sábado, março 19, 2011

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Opinião

A infraestrutura precária

O Estado de S.Paulo - Editorial
A interdição total ou parcial, desde sexta-feira da semana passada, da Rodovia BR-376, que liga Curitiba à BR-101, na divisa do Paraná com Santa Catarina, sintetiza a fragilidade da infraestrutura rodoviária do País e as imensas dificuldades técnicas e operacionais das empresas concessionárias e das autoridades do setor para normalizar as operações. Trata-se da única ligação rodoviária direta entre duas capitais - Curitiba e Florianópolis - e é classificada pela Polícia Rodoviária Federal como a "principal ligação com a Região Sul" do País.

Não poderiam ser evitados alguns dos deslizamentos ocorridos no trecho de 21 quilômetros da rodovia, entre os municípios paranaenses de Tijucas do Sul e Guaratuba. Têm sido de intensidade e duração anormais as chuvas que assolam a região, forçando muitos municípios a declarar estado de emergência. Mas a demora no restabelecimento do tráfego normal na BR-376 - e também na BR-277, entre Curitiba e Paranaguá, cuja operação foi interrompida total ou parcialmente no mesmo período -, além de causar danos econômicos de monta, mostra o despreparo, em termos de equipamento e de pessoal, dos responsáveis por sua operação para enfrentar situações de emergência - que nem de longe se comparam às tragédias vividas pelas populações dos municípios serranos do Rio de Janeiro, há algum tempo, e os habitantes da costa nordeste do Japão, neste momento.

O governo federal é responsável, diretamente ou por meio de concessões, pela maior parte da malha rodoviária brasileira, inclusive as duas estradas do Paraná que operam em condições muito precárias. A exceção é São Paulo, onde predomina a malha sob responsabilidade do governo estadual. Além de dispor, proporcionalmente, de mais recursos para investir na infraestrutura viária, o governo paulista adotou uma política de gestão baseada na transferência das operações para concessionárias, cujos resultados não deixam dúvidas quanto ao acerto da escolha. As rodovias paulistas ocupam as primeiras colocações na classificação anual feita pela Confederação Nacional dos Transportes.

Quanto às rodovias federais, o problema não é a falta de dinheiro, mas a dificuldade do governo em aplicá-lo. Já existe há décadas, por exemplo, o projeto da necessária duplicação da BR-116 no trecho da Serra do Cafezal, entre Juquitiba, na Grande São Paulo, e Miracatu, no Vale do Ribeira, para reduzir o número de acidentes e melhorar as condições de circulação da rodovia, que liga São Paulo a Curitiba. Até hoje não foram resolvidas as questões ambientais que bloqueiam a obra. Irregularidades em contratos, detectadas pelo Tribunal de Contas da União, dificultam ou suspendem outras obras rodoviárias de responsabilidade do governo federal.

No caso das estradas cuja operação foi concedida a empresas privadas, o governo federal demorou para adotar esse tipo de solução e, quando o fez, talvez não tenha tomado as precauções necessárias para impor às concessionárias condições para minimizar os efeitos dos desastres naturais.

A interrupção da BR-277 provocou filas de 15 a 20 quilômetros de caminhões carregados de soja, que se dirigem ao Porto de Paranaguá. Em alguns dias, Paranaguá tinha mais de 20 navios aguardando liberação para atracar. Para navios que ficam parados por um período superior ao contratado, os exportadores têm de pagar uma multa, que pode chegar a US$ 50 mil por dia.

A interrupção da BR-376, por sua vez, levou à intensa utilização de uma estrada estadual catarinense - a Estrada Dona Francisca (SC-301), que corta a serra de mesmo nome - normalmente utilizada para turismo rural. A passagem de caminhões pesados por ela, além de danificar a pista, inadequada para esse tipo de tráfego, reduziu a velocidade média (o trecho de 100 quilômetros era percorrido em 6 ou 7 horas) e provocou pelo menos três graves acidentes.

Isso acontece no eixo São Paulo-Rio Grande do Sul, ou seja, na região mais desenvolvida do País. Imagine-se o que vai pelo resto do território nacional.

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Manchetes do dia

Sábado, 19 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Gaddafi ataca apesar de ultimato de potencias"

Líbio descumpre cessar-fogo anunciado; aliados estão prontos para agir, diz França

Acossado por iminente ação militar internacional, o ditador Muammar Gaddafi anunciou um cessar-fogo. Mas as forças governistas continuaram atacando as cidades de Misrata e Ajdabiya e se dirigiam a Benghazi. EUA, França e Reino Unidos deram um ultimato ao líder líbio. O presidente Barack Obama declarou que, se os ataques a civis não forem suspensos, a resolução da ONU será implementada por meio de ação militar.

O Estado de São Paulo
"EUA dão ultimato para Kadafi recuar"

Ignorando cessar-fogo anunciado por Trípoli, americanos dizem estar trabalhando com aliados para forçar o ditador líbio a deixar o poder

Um dia depois da aprovação de resolução da ONU que autoriza "todos os meios necessários" para impedir que Muamar Kadafi massacre os rebeldes líbios, o presidente dos EUA, Barack Obama, exigiu que o ditador encerrasse a repressão e recuasse suas tropas. A secretária de Estado, Hillary Clinton, acrescentou que os EUA continuarão trabalhando com seus aliados para forçar Kadafi a deixar o poder. Um cessar-fogo anunciado por Trípoli foi ignorado. "Não nos impressionamos com palavras", disse Hillary. Os indícios de que já está pronto o plano de ataque por parte de uma coalizão formada por EUA, França, Grã-bretanha e Catar se multiplicaram.

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sexta-feira, março 18, 2011

Beatles - 25 músicas para você


Clique aqui e oiça, ou, se preferir, ouça. C'est la même chose...

Astrologia

Amanhã, Lua cheia...

Hector Othon
Em 19 de março poderemos acompanhar a maior Lua Cheia dos últimos 20 anos. Lua Cheia a 28º de Virgem. A lua cheia estará maior, porque se encontrará no ponto da órbita da Lua em torno da Terra, mais próximo a Terra (perigeu lunar). Este ponto em astrologia é conhecido como Priapo, assim como seu ponto oposto (apogeu lunar) como Lilith, se observar nas efemérides poderá constatar que Lilith esta em conjunção com o Sol. A lua estará a uma distância de 221,567 milhas da sua órbita em torno da Terra.

A partir de hoje, comece a acompanhar o nascer da Lua, é o melhor momento para ver sua beleza. Poderá acompanhar no céu o Sol se pondo e a Lua nascendo, compare os tamanhos e se delicie com o visual.

Astrologicamente esta Lua pode selar, para quem estiver ligado, uma oportunidade particular para a pessoa entrar em contato com suas verdades e inaugurar um novo ano astrológico a altura do momento histórico especial que vive o planeta e cada um de nós. No dia 20, o Sol entra em Áries as 20h22. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Memória

The Beatles, Londres, 28 de julho de 1968

Coluna do Celsinho

Números

Celso de Almeida Jr.
Chame a minha atenção se eu estiver desinformado.

Penso que, se o leitor me brinda com o seu tempo, já nutre um mínimo de consideração.

Assim, pode me repreender, até.

Isso é permitido, mesmo entre amigos anônimos, afinal, ao expor o pensamento, devo estar pronto para o questionamento contundente, bastando manter aquela civilidade que tanto contribui para preservar o respeito mútuo.

Pois bem...

Numa audiência trabalhista que participei, faz alguns anos, cinco ex-funcionários reclamavam os seus direitos.

No outro lado da mesa, eu e meu pai representávamos a empresa.

Ao perceber que nossos argumentos não eram suficientes, sugerimos que eles avaliassem a nossa contabilidade, nossos débitos e créditos.

Toparam.

Poucos dias depois, dois representantes do grupo reuniram-se comigo.

Detalhei tudo - como sempre fiz - mas, desta vez, não me limitei às palavras.

Mostrei números, contas, compromissos e as planilhas arrepiantes.

Vinte dias depois firmávamos um acordo num clima que apontava para a reconciliação, já que situações deste tipo estremecem qualquer relacionamento.

O grande aprendizado deste episódio foi descobrir quantas palavras podem ser economizadas quando recorremos aos números.

Os números, realmente, não mentem.

Estes, mesmo se manipulados, não escondem a verdade por muito tempo.

Vamos lá...

Recorri a esta experiência particular para opinar que a prefeitura, neste anunciado momento de crise, deveria escancarar os seus números.

Detalhar o saldo, os débitos, os compromissos inadiáveis.

Compartilhar com os funcionários e fornecedores a situação em minúcias, prevenindo uma possível estratégia de guerra, se for o caso.

Ou, até, tranquilizar a todos, apresentando uma programação que contemple o período crítico, com os detalhes da solução escolhida.

Esse procedimento, conhecido como gerenciamento de crise, exige enorme firmeza e transparência.

O resultado, porém, garante um mínimo de serenidade para superar o mais grave desafio.

Caso isso já esteja ocorrendo, alguém me avisa, pode ser?

Ficarei mais aliviado, já que os reflexos de uma crise no maior empregador do município atingem toda a economia ubatubense, exigindo das empresas e das famílias a imediata revisão de orçamento e planejamento.

Somar, subtrair, multiplicar e dividir não depende de coloração partidária.

São operações universais que exigem apenas números.

Verdadeiros.

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Opinião

Energia - a chance de discutir sem soberba

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
É impressionante a atitude de soberba olímpica - para não falar em descaso ou desprezo - com que o Ministério de Minas e Energia (MME) encara as dúvidas da comunidade científica e da nossa sociedade a respeito da política energética nacional. Uma postura que se torna mais evidente e incompreensível no momento em que o mundo se interroga a respeito dos desdobramentos da série de acidentes nucleares no Japão, após o terremoto e o tsunami. O ministro Edison Lobão, por exemplo, questionado (Agência Estado, 15/3) sobre a possibilidade de estar em questão a segurança das usinas nucleares brasileiras - já que se debate a segurança nuclear no mundo todo -, "descartou a possibilidade de qualquer mudança". E o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear disse apenas temer "danos ao programa nuclear brasileiro", que prevê, além de Angra 3, em construção, mais quatro usinas nucleares até 2030.

Dá a impressão de que estamos fora - ou acima - do mundo, no momento em que a Alemanha suspende a decisão que tomara de prorrogar por 12 anos a vida de usinas que seriam fechadas até 2021 e decide desativar várias usinas antigas; a Suíça suspende o licenciamento de novas usinas; a Áustria pede à União Europeia que teste a segurança de todos os reatores em atividade em 14 dos seus 27 países; o Partido Verde da França (país que mais depende de energia nuclear) exige um referendo sobre o modelo; Bélgica e Polônia anunciam que reavaliarão seus caminhos nessa matéria; o governo da Grã-Bretanha pede reavaliação imediata de 11 usinas projetadas; nos EUA, senadores que defendiam a proposta do presidente Barack Obama de destinar US$ 36 bilhões para 20 usinas nucleares novas agora recomendam prudência (The New York Times, 13/5), já que 31 das atuais 104 usinas nucleares norte-americanas têm tecnologia japonesa, com 23 reatores iguais aos da usina de Fukushima.

Não é só. A secretária da Convenção do Clima, Christiana Figueres, não duvida de que "vai mudar o cenário mundial", tal como dizem especialistas em energia em vários países, inclusive no Brasil. "O acidente vai fazer todo o mundo repensar o uso de usinas nucleares", afirma o professor Aquilino Senra Martinez, da UFRJ, lembrando que o projeto de Fukushima é da década de 60 (Folha de S.Paulo, 13/5). "O desastre serve de alerta para o Brasil", acentua o ex-ministro José Goldemberg, lembrando que o risco na área nuclear é grande e "há melhores opções", que "o Brasil deveria discutir" (O Popular, 13/5). Tudo na mesma linha de editorial deste jornal (15/3, A3), lembrando que o desastre de Fukushima levanta dúvidas sobre a segurança e "deve estimular o debate internacional".

De fato, a tragédia no Japão ressaltou mais uma vez as grandes questões que há décadas permeiam a área nuclear:

Passado e presente evidenciam a alta dose de insegurança de operação de usinas nucleares e os riscos de desastres, quase invariavelmente de consequências dramáticas; a energia nuclear é muito mais cara que outras formas de energia; nenhum país conseguiu até hoje equacionar o problema da destinação dos altamente perigosos resíduos de reatores nucleares, que em geral se acumulam nas próprias usinas (como em Angra 1 e 2; em Angra 3, o então ministro Carlos Minc, que sempre criticara as duas primeiras usinas, condicionou o licenciamento da terceira a uma solução "definitiva" para os resíduos - o que não foi feito, mas não impediu o início das obras).

A própria Tepco, empresa que opera a usina acidentada no Japão, já fora multada anteriormente por falhas na segurança de suas usinas. Outras 11 usinas já apresentaram problemas (Estado, 15/3). Ainda assim, o país - que já teve acidentes graves antes - mantém 55 reatores nucleares, que fornecem pouco mais de 30% da energia consumida. Mas é também considerado desde 1990 exemplar em matéria de técnicas de construção resistente a terremotos. Em Fukushima, a usina resistiu ao tremor, mas não ao tsunami; a sequência interrompeu o funcionamento dos geradores de emergência e o resfriamento dos reatores. E é uma usina projetada para resistir a vibrações nas estruturas dez vezes mais intensas que as suportadas por Angra 1 e 2 (Veja, 16/3).

No nosso caso, é preciso lembrar ainda que Angra 1, 2 e 3 estão numa região sujeita a eventos climáticos extremos, que já provocaram no município deslizamentos e desastres. Não bastasse, num programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, o professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e hoje uma das principais figuras da área de ciência no governo federal, disse que o projeto de Angra 3 "deveria ser revisto", diante das informações de vários cientistas de que o nível do mar já está se elevando no litoral fluminense, acompanhando o que acontece em praticamente todo o mundo.

São muitas, portanto, as razões que deveriam levar a direção da nossa política de energia a discutir os rumos dessa área. Ouvir a comunidade científica, que, como já foi mencionado neste espaço mais de uma vez, tem dito que o Brasil pode tranquilamente viver com metade da energia que consome hoje - economizando 30% com projetos de conservação e eficiência (como conseguiu economizar no apagão de 2001); ganhando mais 10% com a redução das perdas nas linhas de transmissão, hoje em 17%; e outros 10% com repotenciação de geradores antigos, a custos menores que os de implantação de novas usinas. É o que diz há muito tempo, por exemplo, estudo da Unicamp e do WWF, de 2006. Mas fala ao vento.

Não faz sentido apregoar - como já pregam alguns - que sem a energia nuclear não haverá caminho senão o das mega-hidrelétricas na Amazônia, muito questionadas. Ou a ampliação das termoelétricas - que, na verdade, já está ocorrendo. O que faz sentido é, numa hora dramática como esta, convocar a comunidade científica e, diante da sociedade, debater livremente nosso modelo energético.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"ONU autoriza ação armada na Líbia; Brasil se abstém"

Medida é aprovada por 10 dos 15 membros do Conselho de Segurança; Alemanha e grupo Bric não votam

O Conselho de Segurança da ONU abriu espaço para ações militares contra as forças do regime líbio. Foi aprovada a criação de uma zona de exclusão aérea; medida que proíbe voos sobre a Líbia. Foi graças a bombardeios aéreos que o ditador Muammar Gaddafi reconquistou territórios. Segundo a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, isso exigirá ataques a aviões, tanques e infantarias ligadas ao ditador.

O Estado de São Paulo
"ONU aprova operação militar na Líbia para conter Kadafi"

Resolução prevê 'todos as meios necessários' para proteger civis; ditador promete agir 'sem misericórdia'

O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem à noite uma resolução que autoriza o uso de “todos as meios necessários" para proteger os civis das tropas leais ao ditador Muamar Kadafi na Líbia. As medidas incluem a adoção de uma zona de exclusão aérea e foram aprovadas por 10 votos a favor e 5 abstenções - Brasil, China, Índia, Rússia e Alemanha. A decisão da ONU ocorreu horas depois que Kadafi advertiu os rebeldes em Benghazi, principal reduto da oposição, que atacaria a cidade em breve, “sem misericórdia para aqueles que não se renderem". A notícia sobre a resolução foi festejada pelos insurgentes nas ruas de Benghazi, mas Kadafi reagiu dizendo que transformará a vida das forças que atuarem em nome da ONU num "inferno".

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quinta-feira, março 17, 2011

Amigos...

Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS (original aqui)

Pinpoo volta ao lar 

Sidney Borges
Depois de um dilúvio de notícias ruíns, finalmente uma boa. Com final feliz, no melhor estilo de Hollywood. Pinpoo retorna depois de 14 dias de peripécias pelas plagas sulinas de Porto Alegre. Na foto o sargento da brigada militar que encontrou Pinpoo, dona Nair Flores, dona do fujão e o herói desta curta novela, sorridente como se tivesse encontrado uma montanha de ossos. Fica no ar uma dúvida: o que vai acontecer com o sósia que a companhia aérea confundiu com o original.

Velho Oeste

Original aqui

Energia

Usinas nucleares

O que acontece na Alemanha e os riscos nas usinas de Angra-RJ

Do Ex-Blog do Cesar Maia
Em 1989, um grupo de deputados e senadores brasileiros foi convidado a visitar as Usinas Nucleares da Alemanha, da Siemens. Pôde-se conhecer todo o sistema de segurança, desde a entrada, com identificação um a um, fora da usina, foto local, encontro em uma sala reservada, oferecimento de informações, e uniformização fechada e rigorosa antirradiação. No final, a entrega dos uniformes para incineração.

Depois, foi feita uma visita ao local de depósito de resíduos nucleares. A corte suprema alemã não havia ainda aceito como definitiva, mas autorizou provisoriamente. É uma antiga mina de sal. O grupo -por partes- desceu a mina num elevador por 800 metros de profundidade, altura do Corcovado-Rio.

As caixas de chumbo lacradas são colocadas no meio do sal. Esse se fecha em torno das caixas como pedras, obstruindo qualquer risco de contato com o ar. E assim mesmo a corte suprema de lá não considera um processo 100% seguro.

Uma vez de volta, foram visitar as Usinas Nucleares de Angra dos Reis-RJ. O acesso a elas foi direto, sem cuidados de identificação especial. Na mesma sala de recepção foram dadas informações e se vestiu o uniforme antirradiação. Foi feita a visita.

Mas o susto maior veio quando foi pedido para se conhecer a área de depósito de resíduos nucleares. São caixas de chumbo como na Alemanha, mas depositadas em prateleiras de um galpão como num supermercado. Este galpão fica a 200 metros do prédio da Usina e pode ser vista da Usina, diretamente.

No mínimo, caberia ao Congresso Nacional constituir, urgente, uma comissão especial e visitar esse depósito, ou outro local de depósito das caixas de chumbo dos resíduos nucleares.

A imprensa informou, ontem (16), que um tufão se aproximou do litoral do Rio. Se esse tufão atingisse a área da Usina, derrubaria, com um sopro, o armazém e espalharia as caixas, inclusive para o fundo do mar. Essa é uma situação extremamente grave que exige fiscalização e resposta, imediatas, por parte do Congresso. Lembre-se que são duas Usinas e mais uma em construção. E que o contrato de 1977 foi simplesmente prorrogado, portanto, com as mesmas condições estabelecidas na época.

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Opinião

As prioridades do ensino

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo federal decidiu aumentar os recursos repassados aos municípios para a construção de creches e incluiu o ProInfância na segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento - o chamado PAC 2 - com critérios mais flexíveis. Os novos repasses começarão a ser efetuados ainda este mês e beneficiarão 471 prefeituras. O desembolso está estimado em R$ 1 bilhão e o dinheiro será utilizado na construção de 856 creches.

Só em 2011 o Ministério da Educação (MEC) pretende construir 1,5 mil creches. Até 2014, o PAC 2 prevê o desembolso de R$ 7,6 bilhões para a criação de 6 mil novas unidades de educação infantil, com um total de 1,5 milhão de vagas. Segundo o MEC, essa política ajudará a reduzir o déficit de 10 milhões de matrículas em creches em todo o País.

Psicólogos e pedagogos sustentam, há muito tempo, que os investimentos na educação de crianças e jovens são decisivos para a qualidade de sua formação. Em artigo publicado na revista Veja, o educador Gustavo Iochpe cita estudos que mostram que os alunos que cursaram pré-escola tendem a gostar de estudar, são menos propensos a abandonar os estudos e têm melhor desempenho em todos os ciclos de ensino e maior probabilidade de completar o ensino superior. Uma vez formados, têm, em média, um salário 16% mais alto do que os alunos que não cursaram a pré-escola. Iochpe afirma ainda que os alunos que fizeram o pré-escola são os que têm melhor classificação em exames padronizados - como os do Sistema de Avaliação da Educação Básica.

Nos últimos anos, porém, alguns especialistas passaram a advertir para o risco de se investir excessivamente em creches e pré-escola, em detrimento dos investimentos na modernização do ensino fundamental. Segundo Iochpe, esses especialistas consideram as creches úteis, mas entendem que elas não são indispensáveis para o sucesso do sistema educacional como um todo. Como os recursos para a educação são escassos, esses especialistas recomendam que a prioridade seja dada ao ensino fundamental, especialmente nas séries em que as crianças começam a ser alfabetizadas.

Relatórios de organismos multilaterais - como os do Banco Mundial e da OCDE - mostram que essa é a estratégia prevalecente nos países desenvolvidos e em muitos países em desenvolvimento. A Finlândia, que tem um excelente sistema educacional, só tem 32% das crianças na pré-escola, mas universalizou o ensino básico. O mesmo ocorre na Coreia do Sul e na China.

Por isso, não deve passar despercebida a advertência feita por Iochpe, de que o Brasil está correndo o risco de perder o foco de sua política educacional, uma vez que vem gastando muito dinheiro com creches sem, contudo, investir na melhoria do ensino fundamental, cuja qualidade continua abaixo dos padrões necessários a uma economia competitiva. Segundo ele, a expansão da pré-escola está sendo estimulada por políticos, que tentam extrair dividendos eleitorais com a inauguração desenfreada de creches.

"Precisamos fugir da armadilha da expansão do ensino para o nível infantil. É preciso priorizar o que é mais importante e dá maior retorno. Temos uma urgente batalha: alfabetizar 100% de nossas crianças até a 2.ª série. Sem isso, não há como se erguer o edifício do conhecimento. Apesar de todos os progressos na pré-escola, nossos alunos continuam chegando à 4.ª série sem saber ler e escrever. Se perdermos o foco e deixarmos que as atenções se voltem para a tenra infância, perderemos a batalha. Os ganhos com a eliminação do analfabetismo são maiores do que os oriundos da universalização da pré-escola", diz Iochpe em seu artigo, que, por ironia, foi publicado às vésperas de o MEC anunciar seus planos para ampliar o programa de creches.

O Brasil venceu o desafio da expansão de matrículas para atender à demanda do ensino fundamental, na década passada, mas até agora não conseguiu enfrentar o desafio da melhoria de qualidade. É hora de o MEC definir prioridades e racionalizar a aplicação de recursos escassos, investindo não no que interessa a políticos, mas no que interessa a toda a sociedade.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Radiação está muito alta, diz chefe nuclear dos EUA"

Embaixada aconselha evitar raio de 80 km da usina; gravidade leva imperador do Japão à TV pela 1ª vez

O chefe da comissão nuclear dos EUA, Gregory Jaczko, disse no Congresso crer que a radiação de Fukushima esteja "extremamente alta". Baseado em relatos, ele considera que o tanque do reator 4 não tem mais água para resfriar o urânio. Os japoneses negam, mas a Embaixada dos EUA aconselhou a seus cidadãos evitar o raio de 80 km da usina. A volta de parte dos técnicos que haviam deixado o local, porém, foi vista com pessimismo. Os "50 de Fukushima" viraram 180. Em outro sinal de gravidade, o imperador Akihito foi a TV exortar os japoneses a não desistir diante das dificuldades. A última vez em que um imperador usou a mídia eletrônica para falar ao país numa crise foi em 1945, pós-bomba atômica.

O Estado de São Paulo
"Radiação no Japão atinge nível extremo, alertam EUA"

Novos danos em usina ampliam risco nuclear; para americanos, Tóquio pode ter subestimada a ameaça

A crise nuclear japonesa se intensificou ontem com a ruptura de outro reator da usina nuclear de Fukushima, no nordeste do Japão, que aparentemente estava liberando vapor radioativo. Um dia após o governo ter dito que o vaso de contenção do reator 2 também tinha sido afetado, os danos no reator 3 pioraram as já perigosas condições na usina, afetada pelo terremoto da sexta-feira passada. A agência reguladora de energia nuclear dos EUA afirmou acreditar que os níveis de radiação na região de Fukushima são "extremamente altos", sugerindo que o Japão tem subestimado a gravidade da situação. Em discurso sem precedentes transmitido pela TV, o imperador Akihito se disse "profundamente preocupado".

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quarta-feira, março 16, 2011

Ubatuba em foco

Basílio nos deixou

Herbert Marques
Nos deixou hoje o ex-prefeito Basílio de Moraes Cavalheiro Filho, uma das pessoas mais importantes desta cidade. Alquebrado pela idade, mais de 90 anos, o tempo se incumbiu de levá-lo, indo com ele uma parte da história de Ubatuba da qual ele fez parte intensamente quando administrou o município com o seu jeito austero e disciplinado, coisa um tanto quando difícil hoje em dia, principalmente para os políticos.

Vaidoso e orgulhoso do trabalho que prestara ao município, Basílio morreu sentido com os homens públicos da cidade que o abandonaram no final dos seus dias, sem ao menos uma visita no seu leito no hospital local.

O corpo foi transladado para São Paulo onde foi sepultado junto com seus familiares, ficando para nós, ubatubenses, a saudade de um homem que muito amou Ubatuba em toda sua vida que aqui morou. Deixou sua viúva, Ruth de Moraes Cavalheiro, companheira de parte de sua vida pública e privada.

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Opinião

Segurança nuclear em revisão

O Globo - Editorial
O acidente no complexo nuclear de Fukushima decorreu de um dos maiores desastres naturais conhecidos na história. Embora o Japão seja um país preparado para enfrentar grandes terremotos, a onda gigantesca que se seguiu foi devastadora.

Usinas nucleares devem estar preparadas para se desligarem automaticamente diante de qualquer risco, mas, no caso de Fukushima, equipamentos de reserva que ajudariam nesse processo ficaram inoperantes com o terremoto e a inundação.

No mais grave acidente do setor nuclear (a explosão de um dos reatores de Chernobyl, na Ucrânia), o ponto de partida foram testes em equipamentos auxiliares feitos sem a devida atenção por parte da equipe responsável pela operação da usina.

A preocupação com a segurança tem de ser uma obsessão no caso de usinas nucleares, por se tratar de instalações que envolvem sempre elevados riscos. Os mecanismos de proteção que envolvem radioatividade se multiplicaram nos últimos anos, especialmente nos projetos de construção de novas usinas (há 49 delas nesse estágio no mundo, sendo 25 na China e uma no Brasil).

As áreas convencionais não precisavam desse tipo de proteção, a não ser aquelas voltadas para a integridade das salas dos equipamentos de controle, inclusive impedindo a entrada de pessoas não autorizadas nos recintos.

Mas certamente o que aconteceu no Japão exigirá uma revisão de todos os procedimentos e até de projetos.

O Brasil possui apenas duas usinas nucleares. Está construindo uma terceira e tem planos para várias outras, pois um país cuja demanda por energia aumentará significativamente nas próximas décadas não pode dispensar essa fonte, com alto potencial de geração (usinas como Angra 2 e 3 podem gerar o mesmo que as grandes hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia, situando-se relativamente perto dos maiores centros de consumo).

Ainda que a contribuição da energia nuclear seja pequena na matriz energética brasileira — 1,5% da capacidade de geração de eletricidade, enquanto no mundo esse percentual passa de 15%, e no Japão, especificamente, atinge a 44,5% — o país se destaca na questão de segurança das usinas.

Operadores de Angra 1 e 2 são treinados em simuladores que funcionam como réplicas das salas de controle. São, portanto, preparados para todas as situações de emergência, mesmo que suas iniciativas sejam precedidas por procedimentos automáticos (exatamente para se evitar a possibilidade de erros humanos).

A usina japonesa acidentada é de um modelo mais antigo e com tecnologia não predominante no setor.

No entanto, não há dúvida que um episódio tão grave como este — qualquer acidente em uma usina nuclear é sempre muito sério — põe em xeque a indústria como um todo onde quer que esteja sendo usada.

Se, como se espera, a energia nuclear passará a ter participação mais relevante na matriz mundial, a opinião pública deve ser bem esclarecida sobre os riscos que ela envolve e o que precisa ser feito para neutralizá-lo.

Caso contrário, a energia nuclear voltará a ser condenada, como aconteceu anos atrás, interrompendo programas que hoje já seriam decisivos no esforço contra o aquecimento global.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"'50 de Fukushima' tentam impedir que usina derreta"

Radiação faz governo desocupar a planta de Fukushima 1; 50 técnicos assumem tarefa de resfriar reatores

A tarefa de evitar o derretimento dos reatores da usina de Fukushima 1 está nas mãos de um grupo de 50 técnicos. A ameaça de colapso da planta nuclear levou o governo japonês a ordenar que os outros 750 empregados abandonassem o local. Sob sério risco de contaminação, "os 50 de Fukushima", como estão sendo identificados, assumiram a tarefa de resfriar os reatores. Ontem, o nível de radiação recuou, mas novos incêndios atingiram reatores. A chegada dos primeiros indícios de radioatividade em Tóquio, que fica a 250 km, levou seus moradores a estocar produtos, provocando desabastecimento. A radioatividade na capital registrou nível de 10 a 20 vezes maior que o normal, mas não oferece perigo. Segundo a contagem oficial, o tsunami deixou pelo menos 3.676 mortos. Cerca de 7.500 pessoas são consideradas desaparecidas. Outras 450 mil tiveram de deixar suas casas.

O Estado de São Paulo
"Radiação nuclear e desabastecimento levam pânico ao Japão"

Estrangeiros deixam Tóquio; faltam alimentos e combustível em cidades afetadas

Ainda sob o choque da múltipla tragédia do Japão desde sexta-feira, quando o país foi atingido por um terremoto e um tsunami, milhares de japoneses enfrentam agora o desabastecimento em supermercados e nos postos de gasolina. O uso de aquecimento nas casas foi reduzido em razão da falta de energia e combustível. Em Tóquio, o nível de radiação estava 20 vezes superior ao normal, por causa do vazamento nas usinas de Fukushima. O pânico causado pelo risco de uma catástrofe nuclear levou estrangeiros a abandonar em massa a cidade.

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Saco da Ribeira - Ubatuba

terça-feira, março 15, 2011

Pontos a ponderar...

Uma questão de segurança

O debate sobre construir maciçamente usinas nucleares no Brasil é complexo, mas tem uma preliminar. Um país onde qualquer chuva mais forte em certas regiões é sinônimo de mortes em profusão tem providências anteriores a adotar

Do Blog do Alon
O impressionante terremoto no Japão e a consequência para os equipamentos nucleares daquele país vão provocar reflexões adicionais sobre o programa nuclear brasileiro.

A energia nuclear para fins pacíficos é essencial, e nenhum país deve ser impedido de acesso à tecnologia, nas condições impostas pela necessidade de evitar a proliferação bélica.

No nosso caso a questão é bem central para a estratégia de abastecimento de energia.

Nosso maior potencial de energia limpa, ainda inexplorada, está na Amazônia. Mas a construção de usinas hidroelétricas no norte do país enfrenta dura resistência ambiental.

O governo tem lutado e buscado avançar, mas o exemplo de Belo Monte mostra que as dificuldades tendem a crescer.

Desde a crise de abastecimento no começo da década passada os governos brasileiros recorrem à termoleletricidade.

Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, na origem do problema, e foi também assim com Luiz Inácio Lula da Silva, administração em que o ramo estava a cargo da hoje presidente Dilma Rousseff.

Termoeletricidade no Brasil é um contrassenso, principalmente por queimar combustíveis fósseis.

Mais ou menos poluentes, são todos mais prejudiciais ao meio ambiente do que, por exemplo, a hidroeletricidade.

As pressões sociais têm imposto restrições ao tamanho dos reservatórios das hidroelétricas, para adaptá-las a critérios de correção ambiental e social.

Certas fontes, como solar e eólica (ventos), ainda não demonstraram capacidade de suprir a demanda, então uma alternativa bastante discutida nos últimos anos é a nuclear.

Que enfrenta também forte resistência dos ambientalistas, notadamente pelo desafio de armazenar em segurança o lixo atômico.

O terremoto/tsunami japonês coloca, para nós aqui, um ponto adicional no debate. A preliminar de qualquer decisão é a existir uma defesa civil eficiente, provada e que consiga a confiança da sociedade.

Tenho sido favorável à construção de usinas nucleares no Brasil, pois parece haver algo de obscurantismo na rejeição pura e simples de uma tecnologia.

Nos transgênicos o Brasil superou o desafio, com resultados benéficos para nossa agricultura. Uma decisão adotada lá atras e que agora mostra plena utilidade, nesta era de crescente demanda por alimentos.

O problema não está nas tecnologias, mas na capacidade de usá-las de modo ambiental e socialmente responsável.

As recentes chuvas no Rio de Janeiro exibiram o total despreparo e irresponsabilidade das autoridades daquele estado e da maioria dos municípios atingidos. Revelou-se também que um plano federal para prevenir consequências de desastres vinha dormindo havia anos na gaveta.

O grande número de mortes não teve maiores consequências políticas, pois ali a mão federal e a estadual se lavaram mutuamente. Afinal são aliados.

Agora temos a promessa de que, finalmente, vai acontecer. Vamos ter um bom sistema de alerta. Dados os antecedentes, a sociedade tem o direito de desconfiar. Os governos, em primeiro lugar o federal, precisam mostrar serviço. Para só depois pedir crédito de confiança.

O debate sobre construir maciçamente usinas nucleares é complexo, mas tem uma preliminar. Um país onde qualquer chuva mais forte em certas regiões é sinônimo de mortes em profusão tem providências anteriores a adotar.

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Opinião

O ranking das universidades

O Estado de S.Paulo - Editorial
As universidades brasileiras continuam fora das primeiras 200 posições nos rankings mundiais. Há várias entidades internacionalmente respeitadas que fazem anualmente rigorosas avaliações comparativas do setor e, nelas, nem mesmo a Universidade de São Paulo (USP) - a maior e mais importante universidade brasileira - aparece em posição de destaque.

No ranking mais recente, elaborado pela organização inglesa Times Higher Education, a USP ocupa apenas a 232.ª posição. A pesquisa foi feita com mais de 13 mil professores de 131 países, que destacaram os pontos fortes de suas respectivas universidades. Em termos de desempenho escolar, de produtividade científica e de reputação acadêmica, a liderança ficou com a Universidade Harvard, que obteve a pontuação máxima em todos os itens da pesquisa, seguida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e pela Universidade de Cambridge. Das 20 melhores universidades, 13 são americanas, 4 são britânicas, 2 são japonesas e 1 é canadense.

Das universidades da América Latina, a USP continua sendo a mais bem classificada. Contudo, no âmbito dos Brics - o bloco de economias emergentes, integrado pelo Brasil, Rússia, Índia e China - o Brasil é o único membro que não tem nenhuma universidade entre as cem melhores do ranking da Times Higher Education. Já a Rússia aparece em 33.º lugar, com a Universidade Lomonosov; a China, ocupa as 35.ª, 42.ª e 43.ª posições, com as Universidades de Tsinghua, Hong Kong e Pequim; e a Índia está em 91.º lugar, com o Instituto de Ciência.

O ensino superior no Brasil cresceu significativamente nas duas últimas décadas para acolher o crescente número de formandos do ensino médio. No entanto, a maioria tem bibliotecas desatualizadas e laboratórios defasados. O nível médio de preparo e informação do corpo discente também é baixo e a maioria das universidades adota critérios lenientes de avaliação. Elas permitem que alunos reprovados façam provas de reavaliação. E, se forem reprovados outra vez, ficam em "dependência" - com isso, não perdem o ano.

Além disso, os trabalhos de conclusão de curso de graduação - os TCCs, no jargão estudantil - estão se convertendo em compilações de artigos extraídos da internet. Como os professores não cobram nem rigor metodológico nem um mínimo de originalidade, os alunos não se sentem estimulados a fazer pesquisa. Nas cem melhores universidades mundiais, alunos reprovados num exame não têm direito a nova oportunidade - perdem o ano e, em alguns casos, não podem continuar na instituição.

Para os especialistas, se quiser classificar pelo menos uma instituição de ensino superior num ranking com as 200 melhores universidades mundiais, o Brasil terá de adotar uma estratégia com quatro objetivos. O primeiro é aumentar o intercâmbio de alunos e professores, para internacionalizar a universidade brasileira. O segundo é ampliar o número de trabalhos de docentes e cientistas brasileiros publicados nas mais prestigiosas revistas acadêmicas e científicas mundiais. O terceiro objetivo é dar plena autonomia às instituições, permitindo-lhes abrir novos cursos sem depender de autorização governamental e libertá-las da ditadura do chamado "currículo mínimo". O quarto objetivo é estimular a formação de universidades de elites, que formam os docentes para lecionar nas demais instituições e conduzir pesquisas de ponta.

Nos últimos anos, corporações e partidos políticos pressionaram as universidades a democratizar seus órgãos colegiados e o MEC chegou a patrocinar um projeto com esse propósito, entre 2003 e 2005. A questão, porém, não é política, mas pedagógica - e, quanto mais eficiente e produtiva for a universidade, melhor para a sociedade.

Segundo os especialistas, uma política voltada à consecução desses quatro objetivos demora de dois a três anos para dar resultados. Na prática, isso significa que tão cedo as universidades brasileiras não subirão de posição nos rankings mundiais de reputação acadêmica.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Novas explosões põem Japão em risco de desastre nuclear"

Radiação perto de usina é o triplo a que uma pessoa pode ser exposta por ano

O risco de um grande vazamento atômico no Japão aumentou. Duas novas explosões na usina de Fukushima 1 prejudicaram ainda mais a refrigeração do combustível nuclear. Segundo os EUA, o governo japonês pediu ajuda americana para tentar conter o problema. A radiação perto da usina chegou a 8,2 sieverts (medida de intensidade radioativa), o triplo a que alguém pode ser exposto por ano. Segundo especialista, o nível de gravidade da radiação é de pelo menos 5 em escala que vai a 7 – o máximo, atingido em Tchernobil. A combinação de terremoto e tsunami que atingiu o país deixou pelo menos 2.500 mortos, de acordo com dados oficiais. Há estimativas, porém, que aponta mais de 10 mil.

O Estado de São Paulo
"Japão pede socorro aos EUA para enfrentar risco nuclear"

Mais um reator de usina atingida pelo terremoto explode, e radiação é detectada a 160 km do local

O governo japonês pediu ajuda aos EUA e à Agência Internacional de Energia Atômica para conter o vazamento de material nuclear na usina de Fukushima, atingida pelo terremoto de sexta-feira. Ontem, mais um reator da usina explodiu, e traços de radiação foram detectados a 160 km do local. O risco é que os reatores derretam totalmente sob o efeito do próprio calor, o que provocaria um vazamento atômico de proporções significativa. A situação ainda não está totalmente sob controle em outras duas usinas. Apesar da intensidade da crise, o governo japonês negou que haja perigo de repetir o desastre da usina de Chernobyl. Milhões de pessoas na devastada região nordeste do Japão passaram a quarta noite seguida sem água, comida ou aquecimento suficientes.

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segunda-feira, março 14, 2011

Chico Caruso

Original aqui

Região

Reforma na Tamoios

Folha.com
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) fez mudanças no projeto de duplicação da rodovia dos Tamoios que deixarão a obra mais cara. A principal alteração, diz o governo, é para evitar gargalos em Caraguatatuba (litoral de SP), segundo reportagem de Alencar Izidoro publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, o empreendimento, prioridade da gestão tucana, custará R$ 4,5 bilhões --próximo do preço do trecho Leste do Rodoanel ou de uma obra como a extensão da linha 5-lilás do metrô, do Largo Treze à Chácara Klabin, com 12 km. O valor é 67% superior à estimativa de R$ 2,7 bilhões divulgada no fim de 2010 no governo de Alberto Goldman (PSDB).

A Secretaria de Logística e Transportes diz que houve elevação do custo "em virtude de ajustes no projeto". Segundo a pasta, não bastaria só a duplicação. Para evitar problemas em Caraguatatuba, foram feitos "novos traçados da pista" na chegada ao litoral.

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Ramalhete de "causos"


O pirata Bonete

José Ronaldo dos Santos
Os antigos, vez por outra, contavam causos de piratas. Eram coisas medonhas!

Até viravam pesadelos!

De todos eles, um era especialmente cruel. Tinha o nome de Bonete.

Muito já se especulou sobre esse Bonete. Até já ouvi que, numa gruta perto do Morro do Cuscuzeiro, próximo da Picinguaba, ainda tem vestígios de seu bando. Dizem que lá se encontram roupas, ferramentas e outros utensílios. Estão devidamente guardados, principalmente na atualidade, neste tempo em que pouquíssimos se aventuram pelas matas.

Outra pessoa que contou bastante coisa do tal Bonete foi o “seo” Donato, antigo morador da prainha do Bonete. Ele, do jundu onde morava, indicava um lugar do morro que se destacava por ter sete jarobás alinhados. Era lá, assegurava-me, que alguma coisa está enterrada até hoje: “Contavam os antigos, inclusive o vovô Ramiro Barra Seca, que faltava coragem de mexer por lá porque há ossos humanos. E tem alma penada! Por mim, pode ter a riqueza que tiver, mas isso de enfrentar coisa de outro mundo não dá para topar!”.

Quando eu demonstrei maior curiosidade por piratas, o meu parente Bito Cláudio explicou Assim:

- Ah, os piratas!!! Piratas são ladrões que vivem no mar, mas que sempre estão em terra para buscar comida e para enterrar tesouros, coisas que têm valor, mas que fazem peso na embarcação. É dos tempos antigos, mas ainda tem por aí. Há pouco mais de dez anos, quando eu pescava com o meu pai bem depois do Mar Virado, veio um barco estranho em nossa direção. Ficamos com medo porque só tinha gente feia, mal-encarada. Conversaram com o velho numa linguagem que nada entendi. Antes de irem embora, deram algumas moedas para o meu pai e levaram toda a carga de corovina que tinha saído do espinhel. Eram piratas, segundo o papai. Perguntei-lhe que língua era aquela que eles falaram. Logo vi que ele também não entendeu nada. Sorrindo disse que era lin-gua-do. E o peixe? Ele, após ver as moedas, logo viu que os homens precisavam da única coisa que para eles tinha valor naquela canoa: as corovinas. Ainda pescamos alguns micholos e baiacus para não escutar a mamãe arengando. Ah! Mais piratas tivesse para comprar esse peixe mixuruca, essa tal de corovina que os turistas chamam de corvina!

Como eu demonstrasse certa incredulidade, o Bito Cláudio levantou a moeda que trazia pendurada no pescoço e disse:

- Do pagamento dos piratas só restou esta. O finado papai me ordenou carregá-la sempre para ter sorte. Por enquanto não mudou nada; tenho de correr na roça, no mar e ainda caçar de vez em quando.

Em tempo: o meu amigo Vilberto ,que sabe quase nada de quase tudo, afirma que trata-se de Henry Bonett. Foi da boca do Artelino Flor que eu ouvi a informação que agora repasso: ele era escocês; por aqui se alojou por ter enseadas tranquilas, protegidas por natureza. Segundo ele, na terra chamada de Escócia os homens usam saias. Credo! Não sei de onde tirou isso!

Sugestão de leitura: Mundinho, de Ferrucio Verdolin Filho.

Boa leitura!

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Onda

Coluna do Rui Grilo

Ação e proteção na Internet

Rui Grilo
Hoje, qualquer profissional que não se atualize corre o risco de perder o emprego ou os clientes. Hoje, também ser pai, mãe ou educador exige muito mais, pois a rápida evolução dos conhecimentos e atitudes traz desafios que as antigas gerações não enfrentaram. E o pior é que muitos desafios e perigos ainda não são percebidos, ou não se tem consciência da gravidade e de como agir.

Normalmente pais e educadores sabem que não podem soltar filhos ou educandos em qualquer lugar, em qualquer hora e na companhia de qualquer um e respondem perante a lei se, por falta de proteção ou abandono, sofrerem alguma violência. No entanto, não sentem a mesma preocupação quando jovens e crianças fazem uso da internet. Não tem a consciência de que esse meio garante o acesso quase ilimitado a qualquer espaço e a qualquer pessoa, conhecidas ou desconhecidas.

Com o uso da webcam e espaços de bate papo, ao conectar-se à internet é como se abríssemos a porta da nossa casa, do lugar de proteção e de privacidade, tornando-o público .Nesse espaço ilimitado chamado de ciberespaço também há crimes, golpes e violações aos Direitos Humanos em diferentes graus.

De acordo com pesquisas realizadas pelo Comitê Gestor da Informática, em 2008, faziam uso da internet 59% dos jovens entre 10 e 15 anos. Em 2009 saltou para 69%. Na faixa dos 16 aos 24 anos esse número sobe para 78%. E o mais preocupante é que 61% desses jovens faziam uso em lan houses, ), espaços geralmente pouco preparados para educar e proteger as crianças e adolescentes em relação aos perigos on-line.

Conscientes da vulnerabilidade do jovem e do seu desejo de se expor, aliciadores e abusadores sexuais tem usado os espaços preferidos pelos jovens e crianças como o Orkut e o Facebook para atingir diferentes finalidades (aproximação para abuso presencial, abuso mediado, chantagem ou captura para redes de exploração sexual comercial). Podem se passar por crianças com idade semelhante à vítima ou até apresentar-se como adulto carinhoso, acolhedor e protetor para iniciar o contato.

“Nas pesquisas sobre hábitos de segurança on-line, realizada pela SaferNet em 2008 (www.safernet.org.br) com 875 crianças e adolescentes, há indicativos de alta vulnerabilidade deste público na Internet. Do total dos participantes da pesquisa, 53% informaram já ter experienciado contato com conteúdos agressivos e que considerava impróprios para sua idade, 28% informaram já ter encontrado pessoalmente com alguém que conheceram on-line sem que os pais soubessem e 10% informou já ter sofrido algum tipo de chantagem on-line (SaferNet BR 2008).”

Diante dessa realidade, a pesquisa apontou que 99% dos educadores consideram este um dever da escola, sendo que 67% considera esta uma temática urgente que merece trabalhos permanentes de orientação. No entanto, é preocupante o fato de que 50% dos educadores consideram que não há informações suficientes para trabalhar o tema nas escolas e 24% não conhece nenhum programa que trate do tema. Quando indagados sobre os recursos que têm para levar o tema à sala de aula, 29% diz que não tem nenhum recurso e gostaria muito de ter e outros 9% não tem e nem sabem como buscar esse tipo de recurso.”

De acordo com esses dados, se percebe a importância de Ubatuba e o Litoral Norte terem sido incluídos no Programa de Ação Proteção, que tem como objetivo “propiciar e fortalecer ações para o enfrentamento da violência sexual em municípios do Estado de São Paulo . Durante o decorrer das atividades, a situação de cada região será avaliada em conjunto com os atores que atuam no atendimento de crianças e adolescentes. Assim, o trabalho será desenvolvido em rede, com foco na implementação de Planos Municipais de Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, contribuindo para a melhoria das políticas públicas locais.”

O Programa é fruto da parceria da Fundação Telefônica com a World Childhood Foundation – Instituto WCF- Brasil, criado em 1999 pela Rainha Silvia, da Suécia (que é brasileira) e o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS), programa da Fundação Instituto de Administração (FIA), entidade sem fins lucrativos conveniada à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

Em Ubatuba, o grupo, composto de diferentes profissionais e de várias instituições, tem se reunido no Projeto Tamar.

A próxima reunião deverá ser no dia 16 às 14 h e está aberta a pessoas interessadas na questão.

Fonte: Rodrigo Nejm. Liberdade, privacidade e sexualidade de crianças e adolescentes na Internet: Uma rede de desafios para a defesa e promoção de direitos. (aqui)

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

Aposentadoria custosa e desigual

O Estado de S.Paulo - Editorial
Em 2010, a cobertura do déficit do sistema de aposentadoria dos funcionários públicos federais consumiu R$ 51,248 bilhões dos tributos pagos pelos contribuintes. Essa assustadora quantia equivale ao ajuste prometido pelo governo para evitar a deterioração das contas fiscais e reduzir as pressões sobre a demanda interna, que tem alimentado a inflação. Mas, apesar de suas dimensões, o rombo de 2010 não é o aspecto mais preocupante do desequilíbrio do regime de previdência do servidor federal: o pior é que, se nada for feito, o déficit continuará a crescer, impondo ônus ainda maior aos contribuintes, atuais e futuros.

Em 2010, os funcionários federais contribuíram com R$ 22,5 bilhões para o seu sistema previdenciário, mas as despesas com benefícios somaram R$ 73,7 bilhões, como mostrou o Estado na sexta-feira. A diferença, coberta pelo Tesouro Nacional, é 9% maior do que o déficit de 2009. Mantidas as regras atuais, pelas quais o servidor se aposenta com vencimentos integrais, mas não recolhe o suficiente para garantir atuarialmente esse benefício, os gastos do regime público de previdência federal continuarão a crescer bem mais depressa do que suas receitas - e esses encargos serão transferidos automaticamente para o contribuinte.

Já o déficit do Regime Geral de Previdência Social, que atende os inscritos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de R$ 42,89 bilhões no ano passado, foi praticamente idêntico ao registrado em 2009, de R$ 42,87 bilhões. Em valores reais, isto é, descontados os efeitos da inflação, o déficit diminuiu 4,5%. A melhora deveu-se ao aumento do emprego formal observado no ano passado, que fez as receitas do INSS crescerem mais depressa do que cresciam nos anos anteriores.

Não são apenas a estabilidade do déficit do INSS e seu valor bastante inferior que diferenciam a situação do Regime Geral de Previdência do regime próprio dos servidores. Há uma notória desigualdade de tratamento entre os funcionários públicos inativos e os trabalhadores da iniciativa privada que se aposentam.

Embora seu déficit seja 19,5% maior do que o do Regime Geral, o regime próprio do funcionalismo federal beneficia um número muito menor do que o de aposentados e pensionistas do INSS. São 949.848 servidores aposentados, um número 96% menor do que o de segurados do Regime Geral, de 24 milhões de pessoas.

No ano passado, o déficit por funcionário aposentado foi de R$ 53.950, enquanto o déficit por aposentado do INSS ficou em R$ 1.787. Isso quer dizer que, para o contribuinte, cada funcionário aposentado custou nada menos do que 2.900% mais do que o aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social. Também essa diferença tende a aumentar, caso as regras para a aposentadoria dos servidores não sejam alteradas, para torná-las menos onerosas para o contribuinte e menos injustas em relação aos demais aposentados.

A Emenda Constitucional n.º 41, de 2003, instituiu a previdência complementar do servidor público, em todos os níveis de governo. Na esfera federal, a criação desse regime complementar foi proposta pelo governo em 2007, mas o projeto está parado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

O objetivo central do projeto é limitar a cobertura do regime próprio do funcionalismo, que atualmente equivale à remuneração total do servidor, ao teto que se aplica aos aposentados pelo INSS, hoje de R$ 3.689,66.

Se quiser receber benefícios maiores do que o teto, o servidor terá de contribuir adicionalmente para isso. Mas o fará num regime diferente do atual, chamado de "benefício definido", pelo qual ele sabe de antemão quanto receberá na aposentadoria (o valor de seu vencimento total), independentemente do valor da contribuição que fizer ao sistema. O regime proposto é o de "contribuição definida", no qual o servidor define quanto quer contribuir para sua aposentadoria, dentro dos limites legais, mas o benefício dependerá das aplicações feitas com seu dinheiro pelo fundo que ficará encarregado de administrá-lo.

Quanto mais depressa o Congresso aprovar essas mudanças, menores serão os custos para os contribuintes.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Japão vive pior crise desde 2ª Guerra, afirma premiê"

Número oficial de mortos chega a 1.800; há 2,6 milhões de casas sem luz e 1,4 milhão sem água

Dois dias depois do mais forte terremoto da história do Japão, o primeiro-ministro, Naoto Kan, afirmou que o país enfrenta sua maior crise desde o fim da Segunda Guerra Mundial. As autoridades ainda não têm a dimensão real da tragédia: o número oficial de mortos chegou a 1.800, mas há 10 mil desaparecidos só em Minami-Sanriku, cidade costeira varrida pelo tsunami que se seguiu ao tremor. Ao longo da costa, há 330 mil pessoas alojadas em abrigos provisórios de cidades sem luz, informa o enviado especial Fabiano Maisonnave. Na estimativa oficial, 2,6 milhões de casas estão sem energia, e 1,4 milhão, sem água. Nas áreas atingidas em Sendai, capital de Miyagi, o cheiro de lama e cadáveres domina o ar. Móveis e veículos amontoados ocupam as ruas.

O Estado de São Paulo
"Com 3 usinas em alerta, crise nuclear se agrava no Japão"

Governo admite que pode ter ocorrido derretimento parcial em dois reatores e há risco de nova explosão

A crise nuclear no Japão voltou a se agravar ontem, e o governo admite que pode ter havido o derretimento parcial de dois reatores na usina de Daiichi, em Fukushima, e há risco de nova explosão. Falhas no processo de resfriamento foram detectadas em outras duas usinas. Testes confirmaram que 37 pessoas foram expostas à radiação, número que pode chegar a 160. Cerca de 1,8 milhão de residências estão sem energia e 500 mil sem água. Segundo as autoridades, o número de mortos pode passar de 10 mil.

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domingo, março 13, 2011

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Opinião

Uma safra especialmente bem-vinda

O Estado de S.Paulo - Editorial
A previsão de uma safra de 154 milhões de toneladas de grãos, um novo recorde, é especialmente bem-vinda quando o País enfrenta fortes pressões inflacionárias e há tanta incerteza sobre a evolução geral dos preços - um importante fator de preocupação apontado na última Ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A ata e a nova estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, foram divulgadas na manhã de quinta-feira. Na semana anterior, a FAO, o organismo das Nações Unidas para agricultura e alimentação, havia publicado uma avaliação sombria das condições do mercado internacional. Seu índice de preços de alimentos havia atingido em fevereiro o nível mais alto desde o início da série, em 1990.

A perspectiva de mais uma boa temporada agrícola no Brasil é duplamente animadora. Do lado interno, contribuirá para atenuar as pressões inflacionárias, provenientes principalmente do exterior e reforçadas no mercado interno pela demanda, ainda forte, apesar de alguma desaceleração da economia. As estimativas da Conab apontam aumentos de produção de alimentos essenciais, como feijão, arroz e trigo (12,6%, 11,8% e 17%, respectivamente, mais que na safra 2009/10). Os estoques finais projetados para os três produtos são maiores que os do ano anterior. Além de tornar o abastecimento mais seguro, essa melhora das condições de oferta poderá contribuir para arrefecer a forte alta dos preços. A produção de soja deverá ser 2,3% maior que a da safra anterior. A de milho deverá diminuir 1,7%. Mas a colheita dos dois produtos deverá ser mais que suficiente para garantir um abastecimento tranquilo do mercado interno e para sustentar uma vigorosa exportação.

No ano passado, o complexo soja (grãos, óleo e farelo) se manteve como item principal da pauta de exportações do agronegócio e rendeu ao País R$ 17 bilhões, 22% da receita cambial do setor (US$ 76,4 bilhões). O milho é importante para as vendas externas do agronegócio principalmente como insumo destinado à produção de aves e suínos, mas também tem sido exportado na forma de matéria-prima.

Em 2010, o superávit comercial do agronegócio chegou a US$ 63 bilhões e foi bem mais que suficiente para compensar o déficit acumulado no comércio de bens industriais. O saldo positivo do agronegócio foi o triplo do superávit obtido pelo Brasil no comércio global de mercadorias, no ano passado. O bom resultado foi em parte propiciado pela evolução favorável dos preços internacionais.

Em janeiro o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, estimou para este ano exportações de produtos agropecuários de aproximadamente US$ 85 bilhões, favorecidas, mais uma vez, pela forte procura da China e de outras economias dinâmicas e pelas cotações internacionais ainda elevadas. Naquele momento, as estimativas da safra de grãos eram menores que as divulgadas nesta quinta-feira. As novas projeções são explicadas pela melhora das condições do tempo - as chuvas voltaram, depois de longa estiagem no Sul - e por um levantamento mais preciso das áreas de plantio.

Com expansão média de 3,67% ao ano, a agropecuária foi o setor com maior crescimento na última década, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período o conjunto da economia brasileira cresceu em média 3,59% ao ano. O desempenho do setor foi favorecido pela adoção do câmbio flutuante em 1999, pela oferta de crédito e pelo continuado esforço de modernização, com muito investimento em máquinas e equipamentos.

As condições externas também foram favoráveis. Houve uma longa fase de prosperidade global até 2008 e as economias mais dinâmicas, lideradas pela China, continuaram em crescimento mesmo depois disso, mantendo a demanda de alimentos e matérias-primas em firme expansão. As oportunidades criadas pelo mercado global só foram amplamente aproveitadas, no entanto, porque o agronegócio brasileiro, em acentuada modernização há 30 anos, estava preparado para ocupar espaços - apesar da guerra declarada ao setor por uma parte do grupo no poder a partir de 2003.

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Manchetes do dia

Domingo, 13 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Usina sofre explosão, mas radiação é baixa, diz Japão"

Danos não atingiram reator nuclear, afirma governo; mortos no terremoto já passam de 550

A usina nuclear de Fukushima, no norte do Japão, vazou radiação e sofreu explosão em decorrência do terremoto que atingiu o país anteontem. Segundo o governo japonês, o vazamento não é grande, e o reator não sofreu danos. Equipes de resgate procuravam ontem por sobreviventes. O total de mortos pode passar de 1.300. Em Minamisanriku, Estado de Miyagi, cerca de 9.500 pessoas estão desaparecidas. Mais de 215 mil estão em 1.350 abrigos, a maioria sem água nem luz. Os trens-bala que ligam a capital até a zona mais tingida continuavam fora de serviço ontem, quando mais de 85 tremores levaram pânico a várias cidades e causaram corrida a mercados em busca de água e comida. Comunidades de brasileiros no país montaram por conta própria uma lista de supostos desaparecidos. Na relação, há pelo menos sete pessoas das regiões de Sendai e Fukushima, atingidas pelo tremor.

O Estado de São Paulo
"Vazamento nuclear desafia Japão"

Terremoto causa explosão de edifício de usina atômica e governo tenta conter contaminação radioativa

A explosão do edifício que abriga um dos reatores da usina atômica de Fukushima Daiichi elevou o temor de um desastre nuclear no Japão, em conseqüência do terremoto que atingiu o país na sexta-feira. O governo tenta agora conter o vazamento de material radioativo. O nível de radiação ao redor da usina está oito vezes maior que a usual e foi ampliado de 3 km para 20 km o raio no qual os moradores tiveram de abandonar suas casas. Especialistas em energia atômica avaliam que os reatores japoneses são bem protegidos e não deve se repetir o desastre de 1986 em Chernobyl.

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Iate

 
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