sábado, janeiro 28, 2012

Tenha uma idéia. Salve o mundo...

Colunistas

Paulistano: sobrevivente e cidadão do mundo

“São Paulo é paisagem urbana em eterna mutação. De imperdível, apenas ela própria e seu estilo mutante. Acompanhá-la nesse processo e continuar a amá-la é simultaneamente, uma benção e uma maldição.”

Márcia Denser
Neste 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, revisito uma antiga crônica minha (escrita há uns seis anos) sobre esta cidade que um dia acreditei minha. Contudo, sinto que ambas envelhecemos, mudamos – e não para melhor, ao contrário – e, talvez por isso, nos estranhemos cada vez mais.
 
Todavia, continuo paulistana de quatro gerações. Meu tataravô, Norbert Denser, foi um berlinense que, em torno de 1850 e por razões desconhecidas, deixou a Alemanha pelo porto de Dantzig, embarcando sozinho num cargueiro dinamarquês com alguns livros, a caixa de ferramentas e uma capa de oleado. Um mês depois aportaria em Santos e, num estado de calamitoso orgulho, subiria a serra pela estrada de ferro inglesa rumo a condições climáticas mais dignas dum homem trabalhar e constituir família, uma vez que ele deve ter pensado, intuído, decidido: case-se com uma mulher da terra –  a terra prometida sempre é o corpo da mulher amada.
 
Por isso em 24 de agosto de 1865, de acordo com os registros do Departamento de Patrimônio Histórico, data em que assentou sua banca de ferreiro na Rua de Santo Amaro, possivelmente já estivesse casado com uma das Borba, filha ou neta do bandeirante Borba Gato, aquele da Estátua.
 
Meu avô paterno – que não conheci – Antonio de Borba Denser casou-se com Carolina Miceli, donde papai, falecido em 1997, assinar Durval Miceli Denser. Contudo eu e minha irmã optamos por um único sobrenome: Denser.  Então retornamos ao velho Norbert lá do começo.
 
Bom, isso é história, agora, a ficção: sou escritora e a cidade é meu campo de ação, minha via crucis, meu altar de sacrifícios, meu refúgio, minha identidade mais secreta. E também a mais pública. Desde tempos imemoriais, a cidade é um símbolo feminino, é mulher, então compreende-se porque as estátuas de deusas-mãe, como a Diana de Éfeso, ostentam coroas em formas de muros.
 
Assim, minha personagem Diana Marini é uma representação de São Paulo. Razão pela qual em minha novela Welcome to Diana ela dá boas vindas ao leitor (em inglês, posto ser cosmopolita), seu lema é seduzi-lo – para melhor devorá-lo! Aos 24 anos publiquei meus primeiros contos. Era gás puro e duma coragem suicida. As pessoas me olhavam com uma espécie de inescrutável repugnância, não conseguiam situar-me.
 
Mesmo paulistana até a medula (e o paulistano típico é naturalmente contido, reservado) eu escrevia duma forma um bocado descarada, irreverente (retifico: sutilmente descarada e irreverente, confirmando assim minha origem) e, ao mesmo tempo, aquilo ser considerado “literatura”. Nem Clarice, nem Cassandra, mas ambas e algo além. Mas eu não ia ficar descrevendo baratas metafísicas, não ia mesmo, nem defender um moralismo invertido, tampouco um feminismo de fachada.
 
Trinta anos e dez livros depois (sem contar as antologias e traduções no exterior, acho um saco ficar dando release), continuo odiando qualquer tipo de extremismo e, paradoxalmente, me permitindo qualquer exagero.
 
De forma que as pessoas continuam me olhando com uma espécie de inescrutável repugnância: afinal não sou rica, nem famosa e nem pilantra como Jacqueline Onassis. Tampouco grande dama como dona Raquel de Queiroz, de fardão e tudo. Apenas uma escritora em processo que já se expôs o suficiente e por várias Grandes Damas e Variadíssimas Grandes Vaconas: aquela que lava todas as calcinhas do mundo.
 
Mas voltando a São Paulo: como toda mulher, esta cidade não se entrega sem mais aquela como suas rivais marítimas, Rio e Salvador, expostas à orla, à fuga por mar, porque São Paulo tem seu centro, seu cordão umbilical na Praça da Sé, no centro da voragem urbana, um vertiginoso enredar de ruas que é puro caos ao estrangeiro, não fosse ela simultaneamente virgem e prostituta, detentora do segredo de renovar-se eternamente.
 
É verdade que a partir da década de 60 este centro se deslocou do Marco Zero para a Avenida Paulista, mas isso é geografia. Porque o fato do centro da voragem continuar lá, na Praça da Sé – um núcleo vazio, estúpido, inconsciente e arbitrário e talvez por isso preservando-se oculto e misterioso e núcleo – é a chave do seu enigma indecifrado.
 
E o que São Paulo não tem (ou, ao menos, não tinha)? Provincianismo. É a cidade mais cosmopolita do planeta (donde a atual caretice não passar de modismo, portanto fugaz, passageiro). Porque, essencialmente, Sampa parece não guardar nenhuma saudade ou orgulho ou nostalgia ou rancor ou passadismo por suas tradições e passado que já não tenha sido violado e dilacerado pelas hordas migra/imigratórias, pela especulação imobiliária e financeira, ou mesmo pelo arbitrário e onipresente vandalismo, de forma que então para quê se preocupar?
 
Por isso São Paulo-Babilônia é simultaneamente virgem e prostituta. Cosmopolita, não global – como a proclamam pós-modernamente – outro modismo, que também vai passar, conquanto o cosmopolitismo permanece entranhado em sua essência, como uma espécie de vocação para “Terra de Ninguém” (No man’s land) coletiva: Quelquepart Island.
 
Lugares imperdíveis em São Paulo? Todos e nenhum. Essa cidade é antes um estado de espírito onde todos são estranhos, eternamente estrangeiros entre si. Quando eu morava nos Jardins (vivi na Melo Alves com Oscar Freire durante doze anos nas décadas de 80 a 90), as lojas do quarteirão se transformavam em outras constantemente (tipo butique de sapato que virava boate que virava estacionamento que virava antiquário); a princípio, de ano a ano, depois, a cada seis meses e então, mês a mês – sobretudo a partir de meados de 80 (com 300% de inflação ao ano, não existia futuro, mas tal exemplo define e conceitua o cerne desta Cidade).
 
São Paulo é paisagem urbana em eterna mutação. De imperdível, apenas ela própria e seu estilo mutante. Acompanhá-la nesse processo e continuar a amá-la – o que significa aceitá-la, a despeito de tudo – é simultaneamente, uma benção e uma maldição. É viver perigosamente. Como opção. O que faz do paulistano, um sobrevivente e cidadão do mundo.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

Gambiarras para a Copa

O Estado de S.Paulo
Reportagem do jornal Valor (25/1) não deixa dúvidas de que, das 46 obras de transporte urbano projetadas para atender o público que assistirá aos jogos da Copa do Mundo, poucas estarão prontas a tempo. O problema vem preocupando os dirigentes esportivos internacionais, que fazem seguidas cobranças públicas às autoridades brasileiras - sem resultados aparentes. Principal agente financeiro desses empreendimentos, a Caixa Econômica Federal reservou R$ 5,3 bilhões para emprestar aos Estados e municípios que sediarão jogos da Copa. Mas, como mostrou o Valor, a menos de 30 meses do início da competição, a Caixa liberou apenas R$ 194 milhões, ou 3,7% do que já poderia ter liberado. Das dezenas de projetos, poucos saíram do papel.

Definidas pelo governo como ações de mobilidade urbana nas 12 cidades que sediarão jogos da Copa, essas obras envolvem melhoria do sistema viário e construção e operação de novos sistemas de transporte de passageiros, como veículos leves sobre trilhos (VLT) e transporte rápido por ônibus, ao custo estimado de R$ 13,5 bilhões. Elas se destinam também a facilitar a movimentação da população dessas cidades.

Há dois anos, preocupado com o atraso dos preparativos para a competição, o governo federal, em parceria com os governos dos Estados e as prefeituras dos municípios onde haverá jogos, montou o que ficou conhecido como matriz de responsabilidades, com a definição das atribuições de cada instância de governo e cronogramas. Em setembro do ano passado, como persistiam atrasos e indecisões, a matriz foi revisada, com novos prazos e atribuições. De lá para cá, porém, muito pouca coisa avançou. Pelo menos 19 obras que deveriam ter avançado de setembro para cá continuam sem cumprir o cronograma, como mostrou o Valor.

Pedidos de financiamento feitos à CEF vêm acompanhados de projetos de má qualidade, o que impede a aprovação. Em alguns casos, as autoridades locais ou regionais alteraram os projetos iniciais, optando por outros mais complexos e mais caros, o que comprometeu prazos e a obtenção da indispensável aprovação das autoridades da área ambiental. Em outros casos, os governos nada têm feito.

"O tempo está passando e não vai dar tempo para fazer muita coisa", admitiu o presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia em São Paulo, José Roberto Bernasconi. "Podemos acelerar obras absolutamente cruciais e realizar operações especiais, mas isso não é muito mais do que gambiarra, diante do que deveríamos ter."

Eis aí um resumo de como o poder público está preparando o País para a Copa: com gambiarras, com medidas improvisadas, com soluções provisórias.

Casos descritos na reportagem citada do jornal Valor não deixam dúvidas quanto à ineficiência da ação das autoridades. Caso exemplar é o do contrato para a construção do VLT de Brasília, com 22,6 quilômetros de extensão e 25 estações, assinado há três anos. O projeto foi dividido em três etapas, a primeira das quais talvez - não é certo - seja concluída até 2014. Por interferir na estrutura urbana de Brasília, o projeto vem sendo questionado na Justiça. Além disso, o contrato assinado em 2009, de R$ 1,5 bilhão, foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por suspeita de fraude. Do pouco que se conseguiu realizar - menos de 3% das obras -, boa parte está enferrujando.

Outro exemplo apontado pelo Valor é o das obras do monotrilho de Manaus, com 20,2 quilômetros de extensão, que deveriam ter começado em novembro passado, para estarem prontas até a Copa. Irregularidades identificadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Ministério Público Federal, no entanto, impediram a aprovação do financiamento, sem o qual não haverá interessados na execução da obra. Em Salvador e Cuiabá, o projeto inicial de BRT, que já tinha financiamento contratado, foi substituído por outros pelas autoridades locais.

Dos demais projetos de mobilidade urbana inscritos na matriz de responsabilidade, 6 cumprem parcialmente o cronograma, 14 estão dentro do prazo e 7 já estão com as obras em andamento.

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Manchetes do dia

Sábado, 28 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Bens de vítimas da queda de prédios são desviados" 

Pertences estavam em depósito provisório; prefeitura vai investigar o caso

A falta de controle sobre os escombros retirados do local do desabamento dos três prédios no centro do Rio fez com que a zona portuária virasse ponto de garimpo, informam Denise Menchen e Juca Varella. O lugar funciona como entreposto de entulho, que depois segue para terreno na Baixada Fluminense. A Folha flagrou operários revirando bolsas, álbuns de fotos, peças de metal, cabos elétricos e telefônicos. Eles usavam uniformes da Secretaria de Obras do Estado e de empreiteiras que trabalham na região. A prefeitura, responsável pelo material, vai investigar. O Estado diz que a roupa pode ter sido usada indevidamente. Até as 22h, 15 corpos haviam sido encontrados. A empresa que reformava dois andares do edifício Liberdade disse que as obras eram regulares, mas foram iniciadas sem a aprovação de um engenheiro.

O Estado de São Paulo
"Banco público amplia oferta e crédito supera R$ 2 trilhões" 

Estatais aumentaram empréstimos em 7,7% no último trimestre de 2011, o dobro das instituições privadas

O volume de crédito concedido no País cresceu 19% em 2011 – acima da previsão de 17,5% do Banco Central – e ultrapassou R$ 2 trilhões. O resultado foi impulsionado pelos bancos públicos, que ampliaram sua carteira em 7,7% no último trimestre, ante 3,2% das instituições privadas. Com isso, os bancos estatais terminaram o ano com 43,5% de participação no mercado de crédito. Parte desse crescimento é atribuída às operações das instituições estatais com pessoas físicas, tanto para consumo como para habitação. A previsão para 2012 é de expansão de 15%.

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sexta-feira, janeiro 27, 2012

O tempo voa...

Coluna do Celsinho

Universo

Celso de Almeida Jr.
Estiquei o ouvido.

Atendendo no balcão, uma jovem servia pão com manteiga e café com leite para um senhor simpático, professor.

Disse que estava ansiosa para reencontrar o ambiente universitário.

Confessou que adorava as aulas do mestre, que agradeceu com um sorriso entusiasmado.

De lá, parti para o escritório de Marketing Político e Governamental do Marcelo Pimentel, que também é professor na academia.

No caminho, passei na farmácia, onde uma funcionária comentava com um cliente que concluíra a leitura de uma obra de administração; aquecimento para a volta às aulas.

Já no escritório, o especialista que ajustava o sistema elétrico contou sobre os cursos técnicos e superiores, além de pós graduações, que teve a oportunidade de frequentar.

No mesmo dia, num diálogo com um vereador, ouvi o seu desejo de matricular-se em Direito, buscando aprimorar a atuação legislativa.

Tudo isto em Taubaté, cidade com excelentes cursos, em todos os níveis.

A dedicação ao estudo já está incorporada à rotina dos cidadãos de lá.

Conquista extraordinária, alcançada graças ao fortalecimento do sistema educacional.

Modelo para estudar.

Adaptar.

Implantar.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O comando da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
O anúncio da substituição de José Sérgio Gabrielli por Maria da Graça Silva Foster na presidência da Petrobrás, a ser referendado pelo Conselho de Administração, foi recebido com alta das cotações das ações da empresa nas bolsas de São Paulo e estrangeiras. Confirma-se, assim, a intenção da presidente Dilma Rousseff de alterar o comando da maior empresa do País e uma das mais importantes companhias de petróleo do mundo, indicando pessoa de suas relações mais próximas e com perfil técnico para a tarefa.

Diante da versão, difundida por fontes próximas ao governo, de que a substituição está sendo feita para que a presidente Dilma Rousseff possa melhor controlar a empresa, Gabrielli repetiu o que vem dizendo há tempos: o governo sempre teve o controle da Petrobrás. Por ser o seu maior acionista, determina as suas políticas.

Nos últimos anos, a Petrobrás sofreu alguns reveses, como a demora na entrega das plataformas de exploração e o não cumprimento das metas de produção de petróleo. Ocorreu, ainda, uma desvalorização dos papéis da empresa, pois os investidores reagiram com desconfiança à maneira como foi feita, em 2010, a capitalização de US$ 120 bilhões da Petrobrás. O valor da empresa em bolsa caiu de seu nível mais alto, de R$ 429 bilhões, em 2007, para R$ 291 bilhões, em 2011.

Além de um currículo respeitável - engenheira química pela UFF, com mestrado em engenharia de fluidos, pós-graduada em engenharia nuclear pela UFRJ e com MBA em Economia pela FGV -, Graça Foster é um caso exemplar de ascensão social por esforço próprio. Dos 8 aos 12 anos de idade morou no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, catando papel e vendendo latas e garrafas para custear seus estudos.

Evidentemente, não bastam a coragem, a qualificação técnica e o apoio irrestrito da presidente da República para Graça Foster corrigir os vícios administrativos da Petrobrás, aparelhada principalmente, mas não exclusivamente, pelo PT. Já se anuncia que terão de ser trocados outros diretores, entre os quais são citados os de Finanças, Abastecimento, Serviços e Exploração e Produção.

A troca da direção da estatal foi informada dia 5 por Dilma a um dos patronos políticos de Gabrielli, o governador da Bahia, Jacques Wagner, que se apressou a anunciar que o presidente da Petrobrás tem convite para ser secretário de Estado (e já é visto como um dos pré-candidatos ao governo baiano, em 2014). As intenções políticas de Gabrielli são a explicação ideal para sua saída da presidência da Petrobrás.

A posição hegemônica da estatal na exploração do pré-sal é o maior dos desafios da empresa, pois a Petrobrás terá de participar de todas as companhias ou consórcios formados para extrair o óleo das profundezas.

Mas não é esse o único problema, pois a queda de Gabrielli chega depois da morosidade da licitação, suspensa no mês passado, para contratar 21 sondas de perfuração do pré-sal. A presidente da República quer que as sondas sejam produzidas no Brasil. Mas não há certeza de que possam, de fato, ser produzidas no País, no prazo previsto.

Outra questão é a do preço final de venda dos combustíveis, em especial, gasolina e diesel, cuja fixação tem impacto direto sobre a inflação. O governo tem preferido subsidiar o consumidor de gasolina, via redução tributária, enquanto a Petrobrás importa volumes crescentes de gasolina - e de álcool - para atender à demanda.

Graça Foster tem fama de dureza no trato profissional e de rigidez na exigência de cumprimento de missões gerenciais. Trabalha com prazos e metas e seus projetos só ganham vida com orçamento aprovado. Tem, segundo o jornal Valor, um calendário de marcos. "É a forma mais primitiva de gestão, a mais simples, você saber o que tem que fazer", disse ela àquele jornal. "Todos os gerentes sabem o que precisam fazer, e os coordenadores dos projetos sabem todos os marcos".

O maior desafio da nova direção da Petrobrás é aumentar a produção atual de pouco mais de 2 milhões de barris/dia para 3 milhões de barris, até 2015.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Reforma pode ter derrubado prédios no Rio; mortos são 5" 

Defesa Civil investiga se pilar de suspensão foi rompido por obra; 21 pessoas estão desaparecidas

Uma falha estrutural causada por reformas é a principal hipótese para o desabamento de três prédios, no centro do Rio, segundo a Defesa Civil, e especialistas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. O desmoronamento matou ao menos cinco pessoas e deixou seis feridos. Até a conclusão desta edição, havia 21 desaparecidos. As equipes de resgate dizem que há poucas chances de encontrar sobreviventes.

O Estado de São Paulo
"Desabamento no Rio mata 4 e 22 estão desaparecidos" 

Bombeiros passaram o dia vasculhando escombros dos 3 prédios que desmoronaram no centro. Famílias se reuniram a espera de notícias. Causas do acidente são desconhecidas

Quatro corpos haviam sido retirados até as 21h de ontem da montanha de escombros dos três prédios que desabaram na noite de quarta-feira no centro do Rio. Vinte e duas pessoas continuavam desaparecidas. O primeiro corpo encontrado foi o de um homem de 44 anos. Ele estava abraçado a uma carteira de sala de aula. O segundo corpo, de um homem de 73 anos, foi identificado por parentes. Também foi localizado o corpo de uma mulher, não identificada. Dos seis feridos na véspera, cinco foram liberados e uma mulher submetida a cirurgia continuava internada. À medida que passavam as horas, diminuíam as esperanças dos bombeiros de encontrar alguém com vida. "As chances são muito baixas", disse o comandante da Defesa Civil, o coronel Sérgio Simões. Na noite da tragédia, ele falara de bolsões de ar que poderiam fornecer oxigênio para soterrados. O desmoronamento mudou a rotina no centro. O trânsito foi interditado e pessoas usavam máscara para se proteger da poeira. Até a noite de ontem, as causas do acidente eram desconhecidas.

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quinta-feira, janeiro 26, 2012

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Opinião

Reprovado no Enem

José Serra - O Estado de S.Paulo
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza, em 1998, como parte de um esforço para melhorar a qualidade das escolas desse ciclo educacional. Para isso precisava de um instrumento de avaliação do aproveitamento dos alunos ao fim do terceiro ano para subsidiar reformas no sistema. Iniciativas desse tipo também foram adotadas para o ensino fundamental e o universitário. Nada mais adequado que conhecer melhor o seu produto para adotar as terapias adequadas. O principal benefício para o estudante era avaliar o próprio conhecimento.

O Enem é uma prova voluntária e de caráter nacional. As questões são as mesmas em todo o Brasil. Sua expansão foi rápida: até 2002, cerca de 3,5 milhões de alunos já tinham sido avaliados. Note-se que Paulo Renato chegou a incentivar as universidades a levarem em conta o resultado do Enem em seus respectivos processos seletivos. Em 2002, 340 instituições já faziam isso.

Ainda que o PT e seus sindicatos tivessem combatido o Enem, o governo Lula manteve-o sem nenhuma modificação até 2008, quando o Ministério da Educação (MEC) anunciou, pomposamente, que ele seria usado como exame de seleção para as universidades federais, o que "acabaria com a angústia" de milhões de estudantes ao pôr fim aos vestibulares tradicionais. A partir dessa data, dados os erros metodológicos, a inépcia da gestão e o estilo publicitário (e só!) de governar, armou-se uma grande confusão: enganos, desperdício de recursos, injustiças e, finalmente, a desmoralização de um exame nacional.

O Enem, criado para avaliar o desempenho dos alunos e instruir a intervenção dos governos em favor da qualidade, transformou-se em porta de acesso - ou peneira - para selecionar estudantes universitários. Uma estupenda contradição! Lançaram-se numa empreitada para "extinguir os vestibulares" e acabaram criando o maior vestibular da Terra, dificílimo de administrar. A angústia de milhões de candidatos, ao contrário do que anunciou o então ministro Fernando Haddad, cresceu, em vez de diminuir. E por quê? Porque a um engano grave se juntou à inépcia.

Vamos ao engano. Em 2009 o Enem passou a usar a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI) para definir a pontuação dos alunos, tornados "vestibulandos". Mas se recorreu à boa ciência para fazer política pública ruim. A TRI mede a proficiência dos alunos e é empregada no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Sabe) desde 1995, prova que não seleciona candidatos - pretende mostrar o nível em que se encontra a educação, comparar as escolas e acompanhar sua evolução, para orientar as políticas educacionais.

Como o Enem virou prova classificatória, o uso da TRI, que não confere pontos aos alunos segundo o número de acertos (Teoria Clássica dos Testes), renovou a "angústia". O "candidato" não tem ideia de que pontuação lhe vão atribuir porque desconhece os critérios do examinador. Uma coisa é empregar a TRI para avaliar o nível dos jovens; outra, diferente, é fazer dela um mistério que decide seu destino. Na verdade, o "novo" Enem passou a usar a TRI para, simultaneamente, selecionar alunos, avaliar o desempenho das escolas, criar rankings, certificar jovens e adultos que não completaram o ensino médio e orientar o currículo desse ciclo. Não há exame no mundo com tantas finalidade discrepantes.

A Teoria Clássica dos Testes não distingue o acerto derivado do "chute" do decorrente da sabedoria. A TRI pode ser mais apropriada como forma de avaliar o nível da educação, mas como critério de seleção vira um enigma para os candidatos. Os vestibulares "tradicionais", como a Fuvest, costumam fazer sua seleção em duas etapas: uma primeira rodada com testes e uma segunda com respostas dissertativas - que não comportam o chute.

O Enem-vestibular do PT concentrou, ainda, na prova de redação a demonstração da capacidade argumentativa do aluno. Além de as propostas virarem, muitas vezes, uma peneira ideológica, assistimos a um espetáculo de falta de método, incompetência e arbítrio. O País inteiro soube de um aluno, em São Paulo, que recorreu à Justiça e sua nota, de "anulada", passou para 880 pontos - o máximo é mil. Outro, ao receber uma explicação de seus pontos, constatou um erro de soma que lhe roubava 20 pontos. Outros 127 estudantes conseguiram ter suas notas corrigidas. Atentem para a barbeiragem técnica: nos testes, recorre-se à TRI para que o "chute" não tenha o mesmo peso do acerto consciente, mas o candidato fica à mercê de uma correção marcada pelo subjetivismo e pelo arbítrio.

É conhecida também a sucessão de outros problemas e trapalhadas: quebra do sigilo em 2009, provas defeituosas em 2010 e nova quebra de sigilo em 2011. Além disso, os estudantes que, via Justiça, cobram os critérios de correção das redações costumam receber mensagens com erros grotescos de português. Todos nós podemos escorregar aqui e ali no emprego da norma culta. Quando, porém, um candidato questiona a sua nota de redação e recebe do próprio examinador um texto cheio de erros, algo de muito errado está em curso.

Se o MEC queria acabar com os vestibulares, não poderia ter criado "o" vestibular. Se o Enem deve ser também uma prova de acesso à universidade, não pode ser realizado apenas uma vez por ano - prometem-se duas jornadas só a partir de 2013. A verdade é que o governo não criou as condições técnicas necessárias para que a prova tivesse esse caráter. A quebra de sigilo em 2011 se deu porque questões usadas como pré-testes foram parar na prova oficial. O banco de questões do Enem não suporta a demanda. O PT esqueceu-se de cuidar desse particular no afã de "mostrar serviço" - um péssimo serviço!

O ex-ministro Haddad, antes de deixar o cargo, fingiu confundir a crítica que fizeram a seu desempenho com críticas ao próprio Enem, o que é falso. Talvez seu papel fosse mesmo investir na confusão para tentar apagar as pegadas que deixou. O nosso papel é investir no esclarecimento.

José Serra é ex-prefeito e ex-governador de São Paulo

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Três prédios desabam no Rio" 

Até a conclusão desta edição, cinco pessoas haviam sido resgatadas pelos bombeiros e não havia informações de mortes

Três prédios comerciais desabaram ontem por volta das 20h30 no centro do Rio de Janeiro. Até a conclusão desta edição, cinco pessoas haviam sido resgatadas dos escombros pelo Corpo de Bombeiros e não havia informações sobre mortes. O primeiro prédio a cair tinha 20 andares. O segundo, ao lado, 10. Um edifício menor, de 4 pavimentos, foi atingido pelos dois maiores e também desabou.

O Estado de São Paulo
"STF lidera alta de gasto com diárias de viagem no Judiciário" 

Crescimento dessas despesas do Supremo foi de 41%, na contramão do Executivo

O Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou em 41% as despesas com diárias de viagens de ministros e funcionários em 2011. O gasto saltou de R$ 707 mil para pouco mais de R$ 1 milhão em relação a 2010 e foi maior que o promovido por outros órgãos do Judiciário e pelo Ministério Público. No mesmo período, as despesas gerais com viagens da União caíram 35% (R$ 800 milhões). Também houve aumento dos desembolsos com diárias na Justiça Federal, na Justiça Militar e na Justiça do Trabalho, além do Conselho Nacional de Justiça. O Supremo informou que a verba atendeu a pedidos de ministros e servidores em suas atividades de trabalho, além de deslocamento de juízes auxiliares para ouvir testemunhas. Na Justiça Federal e na Justiça do Trabalho, o aumento de gastos em 2011 superou R$ 5 milhões. No Ministério Público da União o crescimento foi maior: R$ 5,2 milhões.

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quarta-feira, janeiro 25, 2012

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Opinião

No reino das boas intenções

O Estado de S.Paulo
O governo Dilma Rousseff viveu na segunda-feira, com a realização da primeira reunião ministerial de 2012, um esplendoroso dia de Poliana, dando uma demonstração para lá de eloquente de que entra no segundo ano da nova administração cheio de boas intenções. Para começar, a presidente assinou decreto que cria uma supersecretaria, destinada a reestruturar o funcionamento do primeiro escalão do governo e a monitorar suas ações, que Dilma definiu com entusiasmo aos seus 38 ministros como um sistema de monitoramento online de todo o governo, "um projeto revolucionário, progressista e indispensável para a verdadeira reforma do Estado".

Na reunião, quem mais falou foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prometeu que o País cumprirá este ano a meta de superávit primário sem reduzir os investimentos do PAC ou outros que, ao contrário, serão reforçados, e ainda capitalizará os bancos públicos e manterá os programas sociais responsáveis pelo fortalecimento do mercado interno. Isso tudo apesar dos substanciais cortes no Orçamento que serão anunciados em meados de fevereiro. Tudo indica, portanto, que, apesar da crise financeira que tira o sono de europeus e norte-americanos, mais uma vez o mundo se curvará diante da pujança econômica brasileira. Tomara.

A Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento está sendo criada para impor novos padrões de eficiência aos Ministérios, especialmente por meio da definição de indicadores de controle das despesas de custeio e da avaliação dos procedimentos administrativos de cada pasta. A partir daí poderão ser adotadas medidas de reestruturação administrativa que implicarão extinção ou criação de novos órgãos. É uma iniciativa louvável, até porque implica a admissão de que os vigentes procedimentos administrativos deixam a desejar, mas não elide o fato de que, ao identificar os resultados dessa má gestão, se estará atacando o efeito e não a causa da notória ineficiência administrativa do governo federal. O motivo pelo qual o governo funciona mal é político. É o resultado de o lulopetismo ter levado ao extremo, sem que Dilma Rousseff se revele minimamente disposta a mudar de rumo, o princípio de que, em troca de sustentação política - a tal da governabilidade -, os partidos aliados ao governo tornam-se condôminos do poder com toda a liberdade para agir de acordo com seus interesses eleitorais e o apetite de suas lideranças.

É interessante imaginar, por exemplo, o que dirá a chefe do governo a seu partido, ou a um partido aliado, na hipótese nada improvável de que, cumprindo os objetivos para os quais está sendo criada, a Secretaria de Gestão Pública constatou que este ou aquele Ministério não está dando no couro. A governabilidade permitirá que alguma providência efetiva seja tomada para corrigir a deficiência?

Por outro lado, chega a ser comovente o otimismo demonstrado por Guido Mantega ao definir o panorama e as perspectivas da situação econômico-financeira do País. Haverá quem diga que isso faz parte do papel do ministro da Fazenda. Pode ser, mas certamente não ao preço de subestimar a capacidade de discernimento dos mortais. Afinal, no exato momento em que a economia global caminha trôpega, os sinais de alarme da economia nacional começam a piscar e as tendências inflacionárias se apresentam, soa no mínimo imprudente o exacerbado otimismo do ministro.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"90% apoiam internação involuntária de viciados"
 

Datafolha revela ampla aprovação ao tratamento forçado de usuários de crack
 
Para 9 em cada 10 brasileiros, um adulto dependente de crack deve ser internado mesmo contra a vontade. Homens e mulheres, de todas as idades, têm praticamente a mesma opinião. O resultado é de pesquisa do Datafolha. O tema é polêmico desde o lançamento do plano federal de combate ao crack, em dezembro, e o início da ação policial na cracolândia paulistana.

O Estado de São Paulo
"Investimento no País cobre rombo recorde nas contas externas" 

Foram US$ 66,7 bi em aplicações produtivas ante US$ 52,6 bi de déficit em transações

Levantamento do Banco Central (BC) mostra que o Brasil recebeu, em 2011, o recorde de US$ 66,7 bilhões em investimentos produtivos. O valor superou em 48% os US$ 45 bilhões previstos originalmente pelo governo e cobriu o déficit de US$ 52,6 bilhões das transações do País com o resto do mundo, o maior desde 1947. Mesmo com a crise internacional, a entrada de recursos superou até mesmo períodos históricos, como nas privatizações ou em 2010, quando o Brasil deixou a crise anterior mais rapidamente que o restante do mundo. Em 2012, no entanto, o quadro não deve se repetir: o BC prevê que o investimento produtivo não será suficiente para cobrir o déficit.

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terça-feira, janeiro 24, 2012

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Opinião

Energia e padrão de vida

O Estado de S.Paulo
Mais de 10 milhões de brasileiros saíram da classe mais pobre nos últimos dez anos e com isso o governo se vê diante de novos problemas - de fato, bons problemas, porque o desafio é garantir o atendimento às demandas de novos e ávidos consumidores. É preciso manter em expansão a oferta de bens de consumo, habitação, saneamento, educação, serviços de saúde, lazer e, como condição para o crescimento econômico, a oferta de energia, principalmente elétrica. Aqueles 10 milhões são parte de um contingente bem maior de pessoas com acesso recente ao mercado de bens duráveis e a confortos típicos da classe média ou, no mínimo, da chamada "classe média remediada". Esse grupo maior é estimado em cerca de 40 milhões de pessoas.

Uma das consequências da incorporação de tanta gente ao mercado consumidor foi o rápido crescimento do consumo de eletricidade. O consumo per capita de energia elétrica aumentou 11,3% entre 2006 e 2010, quase o dobro da expansão populacional no período, como mostrou o Estado em reportagem publicada ontem. Essa evolução é previsível, quando o crescimento econômico é acompanhado de redução da pobreza e de alguma redistribuição de renda. O Brasil continua sendo um país muito desigual, com a segunda maior concentração de renda observada nos países-membros do Grupo dos 20 (G-20). Só é superado, nesse quesito, pela África do Sul. Mesmo assim, a diminuição da desigualdade, acompanhada pela redução da pobreza, foi suficiente para mudar os padrões de consumo e influenciar fortemente a demanda de energia. No ano passado, pela primeira vez a classe E - famílias com renda per capita de até R$ 79 - representou menos de 1% dos 49 milhões de domicílios do País. Mais gente com acesso a aparelhos eletroeletrônicos - geladeiras, televisores, equipamentos de som, etc. - gera uma demanda maior de eletricidade. O mesmo efeito é produzido pelo funcionamento de novos hospitais, escolas e outros núcleos de prestação de serviços.

O efeito do aumento da renda familiar fica muito claro quando se compara a evolução de diferentes tipos de consumo. Entre 2006 e 2010, o consumo total de eletricidade aumentou 16,8%, segundo relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mesmo período, o consumo industrial cresceu 11%, enquanto o residencial se expandiu 26,4%. Isso corresponde a uma taxa média anual de cerca de 6%.

A produção de eletricidade aumentou 21,4% naqueles quatro anos, ritmo suficiente para acompanhar o avanço da economia. Entre 2006 e 2010 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 19,9%, pouco mais que o consumo total de energia elétrica, mas bem menos que a demanda residencial. O consumo por habitante, no entanto, continua muito baixo, inferior até mesmo ao de países de menor desenvolvimento industrial. Em 2010, os brasileiros consumiram em média 2.246 quilowatt/hora/habitante. O consumo deve ter chegado a 2.494 kWh/hab no ano passado. Mesmo assim, permaneceu inferior à média mundial de 2009, de cerca de 2.730 kWh/hab. Naquele ano, os argentinos consumiram em média 2.744 kWh/hab; os chilenos, 3.288; os chineses, 2.631; e os sul-africanos, 4.532 - para citar só alguns exemplos. No Reino Unido, o consumo chegou a 5.693 kWh/hab no mesmo ano e, nos Estados Unidos, a 12.884.

Esses números indicam desafios importantes. Ainda será necessário um enorme esforço para tornar menos desiguais os padrões de consumo. Apesar da redução da pobreza, ainda há muito espaço a ser explorado para a expansão dos mercados. O segundo problema é o dos custos. A eletricidade continua muito cara e isso restringe tanto o crescimento industrial como as possibilidades de consumo.

O custo excessivo é em parte explicável pela tributação muito pesada e, além disso, irracional: é absurdo encarecer um dos insumos mais importantes para a produção. É preciso, além disso, pensar no desafio do planejamento. Estão em construção usinas importantes na Amazônia, mas pouco ou nada se fez para resolver o problema da transmissão. Outro exemplo: apagões frequentes em todo o Brasil. Será possível garantir a oferta de energia com falhas como essas?

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Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"União Europeia suspende compra de petróleo do Irã"
 

Punição tem objetivo de pressionar o país a interromper programa nuclear
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A União Europeia baniu importações de petróleo do Irã com o objetivo de pressionar o país a interromper o seu programa nuclear. Os países europeus também decidiram suspender transações financeiras com o Banco Central de Teerã.

O Estado de São Paulo
"Insatisfeita com gestão, Dilma troca comando da Petrobras" 

Presidente muda o sétimo posto do primeiro escalão indicado por Lula para colocar técnica de sua confiança

A presidente Dilma Rousseff trocou o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, por Maria das Graças Foster, diretora de Gás e Energia da estatal. Técnica de confiança de Dilma, Graça Foster será a primeira mulher a comandar a maior companhia do País e deve manter o foco da gestão na exploração do pré-sal. O anúncio da mudança fez as ações ordinárias da empresa subirem 3,61% e atingir a maior cotação desde maio de 2011. Em sua agenda de prioridades, Graça Foster terá de buscar solução rápida para a contratação de 21 sondas de perfuração, projeto estimado em US$ 70 bilhões necessário à exploração do pré-sal e cuja licitação foi suspensa diante de impasse de quem as construiria. A presidente quer a garantia de produção no Brasil. Gabrielli minimizou a mudança: "É apenas um ciclo que se fecha". Ele é a sétima baixa do primeiro escalão ligada ao ex-presidente Lula.

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segunda-feira, janeiro 23, 2012

Colunistas

A insustentável crise social do pós-neoliberalismo

“O fato é que os governos dos países centrais ainda não tomaram consciência do caráter estrutural da crise. Eles agem como se a crise, sendo puramente financeira, já tivesse sido ultrapassada; entretanto, as medidas keynesianas só criaram uma trégua.”

Márcia Denser
Em toda parte, a direita retomou a ofensiva. Ela se agarra à questão dos déficits orçamentários e à elevação da dívida pública – fingindo não ver que a austeridade orçamentária a favorece, uma vez que transfere o peso da dívida para as classes populares – que não pode senão provocar a recaída numa nova contração da atividade.

Essa é a segunda fase da crise e não será a última. Mas a recessão, elevada a um patamar mais alto, vai gerar um impasse e impor novas políticas, forçosamente voltadas às classes populares – eis a análise do economista francês Gérard Duménil, autor de vários ensaios sobre o sobre o capitalismo contemporâneo, a exemplo de The crisis of neoliberalism (Harvard University), escrito em parceria com Dominique Lévy. Este é um resumo de sua palestra sobre a crise atual, dada recentemente no programa de pós-graduação da Unicamp.

Segundo Duménil, o neoliberalismo é a nova etapa na qual ingressou o capitalismo na transição dos anos 70 e 80, caracterizando uma nova “ordem social”, marcada pelo reforço do poder das classes capitalistas em aliança com a classe dos gestores – sobretudo as cúpulas das hierarquias e dos setores financeiros.

Nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial, as classes capitalistas viram seu poder e sua renda diminuírem na maior parte dos países.

Estabeleceu-se uma ordem “social-democrata”, caracterizada pela conjunção dos seguintes fatores: a crise de 1929, a Segunda Guerra Mundial e o fortalecimento do movimento operário, levando ao desenvolvimento econômico e à melhoria das condições de vida das classes populares – operários e empregados do terceiro setor.

Porém, com o estabelecimento da nova ordem social neoliberal, o funcionamento do capitalismo foi radicalmente transformado: uma nova disciplina foi imposta aos trabalhadores nas condições de trabalho, poder de compra, proteção social, etc., além da desregulamentação (notadamente financeira), abertura das fronteiras comerciais e livre mobilidade dos capitais no plano internacional – liberdade de investir no exterior. Esses dois últimos aspectos colocaram todos os trabalhadores do mundo numa situação de concorrência, quaisquer que fossem os níveis de salário nos diferentes países. Em resumo: com a chegada do neoliberalismo, as formas imperialistas foram renovadas.

Na década de 1990, a explosão dos investimentos diretos no estrangeiro multiplicou o lucro extraído dos países periféricos pelas classes capitalistas do centro. O fato dos países periféricos desejarem receber esses investimentos não muda em nada a natureza imperialista dessas práticas – afinal, os trabalhadores “preferem” ser explorados a ficar desempregados.

Quando, em meados dos anos 90, introduziu-se a interpretação do neoliberalismo em termos de classe, ela suscitou pouco interesse. Mas a explosão das desigualdades sociais deu-lhe razão. Aliás, a especificidade da análise marxista é a ênfase nas classes, mais do que nos grupos sociais. Por outro lado, esse caráter de classe está inscrito em todas as práticas neoliberais, inclusive os “keynesianos de esquerda” agora se exprimem nesses termos. Uma recusa a essa interpretação, no entanto, ainda se mantém; muitos não aceitam o papel importante que se atribui aos gestores na ordem social neoliberal.

A instauração do neoliberalismo, tendo como causas a “crise fiscal” e a inflação, é a explicação da direita: ela faz a defesa dos interesses capitalistas. Ela joga com as inconseqüências dos blocos políticos que dirigiam a ordem social do pós-guerra. Esses foram incapazes de gerir a crise dos anos 70 e prepararam a cama para o neoliberalismo.

Ocorre o mesmo com a explicação que apresenta o neoliberalismo como consequência da globalização. Mas esse argumento inverte as causalidades. O que o neoliberalismo faz é orientar a globalização e acelerar o seu curso, abrindo a via para a “globalização neoliberal”. O movimento altermundialista lutou por “uma outra globalização”, solidária, e não baseada na exploração em proveito de uma minoria.

Para Duménil, a crise atual é uma das quatro grandes crises – todas estruturais – que o capitalismo atravessou desde o final do século XIX: a crise da década de 1890, a crise de 1929, a crise da década de 1970 e a crise atual – iniciada em 2007/2008.

Essas crises são episódios de perturbação com duração aproximada de dez anos (para as três primeiras). A primeira e a terceira dessas crises, as das décadas de 1890 e de 1970 correspondem às fases de queda da taxa de lucro e podem ser designadas como crises de rentabilidade. As duas outras, a de 1929 e a atual, são designadas como “crises de hegemonia financeira” e funcionam como explosões, com interferência direta das classes superiores visando o aumento de sua renda e seus poderes. Todos os procedimentos do neoliberalismo aqui estão acionados: desregulamentação financeira e globalização, sendo esta última o fator chave da crise atual.

Contudo, a crise atual não é uma simples crise financeira. É a crise de uma ordem social insustentável, o neoliberalismo. Essa crise, no centro do sistema, deveria acontecer inevitavelmente, mas ela chegou, de forma peculiar, em 2007/2008, vinda dos Estados Unidos. Dois tipos de mecanismos convergiram: 1) a fragilidade induzida em todos os países neoliberais pelas práticas de financeirização e de globalização (notadamente financeira), motivada pela busca desenfreada de rendimentos crescentes por parte das classes superiores, reforçada pela recusa de regulamentação. O banco central dos EUA, em particular, perdeu o controle das taxas de juros e a capacidade de conduzir políticas macroeconômicas em decorrência da globalização financeira; 2) o efeito da trajetória econômica estadunidense, um percurso de desequilíbrios cumulativos, que os EUA puderam manter devido à sua hegemonia internacional – contrariamente à Europa que, no conjunto, não conheceu tais desequilíbrios.

Desde 1980, o ritmo da acumulação de capital diminuiu no território norte-americano, enquanto cresciam os investimentos diretos dos Estados Unidos no exterior. Paralelamente, houve um déficit crescente do comércio exterior, uma grande elevação do consumo nas classes ricas e um endividamento, também crescente, das famílias da classe média.

De tanto emprestar às famílias, para além da capacidade destas saldarem as dívidas, a inadimplência se multiplicou desde 2006. A desvalorização desses créditos desestabilizou o frágil edifício financeiro, nos EUA e no mundo, sem que o banco central dos Estados Unidos estivesse em condição de restabelecer o equilíbrio no contexto de desregulamentação e de globalização que ele próprio tinha favorecido. Esse foi o fator desencadeador, mas não o fundamental, da crise – uma combinação de loucura neoliberal, globalização e do déficit do comércio exterior nos EUA.

Agora o mundo ingressou na segunda fase da crise e é fácil compreender as razões. A primeira teve seu auge no outono de 2008 – com a queda das grandes instituições financeiras americanas (Lehman Brothers à frente), começou a recessão e a crise se propagou para o resto do mundo. As lições da crise de 1929 foram bem aprendidas. Os bancos centrais intervieram massivamente para sustentar as instituições financeiras (com medo de uma repetição da crise bancária de 1932) e os déficits orçamentários dos Estados atingiram níveis excepcionais. Mas essas medidas keynesianas, estimulando a demanda, tiveram apenas um caráter paliativo, temporário.

O fato é que os governos dos países centrais ainda não tomaram consciência do caráter estrutural da crise. Eles agem como se a crise, sendo puramente financeira, já tivesse sido ultrapassada; entretanto, as medidas keynesianas só criaram uma trégua. Nenhuma medida antineoliberal drástica foi tomada nos países do centro, pois continuam as políticas que visam o reforço da exploração das classes populares.

Nos Estados Unidos, a administração de Barack Obama elaborou uma lei – a Dodd-Frank – para regulamentar as práticas financeiras, mas os republicanos bloquearam completamente sua aplicação. Em outras esferas, como gestão das empresas, exportação, déficits do comércio exterior, nada foi feito. Na Europa, a crise não é identificada como a crise do neoliberalismo. A Alemanha é apresentada como tendo provado a sustentabilidade do caminho neoliberal. A crise é imputada à incapacidade de gestão de certos Estados, notadamente Grécia e Portugal.

Até a segunda metade da década de 1990, o neoliberalismo produziu estragos no mundo, notadamente na América Latina e na Ásia. Mesmo hoje, as taxas de crescimento na América Latina permanecem inferiores às posteriores à Segunda Guerra Mundial, e isso a despeito da diminuição massiva dos salários reais – reduzidos à metade, desde a crise de 1970, em alguns países da região. Na década de 1990, os avanços do neoliberalismo provocaram grandes convulsões, entre as quais, a crise na Argentina em 2001 é um caso emblemático.

Agora, o mundo entrou numa nova fase: nos países centrais, a transição para o neoliberalismo provoca uma espécie de “divórcio” entre os interesses das classes superiores e os do próprio país, como território econômico. O caso dos Estados Unidos é catastrófico: suas grandes empresas investem cada vez mais fora que dentro do país. A globalização levou a um deslocamento da produção industrial para as periferias: Ásia, América Latina, incluindo a África subsaariana.

Quanto aos aspectos políticos mais funestos do neoliberalismo, a aliança na cúpula das hierarquias sociais entre classes capitalistas e classes de gestores logrou, por diversos mecanismos, afastar as classes populares da política cotidiana. Isto é, as afastou dos jogos dos partidos e dos grupos de pressão. Para as classes populares, só restaram as lutas de rua. Vide a ocupação de Wall Street.

Como parte da solução, é preciso trazer de volta os intelectuais e políticos profissionais para as causas populares, que o contexto neoliberal separou – notadamente pelos grandes salários, a exemplo dos “CEOs”, e isto em todas as áreas, sobretudo no contexto do conhecimento e dos saberes construídos. De forma que o sofrimento das classes populares já não sensibiliza o grupo dos gestores, cooptado pelo sistema por remunerações estratosféricas; no plano político, não há mais nenhum grande partido de esquerda no horizonte.

Na França, sabe-se no que se tornou o Partido Socialista, completamente vendido à “globalização” ou neoliberalismo. Algo semelhante poderíamos dizer dos democratas nos Estados Unidos e eu deixo para vocês mesmos julgarem a situação do Brasil a esse respeito.

Isso remete às características daquilo que chamamos “terceira fase da crise”. Quais políticas serão adotadas face à nova recessão? Como será gerida a crise? Uma coisa é certa: essas dívidas não devem ser pagas, o que exige a transferência delas para fora dos bancos ou uma forte intervenção estatal na sua gestão.

Em termos geopolíticos, sem dúvida, eis um texto capital sobre a insustentabilidade social do pós-neoliberalismo em termos geopolíticos, donde se conclui: ou retornam as classes populares ao jogo político ou o mundo irá mergulhar numa recessão sem fim.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

As confusões do Enem

O Estado de S.Paulo
Em resposta à decisão da primeira instância da Justiça Federal do Ceará, que permitiu aos estudantes acesso às cópias das provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação, Fernando Haddad, fez dois comentários infelizes. Depois de classificar a decisão como um "atentado" contra o sistema de seleção unificado das universidades federais, ele disse que as liminares concedidas pelo Judiciário estão levando a máquina administrativa do MEC "à fadiga", inviabilizando a realização de duas provas por ano, como pretendia o governo.

"Não podemos recuar diante dessa covardia que é cometida contra o Exame. Temos de ter coragem de perseverar na direção de consolidar o sistema", disse Haddad, durante o programa Bom Dia, ministro, onde fez um balanço de sua gestão, despedindo-se do cargo. Segundo ele, ao gerar "problemas novos", os recursos interpostos pela Procuradoria da República em favor de estudantes e as decisões favoráveis a eles dadas pelo Poder Judiciário vêm dificultando a implementação das mudanças que prometeu fazer no Enem. Haddad também classificou, textualmente, como "covardia" os problemas causados pelo vazamento de questões por dois funcionários do Colégio Christus, de Fortaleza.

Na realidade, o que o ministro pretendia com essas declarações era eximir-se de responsabilidade pelos problemas que desfiguraram o Enem e comprometeram o sistema de avaliação escolar. Por inépcia do MEC, as edições do Enem de 2010 e 2011 foram marcadas por vários problemas - da falta de um sistema de informática eficiente a denúncias de irregularidades na licitação das gráficas encarregadas de imprimir os cadernos de questões, além de enviesamento ideológico na formulação de perguntas.

A falta de critérios objetivos para a correção dessas provas foi evidenciada em pelo menos dois casos. No primeiro, por um estudante do Colégio Lourenço Castanho, de São Paulo, considerado o melhor aluno de sua turma, que tirou zero na redação do último Enem. Em resposta a um pedido de esclarecimento formulado pela escola, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) alegou que a prova havia sido anulada por "conter impropérios". E, quando o estudante e seus professores solicitaram cópia da prova, o MEC se negou a fornecê-la, mas aumentou a nota de zero para 880 pontos. No segundo caso, uma professora de um cursinho de Campinas, que se inscreveu no Enem de 2011 só para obter o caderno de questões, entregou em branco os cartões de resposta e, mesmo assim, obteve em todas as provas - com exceção da de matemática - notas maiores do que as notas mínimas divulgadas pelo Inep. "Nos dois dias, assinei meu nome, respondi à frase de verificação de presença e dormi", relatou. Ela pediu esclarecimento sobre os critérios de correção e a resposta do MEC veio com erros de português.

Com o precedente aberto pela mudança na nota de redação do aluno do Colégio Lourenço Castanho, outros alunos também pediram ao Inep a reavaliação de suas provas. No início, o órgão se recusou a atender aos pedidos. Em seguida, alterou a nota de redação de 129 candidatos. Na semana passada, o Inep informou que colocará cópias das redações na internet, a partir do Enem de 2012. Além disso, o MEC assinou com o Ministério Público Federal um Termo de Ajustamento de Conduta, comprometendo-se a automatizar os pedidos de vista das provas. Na ocasião, as autoridades educacionais alegaram não ter condição técnica de adotar a medida com relação ao Enem de 2o11. Mesmo assim, na terça-feira, o juiz Luís Praxedes Vieira, da 1.ª Vara Federal de Fortaleza, determinou que o MEC mostre a prova de redação a todos os candidatos que a requererem, o que levou Haddad a afirmar que o Enem estaria sofrendo um "atentado".

Exagero à parte, o que se pode concluir é que a reforma do Enem foi conduzida de modo açodado, a gestão administrativa do MEC é ineficiente e, como reconhecem os especialistas, a correção das provas de redação peca pelo excesso de subjetividade dos corretores e pela falta de critérios uniformes.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Irã ataca diplomacia de Dilma"
 

Porta-voz de Ahmadinejad diz que presidente 'golpeou o que Lula fez' e 'destruiu anos de bom relacionamento'
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Em entrevista à Folha, o porta-voz pessoal do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou duramente o comportamento do Brasil em relação a seu país. Ali Akbar Javanfekr atacou diretamente Dilma Rousseff. "A presidente golpeou tudo o que [o ex-presidente] Lula havia feito. Destruiu anos de bom relacionamento", afirmou ele. 

O Estado de São Paulo
"Desembargadores querem reduzir os poderes do Coaf" 

A estratégia é questionar as leis que definem os limites do órgão rastreador de fortunas ilícitas

A Associação Nacional de Desembargadores (Andes) quer limitar os poderes do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a unidade de inteligência do Ministério da Fazenda que persegue fortunas ilícitas. Irritados com a abertura das contas e movimentações bancárias do universo forense, desembargadores da Justiça preparam o contragolpe, revela Fausto Macedo. Eles miram a Lei 9.613/98 e a Lei Complementar 105/01. A primeira impõe sanções à lavagem de dinheiro e criou o Coaf; a outra, determina que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão ao Conselho “informações de movimento de valores". A Andes aponta a inconstitucionalidade de alguns artigos do conjunto de normas que definem os limites do órgão rastreador. "O que eu pretendo impugnar é a obrigatoriedade de os estabelecimentos bancários fornecerem ao Banco Central e ao Coaf dados relativos às movimentações financeiras sem que haja um motivo justificável", diz Luiz Eduardo Rabello, presidente da Andes.

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domingo, janeiro 22, 2012

Dakkar Rally

Domingueira

Mudando de canal

Sidney Borges
Não tenho lembrança de quanto tempo faz desde que li, pela primeira vez, o termo "reality show". Foi num caderno B da vida, no século passado. Eu morava em Sampa e corria o dia inteiro pra lá e pra cá e quase não saía do lugar.

Na época procurei me inteirar. Não gostei do formato e pensei comigo: jamais perderia tempo vendo algo desse quilate.

Aí chegou o BBB da Globo. Não gosto da programação da Globo. Isso não quer dizer que condene o que lá é feito, tem muita gente que gosta. A maioria dos brasileiros. Como não gosto, não assisto, com exceção de um ou outro jogo de futebol e, eventualmente, o JN.

Conclusão, nunca vi o BBB. E pretendo continuar assim. Mas jamais assinarei qualquer manifesto contra o programa. Se a audiência é grande, que continue no ar gerando lucro para a família Marinho e assunto para o Facebook.

Para mudar de canal basta apertar o botão.

O projeto SOPA, que tramitou no congresso americano e que, resumindo, quer dizer censura na internet, foi pro espaço. Confesso que a possibilidade dele vingar tirou cinco minutos do meu sono. Os Estados Unidos têm um protocolo de liberdade de expressão que, dado o peso do país na comunidade internacional, inibe tentativas totalitárias. 

Quebrando-se tal protocolo não dá para imaginar o que virá. Sem liberdade a vida não floresce, a criatividade cessa e o sonho acaba. Sou contra isso!

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Rabiscos...

Crônica

Emoções eu vivi

Luiz Fernando Veríssimo (original aqui)
De todas as histórias que estão vindo à tona depois do acidente com o Costa Concordia, a minha favorita é a da moça que estava dentro de uma caixa, presumo que participando de um número de mágica, quando se deu o choque com as pedras e o navio começou a adernar. Não sei se ela era ajudante do mágico ou se tinha sido convocada da plateia para entrar na caixa.

Na verdade, como não me lembro onde li a história e não ouvi mais nada a respeito, não posso garantir que não a esteja imaginando.

Mas pense no que teria passado pela cabeça da moça dentro da caixa. Era para ela desaparecer e, provavelmente, reaparecer dentro de outra caixa. E de repente sente que está sendo deslocada dentro daquele espaço apertado, que está realmente sendo transportada para outro espaço, talvez para outra dimensão, da qual pode nem voltar se a mágica não der certo.

E imagine o alívio dela quando consegue sair da caixa e ver que todo o mundo está deslizando, junto com pratos e copos. Ufa. De volta à normalidade, pensa ela, antes de também começar a deslizar.

Muita gente que não estava lá tem histórias para contar das suas experiências em navios, e está aproveitando o desastre para contá-las. Eu, modéstia à parte, tenho várias. Minha mãe não gostava de avião, o que significa que a família tem um longo passado marinheiro.

Estávamos no primeiro navio que saiu de Nova York para a America do Sul no fim da Segunda Guerra Mundial. Um pequeno cargueiro argentino que corcoveava sobre as ondas. A viagem levou um mês, no qual passei uma semana vomitando e três aproveitando a aventura.

Durante anos fomos fregueses dos navios da Moore McCormick na linha Rio-Nova York-Rio, e a melhor lembrança que guardo deles é das cinco refeições por dia, não contando o caldinho quente no meio da manhã e o lanche no fim da noite.

Cruzamos de Southampton para Nova York no United States, na época o maior do mundo. E — não podia deixar meus dezessete leitores sem esta informação fascinante — fiz aniversário três vezes em alto-mar. Não sei qual é o recorde mundial.

O que tudo isso tem a ver com o desastre do Costa Concordia? Absolutamente nada. As maiores emoções em todas estas viagens eram os ensaios para emergências, que serviam para as pessoas se fotografarem vestindo coletes salva-vidas. E os céus estrelados, os peixes-voadores e, claro, o caldinho quente no meio da manhã.

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