sábado, janeiro 22, 2011

Tabacaria

Conexões

Família cósmica 

Sidney Borges
Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, unificador da Alemanha, morreu em Schönhäusen, na Prússia, no dia 2 de agosto de 1898. Eu nasci em São Paulo, Brasil, no dia 2 de agosto de 1948.

Temos algumas semelhanças além do fato de pertencermos à mesma espécie.

Nossas mães tinham pele clara e olhos azuis, somos ambos altos, isto é, eu sou, ele foi. Tem também a corpulência, embora Otto - tenho licença para chamá-lo assim - fosse maior e mais pesado.

O café da manhã é, provavelmente, a causa da diferença. Gosto de iogurte, leite desnatado, biscoito de água e sal, ricota fresca e café.

Otto preferia algo menos frugal. Ganso assado, eisbein, bolo de carne de veado, chucrute, batatas cozidas, assadas e fritas, torta de amora, apfelstrudel com creme chá, leite e café.

Depois fumava um charuto, descansava e ia ao gabinete despachar. No trabalho, de tempos em tempos, saboreava bombons vienenses.

Gosto de Bismarck, temos 6 números comuns em datas marcantes grafadas na forma: xx/xx/xxxx. Ou seja, 6 em 8.

Deve ser alguma forma de parentesco astral.

Bismarck morreu octogenário, gordão e bigodudo, ele que sempre foi gordão e bigodudo.

Um brinde à Otto von Bismarck. Prosit!

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Opinião

O colapso do Enem

O Estado de S.Paulo - Editorial
Se restava alguma dúvida quanto à credibilidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ela foi desfeita depois que a Justiça Federal concedeu liminar prorrogando por seis dias o prazo de inscrições somente nas universidades federais situadas no Estado do Rio de Janeiro. Com isso, a confusão aumentou ainda mais, pois o sistema de informática do Ministério da Educação (MEC) não está preparado para "isolar" os estudantes fluminenses. O término das inscrições estava previsto para as 23h59 da última terça-feira e já havia sido prorrogado até o último minuto de quinta-feira pelo Ministério da Educação.

Além das trapalhadas administrativas e eletrônicas, as inscrições agora estão marcadas por indefinições e incertezas na área jurídica. Como a disputa pelas 83.125 vagas oferecidas pelo Sisu envolve um concurso de amplitude nacional, o adiamento das inscrições somente no Estado do Rio de Janeiro fere o princípio da isonomia - e isso poderá levar para o âmbito da Justiça o processo seletivo das 83 universidades públicas que aceitaram a proposta do MEC de substituir o vestibular tradicional pelas notas do Enem.

Depois de todas as trapalhadas ocorridas em 2009, esperava-se que o MEC tivesse tomado as medidas necessárias para evitar que elas se repetissem. Infelizmente, isso não aconteceu. Entre outros tropeços, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - o órgão encarregado do Enem e do Sisu - não conseguiu explicar por que vestibulandos que se inscreveram para determinados cursos de determinadas instituições tiveram seus nomes registrados em cursos diferentes oferecidos por outras universidades - com uma distância superior a mil quilômetros entre elas.

O Inep chegou a reconhecer que o sistema de informática não foi planejado para atender à demanda, mas afirmou que ele estava imune a erros e riscos de manipulação. Com cópias de imagens extraídas do site do MEC, os estudantes desmoralizaram o órgão, mostrando que as opções de curso realizadas entre a manhã de domingo e a tarde de segunda-feira foram alteradas entre a terça e a quarta-feira. Além disso, mais uma vez o Inep não conseguiu evitar o vazamento de informações sigilosas dos vestibulandos e houve até casos de dados que foram modificados com nítida má-fé por concorrentes.

O novo fracasso do MEC pode comprometer o início do ano letivo das instituições que fazem parte do Sisu e pôr em risco o planejamento do ensino superior público para 2011. Os prazos de inscrição no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior e no ProUni, por exemplo, já tiveram de ser prorrogados.

Como ocorreu em 2009, para aplacar críticas, a cúpula do MEC substituiu o presidente do Inep. Em pouco mais de um ano, o órgão - que também é responsável pelo Ideb, pelos censos da educação e pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes - teve três presidentes.

Os dois primeiros assumiram o cargo prometendo resolver as trapalhadas administrativas na condução do Enem. E a terceira - a pedagoga Malvina Tuttman -, assim que foi nomeada, esta semana, propôs a criação de uma Concursobrás - uma estatal para gerir o Enem e fazer avaliações. A ideia já havia sido discutida pelo MEC com o Ministério do Planejamento, em 2009, mas não prosperou.

Em vez de cobrar eficiência e corrigir os problemas de gestão da máquina do MEC, uma das maiores da administração pública federal, a presidente do Inep - seguindo uma triste tradição do serviço público brasileiro - quer ampliar ainda mais a burocracia. E isso pode resultar em mais contratações e gastos, sem qualquer garantia de que sejam sanadas as deficiências que levaram à desmoralização do Enem.

Na realidade, o desafio não é criar órgãos novos, mas requalificar a burocracia do MEC, reestruturar o sistema de avaliação desfigurado pelo último governo e rever o Sisu - esse gigantesco vestibular das universidades federais que a União não consegue gerir.

É o caso de discutir a possibilidade de voltar ao esquema em que cada universidade federal tinha autonomia para definir seu vestibular, sem qualquer interferência dos ineptos burocratas de Brasília.

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Manchetes do dia

Sábado, 22 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Escolas de SP cobram taxa ilegal de material"

Segundo o Procon; há 'venda casada'; colégios dizem que tentam ajudar pais

Colégios particulares de ensino infantil e fundamental de São Paulo cobram de forma compulsória taxas de material escolar que podem chegar ao valor de R$ 1.200. De acordo com entidades de defesa dos consumidores, essa cobrança é ilegal. Como as escolas não dão alternativa para pesquisa de preços e não especificam como esse dinheiro será gasto, o Procon-SP classifica a pratica como "venda casada". Exigir que pais adquiram produtos de certa marca ou que a compra se dê em papelaria indicada obrigatoriamente pelo colégio é outra prática comum e ilegal, alerta o Procon. As escolas podem ser multadas. Livrarias oferecem benefícios para ter a indicação dos colégios - o que não é ilegal. Apuração com 17 escolas revela que 13 cobram a taxa. Colégios dizem buscar ajudar os pais.

O Estado de São Paulo
"Dilma manda reverter venda irregular no Minha Casa"

Serão retomados imóveis de plano para baixa renda negociados indevidamente, como revelou o 'Estado'

A presidente Dilma Rousseff orientou o governo a retomar os apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida que foram vendidos irregularmente no Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), conforme revelou ontem o Estado. O empreendimento foi apresentado no programa de TV da então candidata à Presidência como exemplo de projeto de moradia para pessoas de baixa renda. Os contratos firmados com os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida proíbem a venda do imóvel até que ele seja pago. No caso das famílias com renda de até R$ l.395, o prazo de pagamento é de 10 anos e a parcela mínima equivale a R$ 50 ou 10% da renda mensal da família. A Controladoria-Geral da União vai analisar a necessidade de mudanças nas regras do programa para coibir a inadimplência nos contratos e, principalmente, o repasse indevido dos imóveis.

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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Tinha uma montanha no meio do caminho...

E agora José?

Roda redonda

Japonês bate recorde mundial de cálculo do "pi"

DA REUTERS, EM TÓQUIO
Um executivo japonês, com um computador construído em casa, levou o cálculo do conceito matemático do "pi" aos trilhões de dígitos, e estabeleceu um novo recorde mundial.

Shigeru Kondo, engenheiro de sistemas de 50 anos de uma companhia de alimentos em Nagano, no centro do Japão, em agosto calculou o pi --a razão entre a circunferência de um círculo e seu diâmetro-- com uma precisão de cinco trilhões de dígitos, o que representa precisão quase duas vezes superior à do recorde mundial anterior.

Na semana passada, a Guinness World Records reconheceu o recorde por meio de um certificado enviado a Kondo, o qual disse ter começado os cálculos simplesmente como hobby.

"Eu gostaria realmente é de elogiar meu computador, que calculou continuamente por três meses, sem se queixar", disse Kong ao jornal "Chunichi Shimbun".

Ele divide a honraria com Alexander Yee, um estudante norte-americano de ciência da computação que programou o software utilizado, e se comunicava com Kondo via e-mail.

Usando peças adquiridas em lojas locais e via Internet, Kondo montou um computador de mesa equipado com dois processadores avançados Intel e 20 discos rígidos externos.

Depois de 90 dias de processamento ininterrupto, Kondo obteve uma sequência de cinco trilhões de números para o valor do pi. Ele verificou os resultados utilizando métodos diferentes, um processo que requereu 64 horas.

O recorde anterior, estabelecido por um consultor francês de software em janeiro de 2010, era de cerca de 2,7 trilhões de dígitos.

Calcular com precisão o pi, que os matemáticos acreditam constituir uma dízima periódica, é um desafio para os estudiosos há milhares de anos, desde que o parâmetro começou a ser usado, no Antigo Egito.

Agora Kondo está tentando calcular o pi com precisão de 10 trilhões de dígitos.

"Se tudo correr bem, devo atingir esse ponto em julho. É algo que realmente desejo", disse.

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Gravando boletim meteorológico

Coluna do Celsinho

Ecos do Norte

Celso de Almeida Jr.
Hoje, escrevo de Rondônia.
A culpa é do Marcelo Pimentel.
Talentoso, vai conquistando clientes pelo Brasil afora.
Amigo generoso, insiste em contar com os meus préstimos, integrando-me em seus projetos.
No ano passado estive na capital, Porto Velho, conhecendo profissionais extraordinários.
No embalo, visitei os 52 municípios do estado, descobrindo o enorme potencial da região.
Por aqui há uma busca permanente de desenvolvimento.
Rondônia cresceu em ritmo acelerado e tudo indica que dará grandes saltos nos próximos anos.
Ubatuba é conhecida por aqui.
Em muitos contatos que fiz, ouvi o reconhecimento de que a natureza foi generosa com a gente.
Nenhuma novidade, não é mesmo?
Sabemos de nosso potencial.
Ubatuba é marca forte, de projeção nacional e , bem trabalhada, pode atrair muitos turistas e gerar negócios.
Aqui no norte do Brasil, ao constatar o patrimônio amazônico, é automático pensar em Ubatuba e no seu alto índice de preservação da mata Atlântica.
Riqueza extraordinária, merece o esforço de todos para continuar assim.
O Brasil enfrenta um grande desafio nesta área.
Os últimos grandes redutos florestais da humanidade encontram-se em nosso país.
Rondônia hoje paga um alto preço pelo desmatamento desenfreado promovido no passado.
Neste instante, há uma grande preocupação em preservar o que restou.
Uma nova mentalidade que muito contribuirá para o futuro da região.
Estudar as nossas matas e compreender a riqueza de sua biodiversidade é tarefa urgente.
Temos um tesouro nas mãos e precisamos aproveitá-lo com sabedoria.
Preservar é o lema, contemplando o ser humano do presente e do futuro.

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Opinião

A Anatel ameaça o sigilo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Está em risco o direito de cada um ao sigilo telefônico e à privacidade. A ameaça parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), criada para regular um serviço de utilidade pública e para proteger o consumidor, não para bisbilhotar a vida dos clientes das telefônicas. A Anatel pretende instalar um sistema de fiscalização remoto, vinculado à estrutura das empresas, para ter acesso a informações sobre todas as chamadas. O objetivo, segundo a agência, é combater abusos contra o consumidor. Não haverá violação de sigilo, argumentam os defensores da proposta, porque o conteúdo das conversas será preservado. Esta alegação é insustentável.

É direito de cada um telefonar a quem quiser, quantas vezes quiser e por quanto tempo quiser sem ter de dar satisfações a qualquer agente público ou privado. O mesmo direito vigora no caso de cada ligação recebida. Sem ordem judicial, ninguém pode intrometer-se legalmente na vida de João ou de Antônio para verificar se foi feita alguma chamada para o número desta ou daquela pessoa. Mesmo para a autorização judicial há regras. O juiz tem de avaliar se há motivo razoável para a solicitação da quebra de sigilo. Além disso, ele deve limitar a autorização a propósitos bem definidos e por prazo determinado, para evitar a concessão de poderes excessivos à autoridade policial.

Dados como os pretendidos pela Anatel - números chamados, duração das conversas e frequência das ligações - têm sido usados em investigações policiais. Podem valer como indícios e até como provas. Autoridades policiais pedem autorização para a busca dessas informações precisamente porque o acesso aos dados configura quebra de sigilo. Essa é a interpretação aceita pelas Polícias e pela Justiça.

É também, e não por casualidade, a opinião de advogados atuantes no setor de telecomunicações. Bastará o acesso da agência ao número chamado, à data e à duração do contato para ser configurada a violação de sigilo, disse o especialista Pedro Dutra. "Isso é ilegal, desnecessário e ineficaz", acrescentou.

A Anatel já tentou incluir em contratos de concessão uma cláusula de acesso aos dados, mas as companhias se opuseram, lembrou o advogado Floriano de Azevedo Marques, também citado em reportagem publicada ontem no Estado. Se a agência insistir na tentativa, provavelmente haverá reação por via judicial, acrescentou o especialista.

A pretensão da Anatel é claramente contrária a um direito consagrado pela Constituição. Nenhuma esforço de justificação realizado até agora produziu mais que um arremedo de argumento. O simples acesso aos dados não envolve quebra de sigilo, disse uma fonte do governo mencionada na reportagem. A relação da Anatel com as informações sobre as chamadas seria análoga, segundo essa fonte, à relação da Receita com os dados fornecidos pelos contribuintes. A analogia é obviamente falsa.

As informações transmitidas pelo contribuinte ao Fisco são necessárias ao cumprimento das obrigações tributárias. O dever do Fisco em relação ao sigilo consiste em impedir o vazamento dos dados. Mesmo essa restrição, como se viu na última campanha eleitoral, foi violada mais de uma vez. A relação entre o usuário dos serviços de telecomunicações e a Anatel é muito diferente do vínculo entre o pagador de impostos e a Receita.

De fato, a relação é oposta: no caso das telecomunicações, o credor é o usuário da telefonia, enquanto a parte sujeita a obrigações é a Anatel. O cliente da operadora não tem obrigação de expor sua vida privada à agência, mas tem o direito de exigir proteção. Essa proteção não depende, obviamente, do acesso permanente àquelas informações. A desconfiança em relação aos dados fornecidos pela operadora, em caso de reclamação, é uma desculpa precária e uma confissão de incompetência técnica.

Se o acesso permanente às informações sobre telefonemas for considerado legalmente aceitável, o sigilo das comunicações estará correndo risco de extinção. Em nome da segurança dos cidadãos, a Polícia poderá reivindicar igual direito à bisbilhotice. Por enquanto, a maioria dos policiais e juízes continua levando a sério o preceito constitucional. A Anatel deveria imitá-los.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 21 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma vai propor redução de tributo pago para o INSS"

Objetivo é fazer com que a contribuição de empresas à Previdência recue de 20% para 14% de forma escalonada

A presidente Dilma Rousseff vai propor uma redução escalonada na alíquota de contribuição previdenciária, atualmente em 20%. A intenção do governo é diminuir custos com a folha de pagamento das empresas para incentivar as contratações com carteira assinada. Dilma quer uma baixa, no primeiro ano, de ao menos dois pontos percentuais, para 18%. Depois, a ideia e fazer outros cortes anuais, que também podem ser de dois pontos, até que a contribuição patronal ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) fique em 14%. Centrais sindicais querem compensação para a Previdência pela perda de receita. O Ministério da Fazenda concorda, mas não com a vinculação direta de um outro imposto.

O Estado de São Paulo
"Minha Casa, Minha Vida sofre com calote e venda irregular"

Apartamentos de projeto para baixa renda na Bahia chegam a ser negociados por R$ 500

Seis meses depois de entregues as chaves, o primeiro empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida para famílias de baixa renda sofre com comércio ilegal de apartamentos e abandono por inadimplência, relatam Edna Simão e Tiago Décimo. O Residencial Nova Conceição, em Feira de Santana (BA), foi apresentado no programa de TV da campanha presidencial de Dilma Rousseff como exemplo de política para os mais pobres. Das 440 unidades, 50 já foram ilegalmente negociadas pelos ocupantes de direito. “Houve quem vendesse por R$ 500", disse representante dos moradores. Desde 2009, a Caixa assinou 1 milhão de contratos do Minha Casa, Minha Vida, mas o total de imóveis entregues não chegou a 300 mil.

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quinta-feira, janeiro 20, 2011

Coisa antiga

Enchente em Sâo Paulo - 1929 (original aqui)

Educação

Continua o desmonte do Enem

O Globo (original aqui)
Se a incúria do poder público foi a protagonista da tragédia na Região Serrana, ela também patrocina, quase ao mesmo tempo, mais uma ação para o desmonte do Enem, um dos melhores instrumentos criados para substituir o vestibular como porta de entrada na universidade.

Infelizmente, a credibilidade do Exame Nacional do Ensino Médio vem sendo destroçada a golpes sucessivos de inépcia desfechados pelo Ministério da Educação (MEC) e seu Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do teste, já utilizado por várias universidades, no processo de seleção de vestibulandos.

As constantes e graves falhas na condução do exame explicitam algumas das clássicas deficiências do serviço público brasileiro, convertido de vez numa casta por forças políticas que há alguns anos mantêm o poder em Brasília.

Protegido contra qualquer sistema comezinho de cobrança de eficiência, embora com salários muitas vezes acima dos pagos no mercado para as mesmas funções, o funcionalismo federal custa muito ao contribuinte e não dá um retorno compatível com o peso dos impostos cobrados à sociedade. Pelo contrário, tem gerado sérios problemas, como os do Enem.

Provas já foram furtadas por deficiência no sistema de vigilância contratado; folhas de testes terminaram sendo distribuídas com páginas de gabarito trocadas; e, agora, como se fosse para completar o calvário de centenas de milhares de estudantes, o acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para o candidato escolher as opções de cursos, tem sido, no mínimo, problemático. Devido ao previsível grande volume de acesso — surpreendente apenas para o MEC/Inep —, muitos estudantes não conseguiram entrar no sistema.

O prazo foi prorrogado, o mínimo que o ministério poderia fazer. Mas os problemas continuaram. Houve até — pela segunda vez no Enem — invasão de informações privadas, permitida por falha técnica de quem montou o deficiente esquema de registro por meio da internet.

Algumas conclusões se impõem. Uma delas: a máquina burocrática não aprende com o erro — e já foram vários no Enem.

Com o engavetamento da reforma administrativa formulada na Era FH, métodos minimamente modernos de gestão — como o estabelecimento de metas e a distribuição de bônus por resultados — continuaram ao largo da máquina federal, enquanto são adotados, com sucesso, em governos estaduais e municipais.

Sem uma gestão que responsabilize, mas também estimule o funcionário, o erro é apenas um acidente de rota. Mesmo que se repita.

Outra evidência é a incapacidade de haver troca de experiências dentro do próprio aparato estatal.

Inscreveram-se neste último Enem 3,3 milhões de estudantes, para disputar 83 mil vagas no ensino superior. Os números são elevados, mas a Receita Federal pro- cessa, sem maiores dificuldades, declarações de 24 milhões de contribuintes pessoas físicas, enquanto a Justiça Eleitoral registrou e apurou, com a costumeira eficiência, bem mais de 100 milhões de votos na última eleição. Por que não recorrer à experiência destas equipes?

Mas parece não haver esta atenção no setor público. A cada demonstração de incompetência como estas cresce mais de importância a decisão da presidente Dilma de instituir um Núcleo de Gestão e Competitividade. Trabalho para ele não falta.

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Opinião

As centrais ameaçam Dilma

O Estado de S.Paulo - Editorial
Acostumados aos favores do governo Lula, dirigentes de centrais sindicais cobram mais atenção da presidente Dilma Rousseff e já ameaçam criar problemas, se ela não governar de acordo com sua orientação. "Se Dilma ficar ouvindo seus burocratas, vai ter muito trabalho conosco", disse o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A ameaça foi feita na Avenida Paulista, na terça-feira, durante manifestação por um salário mínimo superior aos R$ 545 fixados na semana passada pelo Executivo.

Houve reuniões de protesto em 20 Estados. Participaram do comício na capital paulista a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e quatro organizações de menor peso, mas igualmente beneficiadas pelas políticas dos últimos oito anos. Não há surpresa nessa manifestação concertada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou uma borracha nas diferenças que havia entre as centrais, proporcionando a todas uma participação no Imposto Sindical, cooptando os dirigentes e conduzindo o peleguismo a níveis nunca antes conhecidos na história deste país.

A conversão dos sindicalistas em sócios do poder foi facilmente verificável, nos últimos anos, por sua presença na administração federal direta e indireta e também nos fundos de pensão de estatais.

Nada mais natural, portanto, que as manifestações de indignação dos dirigentes sindicais diante do tratamento a eles oferecido até agora pela presidente Dilma Rousseff. Pouco mais de duas semanas depois da posse ela ainda não os havia recebido em seu gabinete - uma atitude ultrajante, com certeza, do ponto de vista desse grupo acostumado à proximidade do poder.

"Cuidado, Dilma", advertiu o deputado Paulo Pereira da Silva, referindo-se à manutenção da Tabela do Imposto de Renda. "O FHC começou assim. Não corrigiu a tabela. Foi o primeiro erro dele. Ninguém está botando a faca no pescoço, mas espero que esta seja a última manifestação."

Há bons argumentos a favor da correção da Tabela, mas a truculência do deputado não tem a mínima relação com argumentos e razões. É apenas isso - truculência, reforçada com a invocação do nome de Lula como exemplo para sua sucessora.

Qual a diferença entre o presidente da CUT, Artur Henrique, e seu colega, o deputado Pereira da Silva, mais conhecido como Paulinho da Força?

Em outros tempos haveria rivalidade entre as duas organizações. A CUT, um produto do sindicalismo outrora pregado por Luiz Inácio Lula da Silva, tenderia a apoiar o governo petista. O próprio Lula cuidou de eliminar tanto a rivalidade quanto qualquer diferença em termos de valores. CUT e Força hoje se distinguem quase exclusivamente como siglas. Se existe uma rivalidade, é essencialmente em torno da obtenção de benefícios, como, por exemplo, a fatia do Imposto Sindical.

Nenhuma surpresa, portanto, quando o presidente da CUT repete palavras do presidente da Força. Segundo o dirigente Artur Henrique, a presidente cercou-se de "economistas burocratas", empenhados em "implantar a agenda dos derrotados nas urnas". Em outras palavras, ela estaria disposta a executar políticas propostas pelos tucanos. Para esclarecer sua acusação, o sindicalista citou o ajuste fiscal defendido pela equipe econômica.

A presidente já deveria saber disso. Se tivesse alguma dúvida, teria sido eliminada pelo comentário do presidente da CUT: arrumação das contas públicas é coisa de tucano. Talvez pudesse ter acrescentado: de neoliberal, de direitista, de reacionário.

Ao concordar com um salário mínimo de R$ 545, pouco maior que o proposto no fim do ano, a presidente Dilma Rousseff quis evitar a perda causada pela inflação, só conhecida há poucos dias. O argumento contra um aumento maior foi a necessidade de ajeitar as contas públicas e conter a alta de preços, uma das maiores ameaças aos assalariados. Pressionada e ameaçada pela nata do peleguismo, a presidente Dilma Rousseff dificilmente poderá evitar uma definição, esclarecendo se cumprirá as primeiras promessas de governo ou se manterá com os sindicalistas a relação promíscua escolhida por seu antecessor para o exercício de poder.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 20 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Governador por 10 dias recebe pensão para a vida toda"

Em MT, mandatos-relâmpago dão direito a aposentadorias de R$ 15 mil por mês; OAB defende devolução do dinheiro

Cumprindo mandatos-relâmpago, políticos de Mato Grosso obtiveram pensão vitalícia de R$ 15 mil mensais como ex-governadores. É o caso de Humberto Bosaipo, que presidia a Assembleia em 2002 e governou por dez dias durante viagem do titular, Rogério Salles. Outros beneficiários da aposentadoria vitalícia são Moises Feltrin, que também presidiu a Assembleia e ficou no cargo por 33 dias (1990-91), e a ex-vice-governadora Iracy França, que assumiu interinamente durante viagens do governador Blairo Maggi (2003-06). A OAB-MT defende que o Estado suste o pagamento das pensões e receba de volta o dinheiro. Procurados, Bosaipo, Feltrin e França não foram localizados ou não quiseram falar.

O Estado de São Paulo
"BC de Dilma aumenta juros na 1ª reunião e indica novas altas"

Copom diz que alta de 0,5 ponto percentual é só o ‘início do processo’

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, em sua primeira reunião sob o governo de Dilma Rousseff, anunciou aumento de 0,5 ponto porcentual nos juros básicos, para 1l,25% - patamar de março de 2009, em meio à crise internacional. O Copom salientou que apenas deu "início ao processo de ajuste da taxa", indicando novas altas. O controle da inflação se sobrepôs à vontade política de iniciar o mandato de Dilma com uma redução dos juros. O aumento foi acertado com Dilma, que se convenceu de que este é o momento para conter os preços, relata Beatriz Abreu. Para o mercado, a medida terá pouco impacto nas operações de crédito, que já praticam juros mais altos.

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quarta-feira, janeiro 19, 2011

Som do Ubatuba Víbora

Olé


Tauromaquia

Original Listverse - Tradução e adaptação: Sidney Borges
Em 1900, Maria Salomé estreou, aos 20 anos, como toureira. A primeira mulher toureira dos mundos natural e mineral. Ao longo do tempo tornou-se extremamente popular e ganhou fama. A popularidade acabou incomodando.

O governo espanhol considerou imoral uma mulher nas arenas sangrentas. Cozinheira ou lavadeira, tudo bem, toureira never. Salomé foi proibida de exercer o ofício.

Maria Salomé, conhecida como La Reverte, acuada, mostrou os documentos e espantou a tradicional família espanhola. Ela era ele.

Agustin Rodigriquez - nome real de Maria- deu um tiro no pé ao revelar-se transexual. Em vez de continuar a próspera carreira de toureiro(a), foi para o ostracismo. O povo espanhol não perdoou a perfídia. Salomé, digo Agustin, encerrou a contragosto as atividades taurinas.

Sem opção de trabalho na Espanha, foi para a França onde aposentou-se como bailarina(o) de can-can do Moulin Rouge.

Papo vai, papo vem...

Entrevistas do Ubatuba Víbora

De quem é a culpa?

Luiza Eluf afirma o descaso do Governo Federal e Estadual nas enchentes do Rio e São Paulo

Renata Pompeu
A tragédia de desabamento na região serrana do Rio de Janeiro e também em São Paulo já causou mais de 650 mortos. De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), esta foi a décima maior tragédia de desabamentos do mundo. A Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Luiza Eluf, afirma que, no caso de tragédias de grandes proporções, é difícil estabelecer de quem é a culpa, porém não é impossível. Uma vez estabelecida a responsabilidade de que a tem, é possível pedir indenização ao Judiciário.

Luiza, o que faltou do Governo Federal como prioritário?

Entendo que o caso das enchentes envolve as 3 esferas governamentais: municipal, estadual e federal. O Governo Federal tem mais recursos e precisa ajudar os Estados com problemas de inundações. Porém, a inércia, o descaso, a falta de responsabilidade e a corrupção não são privilégio de ninguém. As ocupações ilegais de encostas, áreas de preservação ambiental e de mananciais nunca são condutas ocultas. Estão na cara de todo mundo. A pergunta é: por que as autoridades ignoram as invasões? A conivência com a infração é a grande causadora dos males em nosso país.

O Estado de SP já está realizando um incentivo financeiro (valor do aluguel, entre outros). Esse tipo de incentivo é suficiente para reparar estes danos ou a população deve recorrer a Justiça?

A princípio, a população precisa aprender a votar. Todos sabem reclamar, mas, nas eleições, não procuram saber quem são os candidatos, se têm competência ou não, se são honestos, etc. Votam no Tiririca que confessou não ter a mínima ideia do que faz um deputado federal. Não adianta reclamar depois.

Qual a posição do Judiciário no sentido de apontar estas perdas irreparáveis, no caso a morte?

No caso de tragédias de grandes proporções, é difícil estabelecer de quem é a culpa, porém não é impossível. Uma vez estabelecida a responsabilidade de que a tem, é possível pedir indenização ao Judiciário. O problema é que, mesmo que a pessoas ganhe a ação e tenha seus direitos reconhecidos pela Justiça, terá que entrar na interminável fila dos precatórios... Ou seja, o Estado se furta de suas obrigações e depois, de forma indireta mas eficaz (precatórios), se furta do pagamento das indenizações.

Tal desastre provocou pequenos furtos/delitos. Existe o caráter inimputável no delito, visto a tamanha necessidade destas pessoas?

Os saques nem sempre são praticados por estado de necessidade. Se não há ninguém em condições de cuidar da segurança de determinado estabelecimento comercial ou residência, ou mesmo de uma cidade, os aproveitadores furtam o que encontram pela frente. Não se pune o furto famélico, mas os saques podem ter outra natureza, é conveniente separar os dois tipos de conduta. De qualquer forma, diante de grandes eventos destruidores, fica difícil identificar malfeitores e impor a Lei.

O que se pode fazer para evitar os mesmos problemas em janeiro do ano que vem?

É preciso desocupar as áreas de risco imediatamente. Isso cabe às prefeituras em primeiro plano, mas convênios com os governos Estaduais e Federal são importantes porque não será possível vencer o trabalho que deixou de ser feito durante décadas contando somente com as prefeituras. A desocupação, por sua vez, deve vir acompanhada de habitações populares construídas para servir de moradia àqueles que forem obrigados a deixar suas casas. No caso do Estado de São Paulo, além de evitar invasões a todo custo, é preciso cuidar dos rios Tietê e seus afluentes. São necessárias novas represas para armazenar as águas das chuvas de verão e o saneamento básico tem que atingir todas as cidades do Estado. Isso é tarefa árdua e custosa, mas não podemos mais ficar sem ela.

Luiza Nagib Eluf é Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo

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Ubatuba


Dá resultado indicar omissões

José Ronaldo dos Santos
Ontem, num momento de muita pressa, alguém chegou ao portão de minha casa para agradecer porque o texto e as imagens sobre as condições do Nosso Horto Florestal deram um bom resultado. Estavam limpando tudo. Ufa! Finalmente!

É isso! Não devemos nos omitir na parte que nos toca, mas também não podemos admitir a omissão dos outros como algo normal, sobretudo em se tratando de patrimônio público, com gente ganhando através de nossos impostos para cuidar bem de tudo isso que caracteriza a nossa cidade. Precisamos de mais gente indicando as omissões; creio que o nome disso é aperfeiçoar a vida em sociedade. O contrário é omissão.

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Opinião

Por que o Brasil é um país tão caro para estrangeiros?

O Estado de S.Paulo - Editorial
Recentemente, o Estado publicou uma matéria dizendo que "comer fora em São Paulo é mais caro do que em NY" e que o Brasil tem os restaurantes mais caros do mundo. Aliás, todos os estrangeiros que nos visitam dizem que o Brasil é um país muito caro.

Isso nos leva a indagar sobre o porquê dessas conclusões. Sem dúvida, a taxa cambial muito valorizada explica parte desses julgamentos. A carga tributária elevada que marca o Brasil, mais elevada do que nos EUA, que têm um PIB muitíssimo superior ao nosso, pode ser considerada outro fator que eleva os preços em nosso país. Não se pode deixar de acrescentar ainda o elevado custo do crédito bancário, em razão de uma taxa básica de juros que está entre as maiores do mundo, se não, a maior.

No entanto, todos esses fatores não seriam suficientes para colocar o Brasil entre os países onde é mais caro viver. De fato, temos uma situação privilegiada quanto ao custo de produção, especialmente no que toca aos produtos alimentícios, por causa das condições climáticas e da produtividade alcançada graças ao suporte tecnológico dado à agricultura. Temos de lamentar que uma política do BNDES, de nos tornar o maior produtor de carne do mundo, tenha levado a uma internacionalização dos preços desse produto.

Por outro lado, nossa produção agrícola sofre um handicap, essencialmente no que diz respeito à infraestrutura de transporte. No centro da produção, por exemplo, está a soja, com um custo imbatível, vantagem anulada com o transporte por caminhão para um porto pessimamente equipado. E isso acontece com muitos outros produtos, com exclusão talvez do minério de ferro. Finalmente, há o custo imposto por leis trabalhistas ultrapassadas, ao qual se acrescentam o da burocracia e o de uma produtividade muito baixa, em um grande número de setores.

Convém, todavia, para explicar os preços elevados do Brasil, levar em conta fatores que são tipicamente nossos, como uma margem de lucros excessiva em relação à de numerosos países: os lucros do bancos, por exemplo, constituem uma ilustração do fenômeno, que não é exclusivo das instituições financeiras.

Um outro fator mais sutil é o hábito do comércio, numa economia em que as vendas a prestações são generalizadas, de fixar preços à vista embutindo neles os juros das vendas a prazo, como se verifica com a dificuldade que se tem de obter descontos quando se paga em cash. Tudo isso explica por que o Brasil atrai tão poucos turistas estrangeiros.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 19 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Anatel terá acesso a sigilo das ligações telefônicas"

Medida fere privacidade, dizem advogados; segundo agência, cliente terá de autorizar monitoramento

A Agência Nacional de Telecomunicações vai monitorar as chamadas feitas pelos telefones móveis e fixos, informa Julio Wiziack. O objetivo, afirma a agência, é melhorar a fiscalização e cobrar metas das teles. A Anatel terá acesso irrestrito a documentos fiscais com os números chamados e recebidos, a data das ligações, duração e valor de cada chamada. Serão instaladas centrais em São Paulo, Rio e Minas para esse fim. As centrais serão ligadas às operadoras móveis pela internet. Nos três Estados, o prazo para o início da operação é de até seis meses. Haverá cronograma para os demais; depois, o sistema se estenderá a telefonia fixa. Advogados veem ilegalidade e dizem que a medida da Anatel fere as garantias individuais. Hoje, a Constituição garante a privacidade dos registros telefônicos, e qualquer exceção tem de ser autorizada pela Justiça. A agência alega que o monitoramento será feito com autorização dos clientes e que não haverá acesso ao conteúdo das conversas. Segundo a Anatel, haverá protocolo de segurança para evitar vazamentos.

O Estado de São Paulo
"Mortos no Rio já passam de 700"

Total de vítimas de enchentes na região serrana pode superar mil, porque há mais de 300 desaparecidos

O número de mortos na tragédia da região serrana do Rio pode chegar a mil. Ontem, uma semana depois da maior catástrofe natural do País desde 1967, a Secretaria Estadual de Saúde já contabilizava 702 mortos. Nova Friburgo é a cidade como maior número (334), seguida de Teresópolis (285), Petrópolis (60), Sumidouro (21) e São José do Vale do Rio Preto (2). Há ao menos 311 desaparecidos em quatro municípios: Teresópolis (184), Nova Friburgo (109), Bom Jardim (2) e Petrópolis (16). Em Nova Friburgo, a trabalho de resgate foi intenso. Os bombeiros encontraram o corpo de um jovem no centro da cidade. Segundo relatos da vizinhança, no local parte de um prédio desabou e várias casas foram soterradas. Há mais 11 corpos na área. A prefeitura de Teresópolis desapropriou anteontem, em caráter emergencial, uma fazenda de 190 hectares supostamente improdutiva, ao custo de R$ 24 milhões, para que sejam erguidas 500 casas.

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Praias

Brasil

Verão e Chuva

Sidney Borges
Verão é tempo de praia, sol e chuva. E tragédias. São Paulo e Rio de Janeiro quase todos os anos têm mortos a lamentar por conta de enchentes e deslizamentos. Mas desta vez a coisa andou além do trivial, a região serrana do Rio de Janeiro foi literalmente arrasada.

Há quem coloque a culpa nos governos, outros falam da falta de sensibilidade dos ocupantes de áreas de risco, como se tivessem opção de escolha.

Neste ano fica difícil apontar culpados, negligência sempre houve, mas quem viu na televisão os morros deslizando notou que não havia construções irregulares neles.

O maestro Tom Jobim gostava do contato com a natureza. Tom compôs parte significativa de sua vasta obra no sítio de São José do Vale do Rio Preto, destruído pela força das águas e da lama. Tom jamais construiria em área de risco.

O que dizer da família de banqueiros que passava férias em sua propriedade adquirida há mais de 70 anos e que foi quase que totalmente dizimada? O que aconteceu  para que estejamos a lamentar o sofrimento de tanta gente, de todas as classes sociais, sem distinção?

Quais seriam as medidas a tomar de forma a evitar que as chuvas façam vítimas? Como fazer um programa de prevenção que alerte a população?

Primeiramente seria fundamental mapear a geologia da Serra do Mar, sondar o solo e saber a espessura da capa que cobre as rochas. É essa camada que eventualmente escorrega montanha abaixo e, misturada com a água da chuva, vai destruíndo o que está à frente. Com os dados lançados em computadores será possivel, através de simulação, saber o volume de chuva a temer.

O sistema vai requerer a instalação de radares meteorológicos que darão o alerta antes do desastre ser consumado. Não sei se com isso o problema será totalmente resolvido, certamente será minimizado.

As enchentes que assolam a Austrália mostram que é possível enfrentar desastres de grandes proporções de forma controlada. Embora o país esteja parcialmente submerso, há poucas vítimas fatais.

Chega de chuva.

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terça-feira, janeiro 18, 2011

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Opinião

Mais problemas com o Enem

O Estado de S.Paulo - Editorial
Depois das dificuldades que tiveram de enfrentar para obter as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgadas no final da semana passada, vestibulandos de todo o País passaram a ter problemas para se candidatar a uma das 83.125 vagas oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Como ocorreu no ano passado, o Ministério da Educação (MEC) mais uma vez se revelou incapaz de montar um sistema de informática em condição de atender à demanda de acessos feitos por candidatos a uma vaga numa universidade pública. A estimativa é de que o número de inscritos no Sisu de 2011 seja 77% superior ao do ano passado.

Apesar desse crescimento significativo, o MEC não tinha uma previsão de quantos estudantes poderiam entrar no site do órgão na internet e preparou um sistema eletrônico capaz de suportar cerca de 350 a 400 inscrições por minuto. No entanto, desde que o acesso foi liberado para os estudantes, no sábado, a demanda chegou a mais de 600 pedidos por minuto, nos momentos mais críticos - isso sem levar em conta os problemas de senha causados por falhas técnicas do sistema. No sábado e domingo, o site do MEC foi acessado mais de 16,5 milhões de vezes.

Por causa da sobrecarga, muitos estudantes demoraram mais de quatro horas somente para entrar no site. O processamento das inscrições também ficou lento. E o congestionamento do hotsite do Sisu - onde os candidatos fazem simulações para escolher a universidade com base nas notas que obtiveram no Enem - levou o sistema a cair várias vezes, deixando os vestibulandos apreensivos, uma vez que o prazo final para a inscrição estava previsto para as 23h59 de hoje.

Ao se inscrever, o estudante tem direito a escolher dois cursos, selecionando um deles como primeira opção. E, durante os três dias de inscrições, pode alterar as escolhas com base nas notas de corte que são divulgadas no final de cada dia. Uma vez aprovado na primeira opção, seu nome é automaticamente retirado do sistema - e, se não fizer a matrícula, ele perde a vaga. Isso dá a medida da complexidade do processo de seleção do Sisu.

Mesmo assim, os técnicos do MEC tentaram jogar parte da responsabilidade dos problemas do Sisu para cima dos vestibulandos, alegando que poderiam ser mais ágeis na formalização das inscrição e afirmando que alguns deles têm gastado cerca de 40 minutos para concluí-la. Para aliviar o sistema, o órgão impôs um tempo máximo de 20 minutos para cada acesso. E, para aplacar as críticas dos estudantes, prorrogou o prazo de inscrição por mais dois dias. Até as 19 horas de domingo, cerca de 149 mil estudantes já haviam concluído a inscrição para concorrer às vagas oferecidas por 83 instituições federais e estaduais de ensino superior, que utilizam exclusivamente as notas do Enem em seus processos seletivos.

Os problemas com o Enem começaram há dois anos, quando o MEC decidiu reformular radicalmente o sistema de avaliação do ensino médio, utilizando-o no lugar do vestibular como processo seletivo das universidades federais. A iniciativa foi bem recebida pelos especialistas, mas o órgão não se revelou capaz de dar conta da empreitada. Além dos problemas de informática, as provas do Enem de 2009 vazaram dias antes de sua realização, deixando claro que as autoridades educacionais não haviam tomado as medidas de segurança necessárias. Na sequência de confusões, constatou-se que algumas questões da prova substitutiva continham questões com nítido viés político e ideológico, que tiveram de ser anuladas. E, no dia em que a prova foi finalmente realizada, o MEC divulgou o gabarito errado.

Em 2010, vazaram os dados pessoais de 12 milhões de alunos que se submeteram às edições do Enem entre 2007 e 2009. As informações, que deveriam ser mantidas em sigilo, foram expostas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Também houve problemas na preparação das provas e na escolha da gráfica. E os novos problemas de informática no Sisu deste ano confirmam que pouca coisa está funcionando bem no MEC.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 18 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Plano de prevenção só estará pronto em 2014"

Dilma recicla conjunto de ações que ficou no papel desde 2005; Rio tem 665 mortos

O governo anunciou a criação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais. O nome é novo, mas o grupo de medidas já era parte das ações de um órgão criado em 2005 com as mesmas funções. Ainda assim, o sistema só deve funcionar a pleno vapor no final de 2014, informou Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), um dos seis ministros que participaram da reunião com a presidente Dilma Rousseff. A implantação será progressiva, mas resultados, segundo ele, devem aparecer em 2012. O governo estima que 5 milhões vivam em áreas de risco no pais; 500 locais são sujeitos a deslizamento e 300, a inundações. "A gente falou muito e fez muito pouco", disse Luiz Antonio Barreto de Castro, que até a semana passada presidiu grupo que discutia propostas para a área. No Rio, o total de mortes chegou a 665.

O Estado de São Paulo
"Dilma anuncia sistema de alerta prometido em 2005"

Prevenção de tragédias como a do Rio constava de compromisso assumido por Lula

O governo federal anunciou ontem a criação de um Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, como resposta à catástrofe no Rio, em que chuvas causaram a morte de ao menos 665 pessoas. Trata-se de promessa antiga: já em 2005, o governo Lula firmou compromisso internacional para criar esse sistema. “Não entendo como um país pode levar quatro anos para ter um sistema de alerta em funcionamento". disse Debarati Guha-Sapir, consultora externa da ONU e diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres. A ideia, agora, é reduzir em 80% o número de vítimas dessas tragédias até o final do governo de Dilma Rousseff. Levantamento mostra que há 500 áreas sob risco de deslizamento e outras 300 ameaçadas de inundações no Brasil. Documento entregue a Dilma sugere a participação das Forças Armadas na prevenção.

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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Ramalhete de "causos"


Filósofos do alambique

José Ronaldo dos Santos
“No canto direito da praia existe um filete de água que deságua no mar. Reparem bem que vocês verão”. Dessa forma escutei, num dia distante, o briguento Salomão a principiar seu causo numa roda, regada por umas garrafas de Riopedrense, rente à Pedra do Robalo (que separa as praias Barra e Dura). E continuou: “Naquele canto, pegando todo o jundu e o morro que se avista, era a fazenda dos meus antigos; portugueses que traziam nos nomes o orgulho dos Bureta. Na verdade era um grande alambique. Lá, até 1920, a minha gente produziu pinga. E das boas! Bem superior a esta aqui! (E erguia a caneca). Ali existia um rio por onde subiam canoas de voga para o embarque das pipas que tinham como destino o Rio de Janeiro ou Santos. Agora tem aquela água mixa que, se duvidar, nem molha o pé inteiro. Contava o meu pai que era costume da fazenda ter duas horas de almoço para todos, onde havia uma mesa grande, com modesta comida e pinga para todos, onde conversavam muito, como se fosse um exercício regular a cada dia. O velho Bureta chamava o tal momento de Hora do Banquete. O assunto quase sempre descambava para a putaria, pois segundo o meu pai, a portuguesada se achava num paraíso liberado, bem longe da fiscalização da religião, onde Adão e Eva ainda continuavam pelados e felizes, experimentando da fruta sempre que dava vontade. Mas sempre tinha aqueles que, apesar das doses desmedidas da boa cachaça, não perdiam a seriedade; traziam temas sérios para a época”. Nesse momento alguém perguntou: “O que podia ser sério naquele tempo?” “Ah!” –continuou o narrador – “Eles queriam entender, só para exemplificar, porque o chifre é tão milagroso, serve para curar tantas coisas”. Mais uma interrupção: “Mas chifre é milagroso? Quem disse isso?”. “É sim! Chifre é milagroso!” A afirmação veio do Francolino. E completou: “Vocês não estão vendo o Bito Sodré agora curadinho? Até já voltou a trabalhar embarcado! Quem diz que ele teve doença feia e que ficou quase ano acamado, mais para a morte do que para a vida? Sabe o que curou aquele homem? Foi chifre! Chifre, sim senhor! Só dessa roda eu conheço três que levantaram o vestido da mulher do coitado. Agora mesmo, com o homem embarcado na ‘Catarinense’, onde vocês acham que está dormindo o Fidêncio? Por isso eu digo que, apesar da pouca-vergonha, chifre é um santo remédio!”. “É mesmo!” A concordância foi geral. E riram. De nada adiantou o Salomão se espernear e dizer que não era desse tipo de chifre que discutiam. E a risada se multiplicou antes de um novo “tema filosófico”. E tome outra rodada de cachaça no jundu!

Sugestão de leitura: Leite derramado, de Chico Buarque.

Boa leitura!

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Olha o vento! Tira flap...

Coluna do Rui Grilo

Educação não é uma ilha

Rui Grilo

“O remédio mais popular, nos anos 70, era a Ritalina. As crianças paravam de pular de subir nos móveis, de desobedecer e se tornavam uns anjinhos. Em alguns casos, pareciam uns zumbis.
Hoje em dia a Ritalina deu filhote. Existem vários outros remédios, com diferentes composições, mas com a mesma base química. Apenas a dosagem foi refinada, para evitar o efeito zumbi fazendo com que a criança se sente, comportada, na sala de aula, sem ficar ausente.”*

Participei durante muito tempo do Movimento Freinet** cujo objetivo é a formação de professores, a pesquisa e o intercâmbio entre os grupos e pessoas que se interessam pelas propostas desse educador. A preocupação de Freinet era criar uma escola para os filhos de trabalhadores na qual a educação seria feita pelo trabalho, pela atividade. A criança ou o grupo poderia escolher o objeto de estudo, por exemplo – a formiga – observá-la e registrar tudo, criando um texto que seria reproduzido para comunicar, para socializar esse conhecimento a outros. O educando era também um pesquisador que, ao comunicar seu conhecimento a outros também poderia receber colaborações, complementações e críticas. O mais interessante é que, no Brasil, a metodologia Freinet se tornou uma grife, principalmente de escolas particulares, quase sinônimo de escola de elite.

Mas tanto na França como no Brasil, os educadores que seguiram essa metodologia sofreram perseguições e muitas restrições porque, via de regra, não aceitam pacotes prontos e se assumem como sujeitos de sua formação, que tem como ponto de partida uma necessidade interna mas que se realiza no coletivo, no processo de busca e de socialização dos conhecimentos construídos.

Nesta semana, recebi de um membro do movimento, a seguinte indicação:

Pra quem tem interesse em educação segue abaixo um texto que dá o que pensar, mas se quiserem saber mais, a matéria toda é muito interessante e está no seguinte link:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/organizando-as-ideias-ken-robinson-as-massas-brasileiras-e-o-neurocientista.html

Não dei muita atenção e nem acessei o texto. No entanto, logo em seguida comecei a ler vários comentários sobre o texto. Selecionei alguns que reproduzo abaixo.“Toda reflexão sobre educação, seja texto, palestra, aula, o que for, que não leva em consideração a maior formadora de valores da atualidade, que é a mídia, fica sem sentido. Educação não é uma ilha. Nunca corrigiremos as coisas dentro da escola. Há o social que, nesse momento, está interessado na dominação. Não é possível aceitarmos uma tevê fomentando nas crianças a violência, a sexualidade, drogas, consumismo, misticismo, modas, alienação sem limites. Uma covardia. E ainda a protegemos e isentamos.” (professor de SP)

“na Itália temos uma lei que regulamenta a indicação do fármaco (remédio) mas a coisa importante é o diagnóstico; aqui temos 1% que verdadeiramente tem esse problema (déficit de atenção). São os mesmos pais que, para resolver o problema, desejam uma terapia forte (na minha escola tem um caso significativo: a mãe viaja para a Suiça para comprar os fármacos pois lá custam menos); o aspecto importante para a psicologia é que essas crianças percebem que são diferentes e tem uma péssima imagem de si mesmos. A formação dos professores é fundamental (tive que estudar a coisa eu mesma)” (Professora de Treviso, Itália).

“Esta discussão rende. Estamos todos estupefatos frente ao que está ocorrendo com nossas crianças, transformadas em "monstros". Será que seu problema é falta de limites, ou de espaço para viver sua infância? Qual o modelo de mundo adulto que lhes é oferecido? Será que somente elas estão "sem limites"? Creio que sem limites estamos todos!!! O trabalho nos absorve todo o tempo; mal sabemos quais são nossos valores, para espelhar em nossas ações; e a TV faz a catequese de todos os espectadores, determinando o modo como vemos a realidade - o que inclui uma visão da transgressão vista como regra de vida; nossa própria identidade se confunde com a lógica do "consumo, logo existo".

E as crianças, que estão observando tudo isso e buscando suas referências, de vítimas passam a serem vistas como algozes. Porque estão a reivindicar seu espaço na sociedade. Quem se dispõe a ouví-las, de fato? O que querem dizer com sua hiperatividade? Serão de fato hiperativas ou apenas ativas em um mundo "hipoativo", de muita agitação e pouca ação?

Lembro a passagem em que Freinet compara a vida ao curso de um rio, que nasce pequeno, mas que vai ganhando força e que avança intrepidamente pela montanha, em cachoeiras e corredeiras, até, no fim de seu curso, alcançar a planície e morrer calmamente no mar. "Somos os rios domados na planície" - diz ele - "elas as torrentes ainda impetuosas, que correm noutros ritmos e com outros impulsos.” (em “O tempo das cabriolas” – Pedagogia do bom senso, 2ª ed., 1978, pag. 38)

E, em outra passagem, alerta sobre o perigo de represar a água, tornando-a parada, o que determina seu adoecimento e morte.

Em uma palestra sobre “A patologia da infância”, ocorrida no ano passado na Fundação Helena Antipoff a pesquisadora dizia que de todos os casos de hiperatividade atendidos em seu consultório, de crianças submetidas à Ritalina, ela constatava que apenas 3% eram de fato hiperativas. Os demais casos eram somente problemas de disciplina.

“Quanto ao TDAH, esta praga, tenho dois netos que foram "diagnosticados" como atingidos pelo mal e infelizmente tomam Ritalina apesar de todos os meus esforços para convencer os pais do contrário. É verdade que ficaram mais "calminhos"e que tanto a escola como os pais têm adorado.

Pensando bem, acho que tenho tido a doença também na infância. Meus boletins só mencionavam que "vivia no mundo da lua" e agora a coisa só fez piorar com a internet, este horrivel instrumento dispersivo do qual não consigo me passar.

Será o mal genético!!! Eis um terreno promissor para a pesquisa farmaceútica.”

“Sendo da educação física, acredito ser polêmico este assunto. Nós, que não somos apenas da educação e sim da saúde, sabemos que os diagnósticos feitos se remetem a problemas bastante drásticos. Como por exemplo, até quando a criança tomar a medicação. Esta calmaria, sempre foi necessária a escola, e acredito que nem elas aguentam. E, problemas ocorrem, na família mais habitualmente. (...) avaliar pela genética nem sempre é favorável, pois nem são seus filhos, é um fator não modificável, pode ser isto? sim... mas há os fatores não-modificáveis, que se diferem.

Me coloco no seu lugar e vejo a tamanha dificuldade que eu própria teria, ao menos de aceitar. O que vejo, como uma grande importância é fazer com que seus netos sejam vistos como sempre foram, com o carinho de sempre, e amados por você e a família, pois mesmo assim, uma mal aceitação por isto, seria piorar o problema.”

“Trabalho com crianças da Educação Infantil acho que elas são normais, tem comportamentos normais dentro do esperado para a idade, mas os pais, parece, que querem filhos que se interessem por todos os assuntos, que se dediquem a estudar, que sejam os melhores jogadores de bola se forem meninos e se forem meninas as mais meigas e talentosas. Já lemos que o cuidado com as crianças, a infância protegida como conhecemos é coisa recente, mas parece que chegamos a um ponto em que temos pais que não sabem o limite dos cuidados e, de outro lado, pais que deixam seus filhos ao léo.

Quando nós eramos crianças, tínhamos algo de TDH, mas os pais não ficavam desesperados para resolver essas questões, era normal o filho estudar ou não, passar de ano ou não, ficar de segunda época, estudar nas férias e aprender o que não tinha aprendido no ano inteiro com a professora particular!!!! E agora eles ficam apavorados e passam o problema para frente para o psicólogo, para a psico-pedagoga....e acham que alguém vai resolver esse problema. Gente, eu acredito que as crianças de hoje são tão inteligentes quanto as de antes, mas agora elas são mais informadas e tem menos limite, para não dizer que tem menos educação!!!! Acredito também que não podemos esconder delas as mudanças do mundo, elas estão aí, precisamos sim ajudá-las a entender como é o mundo, o que pode e o que não pode ser feito.... Eles, os pais , precisam um pouco de Freinet, calma e paciência para conversar e entender os filhos deles...sem aflição...

As diferentes interações e pontos de vista me chamaram a atenção e aí fui ler todos os textos, especialmente o primeiro, de Heloisa Villela, do qual extraí um trecho que cito no início deste texto e que trata tanto da busca de caminhos e de mudanças de paradigmas da educação, quanto da excessiva e perigosa medicação. As interações entre os professores mostram não apenas o grande envolvimento de cada um mas a grande variedade de problemas que o professor enfrenta e para os quais não recebeu a devida preparação.

A internet surge assim como uma grande ferramenta para sair do isolamento e dividir com outros profissionais suas dúvidas e anseios.

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

Pequenos traficantes

O Estado de S.Paulo - Editorial
Ao assumir a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, que acaba de ser transferida do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para o Ministério da Justiça, o advogado Pedro Abramovay propôs o fim da pena de prisão para pequenos traficantes, alegando que a medida ajudará a reduzir a superlotação carcerária e evitará o envolvimento de delinquentes de baixa periculosidade com as facções que controlam as cadeias e penitenciárias. Segundo as estatísticas do Departamento Penitenciário Nacional, os traficantes de drogas representam, hoje, quase 20% da população carcerária.

Em entrevista ao jornal O Globo, do Rio, Abramovay diz que a Lei Antidrogas - que entrou em vigor há quatro anos - é um dos principais alimentadores da superlotação dos estabelecimentos penais. Entre outras inovações, a lei aprofundou a distinção entre o usuário e o traficante, que já era prevista pela antiga Lei de Entorpecentes, editada em 1976, passando a tratar o primeiro de modo leniente e o segundo com mais rigor.

A Lei de Entorpecentes punia o viciado com pena de detenção de 6 meses a 2 anos e o traficante com pena de 3 a 10 anos. Sob a justificativa de modernizar e humanizar as formas de tratamento do vício, a Lei Antidrogas abrandou significativamente a punição aplicada ao usuário, estabelecendo penas alternativas - tais como advertência, prestação de serviços à comunidade e medidas educativas. Já para os traficantes, a Lei Antidrogas estabeleceu penas de prisão mais rigorosas, que podem chegar a até 20 anos de prisão (para quem, por exemplo, financiar o narcotráfico).

Foi isso, segundo Abramovay, que teria causado o colapso do sistema prisional. "O usuário não tem prisão e, do jeito que está hoje, praticamente não tem pena. E para o traficante há uma pena altíssima. Só que a realidade é muito mais complexa, porque você não tem só essas duas divisões. Depois da lei, houve uma explosão carcerária. Em 2006, eram 60 mil pessoas presas por crimes relacionados a drogas. Hoje, há 100 mil pessoas presas. Não dá para ter na cadeia 40 mil pessoas que não deveriam estar lá. A gente está pegando quem não tem ligação com o crime organizado, botando na prisão e, pouco tempo depois, já com ligação com o crime organizado, devolvendo-o à sociedade. Temos de fazer uma opção entre disputar o pequeno traficante, para reintegrá-lo à sociedade, ou desistir dele, entregando-o ao crime organizado", diz o secretário nacional de Políticas sobre Drogas.

A proposta por ele apresentada não é nova. Vem sendo defendida pelo Ministério da Justiça há mais de dois anos, sob a justificativa de que a revogação de penas de prisão para os pequenos traficantes evitaria o contágio dos pequenos pelos criminosos mais perigosos, além de permitir que a polícia concentre o trabalho de repressão nos grandes traficantes. No segundo semestre de 2009, o próprio Abramovay - que na época estava à frente da Secretaria de Assuntos Legislativos - negociou a apresentação de um projeto de lei nesse sentido com o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Como os militares do GSI - ao qual estava subordinada a antiga Secretaria Nacional Antidrogas - não viram a proposta com simpatia, ela foi deixada de lado. Ressurge, agora, com a transferência do órgão para a alçada civil do Ministério da Justiça.

Evidentemente, a proposta é polêmica. Para os que a apoiam, o País estaria encarcerando muitos pequenos traficantes sem, contudo, ter sucesso na luta contra o narcotráfico. Para os que a criticam, a revogação de todas as penas de prisão para os pequenos traficantes estimula o envolvimento de jovens e adolescentes com o crime. Sem o risco da prisão, o pequeno tráfico passa a ser um excelente negócio.

Consciente deste risco e disposto a evitar que a polêmica se converta em problema político no início de sua gestão, o ministro Martins Cardozo afirmou que a proposta do secretário Abramovay não é prioritária no Ministério da Justiça. Isso dá a medida da falta de articulação administrativa do governo, uma vez que ministros e secretários foram escolhidos não com base numa filosofia de gestão, mas em função de injunções partidárias.

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