sábado, dezembro 24, 2016

Física


Opinião

Em 2016, celebraremos o Natal sob o signo da xenofobia e do jihadismo

Demétrio Magnoli
Cerca de 4.000 anos atrás, quando Abraão subiu um morro no Oriente Médio com a intenção de sacrificar seu único filho legítimo ao Deus que adorava como superior aos outros deuses, nasceu a tradição da fé.

Naquele evento encontra-se a fonte lendária das três religiões abraâmicas –judaísmo, cristianismo, islã– e, com elas, da primeira versão do conceito de igualdade entre os seres humanos.

Cruzadas, jihad, "Grande Israel". Associam-se, geralmente, as religiões monoteístas ao impulso da guerra de conquista. Porém, antes de tudo, elas assinalaram um extraordinário salto civilizacional.

A tradição da fé soldou extensas comunidades políticas pois rompeu barreiras sociais até então intransponíveis. Se o mais humilde dos súditos e seu soberano compartilham o Deus único, leem o mesmo Livro e curvam-se juntos aos mesmos mandamentos, então eles são essencialmente iguais.

Dessa limitação implícita do poder tirânico surgiu o embrião da ideia de direitos civis.

A versão moderna da igualdade foi estabelecida pelo Estado-Nação, por meio do contrato de cidadania. A soberania deslocou-se para o povo, eliminando-se a aura de distinção que cercava o governante.

Os cidadãos não se distinguem por suas opções de fé: na base do contrato político está a separação entre Estado e Igreja e sua contrapartida, que é a liberdade de religião. Os direitos civis aparecem explícitos, elencados na legislação e assegurados por tribunais independentes.

As duas versões da igualdade, a ancestral e a moderna, têm seus lados sombrios. A irmandade religiosa exclui o "infiel"; a irmandade nacional, o "estrangeiro".

A Cruzada ou a jihad, assim como o nacionalismo exacerbado, espreitam na trama lógica das comunidades tecidas pela fé e pela nação. Auschwitz reuniu todos os demônios, sintetizando a pulsão exterminista do nazismo, que identificou o judeu ao "estrangeiro". Diante das imagens da barbárie, em 1948, costurou-se uma terceira versão do conceito de igualdade.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos impugnou as perseguições religiosas, raciais, étnicas e nacionais pela proposição de uma "cidadania universal".

Seus autores inspiraram-se nas declarações de direitos ocidentais (inglesa, americana e francesa) e, ainda, em tradições da fé de diversos povos. "Nunca mais": a afirmação de uma humanidade comum funcionaria, esperavam eles, como uma barricada de última instância contra os massacres e o genocídio.

Celebraremos o Natal sob os signos da xenofobia, do jihadismo, da islamofobia e de Aleppo.

Na Síria, 80 anos depois de Guernica, uma cidade em ruínas alerta-nos para a persistência da barbárie –e para as implicações do predomínio da "realpolitik".

Amparado pela Rússia, no vácuo aberto pela inércia do Ocidente, Bashar Assad provou que os tiranos ainda mantêm a prerrogativa de massacrar seu próprio povo.

"Morte ao cristão", "deportemos os imigrantes", "proíba-se a burca": no Oriente Médio, na Europa e nos EUA, as vozes dos extremistas identificam o inimigo no "infiel" ou no "estrangeiro", instaurando uma cartografia do ódio. A simplificação identitária do discurso político apela às faces sombrias do nacionalismo e da religião. Tempos de jihad e terror: no lugar da tradição abraâmica, os fanáticos invocam a exclusividade do seu próprio profeta.

Tempos de Trump, Putin, Erdogan, Le Pen: no lugar do contrato civil, os nativistas invocam o "direito do sangue" e a primazia da "cultura". Há pouco, quase nada, a celebrar nesse Natal de 2016.

Mesmo assim, os descrentes, como eu, não precisam juntar-se aos resmungos dos novos ateístas ou à fúria dos liberais "libertários". Podemos, em vez disso, erguer um brinde à versão inicial, religiosa, do conceito de igualdade –com a condição de brindar também às duas versões modernas, que a corrigem e completam.

Feliz Natal, apesar de tudo. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 24 / 12 / 2016

O Globo
"Meirelles: Rio não terá ajuda sem contrapartida"

‘Exigências precisam ser cumpridas’, diz ministro

Critérios para estado aderir a programa de recuperação, que foram retirados na Câmara, serão restabelecidos até janeiro por nova lei, regulamentação ou portaria

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirma que o Estado do Rio só poderá aderir ao programa de recuperação fiscal, que permitirá aos governos estaduais ficarem três anos sem pagar suas dívidas com a União, se cumprir todas as exigências que estavam previstas no projeto original enviado ao Congresso. As contrapartidas foram retiradas na Câmara. Em entrevista a MARTHA BECK, Meirelles afirma que, até janeiro, as exigências serão restabelecidas na regulamentação da lei já aprovada, por nova lei, via portaria ou medida normativa da Presidência. Até lá, não haverá solução para o Rio por parte da União.    

O Estado de S.Paulo
"Natal da crise faz comércio antecipar promoções"

Expectativa é de queda de 4% nas vendas; lojas populares e de grife oferecem descontos fora de época

No Natal da crise, em São Paulo, tanto os corredores de comércio popular, como a Rua 25 de Março, quanto as lojas dos Jardins, da Rua Oscar Freire, por exemplo, recorrem a promoções e descontos típicos de épocas de liquidação para atenuar a queda nas vendas. A expectativa da Confederação Nacional do Comércio é de retração de 4%, o segundo pior desempenho para o Natal em 15 anos, superado só pelo tombo de 7,1% do ano passado. Ontem, antevéspera do Natal, o fluxo de pessoas na 25 de Março era fraco e distante do mesmo período em 2010, o melhor ano da década – em dezembro daquele ano, a receita cresceu mais de 15%. “Nunca tínhamos dado desconto na véspera do Natal”, diz Naiara Andrade, vendedora de loja de bijuterias na 25 Março. Também é a primeira vez que uma loja de grife feminina na Oscar Freire faz promoção nesta época, segundo o supervisor Rallyson Chaves.                    

Folha de S. Paulo
"Cartão de crédito tem juro recorde de 482%"

Taxa do cheque especial também registrou maior patamar histórico

Os juros do cartão de crédito rotativo, que o governo espera reduzir à metade, foram a 482% ao ano em novembro. É o maior patamar registrado desde que o Banco Central começou a divulgar o dado, em março de 2011. Em outubro, a taxa estava em 476% ao ano. Os juros do cheque especial também bateram recorde de 331% ao ano em novembro, contra 329% em outubro. É o maior índice da série do BC, criada em 1994. O crédito rotativo é emergencial, usado quando não se consegue quitar a fatura. Na quinta-feira (22), o presidente Michel Temer anunciou ação para reduzir os juros do rotativo numa tentativa de aliviar o endividamento da classe média. O governo pretende proibir, a partir de março de 2017, que usuários de cartão de crédito passem mais de 30 dias no rotativo. Depois disso, a dívida seria automaticamente parcelada e a um custo menor. Para entrar em vigor, a mudança na regra do rotativo precisa ser regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional.   

sexta-feira, dezembro 23, 2016

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Coluna do Celsinho

Sol

Celso de Almeida Jr.

Nesta fase de dezembro, no hemisfério norte, tivemos o solstício de inverno, momento em que a noite atinge o seu ponto máximo.

Foi a entrada do inverno, mas, também, o começo da caminhada rumo à primavera, culminando com o verão, no meio do ano.

Nesta dança celeste, a partir desta época - por lá - a duração do dia começa a ficar mais longa, simbolizando a vitória da luz sobre a escuridão.

Por aqui, moradores que somos da metade sul, acabamos de atingir o solstício de verão, dia mais longo, recebendo mais raios solares, iniciando o caminho rumo ao outono - noites se alongando - tudo mais perceptível na medida em que nos distanciamos da Linha do Equador.

Com esta distribuição desigual da luz solar entre as metades do planeta, comandados pela inclinação, a translação e a rotação da Terra, seguimos em frente, com diferentes culturas, que tanto enriquecem a nossa existência.

Foi por estes fatos astronômicos – tidos como impactantes mistérios em épocas distantes -  que imperadores romanos abraçavam o culto ao Sol Invencível.

Havia, entre outras, o mitraísmo, religião preferida dos militares daqueles tempos, principais responsáveis por sua expansão, com devoção a Mitra, cujo nascimento era comemorado em 25 de dezembro, data próxima ao solstício de inverno para os povos do norte.

Culto ao Sol, culto à Mitra.

Chega o século IV da era cristã e - partindo de Constantino, culminando com o imperador Teodósio - o cristianismo torna-se a religião oficial do império romano e os demais cultos são proibidos.

Desse arranjo, a data festiva de 25 de dezembro, que brindava Mitra e também ao Sol, passou a brindar o Cristo, simbolizando, a partir de então, o seu nascimento.

Tudo bem!

Jesus, por diversos pesquisadores, deve ter nascido numa primavera, quatro anos antes da chamada Era Cristã, ou Era Comum, como queiram.

Não tem problema.

Religiosos ou não, de norte a sul, continuaremos olhando para os céus, esperançosos de que a luz de tantas estrelas causem um efeito saneador em nossas mentes e corações.

Como disse há mais de um século o juiz da suprema corte americana, Louis Brandeis:

“A luz do sol é o melhor desinfetante.”

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Para aguentar o Natal, é preciso achar graça na patologia bizarra da família

Contardo Calligaris
As reuniões de família não acontecem só no Natal. Há outras festas religiosas e há casamentos, enterros, aniversários etc. Mas um ditado italiano sugere: "Natale con i tuoi, Pasqua con chi vuoi" –Natal com os teus, e Páscoa com quem você quiser. Ou seja, ao menos no Natal, espera-se que haja uma reunião de família.

No próximo fim de semana, dias 24 e 25, muitos passarão por uma reunião familiar, provavelmente grande e festiva. Para alguns, serão duas –por exemplo, sábado à noite com os pais e domingo ao meio dia com os sogros.

Os órfãos e sem filhos, divorciados ou celibatários, receberão convites piedosos para eles se agregarem à festa da família de amigos e conhecidos. Para ser convidado, não é preciso ser cristão: acreditar um pouco no Papai Noel basta.

Alguns podem encarar essa perspectiva de jantares e almoços com alegria. Mas, desde o começo da semana, vejo e ouço sobretudo pessoas que tentam se precaver contra o desastre que eles anteveem.

Se houver crianças, o evento será resgatado pela alegria delas na hora da distribuição dos presentes. Sem isso, mesmo nas famílias em que todos declaram se gostar, a reunião é um momento delicado, que quase sempre revela a complexidade dos laços familiares: as rivalidades, as frustrações de não ser amado como a gente queria, a estranheza que nos causa a proximidade de parentes que não têm nada a ver conosco"¦

Ficar é extenuante. Não ir ou ir embora cedo parece imperdoável. Meu conselho é participar com dedicação, pois a regra geral diz: só quem enxerga e encara a patologia bizarra da família consegue aguentar sem desespero uma festa dessas.

Ainda dá tempo: antes do Natal, tente assistir a "Sieranevada", do romeno Cristi Puiu. A reunião de família de "Sieranevada" é o aniversário de um luto, mas o filme vale para qualquer festa familiar.

Nota: os cinéfilos apreciarão uma câmera que está completamente ao serviço da vontade de nos fazer sentir a clausura do apê e da família. Em 2015, em "O Filho de Saul", o húngaro László Nemes filmou, também de uma maneira inesquecível, a clausura dos campos de concentração. Não deve ser uma coincidência que dois filmes geniais na maneira de mostrar a opressão apareçam ambos do outro lado da antiga cortina de ferro.

Enfim, depois de assistir a "Sieranevada", no estacionamento, escutei a conversa de duas moças. Uma dizia que a história do filme poderia ser contada em 30 minutos. A outra dizia que, de fato, ela tinha gostado do filme porque, confessava, tinha reconhecido situações da sua própria família.

De fato, os que acham que família é só alegria não gostarão de "Sieranevada". Mas o filme é imperdível para quem enxerga nele a verdade de qualquer família, a começar pela sua própria.

Para os que souberem se ver na tela, o filme será a preparação perfeita para a ceia ou o almoço natalinos. Reconhecendo-se na trivialidade dos afetos e das conversas, eles conseguirão rir do drama farsesco que é a família –e aguentarão bem o suplício festivo.

Você já sabe que, neste Natal, haverá aquele tio que frequentou as manifestações do "fora, Temer", e ele discutirá com outro tio que, na hora do panelaço, gritava "fora, Dilma". Também comparecerá um primo que pede a volta dos militares.

Estará lá um sobrinho que acredita em tudo o que ele lê na internet e jura que existe um grande complô, do 11 de setembro a Fukushima –tudo obra de poderes ocultos. A conversa deslizará para o francamente pornográfico quando uma tia acusará um tio de traí-la com a vizinha. No fim, chegará uma sobrinha levando uma amiga trêbada e desmaiada.

O discurso da reunião familiar é sem objeto nem referência; ele tem só duas (grandes) funções: 1) expressar as emoções que repetimos desde a infância (ou seja, expressar nossa neurose infantil) e 2) lutar para manter o outro na escuta: hello, você está me ouvindo?

A reunião de família pode ser cômica? Sim, e seria bom que achássemos risível o ruído cotidiano de nossos afetos familiares. "Sieranevada", aliás, é uma comédia que pode nos ensinar a descobrir a comédia da nossa vida. Tem mais: se você aguentar "Sieranevada", está garantido que você aguentará seu almoço ou seu jantar de Natal.

Agora, depois do almoço ou jantar, encontre-se com amigos – diferentes dos parentes, eles são a companhia que você escolhe. Feliz Natal.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 23 / 12 / 2016

O Globo
"Reforma moderniza lei e dá mais poder a sindicatos"

Regras como jornada, férias e intervalo de almoço poderão ser negociadas

Medidas, que estarão em projeto de lei, são aprovadas por empresários. Especialistas também veem avanços, mas ressalvam que será importante dar mais representatividade às organizações sindicais

O presidente Temer anunciou ontem a reforma trabalhista, que será enviada ao Congresso em projeto de lei. Pelo texto, acordos firmados entre sindicatos e empresas vão prevalecer sobre a CLT. Entre as regras que poderão ser negociadas, está a duração da jornada e o parcelamento das férias. Mas não serão permitidas mudanças em direitos como FGTS, 13º salário e normas de saúde e segurança. Empresários e as centrais Força Sindical e UGT aprovaram as mudanças; a CUT criticou. Analistas viram avanços no projeto, mas ressaltaram que muitos sindicatos não têm representatividade e, agora, ganharão mais poder nas negociações. O presidente Temer disse que, às vésperas do Natal, o projeto foi um “belíssimo presente” para o Brasil.    

O Estado de S.Paulo
"Temer libera saque total de contas inativas do FGTS"

Estimativa é de que R$ 30 bilhões sejam movimentados; não haverá exigência de destinação para os valores, mas liberação só ocorrerá após fevereiro

Os trabalhadores poderão sacar todo o dinheiro de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Pressionado a tomar medidas que deem fôlego à economia e ao consumo, o governo pensou em limitar o valor do saque a R$ 1,5 mil, mas decidiu pelo valor total. A estimativa é de que R$ 30 bilhões sejam movimentados. Não haverá limite de saque, nem destinação específica para os valores. Conta inativa é a vinculada a um contrato de trabalho já extinto. Serão consideradas as contas com data de desligamento do empregado até 31 de dezembro de 2015. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que a iniciativa vai contribuir para reduzir a inadimplência, que hoje é de R$ 75 bilhões no mercado financeiro, e melhorar as condições de crédito. Os saques não serão imediatos. Em fevereiro, a Caixa, que administra o fundo, vai anunciar um calendário de resgates. Ontem, o site do FGTS ficou sobrecarregado e apresentou instabilidade diante da procura por informações.                    

Folha de S. Paulo
"Pacote de Temer tenta agradar a trabalhadores e empresários"

Medidas incluem saques de contas inativas do FGTS, juros menores no cartão e reforma na lei trabalhista

Com o país em recessão há mais de dois anos e a popularidade em baixa, o presidente Michel Temer anunciou medidas para reforçar o bolso do trabalhador, aliviar o endividamento da classe média e satisfazer empresários. O peemedebista autorizou o saque integral, em 2017, do saldo de contas inativas do FGTS existentes atê 31 de dezembro do ano passado. Segundo o governo, essa medida injetará na economia R$ 30 bilhões, valor superior ao do balanço do FGTS de 2015 (R$ 18,6 bi entre contas inativas e reserva técnica). Temer também anunciou que a partir do fim de março usuários de cartão de crédito não poderão passar mais de 30 dias no rotativo, linha usada por quem não consegue pagar a fatura integral. Depois, a dívida será parcelada, com custo menor. O Planalto espera que isso resulte na redução pela metade dos juros do cartão. Sobre a reforma trabalhista, ela tramitará via projeto de lei, com proposta que permite adoção de jornadas diárias mais longas em acordos negociados por empresas e funcionários.   

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Física


Opinião

A fera que Putin cutucou dá seu primeiro tiro

Clóvis Rossi
Vladimir Putin ganhou a batalha de Aleppo para o ditador sírio Bashar Al-Assad mas pode ter perdido o relativo distanciamento de que a Rússia vinha se beneficiando em relação ao terrorismo islâmico.

É uma perspectiva possível a propósito do atentado que causou a morte do embaixador russo na Turquia, atacado, segundo a rede turca NTV, aos gritos de "vingança por Aleppo".

Claro que qualquer avaliação é por enquanto precária ou, na melhor das hipóteses, preliminar, até porque o atacante foi morto. É razoável supor, por isso, que levará algum tempo até que se estabeleça seu perfil e, por extensão, a sua motivação.

Mas o fato é que se envolver em um conflito que envolve alta dose de fanatismo, inclusive religioso, cobra sempre um preço, mais cedo ou mais tarde.

É importante assinalar que o embaixador atacado estava inaugurando uma exposição de fotografias da Rússia, tomadas por fotógrafos turcos. Se de fato pretendia vingar Aleppo, o atirador encontrou uma ocasião perfeita. A palavra "Rússia" virou chamariz.

Não seria, de resto, a primeira vez em que a Rússia se envolve com o terrorismo islâmico: os conflitos na Tchechênia, república russa surgida do desdobramento da União Soviética, deram origem a inúmeros atentados até mesmo em Moscou.

Mas eram, por assim dizer, atentados autóctonos, produzidos dentro da própria Rússia.

Agora, a complicação pode vir de fora. O massacre de Aleppo, pelo qual as tropas russas têm boa parte da responsabilidade, vitimou, numa ponta, sunitas, adversários da ditadura alauíta de Assad, e, na outra, radicais islâmicos.

Que ambos queiram vingar-se será apenas uma decorrência natural, em qualquer circunstância, mas mais ainda em uma região e em conflito em que moderação é palavra que inexiste no dicionário.

Os sunitas não radicalizados tendem a não ser problema. Estão derrotados e sua meta central será apenas a de sobreviver da maneira menos penosa possível em uma Síria devastada e controlada por um tirano implacável.

Mas grupos radicais, como o Estado Islâmico, perderam apenas uma batalha e continuam com força em outras partes da Síria e também no Iraque. Prova-o a reocupação de Palmira, ocorrida enquanto russos e as tropas de Assad estavam ocupadas em destruir a Aleppo rebelde, e a infernal resistência em Mossul, no Iraque.

É esse inimigo que Putin ganhou e que talvez tenha disparado seus primeiros tiros em Ancara, nesta segunda-feira (19).

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 21 / 12 / 2016

O Globo
"Sem contrapartida, socorro a estados dificulta ajustes"

Congresso aprova ajuda que pode superar R$ 100 bilhões

Em derrota do governo, deputados retiram do projeto de renegociação das dívidas estaduais com a União praticamente todas as exigências de contenção de gastos e ampliação de receitas

A Câmara aprovou ontem, por 296 votos a favor e 12 contra, a renegociação das dívidas de estados com a União excluindo praticamente todas as contrapartidas de ajuste fiscal antes impostas pelo governo. Com o projeto, a União poderá ter que adiar o recebimento de R$ 100 bilhões previstos até 2019. Para analistas, a retirada das exigências tornará a situação fiscal dos estados ainda mais complicada e dificultará a aprovação de medidas de ajustes nas assembleias legislativas.    

O Estado de S.Paulo
"Câmara aprova ajuda a Estados, mas sem exigir contrapartida"

Texto que recebeu apoio da base aliada contraria posição da equipe econômica; Temer pode vetar artigos

No último dia de votações na Câmara, a base aliada entrou em acordo com a oposição e aprovou por 296 votos a 12 a renegociação da dívida dos Estados. De acordo com o texto, o regime de recuperação fiscal suspende por três anos o pagamento do débito de unidades da federação em calamidade fiscal, mas as contrapartidas serão determinadas por meio de projeto nas assembleias legislativas, o que contraria orientação do Ministério da Fazenda. No texto inicial, modificado pelos deputados, Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais teriam o pagamento da dívida suspenso em troca de medidas de ajuste. O projeto segue para sanção presidencial. O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) não descartou a possibilidade de orientar o presidente Michel Temer a vetar algum ponto. “É uma prerrogativa do governo, mas ainda nem recebemos o texto”, afirmou.                    

Folha de S. Paulo
"Câmara autoriza socorro a Estados sem contrapartidas"

Governadores poderão ficar 3 anos sem pagar prestações da dívida; Fazenda diz que haverá exigências

A Câmara contrariou o governo Temer (PMDB) e aprovou, por 296 votos a 12, uma proposta de renegociação da dívida dos Estados sem exigir contrapartidas, como o corte de gastos públicos. Pelo texto votado nesta terça (20), governos em dificuldade poderão ficar três anos sem pagar prestações. Entre as exigências derrubadas pelos deputados estão privatizações, aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo e congelamento de reajustes negociados com servidores. O Ministério da Fazenda era contra as alterações. O Planalto liberou a base para aprovar a versão, mas deve impor regras no ano que vem. Segundo a pasta, o Estado que se candidatar à recuperação invariavelmente terá de apresentar ações para reequilibrar a situação fiscal. O projeto de lei, que segue iara a sanção do presidente Michel Temer, deve beneficiar principalmente Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.   

 
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