sábado, maio 14, 2011

Arte

Cactus amarelo - Georgia O’Keeffe

Política

Dilma versus PT

Ruy Fabiano (original aqui)
Governo e oposição estão em crise, mas por razões opostas: a oposição por fraqueza, falta de rumos e objetivos; o governo, paradoxalmente, por estar apoiado por um partido mais forte que ele, o PT, ao qual não faltam nem rumos, nem objetivos.

Em setembro do ano passado, falando a sindicalistas petroleiros na Bahia, José Dirceu, considerava que a eleição de Dilma Roussef era ainda mais importante que a de Lula.

“Ele (Lula) é duas vezes maior que o PT", dizia, enquanto Dilma representaria “a chegada do projeto partidário ao poder”.

Lula, liderança carismática, teria sido uma etapa de “acumulação de forças” do partido, permitindo que superasse resistências e chegasse ao governo federal.

Para tanto, gozou de uma certa licença ideológica, levando o partido a concessões que, com Dilma, teriam que ser suprimidas.

O discurso é longo e foi feito sem que o orador soubesse da presença de jornalistas no local, o que faz supor que falou sem inibição, a um público de adeptos.

Na ocasião, fez menção à liberdade de imprensa, que vê com restrições, e as repercussões se limitaram a esse quesito de sua fala.

O ponto central, no entanto, é a preponderância do PT sobre a presidente, o que pressupõe estado de tensão permanente entre ambos, que já se manifestou (e continua) no preenchimento de cargos no governo.

Dilma não é uma petista histórica. Veio do PDT de Brizola. Há afinidades de pontos de vista, mas não necessariamente comunhão plena de ideias e métodos.

Dilma, como Lula, lida com alianças ideologicamente contraditórias, uma espécie de arca de Noé sem Noé, cuja síntese é o PMDB. Tem que fazer concessões ou não governa. Caso exemplar dá-se na presente votação da reforma do Código Florestal.

O PT histórico – a esquerda de um modo geral - é contra o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que contempla postulações dos produtores rurais.

Mas Dilma não pode afrontá-los por algumas razões incontornáveis. A primeira: precisa dos votos da chamada bancada ruralista, que permeia tanto a base governista como a oposição.

A segunda: é o setor rural que, já há alguns anos, oferece os melhores resultados na balança comercial, garantindo alguma performance na economia. Nada mais insano que afrontá-lo em tal circunstância, mesmo sabendo que o modelo de política agrícola sustentado pelo partido é bem distinto, para não dizer oposto.

O que disso resulta é a condição de refém político da presidente. De um lado, a pressão do PMDB por cargos; de outro, a do PT, por cargos, decisões e indecisões.

A estabilidade da presidente depende das relações com o partido, que cobra o seu preço, que não é barato, indispondo-a frequentemente com os demais aliados.

A eleição de Rui Falcão, petista ortodoxo, para a presidência do partido, derrotando Humberto Costa, o candidato de Lula e Dilma, reforçou a tutela partidária.

Rui reza pela cartilha de Dirceu, que, nesses termos, mesmo sem cargos no governo, tornou-se mais influente e poderoso que qualquer ministro.

Tem a chave da estabilidade partidária. Nada se decide nesse âmbito sem sua chancela. O paradoxo é que essa tensão mantém Lula em cena. Ele continua maior que o PT, embora, fora da Presidência, tenda a encolher gradualmente. É a ele que Dilma recorre quando a barra pesa – e tem pesado continuamente.

Se houvesse oposição, tudo isso estaria sendo exposto e faturado. A sorte do governo e do PT é que, enquanto este desfruta da “acumulação de forças”, mencionada por Dirceu, a oposição vive processo oposto. O seu saco de gatos está furado e os que ali resistem cuidam de sobreviver politicamente, sem tempo para detalhes como fazer oposição.

Os governos petistas, de Lula e Dilma, têm perfil socialdemocrata. O projeto petista é revolucionário. Não há ilusão entre os seus formuladores de que seja possível implantá-lo de uma vez, mas querem avançar, mesmo sabendo que cada passo à frente abre conflitos políticos com forças hoje aliadas.

Dilma não quer saber desses conflitos, sobretudo neste momento em que a economia começa a exibir fragilidades que não atingiram seu antecessor, beneficiário de uma conjuntura internacional próspera que já não existe.

A herança de Lula recomenda que o governo continue pragmático. O projeto petista ignora essa herança e prega novas escaramuças sobre o Estado, que já lhe pertence. O que disso resultará ninguém sabe. Mas todos temem.

Ruy Fabiano é jornalista

Nota do Editor - A análise sobre o PT está correta, mas quando o articulista fala no poder do partido escorrega em baba de quimera. No Brasil clientelista manda quem tem a caneta na mão. Dilma é coerente, articulada e sabe onde está pisando. O único temor que desperta é quanto à sua saúde. Vida longa à presidente, o melhor legado de Lula ao país. Sidney Borges

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Opinião

Lucros altos, atendimento baixo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Se os bancos comerciais em operação no Brasil praticamente se equiparam aos mais modernos do mundo em termos de tecnologia, distribuição espacial da rede de agências e gama de serviços oferecidos, o mesmo não se pode dizer da qualidade do atendimento aos clientes. Pesquisa realizada pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), abrangendo seis grandes bancos, com o objetivo de apurar o grau de satisfação dos consumidores com relação aos serviços prestados, revelou que, em uma escala de zero a cinco, as notas dadas às instituições variaram na faixa de 0,24 a 3,1, mostrando quanto o sistema bancário nacional tem de avançar nessa área.

Com o aumento dos níveis de emprego e renda, elevou-se muito o número de pessoas que hoje utilizam rotineiramente serviços bancários, existindo, ao fim de 2010, 141 milhões de contas correntes ativas no País, um aumento de 5,7% em relação ao ano anterior. Mas isso não pode ser pretexto para deficiências no atendimento. Ao contrário, é um desafio a vencer.

Com vistas a estabelecer um padrão de avaliação permanente, o Idec tomou como base para o seu ranking os dados apurados por meio de questionários enviados aos bancos e as reclamações feitas aos órgãos de defesa do consumidor, além de ter realizado um exercício em que o próprio Instituto agiu como cliente dos bancos, abrindo e fechando contas, contratando crédito, etc. Alguns bancos não entregaram contratos contendo detalhes do serviço acertado, outros não forneceram dados sobre o Custo Efetivo Total (CET) de financiamentos e outras falhas foram verificadas, concluindo o Idec que o desempenho dos bancos analisados corresponde a apenas 55% do que seria desejável.

Há um visível contraste entre o avanço tecnológico e os polpudos lucros auferidos pelos bancos e o nível de atenção aos clientes. Segundo números da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o volume de operações realizadas por meio de caixas eletrônicos chegou a 17,8 bilhões no ano passado, representando 31% do total. Mesmo assim, ainda se formam longas filas diante dos guichês dos bancos. Em parte, isso é atribuído à falta de conhecimento ou de habilidade dos clientes para usar o autosserviço. Mas faltam, em muitas agências, funcionários capazes de instruí-los. O número de caixas eletrônicos é também insuficiente e há casos em que a clientela é informada de que "o sistema caiu", impossibilitando, por tempo indeterminado, qualquer tipo de operação.

Também aumentou muito o uso da internet (7,6% a mais só no ano passado) e de acordo ainda com a Febraban há 37,8 milhões de contas habilitadas a operar online. Mas, em alguns bancos, certos tipos de pagamentos não podem ser feitos pela internet, como, por exemplo, os boletos do SIMPLES.

A popularização dos serviços bancários se reflete no aumento da inadimplência e da ocorrência de fraudes. Com o uso já muito difundido de cartões de crédito e de débito, bem como de celulares e smartphones, os golpes criminosos se multiplicaram. Apesar da exigência de senha e de dispositivos de segurança adotados, a ação dos "hackers" tem se disseminado muito. Proliferam os casos de débitos irregulares feitos em operações pela internet ou com o uso de chamadas telefônicas, não devidamente checadas pelos bancos, cartões clonados, etc.

Contudo, os bancos não dão o tratamento que seria de esperar às reclamações legítimas de clientes lesados, seja por causa de vírus na internet ou de golpes por telefone ou com cartões. Em geral, as reclamações são encaminhadas para departamentos especializados das instituições, que exigem de 10 a 20 dias úteis para apresentar uma solução.

A impressão generalizada, que a pesquisa do Idec ajuda a reforçar, e até lhes serve de alerta, é que os bancos não dispõem de pessoal habilitado em número suficiente para poder melhorar o nível de atendimento. O que, à luz dos lucros que exibem, só contribui para aprofundar ainda mais a imagem de avareza e ganância que apresentam junto à opinião pública.

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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Taleban assume autoria de ataque que matou 80"

Bombas no Paquistão são resposta a morte de Bin Laden, afirma grupo

O Taleban do Paquistão reivindicou a autoria de um duplo atentado que matou ao menos 80 pessoas, relata Igor Gielow, enviado a Islamabad. O grupo extremista prometeu novos ataques. A ação foi definida como o primeiro de vários atos de vingança pela morte de Osama bin Laden em uma investida norte-americana na cidade paquistanesa de Abbottabad no início do mês.

O Estado de São Paulo
 "Corte de gasto deve afetar investimento da Petrobras"

Estatal discute manter inalterado o valor destinado a projetos até 2015, apesar de lucro ter crescido 42%

Por determinação do governo, a Petrobras pode manter inalterado em US$ 224 bilhões o seu plano de investimentos até 2015, frustrando expectativas de analistas do setor, que previam um aumento para, no mínimo, US$ 268 bilhões. É uma forma de tentar reduzir gastos públicos. O novo plano seria divulgado ontem, junto com o balanço financeiro do primeiro trimestre, que registrou lucro recorde de R$ 10,985 bilhões, 42% superior ao mesmo período de 2010. Mas o conselho de administração da estatal não chegou a um consenso sobre a proposta, que será novamente discutida na próxima semana. A determinação do governo para manter inalterado o volume de investimentos pode comprometer parte dos projetos previstos para o período. O processo da Petrobras para contratação de sondas de perfuração para o pré-sal, por exemplo, poderá sofrer novos atrasos. A estatal estuda abrir nova licitação.

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sexta-feira, maio 13, 2011

Senadosímio

Coluna do Celsinho

Fervura

Celso de Almeida Jr.
Nos bastidores da política, a temperatura começa a aumentar.

A complexa composição de forças, que envolve o controle de partidos, já sinaliza jogo duro.

Há, também, o prazo que a legislação exige para a filiação de possíveis candidatos, acelerando as estratégias dos dirigentes partidários para atrair os “bons de voto” ou despertar novas lideranças, estas, lamentavelmente, cada vez mais raras.

A minha opinião, já confessei aos amigos próximos.

Exponho, aqui, aos prezados leitores.

É inegável que o prefeito concentrará muita energia para fazer o sucessor.

Conta com a retaguarda da máquina pública que, a prática comprova, faz diferença na luta pelo poder.

Para os que pregam mudanças, o quadro exigirá a união das forças oposicionistas, forma mais segura para garantir a renovação do comando.

Para tanto, desprendimento é a palavra de ordem.

Os principais líderes oposicionistas devem definir uma intensa agenda de conversas, antecipando o desenho das chapas para o legislativo e executivo.

Nesta hora, bons articuladores, negociações transparentes, eficiente divulgação de ideias e currículos dos aspirantes podem fazer a diferença.

Alguns, certamente, deverão abrir mão do projeto político pessoal em benefício do coletivo.

Os próximos anos exigirão muitos esforços para regularizar a situação financeira da prefeitura.

Será preciso coragem para implantar um plano de cargos, carreiras e salários que garanta um futuro tranquilo para o Instituto de Previdência Municipal.

Santa Casa, merenda escolar, gestão de obras públicas, transparência nos gastos e investimentos serão alguns dos muitos temas da primeira hora do novo governo.

Para um desafio dessa envergadura será preciso muito diálogo, muita serenidade e, o que considero mais importante: um sólido compromisso ético que se traduza numa postura de respeito à cidadania e a história de Ubatuba.

Não é tarefa para um só político.

Nem para um super político.

É missão que deve ser compartilhada por homens e mulheres cientes de que o poder é transitório e que saibam, enquanto o exercerem, representar com dignidade e firmeza os interesses do município.

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Das luas...

Essa bola magnífica é a lua Io, de Júpiter, que prova a tese que diz que as luas são feitas de queijo. De queijo gorgonzola! Sidney Borges

De volta

Blogger fora do ar

Sidney Borges
São demais os perigos desta vida. Digo, desta vida virtual. De vez em quando a nuvem tem um contravapor e os leitores, ávidos por novidades, ficam a ver navios. Assim sendo, o Blogger - entidade mágica que armazena os textos deste que vos escreve - teve um ataque de tosse na quinta-feira e só parou de tossir agora. Será dengue? mesmo assim nem tudo o que foi postado ontem aparece, roubaram o retrato de Mao, pintado por Andy Warhol, aquele dos 15 minutos de fama. Isso é tudo, pois como dizia o filósofo Tim Maia, nada é nada!

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quinta-feira, maio 12, 2011

Retrato

Coisas da terra

Burocracia

Sidney Borges
O que vou contar aconteceu mesmo, não é ficção e dá uma mostra de como funcionava o país e como agiam as "otoridades" por volta de 1965. Dois entusiastas do vôo-a-vela (planadores) importaram uma "máquina" quente da Alemanha. Um "cadillac" dos ares, coisa de louco. O planador chegou por via marítima e foi depositado em um armazém do porto de Santos.

Os felizes compradores rumaram para a baixada para retirar a "garça". Foram recebidos por um diligente sargento da aeronáutica que conferiu os papéis, tornou a conferir e disse que faltava o bill of sale. O planador ficaria retido e as despesas de armazenagem passariam a correr por conta dos donos.

Não houve jeito de convencer o resoluto oficial. Sem bill of sale neca de planador. Podem tirar o cavalinho da chuva, resmungou entre dentes. Homem severo. Severíssimo.

O jeito foi escrever para a Alemanha. Naquele tempo não tinha internet.

A resposta chegou semanas depois e foi desanimadora. Não podemos enviar o bill of sale referente à compra do K-6 (nome da ave). Na Alemanha não existe tal documento, típico dos Estados Unidos.

Com a carta em mãos os proprietários da belezoca aérea tentaram convencer o sargento. Tentativa vã, mais uma vez o zeloso cumpridor da lei e da ordem alfandegária foi claro. Sem bill of sale, esqueçam. Vai apodrecer no armazém.

A saída foi fabricar um bill of sale na gráfica de um dos proprietários do planador. Um documento americano foi copiado, traduzido para o alemão e impresso. Sobre as assinaturas e embaixo das estampas dos carimbos confeccionados no Belenzinho, em São Paulo, selos de vinho Liebfraumilch.

No dia seguinte, em Santos, os olhos do sargento brilharam. Eu não disse que faltava o bill of sale. Agora sim vocês podem levar a carreta com o planador para onde quiserem. E deu o toque final: se eu não sou rigoroso isto aqui vira bagunça. O planador foi incorporado à frota brasileira e o bill of sale deve estar em algum arquivo perdido no imenso rebuceteio que é a burocracia tupiniquim desde a chegada de Cabral.

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Viajando

Praia da Marinha - Algarve

Bin Laden

Eficiência

"Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa." (Do Blog do Noblat)

Frase de um internauta passada adiante no twitter pelo cineasta americano Michael Moore

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Opinião

Desenvolvimento adiado

José Serra - O Estado de S.Paulo
Nas últimas décadas o Brasil parece ter congelado sua vocação para o desenvolvimento rápido, a indústria e a agregação de conhecimento e valor. Pior ainda, contrariando toda a retórica oficial, desestimula-se a necessidade desse desenvolvimento, como se um país com nossa população e nossas desigualdades sociais pudesse encontrar seu rumo abrindo mão do dinamismo e da oferta de boas oportunidades a todos, especialmente aos mais jovens.

Uma das piores heranças do governo Lula não foi apenas a inflação em alta, mas o fato de a megavalorização da taxa de câmbio do real em relação às moedas estrangeiras passar a ser a âncora anti-inflacionária exclusiva. Com isso se castiga cruelmente o setor produtivo da nossa economia, diminuindo a competitividade das exportações brasileiras, principalmente de manufaturados, e aumentando a competitividade das importações que concorrem com a produção industrial doméstica.

Os números não mentem. Entre 1900 e 1950, o PIB brasileiro aumentou, em termos reais, quase dez vezes; entre 1950 e 1980, oito vezes! Mas, entre 1980 e 2010, mal chegamos a dobrá-lo. Depois do grande esforço de estabilização monetária e de redução das incertezas, graças à implantação e consolidação do Plano Real, poderíamos ter crescido mais e melhor, de forma sustentada.

Hoje, porém, mais do que o passado, causam aflição as perspectivas de lento crescimento futuro em razão, entre outros fatores, do atraso nas obras de infraestrutura. Isso quer dizer energia, portos, aeroportos, estradas, hidrovias, ferrovias, navegação de cabotagem, saneamento e transportes urbanos. Trata-se de um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica.

Alguns exemplos são ilustrativos. Nossa energia para consumo industrial é hoje a terceira mais cara do mundo, seu custo real aumentou quase dois terços entre 2001 e 2010. Se a causa fosse o baixo investimento nos anos 1990, é óbvio que os últimos oito teriam sido suficientes para eliminar o gargalo, tivessem existido mais planejamento e capacidade executiva na esfera federal.

Em portos, o Brasil está na 123.ª posição entre 139 países, é o 105.º nas estradas e o 93.º nos aeroportos. Em matéria de estradas, ferrovias e hidrovias, somadas, somos o pior dos Brics. Em performance logística o Banco Mundial coloca o Brasil na 41.ª posição; nos procedimentos alfandegários, em 82.º lugar.

Nos EUA, os transportes respondem por 20% do custo da soja exportada para a Alemanha; no Brasil, 30%. O milho que sai do Rio Grande do Sul para o Recife paga frete mais elevado do que o milho que vem de Miami, cidade quase duas vezes mais distante.

Sobre os aeroportos, há tempos os usuários sofrem com a precariedade. Após as eleições, o Ipea pôs o dedo na ferida: dois terços dos maiores aeroportos do País operam em estado crítico, com movimentação de passageiros/ano acima da capacidade nominal. Não se trata de apontar um eventual colapso que nos iria colher na Copa do Mundo de 2014. O problema já existe hoje.

Por trás desses e de outros atrasos, está a baixíssima taxa de investimentos governamentais. Nessa matéria somos recordistas mundiais negativos: em 2007, com 1,7% do PIB, fomos o penúltimo entre 135 países, só atrás do Turcomenistão. Depois, conseguimos ultrapassar a República Dominicana e a Eslováquia... Na média dos países emergentes, a taxa de investimentos públicos é superior a 6%. Só para ficar nas vizinhanças, México e Colômbia investem o triplo se comparados ao Brasil.

Não foi por falta de dinheiro que isso ocorreu. A despesa orçamentária do governo federal entre 2002 e 2010 aumentou espetacularmente: mais de 80% reais. O que houve, então? Em primeiro lugar, fraqueza de planejamento e gestão. Em segundo, falta de clareza sobre as prioridades. Em terceiro, preconceito e incapacidade de promover parcerias com o setor privado. Em oito anos não se conseguiu materializar nenhuma Parceria Público-Privada federal.

As poucas novas concessões federais de estradas foram mal feitas. As concessões para expansão de aeroportos, apesar da insistência de governadores à época (como eu próprio, sobre Viracopos e o terceiro terminal de passageiros em Guarulhos), foram sendo proteladas. Passadas as eleições, o governo decidiu fazer o que as oposições pregavam e eram, por isso, estigmatizadas pelo partido do governo. Mas se começa praticamente do zero. E de modo atabalhoado. Deixar para fazer as coisas no atropelo nunca é o melhor para o interesse público.

A falta de prioridades encontra sua perfeita tradução no projeto do trem-bala para transportar passageiros (não carga) entre o Rio e São Paulo, o que, segundo as empresas do ramo, custaria mais de R$ 50 bilhões. Um projeto que não eliminaria nenhum gargalo de infraestrutura e nasceu como arma eleitoral, sob a influência de lobbies de fornecedores de equipamentos.

Escrevi o verbo no condicional porque, no íntimo, não acredito que o BNDES e seu presidente, Luciano Coutinho, meu colega da Unicamp e homem sério, competente, comprometeriam sua biografia numa irresponsabilidade desse tamanho.

A respeito da fraqueza de gestão, falta de programação e planejamento, não é necessário ir além das declarações da atual ministra do Planejamento. Depois de oito anos de governo, ela afirmou ao jornal Valor que "não é possível monitorar e muito menos ser efetivo com 360 programas", sobre a dificuldade que está encontrando na elaboração do Plano Plurianual (2012-2015). Disse ainda que, "no PAC, todo mundo está reaprendendo a fazer obras de infraestrutura - nós, do setor público, e também o setor privado".

Após oito anos de improvisações, atrasos, descumprimento de exigências ambientais, denúncias de superfaturamento, conflitos com o TCU, descobre-se que é preciso planejar direito para fazer bem feito. É verdade! O governo cede à realidade, mas não tanto à racionalidade, pois faz por necessidade o que deveria ter feito muito antes por escolha.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Brasil vai pagar o triplo por energia de Itaipu"

Senado aprova acordo quatro dias antes de Dilma viajar para o Paraguai

Com maioria folgada no Senado, os governistas aprovaram o texto do acordo entre Brasil e Paraguai que triplica o valor pago pelo governo brasileiro pela energia de Itaipu que não é usada pelo país vizinho. Segundo a oposição, o valor de US$ 120 milhões pago anualmente vai subir para cerca de US$ 360 milhões.

O Estado de São Paulo
 "Contra inflação, governo força queda do preço da gasolina"

Planalto manda a BR Distribuidora repassar combustíveis a valores mais baixos, para barateá-los em até 10%

O governo resolveu forçar uma redução mais rápida e acentuada dos preços dos combustíveis, para amenizar os índices de inflação. O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) afirmou que o objetivo é obter queda de até 10% no caso da gasolina. Para isso, o governo usará a BR Distribuidora. A ideia é fazer com que a subsidiária da Petrobras repasse aos revendedores o produto a preços mais baixos o quanto antes. Como a empresa detém 38,8% do mercado de distribuição, isso poderia contribuir para uma queda generalizada dos preços. Segundo Lobão, a expectativa é que os demais distribuidores acompanhem o movimento da estatal. Na visão da federação de postos de combustíveis, a redução dos preços ocorreria naturalmente com o avanço da safra de cana ao longo do mês de maio.

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quarta-feira, maio 11, 2011

Brasil

Tarefa difícil

Sidney Borges
Hoje o Palestra precisa vencer por sete a zero para permanecer na Copa do Brasil, passaporte para a Libertadores. Não é impossível, mas é improvável. Resta uma possível vingancinha aos verdolengos, vencer a partida e acabar com a série invicta do Coritiba.

Acabo de ver a entrevista do prefeito Peixoto de Taubaté à TV Vanguarda onde ele rebate as acusações de ter ficado com 5 milhões do leite das criancinhas, ou seja da merenda escolar. (veja aqui)

A mim não convenceu. O contrato teve um reajuste de quase 50%. Logo deveria ter um aumento de alunos de quase 50%. Elementar. Será que os novos alunos comem muito?

De qualquer forma o prefeito Peixoto não precisa esquentar a cabeça. É inocente até o final das investigações e o pronunciamento da justiça. Com o atenuante de que qualquer decisão transitada em julgado, ou seja sem possibilidade de recursos, só daqui a muitos e muitos anos. Tantos anos que muitos de nós já teremos batido as botas quando houver um veredicto. Talvez esteja aí uma boa definição para infinito. O que é infinito? É o intervalo de tempo de duração de um processo contra políticos que embolsam o que é do povo.

Caro prefeito Peixoto, divirta-se no apartamento de Ubatuba, vá sempre ao sítio de São Bento do Sapucaí. O senhor ganhou as eleições e tem o direito de descansar. É árdua a tarefa de fazer o bem.

Mas já que o assunto é enfiar a mão na jaca, um aviso àqueles que surrupiam leite de criancinhas e remédios de doentes. Cuidem para não morrer. Lá em cima não existe recurso. Quem se apropria do que é do povo queimará eternamente nas fornalhas de Lúcifer. He, he, he...

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Opinião

Um desafio para Dilma

O Estado de S.Paulo - Editorial
A crer na versão de fontes do Palácio do Planalto de que Dilma Rousseff teria voltado atrás na intenção anteriormente manifestada de vetar a manobra por meio da qual o Congresso Nacional elevou em R$ 100 milhões os repasses da União para o Fundo Partidário, a presidente da República está perdendo uma excelente oportunidade de dar ao País um ótimo exemplo, aquele que vem de cima, de que recursos públicos são dinheiro que sai do bolso dos cidadãos para ser aplicado em benefício do bem comum, e não para resolver os apertos financeiros de quem quer que seja - no caso, os partidos políticos. No fim do ano passado, com a maior discrição, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou, por acordo das lideranças, a elevação do montante de repasses anuais do Fundo Partidário de R$ 150 milhões para R$ 265 milhões, um aumento de nada modestos 56%. O objetivo é zerar o déficit deixado nas contas dos partidos pela campanha eleitoral do ano passado. Assim, o PT, que fechou 2010 com quase R$ 16 milhões no vermelho, fará jus agora a uma receita extra de R$ 16,8 milhões proveniente do Fundo. E o PSDB, cujo déficit no ano passado foi de R$ 11,4 milhões, contará com um reforço de caixa exatamente no mesmo valor. Não houve, como se vê, nem a preocupação de salvar as aparências.

Em 14 de janeiro, em pleno recesso parlamentar, o Estado denunciou a manobra, em matéria dos repórteres Daniel Bramatti e Julia Duailibi. O assunto teria chamado a atenção da presidente, que já naquele momento estava preocupada com os cortes orçamentários necessários para equilibrar as contas do governo. Parece que acabou prevalecendo, contudo, o "deixa pra lá". Afinal, não foi economizando recursos que o governo petista construiu, ao longo dos últimos oito anos, sua sólida e folgada base de apoio parlamentar. E neste caso, então, com a cumplicidade da oposição, que se finge de morta por conveniência própria, a presidente deve ter-se cansado de ouvir, de seus principais conselheiros, que não há nenhuma razão para mexer em casa de marimbondo.

Essa escandalosa estatização dos prejuízos dos partidos políticos dá bem ideia da dimensão do paternalismo que historicamente impera na política brasileira e que tem como uma de suas faces mais perversas a tranquilidade com que governantes agem como se o governo fosse sua propriedade privada. Por outro lado, esse episódio coloca mais uma vez em evidência os malefícios do modelo de financiamento público do sistema partidário - e, consequentemente, das campanhas eleitorais. Malefícios só comparáveis aos provocados pelo financiamento generosamente praticado pelas corporações empresariais ávidas de conquistar a boa vontade dos donos do poder político.

No caso presente, a estatização dos prejuízos dos partidos é uma lamentável demonstração de como os parlamentares não se constrangem de legislar em causa própria. Trata-se de um casuísmo afrontoso, quando se lembra que são os próprios parlamentares, eleitos para defender os interesses da população, que não têm o menor escrúpulo de botar na conta da viúva o prejuízo do péssimo exemplo que dão ao gastar, para se eleger, muito mais do que podem. Assim, é no mínimo cínico o argumento que, segundo fontes do Palácio do Planalto, teria levado a presidente Dilma Rousseff a mudar de ideia sobre o aumento dos repasses partidários em momento crítico de cortes de despesas: a decisão adotada em dezembro pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso foi o resultado de um acordo entre os partidos da base aliada e os da oposição. É preciso, portanto, respeitar esse acordo.

É preciso por quê? A presidente não tem o direito constitucional de veto? Talvez não convenha, politicamente, exercer esse direito, o que é outra história. Neste caso, o veto poderia resultar numa enorme dor de cabeça para uma chefe de governo a quem não faltam problemas herdados para resolver. E talvez um dos maiores deles seja o rasteiro "toma lá, dá cá" em que a maioria governista no Parlamento se assenta. Mas é exatamente em momentos como este que o verdadeiro estadista olha na direção certa e assume os riscos de se distinguir do político comum.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Conselhos dão renda para aliados de Kassab"

Dos 29 secretários, 17 foram nomeados conselheiros; gastos somam R$ 534 mil

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, "engorda" os rendimentos de aliados e secretários com cargos nas oito empresas municipais. São 75 conselheiros administrativos, que ganham R$ 6.000, e 36 conselheiros fiscais, R$ 3.000 cada, somando gastos de R$ 534 mil.

O Estado de São Paulo
 "Tarifas bancárias sobem até 124%"

Desde a normatização dos serviços pelo BC, há três anos, receita dos bancos com a cobrança cresceu, em média, 30% acima da inflação

Três anos depois que o Banco Central adotou normas para padronizar as tarifas bancárias, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostra que os serviços ficaram até 124% mais caros, relata o repórter Leandro Modé. Os bancos alegam que os pacotes oferecem itens adicionais. Além disso, as receitas dos bancos com tarifas subiram, em média, 30%, acima da inflação - a Caixa Econômica Federal foi a instituição que teve a maior expansão: 83%. Segundo o Idec, as queixas sobre o tema continuaram crescendo. Entre abril de 2009 e março de 2010, houve 1.406 reclamações; nos 12 meses seguintes, foram 1.553, alta de 10%. "A padronização das tarifas foi positiva, pois organizou a nomenclatura para os clientes", disse a gerente jurídica do Idec, Maria Elisa Novais. “Mas ainda falta clareza para o consumidor, que não sabe o que pode ter de graça e se o pacote oferecido é adequado para sua renda."

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terça-feira, maio 10, 2011

Bomba atômica


Bomba, bomba...

Uma carta de Einstein a Roosevelt foi atendida e o super-secreto Projeto Manhattan começou quase que imediatamente. Inicialmente era um estudo de viabilidade para ver se uma bomba seria realmente possível, mas em 1942 o General Leslie Groves foi escolhido para construir a bomba atômica e teve sucesso na empreitada. O trabalho foi feito em dezenas de instalações em todo o país, mas o toque final se deu em Los Alamos. A imagem acima mostra a entrada para a instalação, nos dias do Projeto Manhattan. (Original aqui)

Nota do Editor - O mundo precisa de muitos "Projeto Manhattan". Para encontrar a vacina definitiva contra o câncer e para aproveitar a energia solar, acabando com a dependência de combustíveis fósseis que envenenam a atmosfera. São apenas dois exemplos. Infelizmente projetos dessa magnitude só são viabilizados para a destruição. O homem é definitivamente um animal defeituoso. Sidney Borges

Merenda Taubaté

Peixoto prefere o silêncio diante das denúncias

Cidade é investigada pelo MP por apresentar indícios de irregularidades. Prefeito e primeira-dama teriam recebido R$ 5 milhões em proprina

VNews
A Câmara de Taubaté aprovou nesta segunda-feira (9) a abertura de três comissões para investigar denúncias contra Roberto Peixoto. Uma das acusações é que o prefeito teria recebido R$ 5 milhões como propina da empresa que fornece merenda para as escolas da cidade.

O prefeito de Taubaté preferiu o silêncio diante das graves denúncias exibidas no Fantástico. Segundo assessores, o prefeito foi trabalhar normalmente nesta segunda, mas não quer receber a imprensa para falar sobre a suspeita dele ter recebido R$ 5 milhões de propina.

Para alimentar os alunos das escolas municipais, a prefeitura contratou a empresa EB Alimentação - vencedora da licitação feita em 2008. O contrato da merenda previa um pagamento de R$ 28 milhões, por dois anos de serviço, incluindo os reajustes previstos. Mas, a prefeitura gastou R$ 41,6 milhões. Um aumento de 47,9%, isto é, R$ 13 milhões.

Desde 2009, o Ministério Público investiga denúncias de corrupção, superfaturamento e pagamento de propina a funcionários da prefeitura. Como explica o promotor de Justiça, José Carlos Sampaio. “O esquema geralmente ele se dá com a colaboração de setores do próprio poder público com adulteração do quantitativo de merenda que é servido diariamente nas escolas. Então, sempre há um acréscimo de quantidade de merenda que não foi servidor e esse acréscimo ele é utilizado posteriormente para composição do custo do serviço mensal e aí que eles conseguem superfaturar o valor daquilo que o prefeito acaba pagando e esse superfaturamento serve para propiciar o repasse da propina”.

A Promotoria de Taubaté propôs duas ações civis públicas contra a prefeitura e o prefeito. “A primeira na qual o Ministério Público acusa o prefeito e a esposa de patrocinarem em nome da prefeitura municipal, porém custeadas com verba da empresa Sistal, que era a antiga fornecedora de merenda para o município e posteriormente para EB, que é a atual fornecedora de merenda. Há uma segunda ação civil pública na qual o Ministério Público solicita que esse superfaturamento que foi apurado no valor do contrato, ele seja objeto de correção judicial inclusive com a condenação dos envolvidos a devolver o excesso aos cofres públicos”, reiterou Sampaio.

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Nota do Editor - Por enquanto o que temos são denúncias e investigações, os envolvidos são inocentes até prova que os condene. Vamos esperar as apurações do MP e o pronunciamento da Justiça. No entanto, se comprovada a patranha, a pena deveria ser exemplar, embora o que estejamos vendo por aí não seja alentador. Condenações por improbidade não impedem a continuação de carreiras políticas (veja aqui) e, por conseguinte, de mais atos vis contra o patrimônio público. Quem frauda a merenda escolar não tem caráter e não merece respeito.

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Opinião

Representatividade subvertida

O Estado de S.Paulo - Editorial
Aprovada pela Câmara dos Deputados com apoio de líderes governistas e oposicionistas, a autorização para a realização de plebiscitos no Pará para a criação dos Estados de Carajás e Tapajós é financeira e institucionalmente prejudicial ao País.

O fracionamento do Pará obrigaria o Tesouro Nacional a arcar com a construção de novos palácios governamentais, a contratação do funcionalismo e os investimentos na infraestrutura dos novos Estados. Como não disporiam de base econômica, os dois novos Estados não teriam receita fiscal suficiente para bancar despesas de custeio. Em estudo de 2008, o Ipea estima o custo fixo inicial mínimo de manutenção de qualquer novo Estado em R$ 832 milhões (o custo de instalação dos dois novos Estados foi estimado pelo órgão em cerca R$ 2,2 bilhões).

No plano institucional, a criação de novos Estados desorganiza a Federação e subverte a representatividade do Congresso. Em vigor desde a Constituição de 1891, o federalismo brasileiro foi inspirado no federalismo americano, onde a Câmara representa a sociedade e o Senado representa os Estados. Assim, a Câmara é uma casa legislativa onde prevalecem os representantes dos Estados mais populosos, enquanto a função do Senado é compensar esse predomínio, assegurando igualdade representativa entre os maiores e os menores Estados. Por isso, na Câmara, o tamanho das bancadas de cada Estado varia conforme seu número de habitantes, enquanto no Senado todos os Estados têm o mesmo número de representantes, independentemente do tamanho das suas populações.

Entre nós, esse modelo começou a ser desfigurado pela ditadura varguista, após a derrota de São Paulo na Revolução Constitucionalista. Para Vargas, os Estados economicamente fortes deviam ser politicamente fracos - e, inversamente, os Estados economicamente fracos deviam ser politicamente fortes. Segundo ele, só assim o País asseguraria sua unidade, deixando de ser um comboio com vários vagões vazios puxados por uma locomotiva - São Paulo.

Nos anos 1970, essa concepção do Estado começou a ser institucionalizada, com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro e a divisão de Mato Grosso. A fusão reduziu o peso parlamentar do Sudeste no Congresso e aumentou o poder representativo do Centro-Oeste, com o ingresso das bancadas de Mato Grosso do Sul no Senado e na Câmara. Além disso, com o Pacote de Abril, do presidente Geisel, que alterou o sistema de representação proporcional, a ditadura compensou as derrotas eleitorais que vinha sofrendo no Sudeste, mas desfigurou o sistema federativo. Essa situação perdura, porque a Constituinte de 88 consagrou a representação desequilibrada e ainda converteu o Amapá e Roraima em Estados - o que deu mais seis senadores para a Região Norte -, criou o Estado de Tocantins e permitiu a representação do Distrito Federal no Congresso, o que deu mais seis senadores para o Centro-Oeste. Além disso, desprezando o princípio democrático de "cada cidadão um voto", a Constituinte fixou um teto de 70 deputados para os Estados populosos e um piso de 8 para os novos Estados. Isso agravou a sub-representação de São Paulo e dos Estados desenvolvidos e a sobrerrepresentação do Norte e Nordeste na Câmara.

Por causa dessa distorção, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com 38% do eleitorado nacional, detêm 52% das cadeiras na Câmara e 74% das do Senado. Com 62% do eleitorado, o Sul e o Sudeste têm 48% da Câmara e 26% no Senado. Com 4,8% do eleitorado, o Norte tem 22,3% da representação no Congresso - ante 33,6% do Sudeste.

Além da criação dos Estados de Tapajós e Carajás, tramitam no Congresso 14 projetos criando Estados pelo processo de "cissiparidade politicamente induzida". Um deles - que só aguarda autorização para plebiscito - prevê a criação do Maranhão do Sul. De autoria do senador Edison Lobão (PMDB-MA), ele circunscreve esse Estado às cidades que compõem o reduto eleitoral da família Sarney.

O fracionamento do Pará servirá de estímulo para a tramitação desses projetos. O efeito prático será a criação de mais buracos negros nas finanças da União, além da ulterior desfiguração da Federação.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Depressão e álcool tiram mais anos de vida do brasileiro"

Transtornos psiquiátricos lideram lista de males crônicos que provocam incapacitação física, perda do bem-estar e morte

Os transtornos psiquiátricos lideram a lista das doenças crônicas responsáveis por anos de vida perdidos no país, mostram estudos sobre o Brasil publicados no periódico médico "Lancet". Ano perdido é um conceito de 'saúde pública mais abrangente, que leva em conta não apenas as mortes causadas pela doença, mas o fardo social que ela representa em incapacitação e perda de qualidade de vida.

O Estado de São Paulo
 "Governo quer abater dívida rural de quem reflorestar"

Proposta pode reduzir débitos em até 70% e visa a facilitar votação da reforma do Código Florestal

Em nova tentativa de acordo para votar a reforma do Código Florestal, o governo acenou ontem à noite com abatimento substancial da dívida agrícola para os produtores rurais que recuperarem áreas de preservação permanente em margens de rios e encostas, informa Marta Salomon. Projeções do governo mostram que a dívida dos produtores, estimada em R$ 80 bilhões, poderia ser reduzida em até 70% pelo mecanismo proposto. O estímulo financeiro seria calculado com base em redução de emissões de gases de efeito estufa. A cada tonelada de carbono "poupada" com o replantio de áreas, o produtor ganharia cerca de R$ 17. Estima-se que cada hectare replantado represente o corte de 90 toneladas de carbono. A votação da reforma do Código Florestal está para ser retomada hoje na Câmara.

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segunda-feira, maio 09, 2011

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Opinião

A reforma do ensino médio

O Estado de S.Paulo - Editorial
Com o objetivo de adequar as três séries finais do ensino básico às demandas do mercado de trabalho, onde há uma grande carência de mão de obra qualificada, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou novas diretrizes para o ensino médio, incentivando as escolas públicas e particulares a elaborar currículos mais flexíveis e permitindo que os alunos dos cursos noturnos tenham mais tempo para concluir os estudos.

Com 10 milhões de alunos matriculados, o nível médio de ensino é o principal gargalo do sistema educacional. Ele não prepara os alunos nem para o mercado de trabalho nem para os exames vestibulares. Tem um currículo generalista, pouco atraente e distante do ambiente social, econômico e cultural em que os estudantes vivem. Por isso, o ensino médio tem alta taxa de evasão - segundo o IBGE, 40% dos alunos abandonam o curso por desinteresse e 27% por razões de trabalho e renda.

De todos os ciclos educacionais, o ensino médio é o que mais carece de qualidade. Os dados do Índice da Educação Básica, de 2009, mostram que os estudantes do ensino médio têm graves dificuldades em português e matemática. A maioria não consegue fazer uma redação com um mínimo de rigor lógico, identificar a ideia central de um texto ou fazer contas mais complexas, que exigem conhecimento de álgebra.

Pelas novas diretrizes do CNE, as escolas poderão organizar o ensino médio em torno de quatro grandes áreas - trabalho, tecnologia, ciência e cultura - e terão autonomia para distribuir a carga horária de cada uma delas conforme as especificidades regionais. Assim, embora continuem obrigadas a ensinar matemática, português, ciência, filosofia e sociologia, as escolas localizadas em cidades industriais poderão dar prioridade a tecnologia e trabalho, ampliando o peso de disciplinas como física e química no currículo. Já as escolas situadas em regiões turísticas poderão escolher a área de cultura como eixo de atuação, dando mais espaço para matérias como história e geografia.

As diretrizes do CNE também autorizam as escolas a manter o currículo atual, que combina as quatro áreas sem, contudo, dar ênfase a qualquer uma delas. No caso dos cursos noturnos, onde estudam 40% dos alunos do ensino médio, o CNE permite que até 20% das aulas sejam oferecidas com base no ensino a distância e autoriza as escolas a distribuir a carga horária mínima do ciclo - de 2,4 mil horas - em mais de três anos. Como a maioria dos alunos dos cursos noturnos trabalha, é grande o número dos que chegam atrasados e cansados às salas, o que compromete a aprendizagem. Por isso, o CNE quer diminuir o número de aulas por dia e ampliar o prazo de duração do curso para mais de três anos.

Os especialistas em educação receberam as mudanças no ensino médio com reservas. Segundo eles, por mais que as novas diretrizes do CNE possam abrir caminho para um ensino motivador, criativo e interdisciplinar, elas deveriam ter sido objeto de experiências prévias, para evitar problemas de implementação. "O ideal seria aplicar a flexibilização do currículo em alguns Estados, primeiramente", diz o professor Marcelo Néri, da FGV. Os especialistas também temem que os currículos sejam reformulados apressadamente, com improvisações e concessões a modismos pedagógicos e mercadológicos. Além disso, as novas diretrizes exigem um projeto de requalificação dos professores, laboratórios equipados e bibliotecas atualizadas - e os municípios de pequeno porte e os Estados mais pobres não dispõem de recursos financeiros suficientes para ampliar os gastos com educação.

As novas regras - que agora só dependem de homologação pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, para entrar em vigor - eram aguardadas há muito tempo. A flexibilização do currículo do ensino médio está prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que entrou em vigor em dezembro de 1996. O CNE deu um passo importante para tentar melhorar a qualidade do ensino médio, mas só o tempo dirá se o caminho escolhido é o melhor.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 09 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Jovem adia procura por trabalho e estuda mais"

Cai taxa de adolescentes no mercado; para analistas, educação é valorizada

Jovens de 15 a 17 anos estão estudando mais e trabalhando menos. A proporção de adolescentes ocupados ou que buscam emprego caiu 27% em oito anos nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Em 2010, o percentual de jovens na população economicamente ativa foi de 18,9%, a menor taxa já apurada. Em 2003, era de 26%.

O Estado de São Paulo
 "Rombo de partidos será coberto com verba pública"

Manobra legislativa que elevou repasses ao Fundo Partidário vai zerar déficit de PT e PSDB após eleição

O rombo que o ano eleitoral de 2010 deixou nas contas de PT e PSDB será coberto por recursos públicos em 2011, graças à manobra do Congresso que, em janeiro, elevou em R$ 100 milhões os repasses da União para o Fundo Partidário, relata Daniel Bramatti. Depois de bancar parte da campanha de Dilma Rousseff, além de candidatos a governos estaduais e ao Congresso, o PT chegou ao fim de 2010 com déficit de quase R$ 16 milhões. Mas receberá R$ 16,8 milhões extras neste ano graças ao incremento do Fundo Partidário, aprovado sem ser debatido em plenário. No caso dos tucanos, a receita extra será exatamente igual ao déficit nas contas de 2010: R$ 11,4 milhões. Como o PSDB tem uma dívida pequena de eleições anteriores, de cerca de R$ 500 mil, poderá até encerrar o ano com superávit, com a ajuda dos cofres públicos.

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domingo, maio 08, 2011

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Opinião

Confusão nos mercados

O Estado de S.Paulo - Editorial
Foi como um estouro de boiada, com os animais correndo todos para um lado e pouco depois mudando subitamente de rumo. Como se o mundo estivesse à beira de um novo desastre econômico, as cotações do petróleo, do cobre, da soja e de outras matérias-primas despencaram na quinta-feira, juntamente com os preços das ações. Menos de 24 horas depois estavam em recuperação, no Ocidente, enquanto os mercados orientais seguiam ainda a histeria ocidental do dia anterior. Nenhum evento dramático havia alterado as condições da economia global. A única novidade relevante era uma notícia divulgada pelo governo americano: a economia dos Estados Unidos havia criado em abril 244 mil empregos, em vez dos 185 mil previstos pelo mercado. Mas a boa notícia era acompanhada de outra menos animadora: o desemprego havia subido de 8,8% para 9%, um evento nada incomum em fases de recuperação. Provavelmente alguns milhares de pessoas haviam tentado voltar ao mercado depois de algum tempo de afastamento.

Outras mudanças de rumo ocorreram na sexta-feira à tarde. Violentas oscilações de preços em pouco tempo - neste caso, de um dia para o outro - mostram um grau excepcional de insegurança nos mercados de ativos financeiros e de commodities. Quem opera nesses mercados tem de tomar decisões com rapidez, com base num jorro incessante e muito veloz de informações de todos os setores e de todo o mundo. Isso pode ser razoavelmente simples quando as informações são unívocas e as tendências são bem definidas. Mas o quadro atual é o oposto disso. Num momento os mercados são inundados por uma onda de notícias negativas - a desaceleração da economia americana, o agravamento da crise das dívidas soberanas na Europa, as decisões cautelosas do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e do Federal Reserve, por exemplo. No momento seguinte, a criação de empregos nos Estados Unidos surpreende até os otimistas e todo o quadro mundial parece menos sombrio.

Em outras condições, o movimento dos mercados de ativos financeiros e de commodities pode ser um bom indicador das tendências da economia. Afinal, juntar e processar um enorme número de informações, continuamente, é atividade rotineira de quem atua nesses mercados. Essa proeza está fora do alcance da maior parte das pessoas que não atuam nessa área. Mas elas podem ter uma avaliação indireta, observando a evolução das bolsas. Menos, é claro, em condições como as atuais, de grande instabilidade e muita incerteza em relação a quase tudo.

Há poucas apostas mais ou menos seguras neste momento. Pode-se prever sem grande risco, por exemplo, a continuidade do crescimento de várias economias emergentes. Algumas, como a chinesa e a indiana, terão de enfrentar ajustes para conter a alta de preços, mas provavelmente ainda terão boas condições para crescer. Também se pode apostar, sem grande risco de erro, numa recuperação mais firme nos Estados Unidos do que na maior parte da Europa, onde os custos do ajuste fiscal serão certamente mais pesados.

Mas um alto grau de insegurança continuará presente nos mercados. A queda de preços na quinta-feira pode ter sido o começo de um ajuste, apenas atenuado no dia seguinte. Deve haver exagero em algumas cotações, porque o excesso de dinheiro em circulação também afetou os preços. Mas ninguém pode prever os novos pontos de equilíbrio, porque outros fatores importantes, como a demanda voraz das economias emergentes, continuarão afetando as cotações.

O Brasil também é afetado por essas incertezas. O País continuará a importar inflação enquanto os mercados de commodities permanecerem aquecidos. No entanto, se os preços caírem, a receita de exportações será prejudicada. Mas os preços externos são só um dos fatores inflacionários. Outro fator, talvez mais importante, é a forte demanda interna. Haverá negociações salariais de categorias poderosas nos próximos meses, quando a inflação acumulada em 12 meses estará próxima de 7%. Se os sindicatos conseguirem reposição integral e mais um ganho extra, a indexação combinada com a demanda aquecida tornará muito difícil conter a alta de preços. Se o governo relaxar, cometerá um erro enorme.

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Manchetes do dia

Domingo, 08 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Demissão é maior nas companhias de origem chinesa"

Levantamento demostra que, de cada 10 brasileiros, 4 deixam empresas em até um ano após a contratação

A rotatividade de trabalhadores brasileiros em empresas chinesas é bem superior à média do mercado. Levantamento feito pela Michael Page, uma das maiores multinacionais de recrutamento, indica que, de cada 10 contratados, 4 deixam o emprego em até um ano. Esse número é 40% maior que o registrado por empresas brasileiras e 68% acima do verificado em multinacionais norte-americanas e europeias, relatam Érica Fraga e Cláudia Rolli. O estilo chinês de gestão inclui longas jornadas, horas extras, teleconferências noturnas e metas de produção inegociáveis. Operários brasileiros da taiwanesa Foxconn reclamam da pressão e do ritmo de trabalho hiperintenso, informa Natália Paiva. A empresa não se pronunciou.

O Estado de São Paulo
 "'Bolsa-aluguel' eleva salário de promotores em 5 Estados"

Benefício temporário é incorporado à remuneração, que em muitos casos supera o teto constitucional

Promotores e procuradores estão se valendo de legislação que eles mesmos criaram - e que só eles podem mudar para engordar os próprios salários. Documentos obtidos pelo Estado revelam que ao menos 950 deles recebem mensalmente auxílio-moradia de até R$ 4,8 mil. A regalia é paga até a promotores aposentados, informam os repórteres Felipe Recondo e Leandro Colon. O benefício deverá ser temporário, mas é liberado em pelo menos cinco Estados: Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Santa Catarina. São gastos R$ 40 milhões por ano essa despesa dos promotores, cujos salários chgam a R$ 24 mil. Investigação do Conselho Nacional ddo Ministério Público mostra que, com a incorporação do auxílio, a remuneração supera o teto constitucional de R$ 26,7 mil.

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