sábado, fevereiro 26, 2011

Cão de praia

Alerta vermelho!

Quatro tipos de dengue assolam Manaus

Rubens Zaidan, O Estado de S.Paulo
Pela primeira vez, os quatro sorotipos do vírus da dengue circulam simultaneamente em Manaus. A capital do Amazonas enfrenta uma epidemia da doença desde o início do ano. A presença do sorotipo 4 (DEN-4), também pela primeira vez em uma epidemia no País, preocupa especialistas.

"A circulação dos quatro sorotipos ao mesmo tempo é um fato inédito no Brasil. Até agora não havia sido registrada essa situação em nenhum Estado brasileiro", afirma o coordenador do Centro de Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, Luis Tadeu Figueiredo.

"O sorotipo 4 só foi identificado até agora no Norte. É o último grau que a disseminação da dengue pode chegar. É um sinal ruim, porque significa que vamos ter mais casos graves de dengue", acrescenta.

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Nota do Editor - A dengue avança e os governos dos países assolados pela epidemia advertem o povo: matem mosquitos! Enquanto isso desperdiçam milhões em armas inúteis e em propaganda de seus feitos. Estamos no século XXI, mas em certos momentos surge a dúvida: não é o XIX? A dengue só será erradicada com vacina. E por que ainda não foi feita a tal vacina? Porque falta dinheiro. Gastamos zilhões para ir à Lua, estamos gastando zilhões para tirar petróleo do fundo do mar. Não seria lógico gastar alguns milhões e acabar com esse mal desnecessário? Seria, mas quem buscar lógica na cabeça de políticos perderá tempo.

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Opinião

Via torta para o adesismo

O Estado de S.Paulo - Editorial
A oposição fracassou consistentemente na sua função institucional de apresentar-se para a maioria do eleitorado brasileiro como alternativa ao lulismo. Em 2006, quando o mensalão deixara a descoberto o presidente em busca do segundo mandato, o candidato da coligação PSDB-DEM, Geraldo Alckmin, conseguiu o feito sem precedentes de sair do segundo turno com menos votos do que no primeiro. Em 2010, tendo como adversária uma apadrinhada de Lula que nunca antes tinha participado de uma eleição, a campanha errática de José Serra incluiu mostrá-lo ao lado do presidente no horário eleitoral, apelar para o fundamentalismo religioso e, em desespero de causa, sacar uma demagógica promessa de elevar o salário mínimo a R$ 600.

O vazio oposicionista e o êxito de Lula na armação de aliança de 17 partidos em torno do nome de Dilma Rousseff produziram mais do que a vitória da ex-ministra. As urnas a premiaram com a maior base política já vista no Congresso Nacional: 388 cadeiras em 513 na Câmara dos Deputados e 63 em 81 no Senado. Além disso, nestes seus quase dois meses de governo, a presidente nada fez que a oposição pudesse ou soubesse capitalizar em proveito próprio perante a sociedade. E agora, enquanto se perpetua a sua incapacidade de dizer qualquer coisa que o País deva ouvir, uma parcela do DEM, movida pelo que há de mais raso na política - a ambição pessoal nua e crua - busca uma via torta para o adesismo.

Aflito com o que será dele em 2014, o prefeito paulistano Gilberto Kassab vem há tempos tentando se safar dos efeitos da hegemonia do PSDB no Estado - a mencionada hipótese de os tucanos abrirem mão de indicar um dos seus para a futura disputa pelo Palácio dos Bandeirantes é um engodo. Rejeitada pela cúpula demista a sua ideia de fundir o partido com o PMDB, Kassab quis migrar para a sigla chefiada em São Paulo pelo vice-presidente Michel Temer, mas novamente ouviu um não. Não perderá nada, aliás: o PMDB está morto em São Paulo, com um deputado federal e quatro estaduais. Eis que, conversa daqui, conchava dali, encontrou um ombro amigo na figura do governador de Pernambuco e número um do PSB, Eduardo Campos. Com 34 deputados e 3 senadores, o partido pensa grande.

Para a sigla ser mais do que linha auxiliar do governo, Campos quer abri-la a todos quantos se sintam desconfortáveis onde se encontram. Dispensam-se afinidades ideológicas. A agremiação, que de socialista só conserva o nome e o programa datado de 1947, não viu problema algum, por exemplo, em ter como candidato ao governo paulista o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Mas os rigores das normas sobre infidelidade partidária não permitem que os descontentes simplesmente vistam a descolorida camiseta pessebista. O que se permite é o abandono da legenda para formar uma nova - e a fusão desta com outra agremiação qualquer.

Ficaria assim, pois: os Kassabs do País inteiro se mudariam para uma habitação denominada Partido da Democracia Brasileira (PDB) e esta se fundiria com o PSB. Campos calcula que a jogada acrescentaria 20 nomes à sua bancada federal, convertendo-a na terceira força na Câmara (depois do PT e do PMDB). Mas nem todos os vira-casacas em potencial usariam o PDB como escala técnica para o PSB. Na expectativa de que a reforma política em cozimento a fogo brando no Congresso abra uma janela de oportunidade para o troca-troca - a infidelidade seria autorizada durante um período a cada quatro anos -, não faltará quem prefira bandear-se para o velho e acolhedor PMDB ou para outro partido governista, onde os espaços eleitorais sejam maiores.

Sinal dos tempos, os planos de abandono do barco oposicionista começaram pelos passageiros mais exaltados. "A oposição está na UTI", diz a senadora demista do Tocantins, Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, citada pela Folha de S.Paulo. Se assim é, o DEM está à beira da extrema-unção. Os seus melhores nomes, como o do pernambucano Marco Maciel, estão praticamente aposentados, sem deixar sucessores à altura. Os muito vivos se preparam para mudar não de legenda, mas de campo. Se o PP, outro descendente da antiga Arena do regime militar, pode ser governo, por que não eles?

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Manchetes do dia

Sábado, 26 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"EUA atropelam a ONU e anunciam sanções à Líbia"

Europa tomará medida similar; Gaddafi discursa, aumenta salários e dá dinheiro a desempregados

O governo norte-americano se adiantou à ONU e anunciou a suspensão das atividades de sua embaixada em Trípoli e a adoção de sanções unilaterais contra o país de Muammar Gaddafi. Os EUA não deram detalhes, mas as medidas devem incluir o embargo à venda de armas e o congelamento de bens de autoridades líbias no exterior. Sanções semelhantes serão praticadas pela União Europeia.

O Estado de São Paulo
"Atrocidades de Kadafi levam EUA e ONU a se mobilizarem"

Washington anuncia sanções, Conselho de Segurança é convocado e Ban Ki-moon pede ‘ações concretas’

O ditador da Líbia, Muamar Kadafi, prometeu ontem que vai “esmagar qualquer inimigo”, em meio ao avanço de rebeldes em Trípoli. Testemunhas disseram que forças leais a Kadafi abriram fogo contra manifestantes na capital. A violência da reação do ditador levou a comunidade internacional a se mobilizar. Os EUA anunciaram sanções unilaterais e a suspensão das relações diplomáticas com a Líbia. O Conselho de Segurança da ONU começou a tratar de punições - países árabes e da África pediram que elas sejam “severas”, O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou “ações concretas” do conselho e disse que é preciso impedir um massacre. A ONU já documentou as atrocidades cometidas pelo regime líbio na atual campanha. Os dados podem ser usados em julgamento por crimes contra a humanidade.

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Homeless

Londres, 1997

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Saiba mais

Pré-sal. Hoje. No Discovery Channel.

Sidney Borges
O Discovery Channel exibe hoje, sexta-feira 25, às 22h, um documentário sobre o pré-sal, tema da maior importância para os brasileiros. O documentário mostra os aspectos econômicos, tecnológicos e ambientais envolvidos na extração do ouro negro dos domínios de Netuno. O petróleo que vai redimir a pátria está a 300 quilômetros da costa, a sete quilômetros de profundidade e debaixo de uma camada de sal de dois quilômetros. Içaaa!

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Detalhe do Paraíso...

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Coluna do Celsinho

Bom caminho

Celso de Almeida Jr.
Nos próximos meses, poderemos avaliar com maior clareza quais partidos políticos de Ubatuba exercem suas funções em plenitude.

Partidos – originalmente - existem para estimular o surgimento de novas lideranças, promover debates, apresentar propostas para o desenvolvimento do município.

Felizmente, este dinamismo já pode ser observado em algumas agremiações da cidade que, de forma organizada, divulgam constantemente informações de suas atividades internas: as agendas de reuniões; a promoção de encontros com a juventude, com lideranças comunitárias, empresários, etc.

Trata-se de um grande avanço para a nossa sociedade.

O fortalecimento dos partidos é um importante caminho para o exercício da cidadania.

Nestas instituições os filiados aprendem a ouvir, apresentam a sua opinião; percebem que é possível trabalhar em equipe, preparando-se para o exercício do poder.

É nesta hora que os políticos mais experientes podem compartilhar o seu conhecimento com os iniciantes, facilitando a caminhada.

Destes encontros nascem as lideranças autênticas, preparadas para o saudável e civilizado embate político.

Para homens e mulheres preparados sob estes princípios não há espaço para teatrinho, nem claque patrocinada para ovacionar manda-chuva.

Nas eleições municipais do próximo ano pretendo dedicar o meu voto ao partido que melhor organização demonstrar até lá.

É importante, também, que as lideranças partidárias expressem o pensamento de sua legenda sobre os temas em evidência na cidade.

Essa clareza, essa franqueza, precisa ocorrer com a máxima urgência.

Não é mais possível ficar contemporizando com situações críticas, perigosas para o presente e o futuro do município.

Ao manifestarem-se com firmeza, com a retaguarda de seus filiados e respectivos diretórios regionais, os líderes partidários municipais revelam independência e desprendimento, jogando por terra a repugnante estratégia de políticos especializados em colecionar legendas de aluguel.

Considero, também, que Ubatuba já superou a fase dos movimentos políticos.

Concordo que, no passado, eles cumpriram o seu papel.

Têm, porém, o defeito de não deixar claro suas intenções, servindo muitas vezes como trampolim para quem não quer assumir claramente uma candidatura.

No momento, precisamos de um jogo muito transparente.

Posições definidas.

Saber quem é quem.

Derrubar os medos, implodir as chantagens, desmascarar as más intenções.

Ubatuba precisa de atitudes assim.

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Opinião

As contas externas do primeiro mês de governo

O Estado de S.Paulo - Editorial
É provável que daqui a alguns meses tenhamos que concluir que a herança deixada por Lula à sua sucessora, no plano das finanças públicas, não foi tão preocupante quanto a das contas externas. A divulgação dos dados pelo Banco Central (BC), anteontem, permitiu ver como será difícil o novo governo evitar a deterioração do balanço de pagamentos em razão da política anterior, que deixou "contas a pagar" e se financiou em operações que poderão não estar mais disponíveis, por causa da mudança da conjuntura internacional.

A leitura de apenas alguns dados escolhidos mostra as dificuldades que o governo terá de enfrentar para não criar um problema de insolvência do País. A balança comercial brasileira, que ainda em dezembro colheu um superávit de US$ 5,367 bilhões, deixou janeiro com US$ 424 milhões, graças ao forte recuo das exportações, enquanto as importações continuaram robustas. A alta do preço do petróleo tornará mais caras nossas importações de derivados e poderá piorar a situação da balança comercial.

O déficit de serviços e renda diminuiu um pouco, levando em conta que, em dezembro, foi elevado o pagamento dos juros sobre a dívida. No entanto, essa evolução não se traduziu por uma redução do déficit das transações correntes, que passou de US$ 3,493 bilhões, em dezembro, para US$ 6,409 bilhões, em janeiro, embora o BC mantenha uma estimativa de déficit de US$ 60 bilhões para o exercício de 2011.

Esse déficit terá de ser coberto com o resultado da conta financeira do balanço de pagamentos. O resultado do mês de janeiro poderia ser recebido com satisfação, já que o saldo positivo da conta financeira, que havia sido de US$ 6,3 bilhões, em dezembro, passou para US$ 13,9 bilhões, em janeiro.

Aparentemente, isso sinaliza um aumento da confiança no Brasil por parte dos investidores estrangeiros. No entanto, o que nos parece mais importante é verificar a qualidade dos aportes estrangeiros. Sem dúvida, o que mais interessa ao Brasil são os investimentos diretos que, em dezembro, apresentaram um valor de US$ 13,3 bilhões, mas que caíram para US$ 1,8 bilhão, em janeiro. Em compensação, os investimentos em carteira (ações e títulos de renda fixa), que foram de US$ 649 milhões, em dezembro, subiram para US$ 4,9 bilhões, em janeiro. São papéis muito voláteis, que dependem da política monetária do BC e sobre os quais pagamos um juro muito alto. Falta conhecer a evolução da dívida externa bruta em janeiro para melhor avaliar a situação.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 25 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo já discute idade mínima de aposentadoria"

Proposta é de 65 anos para homens e 60 para mulheres e só para quem ainda não trabalha

O governo discute a adoção de idade mínima para a aposentadoria integral dos trabalhadores do setor privado, informam Natuza Nery e Gustavo Patu. A proposta mais forte é de 65 anos para homens e de 60 para mulheres no caso dos segurados do INSS. A mudança valeria só para quem ainda não ingressou no mercado de trabalho.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes se aproximam de Trípoli; mortos já seriam 2 mil"

Forças de oposição a Kadafi tomam cidades estratégicas para a defesa do ditador; 30 mil fogem da Líbia

Os rebeldes líbios que lutam para derrubar Muamar Kadafi tomaram duas cidades ao oeste de Trípoli, região estratégica para manter o ditador no poder. Mercenários a serviço de Kadafi atacaram nas proximidades da capital e teriam matado pelo menos 90 pessoas, segundo testemunhas. Estrangeiros que já deixaram a Líbia relatam que as forças de Kadafi já fizeram mais de 2 mil vítimas. Em quatro dias, pelo menos 30 mil pessoas escaparam pelas fronteiras terrestres da Líbia. As empresas brasileiras que têm negócios no país retiraram ontem, em segurança, parte dos funcionários.

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quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Arte

Edgar Ende (1901 - 1965), pintor alemão adepto do surrealismo

Ubatuba em foco

Juiz acata denúncia

Sidney Borges
Muitos e-mails e telefonemas perguntam sobre os desdobramentos da decisão judicial que acatou a denúncia do MP contra notáveis da política local, incluindo o prefeito Eduardo Cesar. A denúncia refere-se ao "caso do IPTU", que motivou apreensão de computadores e quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos.

Cumprido o prazo estabelecido pela justiça os acusados vão apresentar defesa e arrolar testemunhas. O mesmo será feito pelo MP. Concluidos os trabalhos o MP fará a réplica da denúncia e o processo estará concluído para julgamento. A sentença deve sair ainda este ano, por volta de agosto ou setembro.

Em tempo, está na boca do forno a sentença do "Caso Praxedes". Aguardem.

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Opinião

Da água para o vinho

O Estado de S.Paulo - Editorial
Os assessores da presidente Dilma Rousseff repetem a toda hora que a diferença entre ela e o antecessor Luiz Inácio Lula da Silva é de estilo, não de substância. Pelo menos numa área crucial para um país como o Brasil - a política externa - o que se acaba de ver é outra coisa: uma mudança substancial, da água para o vinho. Inicialmente, os desconfiados podiam atribuir ao feminismo e à condição de ex-presa política da ainda presidente eleita a sua crítica aberta à recusa brasileira, no ocaso da era Lula, de condenar o Irã na ONU por graves violações de direitos humanos, notadamente no episódio da viúva Sakineh Ashtiani, condenada ao apedrejamento por suposto adultério e cumplicidade na morte do marido. A menos de um mês da posse, numa entrevista ao Washington Post, Dilma assegurou que a sua posição não iria mudar quando estivesse na cadeira presidencial. A promessa acaba de passar por seu primeiro teste.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, sob a presidência da brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, condenou anteontem por unanimidade o regime do coronel Muamar Kadafi pela selvagem repressão contra a população líbia, na tentativa de dar fim às manifestações pela sua derrubada do poder em que se instalou há 41 anos. O colegiado também exigiu uma solução negociada para a crise no país. O Brasil foi um dos patrocinadores do texto aprovado. Mais do que isso, sustentou a iniciativa da Grã-Bretanha, em nome da União Europeia, para que o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em reunião extraordinária afinal marcada para amanhã, em Genebra, abra uma investigação sobre as atrocidades perpetradas pela tirania líbia. Previsivelmente, trabalharam contra a proposta - e a mera convocação do Conselho - os países árabes (exceto a Jordânia), africanos, Cuba e Venezuela.

Para ficar na última exibição de opróbrio da diplomacia lulista, em novembro último, ao se abster de condenar o Irã, o Brasil se alinhou com esses mesmos regimes, além da própria Líbia. Com Kadafi, o brasileiro tinha cevado relações quase tão próximas quanto as que mantém com os irmãos Castro e o caudilho Hugo Chávez. Em dezembro de 2003, quando ainda não havia completado um ano no Planalto, Lula teve em Trípoli o primeiro de seus quatro encontros com o tirano homicida. Numa tenda estritamente vigiada por soldados armados com metralhadoras, Lula afirmou que jamais esqueceu "os amigos que eram meus amigos quando eu ainda não era presidente". Não se tratava de negócios; era mesmo pessoal. Não admira que, de volta à Líbia, passados 6 anos e mais um encontro, daquela vez na Nigéria, Lula o saudasse como "amigo e irmão". Tampouco admira que, na boataria sobre a fuga de Kadafi, o Brasil tenha sido citado como um dos seus possíveis destinos, depois da Venezuela.

Pode-se apostar 1 milhão contra 1 tostão, portanto, que, se a tempestade de areia que varre o mundo árabe e engolfou a Líbia tivesse estalado quando Lula se tostava ao sol de sua popularidade e Dilma presidente ainda era uma miragem, o então chanceler Celso Amorim aceitaria de bom grado a instrução do chefe para minimizar a matança ordenada pelo "amigo e irmão". E o Brasil estaria na companhia de sempre ao lado dos opressores. Como a história não se escreve como Lula provavelmente teria apreciado, no seu lugar está uma defensora sem meios termos dos direitos humanos, e no lugar de Amorim está um chanceler, Antonio Patriota, que não poderia ter sido mais firme ao exprimir publicamente, mais de uma vez, o repúdio cabal do Planalto às atrocidades na Líbia.

Na terça-feira, enquanto a delegação do Brasil fazia a coisa certa na sede das Nações Unidas em Nova York, em Brasília, numa entrevista ao lado da colega francesa Michèle Alliot-Marie, o chefe da diplomacia brasileira usava as palavras certas - "inadmissível, inaceitável" - para qualificar a violência hidrofóbica de Kadafi contra manifestantes desarmados. O ensandecido Kadafi está submetendo o seu povo a sofrimentos sem paralelo nos 87 anos de vida independente da Líbia. Mas isso deu objetivamente à presidente Dilma a oportunidade de romper com uma política externa que só serviu para envergonhar o País na comunidade das nações democráticas.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 24 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Cerco a ditador cresce, e Europa teme êxodo árabe"

Líbia tem 1,5 milhão de imigrantes ilegais; Gaddafi arcará com consequências da violência, diz Obama

Forças antigoverno fecharam o cerco contra Muammar Gaddafi. Além do leste da Líbia, já tomado, opositores dizem ter dominado cidades do oeste, como Misratah (a terceira maior do país), outras duas no golfo de Sirt e localidades a 50 km de Tripoli. Difusa, a oposição a Gaddafi atrai da classe média líbia a dissidentes de tribos. Entre as reivindicações, estão uma assembleia nacional para definir o governo interino e uma Constituição.

O Estado de São Paulo
"Militares aderem à oposição; Kadafi apela a mercenários"

Parte do Exército se junta aos insurgentes no leste da Líbia; comunidade internacional isola ditador

O regime sustentado pelo coronel Muamar Kadafi ao longo dos últimos 42 anos na Líbia está desmoronando. Ontem, parte das Forças Armadas se juntou aos insurgentes em grandes cidades do leste do país. Militares e mercenários estariam concentrados em um raio de 40 km de Trípoli, onde tentam garantir a sobrevida da ditadura. Entidades de direitos humanos dizem que os mortos já chegaram a 640. A ferocidade da reação de Kadafi aos opositores fez a comunidade internacional se mobilizar para isolar a Líbia. Ontem, a Europa estabeleceu sanções econômicas, e os EUA caminhavam para fazer o mesmo. A Liga Árabe afastou Kadafi de suas reuniões.

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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Sem Photoshop

Notas Nucleares

Angra 2 é desconectada do Sistema Elétrico

Eletrobras/Eletronuclear
A Usina Nuclear Angra 2 está desconectada do Sistema Interligado Nacional (SIN) desde as 3h25min de hoje (22/02/11).

Inicialmente, houve uma falha no sistema de medição de pressão de vapor principal, na saída da turbina de alta pressão - parte convencional da Usina, sem interferência com sistemas radioativos. Como esperado, o reator permaneceu em operação normal.

Às 08h55min, após normalização do canal de pressão da turbina, o gerador elétrico principal foi sincronizado ao SIN. Devido à falha na sinalização da Chave de Abertura em Carga, que conecta o gerador à rede elétrica nacional, a Unidade foi retirada manualmente do Sistema e, desta vez, o reator foi desligado automaticamente.

De acordo com os procedimentos de operação, nos dois casos acima (3h25min e 08h55min), foi declarado, preventivamente, Evento Não Usual.

O motivo da falha da sinalização da Chave de Abertura em Carga está sendo verificado, e o retorno de Angra 2 à operação está condicionado a esta normalização.

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Opinião

Dilma e a imprensa livre

O Estado de S.Paulo - Editorial
"Uma imprensa livre, pluralista e investigativa é imprescindível para um país como o nosso (...) Devemos preferir o som das vozes críticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras", disse a presidente Dilma Rousseff no evento comemorativo de 90 anos da Folha de S.Paulo. Não é a primeira vez que a chefe de governo faz profissão de fé na imprensa livre, fundamento básico da democracia. Essas mesmas palavras ela já havia dito quando, recém-eleita, concedeu a sua primeira entrevista coletiva. E voltou a repetir o compromisso, sempre que oportuno. Mas o pronunciamento feito na Sala São Paulo diante de uma plateia de 1.200 convidados tem um significado especial e relevante. Primeiro, pelo inequívoco sentido de alerta, quase uma palavra de ordem sobre a postura que os governantes devem manter em relação à imprensa, claramente explicitada na presença de todos aqueles com quem Dilma divide a responsabilidade de governar. E também, não menos importante, por tudo o que pode significar o simples fato de a presidente da República comparecer naquele evento e afirmar o que afirmou. Pode significar o resgate das relações de respeito e de compreensão mútua dos respectivos papéis que devem caracterizar a convivência entre o poder público e a mídia numa sociedade democrática. É com otimismo, portanto, que, com mais esse vigoroso pronunciamento, se constata que o passado recente de permanente beligerância do poder central contra a imprensa livre é página virada.

Seguidores fiéis do ex-presidente Lula, como o fez há pouco o ministro Gilberto Carvalho, têm sistematicamente desdenhado os elogios a Dilma Rousseff por parte de quem, como este jornal, não poupa críticas a Lula quando julga que as merece. Argumentam que o que se pretende é "desconstruir" a imagem do ex-presidente. Na verdade, não fazem mais do que repetir o que o próprio Lula tem afirmado sempre que surge a oportunidade. Mas não há como deixar de registrar, e aplaudir, a enorme diferença, que não é apenas de estilo, entre as posições firmadas por Dilma numa questão fundamental como esta, a da liberdade de imprensa, e as insistentes diatribes de Lula e seus prepostos contra o trabalho dos jornalistas e a favor do "controle social" da mídia.

A verdade é que há muitos anos não se ouviam, por parte do chefe da Nação, declarações tão auspiciosas sobre os fundamentos da pluralidade democrática e o verdadeiro papel da imprensa. Afirmou Dilma Rousseff: "A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem. E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas".

Em sua intervenção, o diretor de redação do jornal, Otávio Frias Filho, lembrou que, em nome do leitor, os jornalistas exercem a função de fiscais do governo, tendo sempre um compromisso com a democracia e com o desenvolvimento do País.

Essa alusão aos pesos e contrapesos que mantêm o equilíbrio da convivência democrática acabou estabelecendo uma feliz relação dialógica com o discurso da presidente da República, o que abre nova e promissora perspectiva para o futuro da imprensa no País. Pois, se a mídia conhece a extensão de sua responsabilidade social e sabe que essa responsabilidade deve ser cobrada pela sociedade, cabe ao poder público ser fiador do ambiente de liberdade indispensável ao exercício pleno da atividade jornalística. Dilma Rousseff demonstrou firme convicção nesses princípios ao reiterar seu "compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião". E foi além: "Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige, sobretudo, este contraditório, e repito mais uma vez: o convívio civilizado, com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações". Um discurso realmente novo.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Ditador líbio diz que só sai morto"

Gaddafi vai à TV e conclama aliados a atacar os “rebeldes” dentro das casas; opositores dominam o leste do país

Em discurso pela TV, o ditador líbio, Muammar Gaddafi, disse que não deixará o país e que morrerá como “mártir”, se for necessário. No poder desde 1969, Gaddafi conclamou partidários a resistir aos “ratos e mercenários” que tentam derruba-la. “Muammar não é presidente para renunciar, Muammar é o líder da revolução para sempre”, disse.

O Estado de São Paulo
"Oposição avança e Kadafi promete ‘morrer como mártir’"

Ditador líbio acusa ‘ratos’ pela crise; ministro do Interior sai e pede apoio militar a rebeldes

Em meio ao avanço de forças opositoras, o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, foi à TV garantir que ainda estava no país e esmagaria os “ratos e mercenários” que abalaram seu regime - ele mandou bombardear os opositores. “Não abandonarei esta terra. Morrerei aqui como mártir”, afirmou. O ministro do Interior, general Abdul Fatah Yunis, renunciou ao governo e convocou o restante das Forças Armadas a segui-lo. Na fronteira com a Tunísia, os sinais são de que o Estado líbio desmoronou, relata o enviado especial à região, Andrei Netto. Saifal-Islam, filho de Kadafi, afirmou que pelo menos 300 pessoas morreram em uma semana de distúrbios, incluindo 58 militares. Já os dissidentes falam em mais de 500 mortos.

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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Filme: Rin Tin Tin contra a "carrocinha sinistra"

Mundo

'Não é como Egito e Tunísia', diz analista israelense

Daniela Kresch, O GLOBO / Blog do Noblat
Para a cientista política israelense Yehudit Ronen, da Universidade Bar-Ilan, a Líbia já está em guerra civil. Autora de "A Líbia de Kadafi na Política Mundial" (2008), Ronen não parece muito otimista quanto ao futuro do país norte-africano.

Muamar Kadafi pode cair?

Sim, não é mais um cenário imaginário. Agora, há uma guerra civil. A pergunta é a seguinte: se Kadafi for mesmo derrubado, cai só seu governo ou o regime como um todo? São duas coisas diferentes.

Mas o regime líbio não gira em torno de Kadafi?

Sim, mas ele pode cair e o regime do "Livro Verde" continuar, talvez através de seu filho, Saif al-Islam. Ou através de Shukri Ghanem, presidente da Corporação Nacional de Petróleo, um dos homens mais fortes do país.

Saif parece estar aliado ao pai, mas pode traí-lo?

Com certeza. Ele é jovem, está há anos na cúpula do governo, gerenciando áreas estratégicas. Por ser mais a favor de uma aproximação com o Ocidente, pode acabar sendo aceito como novo líder.

Pode haver ruptura?

A Líbia vive rivalidades tribais antigas. Mas dividir o país não funcionaria, porque o petróleo está concentrado numa área.

Como a senhora vê a Líbia pós-Kadafi?

Precisará passar por estabilização. Hoje, não há credibilidade nas instituições. A Líbia não é como o Egito e a Tunísia, onde há padrões governamentais estabelecidos, independentemente de bons ou ruins. Nesses países, há um cotidiano burocrático, associações e uma sociedade civil que funciona. Na Líbia não: o sistema é instável, fechado, em constante mudança. Tudo passa por tráfico de influência e comitês intermináveis. É totalmente incerto o que vai acontecer.

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Ramalhete de "causos"


Comer ovo é perigoso

José Ronaldo dos Santos
Eu cresci vendo de tudo um pouco. Ainda agora estava pensando em quantos da minha família viveram dramas medonhos devido à “mardita branquinha”, tão comum na nossa cultura caiçara. Afinal, engenhos para a produção de aguardente se estabeleceram no território de Ubatuba desde o ciclo do ouro, no século XVII. Daqui saía, além da pinga, peixe seco e farinha de mandioca.

Um tataravô por parte de pai era proprietário, até o início XX, de um alambique na praia do Pulso. Do funcionamento dele aprendi muito através da vó Martinha. A mesma chegou a trabalhar na produção do precioso produto. Talvez fosse por isso que ela era tão compreensiva com o filho viciado na “manguaça”. Porém, nunca desistiu de procurar um tratamento para o meu estimado tio Chico.

Numa ocasião, em acordo prévio com um médico, a vó Martinha resolveu dar um susto no filho. Poderíamos chamar de “tratamento de choque frustrado”. Foi assim: os dois entraram para a consulta. O doutor, impecavelmente branco, passou quase uma hora dando uma palestra-sermão sobre os efeitos do álcool no organismo humano. Tio Chico, homem do mar, já estava desesperado pelas palavras, pelos nomes de doenças que nem sabia das existências. Disse-me depois que aquilo foi “uma verdadeira surra de língua”. Em seguida, numa didática ensaiada, o doutor quebrou um ovo dentro de um copo, despejou álcool até a metade, esperou um pouco. Logo o ovo estava talhado, semelhante ao leite respingado com sumo de limão.

Pegando aquela coisa esquisita, cuja intenção era mostrar algo semelhante ao que está sujeito o fígado de quem consome bebidas alcoólicas, o doutor perguntou:

- Tá vendo, seo Chico? Tá vendo as condições sob o efeito do álcool? O que o senhor tem a me dizer depois disso?

A resposta do meu tio imediatamente foi:

- Tô vendo sim, doutor! Ainda bem que fui alertado a tempo desse perigo! Deus lhe pague porque eu só posso agradecer! Nunca mais comerei ovo!

Sugestão de leitura: Terra em chamas, de Bernard Cornwell.

Boa leitura!

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Opinião

Aumentam as reservas de petróleo do País

O Estado de S.Paulo - Editorial
Entre 2009 e 2010, as reservas provadas de petróleo aumentaram de 12,8 bilhões para 14,2 bilhões de barris (+10,65%), segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O montante das reservas, sobretudo provadas, é a principal medida de valor das empresas e das economias dos produtores de petróleo, como o da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O crescimento das reservas brasileiras foi o maior desde 2002, último ano do governo Fernando Henrique, quando o aumento foi de 15,4%. No ano passado, as reservas totais - provadas, prováveis e possíveis, incluindo o gás natural - aumentaram 34,57%, maior alta desde 2000, passando de 21,1 bilhões para 28,4 bilhões de barris ou o equivalente em gás. Para isso, contribuiu a inclusão das reservas dos campos do pré-sal da Bacia de Santos, nas áreas de Tupi e Iracema, no Bloco BM-S-11; dos Campos de Barracuda, Caratinga, Marlim, Marlim Leste e Pampo, na Bacia de Campos; além dos projetos de aumento da recuperação de óleo e gás nos Campos de Albacora Leste, Maromba, Marimbá, Marlim Sul, Marlim Leste e Roncador, na Bacia de Campos, e da concessão de Leste de Urucu, na Bacia do Solimões.

Entre as consequências imediatas do aumento das reservas está a de tornar mais fácil a captação dos recursos de que a Petrobrás necessita para explorar toda a área do pré-sal, que demandará centenas de bilhões de dólares (por ora, as estimativas rondam a casa dos US$ 600 bilhões). Reforça-se, ademais, a posição relativa do Brasil entre os países produtores, pois poucos têm conseguido elevar as reservas em níveis significativos, além de destinar mais óleo bruto para exportar.

Com a recuperação global, está em curso uma tendência bem definida de alta dos preços da commodity: as cotações, tanto do tipo West Texas Intermediate (WTI) como do tipo Brent, saíram da faixa dos US$ 40 o barril, no início do ano passado, para a casa dos US$ 90, no início deste ano, chegando a até US$ 108 (tipo North Sea Brent), ontem. São preços que permitem remunerar satisfatoriamente os produtores, salvo se afetados por desastres ambientais ou custos imprevisíveis, por exemplo, na exploração do pré-sal.

A tensão no Oriente Médio, ameaçando países cujas oposições até há pouco estavam sob controle, como Irã e Líbia (respectivamente, 2.º e 10.º maiores produtores entre os membros da Opep), pressiona as cotações e favorece os produtores menos sujeitos a problemas de estabilidade política, como o Brasil.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Gaddafi massacra líbios, e parte do governo já deserta"

Repressão fez ao menos 400 mortos, segundo estimativas, mas opositores dominam áreas do país

Após seis dias de uma revolta que deixou ao menos 400 mortos e paralisa até Trípoli, a capital, o governo do ditador líbio Muammar Gaddafi – há 42 anos no poder – dá sinais de implosão. Mesmo usando bombardeios e metralhadora contra civis, o regime perdeu o controle de áreas inteiras do território, como Benghazi, a segunda maior cidade do país. Gaddafi já enfrenta deserções de ministros, chanceleres, Forças Armadas e até de tribos que o apoiavam. Há relatos sobre fuga do ditador para a Venezuela. Diplomatas líbios e o governo Hugo Cháves negaram. Em SP, o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) declarou que “[as autoridades líbias] alcançaram um padrão de violência absolutamente inaceitável”. Desde sábado, o Itamaraty tenta retirar 123 brasileiros de Benghazi em um avião fretado. Segundo o governo, cerca de 600 brasileiros vivem na Líbia, 400 deles em Trípoli.

O Estado de São Paulo
"Dissidentes líbios são bombardeados"

Pior dia da repressão a opositores de Kadafi inclui ataques aéreos; ONGs falam em 300 mortos

As manifestações na Líbia contra os 42 anos de ditadura do coronel Muamar Kadafi enfrentaram ontem o mais sangrento dia de repressão. Em uma jornada caótica, o governo teria ordenado à Aeronáutica que bombardeasse os dissidentes nas ruas da capital, Trípoli, para onde centenas de milhares de líbios estariam marchando para protestar contra o coronel. O ministro da Justiça renunciou em protesto pelo uso excessivo da força na repressão. Embaixadores líbios abandonaram seus postos, e dois pilotos da Força Aérea desertaram, refugiando-se em Malta. Organizações internacionais falam em mais de 300 mortos. Ao longo do dia, os rumores sobre a partida de Kadafi rumo ao sul do país se multiplicaram, mas não foram confirmados. Ataques contra prédios públicos, como o Congresso Geral do Povo, o Parlamento líbio e o Ministério da Justiça, se multiplicaram. Postos de polícia, comitês governamentais e emissoras de TV e rádio estatais também foram destruídos.

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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Turismo

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Coluna do Rui Grilo

Causos do ECA - Muitas histórias

Rui Grilo
Atendo o carteiro e ele me entrega um pacote da Telefônica e as contas. Abro o pacote e verifico que é um exemplar com os relatos premiados no 6º concurso Causos do Eca, promovido pela Fundação Telefônica, cujo objetivo é a divulgação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, que em 2010 completou vinte anos.

Coincidentemente, ontem, dia 17/02 ocorreu um chat de bate papo entre os participantes do Curso Ação e Proteção e os orientadores do curso e que, neste módulo debateu o abuso e a violência sexual.

Houve várias participações e uma das questões levantadas foi o despreparo dos conselheiros tutelares no atendimento às vítimas desse abuso. Logo em seguida surgiu como solução a extinção dos conselhos, proposta imediatamente rechaçada pelos orientadores do curso e por participantes que detém muita experiência nessa questão. É uma solução que pode ser ilustrada pela expressão popular “jogar a criança junto com a água do banho”.

Não se pode negar que ainda haja muitos problemas na aplicação do ECA, inclusive pelo boicote de alguns juízes e autoridades que viram seu poder dividido com os conselheiros tutelares, os quais podem acionar a própria justiça para ver o cumprimento da lei para preservar os direitos da criança e do adolescente. Outra distorção é aquela que ocorreu em Ubatuba, da tentativa de atrelamento do conselho a políticos como forma de cooptar eleitores e cabos eleitorais, problema causou o afastamento de vários conselheiros e vereadores.

Quem propõe a extinção do conselho está cego em não ver a lentidão da justiça no Brasil, e que não dá conta de encaminhar os processos judiciais. Os conselhos, de certa forma, filtram cada caso e eles próprios dão encaminhamentos, reservando aos juízes os casos mais graves de atos infracionais. Consegue dessa forma agilizar a ação da justiça, porque a criança e o adolescente não podem esperar, ficar à mercê da burocracia do judiciário. E a solução dos problemas depende da eficiência da justiça em julgar sem demora cada caso, especialmente no que se refere a crianças e adolescentes.

Não tive tempo ainda para ler o livro todo, mas li alguns e, após o relato, há um comentário de um especialista e a relação dos artigos do ECA aos quais o causo se relaciona. São muito interessantes para mostrar o poder transformador de uma lei.

O número de pessoas envolvidas na produção do livro e na produção e participação do curso Ação e Proteção é um fator para elevar a nossa esperança em uma melhoria da sociedade.

Paralela a essa atividade, o Movimento Ubatuba em Rede realizará hoje (dia 21/02), às 19 h na Câmara Municipal, o Seminário Cultura e Políticas Públicas para Juventude.

A união desses temas é justamente pelo fato de que as atividades culturais e esportivas tem sido meios eficientes de inclusão, de geração de renda e emprego, de socialização e de expressão de idéias e sentimentos, tanto de adultos como de crianças e jovens, especialmente da juventude.

Esse evento dá continuidade à discussão da problemática da juventude realizado em dezembro no mesmo local.

Este evento está sendo feito sem o menor apoio ou patrocínio econômico, mas temos contado com a colaboração de pessoas e instituições que gentilmente se comprometeram a colaborar conosco.

Já confirmaram a participação: o músico Nilo Mariano, de Ubatuba; Piti – produtor cultural e membro da OSCIP Cidadão do Mundo Arte e Cultura, da região do ABC; Wagner Hosokawa, da Coordenadoria da Juventude de Guarulhos; e Alessandra Dadona, da Secretaria Estadual da Juventude do PT. Embora convidado, ainda não confirmou a participação o Conselho Nacional de Juventude.

Contamos com a sua participação. Vá e leve mais um.

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Opinião

O Protocolo Adicional

José Goldemberg - O Estado de S.Paulo
Há 35 anos, pelo menos, se discute no Brasil o interesse do País em manter aberta a opção de produzir armas nucleares. O jornalista Elio Gaspari, em seu livro A Ditadura Encurralada, descreve o que ocorreu na 2.ª Reunião do Alto Comando das Forças Armadas, em 20 de junho de 1975, sob a Presidência do recém-empossado general Ernesto Geisel. O presidente comunicou que o acordo Brasil-Alemanha para a instalação no País de oito grandes reatores nucleares e transferência da tecnologia nuclear estava muito adiantado e esclareceu: "Eu não estou dizendo que o propósito do governo seja este, de procurar fazer arma nuclear, mas nós temos que nos preparar, tecnologicamente, etc., e ficarmos em condições de podermos prosseguir nesse caminho, conforme as circunstâncias".

Na época o Brasil não havia assinado o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, pelo qual os países que ainda não dispunham de armas nucleares se comprometiam a não desenvolvê-las, "congelando" uma situação em que só os "cinco grandes" - Estados Unidos, União Soviética, Inglaterra, França e China - as possuíam.

Esse tratado pode parecer discriminatório, mas impediu a proliferação nuclear durante várias décadas. O presidente Kennedy, na década de 1960, acreditava que no fim do século mais de 20 países possuiriam armas nucleares e que essas armas seriam usadas em conflitos regionais com o risco de provocar uma conflagração mundial.

Para os "cinco grandes", a posse das armas nucleares desencorajou ataques nucleares preventivos em razão do temor da retaliação. Bem ou mal, essa visão impediu uma guerra nuclear entre as grandes potências e, com o fim da "guerra fria", as grandes potências reduziram progressivamente seus arsenais nucleares. O último acordo entre os Estados Unidos e a Rússia, recentemente aprovado pelos dois países, reduziu o arsenal nuclear americano de dezenas de milhares de ogivas para pouco mais de mil. O objetivo final desses acordos é, nas palavras do presidente Obama, "um mundo sem armas nucleares".

Índia, Paquistão, África do Sul e Coreia do Norte desenvolveram armas nucleares, mas é de notar que esses países o fizeram porque a sua própria existência como nação estava ameaçada. A África do Sul, após o fim do apartheid, desmantelou seu programa nuclear.

É, portanto, o caso de perguntar qual a justificativa para o Brasil manter aberta, em 1975, a opção nuclear. O País não enfrentava problemas de sobrevivência nacional. A posse de armas nucleares certamente atrairia a atenção das grandes potências, que manteriam apontados para nós mísseis intercontinentais. Mais ainda, de que serviriam armas nucleares, sem foguetes de grande alcance para transportá-los? Elas nos protegeriam de quem? Da Argentina?

Não havia, de fato, nenhuma justificativa racional, exceto os sonhos de grandeza de alguns civis e militares mais exaltados. Apesar disso, o governo brasileiro, mesmo após o fim do regime militar, prosseguiu acalentando ambições nucleares com programas nucleares "paralelos" conduzidos pelas Forças Armadas, que só foram enfrentados firmemente pelo presidente Collor, em 1991, que compreendeu que não seriam armas nucleares que tornariam o Brasil uma grande potência, mas sim a solução dos problemas de subdesenvolvimento do País.

O acordo com a Argentina, que criou a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), assinado na ocasião, introduziu inspeções mútuas de especialistas dos dois países na área nuclear e abriu caminho para que em 1994 o Brasil se tornasse signatário do TNP. Na prática, essas medidas restabeleceram a credibilidade internacional de que os dois países não estariam procurando desenvolver armas nucleares.

Ainda assim, persistem hoje no País - e dentro do governo - vozes influentes que tentam ressuscitar programas para produção de armas. O próprio vice-presidente da República e alguns ministros do governo Lula manifestaram essas intenções, sem que o presidente, em nenhum momento, os tenha desautorizado. Mais ainda, o governo se recusou a assinar o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que abre caminho para a fiscalização de todas as instalações nucleares do País (mesmo as "não declaradas"). Atualmente, a agência internacional só tem autorização de inspecionar as instalações nucelares declaradas.

Argumentar que essas inspeções violam a soberania nacional estimula a agência a suspeitar de que elas existam mesmo, o que é precisamente o que está ocorrendo no Irã e que já motivou a série de sanções que o Conselho de Segurança aplicou àquele país. Há muitas formas de exercer soberania nacional, e essa não é a melhor delas. Em outras áreas, inspeções internacionais são corriqueiras, e o Brasil não estaria exportando carne para a Europa se não permitisse, em nome da soberania nacional, inspeções sanitárias.

A principal razão alegada para se recusar a assinar o Protocolo Adicional é que o Brasil exporia segredos industriais no processo de enriquecimento de urânio que foi desenvolvido no País, mas esse argumento não tem bases técnicas sérias. Os inspetores da AIEA não são espiões, mas sua missão é se certificar de que atividades nucleares que levem à produção de armas nucleares sejam detectadas a tempo. A grande maioria dos demais países signatários do TNP aceita as inspeções.

O TNP não impede que se continue a enriquecer urânio para abastecer reatores nucleares, se esse enriquecimento se destinar apenas à produção de energia elétrica, ou seja, a uma porcentagem inferior a 20%. E isso já está ocorrendo na usina de enriquecimento de urânio em Resende, que está sob fiscalização tanto da ABACC quanto da Agência Internacional de Energia Nuclear.

Assinar o Protocolo Adicional não limitará atividades nucleares para produção de energia no País.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 21 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Revolta se alastra; Líbia pede ordem ‘a qualquer custo’"

Filho do ditador Muammar Gaddafi diz na TV que país pode ser ‘rasgado em pedaços’; mortes passam de 200.

Em mais um dia de violência na Líbia, Saif el Islam, filho do ditador Muammar Gaddafi, ordenou às forças de segurança que restaurem a ordem “a qualquer custo”. Prometeu ampla reforma e propôs nova Constituição e mais autonomia a regiões do país. A alternativa, afirmou, é a “guerra civil”, relata Marcelo Ninio. Pela primeira vez, há relatos de distúrbios na capital do país, Trípoli. Em Benghazi, principal foco de revolta, forças de segurança abriram fogo contra milhares de opositores que participavam de funerais. A cena foi descrita como um “massacre”, e o número total de mortos passa de 200, dizem entidades internacionais. O filho de Gaddafi admitiu excessos do Exército. Em sinal de ruptura dentro do regime, o embaixador da Líbia na Liga Árabe, Abdel Elhuni, renunciou em protesto contra a matança. As manifestações chegaram ao Marrocos, onde houve passeatas cobrando reformas, mas sem pedir a queda do rei.
O Estado de São Paulo
"ONG cobra para implantar programa do Esporte"

Entidade dirigida por membro do PCdoB exige taxa de cidades para oferecer ação bancada pelo governo

A organização não governamental Bola Pra Frente cobra de prefeituras uma taxa de intermediação do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, filiado ao PCdoB. Documentos revelam que a entidade, dirigida por membros do partido, exige de prefeitos paulistas comissão para levar o Segundo Tempo às cidades. Mas o governo federal já repassa verba para a implementação do projeto criado para oferecer a crianças e jovens carentes a prática esportiva após o turno escolar e nas férias. Dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, vereadora pelo PCdoB em Jaguariúna, a ONG mantém contrato de R$ 13 milhões com o Ministério do Esporte. Karina confirma a cobrança, mas diz que precisa dos recursos para pagar contrapartida de R$ 520 mil exigida pelo governo. Reportagem publicada ontem pelo Estado mostrou que o programa gera ganhos para o partido.

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Alto lá!

domingo, fevereiro 20, 2011

Pensata

Reflexões domingueiras

Sidney Borges
Pelé falou. Desta vez não disse love, love, love,  fez um alerta. A Copa do Mundo está próxima. Logo vai começar o ano de 2011, depois do carnaval, como é praxe ao sul do Equador. As obras da Copa, se as há, não estão visíveis. Vamos começar falando dos transportes entre as duas maiores cidades do país. Grandes cidades costumam ser servidas por trens. É assim na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. No império comandado por D. Pedro II, aqui, também foi assim. Continuou assim até o governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira que optou pelo transporte rodoviário, mais caro e menos eficiente. Os governos que sucederam Juscelino continuaram o desmonte e deixaram que as ferrovias virassem sucata.

Está em pauta o trem bala, do qual sou entusiasta. Ainda não foi feita a licitação, na primeira tentativa poucos se interessaram. Vai haver outra rodada em breve. Temendo novo fracasso o governo manobra para bancar. Existe uma ferrovia ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. O traçado é antigo, os trens circulam com velocidade reduzida. Reformar essa ferrovia para torná-la competitiva com os ônibus custaria uma fortuna. Mas seria infinitamente mais barato do que construir uma nova. E a relação custo benefício seria favorável ao bolso da nação.

Dizem que o trem bala vai fazer a viagem em menos de duas horas. O trem existente poderia fazê-la em quatro. Com a passagem custando um terço.

No quesito aeroportos a coisa é complicada. Faltam vagas para a permanência de aviões executivos. Até pouco tempo atrás, em Cumbica, havia oito. Na Copa do Mundo da África do Sul, em dias de jogos importantes, chegavam trezentos aviões de pequeno porte. Para pernoitar. Em 2014 os nababos certamente virão ver o scratch. Aboletados em suas magníficas máquinas voadoras. Tomara que consigam estacionar.

No jantar de ontem o tema variou de ditadores africanos a nobres de França. Os caricatos governantes africanos ficam riquíssimos enquanto os países que governam empobrecem. Essa prática gera revolta. Aparece um salvador da pátria, faz a revolução libertadora, toma posse e começa o acúmulo de riquezas. Nada muda. A nobreza francesa agia como os ditadores africanos. Ser nobre significava não fazer nada, o dinheiro vinha da condição de nascimento. o povo trabalhava e pagava impostos. Os nobres gastavam o dinheiro em festas, viagens e guerras, esporte preferido da nobreza.

Um dia a burguesia revoltou-se e cortou a cabeça dos nobres. Ao abrir a segunda garrafa de prosecco absolvemos Maria Antonieta.

Em alguns dos 5566 municípios brasileiros parte da arrecadação é desviada. Quem diz é a Amarribo. Os números giram em torno de 20%. O desvio é feito preferencialmente através de superfaturamento de obras, em contratos de coleta de lixo e na merenda escolar. No final do exercício anual o Tribunal de Contas aponta as irregularidades. As Câmaras Municipais aprovam as contas e o barco continua navegando. O poder dos prefeitos é imenso, "quase" acima da lei. Com as verbas desviadas eles têm como comprar "Deus e o diabo na terra do Sol". E tudo fica por isso mesmo.

Enquanto o sistema permitir a coisa vai continuar assim. O dinheiro desviado é frio e não pode aparecer. Acaba pulverizado nas mãos de laranjas. Se houvesse eficiência na fiscalização eles teriam de explicar ao fisco o súbito aporte de capital. De vez em quando um prefeito afoito ultrapassa a linha da prudência e acaba em maus lençóis. É raro, estatisticamente desprezível.

Os nobres de França não tinham de se preocupar com os filhos, títulos de nobreza eram hereditários. No sistema burguês pós revolução políticos lançam filhos em empreitadas sucessórias. Dependendo da popularidade do pai pode dar certo.

No tocante às sucessões municipais que se aproximam, acredite, os discursos de mudança são meros recursos eleitoreiros. Coisa pra inglês ver. O sistema encoraja e premia a esperteza. Pense nos prefeitos de sua cidade nos últimos 20 anos. Compare. Mudou alguma coisa? Mantido o sistema atual os mesmos problemas tornarão a acontecer. E nada mudará por todo o sempre. Amém...

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Opinião

O fim da reprovação

AE - AE
Depois de intenso debate travado entre 2009 e 2010, inclusive com a realização de audiências públicas em São Paulo, Salvador e Distrito Federal, o Conselho Nacional de Educação tomou a decisão de recomendar "fortemente" a todas escolas públicas, privadas e confessionais a substituição do sistema seriado - que permite a reprovação em todas as séries do ensino fundamental - por um "ciclo de alfabetização e letramento", em que os alunos são submetidos ao regime de progressão continuada, durante os três primeiros anos - ou seja, no período em que aprendem a ler e a escrever.

Para o CNE, o princípio da continuidade - especialmente na fase de alfabetização - traz mais benefícios para os alunos do que a chamada "cultura da reprovação". A medida, que não tem caráter de lei e é objeto de acirrada polêmica entre os pedagogos, foi homologada no final do governo Lula pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Com isso, os diretores de todas as escolas do País ganharam liberdade para decidir se continuarão reprovando alunos nos três primeiros anos do ensino fundamental ou se adotarão a recomendação do CNE.

O ensino fundamental tem 31 milhões de alunos estudando em 152 mil escolas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Desse total, aproximadamente dez milhões estão matriculados nos três primeiros anos desse ciclo. Em 2009, a taxa de reprovação desses dez milhões de alunos foi de 5,1%. O índice é considerado alto pelos especialistas em pedagogia.

"Isso mostra que, de cada cem crianças, cinco ainda são reprovadas logo que ingressam na escola. As pesquisas apontam que, se o aluno é reprovado nessa fase, dificilmente terá sucesso. A recomendação do CNE é para garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos" - diz a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. "A reprovação no ensino fundamental devia ser zero", afirma o professor da USP Ocimar Alavarsi, que coordenou a rede municipal de São Paulo, entre 1995 e 2008.

Vários professores também entendem que, na faixa etária dos 6 aos 8 anos, as crianças têm ritmos diferentes de aprendizagem e que reprovação logo no início do curso compromete o rendimento da alfabetização - o que desestimula as crianças, levando-as a abandonar a escola. No Norte e Nordeste, as regiões mais pobres do País, as altas taxas de evasão escolar têm sido atribuídas aos altos índices de reprovação nos anos iniciais do ensino básico. Segundo os defensores das diretrizes recomendadas pelo CNE, com a adoção do regime de progressão continuada nas três primeiras séries os professores podem avaliar cada criança e os alunos só podem ser reprovados no final do terceiro ano.

Para os críticos dessa política, a substituição da reprovação pelo regime da progressão continuada seria uma estratégia eficaz se as classes fossem pequenas, se os professores estivessem motivados e as escolas contassem com projetos pedagógicos realistas. "Na prática, porém, as escolas têm salas superlotadas, as aulas de reforço são dadas por voluntários, os professores têm pouquíssimo tempo para planejar aulas e as condições de trabalho são ruins. A sensação é que a proposta (do CNE) não foi feita por quem conhece o dia a dia das escolas" - diz Susana Gutierrez, coordenadora do Sindicato Estadual de Profissionais da Educação do Rio de Janeiro. Sem reformar o currículo e investir nos professores, "as crianças que não aprendem com o sistema seriado também não aprenderão no Ciclo de Alfabetização e Letramento", afirma Cláudia Fernandes, coordenadora do mestrado em educação da UniRio.

Aperfeiçoar o ensino fundamental é decisivo para que o país possa promover a revolução educacional. No entanto, a simples adoção da progressão continuada, nos termos em que foi proposta pelo CNE e pelo MEC - sem expansão da rede escolar e sem a modernização dos currículos - não garante melhor alfabetização nem aumento da qualidade da educação.

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Manchetes do dia

Domingo, 20 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Líbia eleva repressão e mortos já passam de 80"

País corta internet e aumenta isolamento: forças de segurança recuam no Bahrein

O governo da Líbia intensificou a repressão aos protestos, bloqueou a internet desde a madrugada de ontem, proibiu o acesso da mídia internacional e aumentou o isolamento do país. A televisão estatal tem ignorado as manifestações. O número de mortes nos últimos quatro dias subiu para 84, segundo estimativas de entidades de direitos humanos feitas por meio de telefone. O número, que poderá aumentar, não inclui as baixas de ontem. No Bahrein, o governo retirou as forças de segurança da praça da Pérola, no centro da capital, Manama, o principal palco das manifestações. O país possui importância estratégia por sediar a Quinta Frota Marinha dos EUA, que atua no golfo Pérsico.

O Estado de São Paulo
"PC do B lucra com programa do Ministério do Esporte"

Partido de Orlando Silva controla projeto que dá ganhos financeiros e eleitorais, mas tem resultados precários.

Leandro Colon
O Programa Segundo Tempo, principal bandeira do Ministério do Esporte, serve para dar dividendos eleitorais e financeiros ao PC do B, legenda do ministro Orlando Silva. Ele tem funcionado com entidades ligadas ao partido, que recebem verba pública, mas não entregam os prometidos núcleos esportivos para o “desenvolvimento integral do homem”, como apregoa o site do ministério. Só em 2010, ano eleitoral, os contratos somaram R$ 30 milhões. O dinheiro deveria ter sido usado para criar 590 núcleos e beneficiar 60 mil crianças. Um dos núcleos cadastrados, em Novo Gama (GO), por exemplo, é na verdade um terreno baldio onde deveria haver um campo de futebol. Em Teresina (PI), no lugar de uma quadra poliesportiva, os jovens usam um matagal, onde improvisam tijolos e bambus na jogar futebol e vôlei.

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