Hora da verdade Ferreira Gullar Naquela quinta-feira, dia 12 de maio, quando a presidente Dilma Rousseff recebeu a intimação para deixar o governo por até 180 dias, chamou a atenção o contraste entre a atitude dela e a do Lula, em face da indisfarçável derrota que eles dois e o populismo petista acabavam de sofrer: enquanto ela discursava interminavelmente, ameaçando o seu sucessor, Lula se mantinha calado e visivelmente abatido. Ao contrário dela, para quem o mundo real não deve ser levado em conta, ele, sempre ligado à realidade, mostrava-se profundamente atingido pelos fatos, pois sabe muito bem o que significa o impeachment da presidente que ele inventou. Ao vê-lo com aquele olhar vazio, como se desligado do momento, enquanto Dilma gritava bravatas, refleti sobre a relação que os uniu durante todos estes anos: ele a tornou, sucessivamente, ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da Petrobras, chefe da Casa Civil e finalmente presidente da Repúbl...