sábado, maio 09, 2009

Energia

Angra 3, antídoto contra a crise

Guilherme Camargo
Presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear
(Aben)*
O recuo no PIB brasileiro e nos índices de produção industrial e o aumento no desemprego acabaram com qualquer dúvida de que a crise atingiu o Brasil em cheio. A saída será complexa e não ocorrerá apenas com medidas monetaristas, como muitos governos vêm fazendo. No momento atual, não faz sentido investir para aumentar a capacidade produtiva, pois, com a redução da atividade econômica, as fábricas se encontram ociosas. Também não adianta injetar recursos públicos em empresas e bancos falidos. Essa é uma medida que, na melhor das hipóteses, tem caráter paliativo.

A solução mais adequada para o país sair da crise é investir em projetos de infraestrutura, que dão retorno em termos de geração de emprego, movimentam a indústria nacional e ainda resultam num aumento na arrecadação de impostos em todos os níveis. São áreas como transporte, infraestrutura portuária, energia, telecomunicações, construção civil, indústria de bens de capital e siderurgia, entre outras, que ajudam a diminuir o chamado custo Brasil e aumentam a competitividade da economia.

É o caso de Angra 3, que recentemente recebeu a licença de instalação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que autorizou a concretagem complementar da área destinada à construção dos prédios de segurança nuclear e a impermeabilização do terreno onde será instalada a usina. Essas tarefas devem demorar cerca de sete meses, tempo suficiente para a mobilização de 1,5 mil a 2 mil trabalhadores na obra antes do final do ano.

A área energética é especialmente importante. Não há uma grande sobra de geração de eletricidade no país. Não podemos nos acomodar, pois a situação confortável que existe hoje se deve à crise, que está freando a atividade econômica e, consequentemente, o crescimento do consumo energético. Se a atividade econômica for retomada e o consumo de eletricidade voltar a crescer, o Brasil terá novamente de correr contra o tempo para evitar problemas de abastecimento.

Apesar de o Brasil ser um país de vocação hidrelétrica, as usinas térmicas serão cada vez mais necessárias. Por causa do significativo impacto no meio ambiente, há dificuldades para se obter o licenciamento ambiental para esses empreendimentos, especialmente de grandes hidrelétricas, como as do Rio Madeira e de Belo Monte (essa não saiu sequer da fase de projeto). Além disso, há perdas energéticas consideráveis que ocorrem na transmissão da energia, pois essas usinas se encontram muito distantes dos principais centros de consumo do país. A complementação térmica serve para dar estabilidade e segurança ao sistema elétrico nacional.

Entretanto a aposta no gás natural se provou desastrosa, em razão do preço do gás, do alto custo dos gasodutos e da instabilidade política na Bolívia, nosso principal fornecedor. Dessa forma, a energia nuclear se apresenta como alternativa viável e econômica para a expansão térmica, por seu efeito multiplicador. Ela tem ramificações em todos os campos da economia e, por isso mesmo, um efeito multiplicador.


Esse investimento em energia nuclear começa com a conclusão de Angra 3, que vem para preencher uma importante lacuna. A retomada das obras da usina mobilizará a indústria, especialmente a de bens de capital. O setor industrial de toda a Região Sudeste será beneficiado, não apenas o fluminense. Para tanto, é preciso haver um compromisso de se obter um índice mínimo de nacionalização da ordem de 60% na construção da usina. Angra 3 também é um projeto que contribuirá de forma decisiva para garantir a segurança energética brasileira na próxima década, além de gerar empregos. Serão 9 mil empregos diretos e 15 mil indiretos durante a fase de construção, e mais 500 empregos permanentes após o início das operações.

O investimento em projetos estruturantes, autossustentáveis e que gerem empregos e recursos financeiros são essenciais para o país encontrar um caminho de saída da crise internacional. Os projetos de energia são parte fundamental dessa equação, incluindo a energia nuclear. Angra 3 é um projeto que pode ser iniciado com rapidez pelo governo e representará a criação de empregos e o aumento da segurança energética. Angra 3 já possui as licenças, a construtora e um cronograma estabelecido. Mas isso não basta. É necessário ministrar o antídoto. É preciso, sem demora, iniciar a construção da terceira usina nuclear brasileira.
*Artigo publicado em O Estado de São Paulo em 05/05/2009.

Semelhanças

Vale do Paraíba e Litoral Norte

Coluna 'Poucas e Boas' (original aqui)
Pindavale bloqueado: Ainda repercute essa informação do vereador Cal sobre o bloqueio ao acesso ao Portal Pindavale em departamentos dentro da Prefeitura Municipal.

Aliás, sempre existiram aqueles que diziam que o Portal Pindavale era um veículo de informação ligado ao prefeito. Pessoas da oposição diziam isso!

Agora, a própria oposição nos defende! Sinal que estamos mesmo no caminho certo, ou seja, o da transparência e da verdadeira independência, afinal, só os fortes são livres!

Merenda: Durante alguns dias, duas escolas de Pindamonhangaba ficaram sem merenda. Uma delas é a Escola Gilda Piorino, que fica no bairro São Judas Tadeu (perto do cemitério). A outra fica no Ouro Verde, minha região.

Pelo que nos informou a assessoria do prefeito municipal, o problema está relacionado à empresa fornecedora da merenda: Verdurama. “A Prefeitura já tomou todas as medidas cabíveis, incluindo-se aí as sansões previstas no contrato e a empresa já tomou procedimentos desde ontem, pois tem até a segunda-feira para abastecer todas as escolas do município com mantimentos.“, disseram os representantes da municipalidade. (Ocimar Barbosa)

Nota do Editor - Sempre é bom lembrar da Verdurama. Em muitas cidades a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público, em Ubatuba não há sinais de investigação, ou acontece sob sigilo. Em 2005 aconteceu a privatização da merenda escolar e a Verdurama foi apresentada à cidade como solução para os problemas do setor, elogiada, alçada à condição de padrão de excelência. De um dia para outro virou vilã, fonte de mazelas, um horror. Em Ubatuba é assim, os ventos mudam, chegando a inverter o sentido, como é o caso da Câmara onde o prefeito tinha 10 apoiadores e hoje tem 7 opositores, com a probabilidade de se tornarem oito. Mas como eu disse, os ventos mudam, nada é o que parece nesta terra ensolarada e chuvosa. (Sidney Borges)

Opinião

O adensamento das favelas

Editorial do Estadão
O aumento da população das favelas foi de 4% no ano passado, duas vezes superior ao crescimento vegetativo da população da cidade no período, conforme dados da Secretaria Municipal da Habitação. Nos últimos dez anos, o aumento dos moradores em barracos foi de três a quatro vezes maior do que o ocorrido no restante da área urbana. Além do adensamento populacional nas favelas já existentes, outras têm surgido em áreas centrais da cidade, sem que a Prefeitura consiga conter essa expansão. Segundo informações oficiais, há 1.062 favelas em São Paulo. Os urbanistas consideram que esse número está subestimado. É que a administração municipal se baseia nos dados do Censo feito há quase dez anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não levou em conta núcleos de submoradias com menos de 50 pessoas.

Daí as distorções, como no caso da Vila Mariana que, pelos registros da Prefeitura, teria apenas 5 favelas quando, na verdade, seus moradores convivem com 10 delas. Em plena Avenida 23 de Maio, 15 barracos foram erguidos, há mais de dez anos, nos baixos do Viaduto Paraíso, numa encosta. Apesar de estar em área nobre da cidade há tanto tempo, a chamada Favelinha do Paraíso - que funciona numa área praticamente fechada, rodeada pelos muros de prédios comerciais e até protegida por portões - não aparece nos cadastros municipais. Os vizinhos buscam há anos a remoção dos favelados, mas não conseguiram o apoio da Prefeitura. Desenvolveram até um projeto paisagístico para o terreno e se propuseram a manter o local. Apesar de os vizinhos exibirem cópias dos documentos enviados à administração municipal, representantes da subprefeitura afirmam que desconhecem denúncias de submoradias naquele ponto.

A dificuldade da Prefeitura de acompanhar o crescimento das favelas até nas áreas mais nobres de São Paulo leva a duvidar muito da sua capacidade de frear a disseminação dos barracos em áreas de grande impacto ambiental, como as vizinhanças de mananciais, fundos de vales inundáveis, margens de córregos e encostas. Na bacia da Represa de Guarapiranga, estima-se em 200 mil o número de domicílios instalados - 40 mil despejando esgoto diretamente nas águas do manancial responsável pelo abastecimento de 4 milhões de moradores da região metropolitana de São Paulo. São áreas sem atrativo para as imobiliárias ou onde elas estão proibidas, por lei, de construir, e, por isso, sobram para as ocupações clandestinas.

Essas regiões acabam recebendo investimentos públicos nos processos de urbanização de favelas. O governo municipal anunciou, no ano passado, que R$ 1,7 bilhão seria aplicado no Programa de Urbanização de Favelas, no prazo de três anos. Desse total, R$ 842 milhões são do Programa de Aceleração do Crescimento; R$ 482 milhões, dos cofres municipais; e o restante, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano do Estado de São Paulo e da Sabesp. Mas será um esforço perdido, caso não se evitem novas ocupações. E é o que tem acontecido ao longo dos anos. Na década de 80, 1,89% da população brasileira morava em favelas. Em 1991, já eram 3,28%, o que revela crescimento de 70% em uma década, segundo o Censo do IBGE.
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Manchetes do dia

Sábado, 09 / 05 / 2009

Folha de São Paulo
"Brasil tem 1º caso de gripe suína transmitida no país"

Vítima é morador do Rio cujo amigo contraiu vírus da doença no México

O ministro José Gomes Temporão (Saúde) confirmou o primeiro caso de transmissão no Brasil da gripe a (H1N1), conhecida como gripe suína. Com isso, o país é o sétimo no mundo a registrar manifestação autóctone da doença. Com dois novos casos anunciados, no Rio e em Santa Catarina, subiu para seis o total de confirmados no Brasil. O primeiro a contrair o vírus em território brasileiro é amigo do morador do Rio de 21 anos que havia sido contaminado em Cancun. Eles tiveram contato depois de o jovem voltar do México. O ministro da Saúde chamou de “disparate” o anúncio da Embaixada dos EUA de que já restringe o atendimento a pessoas que apresentem sintomas de gripe. Segundo a Organização Mundial da Saúde, que mantém o alerta de pré-pandemia, os EUA superaram o México e são o país com mais casos da gripe. O Canadá registrou a primeira morte pelo vírus fora do México e dos EUA, e o Japão anunciou seus três primeiros casos da doença – todos pessoas que estiveram em território canadense.

O Globo
"Rio tem 1º caso de gripe suína contraída no Brasil"

Homem foi contaminado na Ilha do Governador por amigo que veio do México

O Ministério da Saúde confirmou ontem que o Rio tem o primeiro caso de gripe suína contraída em solo brasileiro, o que torna o país o sétimo a registrar a circulação do vírus H1N1. O homem, de 29 anos e morador da Ilha do Governador, foi contaminado por um amigo que, após viagem ao México, contraiu a doença. O transmissor fez parte de um grupo de 850 brasileiros – sendo cem do Rio – que foi a Cancún participar de um torneio de futebol. Também ontem foi diagnosticado o sexto caso no país: uma menina de 7 anos, de Santa Catarina, que esteve na Flórida. A OMS diz que, apesar das medidas adotadas, um surto da doença no Brasil é inevitável. Os EUA superaram o México em número de casos e o Canadá teve sua primeira morte provocada pela nova gripe.

O Estado de São Paulo
"BC intervém de novo, mas dólar ainda cai"

Moeda americana tem queda de 1,99% e fecha a R$ 2,068

O Banco Central voltou ontem a comprar dólares no mercado à vista para, oficialmente, reforçar as reservas internacionais. Essa operação não era realizada desde 10 de setembro de 2008. Mas a medida não interrompeu o recuo da moeda americana – que fechou em queda de 1,99%, a R$ 2,068, o menor preço desde 3 de outubro de 2008. Em nota, o BC reafirmou que não tem como objetivo estabelecer um piso para as cotações e disse que a operação foi feita em razão da “melhora nas condições de liquidez” do mercado. A semana teve uma entrada expressiva de dólares, fazendo a cotação cair 5,48%. Investidores financeiros, atraídos pelos juros altos, e exportadores são os principais responsáveis por esse movimento.

Jornal do Brasil
"Rio tem primeiro caso de contágio da gripe no país"

Rapaz é amigo do jovem carioca que trouxe do México a gripe suína

O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de transmissão da gripe suína em território brasileiro: um rapaz de 29 anos pegou a doença do jovem carioca que contraiu a gripe no México. Mais de 100 pessoas que estiveram com ambos estão sendo monitoradas. Até ontem, todos os contaminados conhecidos oficialmente no país haviam adquirido o vírus em viagens à América do Norte, onde os EUA superaram ontem o México em número de enfermos: agora são 1.639. Em Santa Catarina, foi confirmado o primeiro caso no estado, elevando a seis o número oficial de contaminados no Brasil. Para especialista da Fiocruz, a disseminação do vírus é inevitável.

sexta-feira, maio 08, 2009

Brasil

Os transgênicos voltam à pauta

Washington Novaes (original aqui)
Voltou ao terreno da polêmica, nas últimas semanas, no Brasil e em vários outros países, o complexo tema dos alimentos transgênicos. Principalmente por causa do veto do governo alemão ao plantio e comercialização de uma variedade de milho geneticamente modificado, com o argumento de que prejudica polinizadores e outras espécies. Por isso, o princípio da precaução, previsto na Convenção da Diversidade Biológica, justificaria a proibição já acompanhada por vários outros países, entre eles França, Grécia, Luxemburgo, Áustria, Hungria. Justificaria também a exigência de um estudo prévio de impacto ambiental.


Essa variedade de milho já foi aprovada no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), sem necessidade do estudo de impacto, que o Ministério do Meio Ambiente pedia, mas foi dispensado pela comissão, que não precisa mais de maioria de dois terços, como antigamente, para tomar decisões (após vários embates, o quórum foi reduzido, por decisão do governo federal, para maioria simples dos 28 membros). E a polêmica está de volta, inclusive porque, neste momento de ameaça de pandemia da gripe suína, a França também aprovou o rótulo "alimentado sem transgênico" para produtos animais.

Não bastasse, um jornal argentino publicou estudo do Laboratório de Embriologia Molecular da Universidade de Buenos Aires que aponta a toxicidade do glifosato (o agrotóxico a que resistem plantios transgênicos) para embriões de anfíbios. E o Ministério da Defesa daquele país proibiu o plantio de soja transgênica em seus cultivos, ao mesmo tempo que a Associação de Advogados Ambientalistas pedia na Justiça a proibição de comercializar o glifosato. Já o cientista-chefe do Organic Center publicou trabalho para mostrar que as sementes resistentes ao glifosato reduzem o consumo de herbicidas (sua principal vantagem) durante dois a três anos, apenas; depois, perderiam sua eficácia.

No Brasil, trabalhos publicados pela AS-PTA alegam que no planalto norte de Santa Catarina o milho não modificado se mostrou na última safra muito mais lucrativo que o transgênico. No Rio Grande do Sul está na Justiça processo em que agricultores se negam a pagar royalty de 2% à empresa produtora de sementes de soja transgênica. Outros resistem ao arroz modificado. Em Alagoas, apicultores pedem judicialmente indenização pela contaminação de suas colmeias pelo pólen de milho transgênico plantado nas imediações.

Há duas semanas, em debate promovido pelo curso de Gestão Ambiental na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP), o professor Paulo Kageyama, que já foi diretor de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e é membro da CTNBio, fez exposição minuciosa sobre as inconveniências de liberar variedades transgênicas sem obedecer ao princípio da precaução (que o Brasil, signatário da Convenção da Biodiversidade, obrigou-se a respeitar), como aquele órgão tem feito para soja, algodão, milho e outras espécies. A seu ver, há muitas incertezas e impactos negativos a serem estudados, inclusive para a agricultura familiar, que responde pela maior parte dos produtos alimentares consumidos no Brasil (82% da mandioca "espécie mais adequada aos solos brasileiros, sem insumos químicos", da qual se pretende aprovar uma variedade transgênica; 58,9% do feijão; 43,1% do milho; 41,3% do arroz, além de 55,4% do leite, 59% da carne suína). Em sua opinião, a pressão das empresas do setor, assim como da área de agrotóxicos, além da predominância absoluta de membros do Ministério da Ciência e Tecnologia (20 em 28) na CTNBio, têm impedido uma avaliação mais rigorosa. Para justificar seu pensamento analisou vários casos no Brasil e no exterior. Outro risco seria a abolição "que está sendo reivindicada" da exigência de identificação dos transgênicos no rótulo de alimentos industrializados que os contenham.

Seus argumentos "principalmente o da pressão de empresas" foram contestados com veemência pela representante do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Alda Luiz Lerayer, que ressaltou a dificuldade que órgãos ambientais teriam para analisar possíveis impactos no plantio de variedades transgênicas, o Ibama teria levado quatro anos no caso do feijão, por exemplo. E apontou o alto índice de adesão dos agricultores brasileiros às variedades modificadas. O próprio milho, de aprovação mais recente, já teria sido plantado por 30% deles na última safrinha e deverá chegar a 50% nas próximas safras. A soja transgênica, segundo as notícias mais recentes, já está em mais de 60% da área cultivada.

Outros expositores também chegaram a colocar na mesa mais problemas, como o da "monocultura de genes", já que todas as espécies modificadas e aprovadas contêm o mesmo gene, para serem resistentes ao mesmo defensivo. Ou o de o Brasil ser hoje, também por essa razão, o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Ou o da exigência de distância entre as plantações de milho transgênico e as convencionais haver sido reduzida de 400 para 100 metros. E chegou até a entrar em discussão o primeiro caso de transgênico aprovado pela CTNBio, no governo anterior, quando o Ministério do Meio Ambiente, depois de haver anunciado que votaria pela exigência de estudo prévio de impacto, votou a favor da liberação incondicional. Na ocasião, divulgou-se "sem contestação" que a decisão partira da própria Casa Civil da Presidência, depois de pressionada por um senador, que alegava o risco de ser cancelado um investimento de centenas de milhões de dólares que seria feito pela empresa produtora do defensivo ao qual seria resistente a semente transgênica.

Por muitos caminhos, portanto, a discussão está de volta. E merece ir adiante, para que se possam seguir os melhores rumos, num tema tão decisivo para a sociedade, a ciência e a economia.

Coluna da Sexta-feira

Histórias sem fim

Celso de Almeida Jr.
O Rolando Boldrin contou que um garoto ficava por muitas horas olhando a caipirada pescar.


Um dia, foi abordado por um pescador que lhe ofereceu uma varinha. Este imaginou que realizaria o desejo daquele menino, quase uma estátua, com a mão no queixo, observando.

A resposta foi surpreendente, como normalmente são os “causos” do Boldrin.


O menino agradeceu a gentileza, mas disse que não tinha paciência para aquilo...

Numa entrevista, o Geraldo Alckmin, questionado por Gabriel Chalita sobre o envolvimento dos jovens na vida pública, comentou que a política é uma arte e uma ciência, pois exige paixão pelas pessoas, sensibilidade, amor, muito estudo, dedicação, busca contínua do aperfeiçoamento, ressaltando a complexidade dos assuntos inerentes à gestão pública.

Disse ainda, que participar da política não exige necessariamente ser candidato a vereador, prefeito, etc.

Podemos atuar de alguma forma na rua, no bairro, nas escolas, nas empresas, na imprensa, enfim, exercitando a cidadania.

Lembrei do Boldrin e de sua história.

De certa forma, nós assistimos as ações políticas, estamos mergulhados nelas, sofremos os efeitos delas, mas, quando convocados a participar, respondemos que não temos paciência.

Mas gostamos de assistir o espetáculo, deprimente na maioria das vezes, que os políticos proporcionam.

Vale a pena experimentar pescar?

Creio que para o garoto que ficava na beira do rio por tanto tempo, seria um passo que exigiria pouco esforço.

Vale a pena participar da política?

Creio que para nós, avaliar a intensidade do esforço não vem ao caso.

Temos que nos envolver.

Precisamos opinar. Agir.

Tendo ou não tendo paciência, não nos é facultado o direito de ficar só observando.

O compromisso com as nossas vidas e com as vidas das gerações futuras exige a participação imediata.


Basta escolher um caminho.

E, decididamente, caminhar.

Opinião

Contas abertas

Editorial do Estadão
Todo cidadão poderá saber, em tempo real, acessando a internet, o que foi feito com o dinheiro público "nos Três Poderes e nos governos federal, estaduais e municipais" e qual sua origem, e, especialmente, como o administrador público o está aplicando. Saberá quando e quanto foi utilizado, para que finalidade, qual o documento que comprova a despesa, quem recebeu o dinheiro e como foi feita a escolha do beneficiário do pagamento. Se detectar irregularidade, poderá denunciá-la ao Tribunal de Contas ou ao Ministério Público para averiguações e eventual punição do responsável pelo ato irregular.

Falta pouco para a concretização desse importante passo para o aumento da transparência da gestão das finanças públicas e do controle da sociedade sobre os gastos dos três níveis de governo, o que resultará na redução substancial do espaço para a corrupção e para a lesão aos cofres públicos. Bastará a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei complementar que a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira passada, pelo inquestionável resultado de 389 votos a favor e 1 abstenção. A base governista, vê-se, votou em peso a favor do projeto.

Foi longa, porém, a tramitação do projeto no Congresso. Ele foi apresentado em 2004, pelo então senador João Capiberibe (PSB-AP). O Senado aprovou-o com presteza, enviando-o para a Câmara em novembro do mesmo ano. Um ano depois, o texto já tinha parecer favorável aprovado pelas comissões técnicas da Câmara que o examinaram, mas, desde 2005, aguardava a decisão do plenário. Deputados governistas não queriam votar o texto aprovado pelo Senado.

Por artifício jurídico que permitiu driblar o trancamento da pauta pela não votação de medidas provisórias, porém, a Mesa da Câmara colocou a proposta na ordem do dia da sessão de terça-feira, e os deputados o aprovaram, sem mudar o texto original. Agora, vai direto para a sanção presidencial.

O texto aprovado acrescenta dispositivos à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em vigor desde maio de 2000, especialmente no que se refere à transparência da gestão fiscal. A LRF estabeleceu que deverá ser dada "ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público" aos planos e orçamentos, às prestações de contas, aos pareceres sobre a gestão dos recursos públicos e aos relatórios resumidos da execução orçamentária. Previu também incentivos à participação popular no processo de elaboração e discussão de planos e orçamentos.

O projeto aprovado pelo Congresso mantém essas disposições e acrescenta a elas a liberação, "em tempo real", em meios eletrônicos "de acesso público", de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira e a adoção de um sistema integrado de administração financeira e controle por todos os órgãos públicos, dos Três Poderes, nas três instâncias de governo.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Brasil confirma 4 casos de gripe suína"

Vírus foi contraído no exterior, e três dos pacientes já tiveram alta; medidas estão sendo tomadas, diz ministro

O Ministério da Saúde confirmou quatro casos de gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína, no Brasil.
Segundo o governo, os quatro contraíram o vírus no exterior (três no México e um nos EUA) e passam bem. Só um paciente, do Rio, continua internado; os demais, dois em São Paulo e um em Minas, tiveram alta.


O Globo
"Brasil confirma 4 casos de gripe suína, um no Rio"

Ministro diz que todos passam bem e apenas um está internado, no Fundão

Os quatro primeiros casos de gripe suína no Brasil foram confirmados pelo Ministério da Saúde: dois pacientes em São Paulo, um no Rio e outro em Minas Gerais. Todos passam bem e contraíram o vírus no exterior. O ministro José Gomes Temporão afirmou, contudo, que não há evidências de que o vírus esteja circulando no Brasil. Outros 15 casos suspeitos aguardam hoje o diagnóstico definitivo. O paciente do Rio mora na Ilha, tem 21 anos e é o único dos quatro que ainda permanece internado, no Hospital do Fundão. A Argentina também confirmou um caso e nos EUA o número de infectados aumentou 40% num só dia.

O Estado de S. Paulo
"Brasil tem 4 casos da gripe; ministério se diz preparado"

Doentes vieram do México e dos EUA; 'fiquem tranquilos', pede Temporão

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou ontem os quatro primeiros casos de gripe suína no Brasil. São dois de São Paulo, um do Rio de Janeiro e um de Minas. Apenas o paciente do Rio ainda está internado. Os outros três já estão curados e não oferecem risco de contaminação. Três dos doentes contraíram a gripe no México, e um, nos EUA. Assim, já são 26 os países que detectaram a gripe - a Argentina também confirmou seu primeiro doente ontem. Outros 15 casos suspeitos ainda serão analisados. De acordo com Temporão, "não existe evidência de que o vírus tenha contaminado outras pessoas". O ministro disse que o Brasil está preparado: "Fiquem tranquilos, a situação está sob controle". Não haverá mudança no esquema de assistência, que inclui isolamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem como localizar quem viajou com os doentes, pois vinha recolhendo as guias de declaração de bagagens em voos internacionais.

Jornal do Brasil
"Gripe suína chega ao Brasil. Rio tem 1 dos 4 casos confirmados"
O Ministério da Saúde confirmou quatro casos da gripe suína no país; dois em São Paulo, um em Minas e um no Rio. Todos contraíram o vírus no exterior. O caso do Rio é de um rapaz que desembarcou no sábado, vindo de Cancún, e está internado no Hospital Clementino Fraga Filho. Para o ministro José Gomes Temporão, a notícia não muda a estratégia contra a doença. "A situação está sob controle", garantiu. Outros 15 pacientes fizeram exames. O diagnóstico sai hoje.

quarta-feira, maio 06, 2009

Opinião

A visita cancelada

Editorial do Estadão
Não estão claras as razões por que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desistiu da visita que faria hoje a Brasília, antes de seguir para Caracas e Quito. Na 25ª hora, em mensagem ao anfitrião Luiz Inácio Lula da Silva, ele se limitou a pedir que aceite recebê-lo depois da eleição presidencial de 12 de junho em seu país, "em data a ser oportunamente definida". Em português claro, ainda que Ahmadinejad se reeleja, a sua vinda ao Brasil subiu ao telhado. Bem pensadas as coisas, essa deveria ser uma boa notícia para o governo brasileiro: com o tempo, compensará o desgaste sofrido nas últimas semanas por um convite que o presidente Lula poderia passar perfeitamente bem sem ter feito e que, ao não ser atendido pelo menos agora, o deixou numa situação canhestra.

Membros da delegação iraniana já no Brasil passaram à imprensa a versão de que Ahmadinejad não teria condições de se ausentar de Teerã a poucas semanas de uma eleição que se complicou para ele com o aparecimento de outro candidato que disputará o voto conservador, Mohsen Rezei, e que de imediato desfechou duros ataques à sua desastrosa política econômica. Além disso, ele corre o risco de perder o apoio do principal líder religioso do país, o aiatolá Ali Khamenei, que o debilitou politicamente ao reverter em pouco tempo duas de suas decisões. Para o Planalto, porém, seria reconfortante se o cancelamento da viagem traduzisse a insatisfação da teocracia iraniana com a reprovação do Itamaraty ao mais recente espetáculo de virulência antissemita protagonizado por Ahmadinejad.

Como se recorda, ao discursar na conferência da ONU contra o racismo, há cerca de duas semanas, em Genebra, ele tornou a negar o Holocausto e acusou Israel de ser um país inerentemente racista. (Em outubro de 2005, pela primeira vez depois de assumir a presidência do Irã, ele chocou até os críticos mais severos das políticas israelenses em relação aos palestinos, ao dizer que "o regime sionista" deveria ser "apagado do mapa".) No dia seguinte à diatribe, o Itamaraty repudiou em nota o novo surto de ferocidade, convocou o embaixador iraniano em Brasília "para esclarecimentos", enquanto o chefe da delegação brasileira à conferência, o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, condenou "veementemente a posição do Irã" (o texto do Itamaraty não citou pelo nome nem o país nem o seu presidente).

O Irã retrucou pela voz do seu embaixador na ONU, que classificou de "lamentável e produto da pressão das potências ocidentais" a reação do Itamaraty. De seu lado, um dos principais negociadores da chancelaria iraniana, Hussein Rezvani, disse que os comentários brasileiros "não são um bom sinal diante da visita" de Ahmadinejad. Por fim, acontecimento raro no País, manifestações de rua foram convocadas em São Paulo e no Rio de Janeiro contra a sua presença. Ao governo restava administrar o que parecia ser um fato consumado, apresentando-o como um desdobramento normal do pragmatismo e da abertura para o mundo da política externa do presidente Lula. "Se o Brasil fosse ter relações apenas com países com quem tem plena afinidade", argumentou o subsecretário geral de assuntos políticos do Itamaraty, Roberto Jaguaribe, "teríamos um grupo muito restrito de parceiros."
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"BC intervém para tentar conter a queda do dólar"

Objetivo da ação, segundo o governo, é desestimular aposta na alta do real

Pela primeira vez desde setembro, o Banco Central interveio no câmbio para conter a queda do dólar. Quando ele recuou para R$ 2,10, o BC fez leilão e vendeu US$ 3,4 bilhões em títulos. Com isso, a moeda subiu 0,85% e fechou a R$ 2,148.
Segundo o BC, o motivo do leilão foi a percepção de que houve mudança nas condições do fluxo cambial nas últimas semanas. Após oito meses de valorização quase contínua do dólar, os investidores estariam agora apostando na alta do real.
A Folha, porém, apurou que a ação do Banco Central tem um objetivo adicional. No início de junho, vencem contratos pelos quais o BC terá de vender US$ 3,3 bilhões; o valor que ele terá de entregar equivale ao que adquiriu ontem.

O Globo
"Auditoria revela indícios de fraude na Cidade da Música"

Sala já inaugurada consumirá mais R$ 150 milhões e um ano de obra

Auditoria determinada pelo prefeito Eduardo Paes nas obras da Cidade da Música mostra indícios de superfaturamento e fraude na cotação de preços, irregularidades na contratação de serviços e compra de equipamentos, além de problemas de execução de projeto. O relatório, ao qual O GLOBO teve acesso, revela que em apenas uma amostragem de preços, com sete de 776 itens especiais, comprados para a Grande Sala de concertos, a Prefeitura teria pagado pelos equipamentos cerca de R$ 1,3 milhão a mais que os valores de mercado. A auditoria apontou ainda que a Cidade da Música deverá consumir pelo menos mais R$ 150 milhões (chegando a um total de R$ 589 milhões) e mais um ano de obras. O ex-prefeito Cesar Maia não quis comentar as denúncias.

O Estado de S. Paulo
"Banco Central intervém e interrompe queda do dólar"

Moeda valorizou-se 1,03% após governo tirar US$ 3,4 bi bilhões do mercado

Um dia após cair ao menor valor desde novembro de 2008, o dólar fechou ontem em alta de 1,03%, a R$ 2,148, graças a uma intervenção do Banco Central no câmbio. Em um único leilão, comprou US$ 3,4 bilhões, surpreendendo o mercado. O BC disse que a decisão foi tomada em razão do aumento da entrada de dólares - em abril, o comércio exterior foi responsável pelo ingresso de US$ 8,71 bilhões. Além disso, mais investidores externos compraram ações e títulos da dívida, atraídos pelos juros altos - a Bolsa registrou US$ 1,6 bilhão em aplicações de estrangeiros no mês passado. O BC reafirmou que a ideia não é criar um piso para as cotações. Alguns analistas acreditam que a intenção seja manter os ganhos dos exportadores; outros entendem que o BC busca apenas evitar um movimento abrupto da taxa de câmbio, como já fez quando a tendência para a moeda americana era de alta.

Jornal do Brasil
"Petrobras descarta queda no preço dos combustíveis"
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ao JB que o preço da gasolina não será reduzido no país, apesar da queda da cotação do petróleo - a menos que haja estabilidade nesses preços no mercado internacional, o que é improvável. Ele afirmou que a exploração do pré-sa1 vai duplicar o tamanho da Petrobras, mas garantiu que investimentos em outras áreas (como cinco novas refinarias, uma das quais no Rio) não serão esquecidos.

terça-feira, maio 05, 2009

Odorico e a oposição

Trombeta marronzista, calunista, esquerzóide e subversiventa

Coluna da Terça-feira

“A doença é o preço da miséria”

Maurício Moromizato
Essa frase martela minha cabeça desde a madrugada de domingo, quando a ouvi num programa de televisão, dita por uma autoridade sanitária. O contexto foi o da “gripe suína”, como conclusão de orientações para que não haja pânico, que o respeito ao outro é fundamental e traduzido por um cuidado com higiene, pela atenção com a saúde pessoal e pelo interesse em tratar a questão coletivamente. Ao ser perguntado se havia um componente social na propagação da gripe suína, o entrevistado disse que sim e proferiu a frase “a doença é o preço da miséria”.


Fiquei raciocinando como se a frase fosse uma parábola bíblica e elencando as “doenças” humanas e da humanidade: corrupção, violência, ignorância, guerra, crise financeira, terrorismo, decadência da família, aquecimento global e tantas outras...

Depois, comecei a pensar nas “misérias” atuais, como o egoísmo, o individualismo, a ganância, a falta de educação, a mercantilização da vida, a concentração de renda, o fanatismo religioso, a inveja, ou seja, os sete pecados capitais e mais alguns outros adquiridos com a modernidade...

Fica muito claro que essas misérias cobram e continuarão cobrando seu preço, de todos e que o momento é de profunda mudança, visto que temos não uma crise financeira, mas uma crise da humanidade.

Continuando meus pensamentos, me veio a questão: e localmente, quais nossas doenças, quais nossas misérias? Como combatê-las, causa e efeito, de modo a poder efetivamente promover uma cura para Ubatuba, deixando para trás os diagnósticos incorretos e desonestos de nossas doenças e os remédios paliativos para os nossos problemas?

Pense e responda para você mesmo, caro leitor:

- Você tem convicção que a atual administração da Santa Casa é o que há de melhor e a melhor opção possível?

- O tratamento que se dá à questão da geração de empregos e desenvolvimento econômico e social do município lhe convence?

- A educação pública lhe causa orgulho de ser Ubatubano?

- O tratamento que se dá à cidade, na limpeza urbana, no lixo, no saneamento básico, na qualidade das ruas lhe faz encher o peito para mostrar a cidade aos visitantes?

- Você acredita que está havendo um real interesse da atual administração para fazer um diagnóstico correto das “misérias” que causam nossas (de Ubatuba) “doenças”?

Se a crise é da humanidade, o que estamos fazendo com a responsabilidade que cabe a cada um, aqui em Ubatuba?

Pense nisso, caro leitor, cara leitora. E ao obter a sua resposta passe a discutir o assunto e democratize suas convicções. Pela internet, pelo rádio, pela imprensa, pelo Orkut, e-mail ou qualquer meio, mas divulgue. Participe! A omissão está entre as maiores “misérias” que temos atualmente em Ubatuba e está cobrando um preço muito alto...

Meio ambiente


Pedro Tuzino responde pelos proprietários dos três lotes de onde foram retirados 80 caminhões de terra, além de corte de árvores

Ministério Público investiga área desmatada por ex-candidato a prefeito

Do Imprensa Livre (original aqui)
Quem passou nos últimos feriados pela preservada Praia Dura, a 20 km do Centro de Ubatuba, se espantou com um clarão aberto em Mata Atlântica. Vista da estrada, a área, três lotes de 1.420 metros quadrados cada um, é privada.

O engenheiro Pedro Tuzino, ex-candidato a prefeito nas últimas eleições, que responde pelos proprietários, diz se tratar de obras de contenção da encosta e erosão. Por isso, justifica, retirou dali 80 caminhões de terra e cortou árvores que promete replantar.

Tuzino se respalda em um relatório de vistoria da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec) de Ubatuba, de 19 de fevereiro, que observou no local risco de escorregamento. O Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN), no entanto, contesta o documento, alega que a intervenção não poderia ser feita sem autorização do órgão, por ser área de preservação, diz que as obras “extrapolaram os limites” do local de risco e provocaram danos ao ambiente. O terreno foi embargado pela polícia ambiental e o Ministério Público do Estado (MPE) instaurou inquérito civil para apurar o imbróglio.

Segundo o DEPRN, houve “dano ambiental”, consistente em corte de morro (para abertura de via e criação de platô) e supressão ilegal de vegetação, em área equivalente a 5.400 metros quadrados, parcialmente em área de preservação permanente e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Tuzino contesta as acusações. “O corte no morro foi feito pelo DER para passar a estrada. O platô e o acesso ao topo já existiam e a nascente fica a mais de 60 metros. O que passa pelo terreno é um curso d’água que eu canalizei por estar assoreado. E é área de risco. Há 18 anos, um deslizamento atingiu a casa da frente”, diz.

Segundo ele, as árvores cortadas tinham risco de cair. “Além disso, o caráter emergencial da obra exime os proprietários de autorização do DEPRN, conforme resolução do Conama”.

Em reunião convocada pelo promotor de Justiça, Alexandre Petry Helena, no dia 7, o Instituto Geológico (IG) confirmou a retirada de 1 mil metros cúbicos de saibro (argila, areia e pedregulhos), colocando “centenas de blocos e matacões” de rochas estão em situação “emergencialmente perigosa”. Mas, afirma que os “demais aspectos de risco” não podem ser considerados de “caráter emergencial”. A resolução do Conama, neste caso, não se aplicaria.

“Essa noite rolou aquela pedra. Na semana passada, desceu terra. A piscina era só barro”, diz o caseiro da propriedade em frente.

O promotor deu 30 dias para que Tuzino remova rochas que representam risco e apresente pedido de licenciamento ambiental para as intervenções.

Moradores aguardam apreensivos. “Como podem deixar isso assim?”, esbraveja Grace Kawall, de 69 anos. Artista plástica, ela viveu 15 anos em Nova York, onde conheceu o canadense Henry Board, de 63. Há seis anos, o casal trocou o flat na 5ª Avenida pela Praia Vermelha do Sul, com único acesso pela pista parcialmente interditada. “Se isso cair de vez, ficaremos isolados”. As praias Brava, Bravinha, Costa e Fortaleza estão na mesma situação. “A cada dia tem menos terra e mais pedras caídas” , diz Grace. “E ali havia uma árvore linda”, aponta Henry, que trabalhou com a recuperação de casas antigas. “Não sou engenheiro, mas o que eles fizeram ali não parece correto nem seguro. Não acho que era preciso desmatar. Talvez as árvores tenham morrido de susto”, ironiza.

Grace faz parte da Associação de Amigos da Praia Vermelha, cujos integrantes juntos chegaram a comprar terrenos só para preservá-los. “Todo o vale é nosso agora. Me perguntam como eu pude deixar Nova York, mas o luxo do luxo é abrir a janela de manhã e dar de cara com a Serra do Mar”.

Ubatuba em foco

Propina na Câmara

Sidney Borges
Na semana passada houve andamento na ação civil (749-05), movida pelo Ministério Público local. Segundo consta nos autos, Ubatuba foi palco de um esquema de propina comandado por integrantes da Câmara Municipal. Aconteceu em 1997 e 1998. Tudo indica que a demorada ação agora vai correr rápido e logo saberemos a sentença. A cidade está curiosa.

Em 1995 foi publicada uma matéria alusiva no Vale Paraibano, assinada pelo jornalista Salim Burihan e reproduzida no Ubatuba Víbora. Está disponível aqui.

A ação surge em boa hora, o tema central logo voltará a ser abordado. Com o advento da indústria petrolífera Ubatuba certamente receberá técnicos ligados à atividade. A chegada de imigrantes de alto nível vai ter impacto no mercado imobiliário. Haverá uma forte pressão pela mudança do gabarito, a indústria da construção civil luta há muito tempo pela verticalização.

Com toda razão, construtores querem ganhar, corretores de imóveis querem ganhar, comerciantes de material de construção querem ganhar. E não podem ser condenados por isso, quem abre uma empresa o faz visando lucro.

Sobre a verticalização em questão, há quem defenda com ardor e quem condene. Tomando-se as devidas precauções não há nada de errado, o crescimento populacional é inexorável e a verticalização é a única forma de enfrentar o fato.

No entanto, antes de liberar é preciso criar condições para que a cidade não se transforme em uma cloaca fedorenta perpétua. Ubatuba não possui infraestrutura sequer para a população atual. As praias da cidade estão condenadas. Até Itamambuca que tem visibilidade internacional padece dos males da poluição.

E há um detalhe sórdido, os esgotos estão poluindo mais do que as praias, estão corroendo o capital da cidade. Ubatuba só pode sobreviver como atração turística. A distância dos centros produtores e a falta de transportes inviabilizam a criação do sonhado parque industrial, hoje mera utopia para enganar eleitores.

Sem o devido tratamento dos esgotos não podemos pensar em liberar gabaritos. Antes de colaborar com o aumento da poluição os vereadores deveriam pensar em criar meios de acabar com ela. Deveriam, nem sei se as escolas "modernas" ensinam esse tempo verbal...

Mitologias

As dietas

por Daniel Piza (original aqui)
A neurose por emagrecimento no mundo atual é diretamente proporcional à falta de tempo no dia-a-dia. Como tem poucas horas livres, exceto para a TV, a maioria das pessoas come mal e é sedentária; logo, está mais e mais vulnerável à propaganda de regimes e exercícios milagrosos - que as fazem emagrecer por alguns meses e depois voltar ao que eram ou a situação pior. Há fenômenos que ressurgem periodicamente, como agora o da corrida ("cooper", no passado), mas que são subprodutos das mesmas questões. O que menos se encontra é a tão alardeada moderação. O tom dominante é o exagero para cima ou para baixo.


O ponto é o seguinte: se você quiser emagrecer, precisa comer menos e melhor; reduzir doces, massas e gorduras, principalmente à noite. O resto é redundância midiática. Praticar esportes é para manter o peso e o condicionamento, afinal 30 minutos na esteira consomem menos que 400 calorias ou dois sucos de laranja. Esse papo de que caminhar uma hora por dia emagrece é bobagem, assim como essas dietas que suprimem um grupo de alimentos (a carne vermelha é sempre o diabo da lista, embora tenha proteínas dificilmente substituíveis), para não falar de regimes "da lua" e outros semi-esoterismos. Capas e capas de revistas anunciam "segredos" numa área em que eles não existem. Mas, tal como o silicone e a fast-food, seu apelo está em iludir o público com efeitos fáceis.

Já virar maratonista amador depois de certa idade, lamento, não vai lhe garantir vida mais longeva. Muito menos pele bonita. Se esse for o estilo de vida que deseja, parabéns e boa sorte. Mas não venha dizer que é uma espécie de existência ideal, como se passar duas ou três horas do dia se exercitando fosse uma prerrogativa de perfeição moral ou visual, não um vício narcisista em muitos casos (que poderiam ser batizados de "serotoninômanos"). Não dá para querer que todo mundo seja atleta. Três dias de atividade física por semana são mais que suficientes para um cidadão empregado que tenha filhos, vida social e cultural, etc.

A mania do emagrecimento é sintoma de uma sociedade que cada vez mais convive com a obesidade por mistura de fatores alimentares e genéticos. Olhar feio para pessoas que estão 5 kg acima do peso, como se fosse motivo de discriminação, é, para dizer o mínimo, irrealista. Não é preciso ter, sei lá, 10% de taxa de gordura para ter saúde, auto-estima ou beleza, itens que dependem de muitos fatores além da vontade e do dinheiro. Mas a boa forma física pode ter alguma chance quando não é exaltada como fonte de juventude eterna.

Opinião

A pedagogia do cinismo

Editorial do Estadão
Ao desdenhar do noticiário sobre a farra das passagens áreas na Câmara dos Deputados - apenas uma de uma sequência ainda inesgotada de denúncias envolvendo parlamentares e altos funcionários do Legislativo -, o presidente Lula fez mais do que atender a uma presumível cobrança recebida dos presidentes das duas Casas do Congresso, o deputado Michel Temer e o senador José Sarney. Os dois hierarcas do PMDB queixaram-se a Lula de não ter ele dito em três meses uma única palavra que se contrapusesse aos efeitos junto à população da sequência de escândalos levantados pela imprensa. O presidente passou a cortejar com afã renovado o apoio do partido à candidatura Dilma Rousseff em 2010 desde que se tornou conhecido o problema de saúde da ministra.

A cobrança, em si, era já uma enormidade: nenhuma das revelações se comprovou infundada até agora e em nenhum momento a imprensa aproveitou os vexames destampados para acusar indistintamente os membros do Congresso e muito menos investir contra a instituição legislativa. Não tivesse Lula sacrificado na pira do mensalão o senso ético de que fazia praça em tempos idos, teria moral para rejeitar a indigna demanda da dupla peemedebista com o argumento de que o Legislativo, até por missão constitucional, pode se pronunciar sobre assuntos do Executivo, mas a recíproca não é verdadeira. Ou, não tivesse ele de há muito passado a acreditar no que viria a dizer sobre a exposição dos malfeitos parlamentares, poderia aplacar os aliados afirmando, por exemplo, que o Congresso, como instituição e por sua história, é maior do que a soma de suas partes e estas são predominantemente boas.

Mas isso seria pedir demais a quem, mandando às favas escrúpulos passados, aprendeu a juntar no mesmo saco a primazia dos seus interesses políticos e conveniências pessoais com uma visão cínica do sistema pelo qual se elegeu - o mensalão descende das contas da campanha de 2002 - e com o qual governa. Assim, quando declara que as denúncias dos abusos com as passagens aéreas dos deputados tratam "como se fosse uma novidade uma coisa que é mais velha do que a história do Brasil" (sic) e quando acrescenta que "temos coisas mais importantes para discutir", ele afaga aqueles que outrora incluiria no rol dos "300 picaretas" do Legislativo e deixa à mostra o imitigado pragmatismo com que espera ver realizadas as suas prioridades. É a velha teoria de que os fins justificam os meios.

Se o crescimento econômico, a geração de empregos e a redução da desigualdade social são metas justas, Lula parece raciocinar, justo também se torna tirar o proveito possível dos piores vícios da política brasileira. Foi com esse espírito que ele chegou ao Planalto, reelegeu-se e trabalha para eleger a sua candidata à sucessão. Claro que as metas são indissociáveis da sua presença no poder e da perpetuação do lulismo. Por isso também, quando conta que usava passagens de sua cota como deputado para "convocar dirigentes da CUT e outras centrais sindicais" e quando comenta que, se o mal do Brasil fosse essa clamorosa apropriação indevida de dinheiro público, "o Brasil não tinha mal", Lula deixa clara a perversão a que submeteu os valores políticos com os quais se identificava e que fizeram do sindicalista renovador transformado em líder partidário uma figura ímpar na cena nacional.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 05 / 2009

Folha de S. Paulo
"Crise piora perfil da exportação brasileira"

Saldo comercial cresce, mas produto básico vende mais que manufaturado

A balança comercial brasileira fechou o primeiro quadrimestre de 2009 com saldo de US$ 6,7 bilhões, alta de 49,4% ante o mesmo período de 2008. Em abril, ela ficou positiva em US$ 3,7 bilhões - o melhor desempenho nos últimos 11 meses.

Os dados do mês passado, porém, também mostram que o Brasil exportou mais produtos básicos (como metal e soja) que manufaturados; em um ano, sua participação na pauta de exportações passou de 33% a 45%.

Para exportadores, o dado indica uma volta ao perfil do comércio exterior na década de 80, com predomínio da venda de matérias-primas.

O Globo
"Fim de nepotismo na Infraero abre crise entre aliados de Lula"

PMDB reclama de demissões na estatal e ameaça retaliar no Congresso

Uma medida moralizadora adotada na Infraero contra indicações políticas abriu uma crise com o principal aliado do governo Lula, o PMDB. Um novo estatuto torna obrigatório que quatro das cinco vagas da diretoria da Infraero sejam preenchidas por funcionários de carreira. Os cargos comissionados foram reduzidos a 12 - hoje são 109 - e 28 pessoas, demitidas. Recebidos por Lula, líderes do PMDB alertaram que as mudanças podem provocar derrotas no Congresso e prejudicar a aliança com o PT em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Demissões anunciadas, como a de Mônica Azambuja, ex-mulher do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves, foram suspensas.

O Estado de S. Paulo
"Presidente do Irã decide cancelar visita ao Brasil"

Ahmadinejad usa eleição local para desmarcar criticado encontro com Lula

O presidente do irã, Mahmoud Ahmadinejad, desistiu da visita oficial que faria ao Brasil nesta quarta-feira. Em mensagem ao presidente Lula, a quem chamou de amigo, Ahmadinejad pediu que o compromisso fosse remarcado para depois da eleição presidencial iraniana, em junho. Nos bastidores, funcionários brasileiros dizem que a visita foi cancelada. O desfecho resolve um problema diplomático que o Brasil vinha enfrentando por causa da decisão de receber Ahmadinejad - que questiona o Holocausto e defende o fim de Israel. O iraniano reafirmou suas posições em recente reunião da ONU, e o Brasil emitiu nota discordando dele, o que irritou Teerã. Formalmente, o Itamaraty diz que o Brasil continua interessado no encontro entre Ahmadinejad e Lula e que o País quer ampliar o comércio com o Irã.

Jornal do Brasil
"Uma gripe de R$ 141 milhões

Verba será para ações preventivas. País já tem 25 casos suspeitos

O governo federal anunciou ontem verba extra de R$ 141 milhões para intensificar as ações de prevenção à gripe suína (H1N1) no Brasil. A decisão é do Grupo Executivo Interministerial (GEI), composto por membros da Presidência da República, da Casa Civil e de sete ministérios. A verba será aplicada em ações como publicidade, intensificação de diagnósticos, instalação de salas especiais de monitoramento em portos, entre outras medidas. O anúncio da liberação da verba deu-se no dia em que o número de casos suspeitos da doença no Brasil subiu de 15 para 25, segundo o Ministério da Saúde. Prefeitura e governo do Rio anunciam hoje seus pacotes antigripe.

segunda-feira, maio 04, 2009

Maricotinha

Estados Unidos

Nova ordem mundial

Sidney Borges
Quando aconteceu o primeiro choque do petróleo, em 1973, o mundo vivia uma época de prosperidade. Havia dinheiro sobrando em bancos americanos, europeus e asiáticos.

O Brasil se beneficiava do crédito farto, o "milagre" era uma realidade. Delfim Netto nadava de braçadas, a infraestrutura brasileira, base do desenvolvimento que viria estava sendo construída rapidamente.

Quando os donos do "ouro negro" aumentaram os preços foi um Deus nos acuda. O dinheiro que estava em bancos americanos, europeus, asiáticos e brasileiros fez as malas e rumou para um novo destino: os países da Opep. Para o Brasil foi um desastre que demorou anos a ser absorvido e deixou marcas profundas.

Aí aconteceu o dilema dos adoradores de Maomé. O que fazer com tanto dinheiro (Ibhaim Eris diria titularidade) de uma hora para outra? Comprar camelos? Adquirir esposas? Correntes de ouro? Depois de rezar dias e dias voltados para Mecca os potentados árabes decidiram por aplicações seguras e, porque não dizer, conservadoras. Compraram títulos do governo americano. Nada poderia ser mais sólido e seguro do que o governo dos Estados Unidos. Conselho de Maomé.

Dessa forma os Estados Unidos continuaram comprando petróleo sem que o dinheiro saísse dos Estados Unidos. Isto é, saía e voltava, como se estivesse preso em um elástico. Com um adicional para compensar o stress do susto do choque. Junto à grana árabe ia dinheiro de europeus e asiáticos. No final das contas o aumento do petróleo foi bom apenas para árabes e americanos, com sensivel vantagem para o velho e talentoso Tio Sam.

Nos últimos anos a China acumulou dólares com a exportação de produtos baratos produzidos a um custo baixíssimo. Essa situação foi possível em função das peculiaridades do sistema econômico chinês que mistura Marx e Smith. A dinheirama dos comedores de arroz foi em grande parte aplicada em letras do tesouro americano.

Desde setembro passado a coisa começou a mudar. Com os bancos quebrando os Estados Unidos tiveram a imagem arranhada. A fortaleza inexpugnável do capitalismo deixou de existir no imaginário mundial.

Chineses, árabes, europeus e corintianos não pretendem mais colocar suas poupanças em letras do tesouro americano, alguns países já ensaiam resgatar os papéis que têm em mãos, velha idéia de De Gaulle.

Como farão os americanos para sair desse aperto? Eu não faço a mínima idéia, mas não me esqueço das palavras de Mao Tsé Tung: "Os Estados Unidos são um tigre de papel". E fazem carros caros, gastadores e anacrônicos.

Ubatuba em foco



Meninos do Parque

Ronaldo Dias
Ubatuba tem sido referência em manipulação de seu território pelo estado com justificativas preservacionistas, porém, sem qualquer contrapartida econômica para o município ou, para sua população.

“Na criação das áreas de Parques, APAS terrestres e marinhas que somadas, tombaram e “engessaram” praticamente todo o nosso território, dificultando ou mesmo tornando impossível a pratica ou o licenciamento de qualquer atividade econômica que possa dar” Sustentabilidade” (pagar as contas) da crescente e carente de todos os serviços públicos e, de alternativas de emprego e renda (vide o incontrolável número de “perambulantes”).

Não menos escandalosa foi e é, a manutenção da exclusão social das comunidades tradicionais (comunidades caiçaras) existentes há séculos nestas Áreas e, portanto, responsáveis até então pela existência destes” santuários”. A exclusão pelo estado, das comunidades tradicionais é tão mais acintosa e, odiosa quando e principalmente, pretere estas comunidades das regalias e “direitos” das demais (indígena-extrativistas e quilombolas).

As decisões tomadas nos “Planaltos” (de Piratininga ou, no Central) estão muito distantes daqui. Léguas das nossa realidade. Seus capatazes-mandatários, com raras exceções, agem ainda com rigorosa truculência. O resultado é que muitas vezes na aplicação de suas convicções e interpretações legais, extrapolam os limites da razão.

As leis? Ora a leis! “Faça o que eu mando, mas, não se atreva a fazer o que eu faço” A comunidade caiçara foi e continua sendo, repito preterida em seus interesses, sua cultura, seus usos, seus costumes. Seus remanescentes estão sendo alijados do trabalho na terra de suas roças de mandioca, dos seus ranchos de pesca, de suas moradias, dos seus meios de trabalho e de subsistência.

Na verdade, pelos resultados alcançados até agora, é preciso abandonar todos os modelos teóricos de preservação. Corrigir rumos e rever conceitos. Excluir do processo todos os “bronzeados” pelo calor dos holofotes e dos flashs midiáticos. A cena com os meninos é extremamente constrangedora para aquele “santuário”. Retrata muito mais indignação do que se possa falar ou escrever. O que querem afinal perpetuar?

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Educação

A roda vai ser reinventada

Sidney Borges
Em 1965 fiz o primeiro ano do que hoje chamam de Colegial. Naquele tempo era Científico. Depois do Ginásio optávamos: Científico ou Clássico.

Havia ainda os cursos profissionalizantes, Normal, Contabilidade, Química Industrial, Eletrotécnica, Telecomunicações, Agrimensura e outros. Eram bons, arrisco dizer que melhores do que os oferecidos por muitas faculdades que os ministram hoje.

Claro, sempre há ilhas de excelência, exceções, Poli, ITA, Medicina USP, os cursos das Federais, da Unicamp, da Unesp. A maioria das instituições particulares é sofrível, não por opção, mas pelo material humano que recebem, alunos semi-analfabetos que precisam recuperar conceitos do primário.

As professorinhas do curso Normal sabiam escrever corretamente, fazer contas e conheciam Geografia e História. Você certamente tem amigos que usam a Língua Portuguesa no ofício, professores, advogados, jornalistas. Por curiosidade peça para que escrevam um texto de 40 linhas sobre qualquer tema. Depois corrija. Waal! Você não vai acreditar. O ensino brasileiro foi destruído pela incompetência dos formuladores de políticas educacionais.

Voltando aos tempos anteriores à catástrofe. O Científico era dividido em exatas e biológicas, nas exatas havia Geometria Descritiva, nas biológicas, Biologia. Os alunos que optassem pelo Clássico podiam escolher entre letras e estudos sociais, mas estavam livres de Biologia, Matemática, Física e Química. Nada mais justo.

Em mais de trinta anos de jornalismo e magistério, atividades que exerci simultaneamente, conheci poucos jornalistas que tivessem apreço pelas exatas. Alguns, de textos brilhantes, mal sabem somar e se lhes for perguntado o que é uma raiz quadrada pensarão em algum tipo de árvore exótica. No entanto, escrevem corretamente, conhecem literatura e o que é mais importante, sabem pesquisar.

O governo diz que vai recuperar o tempo perdido. Errar é humano, permanecer no erro é burrice, clama a voz do povo. Desejo boa sorte na empreitada, mas sinceramente não acredito em sucesso. Apenas boas intenções não bastam. A Educação está um caos. E assim vai permanecer por muitos anos. Perde o Brasil, perdemos todos, não perdem os políticos. São espertos, ganham sempre.

Poeminha

A Palavra do $enhor

"No princípio era a Verba"

Cacaso

Educação

Burocratas: Macacos em loja de cristais

A Folha traz entrevista de Fábio Takahashi com o diretor da melhor escola da rede estadual de São Paulo no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) - e 2.596o entre todas.

Sua avaliação: ” Governo do Estado só me atrapalha”, assim como a politização na eleição dos diretores.

Trechos principais da entrevista com Camilo Oliveira:

FOLHA - Por que a escola teve a melhor nota da rede no Enem?

CAMILO DA SILVA OLIVEIRA - É um trabalho de 22 anos, que resistiu a sucessivas trocas de governo e de secretários.

FOLHA - No dia-a-dia, o que a sua escola tem de diferente?

OLIVEIRA - Um eixo pedagógico, o rol de conteúdos [currículo], uma sequência de conteúdos. Fui pesquisar, porque o Estado não tinha subsídio para isso. Pesquisei escolas particulares e vestibulares de ponta. O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, ainda nem desconfia [o currículo começou a ser implementado na rede estadual em 2008]. Cada governo tem um modismo. Por exemplo, se fala em escola de tempo integral quando a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas].

Tem também o projeto de informática, uma bobagem. Se tenho 17 máquinas e 40 alunos, o que os outros 23 ficarão fazendo? Posso bolar um esquema para fora do período, mas sem achar que irá melhorar a qualidade de ensino.

FOLHA - O sr. então tem uma escola que não segue a rede.

OLIVEIRA - Aqui é uma escola maldita, que vai contra os modismos de cada secretário. Depois da Rose Neubauer [gestão Mario Covas], em que as escolas perdiam aulas para treinamento de professores em horário de serviço, veio um que nem sabe o que é rol de conteúdos [Gabriel Chalita, gestão Geraldo Alckmin]. A escola, que já não funcionava, ficava uma semana em feira de ciências ou excursões para zoológico. Melhora o ensino? Vi que era fria e tirei a escola disso. No governo Serra, temos o terceiro secretário em dois anos e meio. Se o meu projeto dependesse do governo, estaria esfacelado. A menina do Mackenzie [Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos, primeira secretária da gestão José Serra] era bem intencionada, mas não conseguiu nada. A segunda [Maria Helena Guimarães de Castro] eu respeito porque sabe que escola é avaliação. E sabe que para avaliar precisa de um rol de conteúdos. Mas teve problemas de gestão. Por exemplo, a prova de temporários era uma boa ideia. Mas a implementação foi péssima, sem preparo jurídico, o que melou o sistema. Ou seja, o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas. Deveríamos nos preocupar com o que realmente interessa, que é a aprendizagem dos alunos. Depois se acerta a burocracia. Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula. É uma inversão. É triste, porque se é esse caos em São Paulo, imagina nos outros Estados. Nem as universidades conhecem a rede. Ganhei da Escola de Aplicação da USP [que ficou em 3.293º lugar no ranking nacional], por exemplo. E a esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram.

FOLHA - O sr. sofre retaliações?

OLIVEIRA - Nenhuma. Conheço o ofício. Os pais sabem que essa escola funciona, daí vem o apoio. No começo, senti pressão. O supervisor vinha e falava: “Como não vai mandar os professores para formação?”. Eu dizia: “Vou chamar a imprensa e explicar que os alunos vão ficar sem aulas.” Eles desistiam de me pressionar. Mas era um sobressalto constante.

FOLHA - Como o sr. avalia o corpo docente da sua escola e da rede?

OLIVEIRA - Aqui o pessoal é qualificado. Gente da USP, PUC, do Mackenzie. É uma nata que gostou do trabalho. Aqui se consegue dar aula, raridade na rede. Foi uma seleção natural ao longo dos anos.

FOLHA - Quanto ganham seus professores?

OLIVEIRA - Os mais novatos, com cinco anos de experiência, uns R$ 1.700, a média do Estado. Eu sou um diretor de 30 anos, que vai se aposentar na casa dos R$ 3.000.

FOLHA - Há pesquisas que mostram que o salário da rede estadual paulista não é ruim. O sr. concorda?

OLIVEIRA - Em cidades do interior, o salário de professor é o maior da cidade. Mas o Estado deve atrair melhores quadros. O salário não é compatível.

FOLHA - Como o sr. avalia a estrutura física da sua escola?

OLIVEIRA - Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor.

FOLHA - Qual a principal ação para melhorar o ensino público?

OLIVEIRA - Gerência. Precisa ser técnica, trabalhar currículo, diagnóstico. Até trazer gente da iniciativa privada. Ou colocar os diretores das melhores escolas na gestão do sistema.

FOLHA - O que o sr. acha do novo secretário, Paulo Renato Souza?

OLIVEIRA - Tenho simpatia pela trajetória dele. Mas ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um. (Do Blog do Nassif)

Bolsa Família

Uma bolsa aberta para fraudes

Metade das prefeituras deixa de divulgar beneficiados em programa do governo federal

De Edson Luiz no Correio Braziliense
Uma pesquisa feita por amostragem pela Controladoria-Geral da União (CGU) mostrou que 51% das prefeituras fiscalizadas por sorteio não divulgaram a relação dos beneficiários do Bolsa Família. Isso aumenta a possibilidade de fraudes no programa, principalmente nos casos de pessoas que deixaram de depender do benefício, mas continuam cadastradas.


Apesar de alto, o índice, que se refere aos dois últimos anos, é 12% inferior aos dados de 2003 a 2005, quando 62% dos municípios analisados não mostravam os nomes de quem recebia o auxílio.

Pelo decreto do governo, todos os municípios devem divulgar amplamente a relação dos beneficiários do Bolsa Família. Mas, das 446 prefeituras sorteadas para serem fiscalizadas, 227 não tinham tornado pública a lista das pessoas que estavam dentro do programa. Isso representa metade das cidades pesquisadas por meio de cruzamento dos relatórios de auditorias e questionários enviados pela CGU. Muitas vezes, famílias que antes recebiam o dinheiro do programa se mudaram, mas continuam na relação de recebedores.

Isso aconteceu em Oeiras do Pará (PA), onde a CGU fez uma auditoria em diversos tipos de programa, incluindo o Bolsa Família. Os técnicos observaram que pelo menos cinco pessoas tinham deixado a cidade e não havia fiscalização suficiente para inspecionar os critérios de recebimento do benefício.

Em Cedral, no Maranhão, os funcionários da Controladoria também encontraram casos semelhantes. Além disso, na cidade maranhense 10 crianças não estavam nas escolas onde diziam ser matriculadas. Algumas mudaram ou foram transferidas.
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Coluna da Segunda-feira

Conferência nacional de comunicação

Rui Grilo
Com sete votos a favor, três votos com ressalvas e um voto contra, o Supremo Tribunal Federal revogou a Lei de Imprensa no última dia de abril. Para muitos, falta ao Brasil, a redemocratização da comunicação e esta medida é um passo nessa direção embora deixe um vácuo em relação à garantia do direito de resposta.

Uma das maiores críticas ao governo Lula é a manutenção das concessões de rádios e tevês para um grupo reduzido de empresários e políticos ao mesmo tempo em que há grande demora e quase impossibilidade de aberturas de rádios e tevês comunitárias, o que feriria o direito de comunicação. Para a manutenção desse privilégio, as grandes redes fazem grande pressão sobre o governo, o que explicaria fatos comoo ocorrido no último dia 08, quando o escritório regional da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) em São Paulo, com o suporte logístico e político da Prefeitura Municipal, destruiu cerca de oito toneladas de equipamentos apreendidos em operações de fiscalização de emissoras de rádio não autorizadas.

Consultado pelo Observatório do Direito à Comunicação, o juiz federal aposentado Paulo Fernando Silveira, considerou a ação arbitrária e ilegal porque, ao contrário da apreensão de drogas, por exemplo, os transmissores, antenas, computadores, mesas de som e CDs não são produtos proibidos pela lei, não sendo, portanto, passíveis de destruição. Ao serem adquiridos no mercado interno de forma lícita, são propriedade permanente daqueles que o compraram, mesmo que sejam considerados pela Justiça provas materiais de um crime.

Para justificar o rigor contra as rádios comunitários, alega-se que elas causam riscos à aviação, fato desmentido por técnicos e peritos nessa questão.

Para Neusa Ribeiro, jornalista e professora especializada em comunicação comunitária, num país em que há um grande número de analfabetos ou que não tem acesso a jornais e à internet, o rádio é um grande instrumento de inclusão porque dá acesso a bens culturais mais amplos (notícias, debates, músicas variadas).

Na disputa pela hegemonia da audiência, os grupos dominantes se referem às rádios comunitárias como rádios piratas, estigmatizando-as de forma pejorativa. Além disso, grande parte dos proprietários das grandes redes de comunicação são políticos que atuam no parlamento, lugar onde se produzem as leis e onde se decidem as concessões, e que podem dificultar o acesso aos movimentos e organizações populares. Portanto, é uma batalha muito desigual.

Tramitam no Congresso Nacional dois projetos de leis com o objetivo de descriminalizar as rádios comunitárias não legalizadas, impondo a elas apenas sanções administrativas. Mas como estratégia para dificultar essa aprovação, o projeto foi encaminhado à Comissão de Combate ao Crime Organizado.

No que se refere à democratização da televisão uma dificuldade é o número limitado de espectros para a transmissão. Com a implantação de sistemas digitais e de alta definição havia a possibilidade de se ampliar o número de canais, tanto comerciais como universitárias, públicas e/ou comunitárias.

Havia a possibilidade de três sistemas: o japonês, que oferece menos possibilidade de ampliação de programação mas que já estaria disponível para instalação; o europeu, que possibilita que em um canal haja até quatro programações; e, o nacional, desenvolvido por uma rede de universidades brasileiras e que uniria as qualidades dos dois primeiros, com alta definição de imagem e som e possibilidade de multiprogramação. Em apenas um canal poderia haver até quatro programações. Para a pesquisa e desenvolvimento desse sistema , o governo destinou significativos recursos e estava em final de experimentação. Além de não pagar royalties, poderia ser vendido para outros países.

Entretanto, alegando a maior rapidez na implantação, optou-se pelo japonês, em que se ganha na qualidade da imagem e na rapidez do processo de instalação mas fecha-se a possibilidade de ampliação da programação, limitando-se aos atuais, garantindo-se apenas a instalação da tevê pública e da estatal. Essa decisão contrariou as expectativas e orientações dos fóruns e grupos organizados em defesa da democratização das comunicações e dos direitos humanos. Essa decisão só se explica pelo poder do Ministro das Comunicações, que sempre representou os interesses da Globo e que, ameaçada pelas grandes teles que estão se instalando no Brasil e na América Latina, pressionou para que fosse escolhido aquele que mais a beneficiaria.

Apesar dessa derrota, outro grande passo foi dado: o movimento organizado conseguiu que o Governo convocasse para o início de dezembro a CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO, que deverá ser precedida por conferências estaduais e regionais, nas quais serão discutidas as principais questões que ainda necessitam de regulamentação, limitando o poder das grandes corporações pois nas comissões deverão estar representados o governo, os empresários e os grupos organizados da sociedade civil e das universidades.

Se queremos maior acesso à informação e melhor qualidade de programação, é necessário que passemos a discutir o que é que queremos e como garantir que nossos direitos sejam respeitados.
Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br
 
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