sábado, outubro 15, 2016

Física


Opinião

PEC do Teto surge do reconhecimento de que Cocanha só existe na utopia

Demétrio Magnoli
Antonio Palocci está na cadeia. Há 11 anos, à frente do Ministério da Fazenda, ele apresentou a proposta de uma política fiscal contracíclica, que faria a curva do gasto público declinar (em relação ao PIB) nas fases de expansão econômica e crescer nas de recessão.

"Despesa corrente é vida", retrucou a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, crismando como "rudimentar" a ideia de ancorar a trajetória dos gastos na morfologia do ciclo econômico. A colisão no núcleo do governo Lula opunha a política à demagogia. A PEC do Teto, uma resposta ao triunfo da segunda, implica a restauração da primeira.

A divergência entre as curvas do PIB e do gasto público começou no outono do regime militar, acentuando-se com o pacto da redemocratização. Desde 1980, as despesas aumentam, quase incessantemente, em ritmo mais acelerado que o do PIB. No início, financiou-se a cisão insustentável pela emissão de dinheiro, um expediente não negociado politicamente que desaguou na hiperinflação. Mais tarde, com o Plano Real, adotou-se a solução pactuada de ampliação da carga tributária. Finalmente, no primeiro mandato de Dilma, face à impossibilidade política de elevar ainda mais os impostos, o governo decidiu preservar as sacrossantas despesas pelo recurso a uma nova saída não negociada: o crescente endividamento público.

A demagogia ganhou, então, uma auréola virtuosa, fantasiando-se como teoria: "Nova Matriz Econômica". O reino da Cocanha, um mito de raízes medievais, é a terra de abundância e prazeres na qual nenhum desejo será interditado.

Na Cocanha dilmista, a riqueza pública ilimitada propiciaria o atendimento simultâneo de todas as demandas. Podíamos elevar os proventos dos magistrados e aumentar o salário mínimo, erguer as arenas da Copa e construir hospitais, sustentar o crescimento inercial dos dispêndios previdenciários e ampliar os recursos destinados à Educação, garantir tanto o Bolsa-Empresário quanto o Bolsa-Família. A PEC do Teto surge do tardio reconhecimento de que a Cocanha só existe no mundo da utopia.

A política substitui a politicagem quando termina a demagogia. Na disjunção entre uma e outra, nasce um elemento fundamental das democracias: o Orçamento. Sob o paradigma demagógico do endividamento sem limites, como sob a inflação descontrolada, a previsão orçamentária é uma peça ficcional, fabricada por atos rituais do Executivo e do Congresso.

A PEC do Teto estabelece parâmetros políticos para a produção do Orçamento, impondo o debate sobre as prioridades nacionais. Se a riqueza não é infinita, precisamos escolher entre diversas demandas, atribuindo valor a cada uma delas. Política é isso: decidir, pacificamente, entre interesses legítimos conflitantes.

Os inimigos da PEC recusam-se a abandonar o ninho quente da demagogia para levar seus argumentos à áspera praça da política. A discórdia de fundo repousa na forma como se define a sociedade. Os demagogos não enxergam a sociedade como uma comunidade contratual de indivíduos, mas como uma coleção de corporações demandantes -e prometem realizar as vontades delas todas, começando pelas mais articuladas e barulhentas.

A virulenta reação à PEC do Teto evidencia a extensão da derrota sofrida pelos demagogos: eles não perdem uma batalha singular, mas o privilégio de borrar as regras do jogo político.

Nada, na PEC do Teto, autoriza a conclusão de que serão cortados os recursos da Educação ou da Saúde. A PEC tão difamada apenas explicita o conflito distributivo, suprimindo a crença na infinitude de recursos. De agora em diante, a alocação dos gastos públicos dependerá do jogo político.

No fim das contas, os demagogos que clamam contra a "PEC do fim do mundo" têm uma certa razão: a limitação dos gastos implode o reino da Cocanha, esse estranho mundo destinado a consumir-se na falência do Estado. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 15 / 10 / 2016

O Globo
"Gasolina deve cair mais e ajudar na redução de juros"

Com nova política da Petrobras, inflação pode voltar ao centro da meta

Preços de combustíveis caem pela 1ª vez desde 2009, e ações da estatal sobem até 3,17%. Para ministro da Fazenda, empresa agora tem independência, e tarifas deixaram de ser ‘definidas pelo Executivo’

Pela primeira vez em sete anos, a Petrobras anunciou redução de 3,2% no preço da gasolina e de 2,7% no diesel que entrará em vigor hoje. Nas bombas, o valor dos combustíveis deve ficar R$ 0,05 mais baixo. A estatal divulgou também que, na sua nova política, os preços vão variar com mais frequência. Economistas já esperam novas reduções nos próximos meses, já que a gasolina no Brasil ainda está 12% mais cara que no exterior. Com isso, a inflação deve ceder e ficar perto do centro da meta em 2017, que é de 4,5%. E crescem as chances de o BC reduzir a taxa básica de juros na semana que vem. Analistas elogiaram a mudança na estatal, e as ações da empresa subiram até 3,17%.  

O Estado de S.Paulo
"Preço de combustível cai e pode ajudar corte de juros"

Gasolina e diesel ficam mais baratos, o que auxilia o combate à inflação e deve influenciar decisão do Copom

A Petrobrás anunciou o primeiro corte no preço da gasolina desde 2009. A partir de hoje, as distribuidoras de combustíveis vão pagar 3,2% menos pela gasolina e 2,7% pelo óleo diesel nas refinarias, mas é possível que parte desse ganho não chegue ao consumidor. Ainda assim, analistas projetam que a decisão da estatal vai auxiliar o combate à inflação, além de reforçar a expectativa de um corte da taxa de juros na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, na próxima semana. Apesar de a estatal perder receita, a notícia foi bem recebida pelo mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo atingiu o maior nível dos últimos dois anos. A Petrobrás diz que baixou os preços para inibir a concorrência de importadores. Com preços mais competitivos, desde o início do ano eles já tomaram 14% do seu mercado de óleo diesel e 4% do de gasolina.          

Folha de S. Paulo
"Preço dos combustíveis cai pela 1ª vez desde 2009"

Nos postos, gasolina fica até R$ 0,05 mais barata; valor pode variar todo mês, anuncia Petrobras

A Petrobras anunciou a primeira redução dos preços dos combustíveis desde 2009. Nas refinarias, o custo da gasolina deve cair 3,2%, e o do diesel, 2,7% a partir da 0h de sábado (15). A estatal estima que a gasolina fique 1,4% mais barata para os consumidores (R$ 0,05 por litro). O sindicato dos postos, porém, diz que aqueda deve ser menor, em torno de R$ 0,03—os comerciantes são livres para definir quanto vão cobrar. A empresa também anunciou que, a partir de agora, vai avaliar mensalmente a situação dos combustíveis no mercado internacional para decidir se altera ou não os preços no país. A medida agradou aos investidores, e as ações da Petrobras chegaram a subir mais de 3%. A empresa era criticada por comprometer sua saúde financeira ao segurar os preços sob pressão de seu maior acionista, o governo federal.
 

sexta-feira, outubro 14, 2016

Lockheed L-188 Electra


Coluna do Celsinho

Bersou

Celso de Almeida Jr.

Soube do falecimento do Luiz Bersou, ocorrido nesta quinta-feira, 13/10/2016.

Uma fulminante doença consumiu a sua saúde em menos de dois meses.

Eu desconhecia a batalha final deste grande guerreiro.

Meu último contato com ele foi em fevereiro passado.

Nossa amizade nasceu há 17 anos.

Luis Bersou, engenheiro, consultor de empresas, conceituado estudioso de administração, atuou também em gerenciamento de planos estratégicos para o desenvolvimento de cidades, no Brasil e no exterior.

Extremamente bem relacionado, Bersou teve a generosidade de me apresentar vários de seus notáveis amigos.

Homens e mulheres muito cultos, muito éticos, muito preocupados com o nosso país.

Recordo-me de um contato extraordinário com um de seus amigos, o saudoso  professor Gilberto Dupas, escritor e cientista social, destacado intelectual brasileiro que presidiu o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais e que coordenava o Grupo de Conjuntura Internacional da USP.

Muito aprendizado, muita informação, muitas lições de Brasil e de mundo.

Eu ainda tive a possibilidade de atuar na BCA, consultoria de Luiz Bersou herdada de seu pai, possivelmente uma das mais antigas de São Paulo.

Dos milhares de documentos técnicos produzidos por seus consultores, ao longo de décadas, fui brindado com a oportunidade de estudar algumas centenas.

Um patrimônio inestimável que Bersou sempre compartilhou com os amigos e o público interessado.

Em Ubatuba, onde teve casa na praia Vermelha do Sul, conhecida como praia dos Arquitetos, Luiz Bersou sempre estava pronto para debater o presente e o futuro da cidade, provocando os interlocutores com ideias inovadoras, transformadoras.

Transformar...

Talvez esta palavra seja a que melhor sintetize a inspiração que garantiu energia ao privilegiado pensamento de Luiz Bersou.

Testemunhei muitas de suas ações, mas serei sempre muito grato às orientações estratégicas que ofereceu, voluntariamente, para auxiliar-me a superar as diversas crises que nossa escola enfrentou nestas quase quatro décadas.

Destaco também a organização definitiva do Instituto Salerno-Chieus, que sob a orientação de Luiz Bersou passou de organismo auxiliar do Colégio Dominique para instituição autônoma de fomento cultural e estímulo a estruturação de empreendimentos.

Percebem, prezado leitor, querida leitora?

Transformações que apontam para dias melhores, para novas conquistas.

Frutos consolidados a partir da boa vontade, inteligência e dedicação de um - agora - saudoso brasileiro.

Ao amigo que parte, o meu eterno agradecimento.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Na maioria dos casos, o estudante começa a estudar só na pós-graduação

Contardo Calligaris
O currículo escolar, na Itália da minha infância, era assim: depois do maternal, que não era considerada escola, havia cinco anos de escola primária, três anos de média e, enfim, cinco de liceu.

O liceu levava ao exame de maturidade e à possibilidade de acessar a universidade. A maturidade clássica dava acesso a todas as faculdades, a maturidade científica só permitia se inscrever nas faculdades científicas.

Minha geração foi perseguida pelo azar –ou pela sorte, essa é a questão. O fato é que as reformas escolares facilitadoras sempre aconteciam logo depois da gente.

Fomos os últimos a ter que passar por um exame no fim do terceiro e do quinto ano do primário. Um belo dia, algum ministro achou que não fazia sentido submeter a vexames os alunos da escola obrigatória. Todos iriam até o fim da escola média: por que testá-los e avaliá-los?

E não seria melhor "simplificar" o programa para que todos terminassem sendo aprovados? Pronto, o latim saiu da escola média. O liceu sofreu em consequência: os alunos tiveram que começar, ao mesmo tempo, latim e grego antigo. E por aí vai.

Os progressistas se vangloriavam de "incluir" assim os alunos das classes menos favorecidas. De fato, era o contrário: eles conseguiram "excluir" esses alunos da possibilidade de acesso a uma fatia considerável de saber.

Cá entre nós, "escola obrigatória" não significa apenas que os jovens são obrigados a frequentar as aulas até uma certa idade, significa também que o Estado tem a obrigação de lhes ensinar o que está no programa. O Estado, quando fracassa, se safa da obrigação decretando que não era preciso conhecer as matérias que ele não soube ensinar.

Os "reacionários" gritavam com razão: vocês estão nivelando por baixo. Era em vão, o clichê sendo que todos os jovens seriam muito mais interessados por uma pelada do que pela leitura de Tácito.

É uma obviedade? Não, essa é a crença de uma geração de adultos narcisistas, decididos a criar rebentos que fossem caricaturas de seus próprios sonhos confusos de felicidade e folga.

Ou seja, alguns adultos a fim de férias imaginaram que jovens preguiçosos e ignorantes seriam felizes e, a partir disso, privaram as crianças de aprender coisas que tornariam o mundo infinitamente mais interessante para elas. Depois disso, curiosamente, os mesmos adultos queixaram-se de que as ditas crianças pareciam sempre entediadas.

Os "progressistas" também se tornaram, paradoxalmente, os defensores do funcionalismo da produção: para o que servem o latim, o grego, o próprio italiano clássico, a filosofia, a história, a história da arte? A indústria não precisa de letrados, mas de trabalhadores que participem do processo produtivo. Ler latim e filosofia não adianta nada; o que adianta é saber lavrar ao torno. Falar a norma culta da língua também não adianta nada; o que adianta é a eficiência.

As coisas continuam assim, não só na Itália. Na grande maioria dos casos, um estudante começa a estudar só na pós-graduação. E há bases que são perdidas para sempre.

Pensemos agora no sucesso dos livros de Dan Brown (e dos filmes relativos, desde "O Código da Vinci"). "Inferno", o filme adaptado do quarto romance das aventuras do professor Robert Langdon, "simbologista", entrou em cartaz agora.

Nos livros de Brown, uma cultura de bom vestibulando descobre e decifra sinais ocultos, resolvendo o mistério da hora, salvando assim o mundo e a verdade.

Li "Inferno" em 2013, quando saiu. Gostei de ver que o conhecimento da "Divina Comédia" e da história da arte de qualquer estudante italiano de liceu servia para revelar sinais ocultos mundo afora. Mas isso com uma ponta de melancolia, porque esse conhecimento era o privilégio do professor Langdon e não mais o patrimônio banal de todos.

A reforma escolar aparentemente "progressista" produziu o triunfo absoluto do elitismo. Agora, um povo privado de seu direito à cultura, em geral, não encontra o simpático Robert Langdon, mas o obscurantismo –religioso ou não.

O cidadão entediado e iletrado espera que outros, os quais sequer leem o latim da Bíblia Vulgata e ainda menos o grego e o aramaico originais, digam-lhe quem ele é e qual é o sentido de sua existência.

Robert Langdon, libera nos et ora pro nobis. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 14 / 10 / 2016

O Globo
"Lula vira réu pela 3ª vez em ação de corrupção"

Petista é suspeito de beneficiar Odebrecht em troca de vantagens

Marcelo Odebrecht e sobrinho do ex-presidente também responderão a ação na Justiça do Distrito Federal; empreiteira teria pagado propina após receber financiamento do BNDES

O ex-presidente Lula virou réu pela terceira vez em menos de três meses. Desta vez, responderá por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Justiça Federal em Brasília sob a acusação de tráfico de influência junto ao BNDES em favor da Odebrecht no exterior. Também viraram réus no processo Marcelo Odebrecht e Taiguara dos Santos, sobrinho de Lula. Lula já respondia por suspeitas de tentar interferir na Lava-Jato e de receber vantagens no tríplex de Guarujá.  

O Estado de S.Paulo
"Senado vai retomar projeto questionado pela Lava Jato"

Investigado na operação, Romero Jucá diz que proposta de abuso de autoridade será votada no mês que vem

O projeto que muda a lei de abuso de autoridade voltará a ser discutido no Senado. O relator, Romero Jucá (PMDB-RR), diz que ele será posto em votação no mês que vem. A proposta de 2009 foi desengavetada em junho por Renan Calheiros (PMDB-AL) e sofreu críticas de diferentes setores que a enxergam como ameaça à Lava Jato. Renan e Jucá são investigados na operação. A forte reação ao projeto fez com que Jucá o deixasse em banho-maria. Agora, ele promete convocar um encontro da comissão para discuti-lo e, se for aprovado, irá a plenário. O parecer de Jucá prevê punição – de indenização a perda do cargo – para servidores e autoridades dos três poderes e do Ministério Público. Para o procurador Deltan Dallagnol, “o conteúdo, a forma e a celeridade da proposta abrem espaço para compreensão de que é uma reação contra grandes investigações, como a Lava Jato”.          

Folha de S. Paulo
"Repatriação acelera a 15 dias do final do prazo"

Só nesta semana, governo garante R$ 4 bi dos R$ 12 bi já assegurados

O governo já garantiu a arrecadação de R$ 12 bilhões com impostos e multas sobre um patrimônio de R$ 40 bilhões mantido no exterior por brasileiros, sem declaração à Receita. Só nesta semana, foram R$ 4 bilhões, metade do contabilizado desde que a Lei da Repatriação foi sancionada, em janeiro, informa Mônica Bergamo. O texto permite regularizar valores com o pagamento de 15% de IR e 15% de multa. O dono dos recursos fica livre de condenação por evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsificação de dados. O governo espera arrecadar R$ 50 bilhões até o dia 31 de outubro, prazo final. Quem tiver dinheiro escondido e não aderir à repatriação pode ser processado: o Brasil assinou convenção com 96 países para que sejam revelados os nomes de todos os cidadãos que mantiverem contas secretas no exterior a partir de 2017. Endividados, governadores tentam garantir no Congresso que parte das multas sejam repassadas a Estados e municípios. O governo federal, no entanto, não concorda com o aumento do valor de repasse proposto.
 

quinta-feira, outubro 13, 2016

Física


Manchetes do dia

Para que a PEC 241 seja eficaz, precisa morder para cima

Elio Gaspari
Na noite de segunda-feira o governo conseguiu uma bonita "vitória maiúscula" na Câmara dos Deputados. Bonita, mas literária. A Constituição limitará as despesas públicas impondo um teto ao governo federal.

Ainda na fase da negociação, estabeleceu-se que nas áreas da saúde e da educação o limite só vigorará a partir de 2018. Pode ter sido uma boa ideia, mas foi um mau começo.

Em tese, o paraíso da racionalidade deverá durar 20 anos. Ganha um convite para o próximo jantar de deputados no Alvorada quem tiver a menor ideia do estado das contas públicas em 2036.

A Lei da Responsabilidade Fiscal é de 2000. Em apenas 15 anos desgraçaram-se orçamentos e pedalaram-se despesas de tal forma que o país está quebrado. No governo, como numa padaria, cortam-se despesas passando-se a faca em números. Desde o dia em que assumiu a Presidência, Temer oferece uma sensação de que, com ele, as coisas pararão de piorar. Já seria alguma coisa, mas daí a melhorarem, vai uma enorme distância. O futuro a Deus pertence, mas o passado está aí, disponível.

Recuando-se 20 anos cai-se no ano da graça de 1996. Empresários, áulicos e parlamentares achavam que o instituto da reeleição de presidentes, governadores e prefeitos seria um bom negócio para o país. Em 1996 Fernando Henrique Cardoso batalhava pela reforma da Previdência que defendera durante a campanha eleitoral de 1994. Teve uma vitória na Câmara, festejou o placar de 352 a 134, mas houve mais teatro do que reforma.

O último negociador do projeto do governo foi o deputado Michel Temer. Ajudou bastante, mas FHC ditou para seu gravador: "Vale a pena registrar [que] na última hora o Michel Temer mudou coisas muito importantes que havia combinado conosco, tornando a reforma previdenciária muito pouco eficaz para o combate a uma porção de abusos." À época, Temer conseguiu aquilo que era possível nas negociações com o Congresso. Passaram-se 20 anos, FHC tornou-se um Pai da Pátria e a batata quente está no colo de Temer.

A reforma da Previdência é necessária e chega a ser consensual a necessidade da elevação da idade mínima para o acesso à aposentadoria, mas o demônio está nos detalhes e o governo ainda não mostrou suas cartas. Nas que mostrou, fabrica exceções.

Seis Estados (RJ, RS, MG, BA, SE, RO) e Brasília estão sem caixa para pagar o 13º de seus servidores. Os responsáveis por essa ruína não foram os aposentados do andar de baixo, aqueles que recebem até dois salários mínimos. De onde sairá o socorro, não se sabe. Pelo andar da carruagem, a lei de renegociação das dívidas dos Estados será renegociada antes de ter sido aprovada.

O governo federal vem se mostrando bonzinho no pantanoso terreno da privataria. Há aeroportos e rodovias que não conseguem pagar à Viúva os aluguéis das concessões que contrataram. Coisa de R$ 2,3 bilhões em contas atrasadas.

Assim como os governadores e prefeitos caloteiros ganharam um refresco, os empresários já conseguiram um mimo, espichando suas dívidas para dezembro. Querem mais e receberão mais.

Para que a PEC dos gastos públicos seja eficaz, ela precisa ter dentes afiados e disposição de morder, preferencialmente para cima. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 13 / 10 / 2016

O Globo
"Bancos já restringem consignado a aposentados"

Instituições suspendem financiamento a quem recebe auxílio por invalidez

Com revisão de benefícios pelo INSS, clientes com menos de 60 anos perdem acesso a empréstimo com desconto em folha, que oferece juro menor que outras modalidades

Bancos de médio porte, com forte atuação no empréstimo consignado a aposentados e pensionistas, começaram a suspender o financiamento a clientes com menos de 60 anos que recebem auxílio por invalidez, informa JOÃO SORIMA NETO. Com a revisão prevista de 1,1 milhão de benefícios, quem for considerado apto a voltar ao mercado de trabalho ou faltar à perícia perderá a aposentadoria, segundo o INSS. Como o crédito é descontado da folha de pagamento, as instituições temem aumento da inadimplência. Especialistas avaliam que o movimento é negativo por afetar o acesso a uma modalidade de crédito mais barata do que as outras opções no mercado.  

O Estado de S.Paulo
"Com base mais forte que a de Lula, Temer tenta acelerar projetos"

Dados do ‘Basômetro’ mostram que fidelidade de deputados ao governo é de 83%

O governo do presidente Michel Temer quer aproveitar o alto índice de fidelidade que alcançou com a base aliada na Câmara para acelerar sua agenda de reformas, em especial a da Previdência. Dados do Basômetro – ferramenta de acompanhamento de votações no Congresso do Estadão – apontam que Temer obteve, em cinco meses no Palácio do Planalto, 83% de apoio dos deputados, taxa mais de 20 pontos porcentuais superior à que a ex-presidente Dilma Rousseff conquistou em idêntico período do início do segundo mandato. É a maior adesão para um presidente em começo de gestão desde o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando o Basômetro começou a acompanhar as votações. O desempenho é atribuído a diversos fatores, entre eles a opção de Temer por montar um ministério com nomes majoritariamente egressos do Congresso.         

Folha de S. Paulo
"Temer quer endurecer regras para soltar presos"

Proposta é que regime prisional só mude após cumpridos 50% da pena

O governo Michel Temer quer aumentar o tempo de cumprimento de pena em regime fechado de condenados por corrupção ativa e passiva e por crimes praticados com violência ou que representem grave ameaça. Hoje, para haver a mudança de regime prisional— para o semiaberto, por exemplo—, é necessário cumprir ao menos 1/6 do tempo de condenação. A ideia é que o prazo mínimo passe a metade da pena. A proposta de alteração na Lei de Execução Penal está sendo feita pelo Ministério da Justiça e deve ir ao Congresso em novembro. O objetivo é acabar com o que o governo chama de “distorções”: condenados por estelionato ou furto simples, por exemplo, podem ficar presos por período semelhante ao de condenados por infrações mais severas. No Congresso, já tramitam medidas que endurecem a progressão de pena em casos de corrupção. O Ministério Público Federal também é a favor, ao defender que corrupção envolvendo altos valores seja considerada crime hediondo. O governo estuda ainda facilitar, nos crimes sem violência, a pena de prestação de serviços.
 

quarta-feira, outubro 12, 2016

Física


Opinião

Totalitário é o governo que quer cuidar cada vez mais dos súditos

Luiz Felipe Pondé
A vocação totalitária em política não é algo fácil de se entender. O primeiro erro é achar que o governo totalitário o é porque deseja o mal para seus súditos. Não: o que caracteriza um governo totalitário é querer cuidar cada vez mais da vida de seus súditos.

Se você perguntar para um prefeito totalitário a razão de ele querer mandar em sua vida, ele dirá apenas que você não o entende e que ele quer apenas o seu bem. O totalitarismo moderno é o pecado dos governantes que têm grandes projetos para sua vida. E isso é muito difícil de entender, porque quase todo mundo hoje pensa que governantes com projetos de mundo ou sociedade são bons.

O filósofo britânico Michael Oakeshott (século 20), um desconhecido entre nós, costumava dizer que se mede a qualidade positiva de um governante pela ausência de teorias de mundo em sua mente.

A rigor, um governante "ideal" seria alguém que não tem qualquer projeto para a sociedade que governa a não ser manter a ordem, a infraestrutura, a garantia de que a economia seja livre (sem protecionismos ou assistencialismos). Enfim, o "ideal" seria garantir que ele atrapalhará a vida das pessoas o mínimo possível.

Nesse sentido, a pior coisa do mundo seria um governante que tem uma "visão de cidade", uma "visão de sociedade" ou uma "visão de educação" para seus súditos. O totalitarismo é fruto de um projeto de bem social e político. A primeira marca de um totalitário é ele ter certeza que representa o bem para todos.

O filósofo romeno Emil Cioran (século 20) costumava dizer que vizinhos muito preocupados com o prédio se tornam facilmente vizinhos autoritários. Basta alguém achar que sabe como você deveria viver para essa pessoa ou governo se tornar totalitário.

O que ninguém quer entender é que o fascismo sempre se viu como um projeto para o bem do mundo. Enquanto o "amor" que o fascismo nutria pelo mundo não for reconhecido plenamente, o risco da "bondade do bons" jamais será plenamente identificado. É necessário vermos o prefeito fascista com os olhos que ele (e seu seguidores) o veem: com os olhos do "amor" que ele nutre em ensinar a você como você deve viver.

Vejamos um exemplo dramático disso. A cidade de Roterdã, na Holanda, tem um novo projeto de lei proposto por um dos tipos mais totalitários do mundo moderno: o "educador". Segundo esse projeto, mulheres "incapazes para a maternidade" serão obrigadas a tomar contraceptivos. Essas mulheres são mulheres que usam drogas, que não têm domicílio fixo, portadoras de alguma doença importante diagnosticada ou prostitutas. Os "inteligentinhos", na pobreza de espírito que os caracteriza, não percebem aqui o totalitarismo porque na Holanda se anda de bike.

Essas mulheres seriam "acompanhadas" por psicólogos e assistentes sociais a fim de determinar a capacidade delas em exercer uma possível maternidade.

Os proponentes da lei entendem que há um risco totalitário na ideia, porém "escolhem respeitar o direito das crianças" em detrimento do direito das mulheres de serem mães. Você pode, talvez, se perguntar onde estariam essas crianças cujo direito deveria ser respeitado. Você pergunta isso porque não entendeu (e a culpa não é sua, é duro mesmo perceber quais crianças são essas a serem respeitadas) que o direito aqui em jogo é "o direito de uma criança não nascer".

Evidente que estamos aqui muito além do aborto. Estamos aqui diante de uma lei que decide quem deve ou não nascer em nome de um estatuto que diz cuidar dos direitos das crianças.

A intenção por trás desse blá-blá-blá é limpar a cidade de crianças que poderão custar caro para o Estado. Mas, de novo, os "inteligentinhos" ficam confusos porque na Holanda se anda de bike e, quando se anda de bike, creem eles, sempre se carrega o bem no coração.

A mentira é que não se trata de "direito" de criança nenhuma, mas, sim, de um forma de higienizar o mundo. O "amor" pelo mundo melhor é uma das maiores misérias modernas. Não confio em gente que "ama" o mundo. Uma obsessão que custará a passar, mas passará, como tudo mais.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 12 / 10 / 2016

O Globo
"De saída, Beltrame diz que UPPs ainda são desafio"

Roberto Sá assumirá o cargo e pretende reforçar policiamento nas ruas

Secretário de Segurança que implantou a política de pacificação no estado há quase dez anos diz acreditar que projeto terá continuidade porque homicídios caíram e moradores aprovam o programa

Após quase dez anos à frente da Segurança do estado, o secretário José Mariano Beltrame decidiu deixar o governo, como antecipou ontem ANCELMO GOIS, e disse ter certeza de que, apesar dos problemas, as UPPs, marco de sua gestão, provam que é possível pacificar territórios antes dominados pelo tráfico. “Poupamos muita vidas. Especificamente, 21.060 vidas em nove anos e nove meses”, disse, um dia após confrontos que aterrorizaram a Zona Sul. Na segunda, assumirá o cargo um de seus principais assessores, o delegado Roberto Sá, que quer reforçar o patrulhamento nas ruas. Favelas vão ganhar 25 bases blindadas.  

O Estado de S.Paulo
"BNDES bloqueia verba de empreiteiras para obra no exterior"

Banco suspende liberação de US$ 4,7 bi para construtoras investigadas na Lava Jato

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendeu em maio o desembolso de recursos para 25 operações de exportação de serviços de engenharia prestados por empresas investigadas na Operação Lava Jato em nove países: Angola, Cuba, Venezuela, Moçambique, Argentina, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Gana. Os projetos de Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez somam US$ 7 bilhões em financiamentos, dos quais US$ 4,7 bilhões tiveram a liberação congelada. A suspensão em bloco foi motivada por ação civil da Advocacia-Geral da União. Ontem, o diretor de Comércio Exterior do banco, Ricardo Ramos, anunciou que a instituição vai refazer a análise de crédito dos 25 empréstimos, que poderão ser cancelados definitivamente ou retomados.         

Folha de S. Paulo
"Total de acidentes com mortes nas marginais cai 52%"

Após redução da velocidade nas vias de SP, atropelamentos fatais passaram de 24 para 1; Doria promete reverter medida

Um ano após a implantação da redução de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros, a soma de acidentes fatais nas vias paulistanas caiu pela metade, segundo dados compilados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) obtidos pela Folha. De julho de 2014 a junho de 2015, foram 64 acidentes com mortes, contra 31 ocorrências do tipo nos 12 meses seguintes, até junho de 2016. Com isso, a queda foi de 52%. Na mesma base de comparação, o número de colisões fatais passou de 40 para 30; o total de atropelamentos com mortes caiu de 24 para um. Não é incomum encontrar ambulantes em meio a veículos nos horários de pico ou pedestres atravessando as vias. A redução dos limites, em julho de 2015, dominou o debate eleitoral e ganhou força na transição entre as equipes do prefeito Fernando Haddad (PT) e de João Doria (PSDB). Na campanha, o tucano disse que daria fim “à indústria da multa” elevando os limites, em janeiro de 2017. Mesmo com a queda das mortes, as multas por excesso de velocidade —que podem variar de R$ 85 a R$574—triplicaram nas vias. Mas o tucano já admite rever a promessa. Em conversa com cicloativistas, disse que pode manter a velocidade reduzida em alguns trechos das marginais.
 

terça-feira, outubro 11, 2016

Física


Opinião

Viajar de táxi era conviver com Donald Trump sem sofrer consequências

João Pereira Coutinho
O serviço Uber foi legalizado em Portugal. Os motoristas de táxi não gostaram. Prometeram violência ("Porrada não vai faltar!", anunciaram os beneméritos) e alguns cogitam subir os preços em dias feriados.

Sobre a violência, nada de novo: antes da legalização, porrada não faltava. De tal forma que houve espancamentos por engano: o cidadão passava no aeroporto para pegar um amigo e deixava a dentadura como lembrança.

Sobre os preços, será realmente inteligente apimentar a tarifa dos táxis quando a palavra do momento deveria ser "competição"? Até porque os táxis têm uma vantagem competitiva: os respectivos motoristas.

Sei do que falo. Por razões sociológicas, experimentei o Uber. Difícil não ficar impressionado com as qualidades técnicas do serviço: rapidez no atendimento, higiene do automóvel, preços que deixam qualquer cliente a salivar por mais.

Pena que os motoristas do Uber acrescentem pouco à viagem. Uma pessoa faz um comentário –sobre o tempo, sobre o trânsito, sobre a política e seu bestiário– e eles, com uma educação de mordomos ingleses, apenas sorriem ou respondem com monossílabos de psicanalista.

Podemos continuar a picar o bicho, esperando que ele entre na arena com as narinas fumegantes, mas o bicho não se perturba.

Então nós, frustrados e entristecidos, fechamos os olhos e lembramos com saudade de todos os motoristas de táxi que passaram pela nossa vida.

Para começar, os motoristas de táxi com quem convivi eram os mais puros representantes do pessimismo lusitano. As coisas, para eles, não estavam boas nem más; estavam péssimas. E quando havia um elogio meu à cidade, ao trânsito, à vida, eles reagiam como se alguém tivesse insultado suas mães.

Em anos e anos de circulação, só uma vez encontrei um otimista. Ou, pelo menos, alguém que não rebentou com meu otimismo. "Está um belo dia, não acha?", perguntei eu, olhando para o céu radioso de Lisboa.

"Já vi melhor", respondeu ele, angustiado por não conseguir desmentir o óbvio. "Já vi melhor" representa essa feroz resistência às alegrias do presente –e uma nostalgia melancólica, quase patológica, pelo passado.

A filosofia do "já vi melhor" acontece nas pequenas coisas ("antigamente, havia mais respeito") ou nas grandes ("o que era preciso era um Salazar em cada esquina").

Mas os motoristas de táxi que eu conheci não são apenas reacionários genuínos. Alguns vão mais longe e são autênticas preciosidades para um cientista político. Foi nos táxis que aprendi como funciona a mentalidade revolucionária. Políticos incompetentes? Corrupção no governo? Crise no país?

"Era tudo encostadinho na parede" –outra expressão que relembro com carinho. A solução para os problemas sociais –e todos eles tinham a solução– passava por dizimar um número indeterminado de pessoas.

Depois da chacina, era só fazer repousar sobre a pátria uma espécie de lei marcial eterna e tudo encaixava por milagre. O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, não passa de um amador.

Naturalmente, nem todos os motoristas que encontrei sonhavam com a carreira de Pol Pot. Havia os confessionais (que partilhavam desgostos amorosos), os poetas incompreendidos (que me liam os seus sonetos) e até os sábios do cosmos (recordo um que passou a viagem inteira a convencer-me de que os alienígenas éramos nós).

Sem falar dos pequenos Sades (que relatavam aventuras escabrosas com donzelas ocasionais) ou amantes da eugenia (que dissertavam abundantemente sobre as diferentes raças). Viajar de táxi era como conviver com Donald Trump durante alguns minutos sem sofrer as consequências.

Quando o automóvel chegava ao destino, o passageiro sentia que pagava dobrado: pela viagem e pela experiência única de ter visitado um universo paralelo.

Minha pergunta é saber qual o destino desse universo. Que tipo de literatura oral não iremos perder com o Uber? E não será possível arranjar um compromisso?

O Uber veio para ficar –e triunfar. Mas há clientes que sentem falta da velha adrenalina: no fundo, são como fãs de cinema de horror condenados a assistir novelas.

Para esses, o Uber deveria contratar os motoristas de táxi que promete jogar no desemprego. Para que eles ensinassem aos novos motoristas alguns repertórios clássicos –"já vi melhor", "era um Salazar em cada esquina", "tudo encostadinho na parede" etc. Há gostos para tudo –e os gostos, até para evitar porrada, não se discutem. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 11 / 10 / 2016

O Globo
"Por ampla maioria, Câmara aprova teto para gastos"

Uma das principais medidas do ajuste fiscal recebe 366 votos

Vitória do governo Temer dá início às reformas, depois de STF negar mandado contra proposta

O governo conseguiu aprovar na Câmara, em primeiro turno, a proposta de emenda constitucional que limita os gastos públicos. Foram 366 votos a favor, 111 contra e duas abstenções. Mais cedo, o STF rejeitara mandado de segurança pedido pela oposição para tentar interromper a tramitação da proposta. O teto dos gastos é a primeira grande medida de ajuste fiscal do presidente Temer. Na reforma da Previdência, o governo quer acabar com a aposentadoria especial de deputados e senadores.  

O Estado de S.Paulo
"Em vitória de Temer, teto de gasto avança na Câmara"

Por 366 votos a 111, deputados dão primeiro aval a proposta que limita despesa do governo por 20 anos

A Câmara aprovou ontem, em primeiro turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que institui por 20 anos um teto para gastos públicos. Em plena segunda-feira, dia de quórum reduzido, o governo obteve 366 votos favoráveis, ante 111 contrários e 2 abstenções. Os 58 votos além do necessário foram considerados uma demonstração de força em torno do ajuste fiscal. A medida passará agora por uma segunda votação, marcada para 24 de outubro, e depois seguirá para o Senado. O textobase aprovado prevê que o crescimento de despesas seja limitado pela inflação acumulada em 12 meses, com exceção de 2017, quando o limite subirá 7,2%. A partir do décimo ano de vigência, a regra da PEC poderá ser alterada uma vez a cada mandato presidencial. Despesas com saúde e educação manterão seus pisos constitucionais. Nos últimos dias, o governo intensificou o corpo a corpo para convencer indecisos a votar a favor da PEC. Além de acelerar as negociações do projeto que altera a lei de repatriação, representantes de Michel Temer abriram as portas para atender a demandas de deputados, inclusive por cargos.         

Folha de S. Paulo
"Câmara dá vitória a Temer e aprova limite de gasto federal"

Para o governo, medida equilibra contas públicas; oposição diz que restrição afetará saúde e educação

A Câmara dos Deputados aprovou, por 366 votos a 111, a proposta de emenda à Constituição que congela os gastos federais pelos próximos 20 anos. O limite e a reforma da Previdência, a ser enviada ao Congresso, constituem as prioridades do governo Michel Temer (PMDB). O presidente se empenhou na aprovação, o que incluiu a realização de jantar para mais de 200 deputados neste domingo (9). A aprovação dependia de 308 votos. O texto ainda passará por segunda votação, provavelmente no final deste mês. Caso seja aprovado, seguirá para análise do Senado. No plenário, a base de Temer defendeu a medida sob o argumento de que ela é imprescindível para o equilíbrio das contas públicas. Para a oposição, o novo regime fiscal vai cortar investimentos, principalmente nas áreas de educação e saúde. A PEC restringe por duas décadas as despesas do governo ao IPCA (índice oficial de inflação) dos 12 meses anteriores, com possibilidade de revisão após dez anos. Para funcionar, o teto depende de mudanças que limitem outros gastos, sobretudo na Previdência. O limite pode vir a ser estendido a Estados e municípios.
 
 
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