Coluna do Rui Grilo

É Lula que está contra a liberdade de expressão ou as grandes corporações?

Rui Grilo
“Ora, como um homem que viveu intensamente o processo de redemocratização do Brasil é capaz de condenar a livre manifestação dos profissionais de imprensa?”

Diversas vezes, a coluna do Celsinho, às sextas, serve como motivação dos meus textos que saem às segundas. Às vezes, para concordar; outras, para pontuar ou divergir.

Nessa citação acima, há correções que devem ser feitas. E não podemos esquecer do debate entre Collor e Lula, em que a edição que a Globo fez, segundo especialistas em comunicação, tinha o nítido objetivo de prejudicar o Lula e influenciar os eleitores. Portanto, não há liberdade de expressão quando esses canais de comunicação estão a serviço da manipulação defendendo interesses de pequenos grupos que detem o poder e usa-o contra a maioria da população.

Não há liberdade de expressão quando os canais de comunicação estão nas mãos de um pequeno grupo que determina quem pode e quem não pode falar. É essa questão que Lula põe no centro das discussões.

Para Leonardo Boff é uma questão de classe. Para aqueles que se julgam no andar de cima é difícil aceitar que um retirante tenha chegado ao posto que chegou, ofuscando o prestígio daqueles que se julgam mais bem formados.

Num regime democrático, onde é o espaço para a definição de direitos e deveres? Não é o parlamento?

Em entrevista ao portal Terra Lula afirma “que é impossível você imaginar fazer uma coisa que discuta comunicação se você não passar pelo Congresso.” E a Constituição estabelece que “Todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente...”

Vários artigos do capítulo V da Constituição e que tratam da Comunicação Social tem sido frequentemente desrespeitados pelas grandes redes de comunicação por falta de lei complementar que os regulem. Como um estágio preparatório dessas discussões e para garantir ampla participação, foram convocadas a conferências municipais, regionais, estaduais e a nacional de comunicação. Os mesmos veículos que hoje dizem que há perigo para a liberdade de expressão se negaram a participar, boicotando a realização. Em São Paulo, ela só ocorreu pelo esforço da Assembléia Legislativa em união com instituições da sociedade civil.

Recentemente, em um debate no Roda Viva, o jornalista Heródoto Barbeiro fez um questionamento sobre o alto custo dos pedágios e, logo em seguida, foi afastado do programa e substituído por Marilia Gabriela.

Vários jornalistas tem criado seus próprios blogs para escaparem à ferrenha censura que seus patrões impõem aos seus textos e reportagens, criando assim, uma rede de contestação às “verdades” que querem impor à sociedade.

No recente episódio da filha do Serra, todos as grandes corporações ficaram batendo na mesma tecla; no entanto, não houve qualquer repercussão sobre o fato da firma à qual ela é ligada, ter quebrado o sigilo de mais de 60 milhões de contribuintes, nem ao fato dela estar ligada a Daniel Dantas, denunciado por inúmeras falcatruas e que conseguiu afastar justamente aqueles que o investigavam.

Também não se questiona porque tanto medo de ter seu sigilo quebrado.

Não é estranho que apenas a Carta Capital tenha sido pressionada pela vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, a prestar contas e abrir seus contratos e contas de publicidade ? Coincidentemente, é a mesma revista que tem denunciado a parcialidade de seus concorrentes e mostrado o outro lado da notícia. Por outro lado, a Editora Abril que tem sido beneficiada pelo governo tucano com a compra de várias publicações, salvando-a da falência, é a mesma que ataca o governo federal. Por que a mesma providência não é solicitada à Abril, à Folha e ao Estadão ? Parece que ainda vale a máxima: “Aos inimigos, a lei.”

Recentemente, Cláudio Lembo, ex-governador e filiado ao Democratas, afirmou que “-, a imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido.”

Neste domingo (26/09) o Estadão desce do muro e se posiciona a favor de Serra. No entanto, a Folha ainda tenta vender a idéia de neutralidade. É claro que não existe neutralidade na imprensa. E como disse o Lula: “crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática.”

Embora Lula seja o presidente, é também um cidadão e, portanto, também tem direito de manifestar a sua opinião, especialmente quando se vê a parcialidade com que a imprensa vem cobrindo a campanha eleitoral, pautanto os temas para o ataque de Serra contra Dilma.

Além desse episódio do debate da Globo, não podemos esquecer o episódio do seqüestro de Abílio Diniz em que se tentou vincular o PT ao grupo de seqüestradores. E sempre em período eleitoral.

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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