sábado, abril 30, 2011

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Opinião

Nas cisternas de placas, um avanço importante

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
É uma boa notícia a de que o governo federal está lançando, como uma das âncoras para seu plano de erradicação da miséria, o Programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino (Estado, 2/4). E que o programa, segundo informação da própria presidente da República a dirigentes sindicais, inclui a construção de 800 mil cisternas de placas.

Deve-se acrescentar que esse é o caminho para milhões de famílias que vivem isoladas ou em comunidades muito pequenas, no semiárido - não a transposição de águas do Rio São Francisco, como foi tão alardeado no governo anterior, para justificar essa polêmica megaobra, que não chegará àquela gente. As cisternas de placas são parte de um programa coordenado pela Articulação do Semiárido, que reúne mais de 700 instituições e já construiu algumas centenas de milhares de cisternas desse tipo. Elas são um achado: um encanamento simples recolhe no telhado das casas a água de chuva e a encaminha para cisternas no subsolo ao lado, revestidas com placas para não permitir a infiltração; cada uma permite, com 16 mil litros acumulados, abastecer com cerca de 20 litros diários cada pessoa de uma família durante a estiagem - desobrigando-as de caminhar quilômetros a pé para colher em latas a água de barreiros sujos usados pelo gado. "É uma bênção", respondeu ao autor destas linhas, levantando as mãos para o céu, uma senhora de mais de 70 anos, quando perguntada sobre o que a cisterna significara em sua vida.

É um programa decisivo para enfrentar a pobreza no semiárido e seus mais de 800 mil quilômetros quadrados; 58% da pobreza nordestina está nessa região, diz o Ministério da Integração Nacional. São regiões onde a média anual de chuvas é de 750 milímetros, menos de metade da média do Recife, por exemplo. E em grande parte da região as chuvas concentram-se num período de 20 dias.

Mas as cisternas não são uma estratégia que faça parte do projeto da transposição. Este, que tinha previsão de gastos de R$ 5 bilhões até 2010, mais R$ 1 bilhão para revitalização do Rio São Francisco, já gastou R$ 2,24 bilhões e está com 80% das obras do Eixo Leste realizadas e 52% do Eixo Norte (quando cada cisterna custa pouco mais de R$ 1 mil). O que se prevê agora é que a água chegue ao Eixo Leste no ano que vem e ao Eixo Norte em 2013 (Rema Atlântico, 17/4). Só que continuam sem resposta dezenas de questões levantadas pelo próprio Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao ser pedido o licenciamento. Por exemplo: mais de metade das águas transportas seria destinada a grandes projetos de irrigação (e exportação), quando grande parte destes se situava em terras com processos de erosão já instalados; que se faria? As águas transpostas deveriam, ao longo de centenas de quilômetros, subir centenas de metros até regiões mais altas, consumindo energia elétrica; isso poderia custar até cinco vezes mais que a tarifa vigente; quem pagaria? Boa parte das águas transpostas teria de passar por açudes onde os níveis de evaporação e perda podem ser superiores a 50%. Grande parte da água se destinaria a cidades onde a média da perda nos sistemas urbanos de distribuição era (e continua sendo) de 45%; não seria adequado investir antes na restauração dessas redes? - perguntava.

Mas condicionantes do Ibama em licenciamentos são quase ficção científica. Quem se preocupou com o cumprimento da condicionante de exigir um depósito "definitivo" antes de começar a implantar a usina nuclear Angra 3? Quem se preocupou com o das condicionantes para as megausinas amazônicas, inclusive Jirau e Belo Monte, fora Tucuruí, há mais de 20 anos? E no caso da transposição ainda pesa em sua história o fato de a então ministra do Meio Ambiente haver levado para o Conselho Nacional de Recursos Hídricos a decisão final, quando o comitê de gestão da Bacia do São Francisco, por 44 votos a 2, vetara a transposição. Mas no conselho o governo federal, sozinho, tem maioria e aprovou o projeto.

Claro que o descaso às condicionantes não deveria ocorrer, principalmente nas questões relacionadas com a água, que precisam estar no centro das estratégias do Brasil, um país privilegiado em área que é centro das preocupações no mundo - onde a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação prevê (FAO, 21/3) que em 20 anos quase 2 bilhões de pessoas viverão em regiões com grave escassez de água, que, em alguma medida, atingirá dois terços da população mundial (e quem quiser ter uma visão emocionada do que são a bacia do rio e os povos ribeirinhos pode ler o recém-publicado livro O Rio São Francisco e as Águas no Sertão, com textos de vários autores e fotos extraordinárias do ex-metalúrgico João Zinclar - Silvamontes Gráfica e Editora).

Não é só. Recente relatório da Agência Nacional de Águas - Atlas Brasil - Abastecimento Urbano de Água - diz que 3.027 (55%) dos 5.565 municípios brasileiros terão problemas com recursos hídricos até 2025, se não se investirem R$ 70 bilhões. Nessa data, nas condições atuais, só 18% da população nordestina estará atendida "satisfatoriamente", embora hoje a média de perda nas redes continue superior a 40% do que sai das estações de tratamento.

Não bastasse, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) está mostrando (Amazônia.org, 18/4) que a seca recorde de 2010 atingiu 2,5 milhões de quilômetros quadrados na Amazônia. E que isso pode significar menos água e menos captação de carbono pela vegetação e maior emissão para a atmosfera.

Neste momento, em que devemos homenagear a memória do professor Aldo Rebouças, há poucos dias falecido, precisamos lembrar-nos de suas sábias palavras no livro Águas Doces no Brasil (Escrituras Editora, 1999), por ele coordenado: "O que mais falta não é água, mas determinado padrão cultural que agregue ética e melhore a eficiência do desempenho dos governos, da sociedade em geral, das empresas públicas e privadas".

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Manchetes do dia

Sábado, 30 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"PT reabilita o caixa do mensalão"

Réu no processo que tramita no STF, Delúbio Soares é reintegrado ao partido cinco anos e meio após a expulsão

Por 60 votos a 15, o Diretório Nacional do PT aprovou ontem o retorno de Delúbio Soares ao partido. Ele havia sido expulso há cinco anos e meio, sob acusação de integrar a cúpula do mensalão. Segundo Rui Falcão, novo presidente da legenda, a decisão representa a opinião da maioria, que considera que o ex-tesoureiro já pagou por seus erros.

O Estado de São Paulo
 "Norte e Centro-Oeste lideram crescimento demográfico"

Censo mostra que expansão populacional anual nessas regiões, graças à migração, supera média nacional

Dados do Censo de 2010 divulgados ontem pelo IBGE mostram que a população da Região Norte cresceu 2,09% ao ano na década, bem acima da média nacional, de 1,17% - a menor da história. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com expansão de 1,91%. No Sudeste, houve aumento de 1,05%. Para o IBGE, as diferenças se devem principalmente as migrações. Em 1980, Norte e Centro-Oeste, juntos, tinham 11,4% dos habitantes do País; no ano passado, 15,7%. Já a Região Sul, recuou de 16% para 14,4%. A marcha para os Estados menos urbanizados do País, além de acentuar a reversão de uma tendência histórica, de deslocamentos populacionais massivos em direção ao litoral, assinala o aumento da pressão ambiental sobre a Amazônia e o Cerrado.

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sexta-feira, abril 29, 2011

Demoiselle, 1909

Ubatuba em foco

Assessor de vereador é preso por suspeita de ameaçar testemunhas do caso Conselho Tutelar

Imprensa Livre
A Polícia Civil de Ubatuba cumpriu ontem ordem da Justiça local, que deferiu um pedido da promotoria de prisão preventiva do assessor do vereador Rogério Frediani, conhecido como Binho. Segundo o Ministério Público, testemunhas teriam procurado o MP com receio de represálias por parte do acusado. Para a promotoria, a atitude relatada se configurou como crime de coação no curso do processo do Conselho Tutelar.

O caso estourou no ano passado, quando 6, dos 10 vereadores da Câmara foram acusados de irregularidades na eleição do Conselho. O processo está agora na fase de oitivas das testemunhas e deve ter julgado o mérito ainda neste ano. Entre as penas previstas para as acusações está a inelegibilidade dos políticos locais. O MP declarou que tem por objetivo promover a moralidade da política pública em Ubatuba e repudiou tais ameaças “típicas de um sistema coronelista”, em pleno estado democrático. O assessor foi preso na Câmara.
 
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England


A princesa veio da plebe

Sidney Borges
Qual sangue azul o quê. Kate Middleton é filha de aeromoça, gente do povo. Ingratos esses ingleses de olhos azuis, não convidaram Lula para a cerimônia. O casamento é bom para a monarquia. Vai fortalecer os descendentes. As tradicionais cepas nobres estão em decadência genética, afinal de contas são séculos de casamentos consanguineos. Por falar em monarquia, Dilma, a rainha, digo a presidente(a), vai ter um osso duro pela frente. Rui Falcão, que trinca de socialismo, é o novo presidente do PT. Amanhá mesmo o partido estará unido em passeata contra a privatização dos aeroportos. Rui Falcão e Zé Dirceu de braços dados liderando a massa, cantando a internacional em búlgaro. Teatrinho. Quando Dilma bater o pé todos ficarão quietinhos. A caneta é dela. Quem tem a caneta é rei. Ou melhor, rainha.

Coisas da juventude...

Coluna do Celsinho

Convite real

Celso de Almeida Jr.
Fui ao Fanta.

Todo o mês eu vou.

Nunca nesta época.

Talvez, o casamento de William e Kate tenha invadido o meu inconsciente.

Exigiu uma apresentação melhorzinha.

Não recebi convite.

Não acompanharei pela televisão.

Mas, sou um ser humano...

Fanta e João tocam a barbearia.

Ali, na rua Maria Alves.

Ao lado da loja Maria Alves.

Frequento desde a adolescência.

O endereço era outro.

O talento é o mesmo.

A boa conversa, também.

Sempre dei trabalho.

Dois remoinhos atormentam o Fanta.

Um, no topete, transmite-me a sensação de que já fui um unicórnio.

Ou serei?

Deus ilumine a Patrícia...

Ao final do corte, o espelho revela que, em verdade, eu preciso é de um cirurgião plástico.

Pensando bem, na família real muitos também precisam.

Não é o caso dos noivos, aos quais desejo fel icidades para sempre.

Por aqui, convido os políticos a conversarem com barbeiros e cabeleireiros.

Eles escutam o chororô.

Sabem, com segurança, o índice de rejeição dos comandantes e dos aspirantes.

Podem orientar novos rumos.

São bons de cabeça.

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Opinião

A irrespirável atmosfera política

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
Uma grande discussão sobre as classes médias emergentes foi provocada por um artigo de Fernando Henrique Cardoso. É um debate típico de grupos que disputam o poder estatal. Mas existe no mundo também um grande debate voltado para as pessoas que não disputam o poder estatal, não têm projetos de salvação, muito menos acreditam no mito do fim dos tempos.

Bruno Latour, na introdução do livro de 1.070 páginas Atmosferas da Democracia, que traz inúmeras contribuições criativas, usa uma imagem que talvez sintetize o sentimento das pessoas diante da política. Segundo ele, há conjunções planetárias tão pavorosas que os astrólogos recomendam que fiquemos em casa até que os céus mandem novas mensagens. A cena política, com seus picaretas, bufões, terroristas, é algo que desanima.

Mas se é assim, por que tanto esforço e tanto papel para detectar novas possibilidades? O próprio Latour responde no parágrafo seguinte: a astrologia e a ciência política não são exatas e há sempre a possibilidade de novas conjunções, de mudanças. O momento de desespero político permite, pelo menos, que se investiguem outras ideias, novas matérias. Aliás, a tônica de sua intervenção é defender uma política orientada para o objeto, uma política que não seja realista como no tempo de Bismarck porque a palavra realidade perdeu o sentido, diante de tantos crimes cometidos em seu nome.

De forma mais abstrata, esses temas podem ser discutidos numa série de conversas que estou preparando. No momento, vou usá-los, parcialmente, para expressar minha perplexidade diante do que acontece na Líbia.

Por que na Líbia? No século passado aderi ao socialismo revolucionário, que continha uma proposta de salvação. Nas últimas décadas tenho defendido a luta ecológica, que também encerra, embora muitos não percebam, elementos da mitologia religiosa, como o fim dos tempos.

Neste princípio do século 21, sinto a democracia liberal, pressionado pela busca de recursos naturais, caminhar pelas mesmas trilhas mitológicas, da invasão do Iraque aos bombardeios à Líbia. A suposição de que um regime político pode ser imposto de fora para dentro, com a força das bombas, só pode ser movida por sentimentos religiosos de salvação.

John Gray, cujo livro Anatomia acaba de ser lançado no Brasil, abordou essa questão na forma de sátira, escrevendo um artigo sobre a importância da tortura para preservar a democracia e a necessidade de proteger os torturadores no seu delicado papel. Foi alvo de inúmeras críticas de gente que até hoje não entendeu a sátira, escrita na tradição de Jonathan Swift, que, uma vez, propôs que os irlandeses dessem suas crianças para serem comidas pelos ingleses.

Entendo também como uma sátira o texto de Peter Sloterdjick, no livro coordenado por Latour, propondo o parlamento pneumático para levar a democracia de cima para baixo aos povos da África e do Oriente Médio. A proposta, bastante detalhada, implica um grande parlamento que, lançado de paraquedas de um avião, a uma altura de mil metros, ao cair seria inflado automaticamente. O parlamento pneumático de Sloterdjick teria lugar para 160 representantes e contaria também com algumas baterias de energia solar.

Quando John Gray questionou a imposição da democracia pela força e a tortura, estava se baseando apenas nos fatos revelados em Abu Ghraib, prisão do Iraque. Esta semana o WikiLeaks revelou inúmeros outros problemas em Guantánamo, onde até um octogenário, com demência senil, era mantido como perigoso terrorista.

O que acontece na Líbia não precisa só das sátira para se incluir na dimensão do absurdo. Basta um exame frio dos efeitos colaterais da luta pela democracia. Esses efeitos não são apenas bombardeios que às vezes atingem civis. São mais concretos e podem, paradoxalmente, representar um recuo na democracia ocidental.

Um exemplo disso é o drama dos refugiados que se concentram na Ilha de Lampedusa e obrigaram a França a interromper os trens que vinham da Itália. Apesar de o papa Bento XVI ter pedido por eles, os refugiados do Norte da África podem provocar um recuo no próprio processo de integração da Europa. Alguns países, como a França e a Alemanha, tendem a questionar o Tratado de Schengen, que permite ao estrangeiro circular, livremente, pela Europa, uma vez admitido num dos países-membros.

Outro efeito colateral interessante foi revelado esta semana pelo jornal The New York Times: um companheiro de Bin Laden, que lutou com ele no Afeganistão, foi preso em Guantánamo e libertado em 2007, é hoje líder de um dos grupos meio bizarros que lutam contra Kadafi. Sem querer, os Estados Unidos tornam-se aliados de um militante da Al-Qaeda.

Todos esses paradoxos que envolvem a democracia liberal não são novos, mesmo dentro do contexto autoritário do comunismo. Quando os tanques entraram em Praga, um grupo pequeno entre nós denunciou aquilo afirmando que o socialismo não poderia ser imposto de fora para dentro, na ponta das baionetas.

O próprio liberalismo, a julgar por pensadores como Gray e Isaiah Berlin, este já morto, pode encontrar um caminho no seu labirinto. Basta desvencilhar-se de um dos polos da contradição que o deforma. O problema é escolher entre o consenso racional sobre o melhor modo de vida ou a aceitação de que seres humanos podem desenvolver-se adotando os mais diversos modos de vida.

Isso não implica passividade diante dos crimes de Kadafi. Mas significa apenas admitir que é um absurdo imaginar que a democracia se vai impor de fora para dentro, com bombas e tortura.

O marxismo foi uma religião secular, com seus ritos e sua mensagem de salvação universal. A ecologia, com o mito do fim dos tempos, corre o mesmo risco, assim como a democracia ocidental, com suas guerras pela liberdade. Ao fundar sua ação na fé, a política, conforme observa o próprio Gray, provou ser tão destrutiva como a religião, nos seus piores momentos.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Correios poderão vender celular e comprar aviões"

Medida provisória de Dilma libera empresa para criar seu próprio banco e investir no projeto do trem-bala

Medida provisória autoriza os Correios a montar uma empresa de telefonia celular, comprar frota de aviões para transporte de carga e investir no trem-bala. A estatal também poderá criar seu próprio banco e se associar a outras empresas financeiras, de serviço de logística e postal eletrônico.

O Estado de São Paulo
 "Senador que preside Conselho de Ética assinou atos secretos"

João Alberto Souza, ligado a Sarney, foi um dos que firmaram a concessão sigilosa de benefícios no Senado

O novo presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), assinou atos secretos quando era da Mesa Diretora da Casa, entre 2003 e 2007, informa o repórter Leandro Colon. O senador chancelou boletins sigilosos de criação de novos cargos, aumento de salários e concessão de benefícios para servidores e senadores. Em 2009, quando os atos secretos foram revelados pelo Estado, o nome de João Alberto, homem de confiança do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ficou de fora do escândalo porque não era mais senador, mas vice da governadora Roseana Sarney no Maranhão. João Alberto não foi encontrado para comentar.

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quinta-feira, abril 28, 2011

Octopussy

Clique para ampliar - Original aqui

Dia desses acompanhei na TV o agente 007 em ação. Enquanto Bond, James Bond, salvava o mundo entre vodkas e martinis, "shaken, not stirred", resolvi traduzir o título do filme. "Octopussy". Será que é aquilo mesmo? Oito? (Sidney Borges)

Brasil

Turismo

Do Ex-Blog do Cesar Maia - Terra, 26
O Brasil caiu sete posições e ocupa agora a 52ª colocação no ranking do turismo internacional de 2010, realizado pela consultoria Bozz & Company divulgado nesta terça-feira. O País estava em 45º lugar em 2009, em um total de 139 países.

De acordo com a consultoria, problemas de infraestrutura, falta de segurança, falta de mão de obra qualificada e deficiência na regulamentação do setor foram os fatores que mais influenciaram a queda.

Há grande expectativa de melhora da indústria de turismo por conta dos investimentos que serão realizados para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Pelo segundo ano seguido, a Suíça ocupa o primeiro lugar da lista. Na outra ponta, o Chade está na última colocação. Para construir o ranking, são analisados 14 itens de cada um dos 139 países.

Na América Latina, o México é mais bem colocado da lista.

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Ubatuba em foco

Simulador de voo desperta interesse pelo mundo da aviação

Alunos do NINJA comemoram a inauguração da “Sala Gastão Madeira”

Colégio concentra ensino de aviação

Celso Teixeira Leite
Foi inaugurada na última segunda-feira,25, no colégio Dominique, a sala “Gastão Madeira”, mais um passo na consolidação do Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA, que visa revelar vocações e despertar o interesse de crianças e jovens pelo mundo da aeronáutica.

Gastão Madeira, nascido em nossa cidade, que passa a ser patrono do projeto, é o nome do aeroporto de Ubatuba. Sua trajetória de vida é dedicada a pesquisas e inventos com imensa repercussão no campo da aviação a ponto de ser considerado pioneiro ao lado de ilustres brasileiros como Bartolomeu de Gusmão e Santos Dumont. Suas pesquisas patenteadas levaram-no para a França com recursos do governo brasileiro para dar continuidade aos seus projetos que tinha como princípio o vôo dos pássaros.

Para Cesar Rodrigues, oficial do Instituto de Controle do Espaço Aéreo – ICEA, coordenador técnico do NINJA, o campo da aviação oferece muitas oportunidades tanto na área civil como militar. “ O jovem pode ser piloto, comissário de bordo, engenheiro de aviação , trabalhar na área de meteorologia e outros setores e garantir o futuro. O importante é estudar”, diz Rodrigues.

A cerimônia contou ainda com a presença de Alfredo Correa Filho, presidente da Associação Comercial de Ubatuba que elogiou a iniciativa do colégio em criar condições para os alunos conhecerem o mundo da aviação e aproveitarem as oportunidades desse mercado. Alfredo rendeu homenagem ainda ao professor Lemar Gonçalves, responsável pelo projeto. Anderson Tato, empresário, também esteve presente, anunciando que irá colaborar permanentemente.

Os vereadores Mauro Barros e Silvinho Brandão marcaram presença e destacaram o trabalho pioneiro que poderá implicar na geração de empregos.

Paulo Lafer (Polé) e Tom Adolpho, antigos aviadores, mostraram-se empolgados com a iniciativa e demonstraram interesse em reativar um antigo sonho: a criação do aeroclube de Ubatuba. As negociações terão andamento tendo como base o colégio.

A reunião contou ainda com a presença de Sonia Bonfim, da fundação Alavanca que pretende que seus alunos frequentem o curso. Os professores Sidney Borges, Rui Grilo e Marcelo de Mário prestigiram o evento. Na oportunidade, Marcelo apresentou detalhes do projeto em que participa na escola municipal Tancredo Neves, da construção de um satélite desenvolvido por alunos. Claudia Oliveira e Elis Simpson anunciaram que realizará, no Colégio Dominique, um trabalho na área de observação de pássaros, integrado ao projeto NINJA.

Simulador de vôo

A sala “Gastão Madeira” tem como principal atração um simulador de vôo a ser operado pelos alunos. "O controle do manche permite a primeira interação do jovem com a aeronave", diz Diogo Moura, instrutor.

O arquiteto Luis Carlos Lima, professor da área de aeromodelismo desperta nas crianças o interesse pelo setor. “Ubatuba é a única cidade da região com um aeroporto na área central e tem tudo para propagar o aeromodelismo", diz Luís. O vice-prefeito Rui Teixeira Leite mostrou-se interessado pela iniciativa e informou que pretende aproximar áreas afins da aviação com a escola.

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Opinião

Armas de destruição em massa

José Serra - O Estado de S.Paulo
Armas e drogas continuam entrando em grande quantidade pelas fronteiras do Brasil. A cocaína transformada em crack e no oxi, um novo produto, torna-se, na verdade, mais destrutiva que armas de fogo. São centenas de milhares de vítimas, ou milhões, se pensarmos nas famílias afetadas. Uma catástrofe humanitária pior do que muitas guerras. O Estado brasileiro está despreparado para enfrentar essa ameaça e socorrer suas vítimas. Não faz o que deveria fazer: combater duramente a entrada das drogas no Brasil, enfrentar o tráfico, promover campanhas educacionais e recuperar os dependentes químicos.

Um médico amigo me explicou o que torna o crack mais perigoso do que a cocaína. Uma pedra é barata, cerca de R$ 5. Assim, é fácil começar a usá-la. Mas muito difícil parar. Inalada como fumaça, ela é absorvida por milhares de alvéolos nos pulmões e entra na corrente sanguínea numa quantidade e numa velocidade muito maiores do que a droga cheirada ou injetada. O prazer devastador que proporciona é imediato e dura pouco. Em menos de 30 minutos o usuário precisa de outra dose, e mais outra... Torna-se incapaz de qualquer atividade desligada do consumo da droga. Perde emprego, renda, bens, laços familiares, freios morais, numa espiral que muitas vezes só acaba na sua morte.

O oxi é outro derivado da cocaína, parecido com o crack na apresentação e na forma de consumo, mas ainda mais barato e mais letal. Reportagens do jornal O Globo mostraram seus efeitos devastadores sobre os usuários pelas ruas de Rio Branco, capital do Acre: perda de sono e apetite, tremores e agitação constantes, violência, crises de vômito e diarreia, emagrecimento, perda de dentes, lesões nos rins, nos pulmões e no fígado. As vítimas são jovens na maioria, até crianças. Morre-se em menos de dois anos.

Os profissionais de saúde que atendem os usuários de drogas trabalham em condições precárias. A recuperação, penosa em qualquer circunstância, fica ainda mais difícil no quadro de deficiências de gestão da saúde pública brasileira. O Sistema Único de Saúde (SUS) tem cerca de 250 Centros de Atenção Psicossocial voltados para dependentes de álcool e drogas. São poucos e sem estrutura adequada para as necessidades específicas dos usuários de crack e oxi. Eles poderiam ser mais bem atendidos em pequenas clínicas terapêuticas e unidades de desintoxicação. Mas estas, na concepção dominante no Ministério da Saúde, padecem de um defeito: não são estatais. Nem sequer iniciativas inovadoras dos governos do Rio Grande do Sul e de São Paulo, por exemplo, tiveram apoio do SUS.

Travado pela ideologia e incapaz de usar melhor os recursos insuficientes que destinou à saúde, o governo Lula apelou para a pirotecnia. Depois de anos ignorando o agravamento do problema, lançou dois planos contra o crack, em 2009 e 2010, às vésperas da eleição e no estilo de sempre: colagens de ações desarticuladas, sem instrumentos novos nem recursos adicionais, pouco ou nada implantado efetivamente.

O atendimento da rede pública de saúde é precário e tende a piorar com a disseminação do oxi. A nova droga chegou primeiro ao Acre, próximo dos maiores produtores de cocaína - Bolívia, Peru e Colômbia -, mas, a exemplo do crack, está se espalhando rapidamente pelo Brasil.

As fronteiras brasileiras são das mais desguarnecidas do mundo. Para cuidar dos 15,7 mil km das fronteiras terrestres - 8 mil somente com aqueles três países - temos apenas 1.600 homens do Exército. Ações efetivas de controle diminuiriam a escala e os lucros do narcotráfico, ao aumentar o custo final da droga e, assim, conter a difusão do seu uso. Mas as notícias dessa área não são melhores que as da saúde.

O novo governo prometeu intensificar a repressão ao contrabando de armas e drogas, mas, em vez disso, cortou o orçamento da Polícia Federal, diminuindo sua presença nas fronteiras. Enquanto faltam efetivos e até combustível para as viaturas da polícia em terra, o projeto do avião não tripulado de monitoramento, que rendeu manchetes em 2010, também foi atingido pelo corte orçamentário em 2011.

A redução do contrabando de armas e drogas exige ações efetivas dos dois lados das fronteiras. Porta-vozes do governo e do PT reagiram duramente à cobrança de gestões diplomáticas enérgicas nesse sentido, como se fosse preconceito contra a Bolívia, cujo plantio de coca cresceu 112% na década passada. Imaginaram, talvez, que se estivesse criticando subliminarmente o presidente Lula, que, junto com Evo Morales, posou para fotos com um colar de folhas de coca. Mas o fato é que o governo brasileiro se deixou levar pelas alianças externas do PT e não usou seu poder de pressão diplomática para inibir o tráfico vindo de países vizinhos, apesar dos presentes vultosos aos seus governos: à Bolívia, de onde vem perto de 60% do contrabando de cocaína, financiamentos do BNDES e um pedaço do patrimônio da Petrobrás, além de preços mais altos do gás; ao Paraguai, principal foco de contrabando de armas, US$ 3 bilhões por conta de Itaipu. Não devia ter havido uma troca? "O Brasil ajuda vocês e vocês se ajudam e ao povo brasileiro, combatendo o crime dentro de seus países".

No começo deste ano, o Itamaraty assinou um acordo de cooperação com a Bolívia para o combate ao contrabando de cocaína, começando a reconhecer o problema. Ações efetivas? O ministro da Justiça anunciou que compartilhará com os bolivianos as informações obtidas pelo avião não tripulado, por enquanto uma fantasia!

Em suma, faltam ações maiúsculas na diplomacia, na segurança pública e na saúde. Falta uma Guarda Nacional ou pelo menos um ramo fardado da Política Federal para se ocupar de fronteiras, focalizado no combate ao contrabando de armas e de drogas. Enquanto o governo brasileiro continuar oscilando entre a inércia e a pirotecnia, o custo para o País será exorbitante em matéria de vidas de muitos e de insegurança para todos.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Arma ilegal entra pela fronteira ate por motoboy"

EXCLUSIVO Repórter da Folha compra revólver em loja no Paraguai e recebe a entrega em frente a hotel no Brasil

Na fronteira considerada a mais vigiada do Brasil, a reportagem da Folha comprou ilegalmente um revólver em Ciudad del Este (Paraguai) e recebeu a mercadoria por motoboy em Foz do Iguaçu, no Paraná. O calibre 38 foi adquirido por R$ 700 nos fundos de uma loja de armas da cidade. Pela lei do país, a venda é restrita a paraguaios e a estrangeiros residentes.

O Estado de São Paulo
 "Facções rivais palestinas anunciam reconciliação"

Hamas e Fatah fazem acordo para montar governo de união e realizar eleições; Israel e EUA reagem mal

Após quatro anos de divisão, as facções palestinas Hamas e Fatah anunciaram acordo de reconciliação nacional. Negociado em reuniões secretas no Cairo, o pacto prevê a formação de um governo interino, a fixação de uma data para as eleições e a libertação de presos políticos. No entanto, restam em aberto várias questões-chave - como a unificação das forças dos dois lados. Israel imediatamente condenou a decisão do Fatah, que controla a Autoridade Palestina (AP). "A AP deve decidir entre a paz com Israel e a paz com o Hamas, que quer nos destruir", disse o premiê israelense, Binyamin Netanyahu. Os EUA também receberam a notícia com reservas. Hamas e Fatah já haviam feito outros dois acordos, em 2007 e 2009, e ambos fracassaram.

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quarta-feira, abril 27, 2011

Zeppelin

O zepelim de maior sucesso já construído, LZ-127 Graf Zeppelin voou mais de um milhão de milhas em 590 voos, transportando mais de 34 mil passageiros sem um único ferimento.

Economia

Copa: governo vai privatizar aeroportos
 
Chico de Gois, Geralda Doca, Martha Beck e Danielle Nogueira, O Globo
O governo bateu o martelo pela concessão parcial à iniciativa privada dos cinco principais aeroportos de conexão e internacionais do país, informou [ontem] o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci.

Segundo ele, em reunião na segunda-feira com o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Presidência, Wagner Bittencourt, a presidente Dilma Rousseff definiu os modelos para Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas), em São Paulo, e Brasília.

Continuam em estudo, que será concluído em pouco tempo, frisou Palocci, as opções para Confins (Belo Horizonte) e Antonio Carlos Jobim (Galeão, no Rio de Janeiro).

Com a decisão, caberá ao PT - tradicionalmente refratário às privatizações realizadas em governos anteriores, como a das telecomunicações - abrir às empresas privadas a exploração do setor aeroportuário, única área da infraestrutura nacional que continua sob comando exclusivo do Estado.

Os 67 principais terminais do país são administrados pela Infraero.

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Opinião

O que interessa é carne no prato e farinha na cuia

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
O ovo de Colombo do marketing político mundial foi posto de pé pelo americano James Carville. Responsável pela campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos, ele fez o candidato movimentar os lábios sem pronunciar a frase que atravessaria o planeta como um mantra: "É a economia, estúpido!" No caso de nações ricas, como a dele, a leitura labial da palavra economia lembra pleno emprego, tecnologia de ponta, alta produtividade, etc. Mas no de países emergentes, como o nosso, poucos desses fatores têm a importância de um só - a inflação. A perda do valor de compra da moeda, que significa menos proteína (e, com o passar do tempo, menos comida em geral) na mesa do trabalhador, e o retardamento da girândola faz-vende-compra que Fernando Henrique pôs para rodar e seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, usou com sabedoria para evitar que o tsunami da crise imobiliária americana chegasse a nossas praias tropicais, tornando-o "marolas", devem ser evitados a todo custo.

O ex-presidente tucano promoveu a maior revolução social de nossa História recente com a solução genial do Plano Real para acabar com a deterioração do salário do operário. Ao envergar a faixa que era do antigo aliado transformado em adversário preferencial, o petista mostrou ter aprendido a lição ao traduzir para o "popularês" as fórmulas sofisticadas dos economistas que elaboraram a receita mágica da preservação do valor do dinheiro em seus inacessíveis idioletos acadêmicos. O sucesso da economia no mandarinato petê-lulista muito se deveu à profusão de fatores positivos nos oito anos de sua duração, dos quais se costumam destacar a conjuntura internacional muito favorável e o magnífico desempenho da agroindústria nacional. Nada disso, contudo, produziria o efeito espetacular que se traduziu em crescimento acima do esperado e prestígio político inusitado para o chefe do governo se este não tivesse dado demonstrações firmes e perseverantes de sensatez ao não deixar a herança do antecessor se dissolver na balela desenvolvimentista de muitos de seus interlocutores. Como Fernando Henrique manteve Pedro Malan, Lula nunca permitiu que fosse perturbada a rigidez dos preceitos liberais clássicos que conduziram sua política econômica sob a batuta de Henrique Meirelles.

Muita gente boa (inclusive o autor destas linhas) tem manifestado encantado júbilo com as diferenças de estilo entre a presidente Dilma Rousseff e o patrono que a inventou, lançou e elegeu. Como Lula falava pelos cotovelos, a boca fechada de Dilma faz soar uma melodia que nem sequer João Gilberto seria capaz de entoar melhor. O primado dos direitos humanos na política externa e a postura serena e digna no convívio com visitantes estrangeiros e visitados no exterior também a têm favorecido nessa comparação. Mas é provável que Dilma Rousseff - logo ela, a "gerentona" impecável, a cobradora implacável - desafine justamente na nota só do samba que sustenta a escala da economia. É isso mesmo: a inflação. Guido Mantega, um zero à esquerda no governo anterior, parece, de repente, ter sido deslocado para a direita; Alexandre Tombini dista anos-luz de seu antigo chefe; e o desfile parece descambar na desarmonia total.

O Tyrannosaurus rex da inflação dá sinais de que pode estar despertando do sono letárgico produzido pelas doses de realismo monetário injetadas entre suas escamas por Malan e Meirelles. Há uma certa tendência no Ministério da Fazenda e até mesmo no novo Banco Central a desdenhar do risco do despertar do monstro, com aquela conversinha para boi dormir da inflação importada, produzida apenas pelos fatores sazonais das safras agrícolas com consequências na produção de alimentos. Por mais que o boi durma, o dinossauro inflacionário zomba desse tipo de soporífero e já afia suas garras. O diagnóstico da autoridade monetária é parcial, como insiste em mostrar a coleguinha Miriam Leitão. "A economia vai bem, a inflação assusta e a política monetária parece ter produzido pouco resultado até agora", resumiu magistralmente o companheiro Rolf Kuntz.

De Lula podia-se dizer que não fazia, só falava. Isso não significa necessariamente que, só por não falar, Dilma faça. Nunca antes na História deste país houve um político profissional que falasse tanto, embora não fizesse na mesma proporção, como o ex-dirigente sindical metalúrgico. Parte considerável de seu êxito eleitoral nas três últimas eleições federais, duas vitórias dele e uma de sua candidata tirada do nada, deveu-se à sua capacidade de se comunicar com o brasileiro do roçado, da favela, da cozinha e do quarto de empregada.

Mas de nada lhe teria esse talento notório valido se não fosse o bom senso de não transigir quando se tratou de manter a política econômica de pé sobre os pilares dos templos do satanizado neoliberalismo. Ele falava de futebol, bajulava o amigo persa Mahmoud Ahmadinejad, não dava ouvidos a quem ridicularizava suas tiradas autoindulgentes e desdenhava de quaisquer críticas, catalogadas em seus arquivos particulares como intrigas da oposição. E se garantiu no topo da popularidade enxotando a golpes de pragmatismo o corvo inflacionário. Mas trouxe-o de volta anabolizando gastos públicos para eleger Dilma Rousseff.

Esta começou a semana dizendo: "Todas as nossas atenções estarão voltadas para o combate acirrado à inflação". Mas de prático nada faz para impedir que riscos de corrosão do valor da moeda rondem os lares pobres. De acordo com a pesquisa do boletim Focus, divulgada pelo Banco Central, a expectativa para a inflação oficial continua distante de 4,5%, o centro da meta, flutuando de 6,29% para 6,34%.

Já é mais do que hora de ela passar de boas intenções à ação oficial, adotando medidas que ponham de novo o monstro para dormir. Agirá muito melhor se se preocupar menos com a Copa de 2014 e mais com a inflação: mais valem carne no prato e farinha na cuia do que bola na rede.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Ex-investigado, Renan vai cuidar de ética no Senado"

O maranhense João Alberto (PMDB), amigo de Sarney, deve ser eleito para presidir conselho

Com a experiência de ter respondido a cinco processos por quebra de decoro, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito ontem como um dos 15 integrantes titulares do Conselho de Ética, responsável por investigar a conduta de 81 congressistas que compõem a Casa. O senador João Alberto (PMDB-MA), que é amigo de Calheiros e do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), foi indicado para presidir o conselho.

O Estado de São Paulo
 "Governo fará concessão de aeroportos a empresas"

Modelo permite exploração comercial dos maiores terminais do País em troca de obras de ampliação

O governo vai lançar, entre maio e julho, editais propondo a concessão dos aeroportos de Cumbica, Galeão, Brasília, Viracopos (SP) e Confins (MG) à iniciativa privada. No modelo, a empresa vencedora da licitação executa a obra de ampliação do terminal e, em contrapartida, explora comercialmente o aeroporto, com aluguel de lojas – exceto os espaços, administrados pela Infraero. A intenção é apressar a ampliação dos aeroportos, com vista à Copa, à Olimpíada e ao crescimento da demanda interna. O investimento estimado pela Infraero é de R$ 3,987 bilhões. "Queremos combinar a urgência das obras com a necessidade de investimento público e privado para que a gente possa dar resposta a essas questões no menor espaço de tempo possível", disse o ministro Antonio Palocci.

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terça-feira, abril 26, 2011

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Opinião

As fontes da poluição

O Estado de S.Paulo - Editorial
O primeiro inventário do Estado de São Paulo sobre emissões de gases de efeito estufa não deixa dúvidas quanto ao principal responsável pelo aumento registrado entre 1990 e 2008 do volume de dióxido de carbono lançado na atmosfera: o transporte rodoviário.

Em 2008, ano tomado como base de comparação pelas autoridades ambientais do Estado, automóveis, veículos pequenos e médios de carga, utilitários em geral e motocicletas produziram 14,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono. No mesmo ano, a indústria, que durante muito tempo foi apontada como principal fonte de poluição, emitiu menos gases poluentes, - 13,4 milhões de toneladas. Esses dados demonstram a importância de uma política eficiente de transporte de massa, para desestimular o uso do automóvel, e de distribuição de cargas, para aumentar sua eficiência, na contenção do aquecimento global.

A apresentação do inventário é parte da Política Estadual de Mudanças Climáticas, instituída por lei em 2009 e considerada uma das mais ambiciosas do País para o combate ao aquecimento global. Essa política prevê a apresentação de relatórios quinquenais sobre as principais fontes de gases de efeito estufa. O primeiro inventário constatou que, entre 1990 e 2008, as emissões de dióxido de carbono no Estado de São Paulo aumentaram 58%, tendo passado de 60,7 milhões de toneladas para 95,7 milhões de toneladas. Os veículos automotivos foram responsáveis por quase metade do aumento de 35 milhões de toneladas de gases poluentes no período.

A emissão de gases de efeito estufa pelo setor de energia é bem maior do que a do setor de transportes. As emissões por queima de combustíveis fósseis passaram de 56,3 milhões de toneladas em 1990 para 85,3 milhões em 2008. Mas, proporcionalmente, o aumento, de 51,3%, foi menor do que o registrado nas emissões pelos veículos e menor também do que o aumento da energia produzida, o que indica o uso de combustíveis com menos carbono (como o gás natural) e também o aumento da participação de fontes renováveis (biomassa) no sistema energético de São Paulo.

As autoridades ambientais de São Paulo reconhecem que mudanças mais expressivas no sistema energético impõem grandes desafios tecnológicos, que permitam a substituição das atuais fontes de energia. Igualmente imensos são os desafios para a redução das emissões, pelos veículos, de gases que provocam o aquecimento global.

A lei que estabeleceu a política paulista de mudanças climáticas prevê, além de metas de eficiência para os diversos setores da economia, metas também para a implantação da rede metroferroviária, a instalação de corredores de ônibus e o sistema de bilhete único, para estimular o uso do transporte público. A meta principal é, até 2020, reduzir 20% da emissão de dióxido de carbono registrada em 2005.

A Prefeitura de São Paulo também dispõe, desde 2009, de uma Lei do Clima, que fixa várias metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa na cidade. A lei prevê, por exemplo, que a cada ano, 10% dos novos ônibus passem a ser movidos a álcool ou biodiesel. Também o uso de diesel menos poluente nos motores dos ônibus do sistema de transporte municipal está ali prevista. A inspeção veicular obrigatória para todos os veículos é outra disposição da legislação paulistana. A meta municipal é ainda mais ambiciosa do que a estadual: reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 30% até 2012.

É preciso que as autoridades cumpram e façam cumprir o que está na lei. Além disso, são necessárias medidas adicionais, que dependem de novas leis e normas de abrangência nacional, como a imposição de limites mais rigorosos à emissão do veículo recém-saído da fábrica, a aplicação mais ampla e rígida das normas de inspeção veicular e a fiscalização da fumaça emitida pelos veículos.

Em dez anos, a frota de veículos do País mais do que dobrou, tendo passado de 29,6 milhões em 2000 para 64,8 milhões de unidades no ano passado. Só em 2010, o aumento foi de 9,2%. A esse aumento rápido e constante deve corresponder maior rigor no controle da poluição gerada pelos veículos.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 26 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma negocia com TCU para acelerar aeroportos"

Funcionários da Secretaria de Aviação Civil seriam treinados pelo órgão

O governo Dilma Rousseff negocia uma parceria entre a Secretaria de Aviação Civil e o Tribunal de Contas da União para o acompanhamento de grandes obras federais de expansão dos aeroportos visando a Copa-14. Técnicos do TCU, responsável pela fiscalização, treinariam funcionários da secretaria. Com esse convênio, o objetivo do governo é corrigir rumos e evitar paralisações de obras. De 10 projetos, 6 ainda estão parados.

O Estado de São Paulo
 "Guantánamo manteve 150 inocentes presos, revelam documentos"

Site WikiLeaks detalha detenções arbitrárias e violência em interrogatórios

Pelo menos 150 suspeitos levados à prisão americana de Guantánamo desde 2002 eram inocentes, revelam alguns dos mais de 700 documentos confidenciais do governo dos EUA tornados públicos ontem pelo WikiLeaks. Os registros detalham ainda a utilização de métodos violentos nos interrogatórios, o sistema de classificação por grau de periculosidade dos presos e a transcrição de depoimentos. Segundo os documentos, em muitos casos os suspeitos foram detidos após serem confundidos com pessoas procuradas ou simplesmente porque estavam no lugar errado e na hora errada. Os papéis falam também de um suposto plano terrorista para atacar o Aeroporto de Heathrow, em Londres. O Pentágono qualificou o vazamento das informações de “infeliz".

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segunda-feira, abril 25, 2011

Roma

Fontana del Moro - Piazza Navona

Ubatuba em foco

Construindo o socialismo

Sidney Borges
Prestem atenção ao que diz o ex-presidente Lula, que voltou à carga com força total. Ele quer o PT governando São Paulo. Para tanto sugere alianças à direita, como quando foi eleito presidente pela primeira vez. Seu vice (que Deus o tenha) pertencia à tradicional direita mineira, tão ortodoxa quanto o Tea Party dos imperialistas do norte, como diria José Dirceu.

Lula quer um candidato petista e um vice "loiro de olhos azuis" para enganar a maioria conservadora, vencer as eleições e nacionalizar bares, restaurantes, barbearias e a 25 de março. Brincadeira, não consegui perder a piada, Lula é socialista, trinca de vermelhice, mas também é capitalista e adora banqueiros.

Seguindo os ditames do Mestre, o PT de Ubatuba deve buscar nos umbrais da direita alguém para fazer contraponto ao candidato oficial do partido, ainda não definido, mas com grande possibilidade de que seja o Dr. Moromizato. O PT de Ubatuba precisa de alguém que o torne palatável à maioria silenciosa da cidade, conservadora até à medula, adversária de maçons e socialistas.

Dizem por aí que o ex-verde, Sérgio Caribé, é o cara. Não é costume do blog repercutir boatos, abro uma exceção em função da coerência. Pode ser que o escolhido não seja o chique marchand Sérgio Caribé, mas certamente será alguém da direita, de preferência rico. Não será dado a qualquer um o papel de Kerensky caiçara na comédia das eleições.

Que tal um dono de drogaria(s)?

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Opinião

As saídas do Bolsa-Família

O Estado de S.Paulo - Editorial
Um dos aspectos mais positivos do Plano de Erradicação da Pobreza Extrema, em estudo pelo governo, é buscar saídas para o programa Bolsa-Família. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que coordena o Plano, tem demonstrado estar consciente de que é necessário ir além do assistencialismo, conduzindo um maior número de assistidos para o sistema produtivo, onde possam gerar renda para si próprios. Este é o caso do 1,5 milhão de brasileiros que procuram se sustentar com extrativismo na Amazônia, preservando as florestas e os recursos naturais. É indispensável, ali, a legalização da propriedade de terras para a produção sustentável, acesso ao crédito sem entraves burocráticos e uma vigilância diuturna para evitar o desmatamento ilegal, além de serviços de educação e saúde. A floresta pode gerar riqueza sem ser depredada, como mostra um estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, segundo o qual o extrativismo poderia gerar legalmente uma renda de R$ 3,9 milhões por ano com a venda de 58,5 milhões de metros cúbicos de madeira, 121 mil toneladas de açaí, 31 mil toneladas de castanha do Pará, 3,6 mil toneladas de látex e 514 toneladas de óleo de copaíba. E esse valor pode vir a ser multiplicado várias vezes.

Em encontro recentemente realizado em Parintins (AM), pesquisadores, gestores públicos e representantes de comunidades locais ficaram entusiasmados com o potencial econômico do extrativismo na região amazônica, como relatou a repórter Marta Salomon (Estado, 18/4). "Há milhares de hectares disponíveis em áreas de reserva extrativista e assentamentos sustentáveis", disse Antonio Carlos Hummel, presidente do Serviço Florestal Brasileiro. O desafio, segundo ele, é transformar essas áreas em um alvo de combate à pobreza, protegendo a floresta e combatendo o desmatamento.

No plano de ação para o manejo florestal, o governo estima investir R$ 31,7 milhões só no bioma Amazônia. É um valor equivalente à renda obtida pela produção extrativista na região durante um ano. Há, portanto, muito que pode ser feito, sem exigir grandes gastos. Em primeiro lugar, é preciso ampliar, com urgência, o plano Terra Legal, ainda restrito às áreas de desmatamento na região. A situação atual é assustadora. Estima-se que, dos 11 milhões de metros cúbicos de madeira produzidos anualmente pela Amazônia, 8,8 milhões teriam origem ilegal. A fiscalização é ineficiente. Os fiscais do Ibama não trabalham nos fins de semana e é justamente aos sábados e domingos que agem os desmatadores ilegais.

Isso demonstra quanto a regularização fundiária é fundamental. Se houvesse mais famílias ou cooperativas dedicadas ao extrativismo legal, sendo proprietárias de terras, elas próprias fariam a fiscalização, engajando-se em planos de manejo florestal, elaborados por pessoal especializado. Se existem municípios onde isso pode ser feito em 90 dias, em outros pode levar até 5 anos. Com madeira certificada de acordo com os padrões ambientais, exigência frequente dos países importadores, o produto pode ser comercializado por valor mais alto, com apreciável aumento de renda das populações locais.

No Estado do Amazonas, segundo levantamento do Sebrae, a situação é relativamente melhor: 91% do volume total de madeira de tora é obtido de forma legal, ou seja, de cada hectare de floresta podem ser retiradas quatro árvores, em média, por ano. Significativamente, 53% dessa madeira é destinada à exportação para os EUA e países europeus.

Embora seja a mais evidente, a madeira está longe de ser o único produto local que pode ser explorado economicamente, sem danos ao meio ambiente. Como outras matérias-primas, a borracha natural está em alta no mercado internacional e são cada vez mais valorizados a castanha do Pará, rica em selênio, o açaí, cujo valor nutricional é internacionalmente apreciado, e o óleo de copaíba, utilizado para fins fisioterápicos, entre outros produtos da riquíssima biodiversidade amazônica.

As intenções do governo são boas. Falta traduzi-las em realidade.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 25 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Empregos crescem na faixa acima dos 50 anos"

A ocupação no topo da pirâmide etária é a que mais aumenta, diz IBGE

Ter mais de 50 anos tornou-se uma boa notícia para quem procura emprego, informa Pedro Soares. É nessa faixa que o número de pessoas ocupadas mais cresce, segundo o IBGE. De 2003 ao primeiro trimestre de 2011, os empregados com essa idade aumentaram 56,1% nas seis maiores regiões metropolitanas do país. O percentual é quase o triplo do aumento do emprego em geral (19,8%).

O Estado de São Paulo
 "Construtora atrasa obra e eleva custo de imóvel em SP"

Agora, além de pagar mais caro pela casa própria, comprador terá de esperar mais tempo para mudar

A euforia que tomou conta do mercado imobiliário nos últimos cinco anos fez o preço dos imóveis praticamente dobrar no período. Agora, além de pagar mais caro, o cliente terá de esperar mais tempo para se mudar. Levantamento da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio a pedido do Estado mostra que, no primeiro trimestre de 2007, 25% dos empreendimentos lançados na Grande São Paulo tinham entrega entre 30 e 45 meses, o máximo no setor. De janeiro a março de 2011, esse prazo já subiu para 40% dos lançamentos. Até então, a maioria dos imóveis era entregue em até 15 meses. Com a dilatação dos prazos de entrega, o custo das obras sobe e pode elevar ainda mais o preço dos imóveis. De acordo com o índice FipeZap, o valor do metro quadrado cresceu 82% entre janeiro de 2008 e janeiro deste ano. Parte da alta se deve a inflação do setor de construção civil, medida pelo INCC.

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domingo, abril 24, 2011

Ramalhete de "causos"


Tempo de gambá

José Ronaldo dos Santos
A partir do mês de abril, desde o tempo dos tupinambás, é costume caçar gambás. E isso vai até o final de junho. Depois é tempo de respeitar o cio e o período de gestação dos bichinhos para que nunca falte tão precioso recurso à nossa alimentação. Assim ainda pensam e agem os pobres caiçaras. Outros pobres, vindos de outras terras e pertencentes a outras culturas não sabem disso, não respeitam os ciclos dos outros seres no ambiente que gerou a cultura caiçara. Resulta disso e da maldade congênita em muitos a matança por matança, o risco de extinção de muitos seres que conosco compartilham esta terra (e esta Terra!).

O causo de hoje ocorreu no Perequê-mirim, em agosto de 1970. Portanto, já fora da época de caçar gambás. Foi assim:

Numa manhã, quando se dirigia ao trabalho, o Argemiro, o jardineiro, encontrou o Gusto, o “pobre de espírito”, com um cumbu pesado, isto é, com gambá dentro, ainda vivo. Logo foi dizendo: “Sorta o bicho, Gusto. Não vê que já passô do tempo?”. “Que nada! A bicha tá gorda!”. Depois que o outro retrucou, o meu estimado jardineiro pensou numa maneira de vencer pela psicologia. Apelou para o estado do bicho: “Está prenha pra dar ao mundo uns cinco filhotes. Quem sabe não caiu na armadilha porque tinha desejo iguá às nossa mulhé? Sorta a pobre mãe". “Não. Não sorto. Tive trabalho, pus banana das boa!”. Novamente, diante da teimosia do outro, o Argemiro “rezou uma ladainha” que se encerrou desta forma: “Sorta o bicho porque a carne já não presta, pode até fazê mal pra quem comê". É aqui que entra o assombroso, a resposta do Gusto: “Não tem problema! Não se preocupe com isso! Não é pra mim! É pra mamãe!”.

Sugestão de leitura: Capitães da areia, de Jorge Amado

Boa leitura!

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Opinião

Guardar o coração na cabeça

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo
"O estadista deve trazer o coração na cabeça." A frase de John Kennedy, o mais querido presidente dos EUA, possivelmente explique por que sua vida íntima ainda hoje é um mistério, apesar de cercada por intrincada teia de boatos, que abrigaria um relacionamento com a mais famosa ícone da sensualidade feminina no cinema, Marilyn Monroe. Guiar-se pela razão tem sido desafio dos mais instigantes para todos os que militam na vida pública, sendo raros os que conseguem atravessar os longos corredores do poder sem cair nas armadilhas da vida privada. Estas marcam de maneira indelével o seu perfil. Basta lembrar o affaire envolvendo o presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky, no gabinete anexo ao famoso Salão Oval da Casa Branca, símbolo máximo do poder norte-americano. Ou a conversa picante, gravada em dezembro de 1989, entre o príncipe Charles da Inglaterra, então casado com a princesa Diana, e sua amante (hoje sua mulher), Camila Parker Bowles. A deterioração da imagem de atores políticos por eventos escandalosos tem sido comum no ciclo de fosforescência midiática em que vivemos.

Entre nós, o caso recente que despertou atenção foi a recusa do senador Aécio Neves a submeter-se ao teste do bafômetro, ao ser flagrado com a carteira de motorista vencida, dirigindo um veículo. A questão é: a vida privada do homem público deve ser objeto de interesse social? Resposta inapelável: sim. O homem público tem o dever de compatibilizar a vida privada e a pública, na medida em que ambas são forjadas por valores e princípios que expressam seu caráter. A Constituição expressa serem invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. É inquestionável tal pletora de direitos. Mas estes devem ser exercidos para garantir a cidadania. Uma coisa é o ato particular, que ocorre no sagrado espaço do lar ou no ambiente pessoal de trabalho, outra é o evento privado que se desenvolve em território público. E mesmo em locais privados a conduta do homem público há de ser condizente com os valores republicanos e com preceitos éticos e morais da sociedade. É o que ocorre com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, acusado de cometer delito ao atrair adolescentes para festas íntimas em suas propriedades. Quando altas autoridades de uma nação são flagradas em situações torpes, despencam no ranking da credibilidade social. Passam a ser motivo de vergonha e chacota.

É bastante tênue, como se pode perceber, a linha divisória que separa o comportamento íntimo do ator político de sua vida pública. Na história dos governantes, alguns souberam tirar proveito (e fazer marketing) de situações privadas, principalmente por meio de gestos, atitudes e manifestações voltadas para conquistar a simpatia popular. Líderes que procuram "humanizar" a imagem são, em geral, aplaudidos e admirados, eis que despertam nas massas sentimentos de familiaridade, simplicidade e proximidade. Na França, o presidente Giscard d"Estaing costumava sair pelas ruas, participar de partidas de futebol, exibir-se em festivais de acordeão, visitar prisões, convidar varredores de rua para tomar café da manhã no Palácio Eliseu. (Lula teria nele se inspirado para comemorar, todos os anos, o Natal com moradores de rua em São Paulo?) Outros exageram nos gestos, resvalando, por conseguinte, pelo perigoso terreno da galhofa. Pierre Trudeau, então primeiro-ministro do Canadá, em recepção cerimoniosa, chegou a escorregar pelo corrimão de uma escada. Outra feita, ocupou lugar na Câmara dos Comuns envergando camisa polo, paletó esporte e sandálias. Dessacralizar o poder, descer do Olimpo para a terra dos mortais, circular no meio do povo completam a bagagem de artifícios de governantes para atrair a simpatia da população. Tal sinalização contém alta taxa de demagogia.

Há, portanto, atos privados que são apreciados pela sociedade. E esta tolera certa liberdade de costumes e até uma dose de insolência. Mas o carisma do governante ajuda a aplainar arestas. Getúlio e Juscelino, vale recordar, foram presidentes namoradores, o que não lhes corroeu a fama. Thomas Jefferson, um dos homens mais admirados dos EUA, protagonizou um "escândalo" amoroso, o caso com uma de suas escravas, Sally Hemings, que fora a Paris cuidar da filha mais velha do presidente, na época com 9 anos de idade. Já o político inglês John Profumo, que tinha o cargo equivalente ao de ministro da Guerra, um dos heróis do Dia D (desembarque aliado na Normandia durante a 2.ª Guerra Mundial), foi protagonista de um grande escândalo: o envolvimento com a modelo Christine Keeler, no começo dos anos 60.

A rejeição a comportamentos de governantes tem que ver com o espírito do tempo. Em nosso país, a permissividade, particularmente no que concerne à apropriação do patrimônio da res publica, era enorme nos meados do século passado. Hoje o escopo da cidadania percorre sentimentos de classes e setores. Respeito às leis, igualdade, consciência de direitos começam a ser parâmetros para avaliar o desempenho na vida pública. A comunidade passa a enxergar a política com mais rigor. Desvios de padrão são denunciados pelo caleidoscópio social. Quem se arrisca nos descaminhos afunda, inexoravelmente, no poço do descrédito.

Neste ponto, voltemos ao episódio Aécio Neves. A impressão por ele causada, ao se recusar a fazer o teste do bafômetro, é de que não estava em condições de dirigir um veículo. A carteira de motorista vencida foi também sinal de que os bons exemplos, cada dia mais, deixam de vir de cima. Se um senador comete uma traquinagem dessas, por que eu não posso fazer? A comparação, embutida na cachola dos anônimos das ruas, sugere aos homens públicos que tenham cuidado. Não são eles invisíveis aos olhos da multidão.

Se quiserem galgar os degraus mais altos do poder, vale apreender a lição de Kennedy: guardem o coração na cabeça.

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Manchetes do dia

Domingo, 24 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Cumbica agora enfrenta hora do rush o dia todo"

Demanda em alta leva empresas aéreas a utilizar períodos antes ociosos

Cada vez mais, toda hora é hora de pico no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o maior do país. Com a demanda em alta, as empresas aéreas criaram novos voos em horários antes ociosos. Com isso, o aeroporto, que costumava ficar cheio no início da manhã e à noite, agora apresenta movimentação intensa também no final da manhã e à tarde, informa Ricardo Gallo. Nesses períodos, o vai-vem de aviões passou a superar 30 pousos e decolagens por hora no ano passado. O número se aproxima do limite máximo de Cumbica, que é de 44. A situação não deve melhorar pelo menos até o fim de 2003, quando a Infraero promete concluir o processo de ampliação dos pontos de estacionamento de avião de 61 para 103.

O Estado de São Paulo
 "Apagão de combustíveis causa rombo de US$ 18 bi"

Preço do etanol dispara, consumo de gasolina cresce e compra de derivados de petróleo supera exportação

Com a disparada do preço do etanol, que subiu mais de 30% nos postos desde o início do ano, os motoristas migraram para a gasolina. Consequentemente: faltou combustível em postos do interior de São Paulo e a Petrobrás e os usineiros chegaram a importar gasolina e etanol. A situação é consequência da queda da produção de etanol, mas reflete também um problema estrutural. Com o aumento da frota de veículos e a expansão da economia, e sem investimentos compatíveis, o País começa a viver um "apagão" de combustíveis. O consumo de derivados de petróleo superou a produção. Pela projeção da RC Consultores, o déficit na balança de derivados será ampliado de US$ 13 bilhões em 2010 para US$ 18 bilhões este ano.

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