sábado, março 10, 2012

Trem para Ubatuba antes da chuva...

Foto: Richard Benson

Coluna do Mirisola

George Orwell, a oração possível

“Perdemos em liberdade e individualidade, essas duas forças que juntas poderiam ser chamadas George Orwell – o homem que investiu bravamente contra os totalitarismos de sua época”

Marcelo Mirisola
Conheci a obra de George Orwell bem tarde, e não foi por causa de “Revolução dos Bichos” nem por “1984″, livros que a escola me obrigou a engolir quando tinha 16 anos. Um crime. Aliás, já passou da hora de suprimir a literatura do currículo escolar. Passou da hora de suprimem as escolas da vida dos adolescentes também… e eles igualmente podiam seguir o conselho de Nelson Rodrigues e suprimir-se a si mesmos, e só voltar depois dos 30. Porém, não é disso que tratarei agora. Quem quiser saber o que penso a respeito, dê uma googada e leia “Bukowski contra o crime”.

Eu dizia que George Orwell me ganhou com o ensaio “Dentro da Baleia” e os outros ensaios que acompanham o título do livro. Depois, li “Na Pior em Paris e Londres” e, desde a semana retrasada, estou me esbaldando com o livro “Como morrem os pobres e outros ensaios”.

Aos livros. Vou falar de vários como se fossem o mesmo, sem ordem de chegada ou partida. Começamos com as crônicas das agruras que o escritor/mendigo/ presidiário/ viveu em Londres e arrabaldes na primeira metade do século passado. Pois bem, lidas depois de 80 anos, despertam mais curiosidade pelo estilo direto de Orwell do que pela miséria propriamente dita, que não é muito diferente da miséria humana que observávamos há pouco tempo na Cracolândia e que observamos no Shopping Higienópolis. O posicionamento que Orwell assume diante dos rebotalhos que o acompanham em albergues, hospitais para indigentes e numa prisão, lembra muito – nem precisamos guardar proporção – a tragédia que Primo Levi relata em “É isto um homem?”. Explico. Os dois não se apegam nem remoem a desgraça que os acompanha, mas atuam como observadores do entorno: porque, antes da humilhação, e depois também, são criadores independentes e a matéria-prima deles, afinal, é a mesma do …  Zeca Pagodinho. Tanto faz se fulano escreve a partir de um campo de concentração em Birkenau ou debaixo de uma jaqueira em Xerém, cercado por amigos, leitões e galinhas d’angola, tanto faz se se cobre de andrajos ou veste black-tie; a condição humana é a mesma para todos, independentemente do endereço, do tempo e do assunto. Manifesta-se na alegria e na tristeza, na guerra e na paz, na miséria e na prosperidade e assim por diante.

O que faz a diferença de um artista para um charlatão é o estilo. Esqueçam Andy Warhol, esse era uma exceção: um picareta com estilo. O que eu quero dizer é o seguinte: se o cara for honesto consigo, e se ele for um George Orwell – a chance de o estilo prevalecer é muito grande.

No caso de Orwell, a elegância e a objetividade de sua escrita chegam a ser chocantes se comparadas àquilo que lemos hoje em dia, não porque nossos ensaístas são privados de sagacidade, ou não dominam a retórica e/ou abusam de uma erudição que é mais (ou somente) citação de Batman & Robin, digo, Walter Benjamin & Adorno do que sabedoria. O fato de escreverem mal e serem chatos pra cacete não é o pior. A questão é que para se persuadir o leitor (espectador ou o zumbi na frente da internete), antes de tudo, urge ou urgia – em tese – honestidade intelectual e liberdade, artigos raros já no tempo de Orwell, e muito mais nos dias que seguem: tempos de editais, bolsas, conchavos, projetos mil e inclusão a qualquer custo. Aqui em São Paulo, por exemplo, foi instituído o “Prêmio Governador do Estado”,  e existe uma categoria chamada “inclusão cultural”. São 520 mil reais em prêmios. E aí eu fico imaginando o governador Alckmin a espetar uma medalha no peito de um Pasolini do Jardim Estrela Dalva. Ou se faz inclusão, ou arte, ora cazzo!

Nosso “artista” está mais preocupado em justificar seu “projeto” e fazer assistência social do que subverter a ordem; mais vale uma planilha bem feita do que um axioma zombeteiro que eventualmente possa destoar dos documentos exigidos pelos burocratas do departamento de seleção.  A pergunta é: mesmo sem liberdade, vendidos prum capeta de quinta categoria, prosseguiremos … escrevendo livros?

Falando para quem? Quem é que, hoje, está interessado em liberdade e honestidade intelectual? Os 7,5 milhões de leitores do padre Marcelo? Aliás, tava fazendo uma conta: são 7,5 milhões de pessoas que jamais vão ler George Orwell. Verdadeiro rapto. Se eu dissesse que esse padreco deseduca criminosamente milhares de leitores, eu estaria tendo um chilique, ou simplesmente estaria corroborando as profecias de Orwell?

Isso é o equivalente a admitir uma derrota fragorosa? Claro que sim: vexame completo, uma lavada. Uma coisa, porém, é admitir a derrota, outra completamente diferente é resignar-se.

Orwell é o profeta da não-resignação.

Vivemos tempos de muita demagogia e marketing. De modo que o que se vende e o que se consome em todas as frentes – salvo as exceções de praxe - são oportunidades de negócios, tudo em nome da arte menos a arte: como se tetas brotassem do ventre da baleia que virou casa da mãe Joana.

Portanto, além da questão das misérias que somente fizeram se agravar nos últimos 80 anos, também a alma humana definhou, perdemos em liberdade e individualidade, essas duas forças que juntas poderiam ser chamadas George Orwell - o homem que investiu bravamente contra os totalitarismos de sua época.

Orwell jamais se omitiu. O tempo provou que muitas vezes ele esteve certo e sempre esteve sozinho. Uma pena que tenha perdido a batalha porque os totalitarismos continuam aí, firmes e fortes, repaginados, cobrando juros de 20% ao mês e oferecendo a paz dos cemitérios para seus clientes e correntistas. Creio que sufocar a possibilidade do grito individual é o pior dos crimes. Quem foi o último que gritou no deserto brasileiro, o chato do Glauber Rocha?

A consequência desse sufocamento é visivel na “arte” e nos artistas mequetrefes que nos são impingidos goela abaixo, visível na repetição (ou nas malditas “releituras”) do original que perdeu o viço e virou lixo reciclado; os técnicos e os higienistas que tomaram os lugares dos artistas não me deixam mentir, né não dr. Dráuzio?

Ao contrário do que nos ensinam as políticas de correção (e de acordo com as previsões mais sombrias de Orwell), o coletivo existe somente em função de excluir o indivíduo e sufocar sua voz original. Vejam só o que o autor de “Dentro da Baleia” escreveu em 1940 : “(…) quase com certeza estamos rumando para uma era de ditaduras totalitárias – uma era em que a liberdade de pensamento será o princípio de um pecado mortal e mais tarde uma abstração sem sentido”.

No alvo: o pensamento e a originalidade jazem mortos e enterrados; atingimos um patamar cultural que se localiza abaixo daquilo que Orwell chamaria de “abstração sem sentido” …  e abaixo daquilo que os Visigodos chamariam de cu de cobra. O que é a Ivete Sangalo senão um Hitler vestido de Carmem Miranda? Ai, ai, ai se eu te pego…

Eric Blair, que depois passou a assinar George Orwell, escreve limpo, e escreve bem porque pensa bem e – repito – jamais se omitiu diante de sua consciência, nem quando elaborou uma lista de “criptocomunistas” para o governo britânico e dedurou Chaplin, Shaw e J.B. Priestley.

Sacana? Talvez, porém verossímil. Vejam só: “(…) a literatura estará condenada não somente em países que conservam uma estrutura totalitária; mas qualquer escritor que adote a perspectiva totalitária, que encontre desculpas para a perseguição e a falsificação da realidade, se destrói como escritor. Nenhuma diatribe contra o ‘individualismo’ e a ‘torre de marfim’, nenhum chavão religioso do tipo ‘a verdadeira individualidade só é alcançada através da identificação com a comunidade’, pode esconder o fato de que uma mente comprada é uma mente podre (…) em algum momento do futuro, se a mente humana se transformar em algo totalmente distinto do que é agora, talvez aprendamos a separar a criação literária da honestidade intelectual (…) A imaginação não se reproduz em cativeiro”.

Não trair a si mesmo é um dos pontos básicos para registrar algo que valha a pena ser lido,refletido e apreciado depois de cem anos. Com certeza, esse é o recado de Orwell. Infelizmente, Orwell errava pouco e entendia como nenhum outro de previsibilidades. Tava na cara que o gado acabaria se adaptando ao cativeiro ( ou “coletivo”) chamem como quiser.

A imaginação, eu acrescentaria, nao se reproduz em gaiolas de ouro     nem em cooperativas de periferia. Impressionante, esse Orwell: apontando o dedo para a omissão dos intelectuais de sua época em face do massacre que a extinta URSS promovia contra jornalistas e escritores, ele conseguiu se projetar no tempo e vislumbrou as torres do edifício Abril, os saraus esotéricos da nossa querida e fofa Vila Madalena e os puxadinhos irados do Capão Pecado, incluindo todos no mesmo balaio/ cativeiro.

*****

Mas não é só isso. George Orwell teve a sorte de testemunhar uma situação extraordinária onde esse coletivo (sempre nefasto) condensou-se diabolicamente dentro de um só indivíduo. E escreveu um ensaio que, a meu ver, é muito mais do que um debruçar-se sobre determinado tema, trata-se de um documento precioso do nosso tempo, cujo título é “A vingança é amarga”, esse ensaio faz parte do livro “Como morrem os pobres”.

Orwell acompanha um judeu baixinho recrutado pelo exército americano que tinha por missão interrogar prisioneiros de guerra. Conduzido até um hangar,depara com supostos oficiais da SS empilhados uns sobre os outros em condições sub-humanas. Entre eles, um infeliz que “tinha pés estranhos e horrivelmente deformados. Os dois eram bastante simétricos, mas haviam sido golpeados até assumir uma extraordinária forma globular que os tornava mais parecidos com cascos de cavalo do que com qualquer coisa humana”.

“O verdadeiro porco!” – segundo o judeuzinho que conduzia Orwell. De repente, o interrogador “dá um terrível pontapé com sua pesada bota do Exército no inchaço de um dos pés deformado do homem prostrado”.

Era quase certo que aquele homem prostrado,o ex-oficial nazista, havia dirigido campos de concentração e comandado torturas e enforcamentos. Orwell contempla a miséria deplorável do infeliz, e constata que a versão contada pelo judeu-americano – de que se tratava mesmo de um grande filho da puta, um porco nazista – provavelmente era verdadeira, e chega à seguinte conclusão: “a figura monstruosa contra a qual havíamos lutado por tantos anos, se resumia àquele deplorável infeliz, cuja necessidade óbvia não era de punição, mas de algum tipo de tratamento psicológico”.

Em seguida, reflete sobre a selvageria de ambos, do judeu que agora subjuga, e do alemão prisioneiro que é subjugado. Na verdade, é muito mais do que uma reflexão. Quase uma oração. Orwell consegue, diante de uma cena grotesca, atualizar o Pai Nosso: “Perguntei a mim mesmo se o judeu estava de fato tendo prazer com aquele poder recém-descoberto. Concluí que não estava se deleitando realmente com aquilo, mas apenas – como um homem num bordel, ou um menino fumando seu primeiro cigarro, ou um turista vagando por uma galeria de arte - dizendo a si mesmo que estava tendo prazer e se comportando como havia planejado se comportar nos dias que estava impotente. É absurdo culpar qualquer judeu alemão ou austríaco por dar o troco aos nazistas (…) aquela cena e muitas outras coisas que vi na Alemanha deixaram claro para mim que a idéia de vingança e punição é ilusão infantil. Para ser exato, não existe vingança. A vingança é um ato que se quer cometer quando se está impotente e porque se está impotente; assim que o sentimento de impotência desaparece, o desejo se evapora também”.

Eu chamaria de “A Oração Possível”. George Orwell consegue ser mais cristão do que o próprio Cristo porque elimina o sentimento (ou a condição) de culpa da equação que Jesus ensinou aos homens. É como se ele dissesse: Eliminamos o sacrifício e/ou a hipocrisia de amar quem nos odeia. Você, homem, não sabe o que está fazendo: apenas é um monstro circunstancial que não tem condição de perdoar nem de ser perdoado, portanto você é tão inocente e tão impotente quanto seu algoz.

Embora, aqui do fundo do meu coraçãozinho sadomasoquista e cristão, eu teimosamente continue insistindo que sem culpa não atravessaríamos uma rua, sem culpa não conseguiríamos sequer uma ereção decente, ah, sem culpa o homem não toleraria o semelhante e nem a própria sombra, mas isso é coisa minha, deixa pra lá. Enfim. Orwell põe o coletivo no seu devido lugar, e segue essa linha de raciocínio até o final do belo ensaio.

Eric Arthur Blair, filho de mãe com ascendência francesa e de um oficial da marinha britânica, nasce em Mothiari, na Índia, sob domínio inglês. Sim – para quem ainda não sabe – ele era indiano. Bem cedo, ainda criança, é levado de volta para a Inglaterra e fica lá até completar dezoito anos, quando retorna à colônia para servir à polícia de “sua majestade”, mais precisamente na Birmânia, corre o ano de 1922. Nesse período aguçou o sentimento de inconformismo contra a política imperialista britânica, sobre a qual escreveu depois de desertar em 1927: “Servi na polícia das Índias durante cinco anos, ao longo dos quais passei a odiar o imperialismo, que eu próprio servia, com uma força que ainda hoje eu não sei explicar”.

O romance “Dias na Birmânia” e vários ensaios, como “Dentro da Baleia”, “O enforcamento” e “O abate de um elefante” são frutos desse período, desse ódio “inexplicado”. Nessa mesma época, Orwell põe a santidade de Gandhi em xeque: “Santos devem ser culpados até que se prove sua inocência”. O autor de “1984″ acreditava que Gandhi era mais vaidoso que ele; engraçado, toda vez que vou almoçar no Nutrisom, o restaurante natureba que se localiza defronte o pernil do Estadão, eu penso nisso – genial.

George Orwell tinha o dom de pairar acima das calamidades que escolheu para si e acima das calamidades que a vida lhe reservou, bordejava não como um anjo, mas como um pensador que sabia agrupar os fatos e as consequências advindas desses fatos em escaninhos diferentes; julgava e acertava não como um árbitro ou um “crédulo intuitivo”, mas como homem de discernimento, e o mais notável, fazia isso sem precisar apelar para a imparcialidade, muito pelo contrário: a Orwell bastava ser livre, não se omitir e ser honesto consigo mesmo. Você, que acredita no Pedro Bial, não tente fazer isso em casa.

No texto que abre o livro “Dentro da baleia e outros ensaios”, cujo título é “Por que escrevo”, ele diz: ” escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar a atenção, e penso sempre que vou encontrar quem me ouça.”

Eu ouvi. Simples assim. Ouçam.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

O balanço do ensino paulista

O Estado de S.Paulo
Registrando em 2011 notas inferiores às obtidas nas avaliações de 2008 e 2009, o último balanço da educação paulista mostra que o desempenho dos alunos da rede pública de ensino básico continua abaixo do que se pode esperar do Estado mais desenvolvido do País. Os resultados, com base no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar (Saresp), são preliminares e se referem ao conhecimento de matemática e língua portuguesa dos 678 mil estudantes da 5.ª e da 9.ª séries do ensino fundamental e dos 322 mil alunos da 3.ª série do ensino médio.

Em matemática, só 0,3% dos estudantes do 3.º ano do ensino médio tinha conhecimento considerado avançado - ou seja, sabiam mais do que o esperado para a série. Apenas 4,2% tinham conhecimento adequado e 58,4% tinham conhecimento considerado abaixo do básico, pelas autoridades educacionais. Numa escala de zero a 500, a média da prova de matemática foi de 269,7 pontos, no Saresp de 2011 - na prova de 2010, ela foi de 269,2 pontos.

Essa nota indica que a maioria dos formados do ensino médio - que estão na faixa etária entre 17 e 18 anos - não tem o domínio de conteúdos, competências e habilidades desejáveis para a disciplina. Eles não sabem resolver nem mesmo questões elementares de álgebra e geometria. Em português, os alunos da mesma série também não se saíram bem - a nota média do Saresp de 2011 foi de 265,7 pontos - a mesma registrada na prova de 2010.

O melhor desempenho no Saresp de 2011 foi registrado no 5.º ano do ensino fundamental, cujos alunos têm entre 11 e 12 anos. Eles tiveram um aumento de 4,6 pontos em português e de 4,4 pontos em matemática, com relação ao Saresp de 2010. As autoridades educacionais enfatizaram esse progresso. Também chamaram a atenção para uma leve melhora no desempenho dos alunos da 3.ª e da 7.ª séries do ensino fundamental. E alegaram que, embora o número de alunos da 3.ª série do ensino médio despreparados continue sendo muito alto em termos absolutos, em termos comparativos as provas do Saresp registraram um pequeno avanço, entre o de 2010 e o de 2011.

"Os dados apontam que estamos no caminho certo, mas precisamos avançar ainda mais", disse o secretário adjunto de Educação, João Cardoso Palma Filho. Depois de alegar que o fraco desempenho do ensino médio decorre do desinteresse dos estudantes e que esse problema vem sendo registrado em todo o País, e não apenas em São Paulo, ele afirmou que o governo estadual espera um aumento gradual nas médias de matemática, uma vez que o bom desempenho dos alunos da 5.ª série do ensino fundamental, no Saresp de 2011, terá impacto positivo nas provas dos anos seguintes.

Há especialistas, contudo, que discordam. No conjunto, "o desempenho dos estudantes (no Saresp de 2011) foi praticamente o mesmo desde 2007. Isso mostra que a política educacional não avançou como deveria", disse Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Para Wanda Engel, do Instituto Unibanco, a situação do ensino médio é grave e preocupante. "Não adianta ensinar conteúdos dessa etapa se o aluno não desenvolveu as competências no ensino fundamental. É tentar colocar coisas em cima de uma base inexistente", afirmou.

Leia na íntegra O balanço do ensino paulista

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Manchetes do dia

Sádado, 10 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Acordo da Grécia resulta no maior calote da história" 

Sob pressão, grande maioria dos credores aceita perdas em títulos; porém, recuperação econômica do país é incerta

A Grécia celebrou os resultados do acordo com os credores do setor privado, que resultou no maior calote negociado da história. O governo grego informou que 95,7% dos investimentos privados vão trocar os seus títulos por papéis de prazo maior e com taxa de juros e valor menores. Os credores privados, que ao todo detêm € 206 bilhões em títulos gregos, terão uma perda de 53,5% (aproximadamente € 107 bilhões) no valor de seus papéis. A operação concluída ontem permite a diminuição da dívida pública do país e abre caminho para o socorro financeiro internacional. Com o acordo, a Grécia está apta a receber um novo empréstimo da Europa e do Fundo Monetário Internacional, de € 130 bilhões. O clima de ceticismo, porém, permanece. A agência Fitch rebaixou a nota grega para “calote parcial”. Há dúvidas sobre a capacidade de o país crescer.

O Estado de São Paulo
"Grécia dá calote histórico, mas mercado duvida do fim da crise" 

Reestruturação de € 206 bi é elogiada na UE; Portugal e Espanha são vistos como próximos alvos

Em acordo com credores privados, a Grécia promoveu ontem o maior calote da história moderna – mais de € 100 bilhões – e obteve da União Europeia o sinal verde para seu resgate de € 130 bilhões. O total da dívida reestruturada de Atenas atinge € 206 bilhões, também a maior da história. A medida grega foi negociada com o FMI e com a UE, para evitar uma suspensão descontrolada de pagamentos que poderia custar € 1 trilhão à economia europeia. Apesar do otimismo cauteloso dos governos, o mercado da Europa recebeu a notícia com frieza e estimou que a Grécia poderá precisar de mais dinheiro – um grupo de investidores alemães chegou a dizer que o acordo rebaixou a zona do euro “ao status de república bananeira”. Além disso, a previsão é que Portugal e Espanha serão os próximos alvos, diante dos sinais de que não conseguirão fechar as contas segundo as metas estabelecidas pela UE.

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sexta-feira, março 09, 2012

Viajando vamos vivendo...

Original aqui

Coluna do Celsinho

Pepino

Celso de Almeida Jr.
Em cidade próxima, fui à padaria.

Sete horas da manhã.

Percebi a falta de um funcionário.

Pai na chapa.

Mãe no balcão.

Filha, em uniforme de colégio caro, teclando celular.

Demorou a notar minha presença.

Pedi um café com leite e um pão com manteiga.

Sinalizou para esperar.

O pai, homem sofrido, percebeu.

Solicitou que a moça ajudasse.

Esta, disse que iria para o caixa, onde já formava fila.

Não estressei.

Aguardei um pouquinho e contei com o pai pós-chapa.

Levei copo e prato a uma mesinha solitária.

Fiquei observando a má vontade da garota.

Em poucos minutos, disse que não dava mais para ajudar, tinha que ir à escola.

Tudo bem.

Adolescência tem destas coisas.

Pensei nos pais.

Certamente, não poupam energia para garantir educação de qualidade para a filha.

Falta, porém, chamá-la à responsabilidade, explicando que é preciso estar atenta aos esforços da família, à luta pela sobrevivência.

Orientar a juventude torna-se menos difícil quando na infância a formação foi pautada em valores sólidos e no respeito aos primeiros limites.

Há muito tempo sabemos que é de menino que se torce o pepino...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Percalços da presidente

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff só tem a si mesma para culpar pelos seus dissabores políticos. O mais recente deles - e decerto longe de ser o último - foi a derrota que o PMDB e outros menos votados lhe infligiram no Senado, ao rejeitar por 36 a 31 votos, em escrutínio secreto, a recondução do petista Bernardo Figueiredo à presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Homem de confiança da presidente, com quem trabalhou na Casa Civil no governo Lula, Figueiredo coordena o projeto do trem-bala, menina dos olhos da chefe. Com o vazio na agência, o que seria apropriado chamar "Expresso Dilma" vai tardar ainda mais a sair do papel. Pela lei das consequências imprevistas, trata-se de uma boa notícia para todos quantos consideram a ideia uma faraônica fantasia.

Sendo o que são as preocupações que movem a esmagadora maioria dos políticos brasileiros, não foi por achar que o trem-bala é um colossal desperdício que os senadores bloquearam a permanência do seu condutor na ANTT. Foi para se vingar de dois agravos. Um, o de sempre: a relutância da presidente em autorizar as verbas para as emendas parlamentares e a sua recusa em preencher a tempo e hora as vagas nos escalões superiores da máquina, sem falar nas nomeações que não levam na devida conta os interesses da disforme coalizão governista de uma dúzia de legendas, o tóxico legado do seu antecessor e patrono. O segundo agravo vem do que seria o uso de "ampla estrutura governamental" para fortalecer o PT nas eleições locais deste ano, com o intuito de tirar do PMDB o "protagonismo municipalista" (sic) e assumir o seu lugar como o partido com o maior número de prefeitos do País - 1.177, atualmente.

As citações são do manifesto assinado na semana passada por 53 dos 76 deputados federais da legenda, cujo presidente de facto, Michel Temer, é o vice de Dilma. Petista, embora não propriamente desde criancinha, ela é um alvo mais à mão do que os seus companheiros. Afinal, não teria sentido uma agremiação acusar a outra de querer o mesmo que ela - ganhar eleições. A política, além do mais, tem vida própria em cada esfera da Federação: basta lembrar o fracasso da tentativa da Justiça de obrigar os partidos a reproduzir nos Estados e municípios as alianças no plano nacional. O confronto pelo "protagonismo municipalista", afetando por tabela a coligação federal, se nutre também do fato de que nele não há objetivos comuns que transcendam as ambições dos coligados: o toma lá dá cá é o seu único - e poroso - cimento.

Tudo isso devia ser óbvio para quem frequentou o coração do governo durante sete dos oito anos do reinado de seu antecessor. Só que ele administrava a cobiça da tigrada com uma desenvoltura que a sucessora, pelo visto, não adquirirá nem em 70 anos de Planalto. Lula, não bastasse a desenvoltura no uso dos recursos de poder ao alcance de um presidente da República, jogava com os políticos no campo deles, mas sob as suas regras e com uma imensa torcida a dar-lhe força. Com um talento para a política inversamente proporcional ao seu interesse pela administração, tinha ainda o invejável dom de deixar os interlocutores com quem trocava abraços, piadas e tapinhas nas costas com a sensação de que tinham ouvido um sim, mesmo quando ele havia dito não. Dilma, com o seu estilo cortante, parece dizer não mesmo quando diz sim.

Leia na íntegra Percalços da presidente

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 09 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Fatia da indústria no PIB retorna ao nível dos anos 50" 

Participação do setor caiu para 14,6%, a menor desde 1956, primeiro ano do governo Juscelino Kubitschek

A participação da indústria brasileira no PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado recuou ao patamar de 1956, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek lançou o plano de metas “50 anos em 5” – exatamente para estimular o crescimento industrial do país. No ano passado, o setor representou apenas 14,6% do PIB. O auge da contribuição foi em 1985, com 27,2%. Desde então, tem caído. A alta das importações, a falta de competitividade e o avanço de outros setores são os principais fatores que levaram o recuo industrial.

O Estado de São Paulo
"Dilma pede ajuda a Temer para pacificar base aliada" 

Governo admite ‘momento tenso’, e presidente fala em retomar diálogo após derrota política no Senado

Desafiada pela base aliada, a presidente Dilma Rousseff pediu socorro ao vice Michel Temer, sob o impacto da derrota política sofrida na véspera, quando o Senado rejeitou sua indicação para a Agência Nacional de Transportes Terrestres. Temer foi chamado logo cedo ao Planalto e ouviu da presidente um pedido de ajuda para retomar o diálogo com o Congresso e pacificar a base conflagrada. Dilma fez questão de registrar o compromisso com Temer na agenda presidencial para enviar aos aliados o recado público de que o objetivo do governo é conversar. No curto prazo, a rebelião terá pelo menos mais um efeito colateral: a votação do Código Florestal, que estava prevista para a semana que vem, está adiada e não acontecerá mais em março. O governo está convencido de que, se a votação fosse realizada na semana que vem, o texto apoiado pelo Planalto seria derrotado. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, admitiu que o governo vive um “momento tenso” na relação com a base aliada.

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quinta-feira, março 08, 2012

Aviação

Outubro, 1919. "Transcontinental air race, Roosevelt Field, New York. Col. A. Miller, Lt. E.C. Kiel, Sgt. F.K. McKee." Original aqui

Política

De tiros nos pés...

Sidney Borges
Em recado ao Príncipe, disse Niccolò Machiavelli:
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Se um homem te causa problemas, mate o pai dele. Mas nunca toque em sua propriedade, em seus bens, em seu ganha-pão. O homem esquece a morte do pai, mas jamais esquece quem o impede de ganhar a vida ou quem surrupia, ou tenta surrupiar o que lhe pertence.

O recado serve a todos que estão na vida pública, condição que requer prudência e bom senso. Um pouco de cultura também não faz mal pois protege os pés de tiros disparados com o fígado.

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Opinião

Menos marketing, mais qualidade

José Serra - O Estado de S.Paulo
Ao fim de nove anos de governo do PT, a política educacional brasileira resultou numa verdadeira sopa de pedras. Não tem consistência e as iniciativas desconexas se vão sucedendo - pedras jogadas na panela aquecida por vultosos recursos públicos produzindo pouca substância. Os Estados e os municípios cuidam da pré-escola, do ensino fundamental e médio. Mas a esfera federal detém capacidade legislativa e normativa, além de recursos em grande escala, para atuar no setor. No ensino superior público, o grande agente é o Ministério da Educação (MEC), com a exceção de uns poucos Estados que têm grandes universidades.

O mais recente exemplo dessa inconsistência é o Plano Nacional de Educação 2011-2020, resumido no Senado pelo novo titular da Educação, Aloizio Mercadante. A superficialidade e a confusão das falas do ministro afligem aqueles que consideram a educação o principal desafio brasileiro neste século.

Nem no plano nem nas falas há nenhuma pista para enfrentar o fato de que o ensino superior público no Brasil, na era petista, foi além da estagnação. Acredite se quiser: em 2010 formou menos 24 mil estudantes do que em 2004, segundo estimativa de Carlos Brito, da Fapesp, destoando da fase de forte expansão no governo Fernando Henrique Cardoso e do ministro Paulo Renato.

No momento, a pedra mais vistosa atirada na sopa são os tablets, a serem distribuídos de graça. Ninguém responsável pode rejeitar a chegada das modernas tecnologias às salas de aula. Mas não passa de mistificação barata - ou muito cara, a depender de como se faça - essa história de que a educação só melhora se cada aluno e cada professor tiverem nas mãos um iPad, como promete o ministro. Rejeitar a adoção de modernas tecnologias seria o mesmo que combater a luz elétrica e a água encanada. Mas um professor mal preparado o será em qualquer circunstância. Um aluno que mal sabe escrever e multiplicar não será redimido por um tablet. A distribuição de material eletrônico sem bons guias curriculares e programas de formação e qualificação dos professores é dessas firulas atrás de manchetes. O governo Lula fez isso em 2005 com laptops - "Um Computador por Aluno", lembram? O fracasso foi retumbante.

Como noticiou este jornal, 3,8 milhões de crianças e jovens não estão na escola; na faixa dos 15 aos 17 anos, nos oito anos de FHC e Paulo Renato, o porcentual fora da escola caiu de 33% para 18%. Depois disso a inclusão se desacelerou e 14% ainda não frequentam nenhuma instituição de ensino. Acredite se quiser: em 2010 houve menos concluintes do ensino médio do que em 2003, com um decréscimo anual de 0,5% ao ano.

Com ou sem tablets - eles são uma ferramenta, não uma política pública em si -, o governo federal deveria empenhar-se em pôr na escola essa imensa fatia da juventude e elevar o padrão de ensino, em especial expandindo o ensino profissionalizante. Não é o que se vê. Tome-se o Pronatec, programa copiado do Protec, proposta nossa durante a campanha de 2010, tão combatida pelos petistas. Além do atraso para dar início ao programa, foram excluídas as bolsas em escolas técnicas particulares, precisamente as que atendem jovens mais pobres. Isso exclui cerca de 50% dos alunos dessas escolas.

Em São Paulo, em 11 anos, foram criadas 104 escolas técnicas de nível médio, abrindo 150 mil vagas adicionais. É preciso pensar mais no estudante e menos nas manchetes, mais em dar uma resposta aos problemas reais dos alunos e de suas famílias e menos em soluções marcadas pela publicidade e pelo açodamento. A improvisação é tanta que a capacitação técnica de professores e o método pedagógico que deveriam orientar a utilização dos milhões de tablets prometidos só estão previstos para depois da chegada dos aparelhos!

Outra pedra atirada na sopa da educação petista foi a tentativa de transformar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) numa prova de acesso à universidade. Sob o pretexto de pôr fim ao vestibular nas universidades federais, criou-se o maior vestibular do mundo ocidental. Assistiu-se a um festival de trapalhadas, injustiças, arbitrariedade, subjetivismo e falta de critério na correção das provas. No fim, o aluno nem sabe direito por que tirou essa ou aquela nota. Pior: as críticas corretas e sensatas foram consideradas tentativas de sabotagem. A incompetência flerta frequentemente com o autoritarismo.

Ao abordar as dificuldades do Enem como "vestibulão", o novo ministro produziu mais uma pérola, dizendo que os problemas decorrem do fato de o Brasil ser muito grande, e alegou que isso não é culpa do MEC. Será que o PT vai esperar que o País encolha para começar a governá-lo com competência? Ou, quem sabe, seus ministros possam candidatar-se ao cargo de gestor na Escandinávia, cujos países são bem menores que o Brasil e solicitam menos dos homens públicos, pois muitas das condições que ainda infelicitam o nosso povo já estão resolvidas por lá. É sempre bom lembrar que o Brasil, afinal de contas, já tinha esse tamanho antes de o PT chegar ao poder.

Leia na íntegra Menos marketing, mais qualidade

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 08 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"BC acelera corte de juros após tombo da indústria" 

Com o objetivo de reanimar a economia, instituição faz corte de 0,75 ponto

Horas após a divulgação do resultado ruim da indústria em janeiro deste ano e um dia depois da notícia do PIB fraco de 2011, o Banco Central decidiu acelerar o corte dos juros, reduzindo a taxa em 0,75 ponto. A Selic, agora em 9,75% ao ano, não ficava abaixo de dois dígitos desde 2010. Em janeiro, a indústria caiu 2,1%, pior resultado em três anos. O número corrobora previsões de crescimento ainda fraco em 2012. É consenso entre analistas que a indústria só reagirá com mais vigor no segundo semestre, quando devem ser sentidos os efeitos da queda dos juros, das medidas de estímulo ao crédito e da desoneração de setores. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o governo adotará medidas “toda semana” para estimular o crescimento. 

O Estado de São Paulo
"Dilma promete verba, mas base rejeita diretor de agência" 

Senado impõe derrota ao governo ao vetar Bernardo Figueiredo na Agência Nacional de Transportes Terrestres

Pressionada pelos partidos da base, incluindo o PMDB, a presidente Dilma Rousseff mandou liberar verbas na tentativa de agradar a aliados insatisfeitos com o controle sobre gastos dos ministérios e com o aperto imposto à liberação de emendas dos parlamentares. O movimento não foi capaz de abafar a rebelião e impôs a primeira derrota de Dilma neste ano no Congresso. O Senado rejeitou a recondução de Bernardo Figueiredo à presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres. Figueiredo era avaliado pela presidente por ser um petista que coordena o projeto do trem-bala. Ela pretende agora entrar pessoalmente em ação, para se reafirmar como interlocutora da base.

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quarta-feira, março 07, 2012

Viajando vamos vivendo...

Original aqui

Ubatubices ubatubenses...

Tem boi na linha?

Sidney Borges
Hoje é dia 7 de março e as eleições acontecerão no dia 7 de outubro, faltando, portanto, 7 meses. Coincidência, 777, uma dica aos adeptos de jogos. Em Ubatuba há muitos candidatos, na medida do possível converso com eles, quando não dá para ouvir da "boca do cavalo" procuro membros do staff, ou como diz um amigo, pessoal do "cordão".

Por aqui muito se comenta sobre pesquisas. Todos os candidatos as fazem e todos parecem estar na frente, liderando a corrida. É uma pena que só um será eleito. 

Tem candidato calouro cutucando o dragão da maldade com vara curta. Precisa urgente de assessoria jurídica. O gajo insiste em fazer propaganda antecipada. Crime eleitoral. Lula e Dilma sabem do que falo, a corrida pela prefeitura paulistana não terá programas televisivos do PT, suspensos pela Justiça Eleitoral. Por conta de propaganda antecipada.

Falando de eleição não posso deixar de mencionar a Lei da Ficha Limpa. Em 2005, poucos falavam nisso e eu, de certa forma acreditando em Papai Noel, lancei a campanha "Ficha Limpa e dedicação exclusiva". Ninguém deu bola, na época visei o secretariado municipal. Ubatuba perdeu uma boa oportunidade de sair na frente e aparecer na mídia nacional de forma criativa.

Um lágrima pelo radialista e cinegrafista Maurício, conhecido como baixinho, morto recentemente. Personagem controverso, tinha talento e sabia fazer, mas vivia em Ubatuba onde as possibilidades são escassas.

Voltando à Ficha Limpa, tem peixe graúdo na rede. É de se esperar o surgimento de lavanderias cósmicas. Logo dirão que aquilo não é aquilo e tudo voltará à normalidade tupiniquim, onde o que é particular tem dono. No trato da coisa pública as coisas mudam de sabor. Da bolsa da viúva sacam os espertos. Claro que nem todos, só quem tem dinheiro para segurar a retranca. Ah! O preço da retranca vai subir. Muito!

Tomara eu esteja errado e a Ficha Limpa limpe os poleiros infectos que há. Amém!

Governos são populares enquanto há dinheiro circulando. Ao menor sinal de recessão a nudez do rei se expõe. Há risco no ar, o crescimento do Brasil transita aquém do esperado.

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Opinião

O PIB da ineficiência

O Estado de S.Paulo
Baixo crescimento, alta inflação e piora das contas externas marcaram a economia brasileira em 2011. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 2,7%, segundo o cálculo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação chegou a 6,5% e bateu no teto da meta. Foi impulsionada não só pela alta dos preços internacionais de petróleo, metais e produtos agrícolas, mas também por uma forte demanda de consumo. Além disso, pioraram as transações com o exterior. A receita de exportações de bens e serviços elevou-se 4,5%, enquanto a despesa com importações subiu 9,7%. Mais uma vez o setor externo deu uma contribuição negativa para o PIB, subtraindo 0,7% do crescimento. Essa tendência, observada há alguns anos, deve acentuar-se neste ano, a julgar pela evolução do comércio exterior brasileiro no primeiro bimestre e pelas projeções tanto oficiais quanto do setor privado.

Se dependesse apenas da demanda interna, a economia brasileira teria crescido 3,4%, de acordo com os dados do IBGE. Mas a indústria foi incapaz de atender ao apetite dos consumidores, por causa dos custos elevados e da valorização do real. Com o real valorizado, os produtos nacionais ficam mais caros, quando seu preço é convertido em dólares ou euros. Além disso, o dólar barato estimulou as viagens ao exterior, bem como as remessas de lucros e dividendos, e também esses fatores pesaram nas contas.

Houve um claro descompasso na economia brasileira. O consumo das famílias cresceu 4,1%, impulsionado pela expansão do emprego, pelo aumento de 4,8% da massa de salários reais e por empréstimos pessoais 18,3% maiores que os do ano anterior. Enquanto isso, a produção industrial avançou apenas 1,6% - deslocada pela competição estrangeira - e a de serviços, 2,7%. A inflação teria certamente superado a marca de 6,5%, se a importação não tivesse coberto uma parcela considerável da demanda dos consumidores.

O governo aponta como dado positivo a expansão de 4,7% no investimento em máquinas, equipamentos, construções e obras públicas. O crescimento do PIB, segundo o discurso otimista, foi puxado pela aplicação de recursos no fortalecimento da capacidade produtiva e, portanto, o Brasil está no caminho certo. No entanto, o investimento, equivalente a 19,3% do PIB segundo as contas do IBGE, continua longe do necessário para um crescimento econômico igual ou superior a 5% ao ano sem pressões inflacionárias e sem grave desequilíbrio externo.

Esse nível mínimo de investimento, segundo cálculos correntes entre profissionais independentes e economistas do governo, deve corresponder a uns 24% do PIB. Mas a diferença entre o valor investido nos últimos anos e o mínimo desejável não é o único problema, quando se trata do objetivo de ampliar e modernizar a capacidade produtiva. A poupança interna ficou em 17,2% do PIB, no ano passado. A diferença entre o valor poupado e o investido foi coberta com recursos externos.

Em princípio, não há problema na captação de poupança estrangeira para investir. Mas a distância entre a poupança atual e a necessária para um crescimento sem risco de grandes desajustes também é muito ampla. Isso se deve principalmente à propensão do governo para a gastança. Essa propensão limita a capacidade de poupança do setor público e, ao mesmo tempo, dificulta qualquer revisão séria do sistema tributário. Impostos excessivos e mal concebidos encarecem a compra de máquinas e equipamentos e acabam limitando também o investimento privado.

Leia a integra em O PIB da ineficiência

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 07 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"PIB fraco no 1º ano de Dilma pressiona BC a reduzir juros" 

Indústria freia a economia do país, que cresceu menos que emergentes; presidente culpa crise europeia

No primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, a economia brasileira cresceu apenas 2,7% em 2011, segundo o IBGE. O resultado é inferior à média anual de 4,1% no governo Lula. O PIB foi influenciado pelo desempenho ruim da indústria, que cresceu só 1,6%. O consumo das famílias, que subiu 4,1%, impulsionou a economia, embora tenha sido o menor desde 2004.

O Estado de São Paulo
"Indústria freia PIB e governo promete medidas ‘fortes’" 

Economia cresce apenas 2,7% em 2011; Planalto quer baratear financiamentos do BNDES e corte de juros

O PIB brasileiro cresceu 2,7% em 2011, primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, contra 7,5% em 2010, último ano do presidente Lula. O resultado foi puxado pela indústria, que cresceu apenas 1,6%. O governo, que almeja crescimento anual de 5%, acena com medidas para acelerar a economia. Segundo o ministro Guido Mantega(Fazenda), “haverá uma ação mais forte do governo para que o crescimento se realize”. O governo discute baratear financiamentos do BNDES para novos investimentos e um aporte de R$ 30 bilhões para o banco. Além disso, o Planalto avalia que estão dadas as condições para que o Banco Central, na reunião de hoje, acelere o corte de juros.

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terça-feira, março 06, 2012

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Opinião

Tsunami de palavras

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff tem fortes motivos para se preocupar com a enxurrada de euros, dólares e libras lançada nos mercados por três dos maiores bancos centrais do mundo rico. Essa inundação de moeda - tsunami, segundo ela - é realmente prejudicial ao Brasil e a outras economias em desenvolvimento. Mas nenhum problema será resolvido com sua peroração contra as políticas fiscal e monetária adotadas para combater a crise nos Estados Unidos, na zona do euro e no Reino Unido. A presidente exibe uma evidente inclinação para um velho esporte latino-americano - atribuir aos outros toda a responsabilidade por seus infortúnios e fazer muito menos que o necessário e possível para corrigir as próprias deficiências. Ela tem um motivo legítimo para preocupação, mas os brasileiros têm dois: o efeito cambial da inundação monetária e a pouca disposição do governo para cuidar seriamente dos problemas internos de competitividade.

A chanceler alemã Angela Merkel prometeu e já deve ter explicado à presidente brasileira a estratégia europeia de combate à crise, determinada em grande parte pelos políticos da Alemanha. Essa estratégia inclui um forte aperto fiscal na maior parte dos países, porque quase todos enfrentam graves desajustes orçamentários e têm pouco espaço para aumentar seus gastos. De fato, até poderiam gastar um pouco mais e aumentar o estímulo fiscal à recuperação, como propõem as autoridades brasileiras, mas isso os líderes alemães não aceitam. A crise tem sido atenuada pela expansão monetária promovida pelo Banco Central Europeu (BCE), formalmente autônomo em relação aos governos da zona do euro. O dinheiro emitido para operações de socorro - cerca de 1 trilhão só a partir de dezembro - tem dado algum alívio aos Tesouros e alguma segurança adicional aos bancos.

Ontem, um repórter perguntou à presidente Dilma Rousseff, na Alemanha, se, ao se queixar à chanceler alemã, o governo brasileiro não estaria sugerindo uma intervenção na política, legalmente autônoma, do BCE. "Não" respondeu a presidente, "e sabe por quê? Por que estão interferindo na nossa." Não está claro se ela entendeu a pergunta, mas pelo menos quanto a um ponto não há dúvida: sua resposta indica uma confusão entre fatos muito diferentes.

Qualquer decisão econômica tomada num grande país ou bloco importante pode afetar positiva ou negativamente a economia de outros países, sem, no entanto, violar sua autonomia. Brasília não violou a autonomia argentina, quando sancionou a desvalorização do real em janeiro de 1999. Foi uma ação direta sobre o câmbio. No caso da enxurrada de euros, o efeito cambial é indireto. Tampouco se pode atribuir aos dirigentes do BCE a intenção de mexer indiretamente no mercado cambial ou de criar uma barreira protecionista - acusação formulada pela presidente brasileira. Ao contrário do BCE e do Federal Reserve, dos Estados Unidos, o governo chinês tem uma clara política de subvalorização cambial, muito raramente citada pelo governo brasileiro.

Leia a íntegra em Tsunami de palavras

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Manchetes do dia

Terça-feira, 06 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"China avisa que crescerá menos e preocupa Brasil" 

País asiático é o maior comprador de produtos brasileiros; anúncio afeta Bolsas

O governo chinês reduziu a meta de crescimento da economia para este ano, de 8% (alvo usado desde 2005) para 7,5%. A ação derrubou Bolsas e trouxe preocupação para o Brasil, grande exportador de commodities. Com os países ricos em crise, o primeiro-ministro Wen Jiabao afirmou que a China vai buscar um crescimento sustentável, reduzindo o peso das exportações e ampliando a participação do consumo doméstico.

O Estado de São Paulo
"Dilma fala em defender real e Merkel ataca protecionismo" 

Em divergência pública, presidente volta a criticar europeus, e alemã diz observar ações de emergentes

Em evento que deveria marcar a comunhão de interesses entre Brasil e Alemanha, ontem em Hannover, as dirigentes dos dois países divergiram publicamente. A presidente Dilma Rousseff voltou a disparar críticas contra o que chama de “tsunami monetário” na Europa, classificou de “intervenção” na economia brasileira a ação do Banco Central Europeu e advertiu que o Brasil poderia adotar mais medidas para proteger o real da “desvalorização artificial” de outras moedas. Ela não especificou quais seriam essas medidas. A resposta veio horas depois. Em discurso de improviso, a chanceler Angela Merkel advertiu que os países desenvolvidos observam “as medidas protecionistas unilaterais”, em referência indireta aos países emergentes. Ela disse que “não há alternativa para a União Europeia além de desenvolver a estabilidade e tomar medidas preventivas”. 

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segunda-feira, março 05, 2012

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Opinião

Ciência sem Fronteiras

O Estado de S.Paulo
Para que o ensino superior dê um salto de qualidade, o governo lançou em 2011 o programa Ciência sem Fronteira, que prevê a concessão de bolsas a estudantes que queiram fazer mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior. Pelas regras do programa, a definição dos critérios de seleção dos candidatos, das áreas a serem financiadas e do valor das bolsas é de responsabilidade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Nos próximos quatro anos, o governo pretende oferecer 101 mil bolsas, das quais 75 mil com recursos próprios e 26 mil custeadas por empresas estatais, empresas privadas e bancos. As primeiras bolsas se destinam a estudos nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e Itália e as áreas escolhidas são matemática, física, química e biologia.

As próximas chamadas públicas previstas para 2012 devem privilegiar as engenharias e as ciências aplicadas, como nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia mineral, petróleo, gás e carvão mineral - áreas que o governo considera estratégicas para a qualificação da mão de obra e o desenvolvimento econômico.

O Ciência sem Fronteiras foi bem recebido pela iniciativa privada, que reivindica mão de obra altamente qualificada. Já a comunidade acadêmica, apesar de também ter recebido bem o programa, adverte que o governo relegou para segundo plano o problema do excesso de burocratização no processo de reconhecimento dos diplomas emitidos no exterior.

Essa tem sido uma das maiores reclamações de quem concluiu uma graduação ou uma pós-graduação no exterior. A legislação que trata da matéria foi editada em 1996, e as resoluções baixadas desde então pelos órgãos educacionais tornaram o processo lento. A validação do título de mestre ou doutor emitido no exterior é realizada por universidades brasileiras credenciadas pela Capes. Muitas delas tendem a ver as universidades estrangeiras como concorrentes - isso quando não há preconceito ideológico de comissões de pós-graduação, congregações e comitês de área da própria Capes contra determinadas instituições, especialmente as americanas.

Por isso, há exigências estapafúrdias - como exigência da mesma carga horária, das mesmas disciplinas e currículos, do mesmo esquema de avaliação de teses, de traduções juramentadas e de documentos expedidos por consulados. "Do ponto de vista acadêmico, é uma insensatez", disse a professora Maria Cecília Coutinho de Arruda, da Fundação Getúlio Vargas, em entrevista ao jornal Valor. Além dessas exigências, as universidades escolhidas pela Capes, alegando que não dispõem de funcionários em número suficiente e que os docentes nada ganham para avaliar os pedidos, limitam o número de processos de reconhecimento de diploma.

A Universidade de Brasília, por exemplo, analisa apenas seis processos por área de conhecimento a cada semestre. Em algumas universidades federais, o processo de revalidação de diplomas obtidos no exterior chega a demorar um ano.

Leia a íntegra em Ciência sem fronteiras.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 05 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Putin vence na Rússia, e opositores irão às ruas" 

Premiê, que terá mais de 6 anos no poder, chora ao comemorar vitória folgada

Vladimir Putin, 59, o atual premiê da Rússia, venceu com folga as eleições presidenciais e comandará o país pelos próximos seis anos. Com 95% da apuração concluída, Putin tinha 64% dos votos válidos, ante 17% do segundo colocado.

O Estado de São Paulo
"BCs dos países ricos gastaram US$ 8,8 tri nos últimos 3 anos" 

Dinheiro foi injetado no sistema financeiro, o que está dividindo opiniões na comunidade internacional

Os bancos centrais dos países ricos injetaram US$8,8 trilhões em pouco mais de três anos em seus sistemas financeiros, o que provoca fortes críticas de autoridades de nações emergentes e causa uma divisão na comunidade internacional sobre as estratégias para lidar com a crise. No total, o que a presidente Dilma Rousseff chamou na semana passada de "tsunami monetário" já supera em aproximadamente quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Ontem, em uma reunião fechada na Basileia, sede do banco central dos bancos centrais (BIS), e com a orientação a todos os participantes para que não vazem nenhum ponto discutido no encontro, o centro do debate foi mesmo a inundação do mercado com dinheiro barato e a intervenção das autoridades monetárias.

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domingo, março 04, 2012

Françoise Hardy

Viajando vamos vivendo...

Coluna do Mirisola

O gorila agônico

“É só uma questão de tempo, de pouco tempo, para os gorilões despencarem do alto da torre e virarem qualquer coisa, virarem JB”

Marcelo Mirisola
Os pães, e o jornal debaixo do braço. Era de lei: na volta da padaria passava no jornaleiro e trazia as notícias e os pães quentes para casa. A pergunta é: há quanto tempo você não passa no jornaleiro? Ou: há quanto tempo você não acorda, abre a porta de sua casa e depara com o jornal esperando para ser lido, antes mesmo de dar tempo de passar manteiga no pão?

O que vai matar os jornais impressos é a falta de hábito. Difícil vai ser acabar com o pão quente.

Vocês perceberam como os jornais perderam o viço, perderam o encanto?

As notícias têm outros endereços, e a urgência e a novidade dos jornais encontram-se em qualquer outro lugar. Difícil é encontrar pão quente na farmácia. Há coisa de vinte anos, você acordava ansioso pra ver o que o Paulo Francis havia escrito na Folha. Era o endereço dele. Em nenhum outro lugar você o encontraria, a não ser que vocês frequentassem a mesma padaria. Era o endereço da Marilena Chauí também, que se atravaca ferozmente com o jornalista.

Percebem como ela está quieta? A filósofa se diverte em sua caverna.

Não é nem pelo desaparecimento de Paulo Francis, o que não faltam são genéricos. Nem pela palidez e a falta de charme dos colunistas de hoje, a questão é que o palpite (ou a chatice) deles está em todos os lugares: no seu celular, no google, nos blogues, nas mesas redondas da tevê, na Casa do Saber, no Itaú Cultural, na Flip, no facebook, no tuiter e – por acaso – os encontramos nos jornais impressos e nas revistas semanais.

Tem o ouro quem paradoxalmente se manifesta o mínimo necessário. Marilena Chauí ganha de W.O.

O jornal impresso, hoje, é um ente tão esotérico como o ceguinho do realejo. E o leitor de jornal um excêntrico, como o aposentado que frequenta sebos, não sabe ligar o computador e nunca vai ouvir falar de um treco chamado “estante virtual”.

Certamente para os apaixonados do Largo da Liberdade, o ceguinho do realejo é mais necessário do que qualquer jornal impresso, pois ele exerce a função primordial de informar quem o procura, e só pode ser substituído por outro ceguinho do realejo. O nome disso é exclusividade. Tem, portanto, razão de existir.

Ah, e se depender do simpático periquitinho que é seu funcionário, o futuro está garantido. Vez ou outra, quando leio os jornais a partir do meu celular, encontro algum colunista furioso defendendo a qualidade da informação na empresa onde trabalha, e atacando o lixo que circula pela rede.

Ora, as entrevistas que eles publicam com políticos mentirosos, o destaque que dão a celebridades instantâneas, o horóscopo, os editoriais que defendem a tradição, a família e a propriedade, os ataques histéricos dos leitores pedindo providências e reclamando dos buracos na rua, o carnaval de todo ano, as brigas na apuração das escolas de samba, a Preta Gil e a Ivete Sangalo sacudindo as banhas e os silicones nas colunas sociais, a página de esportes, o corte de cabelo do Neymar e as fotografias de gol … afinal, os jornais de cabo a rabo, no que diferem do lixo que circula pela internet?

Outra coisa. Independentemente do fator Zuckerberg, aqui, no Brasil temos o fator Lula. Depois que o peão derrotou toda a “informação de qualidade” que era veiculada contra ele, os grandes jornais e as revistas consumidas nos quiosques do Clube Paulistano, perderam não só o lugar de excelência e exclusividade, perderam não somente o posto de observação privilegiado, mas perderam sobretudo mira,munição e credibilidade. Quer dizer: não perderam a credibilidade nos quiosques, lá a vida do lado de fora e a constituição não existem. Perderam a credibilidade do inimigo.

Aí é que mora o perigo. Aí, nessa conjunção de Zuckerberg + Lula, é que pode ter acontecido o golpe de misericódia. A grande notícia do século XXI vai ser dada pelo Brasil, quem diria…  Os anunciantes não são tontos, nem eles, nem madame Chauí, que permanece calada.

E nessa rinha não importa quem está a favor da verdade ou quem trabalha para a mentira. Do ponto de vista da pulverização da informação – como demonstrei acima – se Lula é um estadista ou um gângster, se Zuckerberg é um gênio, ou um nerd sortudo, isso é irrelevante.

Não adianta nada estrilar, agora é tarde. Não adianta bater no peito feito um King Kong, e dizer: “Temos conteúdo, temos qualidade de informação”. Porque a informação está voando ao redor, feito os aviõezinhos que bombardeavam o gorila do Empire State Building. E o mais interessante: esses aviões-mosquitos não defendem nenhum patrão. Simplesmente atordoam o gigante, e o confundem com sua infâmia mezzo pão quente a todo instante e uma suposta “falta de qualidade”. A propósito: um Pascotto no facebook vale por mil José Simões e pelo “conteúdo” de todos os “articulistas” da ilustrada juntos, menos os quadrinhos e o Cony. Portanto, essa falta de qualidade é algo bem discutível.

Nem vale a pena falar do medieval Estado de São Paulo que demitiu Maria Rita Kehl por delito de opinião. Não bastasse a foice do tempo, os caras ainda fazem questão de atirar no próprio pé. Vai chegar um dia que a Veja circulará apenas nos quiosques dos clubes Paulistano, Harmonia e Pinheiros. De modo que não é absurdo dizer que um grande sustentáculo do quarto poder está em vias de extinção, seus alicerces estão comprometidos e corroídos a partir de dentro. E a ameaça mais grave não vem de governos autoritários, mas do endereço e da identidade que perderam, do cep que não existe mais.

O gigante perdeu o lugar no mundo, e só lhe resta o grito agônico do alto da torre, um urro ignóbil pela liberdade de ser redundante, ou seja, de gritar (ou informar, tanto faz) que ele está morrendo.

A questão é: o que faz um bicho desse tamanho pendurado no edifício mais alto da cidade senão atrapalhar a rotina de quem vai à padaria comprar pão quente? Eis a palavra crucial: rotina, sinônimo inflexível de hábito. Era disso que viviam os jornais e os veículos impressos no século passado. Dançaram.

A selva de Gutemberg, agora é a selva de Zuckerberg. O que era impresso era verdade. Às vezes valia mais do que a lei. E o tesouro mais precioso do quarto poder (o endereço ), aqui, na grande cidade virtual, é apenas um grito no meio de milhares de outros gritos. É só uma questão de tempo, de pouco tempo, para os gorilões despencarem do alto da torre e virarem qualquer coisa, virarem JB.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A saúde vai mal

O Estado de S.Paulo
Direito de todos e dever do Estado, como garante a Constituição promulgada há quase um quarto de século, o adequado atendimento por programas públicos na área da saúde ainda não passa de mera aspiração para a grande maioria dos brasileiros. Embora a Constituição determine que esse direito deve ser assegurado por meio de políticas sociais e econômicas que reduzam o risco de doenças e estabeleça também que todos os cidadãos devem ter acesso a atendimento integral no campo da saúde, poucos brasileiros dispõem de serviços com um mínimo de qualidade. Criado para assegurar o cumprimento das normas constitucionais no campo da saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) consegue atender de maneira adequada menos de 2% da população. Em praticamente três quartos dos municípios o serviço pode ser considerado razoável. Em 20,7%, é ruim.

Este retrato da baixa qualidade do atendimento pelo SUS, baseado em estatísticas e dados de diferentes procedências, foi feito pelo próprio governo. As mazelas nesse campo, apontadas ou sugeridas pelo novo indicador criado pelo Ministério da Saúde, desmentem a afirmação megalômana feita há cinco anos pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que "não está longe de a gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país". Essa perfeição, infelizmente, continua muito distante de milhões de brasileiros.

Para avaliar os serviços prestados pelo SUS, o Ministério da Saúde criou o Índice de Desenvolvimento do SUS (IDSUS), baseado em 24 quesitos que avaliam, entre outros pontos, o acesso aos serviços, a população atendida pelas equipes básicas de saúde, a abrangência de ações como as ligadas à saúde bucal e à aplicação de vacinas em crianças com até 1 ano de idade. Também é avaliada a qualidade dos serviços. Por ser difícil de avaliar, o estudo não considera o tempo de espera pelo atendimento.

De uma escala que varia de 0 a 10, a média do País ficou em 5,47. É como se tivesse sido aprovado na tangente. É uma nota muito ruim tanto tempo depois de instituído o SUS. Não é apenas a média nacional que mostra um país no qual a saúde da população não anda bem. São imensas as disparidades da qualidade de serviços entre regiões e, dentro delas, entre alguns municípios e os demais.

Do total de 5.633 municípios, apenas 6 (ou 0,1%) registraram índice igual ou superior a 8, e 341 (ou 6,1%) tiveram índice entre 7 e 7,9. Somente esses 347 municípios, todos localizados nas Regiões Sul e Sudeste e nos quais vive 1,9% da população do País, podem ser considerados bem atendidos pelo sistema de saúde pública. Na outra ponta da classificação, com nota entre 0 e 4,9, estão 1.150 municípios (20,7% do total), que abrigam 27,1% da população do País. No meio (nota entre 5 e 6,9) estão os demais municípios.

Para evitar comparações entre municípios com características diferentes, o estudo os dividiu em seis grupos, de acordo com seu desenvolvimento econômico, as condições de vida e a estrutura dos sistemas de saúde. O primeiro grupo, por exemplo, que dispõe de melhor infraestrutura e melhores condições de atendimento à população, é formado por apenas 29 municípios. Dos grupos 5 e 6, que não dispõem de atendimento de ponta na área de saúde, fazem parte 4.221 municípios.

O Índice é um importante instrumento para orientar os administradores públicos da área de saúde. "A cultura da avaliação não tem que ser um temor, mas um fator constitutivo do Sistema Único de Saúde", disse com sensatez e realismo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "O SUS não pode temer ser avaliado nem que essa avaliação seja transparente para o conjunto da população."

Dele, no entanto, discorda acidamente o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que considerou o IDSUS inútil e impertinente. "Poucas vezes na vida vi irresponsabilidade tão grande cometida por um órgão federal", reagiu o prefeito carioca ao saber dos resultados do IDSUS. Das maiores cidades brasileiras, o Rio obteve a pior nota (4,33). Parece que certo tipo de administrador público prefere ignorar a extensão dos problemas que tem de enfrentar.

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Manchetes do dia

Domingo, 04 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Serra sobe nove pontos e lidera disputa em SP" 

Num cenário enxuto, em que concorreria com Gabriel Chalita (PMDB) e Haddad, Serra alcança 49%, e venceria no primeiro turno

O ex-governador José Serra (PSDB) subiu nove pontos percentuais e tem 30% das intenções de votos para a Prefeitura de São Paulo, segundo o Datafolha. Em segundo fica Celso Russomanno (PRB), com 19%. Fernando Haddad (PT) tem 3%. O crescimento do tucano ocorreu após decidir que disputará as prévias para a escolha do candidato do PSDB. Um dado da pesquisa pesa contra o ex-governador. Dos entrevistados, 66% acham que, se eleito, ele sairia para concorrer à Presidência em 2014. Em 2006, Serra abandonou a prefeitura para se candidatar ao governo estadual.

O Estado de São Paulo
"Governo planeja formalizar relação de trabalho eventual" 

Proposta normatiza contratação até de empregados pagos por hora, que, em geral, hoje é feita à margem da lei

O governo vai propor ao Congresso a criação de duas novas formas de contratação de empregados: a eventual e a por hora trabalhada, informa Iuri Dantas. A proposta deve beneficiar sobretudo o setor de serviços, o que mais emprega no País. As mudanças permitirão que as empresas contratem um empregado que só vai receber quando for chamado para alguma atividade. Esse mecanismo deve ser usado, por exemplo, por empresas de produções artísticas. No caso do “horista”, o contrato deve ajudar na complementação de pessoal em bares, restaurantes e eventos sazonais. As novas regras poderão formalizar relações de trabalho que hoje ocorrem à margem da lei como freelancer e trabalho em meio expediente.

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