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Opinião

Não basta ter razão Ferreira Gullar Não tem cabimento demonizar o populismo, ainda que ele contenha inevitavelmente contradições que podem levá-lo ao impasse. É inegável, porém, que ele parte da constatação de que a sociedade é, sem dúvida alguma, desigual. Há uma minoria rica, uma classe média de alguns recursos e –particularmente em países com o nosso– uma maioria que vive ao nível da necessidade, mal tendo como sustentar e educar os filhos. Eleger como objetivo de governo a melhoria das condições de vida dos mais pobres é indiscutivelmente um propósito louvável. Mas não basta ter razão para estar certo. O problema é que esse populismo é ideológico e, por isso, faz do propósito de ajuda aos mais pobres um projeto de governo. Ao contar com o apoio dessa maioria carente, transforma-se em um modo de permanecer indefinidamente no poder. Hugo Chávez, por exemplo, chegou a fazer aprovar uma lei que permitiria que ele fosse reeleito indefinidamente pelo resto da vida. Para engana...

U.V.

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Manchetes do dia

Segunda-feira 10  / 10 / 2016 O Globo " Governo diz já ter votos para aprovar teto de gasto " Economistas alertam que, sem limitar despesas, país não volta a crescer Na véspera da votação, Temer faz ofensiva para convencer deputados. Diretora do FMI afirma em encontro com ministro da Fazenda que aval do Congresso a reformas daria credibilidade ao Brasil Na véspera da votação, o governo avaliava já contar com apoio para aprovar a proposta de emenda constitucional que limita os gastos públicos. Nas contas do Planalto, serão 360 votos a favor, bem acima dos 308 necessários. Para garantir quórum hoje, o presidente Michel Temer reuniu ontem mais de 200 deputados em jantar no Alvorada. Ele também foi à casa do líder do PSD, Rogério Rosso, para convencer indecisos. Economistas afirmam que o país não voltará a crescer sem o teto de gastos. Em Washington, Christine Lagarde, diretora do FMI, disse, após encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que as ref...

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Opinião

Vozes e silêncio no domingo Gabeira Ganhar ou perder eleições, vitórias apertadas, derrotas humilhantes — tudo isso faz parte da política. Mas, diante das urnas totalizadas, a melhor reação não é remoer rancores, mas entender o que as pessoas tentaram dizer com seu voto. Em primeiro lugar, o recado dos que não foram às urnas, votaram em branco ou anularam. Em número, superaram os votos do candidato eleito em primeiro turno em São Paulo. No Rio, foram mais numerosos que a soma dos votos dos dois Marcelos que chegaram ao segundo turno. No mesmo domingo em que houve eleições municipais no Brasil, colombianos e húngaros foram às urnas, também com um alto nível de abstenção. Isso acontece em muitos países, mas em cada um tem suas razões. No caso brasileiro, a julgar pelo que ouvi nas ruas, e olha que rodei muito para um não candidato, muitos se sentem não representados, outros temem que seu voto acabe fortalecendo a roubalheira de sempre. A agonia do sistema político brasileiro ficou e...

U.V.

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Manchetes do dia

Domingo 9  / 10 / 2016 O Globo " Retrocesso na economia vai agravar pobreza até 2025 " Classes D e E devem aumentar mesmo com retomada do crescimento Nos próximos nove anos, população de baixa renda crescerá em mais 1 milhão de famílias. Maior preocupação dos mais pobres é com o desemprego Mesmo com a previsão de que a economia volte a crescer, a população de renda mais baixa deve aumentar em mais 1 milhão de famílias até 2025, quando chegará a 41 milhões, segundo a consultoria Tendências, informa DAIANE COSTA. “Há muita coisa errada para consertar na economia. As famílias vão ter de se acostumar a viver com menos por mais tempo”, diz Adriano Pitoli, autor da pesquisa. Desde 2014, com a recessão e a inflação, as classes D e E aumentaram em 3,5 milhões de famílias. Outro levantamento, do Ibase, mostra que o desemprego é a maior preocupação dos mais pobres. Na casa de Glória de Oliveira Brito e Anderson Ornelas, ambos desempregados, a solução foi alugar o térreo da...

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Opinião

É difícil votar porque ninguém nunca realmente representa ninguém Contardo Calligaris A cada eleição, decidir em quem votar me parece mais difícil. Para escolher alguém que me represente, eu estou ficando estranhamente exigente. Nas primeiras vezes em que votei (na Itália, no fim dos anos 1960), parece-me que a decisão era relativamente simples. Os candidatos não eram perfeitos; nenhum deles era meu "sonho de consumo" político. Com poucas exceções, aliás, eles eram tão ruins ou medianos quanto a maioria dos de hoje. Conclusão: os candidatos não mudaram, quem mudou fui eu. No passado, escolhia um candidato porque ele pertencia a um movimento pelo qual eu me sentia, de alguma forma, levado. Nesse contexto, não votar em Fulano por algo que ele disse ou por ele ter feito uma aliança sinistra era apenas uma demonstração de que nosso engajamento era morno. Quem hesitasse em votar em um candidato por causa dessas "picuinhas" só poderia ser um individualista enrust...

U.V.

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Manchetes do dia

Sábado 8  / 10 / 2016 O Globo " Estado terá programa de demissão voluntária " Corte de gastos prevê também redução do número de secretarias Governo busca fonte de receita para pagar indenizações a servidor que aderir ao plano Mergulhado numa crise financeira sem precedentes, o governo do Estado do Rio decidiu, entre outras medidas, lançar um plano de demissão voluntária para os servidores e reduzir as 20 secretarias para dez a 12, informa CARINA BACELAR. O governo federal também pode assumir empréstimos externos feitos pelo Rio que não estão sendo pagos. Mas uma intervenção é descartada pelo estado e pela União. (Pág. 10 e editorial “Tratamento de choque para a crise fiscal fluminense” . O Estado de S.Paulo " No QG da delação premiada " EXCLUSIVO. HOTEL DE BRASÍLIA VIRA ‘BUNKER’ DA ODEBRECHT; MAIOR EMPREITEIRA DA AMÉRICA LATINA TENTA FECHAR COM PROCURADORES ACORDO QUE PODE SER O MAIS EXPLOSIVO DA OPERAÇÃO LAVA JATO Em reuniões que ent...

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Coluna do Celsinho

Novo prefeito Celso de Almeida Jr. Enfim, prefeito eleito. Gostei das primeiras declarações do Sato. Manteve o ritmo da pré-campanha e campanha, evitando promessas, mostrando que fará um governo pé no chão. Isso é bom sinal. Pelo recado que as ruas mandaram - por todo o Brasil - não é mais aceitável criar expectativas no eleitorado durante a campanha para esquecê-las durante a gestão. E Sato - político e gestor público experiente - sabe que o desafio é gigante, os problemas são muitos e a saída é profissionalizar a administração da prefeitura. Não é jogo fácil, sabemos. Mas Sato vem de uma longa jornada no exercício da política e, certamente, já aprendeu o caminho que melhor resultado garante para o município. Agora é trilhá-lho com firmeza, equilíbrio e sabedoria. Para tanto, é justo que conte com o apoio de todos, inclusive dos demais candidatos a prefeito que concorreram com ele. Nesta hora, o que vale é o desprendimento e a torcida para que tudo dê certo. ...

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Opinião

Votando e aprendendo a votar Gabeira Não tenho o hábito de comemorar derrota de adversários, porque me lembro de que também já tive as minhas, aritmeticamente, humilhantes. No entanto, o resultado das eleições é uma espécie de confirmação eleitoral do fim de uma época. Na verdade, o marco inaugural foi o impeachment, que muitos insistem em dizer que foi produto de uma articulação conservadora e dos meios de comunicação. Os defensores dessa tese têm uma nova dificuldade. Se tudo foi mesmo manobra de uma elite reacionária, se estavam sendo punidos pelo bem que fizeram, por que o povo não saiu em sua defesa nas urnas? Sei que a resposta imediata é esta: a Operação Lava Jato, o bombardeio da imprensa, tudo isso produz uma falsa consciência. Esse argumento é uma armadilha. Nas cartilhas, exaltamos a sabedoria popular. Vitoriosos nas urnas, é para ela que apontamos, a sabedoria popular. De repente, foram todos hipnotizados pela propaganda? Considero que estas eleições mostraram tamb...

U.V.

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Manchetes do dia

Sexta-feira 7  / 10 / 2016 O Globo " Limite para gasto público avança na Câmara " Meirelles diz que governo Temer teve de assumir ‘prejuízo de R$ 170 bi’ Proposta que proíbe alta de despesas acima da inflação por 20 anos é aprovada em comissão especial por 23 votos a favor e 7 contra em meio a protestos da oposição; governo teve de ceder Apresentada pelo governo como uma das principais medidas do ajuste fiscal, a proposta que fixa um teto para gastos públicos foi aprovada em comissão da Câmara por 23 votos a 7. A votação em plenário deve ocorrer na próxima segunda. O texto prevê que, por 20 anos, as despesas não poderão subir acima da inflação. Para facilitar a aprovação, o relator retirou a ampliação da vigência da regra que flexibiliza a destinação de 30% das receitas da União. O ministro Henrique Meirelles foi à TV defender o teto e disse que o governo Dilma deixou “prejuízo de R$ 170 bilhões”. O Estado de S.Paulo " Rio pede R$ 14 bi à União e neg...

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Uma espécie em extinção Gabeira Antes mesmo de conhecer Ulysses Guimarães já sabia de sua importância no processo de democratização, sua presença inspiradora no front pacífico de luta contra a ditadura. Tive a oportunidade de entrevistá-lo e até de participar de reuniões com ele e Tancredo. Foi quando, junto com Paulo Sérgio Pinheiro, fomos falar de política de direitos humanos para o governo que seria montado. Ulysses e Tancredo de vez em quando cochilavam. Estavam cansados de tantas reuniões. Ulysses vinha de uma intensa luta contra o governo militar, enfrentando cães policiais nas ruas de Salvador. Em seguida, veio a campanha das Diretas, a Constituinte, seu papel no período foi decisivo. Um homem que exerceu 11 mandatos sem fazer campanhas, contando apenas com sua atuação em Brasília, era uma espécie em extinção. Não só pelo longo período em que os eleitores confiaram nele, mas também pela escolha de passar quase meio século naqueles corredores. Gostava de política, acim...