sábado, julho 02, 2016

Física


Opinião

A perigosa nostalgia dos idosos

Contardo Calligaris
Imagine dois projetos de lei. Um propõe que cada um adquira seu jazigo em dez anos sem juros (ou seja, com juros financiados pelo governo). O outro propõe que cada um adquira seu primeiro carro pagando em dez anos, também sem juros (ou seja, com juros financiados pelo governo).

São tempos de vacas magras. Não há dinheiro para os dois projetos. Um referendo deve decidir qual dos dois será adotado. É possível imaginar que os jovens preferirão o projeto do carro, e os idosos, o do jazigo.

Um plebiscito sobre a reforma da Previdência daria uma oposição análoga. Os idosos pensarão em garantir seus "direitos", ou seja, a melhor aposentadoria possível, e, se isso implica que cada jovem pague a metade do que ele ganha em INSS ou que o Estado quebre em 20 anos, pois bem, dane-se.

E os jovens? Bom, fale com um jovem de 18 anos sobre a aposentadoria dele, tente interessá-lo: ele é capaz de responder que, de qualquer forma, ele não pretende viver tanto tempo assim.

O voto do "Brexit", que decidiu que o Reino Unido sairá da União Europeia, manifestou um duplo conflito (que não é só inglês). O primeiro é ao redor da imigração: enfrentam-se os que defendem os valores do território e os cosmopolitas das grandes cidades –sobre essa oposição voltarei na semana que vem. O outro é o conflito entre jovens e idosos.

Setenta e cinco por cento dos jovens entre 18 e 24 anos votaram para continuar na União Europeia. Quase a mesma porcentagem de aposentados, acima de 65 anos, votou para sair da Europa. Só para confirmar: na Escócia, onde se vota a partir dos 16 anos (e não dos 18), o "Brexit" perdeu feio.

O atraso no desenvolvimento do córtex pré-frontal dos adolescentes é a causa provável de sua impulsividade, sua dificuldade em ponderar as consequências de seus atos etc. Esse traço da juventude é socialmente útil: num exército, os soldados devem ser capazes de se arriscar sem pensar duas vezes.

A prudência trazida pela idade é também útil: no mesmo exército, os oficiais superiores não devem arriscar levianamente a vida de seus homens. Ou seja, um exército só de jovens ou só de idosos seria uma catástrofe.

Agora, uma observação, que me sinto livre para expressar por fazer parte dos idosos. À vista da utilidade social de jovens e idosos, é curioso que todos achemos normal que exista uma idade mínima para votar, mas ninguém pense seriamente na possibilidade de uma idade máxima para votar, sobretudo nos casos em que o voto tem consequências radicais para o futuro da comunidade –ou seja, muito mais para os jovens do que para os aposentados.

Não estou pensando na senilidade e na demência (para isso existe a interdição), mas em traços frequentes em nós, idosos, que talvez nos tornem eleitores perigosos para todos. Dois em particular:

1) Uma avareza mesquinha (e generalizada –não só financeira), que consiste em tentar preservar e conservar qualquer coisa, como metáfora da preservação (impossível) da nossa vida que se vai;

2) Uma idealização fantasiosa de passados que nunca existiram. Os idosos parecem sempre evocar o "tempo feliz" de sua infância, quando os pais eram severos e por isso educavam bem, quando dava para brincar na rua e a escola pública era muito boa. Mas, se a escola era tão boa, por que o cara é ignorante? E, se os pais eram grandes pedagogos, por que ele é bruto e mal-educado?

Cuidado: quase sempre, nós idosos nos servimos da saudade para "viver", numa lembrança inventada, algo que, de fato, não conhecemos –e agora é tarde. Nossa vida não foi o que queríamos, e ela não vai mudar mais, no entanto "tivemos"(na lembrança) uma infância de conto de fadas, não é?

Também nos servimos da saudade para amenizar nossa inveja (filhos e netos vão viver mais tempo, mas não terão uma infância incrível, como a nossa) e para mendigar algumas migalhas da inveja dos jovens. Se não tivéssemos vivido na Idade de Ouro, quem nos invejaria, sabendo que nossa morte é próxima e o corpo já falha?

Os mais saudosos, aliás, são os idosos das classes menos favorecidas; eles, literalmente, têm saudade do que nunca tiveram. Domingo, nas entrevistas da BBC, gritavam: "Vamos pegar nosso país de volta!". Como assim, "de volta"? Meu amigo, "seu" país nunca foi seu, nem de longe.

"Nós não ficamos mais sábios com a idade, nem sempre os velhos sabem o que é certo" (Jó 32:9). 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 2 / 07 / 2016

O Globo
"Cavendish ficará preso em casa"

A Justiça do Rio permitiu que Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira cumpram prisão em casa. 

Folha de S.Paulo
"Indústria dá sinais de retomada após 2 anos"

A produção da indústria ficou estável em maio e deu sinais de que o período de perdas mais intensas pode ter ficado para trás, mostram dados do IBGE. A crise no setor já dura ao menos dois anos; nos últimos 12 meses, 1,4 milhão de postos de trabalho foram fechados.

Foi a primeira vez desde 2012 que o setor teve três meses consecutivos sem baixa na produção.

Outros indicadores reforçam a tese. A confiança da indústria e os estoques de produtos também apontam para essa recuperação.

A produção de veículos automotores, que vinha sendo fortemente atingida pela crise, teve expansão de 4,8% em maio. Outros segmentos relevantes como perfumaria, limpeza e higiene pessoal, indústria extra-tiva e metalurgia também registraram expansão.

Apesar dos sinais positivos, alguns economistas dizem ser prematuro falar em retomada e afirmam que a recuperação, quando vier, será lenta, já que a indústria pode demorar de quatro a cinco anos para voltar aos níveis de 2013.     
 
O Estado de S.Paulo
"Operador de Cunha é preso na Lava Jato e estuda delação"

A Operação Lava Jato apertou ontem o cerco ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em nova fase da investigação, batizada de Sépsis e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal prendeu Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador do peemedebista. Os dois são suspeitos de cobrar propina de grandes empresas para favorecê-las no Congresso e liberar aportes milionários do Fundo de Investimento do FGTS e outras carteiras do fundo gerido pela Caixa. Desconfiado de que seria preso, Funaro informou a um advogado que procuraria especialista em delação premiada.

As delações do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e do ex-diretor do Grupo Hypermarcas Nelson Mello embasaram a operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Eldorado (empresa do Grupo J&F, controlador da JBS, dona da Friboi) e na casa de Joesley Batista, acionista do grupo. Imóveis de Henrique Constantino, um dos donos da Gol, também foram alvo.            
           

sexta-feira, julho 01, 2016

Dornier - Do 28


Coluna do Celsinho

São Paulo-Ubatuba

Celso de Almeida Jr.

Na 19ª Conferência Internacional de Sistemas Inteligentes de Transporte 
(19th International IEEE Conference on Intelligent Transportation Systems), que ocorrerá de 1 a 4 de novembro de 2016, no Rio de Janeiro, participarão os pesquisadores Roberto Tadeu de Araujo e Marcio Ney da Silva Duarte, do Instituto de Controle do Espaço Aéreo.

A solução para a ligação entre cidades não servidas por aviação regular, apresentando como exemplo a hipótese de uma linha entre São Paulo e Ubatuba, com aeronave de pequeno porte, será o tema defendido por ambos.

Na última segunda-feira, 27 de junho, foram apresentadas as considerações preliminares do trabalho na reunião "Café Voador", promovida mensalmente pelo Aeroclube de Ubatuba e o NINJA – Núcleo Infantojuvenil de Aviação.

Os voluntários do Aeroclube parabenizaram os pesquisadores pela iniciativa e apontaram sugestões técnicas para enriquecer o projeto.

Como se vê, Ubatuba conta com colaboradores em diversas áreas, prontos para lutar pelo desenvolvimento da cidade.

Apoiá-los e incentivá-los são ações necessárias, garantindo os melhores frutos.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Uma visão tropical

Gabeira
Batalhões de intérpretes vão analisar as consequências mundiais da saída do Reino Unido da União Europeia. Aqui, nos trópicos, essa experiência traumática me conduz a inúmeros caminhos. O que é possível aprender com esse salto no escuro?

Já havia refletido sobre o tema quando li o ensaio de Tony Judt Europa, a Magnífica Ilusão (em Quando os Fatos Mudam, Editora Objetiva). Uma das ilusões que o choque do petróleo, na década de 1970, balançou foi a de um crescimento estável, de uma superação definitiva do passado. O otimismo dos primeiros anos tornou-se mais prudente.

Uma crença importante para mim, e talvez a mais necessária: a ideia da Europa uniu ambições filosóficas e poder administrativo. Para seus admiradores, a União era uma herdeira do despotismo esclarecido do século 18.

Um grande projeto racional levou um tombo. Daí a perplexidade de todos: diante de tantos argumentos a favor, ainda assim os britânicos optaram por sair.

Grande parte dos eleitores era de idosos e eles votaram para retornar ao Estado-nação do século 19. Estava ainda nítido em sua lembrança.

Que condições levam a maioria a optar pela pior saída? Esse é um tema que me interessa aqui. Na Europa, creio que o declínio do Estado de bem-estar social, as crises econômicas e, finalmente, essa grande onda de imigrantes tiveram seu peso.

Desde a década dos 70, partidos de extrema direita cresceram com o discurso nacionalista. Na França, Jean-Marie Le Pen, com sua Frente Nacional, chegou a disputar com Jacques Chirac o segundo turno das eleições presidenciais.

Felizmente, perdeu: seria, de novo, um baque da razão. Mas aí é que entra a minha hipótese: quanto mais grave fica a situação econômica e social, mais possibilidades existem para saltos no escuro, como esse dado no Reino Unido.

O Brasil tem uma conjunção mais desfavorável: a crise econômica será longa e o sistema político está em frangalhos.

Felizmente, as vozes que se voltam para um passado ditatorial são minoritárias e inexpressivas. Ainda assim, a maturidade democrática pode ser abalada por outros fatores.

Um deles observo no Rio de Janeiro, com a quase falência do Estado. Serviços públicos estão entrando em colapso. Aumentam os assaltos e assassinatos. Num clima de grande complexidade, aparecem inúmeras falsas, mas simples, soluções. A pena de morte, no meu entender, é uma delas.

Outro tema europeu que me faz pensar por aqui: a reforma da previdência. O tema passou por inúmeros debates. De um ponto de vista estratégico, considerando a realidade demográfica, as reformas seriam necessárias. Elas, contudo, entram em conflito com as aspirações eleitorais.

Europa e Brasil são diferentes, mas é um conflito comum. Lá as hesitações e mudanças na previdência tiveram seu clímax dramático na Grécia.

Pode ser uma conclusão singela, porém o desenrolar do processo europeu mostra como é equivocada, no Brasil, uma tática do tipo quanto pior, melhor. O quanto pior é pior, uma vez que assim aumentam as possibilidades de decisões equivocadas.

Grandes construções racionais podem e até devem nos mover. É preciso, no entanto, não as confundir com a realidade com suas arestas. E, sobretudo, admitir que milhões não estão tão seguros dessa racionalidade e resolvem retroceder.

Aquela imagem de Tony Judt sobre o despotismo esclarecido herdado do século 18 me impactou de várias maneiras. Até que ponto ele sobrevive num contexto de democracia plebiscitária?

Os defensores dos grandes projetos racionais precisam também da habilidade que às vezes se adquire na cotidiano das lutas minoritárias. A maioria é difícil de alcançar e sempre muito volátil.

Não sei se, tão distante da Europa, posso opinar. Mas a confiança no triunfo racional leva a uma certa superestimação do próprio argumento. O assassinato da jovem deputada trabalhista Jo Cox por um fanático nacionalista chegou a despertar a esperança de que a Europa triunfasse.

Nem sempre a razão em política triunfa. Não se trata de abandoná-la. Mas admitir que estamos sujeitos a inúmeros processos corrosivos, sobretudo a crises econômicas e, no caso brasileiro, às outras dimensões dramáticas.

Teremos consultas populares em 2016 e 2018, ainda com um grande número de desempregados, tensões de toda ordem, sobretudo no serviço público, e um sistema político desintegrado, agora posto a nu pela Operação Lava Jato.

Mesmo confiando na resposta da sociedade, considero que entramos num período de vulnerabilidade. Um período aberto a aventuras, propostas demagógicas.

Nem todos recebem a crise da mesma maneira. A ideia de uma devassa na política e, simultaneamente, a reconstrução econômica parece uma saída racional.

A ação da Lava Jato é majoritariamente aprovada. Já a reconstrução econômica implica vencedores e perdedores, alguns simplesmente empatados. Como seguir um caminho que parece racional, mas às vezes não é majoritário?

A decisão inglesa de sair da União Europeia deu um susto. Mas pode ser até pedagógica se, no futuro, vierem a reconhecer que se tratou de uma decisão equivocada.

Certamente a União Europeia vai seguir o seu caminho. Mas pelo menos ficou claro que a História não tem script, não é um desdobramento triunfante de um projeto cerebral.

Temos de estar preparados para tudo. Para tudo e um pouco mais, como é o caso do Brasil em crise.

Com instituições funcionando, a sociedade informada e algumas medidas certas na economia, o Brasil pode sair dessa, mas a experiência mostra como são traiçoeiros e surpreendentes os caminhos da própria democracia.

Original aqui

U.V.

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 1 / 07 / 2016

O Globo
"Temer sanciona a lei que dificulta indicações políticas"

Dirigentes de partidos e sindicatos não poderão ocupar diretorias

Presidente veta, porém, restrição para que diretores participem de conselho de administração

O presidente interino, Michel Temer, sancionou ontem a lei que moderniza a gestão das estatais e dificulta nomeações políticas. Apesar da pressão de políticos, sindicalistas e entidades empresariais, Temer manteve os principais pontos da lei. Dirigentes de partidos e sindicatos terão de deixar o cargo e cumprir quarentena de três anos antes de ocupar diretorias de estatais. O mesmo vale para quem atuar em campanhas eleitorais. 

Folha de S.Paulo
"PF aponta desvio de R$ 370 mi em obras viárias e do Pan-07"

A empreiteira Delta e seu dono, Fernando Cavendish, foram alvos de operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal envolvendo os empresários Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e Adir Assad.

Segundo investigadores, o esquema desviou R$ 370 milhões de obras públicas para empresas de fachada criadas por Assad e Cachoeira. A Delta teria recebido verba pública para fazer obras de infraestrutura que não saíram do papel e cometido fraudes na construção do parque aquático Maria Lenk, usado no Pan-Americano de 2007 e uma das arenas dos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

As irregularidades, segundo a investigação, ocorreram de 2007 a 2012, nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT). O dinheiro, disse um procurador, servia para propina a agentes públicos — os seus nomes não foram revelados. Cachoeira e Assad foram presos. Seus advogados disseram não ver fundamento para que fossem detidos. Cavendish, que também teve a prisão decretada, está fora do país. Sua defesa afirmou que recorrerá à Justiça contra a decisão.     
 
O Estado de S.Paulo
"Renan desengaveta projeto que pode dificultar Lava Jato"

Proposta prevê punição para ações que têm sido alvo de queixas de parlamentares

Na mira da Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), resolveu desengavetar e acelerar a tramitação de projeto de 2009 que prevê punições a abuso de autoridade de agentes da administração pública e membros de Judiciário, Ministério Público e Legislativo. Muitos itens da proposta lembram reclamações de parlamentares contra ações da Polícia Federal e da força-tarefa da Lava Jato. Um deles, por exemplo, prevê punição para cumprimento de mandados de busca e apreensão de forma vexatória. Outro prevê pena a quem negar, sem justa causa, acesso da defesa à investigação. Há ainda o que determina detenção de 1 a 4 anos para diligência policial em desacordo legal. A proposta está na lista de prioridades de Renan e passará pela Comissão de Regulamentação da Constituição, presidida por Romero Jucá (PMDB-RR), outro alvo da operação. “Não há ligação com a Lava Jato”, disse Renan. “Delação premiada precisa ter regras porque senão compensa o crime.”            
           

quinta-feira, junho 30, 2016

Física


Opinião

Canário do reino

Alexandre Schwartsman
Olhando do Brasil, o resultado do plebiscito que pede a saída do Reino Unido da UE (União Europeia) parece algo remoto. A libra esterlina, no momento em que escrevo, perdeu 13% do seu valor em relação ao dólar desde o Brexit; já o real se desvalorizou em torno de 1,5%. Mesmo que pudéssemos atribuir todo o movimento da moeda ao evento traumático da semana passada, a conclusão inescapável é que o mercado financeiro local não deu maior importância ao acontecimento.

De fato, da perspectiva brasileira, os impactos parecem mesmo limitados. Pelo lado real da economia, o Reino Unido foi o destino de US$ 2,7 bilhões das exportações nacionais nos 12 meses terminados em maio, 1,4% do total exportado no período, pouco mais do que vendemos, por exemplo, para o Uruguai.

Por outro lado, embora ao menos em tese a "fuga para a qualidade" que se seguiu ao Brexit pudesse levar a um aumento da percepção de risco, na prática esse efeito foi bastante limitado. Mantivemos a duvidosa honra de apresentar o risco-país na casa de 3% a 3,5% ao ano devido principalmente aos desenvolvimentos locais, em particular graças às dificuldades de ajustar as contas públicas.

Não se segue, porém, que devamos ignorar outras possíveis (e prováveis) consequências do Brexit. Por mais que se tente associar a decisão ao intervencionismo excessivo de Bruxelas (verdadeiro, aliás), me parece claro que o voto pela saída da UE não refletiu um impulso liberalizante, mas sim seu oposto.

A questão central no caso é o repúdio à livre circulação de trabalhadores no bloco, claramente exposta na questão da imigração. Uma piada local relatava que encanadores ingleses reclamavam da concorrência "desleal" de seus congêneres poloneses, que teriam o desplante de não apenas marcar visitas a seus clientes mas –para horror local– efetivamente aparecer na hora marcada.

Isso não é um privilégio britânico. Por mais que a elite política europeia tenha se empenhado em aprofundar a integração econômica do continente, sacudido por guerras sangrentas nos últimos séculos, a triste verdade, desnudada pela crise da zona do euro (um pedaço da UE), é que a população jamais comprou a ideia de uma união cada vez mais próxima ("ever closer union"), como expresso na Declaração Solene da UE.

Ao contrário, o que sobreviveu aos planos de integração e hoje se manifesta de forma crescente é um nacionalismo xenófobo, que não raro descamba para o racismo. A faceta mais visível do fenômeno no continente é a ascensão da Frente Nacional na França, personificada por Marine Le Pen, mas está longe de se limitar a isso, encastelado nos governos da Hungria e da Polônia, ganhando força na Holanda, na Alemanha e em outros países da UE, para não mencionarmos alguns aspectos da candidatura Trump, nos Estados Unidos.

São forças que agem no sentido contrário da integração, frequentemente aliadas a seu antípoda ideológico, partidos de esquerda e sindicatos, temerosos desde sempre acerca dos efeitos da globalização.

Não há, portanto, como ignorar riscos políticos à expansão do comércio internacional e, por extensão, do próprio crescimento global. O Brasil faz parte dessa engrenagem e depende como nunca de crescente integração para se recuperar da crise.

O Brexit é o canário na mina da globalização. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 30 / 06 / 2016

O Globo
"Apesar da crise, Judiciário e Bolsa Família terão aumento"

Temer reajusta benefício acima do prometido por Dilma

Aliados do presidente interino criticaram as medidas por contrariar discurso de austeridade fiscal; aumento dos servidores terá custo de R$ 26 bilhões até 2019

Em meio à grave crise fiscal, o presidente interino, Michel Temer, concedeu reajuste médio de 12,5% para os benefícios do Bolsa Família, o que representará gasto extra anual de cerca de R$ 3 bilhões. À noite, com aval do Planalto, o Senado aprovou aumento de 41,5% para servidores do Judiciário e do Ministério Público da União, com impacto previsto de R$ 2 bilhões neste ano e de R$ 26 bilhões até 2019. Aliados de Temer, entre eles PSDB e DEM, criticaram as medidas, que têm forte apelo popular, mas contrariam o discurso de austeridade fiscal. 

Folha de S.Paulo
"STF considera prisão ilegal e solta ex-ministro do PT"

Detenção preventiva pode representar punição antecipada, critica Dias Toffoli

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli determinou a soltura de Paulo Bernardo (PT), ex-ministro dos governos Lula e Dilma, preso no último dia 23. Ele é acusado de envolvimento com esquema na pasta de Planejamento de desvios de recursos pagos por servidores em consignados. Toffoli diz que houve “constrangimento ilegal” e que a decisão da Justiça de São Paulo não cita “um único elemento” concreto indicando que o político petista poderia prejudicar a apuração, com o risco de fuga. Para o magistrado, prisões preventivas podem representar punição antecipada. “A prisão era absolutamente ilegal, profundamente injusta. A decisão seguiu rigorosamente a Constituição”, disse Juliano Breda, um dos advogados de Paulo Bernardo. O petista ainda não havia sido solto até a conclusão desta edição. A soltura foi criticada por procuradores, que recorrerão. Para os investigadores, a decisão monocrática de Dias Toffoli suprimiu instâncias. A defesa pediu também que o processo fosse transferido para o STF, já que as provas são similares às que envolvem a mulher dele, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), com foro privilegiado.O pedido foi negado.     
 
O Estado de S.Paulo
"‘Pacote de bondades’ de Temer chega a R$ 125 bi"

Valor inclui reajuste de 12,5% no Bolsa Família, aumento do funcionalismo e ajuda a Estados

O presidente em exercício Michel Temer anunciou aumento médio de 12,5% nos benefícios do Bolsa Família, mais liberação de R$ 742,8 milhões para a educação básica de Estados e municípios. O reajuste do programa mais popular do País ficou acima dos 9% propostos pela presidente afastada Dilma Rousseff em maio e foi recebido como mais uma medida de um “pacote de bondades” que já soma cerca de R$ 125 bilhões em gastos e renúncias fiscais, informa Alexa Salomão. O valor inclui reajuste do funcionalismo público, renegociação da dívida dos Estados e ajuda ao Rio de Janeiro. À espera da decisão final do impeachment, a estratégia do governo tem sido cimentar apoio político no curto prazo, ainda que aumentando a pressão sobre as contas públicas, para que possa garantir apoio a medidas fundamentais, como a que fixa teto para gastos. Economistas alertam, no entanto, que a manobra amplia o déficit.           
           
 
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