Átomos
Energia nuclear será essencial para garantir segurança energética no Brasil
Em palestra no Enase 2008, diretor de Comunicação da ABEN afirma que país precisa investir em todas as fontes de geração de energia
Fonte Nuclear
A energia nuclear vive um renascimento mundial e será essencial para garantir a segurança energética no Brasil. Essa foi a mensagem transmitida pelo diretor de Comunicação da ABEN, Edson Kuramoto, em palestra realizada durante o 5º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), no Rio de Janeiro. Ele afirmou que, nas próximas décadas, as usinas nucleares terão papel importante na matriz elétrica brasileira como complementação à geração hídrica, cujo aproveitamento se tornará cada vez mais difícil, especialmente depois de 2030, devido às restrições ambientais.
De acordo com Kuramoto, todas as fontes de geração disponíveis serão necessárias para o país fazer frente ao crescimento da demanda energética, incluindo a nuclear. Nesse contexto, a conclusão de Angra 3 e a construção de quatro a oito usinas previstas no Plano Nacional de Energia 2030 servirão para consolidar a participação da energia nuclear no Sistema Interligado Nacional.
O diretor da Aben afirmou que a necessidade de assegurar o suprimento de energia está fazendo com que outros países também apostem na opção nuclear. “A energia nuclear voltou à agenda internacional devido a fatores como a crescente demanda por energia, a crise que aumentou os preços do petróleo e o aquecimento global. Os países estão buscando reduzir sua dependência de fontes externas de energia, como petróleo e gás natural, e a geração nuclear vem surgindo como alternativa econômica, segura e correta do ponto de vista ambiental, pois não emite gases responsáveis pelo efeito estufa”, comentou.
Kuramoto ressaltou que hoje existem 35 reatores em construção no mundo. Muitos países têm planos de expandir de forma significativa seus parques nucleares, como a China, que pretende instalar 40 gigawatts (GW) nucleares até 2038, e a Índia, que acrescentará 20 GW até 2020. Quanto à questão ambiental, o engenheiro nuclear lembrou que, em seu mais recente relatório, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que, para reduzir em 50% as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa entre 2010 e 2050, seria necessário adicionar 32 GW de energia nuclear por ano à produção mundial.
O diretor da ABEN também enfatizou que a decisão do governo de dar prosseguimento ao programa nuclear é fundamental para que o Brasil não perca a capacitação tecnológica adquirida ao longo de mais de 30 anos. “Os trabalhadores do setor têm média de idade superior a 40 anos. A perspectiva de retomada de Angra 3 e a construção de usinas adicionais são a garantia de um desenvolvimento continuado para o programa nuclear, o que servirá para atrair jovens recém-formados para trabalhar na área. Mas o risco ainda existe se o cronograma sofrer atrasos ou se os investimentos não se concretizarem”, resumiu.
Outra medida importante, segundo Kuramoto, é o Brasil alcançar a auto-suficiência na produção de combustível nuclear. Ele explicou que, na próxima década, o país terá um excedente na produção de urânio que poderia ser exportado. Os recursos seriam utilizados para terminar as etapas que faltam para fechar o ciclo do combustível nuclear.
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) produzem hoje 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Até 2015, esse total saltará para 2.300 toneladas devido à duplicação da mina de Caetité (BA) e à entrada em operação da unidade de Santa Quitéria (CE). Entretanto, a operação de Angra 1, 2 e 3 e de mais quatro usinas – o mínimo previsto pelo PNE 2030 – representará um consumo de apenas 1.600 toneladas de urânio. “A exportação do excedente poderia financiar a ampliação da fábrica de enriquecimento de urânio de Resende (RJ), além da construção de uma unidade de conversão de yellowcake (concentrado de urânio) em gás hexafluoreto de urânio. Uma vez feito isso, o Brasil alcançaria a auto-suficiência”, frisou Kuramoto.
Críticas ao Ibama
O diretor de Comunicação da ABEN também criticou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no processo de licenciamento de Angra 3. Ele afirmou que o Ibama fez exigências inusitadas, como a que requer a construção de um depósito final de rejeitos de alta atividade antes do início da operação da usina. “Os combustíveis usados nos reatores nucleares precisam ser resfriados por um período de 15 a 20 anos antes de serem removidos e colocados em depósitos definitivos. Durante esse período, eles devem ser mantidos em piscinas especiais, construídas dentro da própria central nuclear”, explicou.
Ele argumentou que o combustível usado contém 40% de material físsil ao sair do reator e ainda pode ser aproveitado para gerar energia. Antes de se construir um depósito final de rejeitos de alta atividade, o país deveria definir se vai reprocessar esse combustível. “É preciso definir também o tamanho do programa nuclear, pois se faz necessário calcular o volume de material que será armazenado no depósito. Isso dependerá do número de usinas a ser construído”, analisou.
Segundo Kuramoto, está havendo uma sobreposição de atribuições, pois decisões envolvendo as questões nucleares do projeto são de competência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), não do Ibama. “É preciso delimitar o que é de competência de cada órgão, pois essa sobreposição de atribuições vem atrapalhando o processo de licenciamento ambiental de Angra 3 e resultará em um aumento desnecessário no custo do empreendimento e em atraso no cronograma de construção da usina”, concluiu.
Em palestra no Enase 2008, diretor de Comunicação da ABEN afirma que país precisa investir em todas as fontes de geração de energia
Fonte Nuclear
A energia nuclear vive um renascimento mundial e será essencial para garantir a segurança energética no Brasil. Essa foi a mensagem transmitida pelo diretor de Comunicação da ABEN, Edson Kuramoto, em palestra realizada durante o 5º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2008), no Rio de Janeiro. Ele afirmou que, nas próximas décadas, as usinas nucleares terão papel importante na matriz elétrica brasileira como complementação à geração hídrica, cujo aproveitamento se tornará cada vez mais difícil, especialmente depois de 2030, devido às restrições ambientais.
De acordo com Kuramoto, todas as fontes de geração disponíveis serão necessárias para o país fazer frente ao crescimento da demanda energética, incluindo a nuclear. Nesse contexto, a conclusão de Angra 3 e a construção de quatro a oito usinas previstas no Plano Nacional de Energia 2030 servirão para consolidar a participação da energia nuclear no Sistema Interligado Nacional.
O diretor da Aben afirmou que a necessidade de assegurar o suprimento de energia está fazendo com que outros países também apostem na opção nuclear. “A energia nuclear voltou à agenda internacional devido a fatores como a crescente demanda por energia, a crise que aumentou os preços do petróleo e o aquecimento global. Os países estão buscando reduzir sua dependência de fontes externas de energia, como petróleo e gás natural, e a geração nuclear vem surgindo como alternativa econômica, segura e correta do ponto de vista ambiental, pois não emite gases responsáveis pelo efeito estufa”, comentou.
Kuramoto ressaltou que hoje existem 35 reatores em construção no mundo. Muitos países têm planos de expandir de forma significativa seus parques nucleares, como a China, que pretende instalar 40 gigawatts (GW) nucleares até 2038, e a Índia, que acrescentará 20 GW até 2020. Quanto à questão ambiental, o engenheiro nuclear lembrou que, em seu mais recente relatório, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que, para reduzir em 50% as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa entre 2010 e 2050, seria necessário adicionar 32 GW de energia nuclear por ano à produção mundial.
O diretor da ABEN também enfatizou que a decisão do governo de dar prosseguimento ao programa nuclear é fundamental para que o Brasil não perca a capacitação tecnológica adquirida ao longo de mais de 30 anos. “Os trabalhadores do setor têm média de idade superior a 40 anos. A perspectiva de retomada de Angra 3 e a construção de usinas adicionais são a garantia de um desenvolvimento continuado para o programa nuclear, o que servirá para atrair jovens recém-formados para trabalhar na área. Mas o risco ainda existe se o cronograma sofrer atrasos ou se os investimentos não se concretizarem”, resumiu.
Outra medida importante, segundo Kuramoto, é o Brasil alcançar a auto-suficiência na produção de combustível nuclear. Ele explicou que, na próxima década, o país terá um excedente na produção de urânio que poderia ser exportado. Os recursos seriam utilizados para terminar as etapas que faltam para fechar o ciclo do combustível nuclear.
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB) produzem hoje 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Até 2015, esse total saltará para 2.300 toneladas devido à duplicação da mina de Caetité (BA) e à entrada em operação da unidade de Santa Quitéria (CE). Entretanto, a operação de Angra 1, 2 e 3 e de mais quatro usinas – o mínimo previsto pelo PNE 2030 – representará um consumo de apenas 1.600 toneladas de urânio. “A exportação do excedente poderia financiar a ampliação da fábrica de enriquecimento de urânio de Resende (RJ), além da construção de uma unidade de conversão de yellowcake (concentrado de urânio) em gás hexafluoreto de urânio. Uma vez feito isso, o Brasil alcançaria a auto-suficiência”, frisou Kuramoto.
Críticas ao Ibama
O diretor de Comunicação da ABEN também criticou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no processo de licenciamento de Angra 3. Ele afirmou que o Ibama fez exigências inusitadas, como a que requer a construção de um depósito final de rejeitos de alta atividade antes do início da operação da usina. “Os combustíveis usados nos reatores nucleares precisam ser resfriados por um período de 15 a 20 anos antes de serem removidos e colocados em depósitos definitivos. Durante esse período, eles devem ser mantidos em piscinas especiais, construídas dentro da própria central nuclear”, explicou.
Ele argumentou que o combustível usado contém 40% de material físsil ao sair do reator e ainda pode ser aproveitado para gerar energia. Antes de se construir um depósito final de rejeitos de alta atividade, o país deveria definir se vai reprocessar esse combustível. “É preciso definir também o tamanho do programa nuclear, pois se faz necessário calcular o volume de material que será armazenado no depósito. Isso dependerá do número de usinas a ser construído”, analisou.
Segundo Kuramoto, está havendo uma sobreposição de atribuições, pois decisões envolvendo as questões nucleares do projeto são de competência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), não do Ibama. “É preciso delimitar o que é de competência de cada órgão, pois essa sobreposição de atribuições vem atrapalhando o processo de licenciamento ambiental de Angra 3 e resultará em um aumento desnecessário no custo do empreendimento e em atraso no cronograma de construção da usina”, concluiu.
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