Cultura

Vargas Llosa com a macaca
Trem Azul
Sobrou para astros como o estilista John Galliano, o cineasta Woody Allen, a revista "Olá" e a cantora Carla Bruni serem criticados pelo Nobel de Literatura Vargas Llosa numa conferência da Sociedade Interamericana de Imprensa. Foram chamados de membros da “civilização do espetáculo”.
Como conseqüências da civilização do espetáculo, a literatura, as artes plásticas, a crítica, o cinema, a política, o sexo e o jornalismo desapareceram em sua essência mais pura. Isso ocorre, disse Vargas, porque há um total desdém por tudo o que lembra que a vida não só é diversão, também drama, dor, mistério e frustração.
E no jornalismo, a difusão da frivolidade se alimenta do escândalo. "A revista 'Olá' e seus 'congêneres são os produtos mais genuínos da civilização do espetáculo porque dão respeitabilidade ao que antes era produto marginal e quase clandestino: escândalo, intriga e inclusive a calúnia". "A triste verdade é que nenhum meio pode manter um público fiel se ignora a moda imperante", disse o escritor, baseando sua conclusão de que o problema não está no jornalismo mas num estilo de vida que tem no entretenimento passageiro a maior aspiração humana.
"A obrigação de pôr a cultura ao alcance de todos teve em muitos casos o indesejável efeito do desaparecimento da alta cultura, minoritária pela complexidade de seus códigos, em favor de um amálgama na qual tudo cabe". Llosa criticou na imprensa as editorias destinadas à cultura. Para ele, desapareceram os intelectuais e praticamente os críticos, mas a cozinha e a moda ocupam boa parte das seções dedicadas à cultura, em um mundo controlado pela publicidade que dá carta de "cidadão honorário a John Galliano e a seus espantalhos indumentários".
"E já não produz criadores como Bergman, Visconti ou Buñuel. Coroado como ícone é Woody Allen, que está para um David Lynch ou um Orson Wells como Andy Warhol para Gauguin". Mas é a política, disse Vargas Llosa, que experimentou maior banalização, porque tiques nervosos da publicidade tomam o lugar das idéias.
"Carla Bruni com seu fogo de artifício midiático, mostra como nem sequer a França pôde resistir à frivolidade imperante". Pois é. Falar mal da Carla Bruni pega mesmo muito bem para certa tribo. É só botar outros graúdos junto, para disfarçar. A primeira dama da França deve estar preocupada, capaz de perguntar a alguém, quiçá para o marido presidente, quem é Mario Vargas Llosa. Nem duvido que ele responda ser um famoso cantor de tango peruano.
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