sábado, abril 09, 2011

Tia Lúcia e Tio Zéquinha

Sabadices

Enquanto isso...

Sidney Borges
Enquanto o dólar desce rolando a escada abaixo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, balança. Se a moeda do Império estacionar, ou subir, o Ministro continua ministro. Caso contrário cai como as pedras que Galileu largou do alto da Torre de Pisa. Clara é a insustentável leveza do ser político que não tem voto. Um tremor quase imperceptível na escala Richter pode pôr tudo a perder. Será que esse "pôr", significando colocar, ainda tem acento? Com tantas coisas a serem reformadas por que será que tinham que reformar a língua brasileira, já que em Portugal escreve-se - e, imagino, - pensa-se - de forma tão diferente que ouso separar os idiomas.

Quando o avião da Air France sumiu na rota Rio-Paris, em 31/05/2009, a imprensa produziu toneladas de hipóteses. As turbulências que ocorrem com frequência na região foram apontadas como uma das causas possíveis. A tese ganhou corpo e por pouco não foi declarado que o avião foi derrubado pelo encontro de frentes de temperaturas diferentes. Os escribas esqueceram-se de que todos os dias, desde meados dos anos da década de 1940, centenas de aviões atravessam a região. Sem problemas.

Eu não sei o que derrubou o Airbus, ninguém sabe, é possível que as caixas-pretas (será que ainda têm hífen?) sejam recuperadas e o mistério solucionado.

O caso do "Massacre do Realengo" também é palco de hipóteses diversas. Tenho achado a cobertura do caso cansativa. Penso ser perda de tempo remoer e repercutir o ato vil. É um caso sem solução, o assassino levou com ele o porquê. Que ninguém imagine que eu seja contra a divulgação dos fatos. Tenho reservas quanto ao apelo emocional. Exagerado. Repetição da mesma nota.

O que faz com que alguém saia por aí atirando em desconhecidos? Pergunta difícil. Não arrisco palpitar. Se me fosse dado falar aos jovens eu aconselharia que poupassem os fracos. Comprimir uma mola é armazenar energia potencial. Um descuido na liberação e lá vem encrenca...

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Opinião

A real ameaça chinesa

O Estado de S.Paulo
Se, para alguns setores produtivos, falar em desindustrialização ainda soa como exagero, para outros, a suspensão da produção em razão da incapacidade de competir com fornecedores estrangeiros deixou de ser simples ameaça. Em alguns segmentos da indústria, mais de 80% das empresas deixaram de fabricar e se tornaram importadoras, pois tudo o que vendem aqui é comprado lá fora. É mais barato importar, sobretudo produtos fabricados na China, do que continuar produzindo.

É rápido o avanço dos produtos importados no mercado brasileiro. Provêm do exterior de 20% a 25% dos bens acabados, matérias-primas e produtos intermediários consumidos no País. Em 2010, o Brasil foi o país que mais aumentou as importações. Em volume, as importações cresceram mais do que as exportações, mas, mesmo assim, o País registrou um saldo comercial expressivo por causa dos preços recordes dos produtos agrícolas e dos minérios.

Um país exportador tem sido fonte de problemas crescentes para o setor industrial brasileiro - a China. Ela tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. A corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 55 bilhões em 2010, tendo o Brasil conseguido um saldo de US$ 5 bilhões, graças às exportações de US$ 30 bilhões, asseguradas pela demanda chinesa continuamente crescente de bens primários e do alto preço desses itens.

Mesmo assim, a entrada de produtos industrializados chineses no mercado brasileiro aumenta velozmente, tornando feroz a competição aqui dentro. Para algumas empresas, a disputa já provoca grandes estragos. Reportagem do jornal Valor, publicada terça-feira, deixa claro que, em alguns segmentos, como válvulas industriais, elevadores e ferramentas, as empresas deixaram de produzir e passaram a importar, o que as levou a reduzir o número de empregados.

Em alguns casos, como o de válvulas padronizadas e de baixo valor agregado, o preço do produto chinês colocado no Brasil é 60% menor do que o do similar brasileiro. "Com essa diferença de preços, as empresas brasileiras não conseguem concorrer", diz o industrial Pedro Lucio, presidente da câmara setorial de válvulas industriais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O problema é o mesmo para os fabricantes de ferramentas simples, como martelos, chaves de fenda e alicates. Nesses casos, o produto chinês é de 50% a 70% mais barato do que o brasileiro. Há três anos, os produtos importados correspondiam a 10% do mercado; hoje, já são quase um terço, e a maioria vem da China.

São conhecidas as principais causas da perda de competitividade do produto brasileiro diante do chinês. A taxa de juros no Brasil é uma das mais altas do mundo, e na China ela é negativa. Aqui, a carga tributária é de cerca de 40%, e na China, de 20%. Enquanto o real alcança seu valor mais alto em vários anos em relação ao dólar, a moeda chinesa, o yuan, é mantida artificialmente desvalorizada em relação à americana, o que torna ainda mais competitivos os produtos chineses. O Brasil procura observar com rigor todas as regras internacionais de comércio, mas a China muitas vezes as burla. E a infraestrutura brasileira voltada para as exportações é muito menos eficiente do que a chinesa.

Outra grande diferença na forma como cada um dos dois países conduz o relacionamento bilateral é que a China sempre soube o que quer do Brasil, como sabe o que quer de outros fornecedores e clientes, dos quais depende para assegurar o suprimento dos bens de que necessita para sustentar seu crescimento e o mercado para seus produtos. O governo brasileiro, ao contrário, manteve, até recentemente, uma visão ingênua a respeito desse relacionamento, considerando a China um parceiro estratégico que merecia até o reconhecimento, feito pelo ex-presidente Lula, como economia de mercado, o que lhe facilitaria ainda mais acesso aos mercados de outros países. Com a visita que fará à China a partir de segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff, que não parece endossar essa visão ingênua, terá oportunidade para negociar com o parceiro asiático as bases de um relacionamento comercial mais equilibrado.

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Manchetes do dia

Sábado, 09 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Atirador fez mais de 60 disparos contra alunos"

Segundo polícia do Rio, assassino recarregou arma 9 vezes e atirou a esmo

O atirador que matou 12 alunos numa escola do Rio fez mais de 60 disparos com revólver usado no ataque e o recarregou nove vezes. Wellington Menezes de Oliveira portava outra arma, com a qual efetuou poucos disparos, segundo a polícia. O delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios, disse que Oliveira atirou a esmo nas salas. A polícia informou que tenta recuperar os arquivos do computador, achado queimado na casa dele, e que foi pedida a quebra de seu sigilo telefônico.

O Estado de São Paulo
 "Dilma se opõe a aumento da gasolina"

Após Petrobras aventar reajuste, Lobão diz, em nome da presidente, que preço não terá alta, a não ser que petróleo suba 'muito'

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) afirmou que a presidente Dilma Rousseff é quem mais freia a eventual reajuste dos preços da gasolina: "Ela não quer o aumento". A possibilidade fora aventada pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Segundo Lobão, a empresa tem pleiteado o reajuste sob a justificativa de que os preços não sobem há nove anos e a última alteração ocorreu há dois anos, mas para baixo. O ministro admitiu, no entanto, que, se a cotação do barril de petróleo ultrapassar "muito" os níveis atuais, o reajuste será inevitável. Entretanto, Lobão não quis dar um valor exato. "A Petrobras imaginava que, se o petróleo chegasse a US$ 105, teria de haver reajuste. Mas estamos a US$ 120 e não houve”. Para analistas, porém, a declaração de Lobão e apenas uma demonstração política da disposição de Dilma em comer a inflação, às vésperas de um anúncio de reajuste da Petrobras. 

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sexta-feira, abril 08, 2011

Pinguinices

Ô, Ô, Ô, Ôôôôô...

Coluna do Celsinho

Maquiavel

Celso de Almeida Jr.
Estranhíssima a formação do Convention & Visitors Bureau de Ubatuba sem um prévio diálogo com o Sindicato de Hotéis e a Associação Comercial, entre outros. Afinal, originalmente, o organismo recém-criado é um núcleo de empresas e entidades ligadas aos setores de turismo, transportes, comércio, indústria e serviços da cidade.

Vale a reflexão...

Por aqui, município pequeno, todos se conhecem.

Especialmente os representantes de classe, os secretários municipais e, claro, o prefeito.

Lamento esta falta de diálogo.

Temos tudo para organizar o município.

Gente capacitada não falta.

Ausente, realmente, é a percepção de que precisamos unir forças para avançar.

Respeito, também, é ingrediente que deveria estar presente.

Como se cria um organismo dessa envergadura sem o envolvimento das instituições que sempre se destacaram na luta pela profissionalização de nosso turismo?

Francamente...

Não somos mais crianças ou adolescentes.

Deles, realmente, atitudes precipitadas são perfeitamente toleráveis.

Agora, a correria para cumprir tabela, agradar representante de federação, buscar projeção em instâncias distantes são ações maduras?

Ou são gestos que, no fundo, ocultam outros objetivos?

Prezado leitor, leitora querida...

O voto legitima um cidadão a nos representar.

Não garante, porém, que suas ações serão sempre acertadas.

Para auxiliar na correção de rumo, os diversos poderes, a imprensa, as vozes organizadas da sociedade devem sempre apontar melhores caminhos.

E, por conhecer os atores envolvidos, nutro a esperança de uma solução equilibrada e eficaz, minimizando possíveis conflitos entre lideranças do empresariado.

Dividir para governar é pensamento de Maquiavel que, tudo indica, será estratégia presente na eleição que se aproxima.

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Opinião

Caminhos para vencer a miséria

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
Continua a provocar discussões sob vários ângulos a declaração da presidente Dilma Rousseff há poucos dias, em Belo Horizonte, de que será difícil erradicar totalmente a pobreza do País em quatro anos de seu mandato - um dos objetivos que apresentara enquanto candidata. Segundo o noticiário, dizia o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) naquele momento que o número de pobres (renda per capita mensal de até R$ 140) caíra, entre 2003 e 2009, de 30,4 milhões de pessoas para 17 milhões. O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, comentava, a propósito (Estado, 29/3), que "a erradicação é inatingível" e seria "mais realista" pensar em reduzir à metade o contingente atual de pobres. Desde o início do Plano Real, a queda já fora de 67%; em oito anos do governo Lula, de 50,6%; e mesmo se até 2014 se reduzir o índice de pobres de 15,3% para 8,6%, ainda teremos 16,1 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza (R$ 142 mensais).

O custo para erradicar totalmente a miséria, estimou Marcelo Neri, ficaria em R$ 22 bilhões anuais - o que trouxe de volta críticas já ouvidas em outros momentos, de que para ter esses recursos bastaria reduzir a "bolsa-banco", os mais de R$ 150 bilhões que o governo federal paga anualmente de juros da dívida, a investidores de outros países ou mesmo daqui, que tomam empréstimos fora para aplicar internamente, beneficiando-se da taxa anual de juros próxima de 12% (quando nos países industrializados está pouco acima de zero). Hoje o custo do Bolsa-Família está em R$ 1,22 bilhão por mês, ou menos de R$ 15 bilhões/ano, cerca de dez vezes menos que a despesa com aqueles juros.

Discussão difícil. Para conceder agora 19,6% de aumento aos 12,9 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família (que reúnem cerca de 40 milhões de pessoas) e "tirar da miséria mais 500 mil famílias cadastradas" - conforme relatou neste jornal Marta Salomon (3/3) - o governo federal fará cortes de R$ 340 milhões em vários outros programas sociais, segundo crítica da senadora Lúcia Vânia (O Popular, 19/3). O ProJovem, por exemplo, que só atende 3,5 milhões dos 55 milhões de jovens possíveis beneficiários, perderá R$ 34,3 milhões; ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil só restarão R$ 250 milhões; R$ 6,21 milhões foram cortados do programa de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças; o sistema que protege o adolescente em conflito com a lei perde R$ 2,5 milhões; o Fundo Nacional de Assistência Social terá um corte de 10% nos gastos opcionais; além da redução de R$ 1,5 bilhão no orçamento do Ministério da Justiça para o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania e para combate a drogas. Sem falar em menos verbas para o Minha Casa, Minha Vida.

E tudo isso sem entrar num terreno ainda mais complicado, que é o da discussão sobre o que seria "nível abaixo da pobreza". Ainda na semana passada (29/3), o caderno Estadão.edu publicou entrevista da reitora da Universidade Harvard, Drew Faust, dizendo que naquela instituição os alunos de famílias com renda anual abaixo de US$ 60 mil (cerca de R$ 100 mil) não pagam anuidade. Aqui, R$ 100 mil/ano é um nível de renda que já situaria as famílias nos estratos mais altos da sociedade, pois a renda média dos que trabalham não chega a R$ 2 mil mensais.

A discussão pode, porém, observar outros parâmetros. Para os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o nível da miséria está nas famílias com renda abaixo de US$ 2 por dia, ou cerca de R$ 3,40, em torno de R$ 100 mensais. Nesse nível inferior, diz o Programa de Metas para o Milênio, ainda vivem cerca de 850 milhões de pessoas no mundo; 2,5 bilhões não dispõem de saneamento básico e 23% das pessoas "defecam ao ar livre". E vai piorar, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO): até 2025 cerca de 1,8 bilhão de pessoas enfrentarão problemas muito graves de abastecimento de água (teremos mais 80 milhões de consumidores por ano).

Nosso panorama, nessa área, não consola. Segundo o IBGE, 56% dos domicílios brasileiros, com mais de 100 milhões de pessoas, não são ligados a redes de coleta de esgotos (e só 29% dos esgotos coletados recebem algum tratamento); quase 10% dos domicílios não recebem água tratada. Já o Atlas Brasil, editado pela Agência Nacional de Águas (ANA), informa (Estado, 21/3) que perto de 55% dos municípios brasileiros enfrentarão problemas de escassez de água até 2025. E o País precisa investir R$ 22,2 bilhões para evitar o risco de colapsos. Já o investimento total em água e esgotos é calculado em R$ 70 bilhões, para suprir as atuais deficiências e atender a mais 45 milhões de pessoas até aquela data. Os Ministérios do Planejamento e das Cidades contestaram as informações do Atlas. Mas a discussão não prosseguiu. Poderia ter entrado também pelo terreno do desperdício de água nas redes de abastecimento das cidades brasileiras, calculado na média em 40% do que sai das estações de tratamento - o que implica perdas de R$ 7,4 bilhões anuais para as empresas distribuidoras, segundo este jornal (8/3).

Sem negar nenhum avanço da última década, ainda assim, sejam quais forem os critérios da discussão do tema da pobreza interna, temos enormes avanços por fazer, para reduzir as taxas de desemprego, o emprego informal, o baixo nível de rendimento da maioria da população, os baixos níveis educacionais, o altíssimo desemprego entre jovens e a alta participação deles nos índices de violência.

É salutar que a presidente da República não se embale em fantasias e admita que ainda são e serão muitas as pedras no caminho da erradicação da pobreza. Mas também é vital que, na concepção das macropolíticas, os avanços na área social não se façam à custa de outros programas sociais decisivos. É possível cortar em áreas mais privilegiadas.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Ex-aluno mata 12 estudantes, na pior tragédia em escolas do país"

Assassino entrou em colégio no Rio com dois revólveres; após a chacina, foi atingido por um policial e se matou

Em um massacre sem precedentes no país, um ex-aluno de uma escola municipal de Realengo (zona oeste do Rio) entrou ontem pela manhã com duas armas no local, matou dez meninas e dois meninos, feriu 12 e se suicidou. As vítimas tinham entre 12 e 15 anos. Wellington Menezes de Oliveira, 23, chegou à escola com dois revólveres e um cinto com munição. O colégio promovia um ciclo de palestras com ex-alunos para comemorar os 40 anos.

O Estado de São Paulo
 "Massacre no Rio"

Ex-aluno mata 10 meninas e 2 meninos em escola;
Três crianças estão em estado grave;
O atirador, que morreu, deu mais de 100 tiros

Um crime bárbaro chocou o Brasil ontem. Em cerca de 15 minutos, o ex-aluno de uma escola municipal do Rio invadiu o local, deu mais de cem tiros e matou dez meninas e dois meninos, de 12 a 15 anos. Wellington Menezes de Oliveira, o assassino, tinha 23 anos. Ele entrou numa sala de aula, anunciou que faria "uma palestra" e atirou na cabeça das crianças que estavam nas primeiras mas, com um revólver calibre 38. Em seguida, foi para outra sala - segundo alunos, ele mandava que os meninos fossem para a parede e, mesmo diante das súplicas, Wellington atirou nas vítimas. Ele se matou com um tiro na cabeça, depois de ter sido atingido na perna por um policial. Quem o conhecia disse que Wellington era introspectivo, não se envolvia em confusão e não desrespeitava ordens.

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Bicicleta fantasma

Neste local um ciclista morreu atropelado.

quinta-feira, abril 07, 2011

Pois é...

Pontos fora da curva

Sidney Borges
As estatísticas mostram que em cada 300 mil nascimentos vem ao mundo alguém com dotes especiais de beleza. Pessoas que poderão ganhar a vida usando a imagem, como acontece com modelos e atores. Numa escala bem mais rara, nascem gênios que descobrem coisas importantes, como Fleming e Sabin. Mais raros ainda são aqueles que mudam nossas concepções do universo, como Newton e Einstein.

Se existem pontos fora da curva que podem ser caracterizados como positivos, há também os negativos.

De vez em quando nasce alguém com alguma falha grave, não perceptível por pais, professores e médicos. Alguém aparentemente normal que um dia pega uma arma e comete um desatino, como temos visto acontecer nos Estados Unidos com relativa frequência e acaba de acontecer no Rio de Janeiro.

Um rapaz de 23 anos entrou em uma escola, matou 13 crianças e feriu outras 18 antes de dar um tiro na cabeça.

Como explicar racionalmente uma atitude dessas?

Melhor não dar muito destaque para não estimular cópias. Só nos resta lamentar e lembrar que o homem é um animal em construção. Mas antes da obra terminar temos de conviver com espécimes perigosos.

Se as ações humanas não acabarem com a humanidade, talvez em alguns milhões de anos a espécie melhore.

Mas certamente isso vai demorar milhões de anos.

Como disse um dia Fernando Pessoa, o homem é um cadáver adiado. Eu acrescento, cadáver adiado, defeituoso e cheio de pretensão.

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Homem, trabalho em construção...

Política

Dilema

Merval Pereira no Blog do Noblat 
Estão nas próprias explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para não adotar medidas mais drásticas para conter a valorização do real, as razões do seu descrédito junto ao mercado financeiro, que prevê para hoje o dólar abaixo de R$ 1,60.

Disse Mantega que prefere errar para menos do que para mais, para não provocar efeitos colaterais que prejudiquem o crescimento da economia.

O governo está em uma sinuca de bico, na explicação do próprio ministro: se restringisse muito a tomada de crédito no exterior, poderia afetar investimentos; quer diminuir o consumo, mas sem reduzir o investimento.

A sensação generalizada, depois de uma tarde nervosa em que se especulou de tudo, até mesmo de controle de entrada de capitais após a liberação envergonhada do FMI, foi que "a montanha pariu um rato", na definição de um operador do mercado.

Ninguém acredita que a ampliação da cobrança para 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os empréstimos de bancos e empresas brasileiras no exterior com prazos menores do que 720 dias (dois anos) vá surtir efeito para segurar a entrada de dólares no país.

Ainda mais depois da melhoria da nota de risco do país pela agência Fitch. A situação do governo foi definida mais claramente pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que falou em um desafio de vencer a inflação sem promover recessão.

Também Coutinho, visto pelo mercado como o Plano B do governo para a sucessão de Mantega, quer uma "calibragem coordenada" dos instrumentos econômicos para "reduzir o ritmo de aumento da demanda sem prejudicar o ciclo de investimentos e o desenvolvimento da economia brasileira".

O dilema do governo está todo sintetizado nesta frase: não se quer reduzir a demanda, mas o ritmo de seu aumento.

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Opinião

TV pública é TV laica

Eugênio Bucci - O Estado de S.Paulo
Na área desalentadora das emissoras públicas e estatais, acaba de surgir uma notícia que não é puro ranger de dentes: a TV Brasil promete que vai suspender a transmissão de missas católicas e cultos evangélicos. Aleluia, cidadãos!

Tirar uma celebração religiosa da TV brasileira será um pequeno milagre. É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que uma missa sair da grade de uma estação de TV no Brasil. Em verdade vos digo: as religiões, algumas fanáticas, outras meramente formais, não são apenas o ópio dos radiodifusores; elas são o bezerro de ouro - e ponha ouro nisso - de boa parte dos canais de rádio e TV, sejam eles públicos ou privados, com fins de lucro.

Até aí, nada de novo sob o sol. É assim desde o princípio dos tempos televisivos. Agora, porém, o anúncio da TV Brasil pode indicar mudanças no horizonte. Uma tendência que parecia eterna poderá ser invertida. Ao menos é o que parece. Se de fato as igrejas saírem do ar, nem que seja numa única estação, teremos razão para um júbilo moderado.

Será uma glória, ainda que modesta. Em nosso país, religião e radiodifusão guardam laços antigos, quase pétreos, e a presença de pregadores na tela só faz aumentar. Basta olhar a paisagem. Diversas emissoras públicas, em uma ou outra beirada da sua grade, têm lá uma pregação católica regular. Um exemplo é a TV Cultura de São Paulo, pertencente à Fundação Padre Anchieta, que cultiva a tradição de transmitir a missa de Aparecida. A distorção não para aí. Ela se espalha pelos domínios das emissoras comerciais, que são a grande maioria. A Globo, aos domingos, pouco antes das 6 da manhã, transmite em São Paulo a Santa Missa, estrelada pelo padre Marcelo Rossi.

Sim, é apenas uma missa. Mas há casos mais graves, bem mais graves. Na Rede Record é difícil fazer os olhos não tropeçarem num bispo ou num pastor a cada hora - as bênçãos estão para a Record assim como os sorteios e loterias estão para o SBT. Daí para a frente, zapeando pela TV aberta, constatamos que a grande maioria das estações e das redes, ao menos uma vez por semana, abre as antenas para a propaganda religiosa, boa parte dela dirigida a captar doações do fiel telespectador.

O "mercado da fé" cresce sem parar. Proliferam aceleradamente as emissoras vinculadas a esta ou àquela igreja. Tele-evangelistas prosperam como radiodifusores abastados. O cenário desola, em oposição ostensiva aos ideais democráticos e republicanos.

Esse ponto, o dos ideais democráticos e republicanos, é o mais sério. É também o mais desprezado: políticos e legisladores - principalmente os comprometidos até a alma com o gigantesco negócio dos teletemplos - fazem questão de ignorá-lo. Por isso mesmo, é fundamental que tratemos dele. Emissoras, públicas ou privadas, quando conduzidas por interesses ou critérios religiosos, contrariam as premissas do Estado laico e, mais ainda, afrontam a Constituição federal. Estão pecando contra as leis dos homens, por assim dizer, e constrangendo a liberdade religiosa dos cidadãos.

À primeira vista, a afirmação parece um paradoxo, mas paradoxal é a situação que está aí. Alguém desavisado pode imaginar que a liberdade religiosa deveria permitir que cada religião fosse dona da sua própria rede de radiodifusão, mas não é assim que deve ser. É justamente o oposto. Para que todos tenham liberdade de culto as emissoras não podem estar a serviço de culto nenhum. Estações de rádio ou TV controladas por igrejas não ampliam, mas confinam a liberdade religiosa.

O raciocínio é muito simples. A radiodifusão é serviço público - nos termos da própria Constituição - e, como tal, assim como não pode estar a serviço de um partido político, não deveria servir a uma igreja. O Estado - e os serviços públicos por ele assegurados - deve ser laico. Não porque ele, Estado, queira propagar o ateísmo, mas porque, ao abraçar uma religião em particular, estaria oprimindo as outras. Só há a liberdade religiosa se o Estado não tiver religião alguma. Tanto é assim que a Constituição nos garante, em seu artigo 19: "É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público".

Como serviço público - que só pode ser prestado por particulares mediante concessão pública -, a radiodifusão deveria observar o mesmo princípio - principalmente a radiodifusão pública. A veiculação semanal de cultos numa televisão do Estado é uma apostasia, uma heresia, um escândalo, um pecado mortal. Por que uma ou duas religiões viriam na frente das demais? Por que promovê-las com recursos públicos em detrimento das outras?

É nesse contexto, atrasado e antidemocrático, que devemos louvar a decisão da TV Brasil, que foi noticiada por este jornal em 29 de março, em reportagem de Wilson Tosta (EBC decide suspender programas religiosos). Conforme relata o repórter, o Conselho Curador da instituição decidiu substituir o culto evangélico e a missa católica por uma programação que dê lugar às outras crenças, não como pregação, mas como debate e informação. Datada de 24 de março, a decisão tem seis meses para ser posta em prática. Oremos, ou seja, tomara que dê certo.

Por quatro anos, três meses, vinte dias e duas horas, fui presidente da Radiobrás - a empresa pública que deu origem à atual Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Durante a minha gestão havia uma missa dominical na TV Nacional de Brasília, que pertencia à Radiobrás. Não tive o engenho, a sustentação política e a graça para tirá-la do ar. Era difícil demais. Se a direção da EBC conseguir fazê-lo, deixo aqui meu testemunho, terá sido um feito bíblico.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Petrobras agora admite que gasolina pode subir"

Estatal vinha descartando repasse da alta do petróleo; para Mantega, não há aumento previsto

Em mudança de discurso, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli disse que em SP que, se o preço do petróleo continuar no patamar atual, haverá reajuste nos combustíveis no país. Em Brasília, o ministro Guido Mantega afirmou que não há previsão de alta.

O Estado de São Paulo
 "Governo amplia IOF para conter dólar"

Imposto incidirá sobre empréstimos de prazo mais longo no exterior; Mantega diz evitar medidas 'drásticas' por causa de 'efeitos colaterais'

Preocupada com a valorização do real e com o aumento do crédito no País, a Fazenda decidiu estender a cobrança de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para todos os empréstimos tomados fora do País com prazo inferior a dois anos. A medida tem como objetivo reduzir a entrada de dólares e, com isso, evitar uma alta ainda mais forte do real. O ministro Guido Mantega negou que esteja adotando soluções a conta-gotas, mas admitiu que está evitando “tomar medidas mais drásticas", porque elas “têm efeitos colaterais". O anúncio da nova medida, quando o dólar esteve prestes a romper a marca de R$ 1,60, evidenciou a estratégia do governo de defender pisos informais para o câmbio. O padrão de sempre o mesmo: quando o dólar ameaça ultrapassar uma taxa considerada simbólica, a equipe econômica acena com novas medidas e, algum tempo depois, ações são efetivamente acionadas.

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quarta-feira, abril 06, 2011

USA

Será que o pessoal da fila concorda?

Política

Comissão aprova candidaturas avulsas para prefeitos e vereadores

Folha.com
Na véspera de encerrar seus trabalhos, a comissão de reforma política do Senado aprovou nesta quarta-feira as candidaturas avulsas para prefeitos e vereadores.

Com a mudança, os candidatos aos dois cargos não precisam ser filiados a partidos políticos para disputarem as eleições --mas precisam coletar o apoio de 10% dos eleitores do município para que tenham as candidaturas avalizadas pela Justiça Eleitoral.

A mudança dividiu os integrantes da comissão, que por maioria decidiram testar o modelo das candidaturas avulsas nas eleições municipais --sem estendê-lo para os demais cargos.

Em uma sessão rápida, que durou menos de uma hora, a comissão optou por não mudar alguns dos principais temas polêmicos do sistema eleitoral brasileiro.

Por maioria, os senadores mantiveram o atual modelo de fidelidade partidária e domicílios eleitorais --que obriga ao candidato a ter domicílio eleitoral no município pelo menos um ano antes do pleito, assim como deve estar filiado a um partido no mesmo prazo.

Também não houve mudanças no que diz respeito à fidelidade partidária. A comissão vai convalidar as regras estabelecidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que determinam que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato. No modelo em vigor, se o filiado deixar a sigla, perde o mandato --que deve ser devolvido ao seu partido.

A exceção vale para quem sair com o objetivo de criar um novo partido, fusão ou incorporação da sigla, se houver desvio do programa partidário ou grave discriminação pessoal. A brecha foi usada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para anunciar sua desfiliação do DEM --uma vez que vai criar o novo partido PSD.

Como não haverá mudanças, a comissão não discutiu a criação de uma "janela" (prazo) para que o filiado troque de partido --reivindicação do PMDB. "Exceto o PMDB, ninguém mais quer janela. Por isso devem ser mantidas as regras que o TSE estabeleceu", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

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Nota do Editor - Ainda é cedo para contar com o ovo, mas se a coisa for adiante a árdua tarefa de colecionar partidos para dominar o cenário terá sido trabalho inútil. Algo como dar nó em fumaça. (Sidney Borges)

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Família

Obama entre os avós, em 1981/1983. Notável o ar de confiança do garoto.

Mundo

Informação no século XXI

Carlos Fuentes - La Nacion, 31
Entramos no século 21 com uma constatação: o crescimento econômico depende da qualidade da informação e esta da qualidade da educação. O lugar privilegiado da modernidade econômica é ocupado pelos criadores e produtores de informação, mais do que produtos materiais. O cinema, a televisão, as indústrias da comunicação e as produtoras de ferramentas e equipamentos processadores de informação, estão atualmente no centro da vida econômica mundial. Os ricos de antigamente produziam aço. Os ricos de hoje produzem equipamentos eletrônicos.

Bill Clinton nos lembra que ao assumir a presidência dos EUA em 1993, havia somente cinquenta websites. Ao deixar a Casa Branca, oito anos depois, havia 350 milhões. Juan Ramón de la Fuente, ex-Reitor da Universidade Nacional Autônoma do México, nos lembra, por sua vez, que atualmente circulam na internet cinquenta bilhões de mensagens por dia. Pioneiro, em 40 anos, o rádio conseguiu juntar 50 milhões de ouvintes. A televisão, desde 1950, juntou um número igual de telespectadores. Mas em apenas cinco anos, a Internet atingiu a soma que o rádio levou quarenta anos e a televisão, mais meio século. Em 2000, havia 300 milhões de usuários de Internet. Hoje, existem 800 milhões.

Por um lado, as escolas perdem o monopólio da educação e, por outro, a imprensa perde o monopólio da informação, mas também, se manter informado no longo período pós-escolar e pós-universitário é um dever e um direito, inseparáveis do exercício da cidadania e esse direito, esta obrigação, são também da nossa imprensa. A informação também está em crise, mas talvez seja uma crise de crescimento, que expande novos meios de comunicação, mas não sacrifica os anteriores. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Opinião

Um golpe para Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial (05/04)
A Polícia Federal (PF) levou nada menos de 6 anos para confirmar que o esquema petista de pagamentos ilícitos a políticos conhecido como mensalão, trazido à tona em 2005, não é a "farsa" de que fala cinicamente o ex-presidente Lula, mas um fato objetivo, documentado e que não comporta mais de uma interpretação. Assim não fosse, o Supremo Tribunal Federal (STF) não teria aceito praticamente na íntegra a denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os 40 membros da "organização criminosa" liderada pelo titular da Casa Civil, José Dirceu, e autora do maior escândalo de corrupção já identificado no País.

Dezenas de parlamentares de cinco partidos receberam no mínimo um total de R$ 55 milhões, ou para votar com o governo ou, no caso de deputados do PT, para abastecer seus cofres eleitorais. Neste último fim de semana, faltando menos de meio ano para prescrever talvez o principal delito de que são acusados os mensaleiros - o de formação de quadrilha, mencionado mais de 50 vezes na peça incriminatória acolhida pelo Supremo -, a revista Época revelou ter tido acesso às 332 páginas que formam o relatório final da PF, do qual transcreveu trechos contundentes. A investigação não deixa em pé nenhuma dúvida sobre a origem do dinheiro usado para comprar políticos venais e reforçar as finanças da companheirada.

Na esmagadora maioria dos casos, foram os contribuintes que pagaram indiretamente a lambança, mediante recursos transferidos da área pública para as empresas do publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão recompensado com opulentos contratos com setores da administração federal. O Fundo Visanet, do qual participa o Banco do Brasil, repassou R$ 68 milhões a Marcos Valério. As datas dos recebimentos tendiam a coincidir com as dos pagamentos que fazia aos políticos. O dinheiro saía das contas do publicitário no Banco do Brasil e passava pelo Banco Rural antes de chegar aos beneficiários. Não havia portas no governo Lula que não se abrissem para Valério, concluiu a PF.

A apuração, requerida pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no STF, acrescenta aos acusados de envolvimento com o mensalão nomes como os do atual ministro do Desenvolvimento, o petista Fernando Pimentel, e do líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá, do PMDB. Mas, principalmente, trouxe Lula mais para perto do escândalo. Em agosto de 2006, este jornal já havia revelado que Freud Godoy, segurança do então candidato presidencial em 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do valerioduto. Agora se sabe que Godoy disse aos federais que o dinheiro obtido de Marcos Valério se destinava a cobrir parte dos R$ 115 mil da conta que apresentara ao PT pelos serviços prestados na campanha lulista. Foi o partido que o encaminhou à agência de Valério.

Claro que Lula poderá alegar que não teve nada com isso, assoberbado que estaria com questões mais importantes do que o custo e a forma de pagamento do seu segurança (e amigo há 20 anos). Poderá também repetir, como disse quando rebentou o escândalo do mensalão, que "foi traído" - naturalmente, sem apontar os presumíveis traidores. Penitente, poderá mais uma vez afirmar que "devia desculpas" ao País. Mas a volta do mensalão ao noticiário, a partir de um documento da Polícia Federal que não apenas corrobora o que já era de conhecimento público, porém adiciona novos nomes e fatos, como a conexão Lula-Godoy-PT-Valério, é um golpe para a pretensão do ex-presidente de sair por aí desmoralizando a denúncia que marcou para sempre o seu governo.

O alvo do ex-presidente é o Supremo. Contando com a erosão da memória nacional, ele decerto há de ter calculado que a passagem do tempo e a pressão implícita na sua anunciada campanha acabariam pesando na decisão da Corte sobre o destino dos 38 réus remanescentes no processo. A sentença está prevista para 2012. Paradoxalmente, dependendo do que a Justiça fizer com o tardio relatório da PF, os acusados poderão ensaiar novas manobras para protelar o que, pelas evidências recolhidas, só poderia conduzir a uma condenação exemplar.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Justiça anula provas da PF em inquérito sobre empreiteira"

Superior Tribunal de Justiça desqualifica grampos telefônicos da Operação castelo de Areia

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as provas obtidas a partir das escutas telefônicas da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investigou denúncias de corrupção em obras públicas. A decisão compromete a investigação de executivos da construtora Camargo Corrêa acusados de crimes financeiros, pagamentos de propinas e fraudes em licitações. A empreiteira sempre negou as irregularidades.

O Estado de São Paulo
 "FMI admite controle de capital, mas só em último caso"

Pela primeira vez, Fundo endossa, com ressalvas, que emergentes imponham barreiras a investimentos

Pela primeira vez em seus quase 70 anos de história, o Fundo Monetário Internacional admitiu a adoção de controles de entrada de capital estrangeiro, em um documento divulgado ontem. Mas o teto recomenda a adoção de outras medidas antes de se levantar barreiras a entrada de capitais e defende cautela na adoção dos controles. As barreiras seriam o último recurso a ser usado por países emergentes. O representante brasileiro no FMI, Paulo Nogueira Batista, reagiu com irritação às recomendações, em um momento em que o Brasil enfrenta grande pressão no câmbio. “O FMI não tem conhecimento acumulado sobre o assunto", disse Nogueira. "O Brasil fará o que for preciso para conter o fluxo de dólares." Para o Fundo, porém, o principal instrumento usado pelo Brasil para frear o ingresso de capitais estrangeiros - o aumento do IOF que incide sobre investimentos de renda fixa não trouxe o resultado esperado pelo governo.

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terça-feira, abril 05, 2011

Ubatuba em foco


Brigar por qualidade

José Ronaldo dos Santos
Não é preciso morar por quinze anos no bairro do Ipiranguinha para reconhecer que, na Padaria do Bairro, existe uma preocupação com a qualidade do produto e com as condições higiênicas.

Não é necessário fazer nenhum esforço para deduzir que, quem primeiro precisa cuidar do bairro, do lugar que mora, é o próprio morador.

Não tem que apelar a nenhum especialista para entender que sujeira e doenças andam de mãos dadas.

Citei tudo isso para que entendam a sequencia de fotos que estou enviando. Trata-se de um terreno grudado à padaria do Elis da Silva, a preferida por muitos pelas condições expostas na introdução deste.

O tal terreno, na rua João Frauzino da Cruz, sempre está mal cuidado, mas desta vez, como poderão comprovar, está demais. Por isso fui expressar a minha indignação na padaria, onde confio na qualidade do que é produzido, mas tenho noção dos riscos com tais condições no terreno vizinho da mesma. Quem recebeu as minhas críticas foi a senhora Eliana, filha do proprietário. Disse que já não sabem o que fazer, a quem reclamar, mas que desta vez tudo foi fotografado etc. No final, apelou: “O senhor não pode nos ajudar nisso?”

É o que estou fazendo na certeza de que os resultados apareçam o mais rapidamente possível. Afinal, é o bairro mais populoso de Ubatuba.

Analisando a foto, os setores de Saúde e de Vigilância Sanitária do município podem intervir. Prestando bem atenção, o setor de Obras deve apurar os fatos. Afinal, um operário está identificado como sendo da prefeitura. Quero crer que a chefia correlata não está sabendo do encaminhamento dado ao entulho despachado de um outro ponto do município. Enfim, todo este pessoal junto deve se movimentar para a remoção de tal abuso que, além de enfeiar o nosso bairro, ainda compromete a nossa saúde e a vida de um comerciante honesto.

A minha briga é por qualidade de vida.

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Opinião

Internet lenta e cara

O Estado de S.Paulo - Editorial
Cara, lenta, com cobertura geográfica desigual e deficiente e com metas de expansão muito tímidas em comparação com as necessidades do País e a situação e os planos de outros países. Estas são as características do sistema brasileiro de internet de banda larga constatadas por um estudo que a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apresentou há dias ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e ao presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg.

O ministro Paulo Bernardo concordou que os preços da banda larga no Brasil são altos, mas observou que o governo está concluindo um acordo com as operadoras com o objetivo de reduzir os preços e melhorar a velocidade de conexão. Para a população de baixa renda, a melhora poderá vir "nos próximos meses", segundo o ministro.

O governo, de fato, está executando dois planos para melhorar, baratear e ampliar os serviços de internet no País, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). Em 2014, deverão estar atendidos com serviços de conexão em banda larga 50% dos domicílios brasileiros, todas as micro e pequenas empresas e todos os órgãos públicos. Até lá, deverão estar em operação pelo menos 100 mil telecentros. Até 2024, as escolas, bibliotecas e unidades de saúde deverão ter conexão à velocidade de 1 megabyte por segundo (Mbps, medida da velocidade de transmissão de dados). Não foi definida a velocidade mínima para o atendimento a domicílios e empresas nesse prazo.

É importante para as empresas que atuam no setor, para as demais empresas, que dependem de conexão rápida e confiável com a internet, e para os cidadãos em geral conhecer as metas oficiais para os próximos anos. Mas, no caso da banda larga, as metas são pouco ambiciosas se comparadas com as de outros países e levando-se em conta as necessidades futuras do País.

Para 2014, a Alemanha prevê o atendimento de 75% dos domicílios com acesso à velocidade de 50 Mbps e a Austrália, 90% dos domicílios com 100 Mbps, por rede de fibra ótica.

A velocidade de acesso no Brasil é muito inferior à média atual e às metas programadas para o futuro próximo em muitos outros países. No Brasil, como mostrou o estudo da Firjan, o serviço mais simples oferece velocidade de download de 150 Kbps (kilobyte por segundo, um milésimo de Mbps), cerca de cinco vezes menor do que a velocidade mínima considerada como banda larga nos EUA. No Japão, a velocidade mínima é de 12 Mbps, 80 vezes superior à brasileira; na França, de 8 Mbps, 53 vezes maior; na Itália, de 7 Mbps, 45 vezes mais rápida; e no Uruguai, de 3 Mbps, 20 vezes.

Além de lento, o serviço brasileiro é muito caro. Aqui, a conexão à velocidade de 1 Mbps custa, em média, R$ 70,85 por mês, o equivalente a US$ 42,80. Esse serviço custa US$ 9,30 na Alemanha, US$ 12,40 em Taiwan, US$ 28,60 no Canadá e US$ 40 nos Estados Unidos. Surpreendentemente, embora seja mais caro do que na Alemanha, no Chile e em Taiwan, o serviço de banda larga de 10 Mbps no Brasil, que custa em média US$ 63,60, é mais barato do que em países como Rússia, China e México.

O estudo da Firjan constatou também grandes disparidades regionais de preços e serviços. No Amapá, a banda larga de 1 Mbps, velocidade mínima para uma microempresa, custa R$ 429,90, seis vezes a média nacional, por causa das dificuldades de conexão. A internet de 100 Mbps, considerada a mais rápida e mais adequada à grandes empresas, só existe em 13 Estados.

A tributação é apontada como um dos principais responsáveis pelo alto custo. Estima-se que, do valor da assinatura mensal, os tributos representem 40% (no Japão, correspondem a 5% e na Argentina, a 27%). O ministro Paulo Bernardo previu que, com o corte de tributos federais, a banda larga popular poderá custar R$ 35. Se os Estados reduzirem o ICMS, o valor poderá ficar abaixo de R$ 30 por mês. É uma medida elogiável, mas ainda insuficiente, diante do custo da banda larga no País.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Inquérito no STF sobre propina envolve Temer"

Processo apura se houve corrupção no porto de Santos; vice de Dilma nega ligação

O vice-presidente Michel Temer é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal sob a suspeita de ter participado de esquema de cobrança de propina de empresas detentoras de contratos no porto de Santos, informam Breno Costa e Fernando Rodrigues. Temer é acusado de ter recebido mais de R$ 600 mil.

O Estado de São Paulo
 "Nota do Brasil sobe e mercado prevê mais pressão cambial"

Avaliação da Fitch deve atrair investimentos, e especialistas esperam novas medidas para conter alta do real

A agência de classificação de risco Fitch, uma das mais respeitadas do mundo, melhorou a nota do Brasil, de BBB- para BBB. Na prática, significa que, segundo essa análise, o País ficou ainda mais seguro para receber investimentos. “Fomos encorajados pelo fato de que o governo tem dado sinais de contenção fiscal", disse Shelly Shetty, diretora da Fitch. Com isso, a expectativa é que mais dólares entrem no País, o que tende a valorizar o real, um movimento que preocupa o governo. A moeda americana fechou a segunda-feira cotada a R$ 1.609, queda de 0,19%. É o valor mais baixo desde agosto de 2008. Especialistas esperam mais medidas para segurar a alta do real.

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segunda-feira, abril 04, 2011

Ramalhete de "causos"


Lembrando o João de Souza (1) (Mentira nada! Pergunte a ele!)

José Ronaldo dos Santos
“Certa vez fomos caçar tatu no morro da Praia Dura. Eu e o meu cunhado. Começamos a cavar um tatu às nove horas da noite e só paramos às seis da manhã. Cavamos mais de mil e quinhentos metros e paramos num lugar chamado de Bom Descanso. E não encontramos o bicho. Quando saímos do buraco, fomos ver que o tatu fez um buraco no tronco da figueira e foi lá pra cima. Ficou lá em cima grudado num galho de pau que não havia quem o tirasse”.

“Quando eu era criança via os caçadores colocando fogo ou água no buraco do tatu a fim de que ele saísse mais rápido. Então tive uma ideia: levei um botijão de gás e um maçarico para o mato. Quando encontrava um buraco com tatu dentro, fechava a boca do buraco com um saco de estopa e soltava o gás dentro do buraco. O tatu sentia o cheiro e saía que nem foguete, indo para no fundo do saco. Deste jeito caçamos um punhado de tatu. Chegamos ao ponto de só levar para o mato o botijão de gás e o maçarico; nenhuma arma a mais. E lá vinha nós com o saco cheio de tatu”.

“Um dia o gás acabou. É aí que vale a inteligência e a experiência de um grande caçador. Coloquei o saco bem firme na boca do buraco do tatu e, com todo o meu vozeirão gritei: Oooooooolha o gááááááááááás!!!! O bicho saiu que nem bala de canhão e entrou no saco. Nem vi o tipo de tatu que era. O bicho era pesado. Amarrei a boca do saco e vim embora”.

“Passando pelo bar do Barriquinha, onde estava acontecendo um bingo beneficente, pediram para mostrar o tatuzão que eu tinha pego. Quando virei o saco de boca para baixo e o bicho caiu no chão, foi um corre-corre desgraçado. O bicho que eu pensava ser um tatu, era um jaracuçu do preto que não tinha mais tamanho. O bicho começou a dar bote e rabada pra tudo quanto era lado. Não ficou um no bingo. Acabou o bingo. Vocês pensa que é mentira? Pergunta a ele!”

“Esta foi a minha última caçada. Felizmente a caçada hoje está proibida; só assim podemos preservar os nossos animais. Hoje, quando vou levar o meu neto na Fazenda Jundiaquara, e vemos lá os gambás, os caxinguelos, os gaviões, os socós... peço para que Deus os protejam também”.

“Para os ex-caçadores peço que segurem bem seus sacos porque a cobra pode fugir”.

“Abraço do amigo João de Souza, o caçador do pé rachado que, se bobeiasse, tava também com o saco rachado. Ubatuba, 26/04/2002”.

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Opinião

O atraso das obras para a Copa de 2014

O Estado de S.Paulo - Editorial
Divergências com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, sobre a sucessão na Fifa, a entidade mundial do futebol, podem ter levado o presidente desta última, Joseph Blatter, a mudar sua opinião a respeito da atuação dos dirigentes do esporte no País e das autoridades envolvidas na organização da competição. Desde a escolha do Brasil para sediar a próxima Copa, Blatter elogiava a atuação do COL brasileiro e não apontava problemas na organização da competição. Em encontro com jornalistas estrangeiros segunda-feira passada, na Suíça, porém, fez críticas duras - e procedentes.

A mudança surpreende. Há pouco, numa reunião com dirigentes brasileiros na Suíça, Blatter elogiou o trabalho do COL, dizendo ser "muito bom" seu "comprometimento e progresso" na organização da Copa. Agora, observou que, "se formos comparar com a África do Sul três anos antes da Copa, há claramente um atraso do Brasil em relação ao estágio onde estavam os sul-africanos", disse. "A Copa é amanhã, mas os brasileiros acham que é depois de amanhã", declarou.

Embora a Fifa estivesse preocupada com os preparativos para a Copa, Blatter nunca se manifestara de maneira tão clara sobre a questão. Deixava a tarefa para o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. Em maio, por exemplo, numa de suas mais conhecidas manifestações, Valcke afirmou que o relatório sobre os preparativos da Copa de 2014 que chegara a suas mãos era preocupante. "Há alguns estádios com o alerta vermelho já aceso. É impressionante como o Brasil já está atrasado. E não estou falando apenas do Morumbi (na época, ainda cogitado para a abertura da Copa) e do Maracanã, estou falando de vários estádios", advertiu então.

Nessa semana, Blatter disse estar especialmente preocupado com a indefinição em relação ao Itaquerão, o estádio a ser construído em Itaquera para a abertura da Copa. A maior parte das obras para a Copa do Mundo precisa estar concluída até 2013, quando o Brasil sediará a Copa das Confederações, mas Blatter tem dúvidas sobre isso. "Corre-se o risco de que nem o Rio de Janeiro nem São Paulo possam organizar partidas", porque os estádios não estarão adequados para receber jogos da Copa das Confederações, que será uma espécie de teste para o Mundial.

Como era de esperar, os responsáveis pelos preparativos da Copa negaram a existência de problemas ou de atraso nas obras. O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que, para tranquilizar Blatter, vai convidá-lo para uma visita ao País, durante a qual verá que as obras estão sendo executadas "a todo vapor" e que os prazos acertados com a Fifa serão observados.

Em nota, a CBF desmentiu que haja o risco de as obras do Maracanã não serem concluídas até a Copa das Confederações, e quanto ao Itaquerão afirmou que, "apesar de a obra ainda não ter sido iniciada, temos trabalhado de forma intensa (...) para equacionar as últimas questões técnicas".

A polêmica entre Blatter e Teixeira pode ter alguma coisa a ver com a próxima eleição na Fifa, na qual Blatter tentará a reeleição e o dirigente brasileiro apoia outro candidato, o asiático Mohamed bin Hamman.

Quaisquer que sejam as razões para a mudança de atitude do presidente da Fifa, não se pode deixar de reconhecer que as críticas ao atraso nos preparativos para a realização da Copa no País são fundamentadas. As obras de alguns estádios estão atrasadas, e isso certamente inclui aqueles programados para sediar o jogo de abertura (Itaquerão) e a final (Maracanã).

Mais preocupantes ainda são as obras de infraestrutura, de responsabilidade do setor público, para assegurar o transporte adequado aos turistas que virão ao Brasil, e sobre as quais Blatter nada disse. O setor mais atrasado é o aeroportuário. Com a criação da Secretaria de Aviação e a profissionalização da gestão da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, o governo federal mostrou estar atento ao problema. Mas é preciso executar com rapidez e eficácia os planos de expansão e melhoria, pois o prazo é curto. A Copa é amanhã, como disse Blatter.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 04 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Salários do Rio ultrapassam os de SP"

Bolsa Família, salário mínimo e investimento em infraestrutura fazem rendimento subir mais rápido em outras capitais

O rendimento dos trabalhadores na região metropolitana do Rio de Janeiro superou o de São Paulo, informa Mariana Schreiber. Em fevereiro, o salário médio no Rio foi de R$1.682, contra R$1.637 em SP. Os rendimentos em São Paulo vem perdendo vantagem também em relação a outras regiões metropolitanas, segundo o IBGE.

O Estado de São Paulo
 "PIB mostra aceleração no primeiro trimestre"

Consumo e emprego impulsionam crescimento, apesar das medidas do governo para frear a inflação

Com mercado de trabalho aquecido, forte demanda interna e recuperação da indústria, a economia brasileira mostrou vigor nos três primeiros meses do ano. Apesar dos esforços do governo para conter a inflação. O ritmo dos negócios manteve-se intenso. Economistas ouvidos pelo Estado em sete dos maiores bancos e consultorias do País projetam alta de 0,7% a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2011 em relação ao quarto trimestre de 2010, descontados efeitos sazonais. O que mostra aceleração ou, no mínimo, manutenção do crescimento.

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Deserto de Atacama - Chile

domingo, abril 03, 2011

Domingueira

Questão de referencial

Sidney Borges
No Estadão de hoje a crônica do Veríssimo, com o título "Velhas certezas", começa assim:
"Velhas certezas custam a morrer. Muitas sobrevivem ao seu desmentido mais fortes do que eram antes. Grande parte da população do mundo ainda vive, do ponto de vista de suas crenças e expectativas, num universo geocêntrico, como se Copérnico e Galileu nunca tivessem existido. O que é compreensível: custamos a aceitar uma nova explicação para o que parecia óbvio, e 400 anos de ciência são muito poucos comparados com alguns milhares de anos de engano. Precisamos de mais tempo para nos acostumar com a idéia de que é a Terra que circunda o Sol."

A questão maior, que quase elevou Galileu à categoria de churrasco, era sobre ser ou não ser o centro do universo. Segundo as escrituras sagradas a Terra ostentava e continua ostentando tal condição. Ora, se a Terra era (é) o centro, tudo deveria girar em torno dela. Mas se a Terra gira em torno do Sol, como disseram Copérnico e Galileu, então o centro deve ser o Sol, pois não é possivel ser o centro do sistema e ao mesmo tempo girar em torno de um dos componentes do sistema.

Com boa vontade a questão poderia ter sido resolvida sem que ninguém fosse ameaçado. Bastava criar uma exceção no estilo "santíssima trindade" em que pai, filho e espírito santo são uma só pessoa e de quebra o espírito santo, além de pessoa é uma pomba.

Ou alguém com sabedoria explicar o conceito de referencial aos litigantes. Se a Terra for tomada como tal, então ela é o centro do universo e ponto final.

No tempo da discussão geocêntrico-heliocêntrico o universo era pequeno, acabava logo ali nos limites do Sistema Solar. Nos últimos anos ele cresceu, especialmente do ano 2000 para cá.

Pego carona nos dados de uma palestra do professor Mario Cortella, que um amigo me enviou ontem.

Hoje sabemos que há mais de 200 bilhões de galáxias por aí e que a Via Láctea, galáxia onde estamos, tem 100 bilhões de estrelas, das quais uma é o Sol.

Em torno do Sol giram oito planetas. A Terra, nossa casa, é o terceiro. Neste planeta rochoso e aquático existem perto de 30 milhões de espécies vivas, das quais só conhecemos 3 milhões.

Dentre as espécies conhecidas, uma é a do Homo sapiens, à qual pertencemos.

Hoje há mais de 6,5 bilhões de humanos respirando oxigênio e exalando gás carbônico. Você é um deles. Parabéns. 

Pense nisso quando você se achar importante.

E se alguém lhe perguntar:

- Você sabe com quem está falando?

Retruque:

- Você tem tempo? Podemos conversar?

Tenho algumas coisas a lhe dizer...

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Em tempo...


Grandes indagações

José Ronaldo dos Santos
O povo quer saber:
Corruptos!?
Onde estão? Do que sobrevivem? Por que é preciso caçá-los?

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Opinião

Burla ameaçadora

O Estado de S.Paulo - Editorial
Para burlar as punições impostas pelo governo brasileiro por prática de dumping, exportadores chineses estão utilizando outros países asiáticos, a partir dos quais reexportam para o Brasil como se seus produtos tivessem sido fabricado nesses países. Essa prática, conhecida como triangulação, torna pouco eficazes as medidas antidumping adotadas pelo País contra determinados produtos chineses e está prejudicando seriamente a atividade de empresas brasileiras de diversos setores industriais.

Desde 2008 o governo brasileiro está autorizado, por lei, a aplicar medidas antidumping também a produtos que chegam ao País por meio de triangulação, operação tecnicamente denominada "circunvenção". No ano passado, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), formada por sete ministros de Estado, aprovou resoluções que regulamentam a aplicação dessas medidas.

Apesar disso, as empresas prejudicadas reclamam que a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), órgão ao qual compete conduzir as investigações de prática de dumping e de triangulação, não tem agido com a velocidade necessária para conter o que já chamam de avalanche de produtos que entram no País por meio dessa operação fraudulenta. Para muitas empresas, a perda de mercado em consequência dessa prática ameaça sua sobrevivência.

São fortes os indícios de que fabricantes chineses estão fraudando certificados de origem do produto para escapar da punição por dumping, ou seja, por venda ao exterior a preço inferior ao praticado no mercado interno ou ao custo de produção. Itens fabricados na China têm chegado ao Brasil como se tivessem sido produzidos em países como Taiwan, Malásia, Vietnã ou Indonésia.

Há cerca de um ano, documento obtido pela reportagem do Estado mostrou como funciona esse esquema. Dizendo-se interessada em importar produtos da China, uma fabricante brasileira procurou um exportador naquele país e recebeu a seguinte oferta: "Se você está preocupado com a taxa antidumping no Brasil, podemos embarcar transferindo pela Malásia, como fazemos usualmente". O exportador informava ainda que todos os meses exporta muitos contêineres para o Brasil desse modo.

Reportagem publicada pelo jornal Valor mostrou que, entre os segmentos industriais mais prejudicados por essa prática chinesa, estão o de produtos magnéticos, calçados, escovas de cabelo, guarda-chuvas e armação de óculos. Alguns números reforçam o argumento das empresas brasileiras de que estão sendo vítimas da triangulação. Depois que o governo brasileiro impôs a sobretaxa sobre escovas de cabelo fabricadas na China, as importações do produto chinês caíram 77,6%, mas a entrada das escovas alegadamente fabricadas em Taiwan aumentou 508%.

No caso dos calçados, a importação de produtos chineses caiu 62,4% entre 2008 e 2010, quando as medidas antidumping entraram em vigor. Mas aumentaram excepcionalmente as importações formalmente originárias da Malásia (57,858%, variação explicada pelo baixo volume de importação em 2008), da Indonésia (238%) e de Hong Kong (75%).

Quando houver mudanças nos fluxos comerciais após a aprovação de medidas antidumping que indiquem tentativas de burlar a aplicação da punição pelo governo brasileiro, como no caso dos calçados, a Secex pode ser acionada. Em janeiro, a Abicalçados, que representa o setor calçadista, protocolou o pedido de abertura de investigação para a aplicação de medidas antidumping (multa de US$ 13,85 por par) aos calçados provenientes do Vietnã, Malásia e Indonésia, e também à importação de partes de calçados da China para montagem no Brasil. Ainda não há decisão oficial.

Diante da morosidade da ação dos órgãos públicos - em razão de problemas legais ou estruturais, como falta de pessoal -, entidades empresariais estão reforçando suas equipes de defesa comercial. Mas, ainda que elas identifiquem os problemas com rapidez e precisão, a solução depende do governo.

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Manchetes do dia

Domingo, 03 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"China que investir na produção de soja do país"

Maior importador mundial do produto prevê gastar, só em Goiás, R$ 12 bi

A China, maior importador mundial de soja, está promovendo uma ofensiva em várias frentes e vários Estados no Brasil visando aumentar a presença na cadeia produtiva da cultura do país, informam Fabiano Maisonnave e Estelita Hass Carazzai. A estratégia será concretizada por meio de acordos de exportação com os agricultores, investimentos em indústrias e compra de terras. Levantamento da Folha mostra que empresários chineses estão em contato com cooperativas e governos de pelo menos seis Estados.

O Estado de São Paulo
 "Gasto público no trimestre contraria discurso de Dilma"

Foram R$ 13,2 bi a mais em gastos em relação a 2010. Já os investimentos tiveram queda de R$ 300 mi

Marta Salomon/ Brasília
Encerrado o primeiro trimestre do mandato de Dilma Rousseff, o retrato das contas públicas contraria seu discurso na campanha. Gastos com investimentos caíram. As despesas com salários, custeio da máquina pública e da rotina do governo subiram. Com pessoal e custeio, o governo gastou R$ 10 bilhões a mais no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2010. Incluindo gastos com juros, a soma chega a R$ 13,2 bilhões. Já em investimentos, a redução foi de pouco mais de R$ 300 milhões. Os dados foram lançados no Sistema Integrado de Administração Financeira e pesquisados pela ONG Contas Abertas. O governo, entretanto, discorda: "Nós estamos cortando o custeio administrativo, não estamos cortando os investimentos", disse Dilma em março, na Bahia, em inauguração de obra do PAC.

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