Em memória dela (dedicado à minha mãe) "E então a coisa volta num tapa: o vazio, o buraco de ar, aquelas mãos pequeninas, enrugadas, sardentas, que me acariciavam com infinitos de ternura" Márcia Denser Foi tão rápido, sobretudo o último mês. Dias agônicos. Sofremos de forma absurda com sua dor intransponível, espécie de maldição intermitente, eternamente à espreita, salvo umas tréguas pra lá de fajutas, carregadas, mais com jeito de calmaria, e não dava outra: as crises desabavam ainda piores. O fato é que este ano, já a partir de março, voltei a morar com ela. Por mim (por razões que não vêm ao caso), mas, no fundo, muito mais por ela, que se apagava pouco a pouco, um pouco mais a cada mês, cada semana, cada entardecer. Mas na época, naturalmente, não me tocava. Ainda. Normal. Vivendo numa ilusão persistentemente bocó que ela tivesse jeito, sabem. Enquanto as coisas aparentam uma certa normalidade, simplesmente é melhor NÃO VER, acreditem. Inconscientemente, ordena...