprida a meta prevista para o ano, de 2,5% do PIB, mesmo com as manobras contábeis feitas pelo governo. Nas contas divulgadas ontem estão incluídas receitas atípicas, como o recolhimento de R$ 5 bilhões em depósitos judiciais que estavam na Caixa Econômica Federal. Além disso, o superávit acumulado em 12 meses caiu de 1,17% do PIB em setembro para 1% do PIB em outubro. Foi o menor valor dos últimos oito anos. O Banco Central, no entanto, acredita que a meta será cumprida, apesar da onda de isenções fiscais.
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Folha de São Paulo
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O presidente Lula reafirmou que o Brasil não reconhecerá a eleição de domingo em Honduras, cujo resultado os EUA acatarão mesmo sem a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya. "Os países democráticos do mundo necessitam repudiar de forma veemente o que ocorreu em Honduras. Nós não aceitamos histórias de golpes", disse Lula durante entrevista à agência Efe. O chanceler Celso Amorim ratificou a divergência em conversa com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, relata Eliane Cantanhêde. Os países sulamericanos estão divididos. Em Tegucigalpa, estudantes pró-Zelaya fecharam as entradas da principal universidade do país em ato contra o pleito, informa o enviado especial Fabiano Maisonnave.
O Estado de São Paulo
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O superávit primário das contas públicas, isto é, a economia para pagar juros da dívida do governo, atingiu em outubro R$ 13,818 bilhões, o maior saldo para esse mês desde 2001. Mesmo assim, há um alto risco de que não seja cumprida a meta prevista para o ano, de 2,5% do PIB, mesmo com as manobras contábeis feitas pelo governo. Nas contas divulgadas ontem estão incluídas receitas atípicas, como o recolhimento de R$ 5 bilhões em depósitos judiciais que estavam na Caixa Econômica Federal. Além disso, o superávit acumulado em 12 meses caiu de 1,17% do PIB em setembro para 1% do PIB em outubro. Foi o menor valor dos últimos oito anos. O Banco Central, no entanto, acredita que a meta será cumprida, apesar da onda de isenções fiscais.











































