quinta-feira, janeiro 14, 2016

Opinião

O futuro é das mulheres

João Pereira Coutinho
Colunismo é serviço público. Um exemplo: se o digníssimo leitor viajar para Portugal, cuidado com as cantadas para conquistar as lusitanas. Sobretudo cantadas com propostas de teor sexual. As cantadas —ou, para usar a terminologia dos nativos, os "piropos"— podem dar cadeia (um ano). Se a ninfa tiver menos de 14 anos, a coisa piora (três anos).

Nada a dizer: quem sou eu para perturbar a histeria feminista, que vê no piropo reles ("Ai borracho, era eu por cima e tu por baixo!") um crime hediondo?

Apenas suspeito que chegará um dia —não muito distante— em que a Europa, as mulheres da Europa e até as feministas da Europa terão saudades dessas agressões verbais. Será preciso relembrar o que aconteceu em Colônia e outras cidades alemãs (Stuttgart, Hamburgo) na virada do ano?

Talvez seja, até porque as notícias demoraram a chegar ao conhecimento geral: um número indeterminado de mulheres (a cifra mais recente aponta para 379) foram vítimas de violência em plena via pública; 120 foram abusadas sexualmente; confirma-se uma violação até ao momento. Autores dos crimes? Centenas, ou talvez um milhar, de homens organizados. E quem foram esses homens?

Ó Deus, aqui vamos nós: vítimas e testemunhas falam de uma maioria de agressores do Oriente Médio e do norte de África, o que talvez explique o estado de choque da imprensa "progressista".

Mas não apenas da imprensa: a polícia, presente no local, assistiu a tudo da arquibancada, talvez para não perturbar a cultura do Outro e o papel de submissão e castigo que ele reserva para vadias de minissaia.

Uma semana depois da selvajaria (que, já agora, também esteve quase para acontecer na Finlândia), o chefe da polícia de Colônia foi demitido. E, no momento em que escrevo, existem 31 suspeitos confirmados (e, desses 31, 18 são refugiados dessas regiões problemáticas, que pediram asilo na Alemanha).

Perante a novidade do crime, a velha pergunta leninista impõe-se: que fazer?

A primeira opção é silenciar os crimes politicamente desconfortáveis, tentação que deve ter ocorrido aos alemães. Não seria a primeira vez. Na Inglaterra, por exemplo, descobriu-se em 2014 que 1.400 menores da cidade de Roterdã foram abusados sexualmente e traficados pelo país inteiro por uma rede criminosa maioritariamente composta por paquistaneses muçulmanos. Mesmo com o conhecimento das "autoridades"-polícias, políticos, assistentes sociais.

A segunda opção é aprender com a Noruega e a Bélgica, que pretendem ministrar a imigrantes de "culturas diferentes" (ah, adoro eufemismos!) aulas de "respeito pelas mulheres". Não sei em que consistem essas aulas, mas imagino o professor, com imaculado espírito multiculturalista, a comunicar à turma:

- Eu não estou aqui para vos julgar: se vocês consideram que uma mulher de minissaia merece ser violada, eu respeito. Mas, se me permitem, na Europa nós fazemos as coisas de outra forma porque..." (o professor é interrompido e espancado em plena sessão).

E depois existe a terceira opção, que se resume em três letras: lei. Para uma sociedade civilizada, é indiferente saber o que pensam os imigrantes de "culturas diferentes" sobre mulheres com minissaia. O que não é indiferente é a aplicação da lei, com dureza e justeza, sempre que a delinquência mostrar as garras.

Será que as feministas que combatem tão arduamente as "agressões verbais" estão prontas para uma batalha maior contra indivíduos de "culturas diferentes" que preferem agressões mais palpáveis (no duplo sentido da palavra)?

Faço a pergunta a um colega de ofício, cínico profissional, que me diz: "Tens que ler 'Submissão', do Michel Houellebecq".

Agradeço a recomendação, digo que já li e acrescento: "Entendo. Tens medo da islamização da Europa perante a covardia da nossa 'intelligentsia', certo?".

Ele olha-me com espanto, ri alto e depois conclui: "Medo? Mas medo por quê? Eu sou homem. Tu és homem. Até os nossos filhos são do sexo masculino. Achas que somos nós que devemos ter medo de alguma coisa?".

Ficamos os dois em silêncio. E continuamos em respeitoso silêncio quando uma garota de Ipanema passa na calçada.

Original aqui

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